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Professor Esp. Érlon Migliozzi
INTRODUÇÃO À 
TEOLOGIA
2025 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2025. Os autores. Copyright C Edição 2025 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
 REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
 DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
 DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
 DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
 DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
 DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
 DIREÇÃO DE INOVAÇÃO Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
 DIREÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosisnski
 NÚCLEO DE APOIO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO Bruna Tavares Fernandes
 BIBLIOTECÁRIA Tatiane Viturino Oliveira
 PESQUISADOR INSTITUCIONAL Tiago Pereira da Silva
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE PRESENCIAL Profa. Ma. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE EaD Prof. Me. Bruno Eckert Bertuol
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Isabelly Oliveira Fernandes de Souza
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Louise Ribeiro 
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 Maria Clara da Silva Costa
 Stephanie Rodrigues da Mota Vieira
 Vinicius Rovedo Bratfisch
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Carlos Firmino de Oliveira
 Lucas Patrick Rodrigues Ferreira Estevão 
 Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
 DE VÍDEO Felipe Souza Oliveira
 Leandro Tenório
 Maria Beatriz Paula da Silva
 Thassiane da Silva Jacinto
 FICHA CATALOGRÁFICA
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
 M634i Migliozzi, Érlon
 Introdução à teologia / Érlon Migliozzi. Paranavaí:
 EduFatecie, 2025.
 105 p.: il. Color.
 1.Teologia. 2. Teologia das religiões (Teologia cristã). 3.
 Religião – História. 4. Religião – Filosofia. 5. Igreja –
 catolicidade. 6. Igrejas Pentecostais. I. Centro Universitário
 UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III Título.
 CDD : 23 ed. 230
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas do banco de imagens 
Shutterstock .
3
AUTOR
• Especialista em Empreendimentos Educacionais (UCB/RJ).
• Bacharel em Teologia (UniFil). 
• Bacharel em Ciências Econômicas (FAFICOP). 
• MBA em Liderança (UniFil).
• Mestrado Livre em Liderança Pastoral Urbana (STF/UniFil).
• Docente do curso de Teologia EaD (UniFatecie).
• Consultor Educacional da UniFatecie.
Palestrante e ministrante de cursos teológicos livres na área do Velho Testamento 
e Escatologia. Ministro do Evangelho na Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Consultor 
empresarial pelo Conselho Regional de Economia de Curitiba/PR. Professor de Matemática 
e Sistema de Informações Gerenciais e Ensino Religioso na Rede Estadual do Paraná. 
Além de possuir experiência em sala de aula, tem conhecimento na área administrativa 
de instituições de ensino, onde assessorou Pro-Reitoria de Extensão e Pós-Graduação e 
departamentos comerciais. É consultor e perito judicial pelo Conselho Regional de Economia 
de Curitiba–PR.
Informações e contato:
 Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8601941430171375. 
Professor Esp. Érlon Migliozzi
4
APRESENTAÇÃO
Seja muito bem-vindo (a)!
Prezado (a) aluno (a), é sempre ótimo ter você junto conosco. Você já se deparou 
com situações em que você deseja respostas e aí, você ouve dizer: “Ah, este assunto é 
um assunto teológico!”? Pois bem, é agora que muitos fazem a opção de ir aos dicionários 
ou sites e até mesmo questionarem a um líder religioso sobre o que é teologia e quando 
você resolve fazer uma investigação, você se defronta com pensamentos diferentes, várias 
disciplinas, nomenclaturas, e parece que ao receber uma resposta simples, você fica mais 
em dúvida ainda.
É por isso que a disciplina de Introdução à Teologia precisa existir na sua grade 
acadêmica. Para ser um teólogo, você precisa saber por onde a teologia navega, abrange 
e interage. A teologia é uma ciência que não é exata e, acredite, não coloca ponto final em 
suas razões. É viva, não está presa ao tempo, tem um perfil místico e um perfil natural, liga 
a Fé e a Razão, fazendo que cada uma se complete. 
Convido você a conhecer um pouco mais sobre a teologia, seu conceito, sua 
necessidade e particularidades. Vamos falar muito sobre a história da Igreja, suas principais 
ramificações e assim entender por que há diferentes modos de interpretar fatos bíblicos 
e teológicos. Quais são as bases? Qual é o conteúdo que a teologia possui? Qual seu 
objeto de estudo? Tudo isso e muito mais estão te esperando nesta disciplina! Entenda 
que estamos em um nível introdutório e é um requisito imprescindível você buscar mais 
conhecimento através da leitura complementar. 
Nossa proposta de estudo vai dar um rumo às suas buscas e aprimoramento, com 
objetivo de lhe instigar a conhecer mais sobre as disciplinas que fazem parte da grade 
teológica e, quem sabe, definir o objetivo principal do seu estudo, para você continuar, de 
agora por diante, no foco daquilo que é sua vocação.
Vamos juntos? 
Bom estudo!
5
SUMÁRIO
Práticas Teológicas
Teologia Pentecostal
Teologia Católica Romana
Conhecendo Teologia
Professor Esp. Érlon Migliozzi
CONHECENDO 
TEOLOGIA1UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
7
Plano de Estudos
• A História da Teologia;
• Fundamentos do Estudo Teológico;
• Teologia Acadêmica e Ciência; 
• Teologia Bíblica.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar a Teologia como Ciência e Razão para a Fé;
• Compreender os tipos de Filosofias e Interpretações Teológicas;
• Estabelecer a importância da Teologia na compreensão do Divino.
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
8
INTRODUÇÃO
Caro (a) aluno (a),
Acredito que, antes de você optar em fazer um curso teológico, você deve ter 
buscado informações a respeito. Quando entramos em contato com o mundo teológico, 
algumas incertezas podem surgir, entre elas, é o objeto de estudo da teologia, o método de 
estudo e os resultados que este estudo pode proporcionar ao estudante. 
Em nossa disciplina de Introdução à Teologia, queremos demonstrar, através da 
história da Igreja e da filosofia, a necessidade da teologia como ciência e como instrumento 
de fortalecimento da crença. Nesta primeira unidade, vamos tratar dos primórdios da 
teologia, vamos conhecer juntos os motivos que levam o homem a desenvolver um discurso 
teológico e como isto impacta o mundo.
Falaremos também sobre a história e o conceito da teologia, como surgiuque a prática da teologia na vida cotidiana. Parece 
simples, mas o teólogo precisa saber como interagir com seu ambiente para conseguir 
aplicar sua teologia quando lhe convier. Esta definição se aplica à prática individual. E 
segundo o teólogo cristão Richard R. Osmer (2008), em sua obra “Teologia Prática e 
introdução”, a teologia se utiliza de quatro questões que produzem quatro reações:
O que está acontecendo? Que desencadeará uma tarefa empírico-descritiva. Por 
que está acontecendo? Com consequência, em uma tarefa interpretativa. O que deve 
acontecer? Resultando em uma tarefa normativa. E como devemos responder? Com uma 
tarefa pragmática. 
Porém, não é desta prática que queremos falar agora, queremos falar sobre a 
prática da “ciência” teológica católica. A prática teológica no catolicismo tem como sua 
ferramenta a catequese, ou melhor, especificando, a relação da Igreja com o mundo e, 
sendo mais específico ainda, como tem se desenvolvido a relação da igreja com o todo, 
como ela se comunica e dialoga com as diferentes necessidades.
Para poder analisar sua ação, a teologia prática se departamentaliza, se dividindo 
em áreas, as quais são analisadas, cada uma em sua ótica e necessidade. Se retornarmos 
ao movimento querigmático, vamos lembrar que a preocupação que levou este movimento 
a surgir foi em estabelecer uma comunicação mais simples entre a teologia e o povo. 
45TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
Assim, atualmente, a Teologia Litúrgica e a Teologia Sacramental, surgem como 
disciplinas na teologia prática, a fim, de analisar e dinamizar a interação dos ritos com os 
seus fins e propósitos, é algo que faz todo o sentido, pois, o teólogo precisa transmitir o que 
lhe é inspirado, de forma organizada e simples, trazendo uma compreensão litúrgica.
FIGURA 2 - A TEOLOGIA EM PRÁTICA
https://www.shutterstock.com/image-photo/mitrapur-india-february-26-2020-faithful-1785021938
MITRAPUR, ÍNDIA - 26 DE FEVEREIRO DE 2020: Católicos fiéis durante uma 
missa ao ar livre na vila de Mitrapur, Bengala Ocidental, Índia
Temos outra disciplina conhecida como Teologia do Direito Canônico, que analisa 
os procedimentos e normas jurídicas da Igreja e viabiliza a prática nas normas. O direito 
canônico se utiliza dos mandamentos dados por Jesus à sua Igreja e ao poder que ela 
exerce.
Outra interdisciplinar da teologia prática é a Teologia Pastoral, que cuida da 
aplicação dos ensinos e ações teológicas da Igreja no dia-a-dia, ou melhor, no cotidiano da 
comunidade todo. É esta interdisciplinar que traz o dinamismo à liderança da igreja local 
perante seus membros.
Por fim, temos a última interdisciplinar, a Teologia Espiritual, que trata, em resumo, 
da trajetória do espírito humano em busca de atingir a perfeição e a santidade, que ocorre 
46TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
em Cristo Jesus. Esta interdisciplinar se dividirá ainda em duas: ascética e mística, definidas 
pelo objeto de estudo. A primeira tem como objeto a teoria e a prática da perfeição cristã 
até o estado contemplativo e a segunda tem como objeto a própria contemplação (Libânio; 
Murad, 1996, p. 226 - 228).
Ao entendermos este tópico sobre a prática teológica católica, vamos observar, 
quando estudarmos outras correntes teológicas, que a teologia católica se apresenta bem 
mais organizada neste aspecto de condução e sistematização de suas práticas ministeriais, 
é um método que surgiu para que os ensinos não sofressem influências na linha de frente 
da ministração da Palavra.
4. 2 Teologia Sistemática
Teologia sistemática nada mais é que um estudo “ordenado” ou “organizado” da 
Bíblia. É a própria designação da palavra sistemática que quer dizer “conjunto de elementos 
classificados e organizados entre si segundo um ou mais critérios” (Sistemática, 2021, 
online).
A teologia sistemática parte primeiramente do que diz a Palavra sobre Revelação e 
em seguida, o que a Palavra nos diz sobre Deus é e assim o que ela diz sobre Jesus e depois 
sobre tudo o que Jesus fez pelo homem. Assim, fica claro que a base da sistematização é 
unicamente a Palavra. 
Na sequência da linha de sistematização, será considerada a doutrina do homem, 
do pecado, santificação, da Igreja e dos finais dos tempos. Desta forma, fica claro que 
a sistematização é por tema, assunto, relevância e não é uma ordem cronológica ou de 
cânon, livros. Então, temos agora um horizonte aberto para sabermos onde vamos buscar 
um estudo alinhado das prioridades teológicas no estudo teológico. A disciplina de teologia 
sistemática se subdivide nela mesmo, mantendo a linha geral, ou seja, teremos uma divisão 
em níveis: sobre a Revelação e Deus, Teologia Sistemática I, sobre o homem, pecado... 
Teologia Sistemática II, e assim por diante, costumeiramente até o nível sete, sendo sua 
melhor divisão:
47
NOMES DOS PAPAS - Durante muitos séculos, os Papas eleitos utilizavam os seus nomes de batismo. 
Porém, isso mudou no ano de 533, com a eleição de Mercúrio. Como não ficaria bem para o representante da 
Igreja Católica utilizar o nome de um deus pagão, ele optou por mudar o seu nome e decretou que, durante 
o seu papado, seria chamado de João II. Esse costume passou a ser utilizado pelos seus sucessores, e 
quase todos os Papas mudam o seu nome desde o século X, sendo que o último a utilizar o nome de batismo 
durante o pontificado foi Marcelo II, no ano de 1555.
Fonte: G1. Saiba como será escolhido o nome do novo Papa. 2013. Disponível em: http://
g1.globo.com/mundo/renuncia-sucessao-papa-bento-xvi/noticia/2013/03/saiba-como-sera-escolhido-o-nome-do-novo-
papa.html. Acesso em: 16 set. 2021.
SAIBA
MAIS
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
QUADRO 1 - ORDEM DA TEOLOGIA SISTEMÁTICA
Teologia Sistemática
Parte 1 - Introdução.
Parte 2 - A Doutrina de Deus.
Parte 3 - A Doutrina do Homem.
Parte 4 - As Doutrinas de Cristo e do Espírito Santo.
Parte 5 - A Doutrina da Aplicação da Redenção.
Parte 6 - A Doutrina da Igreja.
Parte 7 - A Doutrina do Futuro.
Fonte: O autor (2021).
http://g1.globo.com/mundo/renuncia-sucessao-papa-bento-xvi/noticia/2013/03/saiba-como-sera-escolhido-o-nome-do-novo-papa.html
http://g1.globo.com/mundo/renuncia-sucessao-papa-bento-xvi/noticia/2013/03/saiba-como-sera-escolhido-o-nome-do-novo-papa.html
http://g1.globo.com/mundo/renuncia-sucessao-papa-bento-xvi/noticia/2013/03/saiba-como-sera-escolhido-o-nome-do-novo-papa.html
48
SAIBA
MAIS
CELIBATO - Originalmente, os primeiros sacerdotes católicos não precisavam ser celibatários. “Isso foi 
sendo reconhecido como um valor importante ao longo dos séculos”, afirma Ribeiro Neto. “Assim, entre os 
católicos de rito oriental (os ortodoxos), até hoje existem padres casados.”
Por volta dos séculos 3º e 4º já existiam movimentos no catolicismo propondo que os religiosos deveriam 
praticar o celibato. “Mas é no primeiro e no segundo concílios de Latrão, ao longo do século XII, que se 
estabelece a obrigatoriedade definitiva do celibato aos clérigos católicos romanos”, relata o sociólogo. 
Outros concílios prévios já mencionaram o tema, propondo a abstenção sexual de sacerdotes e proibindo o 
casamento de monges e freiras.
Fonte: BBC News. Quando e por que a Igreja Católica passou a impor o celibato aos padres. 
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-45489668. Acesso em: 16 set. 2021.
A Igreja Católica mantém o celibato porque acredita que os padres celibatários desempenham suas 
funções religiosas melhor do que os casados, segundo os especialistas. O que você acha e o que você diria?
Fonte: o autor (2021).
REFLITA
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-45489668
49
Chegamos ao final da segunda unidade de nossa Introdução à Teologia e 
conhecemos a história da primeira igreja cristã e, consequentemente, a primeira linha 
teológica que surgiu. Como dissemos na introdução, essa é uma linha de tempo muito 
ampla, são vários acontecimentos, portanto, nos apegamos aos principais.E cada etapa desta história deve ter produzido reações e frutos que não 
conseguiríamos dimensionar todos aqui, são vários pensadores que criticaram e buscaram 
a melhoria do sistema religioso preponderante. 
No primeiro tópico, abordamos a história do catolicismo, iniciamos de um ponto 
onde a teologia já estava institucionalizada e era alvo de ataques frequentes, tanto internos 
quanto externos.
No segundo tópico, falamos sobre a Reforma Protestante, talvez o maior embate 
interno na instituição, que não só dividiu os clérigos, como provocou uma reação na 
instituição.
No tópico terceiro, fomos um pouco mais ao sentido acadêmico da teologia católica, 
pois é necessário entender que a referida corrente teológica tem seus componentes 
completos, a espiritualidade, a intelectualidade e a eclesialidade, entre tantas outras 
disciplinas que surgiram no estudo teológico.
Por fim, no último tópico, falamos sobre a prática e a academia, no qual pretendemos 
mostrar como são tratados os métodos da teologia e qual sua finalidade após o curso.
Acredito que você tenha sido bem introduzido ao tema e possa, de agora em diante, 
saber como buscar mais conhecimento sobre a teologia e a Igreja Católica, sabendo que ela 
contribuiu muito com o cristianismo que conhecemos e ainda, é uma corrente preponderante 
no mundo.
Qual sua concepção sobre a teologia católica? Há algo que você não compreendeu 
muito bem? Busque se aprofundar mais no material de apoio.
Muito obrigado por estarmos juntos!!! Até a Próxima Unidade!!!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
50
LEITURA COMPLEMENTAR
RCC – Renovação Carismática Católica
Vamos trazer um texto que fala de um movimento de avivamento recente no 
catolicismo, que está produzindo muitos discípulos pelo mundo afora. Falaremos como 
se iniciou o movimento carismático no mundo. Este movimento é tido por muitos como um 
movimento pentecostal na Igreja Católica.
Incentivamos os alunos a conhecerem mais sobre o surgimento no Brasil e o 
desfecho da Igreja em Roma sobre o movimento.
O fim de semana de Duquesne:
A sociedade Chi Ro estava organizando um retiro para os estudantes da Duquesne, 
quando ambos os professores, que eram conselheiros desta sociedade, sugeriram uma 
modificação no tema do retiro, de “sermão da montanha” para “Atos dos Apóstolos”.
Segundo recorda Patty Mansfield, então estudante da Duquesne e participante 
do retiro, “os dois professores não fizeram nenhuma referência específica ao Batismo no 
Espírito Santo, mas deixaram transparecer um sentimento de antecipação e de alegria, 
que era profundo”. Isso a levou, com outros estudantes, a ficar curiosa quanto ao que 
aconteceria no retiro.
No dia 17 de fevereiro de 1967, vinte e cinco estudantes aproximadamente, 
acompanhados pelo capelão do campus, que era um padre da ordem do Espírito Santo, 
dirigiram-se para um centro de retiros chamado “The Ark and the Dove”, situado na região 
de North Hills, e pertencente à Diocese de Pittsburg. Os professores orientaram o grupo 
para cantar o hino “Veni Creator Spiritus” em cada sessão, implorando a vinda do Espírito 
Santo.
As palestras teriam o seu foco nos primeiros quatro capítulos dos Atos dos Apóstolos. 
Na noite de sexta-feira, logo após a abertura do evento, na Capela, o instrutor conselheiro 
levantou uma imagem de Nossa Senhora em que ela está com as mãos erguidas em atitude 
de oração. Ele fez uma descrição de Maria como uma mulher de fé e de oração. Depois da 
meditação sobre Maria, houve um serviço de contrição e penitência.
No dia seguinte, os professores coordenadores haviam convidado Flo Dodge para 
que participasse do retiro e apresentasse umas palavras aos estudantes. Sua apresentação 
versou sobre a realeza de Jesus Cristo e sobre o Batismo no Espírito Santo. Para mais 
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
51
tarde, à noite, estava programada uma festa de aniversário para alguns dos participantes, 
mas muitos dos jovens foram sendo individualmente induzidos a se dirigirem para a capela, 
onde experimentaram, manifestamente, o Batismo no Espírito Santo.
No domingo, ouviram uma palestra sobre o segundo capítulo dos Atos dos Apóstolos. 
No fim do dia, os estudantes se retiraram com a recomendação de lerem o livro de John 
Sherril, “Eles falam outras línguas”. Durante algumas semanas após o encontro, alguns dos 
professores e dos alunos da Universidade compareceram às reuniões de oração da casa 
de Flo Dodge, e depois esta reunião deixou de existir. Certamente, já havia preenchido sua 
finalidade.
Enquanto isso, um dos professores foi a South Bend e testemunhou para um grupo 
de trinta estudantes e alguns amigos a maravilha que é viver Pentecostes em nossos dias. 
Estes pediram que se orasse para que recebessem o Batismo no Espírito Santo. Mais tarde, 
começaram a realizar-se, regularmente, em Notre Dame, encontros católicos carismáticos 
de oração, e se difundia cada vez mais a Graça do Batismo no Espírito. Duquesne, Notre 
Dame, Michigan, e um número enorme de católicos são batizados no Espírito Santo.
Fonte: COMSHALOM. Você sabe qual a origem da Renovação Carismática Católica? Disponível em: https://
comshalom.org/a-origem-da-rcc/. Acesso em: 15 jun. 2021.
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
52
MATERIAL COMPLEMENTAR
• FILME/VÍDEO
• Título: Dois Papas
• Ano: 2020.
• Sinopse: Buenos Aires, 2012. O cardeal argentino Jorge Bergoglio 
(Jonathan Pryce) está decidido a pedir sua aposentadoria, devido 
a divergências sobre como o papa Bento XVI (Anthony Hopkins) 
conduz a Igreja. Com a passagem já comprada para Roma, ele 
é surpreendido com o convite do próprio papa para visitá-lo. Ao 
chegar, eles iniciam uma longa conversa onde debatem não só os 
rumos do catolicismo, mas também afeições e peculiaridades da 
personalidade de cada um. 
• Link: https://www.netflix.com/br/title/80174451?source=35. 
• LIVRO
• Título: Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental 
• Autor: Thomas E. Woods Júnior. 
• Editora: Quadrante Editora; 10ª edição (26 junho 2019). 
• Sinopse: Se perguntarmos a um estudante universitário 
sabendo do contributo da Igreja Católica para a sociedade, a 
sua resposta talvez se resuma a uma palavra: “opressão”, por 
exemplo, ou “obscurantismo”. No entanto, essa palavra deveria ser 
“civilização”. O autor destas páginas, Thomas Woods, doutorado 
pela Universidade de Columbia, mostra como toda a civilização 
ocidental nasceu e se desenvolveu apoiada nos valores e 
ensinamentos da Igreja Católica.
• WEB 
• Caros alunos, acessem o link abaixo para visualizarem o vídeo 
“O que aconteceu com a Igreja após o Concílio Vaticano II?” 
• Link do site: https://youtu.be/wQUoa0KtcS. 
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
Professor Esp. Érlon Migliozzi
TEOLOGIA 
PENTECOSTAL3UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
54
Plano de Estudos
• O Movimento Pentecostal Norte Americano e Sueco;
• O Movimento Pentecostal no Brasil;
• Teologia Escandinava e Norte Americana;
• Desafios atuais da Teologia Pentecostal.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar a Teologia Pentecostal.
• Compreender seu tipo de Filosofia e Interpretações Teológicas.
• Estabelecer a importância da Teologia Pentecostal na compreensão do Divino.
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
55
Caro(a) Aluno(a),
Esta é a terceira Unidade de nosso estudo da disciplina Introdução à Teologia, 
vamos sair do foco da espinha dorsal da teologia clássica e vamos ter contato com sua 
primeira teologia de oposição, a teologia protestante. Embora o Catolicismo tenha se 
dividido séculos antes em romano e ortodoxo, esta divisão não trouxe mudanças radicais 
na escola teológica e teve uma conotação de divisão mais territorial, uma separação por 
região, melhor dizendo. 
A teologia teve alguns questionamentos quanto aos ritos e práticas, mas, não houve 
êxodo de um lado para outro. Já, neste evento que teve seu desfecho em 1517, a Reforma 
Protestante, a Igreja Romana foi confrontadacom uma nova teologia e, esta, exerce grande 
influência até os dias atuais. 
No primeiro capítulo da unidade, vamos realizar uma introdução relembrando o 
período da reforma e trazendo as ideias principais que surgiram, porém, vamos dar um 
salto ao movimento pentecostal, que também é uma divisão do movimento protestante, 
resultante da Reforma. No segundo capítulo, vamos falar sobre as particularidades da 
teologia pentecostal no Brasil, afinal, este movimento foi importado e posteriormente, o 
Brasil tornou-se seu maior exportador e referência em sua teologia. 
No terceiro capítulo, vamos tratar das raízes que geraram o movimento no Brasil, 
como suas características se adaptam em solo brasileiro e como influenciou na formação 
das bases da teologia. E no último capítulo, vamos falar dos desafios do pentecostalismo 
atualmente, trazer uma reflexão diante dos dados que identificam o maior movimento 
evangélico do país. 
Esperamos que você absorva um conteúdo que trará entendimento ao assunto, 
lembrando, que estamos destacando apenas uma pontinha da história que trouxe muita 
reflexão aos teólogos contemporâneos e há muito assunto a ser descoberto, partindo desta 
nossa unidade.
Um ótimo estudo e vamos juntos!!!!
INTRODUÇÃO
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
56
O MOVIMENTO 
PENTECOSTAL NORTE 
AMERICANO E SUECO1
TÓPICO
Na unidade anterior, fizemos um breve resumo do movimento protestante 
conhecido como Reforma, a fim de introduzir o contexto católico da Contrarreforma. Agora, 
vamos fazer uma nova ponte, desta vez, vamos ligar a reforma ao movimento que surgiu 
após o pentecostalismo, porém, para sabermos e entendermos sobre o pentecostalismo, 
precisamos entender a sua raiz, o protestantismo clássico, iniciado lá em 1517 com Lutero. 
Vamos trazer também um resumo das ideias que vigoram no protestantismo, não mais nos 
referenciando ao catolicismo, mas, ao dia-a-dia da corrente teológica e alguns nomes e 
acontecimentos também.
1. 1 Teologia Tradicional Protestante
Protestantismo Clássico, Protestantismo Tradicional, Protestantismo Histórico, 
Evangélicos de Missão ou apenas evangélicos, são as denominações feitas aos grupos de 
protestantes que surgiram com a Reforma Protestante.
Ao contrário do que muitos possam imaginar ou conhecer, embora foi Martinho 
Lutero que eclodiu a Reforma, sua Igreja, a Igreja Luterana, não seguiu juntamente com as 
outras denominações que também surgiram da mesma Reforma (Tillich, 1988, p. 258 - 270).
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
57TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
 FIGURA 1 - CRONOLOGIA DOS RAMOS DO CRISTIANISMO
Fonte: WIKIMEDIA. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cristianismo.JPG. Acesso em: 
21 set. 2021.
Como isso ocorre? Na segunda fase da Reforma Protestante, vários outros 
historiadores e teólogos iniciam um processo de institucionalização. Foi na Reforma Suíça, 
promovida por Ulrico Zuínglio, que fazia parte da primeira reforma também, mas discordava 
dos luteranos, principalmente nos sacramentos (Tillich, 1988, p. 254). 
João Calvino publica suas obras “As Institutas” e, com sua ampla divulgação, 
agregam-se a ele vários outros nomes da teologia protestante, Martin Buber, William Farel, 
Zuínglio, Heinrich Bullinger, Pietro Martire Vermigli, Teodoro de Beza, John Knox. Assim, 
nasce uma teologia reformada e leva este nome. Muitos, vinculando a João Calvino, a 
tratam como Calvinismo, mas o próprio não desejava assim (Cottret, 2010). 
Neste ponto da história da Igreja, temos o Catolicismo Romano se preparando para 
a Contrarreforma, o Luteranismo desfrutando de seu novo tempo e começo, a Teologia 
Reformada ganhando corpo por toda a Europa. Para sermos mais precisos, temos então: 
O Catolicismo Romano, o Catolicismo Ortodoxo, o Luteranismo e a Teologia Reformada ou 
Calvinista.
Agora, vamos observar um pouco sobre o que consiste a teologia reformada, o 
que ela acredita e define como base de fé e, assim, descobrir o solo em que vai surgir o 
pentecostalismo séculos depois. A teologia reformada está alicerçada em cinco pontos, 
também conhecidos como “Cinco Solas” e está ligada diretamente ao movimento da 
reforma, porque vai direto aos pontos que a impulsionaram: Sola Fide, Sola Scriptura, Solus 
Christus, Sola Gratia e Soli Deo Gloria. Traduzindo: Somente a Fé, Somente a Escritura, 
58TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
Somente Cristo, Somente a Graça, Somente a Deus, Glória (Ferreira, 2017, p. 32). Então, 
estes pontos definem a Teologia Reformada diante da Teologia Católica.
E o movimento calvinista vai enfrentar outro embate, os “Arminianos”. Veja como 
todos os ex-católicos romanos e não luteranos concordavam com os pontos colocados 
pelos reformadores calvinistas. Já existiam grupos que questionavam a participação do 
homem na sua salvação (estude sobre o “sinergismo” e “monergismo”), enquanto, calvinistas 
defendiam que era Deus quem escolhia quem iria salvar, independente da vontade humana, 
os sinergistas e monergistas acreditavam que o homem tinha participação ou que pela 
ação do Espírito Santo, o homem poderia ser salvo. Foram várias brigas, discussões e 
gerou morte, ao ponto de ser convocado um sínodo nacional em Dort, Holanda. Iniciou-se 
o concílio em 13 de novembro de 1618 e foram 154 reuniões até o dia 09 de maio de 1619. 
Os arminianos perderam as discussões, sendo considerados hereges, perderam 
seus cargos eclesiásticos, sendo desapropriados. Certo tempo depois, Maurício de Nassau, 
governador da Holanda, calvinista, morre, o poder dos calvinistas fica enfraquecido e os 
arminianos conseguem retornar ao país e fundar suas igrejas. Assim, a Holanda continha 
um berço arminiano que cresceu e se expandiu pelo mundo.
Mas para a teologia, quais reflexões está disputa ocasionou? Vamos fazer uma 
tabela para demonstrar a diferença entre as duas correntes:
TABELA 1 - COMPARATIVA ENTRE CALVINISMO E ARMINIANISMO
Calvinismo Arminianismo
Depravação Total A depravação é total
Expiação Limitada A Expiação destina-se a Todos
Graça Irresistível A Graça é Resistível
Eleição Incondicional A eleição é condicional
Perseverança dos Santos A segurança eterna é também condicional
Fonte: O autor (2021).
Teríamos muito o que explicar em cada um destes pontos, mas vamos ficar por 
aqui, pois seria um assunto mais extenso que vamos colocar na leitura complementar para 
não sairmos do foco.
Você diria que a teologia, neste ponto, se dividiu, pulverizou, cresceu, evoluiu? 
ATENÇÃO: É nesse ponto que muitos alunos de teologia cometem o equívoco de dizer 
que a teologia ficou humanizada e perdeu crédito para tratar sobre o divino, ou, em outras 
palavras, não é de Deus. Começam a acreditar que, por haver opções de pensamento, a fé 
é algo produzido humanamente. Pois bem, é agora que a teologia recebe sabor, tempero. 
59TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
Neste ponto de reflexão, vamos descobrir a profundidade do Plano de Salvação e a Graça 
abundante de Deus para com sua criação. Quero afirmar a você algo que possa ir contra 
a sua concepção até aqui: “a teologia é ciência humana, é coisa do homem”, mas não é 
por isso que Deus deixa de existir, de interagir, de se manifestar da forma que lhe convém. 
A fé não para diante de problemas teológicos. Gostaria muito que você procurasse se 
posicionar quanto a estes pontos, o que você acha mais correto e, digo mais, como o 
catolicismo romano, catolicismo ortodoxo, o luteranismo se posicionam nestes assuntos. 
Se você percebeu, a teologia sistemática já é uma boa opção para você analisar a situação, 
talvez, o ponto de partida.
1. 2 O Movimento Pentecostal Mundial
Saiba que o movimento pentecostal surgiu no Ocidente da América, nos Estados 
Unidos, mas o pentecostalismo americano ainda tem influência de outras correntes 
teológicas. 
No século XVII, na Inglaterra, surgiram um grupo de fiéis chamados Quakers, que, 
em oposição ao domínio católico romano, pregavam o pacifismo, a simplicidade, rejeitavamorganizações clericais, viviam separados, na pureza moral, na prática do pacifismo, da moral 
e da filantropia. Estes fiéis, que viviam em constante zelo com a espiritualidade e a conduta 
do dia-a-dia, se consagram literalmente, a fim de serem cheios do espírito Santo. Deste 
grupo, imigrantes estiveram em solo americano, antes do surgimento do pentecostalismo 
(Araújo, 2007, p. 586).
Dos Quaquers, surgiram os Shakers, ainda na Inglaterra, e este grupo era conhecido 
pelos mesmos costumes dos Quaquers, mas diferenciavam pela igualdade entre os sexos 
e no comportamento frenético durante os cultos religiosos. Este grupo também esteve em 
solo americano e foi um solo fértil para sua religião.
Vamos falar agora do Pietismo, um movimento que surgiu no Luteranismo Ortodoxo 
(veja como há uma diversidade de escolas teológicas até aqui). Com a expansão do 
luteranismo pós-reforma, as questões pessoais ficaram em segundo plano, assim surgiram 
fiéis que, insatisfeitos com esta posição, formaram um movimento que valorizava as 
experiências pessoais dos fiéis com Deus. Era o luteranismo original da reforma, mas, com 
um foco no ser humano e não tanto na instituição igreja, proporcionando uma diminuição 
nos credos e confissões.
60TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
O Pietismo Alemão influenciou diretamente o surgimento do Metodismo, por meio 
de John Wesley, na Inglaterra. Os metodistas protagonizaram uma disputa, que produziu 
três movimentos no solo americano, todos eles voltados à prática da santidade e busca 
contínua do Espírito Santo. Vamos destacar o Movimento de Santidade, um dos grupos 
que surgiu neste ínterim, por volta de 1890, e produziu grandes pregadores do Evangelho.
Vamos ser mais diretos, no verão de 1896, houve um avivamento pentecostal na 
Carolina do Norte, um movimento influenciado por um metodista e um batista, no qual 
dizem os relatos que aproximadamente 130 pessoas foram cheias do Espírito Santo e 
começaram a falar em línguas nesta época (Araújo, 2007, p. 586).
Foi na cidade de Eudora, no Kansas, que surgiu um jovem chamado Charles Fox 
Parham, que pregou o Evangelho desde sua adolescência. Parham ministrava a santificação 
e realizava curas e milagres e, em 1898, fundou um albergue e publicou uma revista “Fé 
Apostólica”.
Chegamos a um ponto em que você vai entender como se origina a teologia 
pentecostal. Parham fundou uma escola e seu ensino se baseava somente na Bíblia, com 
ênfase na leitura do Livro de Atos dos Apóstolos, principalmente no batismo do Espírito 
Santo, realizava cultos intermináveis e momentos de oração fervorosos. Foi em um destes 
estudos que Parham se convenceu de que a evidência do Batismo com o Espírito Santo 
era falar em línguas. 
Em 1905, no sul do Texas, em Houston, ocorreu a grande contribuição de Parham 
para o pentecostalismo e, ao chegar de suas ministrações, onde havia curas instantâneas 
e muitos milagres, ele fundou uma Escola Bíblica e um de seus alunos foi o então jovem 
William Seymour (Araújo, 2007, p. 595).
E qual nossa percepção do que é o pentecostalismo? Podemos dizer que é 
um movimento que surge da prática da Santidade, da busca pelo ser cheio do Espírito 
Santo, de ter a Bíblia como único instrumento de fé e da evidência em falar em línguas e 
milagres, juntamente com um culto com uma liturgia mais participativa. Fica claro que é dos 
movimentos da igreja que a teologia se ocupa e aqui vemos claramente isto acontecendo. 
O restante da história é muito rico em detalhes, vamos fazer uma pausa por aqui 
para podermos tirar outras conclusões e mantermos o foco.
Haverá vários avivamentos ocorrendo no solo americano, cada um possuirá uma 
característica mais evidente. Parham mantém contato com Seymour, seu ex-aluno, mas 
também um discípulo. Porém, Seymour tem seu ministério diferenciado de Parham em 
pontos onde o próprio Parham não era muito flexível. Nos anos que estavam vivendo, 
61TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
havia a diferença de raças e o preconceito nos Estados Unidos. Parham era de cor branca 
e Seymour, de origem negra. Isto, entre os dois, não era problema, mas, para Parham, 
ver negros e mulheres à frente de uma obra eclesiástica não era admissível. Foi o que 
ocorreu, em 1906, Parham visita Seymour e se depara com uma igreja avivada, com negros 
e mulheres exercendo ministério sobre brancos. Isto irrita Parham e ele acaba por não mais 
manter contato com Seymour. Bem, o movimento cresceu ainda mais e a corrente teológica 
pentecostal já era muito forte e expressiva nos Estados Unidos (Araújo, 2007, p. 595 - 607).
E o movimento pentecostal na Suécia, de onde são oriundos os missionários da 
Assembleia de Deus no Brasil?
Os relatos de avivamento também seguem como os relatos americanos, porém, 
nosso jovem Lewi Pethrus foi o protagonista do avivamento sueco. Pethrus, experimentou 
a mesma sede e as mesmas manifestações de Seymour. Foi um avivamento muito forte, 
porém, o diferencial da influência de Pethrus no pentecostalismo, foi não se deter ao 
denominacionalismo, ao contrário do movimento pentecostal americano, o avivamento sueco 
fez de Pethrus um pastor itinerante e foi nesta caminhada que provocou as experiências 
dos jovens que iriam aos Estados Unidos, e posteriormente no Brasil (Araújo, 2007, p. 574).
Como nosso foco é entender a teologia e não a história da igreja, trazer a vida de 
Pethrus aqui, seria uma repetição de fatos já conhecidos, então, vamos agora para o nosso 
território, o Brasil, ver como se deu o início e em que se baseia o pentecostalismo brasileiro.
 
62
Houve vários movimentos evangélicos no Brasil, anteriores ao ano de 1910, 
data em que as manifestações pentecostais ganharam visibilidade. Tivemos as Igrejas 
Reformadas chegando antes no nosso solo. Presbiterianos, Batistas, fizeram a abertura de 
uma ministração não católica em nossa nação (Araújo, 2007, p. 582).
Porém, vamos falar de um italiano cheio do Espírito Santo em solo americano, seu 
nome Louis Francescon, se converteu ao presbiterianismo e passou a frequentar a Igreja 
Presbiteriana Valdense. Francescon recebeu uma profecia dias após ser cheio pelo Espírito 
Santo, onde iria pregar a mensagem pentecostal para o povo italiano. Ele é considerado o 
fundador da Assembleia de Deus na Itália (Rolim, 1985, p. 36). 
FIGURA 2 - LOUIS FRANCESCON - CARTÃO DE IMIGRAÇÃO BRASILEIRO
Fonte: WIKIMEDIA. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Louis_Francescon_Brazilian_
immigration_card_1947.jpg. Acesso em: 21 set. 2021.
O MOVIMENTO 
PENTECOSTAL NO BRASIL2
TÓPICO
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Louis_Francescon_Brazilian_immigration_card_1947.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Louis_Francescon_Brazilian_immigration_card_1947.jpg
63TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
Francescon é o responsável pela primeira igreja pentecostal do Brasil, (1910), a 
Congregação Cristã do Brasil, que depois trocou de nome para Congregação Cristã no 
Brasil. Antes, Francescon fundou várias igrejas nos Estados Unidos, todas igrejas Ítalo-
americanas, também viajaram para a Argentina e fundaram a Igreja Cristã Pentecostal da 
Argentina (Araújo, 2007).
O que precisamos saber é que a motivação e a bagagem trazida por Francescon 
são oriundas do mesmo pentecostalismo americano que conhecemos anteriormente. 
Neste mesmo ano, desembarcaram em Belém do Pará, os fundadores da atual 
Igreja Assembleia de Deus no Brasil, que iniciou com o nome do ministério de Seymour, 
Missão Fé Apostólica e, seis anos após, adotou o nome que é até hoje.
O que precisamos saber sobre os dois assembleianos é que eles enfrentaram 
muitas dificuldades no Brasil, barreira de idioma, adaptação cultural. A maior dificuldade que 
tiveram ocorreu na igreja batista, onde frequentaram. Em um trabalho, um jovem começou 
a falar em línguas e os motivadores foram os suecos, que haviam ministrado ao jovem. 
Qual foi a repercussão? A igreja batista era ortodoxae eles foram expulsos juntamente com 
mais 18 jovens no dia 13 de junho de 1911 e, no dia 18 de junho de 1911, surgiu a segunda 
igreja pentecostal no Brasil, a Missão Fé Apostólica (Moraes, 2014, p. 17).
Qual a teologia pentecostal no Brasil? Deixando a história, agora, vamos entender 
o pentecostalismo todo, inclusive, como ele é no Brasil.
Respondendo à pergunta, a teologia pentecostal é fundamenta na Palavra de 
Deus, a Bíblia, é histórica, e mantém o pensamento teológico dos reformadores quanto às 
doutrinas cardeais da fé cristã (Salvação, Batismo com o Espírito Santo, Cura Divina e a 
Segunda Vinda de Jesus Cristo). Ela enfatiza a doutrina do Espírito Santo (pneumatologia).
A teologia pentecostal dá ênfase às experiências pessoais do cristão, que podem 
ser fundamentadas na Palavra de Deus. Segundo Antônio Gilberto (Gilberto, 2008, p. 52), a 
teologia pentecostal serviu para a contenção de heresias a respeito da doutrina do Espírito 
Santo: 
Os pentecostais resgataram a com unhão com o Cristo vivo, ressuscitado, 
como nos tempos do Novo Testamento. A batalha contra os liberais, os 
avanços nos estudos sobre o Espírito Santo e os seus dons, com as suas 
manifestações nos cultos e na vida pessoal de cada crente, são as principais 
contribuições do pentecostalismo na construção do pensamento teológico do 
século XX.
Com a doutrina do Espírito Santo sendo enfatizada no meio pentecostal, atitudes 
heréticas eram identificadas e repreendidas ao longo da história da igreja pentecostal.
64TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
Como, então, se resumem as crenças principais do pentecostalismo?
Sobre a Salvação (Soteriologia), os pentecostais creem ser uma transformação 
espiritual milagrosa, operada na alma e no caráter de toda a pessoa que professa Cristo 
como seu único e suficiente Salvador. Gilberto (2008, p. 334) cita a salvação como algo 
bem mais abrangente e definido: 
Não se trata apenas de livramento da condenação do inferno; a salvação 
abarca todos os atos e processos redentores, bem como transformadores da 
parte de Deus para com o ser humano e o mundo (isto é, a criação), através 
de Jesus Cristo, nesta vida e na outra “Rm I3; Hb 7.25; 2 Co 3.18; Ef 3.19”.
A soteriologia pentecostal é, geralmente, mais arminiano que calvinista. No 
pentecostalismo, a fé e o arrependimento são necessários para a salvação e precisam de 
uma continuidade. No calvinismo, uma vez que a salvação encontra o homem, este é salvo 
por definitivo, já para o pentecostalismo que é arminiano neste quesito, a salvação precisa 
ser conquistada continuamente.
E sobre o Batismo com o Espírito Santo? Como vimos na história da Igreja 
Pentecostal, este quesito é fundamental, na prática, pentecostal e, pelo que podemos 
observar, o referido batismo ocorre mediante um processo de busca incessante de 
santidade, uma vida de oração e comunhão espiritual. É tido como o prêmio de algo que se 
deseja ardentemente. O pentecostal não tem como sua preocupação primeira a instituição 
eclesiástica, os ritos, a teologia crítica, ele busca a completude do Espírito em sua vida, que 
é fonte de poder, de Graça, algo que realmente completa a relação Deus-Homem. 
O que é o batismo com o Espírito. É um revestimento e derramamento de 
poder do Alto, com a evidência física inicial de línguas estranhas, conforme 
o Espírito Santo concede, pela instrumentalidade do Senhor Jesus, para o 
ingresso do crente numa vida de mais profunda adoração e eficiente serviço 
para Deus “Lc 24.49; At 1.8;10.46.1 Co 14.15,26” (Gilberto, 2008, p. 191).
Assim, vemos que para o pentecostal, há uma evidência do encher-se no Espírito, 
primeiramente o manifesto que é o Dom de falar em línguas estranhas e consequentemente, 
uma vida transformada.
Os pentecostais não restringem os recebimentos dos Dons apenas no período dos 
Apóstolos e no dia de pentecostes. Nesse sentido, eles são “continuacionistas”, que creem 
que todos os Dons do Espírito que se manifestaram na igreja primitiva, continuam até agora 
e são necessários para a igreja.
65TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
As línguas estranhas são apresentadas, também, como um dos dons do 
Espírito Santo (I Co 12.10,30). Quando comparamos as passagens de Atos 
2.17 e 19.6, vemos que os dons espirituais podem ser concedidos por Deus 
no momento do batismo com o Espírito. Como foi o seu batismo? Como você 
foi ensinado sobre essas coisas da Bíblia? (Gilberto, 2008, p. 184).
Dessa maneira, se ao receber o batismo com o Espírito Santo, a pessoa recebe 
os Dons, embasando o crer pentecostal, pois hoje pessoas são batizadas ainda. Quanto 
à profecia, para os pentecostais, não há problema em ter a Bíblia como única regra de fé, 
a Sola Scriptura, mas, como ocorre com os Dons do Espírito Santo, também, os profetas 
são levantados atualmente. Para o pentecostalismo, ainda estamos no contexto do Livro de 
Atos, porém, em tempos mais adiantados. 
A palavra “profecia” tem duplo sentido, primeiro são as profecias bíblicas e 
históricas, que estão relatadas e eram específicas para o povo de Deus ou a quem Deus 
quisesse revelar. Segundo a profecia revelada atualmente, é tida como uma “manifestação 
espontânea da Graça de Deus” e pode ser dada por aquele a quem o Espírito Santo deseje 
usar. Também faz parte do continuacionismo. 
Uma das características da dispensação da graça é o fato de Deus se 
comunicar com cada crente de modo individual, independentemente de sexo 
ou faixa etária — por meio de sonhos, visões, profecias e até pequenas coisas 
naturais do dia-a-dia “cf. At 2.17,18” (Gilberto, 2008, p. 52).
No meio pentecostal, é muito comum Deus usar pessoas para profetizar para 
outras, é o ato de manifestação voluntária do Espírito Santo no meio de seu povo. Foi assim 
que Francescon, Daniel Berguer e outros evangelistas ocuparam seus lugares e deram sua 
contribuição, através do recebimento de profecias.
Sobre o Dom de Línguas (Glossolalia - Xenoglossia) há dois tipos de dons de 
língua, um o qual o indivíduo expressa sons inteligíveis (a chamada língua dos anjos), que 
parecem ter sons e dialetos e formas diferentes, nem sempre são iguais e o dom em falar 
línguas que existem, mas, o próprio indivíduo não as domina. É como se um brasileiro que 
não sabe japonês, em instantes, dominasse essa língua sem nunca jamais ter estudado. 
Operação Milagres é outra manifestação no meio pentecostal que tem forte 
participação na identidade pentecostal, é o Dom de Cura e de Milagres, também está ligado 
aos dons experimentados pelos apóstolos e que continuam na igreja. Mas, por que estes 
dons são manifestos e qual a relação com a fé?
66TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
No original, os dois termos que designam este dom estão no plural: “operações 
de maravilhas”. São operações de milagres extraordinários, surpreendentes, 
pasmosos; prodígios espantosos pelo poder de Deus, para despertar e 
converter incrédulos, céticos, oponentes, crentes duvidosos. “Leia João 6; 
Atos 8.6,13; 19.11; e Josué 10.12-14” (Gilberto, 2008, p. 198).
Com essa explicação acerca dos Dons de milagre, concluímos que na teologia 
pentecostal, todas as manifestações concorrem para trazer o homem para a presença de 
Deus, reconhecer a soberania divina e dar continuidade a “segurança do crente”, uma 
doutrina arminiana que defende que os crentes estão seguros no relacionamento com Deus 
enquanto estiverem perseverantes na fé.
Outra característica que está na linha pentecostal é a liberdade de expressão 
nos cultos e a manifestação independente de ordem litúrgica, estamos falando sobre 
manifestações conhecidas como dançar no Espírito, ser arrebatado, ter visões.
Não vamos entrar em detalhes sobre outras características pentecostais, como os 
usos e costumes, por exemplo, pois são características que têm a mesma finalidade das 
demais práticas, abdicar daquilo que é padrão e tendência do mundo atual, que, muitas 
vezes não considera padrões morais e podem prejudicar a relação do homem com o EspíritoSanto. 
Com este breve capítulo, procuramos dimensionar o que consiste a teologia 
pentecostal e como esta linha teológica está presente, tanto no Brasil, como no mundo.
Há diferenciação entre o pentecostalismo do Brasil, para o mundo? Não e sim. Os 
princípios são geralmente os mesmos, mas, alguns ritos de santidade e formas de se obter 
a ação do Espírito Santo, podem variar, mas, em suma, todos se resumem em busca e 
aperfeiçoamento no Espírito Santo.
67
Sabemos que o movimento pentecostal é um movimento multifacetado, mas, 
precisamos identificar suas principais influências a fim de defini-lo o melhor possível. Já 
falamos sobre o pietismo alemão, que influenciou americanos e suecos. Sobre a influência 
de grupos norte-americanos e suecos (escandinavos) no pentecostalismo brasileiro, agora 
vamos definir melhor o que cada grupo influenciou no estilo pentecostal aqui no Brasil 
(Araújo, 2007, p. 560).
Até meados de 1920, as duas influências não eram tão evidentes, porque estavam 
sendo lançadas as bases da igreja pentecostal ainda, em grande ascendência, a Assembleia 
de Deus. Destes anos até a década de 1950, a influência era total sueca, pois, estavam 
sob controle direto de Daniel Berguer e Gunnar Vingren, com o retorno de Vingren para 
a Suécia, em 1930, outro sueco assumiu a liderança da denominação. Samuel Nyström 
foi de suma importância para a denominação. Sueco, era um nome fortíssimo na teologia 
pentecostal. Nas convenções da denominação, ele era quem trazia as decisões teológicas, 
era excelente orador e escritor, chegou a produzir um livro que vendeu mais de 5.000 
exemplares em uma época em que não se tinha muito hábito de ler livros. Isso demonstra a 
sede de conhecimento que estava no povo assembleiano da época (Araújo, 2007, p. 562).
A grande diferença entre as duas tradições, escandinava e norte-americana, 
estava no estudo teológico. Os escandinavos eram mais práticos, voltados para a obra 
expansionista, pregação bíblica. Já os americanos eram mais voltados aos estudos 
exegéticos, seminários, estudo contínuo e minucioso das Escrituras, produção de material 
teológico, inclusive, foram eles que blindaram o pentecostalismo brasileiro das heresias. 
TEOLOGIA ESCANDINAVA E 
NORTE AMERICANA3
TÓPICO
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
68TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
Esta diferença provocava algo ainda maior. Para se formar obreiros nas primeiras 
décadas sob a liderança escandinava, eram realizados seminários intensivos de três 
meses apenas e era visada mais a questão prática. Já na década de 1950 em diante, os 
americanos intensificaram mais o estudo teológico e exigiram mais da formação de seus 
obreiros, assim, eram necessários mais estudo e tempo para formar novos obreiros. Com 
esta mudança, logo percebia-se uma clara diferença entre os obreiros, os suecos eram 
mais abertos, voltados para a prática e os americanos, mais sistemáticos, metódicos. 
Podemos dizer que os suecos trabalharam o alicerce e os americanos contribuíram 
com o corpo do pentecostalismo brasileiro (Araújo, 2007, p. 562). Desta forma, entendemos, 
mesmo que superficialmente, as diretrizes da educação teológica pentecostal no Brasil. 
Sugerimos a leitura de biografias, como a de Samuel Nyström, Daniel Berguer e Gunnar 
Vingren, Lawrence Olson e Raymond Calson. São nomes que contribuíram com a teologia 
pentecostal no Brasil e trazem mais casos ocorridos na construção da identidade teológica 
deste movimento.
 
69
São mais de cem anos de pentecostalismo no Brasil. A maior igreja pentecostal do 
mundo é brasileira e o maior percentual no grupo evangélico são os pentecostais. Estes 
dados são dados pelo Censo do IBGE no ano de 2012 e, de lá para cá, não mudaram 
significativamente, pelo menos, informalmente, pois não tivemos outro censo mais recente. 
Gostaria de chamar a atenção para dois comentários que estão no site do IBGE e 
que falam sobre os pentecostais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 
2012, online) no qual diz que: “(...) evangélicos pentecostais (6,2%) são os grupos com as 
maiores proporções de pessoas de 15 anos ou mais de idade sem instrução (...)” E “Mais 
de 60% dos evangélicos pentecostais recebem até 1 salário mínimo...são os evangélicos 
pentecostais o grupo com a maior proporção de pessoas nessa classe de rendimento 
(63,7%) (...)”
Diante dos dados obtidos pelo IBGE, gostaria de demonstrar de uma forma indireta 
os maiores desafios dos pentecostais no Brasil. Creio, que renda e educação sejam alvo 
de todos os brasileiros e que os pentecostais não são diferentes também. Mas, esta é a 
resposta ao nos perguntar qual o maior desafio, tornar-se atraente para outras classes 
sociais? Abranger níveis maiores na pirâmide social? 
Não estamos falando de algo discriminatório, apenas utilizando números e dados 
reais para nós. Acredito que, frente ao crescimento expressivo e, sem dúvida, especial 
dos pentecostais no Brasil com todo o mérito que são deles, se há um desafio além do 
espiritual, o social, e pode estar sendo desvendado. Renda e educação são desafio em 
quase todas as economias e pode estar vinculado a influência externa. Então qual a saída? 
DESAFIOS ATUAIS DA 
TEOLOGIA PENTECOSTAL4
TÓPICO
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
70TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
Talvez seguir para o caminho da criação de escolas seculares, gerando emprego além do 
conhecimento.
Destacamos então a Fala do Doutor Ricardo Marinho (2010) em seu artigo na 
edição 329 da Revista do Instituto Humanitas Unisinos:
Depois de um século de presença no país, o pentecostalismo prossegue 
crescendo majoritariamente na base da pirâmide social, isto é, na pobreza. 
Embora contenha um contingente de classe média, recruta a maioria de 
seus adeptos entre os pobres das periferias urbanas. Um de seus principais 
desafios, portanto, consiste em tornar-se atraente para as classes médias e 
mais escolarizadas. Nesse terreno, porém, enfrenta uma série de adversários 
religiosos mais bem-sucedidos, uma vez que as preferências religiosas das 
classes médias recaem sobre o catolicismo, o kardecismo, o protestantismo 
histórico, o esoterismo, entre outras. Sua estreita base social circunscrita 
às classes populares faz com que o pentecostalismo, não obstante sua 
vertiginosa expansão numérica e seu crescente poder político e midiático, 
mantenha-se numa posição claramente subordinada no campo religioso 
brasileiro. Seu baixo prestígio social deriva igualmente de seu relativo 
sectarismo e de sua crença na posse exclusiva do monopólio dos bens de 
salvação ou da verdade divina. Modos de ser e de pensar que se chocam 
com traços básicos da modernidade (Marinho, 2010, p.5 - 7). 
São palavras que despertam a teologia pentecostal a contribuir com a mudança 
de um paradigma, um modelo que está sendo desenhado nas últimas décadas. Cabe à 
teologia pentecostal cooperar com discernimento e enfrentamento dos desafios. 
Com exceção das denominações que priorizam o evangelismo de massas 
e realizam cultos em grandes catedrais (...), as igrejas pentecostais tendem 
a formar comunidades religiosas relativamente estáveis e pequenas. Isto é, 
elas são compostas por congregações e pequenos templos em que todos se 
conhecem, residem no mesmo bairro e compartilham coletivamente crenças, 
saberes, práticas, emoções, valores, os mesmos modos e estilos de vida, 
moralidade e posição de classe. (...) São laços gerados por meio do contato 
pessoal, de relações face a face, estabelecidas em frequentes e sistemáticas 
reuniões coletivas realizadas semanalmente, ano após ano. Eles tendem, 
assim, a formar relações fraternais de amizade, de confiança mútua e também 
de solidariedade com os ‘irmãos necessitados’”. A definição é do sociólogo 
Ricardo Mariano. Na entrevista que concedeu, por e-mail, à IHU On-Line, ele 
entende que “depois de um século de presença no país, o pentecostalismo 
prossegue crescendo majoritariamente na base da pirâmide social, isto é,na 
pobreza”. Na sua visão, o baixo prestígio social do pentecostalismo deriva 
“de seu relativo sectarismo e de sua crença na posse exclusiva do monopólio 
dos bens de salvação ou da verdade divina. Modos de ser e de pensar que se 
chocam com traços básicos da modernidade (Marinho, 2010, p. 05).
Quando falamos de desafio, temos áreas a definir e cremos que podemos dizer 
que está sendo exemplar a área espiritual, ficando o desafio maior na área material, onde 
a conquista de novos níveis sociais seja o alvo para os próximos anos.
71
CONTROVÉRSIA QUINQUARTICULAR - É um termo usado para se referir puramente aos confrontos 
teológicos calvinista-arminiano do período de 1609 até 1618, uma época em que o debate tinha sérias 
conotações políticas na Holanda. Quinquarticular, quer dizer, “ter a ver com cinco pontos” e se refere aos 
pontos de discórdia levantados pelo partido arminiano em sua publicação dos cinco artigos da remonstrância 
em 1610. Estas foram rejeitadas pelo Sínodo nos Cânones de Dort, sendo em essência o que se conhece 
como os cinco pontos do calvinismo.
A controvérsia marcou a transformação do movimento arminiano para uma organização eclesiástica 
separada e perseguida na Holanda. Para os arminianos, foi o início de uma total perseguição após a 
imposição do decreto, enquanto para os calvinistas isso resultou no estabelecimento de pontos claros sobre 
as doutrinas iniciadas por João Calvino e esclarecidas por Teodoro de Beza. 
Fonte: História do Debate Calvinista–Arminiano. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia 
Foundation, 2021. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Hist%C3%B3ria_do_debate_
calvinista%E2%80%93arminiano&oldid=61342571. Acesso em: 8 jun. 2021.
SAIBA
MAIS
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Hist%C3%B3ria_do_debate_calvinista%E2%80%93arminiano&oldid=61342571
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Hist%C3%B3ria_do_debate_calvinista%E2%80%93arminiano&oldid=61342571
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SAIBA
MAIS
A CONFISSÃO DE WESTMINSTER - Foi produzida pela Assembleia de Westminster, convocada pelo 
Parlamento inglês em 1643, durante a Guerra Civil Inglesa. A Assembleia de Westminster (1643-1649) 
constituiu o ponto culminante da elaboração confessional reformada. Os documentos teológicos que dela 
resultaram, a Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve, tornaram-se os padrões doutrinários mais 
aceitos pelos reformados ao redor do mundo. Na década de 1640, os puritanos ganharam o controle do 
Parlamento inglês e entraram em guerra contra o rei Carlos I, que queria manter o sistema episcopal. 
Esse Parlamento calvinista convocou a Assembleia de Westminster, que se reuniu na famosa abadia 
de Westminster. Seus integrantes foram cerca de 120 ministros puritanos, ao lado de uns poucos, mais 
influentes, presbiterianos escoceses. Após extensos debates, o texto da confissão foi concluído no final de 
1646.
FONTE: Confissão de fé de Westminster. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia 
Foundation, 2021. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Confiss%C3%A3o_de_F%C3%A9_de_
Westminster&oldid=61550746. Acesso em: 06 jul. 2021.
Você ouviu muito a palavra “divisão”. Você acredita que novas linhas de pensamento teológico estão 
dividindo ou multiplicando a abrangência do “Reino de Deus”? Isso também é teologia.
Fonte: o autor (2021).
REFLITA
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Confiss%C3%A3o_de_F%C3%A9_de_Westminster&oldid=61550746
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Confiss%C3%A3o_de_F%C3%A9_de_Westminster&oldid=61550746
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Até este ponto do seu estudo de Introdução à Teologia, você consegue identificar uma teologia totalmente 
brasileira?
Fonte: o autor (2021).
REFLITA
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
74
Ao final desta Unidade, podemos estar certos de que já conhecemos o principal 
sobre a Igreja Histórica, sua espinha dorsal, como surgiu a reflexão teológica e como 
ela seguiu até os dias atuais. Vamos falar na próxima unidade sobre os mais recentes 
movimentos teológicos que surgiram mais recentemente, mas para você poder fechar o 
raciocínio com todas as correntes que gerar movimentos significativos na história teológica 
cristã, o conteúdo desta unidade explica muito, inclusive, sobre a realidade no Brasil.
No capítulo de número um, fizemos uma ligação entre o evento que provocou 
uma ruptura no clero católico romano e o surgimento de uma teologia menos institucional, 
deixamos claro que quando ocorreu a Reforma Protestante, não houve só um pensamento 
teológico que surgiu, o próprio movimento reformador precisou contemplar uma pluralidade 
em seu meio. 
Fizemos a menção de um crescimento muito expressivo da teologia pentecostal no 
Brasil, inclusive, é o maior movimento evangélico no nosso solo. Demonstramos como as 
correntes escandinava e norte-americana trouxeram suas culturas na teologia pentecostal 
e quais são as suas contribuições para o movimento. E também falamos de como o 
pentecostalismo brasileiro está após cem anos de existência, dos seus desafios e de uma 
linha de crescimento.
Esperamos que você possa ter emergido neste contexto pentecostal e adquirido 
o conhecimento para poder se localizar ao se deparar com alguma prática teológica que 
precise ser interpretada. Hoje, diante daquilo que você estudou, se você é cristão, você 
poderia dizer que sua comunidade eclesiástica segue qual linha teológica? Luterana, 
Católica Romana, Evangélica Tradicional, Evangélica Pentecostal? Se você não pertencer 
a nenhuma delas, tudo bem, talvez você esteja em uma ramificação, mas, você saberia 
dizer qual foi a raiz teológica mais próxima? 
Se você continua em dúvida, convido você para a próxima unidade, que vamos 
estudar o Neopentecostalismo e revisar alguns pontos importantes daquilo que já estudamos. 
Até a Próxima Unidade!!!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
75
LEITURA COMPLEMENTAR 
Arminianismo
Arminianismo, um movimento teológico no Cristianismo Protestante que surgiu 
como uma reação liberal à doutrina calvinista da predestinação. O movimento começou 
no início do século XVII e afirmou que a soberania de Deus e humana, o livre arbítrio é 
compatível.
O movimento foi nomeado em homenagem a Jacobus Arminius, um teólogo 
reformado holandês da Universidade de Leiden (1603–1609) que se envolveu em um debate 
altamente divulgado com seu colega Franciscus Gomarus, um calvinista rígido, a respeito 
da interpretação calvinista dos decretos divinos a respeito da eleição e reprovação. Para 
Arminius, a vontade de Deus, como amor incessante, foi o iniciador e árbitro determinante 
do destino humano. O movimento que ficou conhecido como “O Arminianismo”, no entanto, 
tendia a ser mais liberal do que Arminius.
O arminianismo holandês foi originalmente articulado no Remonstrance (1610), 
uma declaração teológica assinada por 45 ministros e submetida aos Estados Gerais 
holandeses. O Sínodo de Dort (1618–19) foi convocado pelos Estados Gerais para 
aprovar a Remonstrância. Os cinco pontos da Remonstrância afirmam que: (1) a eleição (e 
condenação no Dia do Juízo) foi condicionada pela fé racional (ou não-fé) de cada pessoa; 
(2) A expiação , embora qualitativamente adequada para todos os humanos, era eficaz 
apenas para a pessoa de fé; (3) sem a ajuda do Espírito Santo , nenhuma pessoa consegue 
responder à vontade de Deus; (4) a graça não é irresistível; e (5) os crentes podem resistir 
ao pecado, mas não estão além da possibilidade de cair em desgraça. O ponto crucial do 
Arminianismo Remonstrante reside na afirmação de que a dignidade humana requer uma 
liberdade de vontade intacta.
Os remonstrantes holandeses foram condenados pelo Sínodo de Dort e sofreram 
perseguição política por um tempo, mas em 1630 eles foram legalmente tolerados. Eles 
continuaram a afirmar tendências liberalizantes eficazes na teologia protestante holandesa.
No século XVIII,John Wesley foi influenciado pelo Arminianismo. Na revista 
Arminian, editada por ele, ele afirmou que “Deus deseja que todos os homens sejam salvos, 
falando a verdade em amor”. O Arminianismo foi uma influência importante no Metodismo, 
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
76
que se desenvolveu a partir do movimento Wesleyano. Uma versão ainda mais liberal do 
Arminianismo entrou na construção do Unitarismo Americano.
Fonte: ENCICLOPÉDIA Britânica. Arminianismo. Disponível em: https://www.britannica.com/topic/
Arminianism. Acesso em: 17 set. 2021.
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
77
MATERIAL COMPLEMENTAR
• FILME/VÍDEO
• Título: ESPERO-VOS DOMINGO (COME SUNDAY)
• Ano: 2018.
• Sinopse: Uma crise de fé leva o pastor Carlton Pearson a trilhar 
um novo caminho espiritual que coloca em risco tudo que lhe é 
mais sagrado.
• Link: https://www.netflix.com/br/title/80152625. 
• LIVRO
• Título: Teologia Sistemática de Norman Geisler
• Autor: Norman Geisler. 
• Editora: CPAD.
• Sinopse: Mediante uma abordagem filosófica, você obterá 
o conhecimento necessário sobre as principais doutrinas do 
Cristianismo.
• WEB 
• Caros alunos, a seguir temos o link de um vídeo no qual abordamos 
sobre a “Reconstituição da Chegada dos Missionários”. 
• Link: https://youtu.be/8MlxpTC2gsg. 
TEOLOGIA PENTECOSTALUNIDADE 3
Professor Esp. Érlon Migliozzi
PRÁTICAS 
TEOLÓGICAS4UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
79
Plano de Estudos
• Teologia Neopentecostal;
• Tradição;
• Teologia Fundamental, Dogmática e Moral;
• Teologia Moderna.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar a Teologia Neopentecostal.
• Compreender os tipos de disciplinas Teológicas Acadêmicas Básicas.
• Estabelecer a importância da Tradição e da Teologia Moderna.
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
80
Caro (a) aluno (a),
Chegamos à quarta e última Unidade de nosso estudo da disciplina Introdução 
à Teologia, esta unidade vem consolidar a parte introdutória da Teologia, como disciplina 
acadêmica. Após as disciplinas introdutórias e de conteúdo bíblico, ético e moral e 
acadêmico, agora vamos ser apresentados à primeira matéria, que, de fato, representa o 
curso e seu propósito.
De uma forma direta, demonstraremos como o conteúdo teológico é formado na 
história da Igreja, através dos acontecimentos que culminaram em eventos históricos 
religiosos de grande significado. 
Logo no primeiro capítulo tratamos do Neopentecostalismo, um movimento no qual 
tem sua teologia definida e sua posição em destaque, porque trata-se do movimento que mais 
cresce no Brasil e é constante alvo de reflexões na teologia. Falar sobre neopentecostalismo 
é falar de um fato e uma tendência, mas igualmente foram os movimentos anteriores, este, 
poderá dar origens a outras linhas teológicas? 
Posteriormente, no segundo capítulo, trataremos sobre a chamada “Tradição”. Tanto 
para católicos e protestantes, também é um ponto de teologias e identidade. A tradição é um 
objeto que acompanha paralelamente à Palavra de Deus, é mais que um simples capítulo 
contínuo da história da Igreja. Nesse ponto, a teologia clássica e a teologia contemporânea 
buscam falar sobre a Revelação.
No terceiro capítulo, vamos tratar de três blocos de disciplinas acadêmicas que 
necessariamente devem se formar em sua grade curricular. A Teologia Fundamental, 
Dogmática e Moral trazem os princípios para a formação do conteúdo teológico.
E finalmente, vamos falar sobre a Teologia moderna e nos inclinarmos mais para a 
tendência de assuntos e conflitos que podem surgir em meio às mudanças sócio-políticas 
mundiais, embora os grandes movimentos religiosos de hoje surgiram pequenos e em 
locais normais e assumiram grandes proporções. 
Lembre-se: “É só Introdução à Teologia”. Um ótimo estudo e vamos juntos!!!!
INTRODUÇÃO
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
81
Muito bem, chegamos ao movimento contemporâneo da teologia, sua ramificação 
teológica expressiva mais nova (1970). Vamos falar agora sobre o neopentecostalismo ou 
terceira onda do pentecostalismo. 
Neopentecostalismo quer dizer um “novo Pentecostes”, mas, na sua questão de 
interpretação, não quer dizer sobre um novo derramamento do Espírito Santo e tampouco 
uma nova ação milagrosa, antes não revelada, ou um novo “dom” do Espírito inédito 
(Mariano, 1999).
Talvez você se pergunte também por que a terceira onda do pentecostalismo. A 
primeira foi o movimento relatado no Livro de Atos, capítulo de número dois, e a segunda 
onda foi o pentecostalismo “tradicional” ou “clássico” que vimos na unidade anterior. Note 
que a onda produz movimento, portanto, a terceira onda (que produz o movimento) do 
neopentecostalismo é a onda do momento, ou seja, é o mais novo movimento teológico.
É importante dizer que esta onda não perde bases bíblicas, portanto, não tem como 
neopentecostalismo, as teologias liberais (liberais porque se usam de outros princípios 
também) como: teologia feminista, teologia liberal, entre outras. Vamos entender um pouco 
mais sobre esta teologia.
O que se define como característica teológica o neopentecostalismo? Lembre-se 
de que trouxemos um tópico na unidade anterior falando sobre os desafios dos pentecostais 
no Brasil. Cremos que, na metade da década de 1970, isso já havia sido pensado. O novo 
pentecostalismo difere do pentecostalismo clássico no aspecto da santidade, pois rejeita as 
práticas de usos e costumes e tem seu foco na prosperidade dos seus adeptos, ou seja, os 
TEOLOGIA 
NEOPENTECOSTAL1
TÓPICO
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
82PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
bens terrenos são sinal de comunhão com Deus. A ideia de raiz petista, em que o homem 
deixa as coisas do mundo para se separar para que Deus derrame o seu Espírito para 
manifestar poder e criar mais intimidade com o homem, no novo pentecostes, não é assim:
No plano teológico neopentecostal, caracterizam-se por enfatizar a guerra 
espiritual contra o Diabo e seus representantes na terra, por pregar a 
Teologia da Prosperidade, difusora da crença de que o cristão deve ser 
próspero, saudável, feliz e vitorioso em seus empreendimentos terrenos, e 
por rejeitar usos e costumes de santidade pentecostais, tradicionais símbolos 
de conversão e pertencimento ao pentecostalismo (Mariano, 1999, p. 124).
De acordo com Mariano, o novo movimento se caracteriza pela ênfase na “guerra 
espiritual”, o que seria isso? Não é necessário analisarmos muito ou trazermos concepções 
de outros pensadores e teólogos aqui. Vamos fazer uma reflexão teológica sobre o assunto. 
Na teologia católica romana, o homem dependia de Deus e da Instituição para alcançar a 
Salvação de sua alma, correto? Com a Reforma Protestante, o homem passa a conhecer 
uma “Graça de Deus” mais libertadora ainda, não há mais indulgências e o homem conhece 
a Graça imerecida, irresistível, ou seja, é Deus puro na questão da Salvação. 
Com o pentecostalismo tradicional, o homem depende de Deus e a “Segurança 
do Crente” é mantida enquanto o fiel estiver debaixo da vontade de Deus, OK? Qual é 
a descoberta agora? O neopentecostalismo coloca a Graça de Deus e a Segurança do 
Crente, condicionada à ação do “inimigo” o Diabo, ou o próprio Satanás, como preferir, e 
na ação de seus demônios. 
Em alguns seguimentos do novo pentecostalismo, você precisa repreender a 
ação demoníaca sobre sua vida constantemente e, em outros, você precisa repreender e 
cumprir os mandamentos. Você conseguiu entender esta simples explicação? Podemos 
tecer comentários acerca disto? Sim, mas vamos conferir como surgiu tudo isso antes 
de tomarmos nossas conclusões. Lembre-se de que a teologia tem seu conteúdo e esse 
conteúdo surge em meio à igreja, à comunidade. 
Como surgiu o neopentecostalismo? Um estudo só termina quando se esgota toda 
a ciência sobre o assunto. A teologia não tem um ponto final definitivo. Na unidade anterior, 
colocamos o que o IBGE apontou como o momento do pentecostalismo brasileiro: expressivo 
na massa mais carente e compouca expressão em faixas sociais mais elevadas. Pois bem, 
isso foi há dez anos e não mudou muito realmente, mas apresenta sinais de mudança. 
Já existem vários empresários declarados pentecostais, seminários teológicos, escolas de 
nível básico e médio, pertencentes aos pentecostais, que surgem no país com frequência. 
83PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
O pentecostalismo está caminhando, sim, mas não é um movimento midiático, não 
é um movimento que quer crescimento abandonando raízes teológicas, o pentecostalismo 
preza por um crescimento coerente. O que isso quer dizer? Quer dizer, que a teologia do 
novo pentecostes ocupou o lugar que o pentecostalismo não buscou, a comunicação com 
a grande massa, não poupou tempo e investiu em programas de TV, rádios, e trouxe algo 
que preenche com algo a mais a alma sedenta. Surge um evangelho de Jesus Cristo que 
apresenta pontos de contato visíveis e palpáveis, um evangelho cuja missão é apresentar 
resultados e este resultado é mudança para uma vida melhor. 
TABELA 1 - EVANGÉLICOS NO BRASIL
Evangélicos (em milhões de Fiéis)
Protestantes Tradicionais 7,7
Não Determinados 9,2
Pentecostais e Neopentecostais 25,3
Total Evangélicos 42,2
Fonte: Censo IBGE, 2010.
Não podemos afirmar e nem sermos ignorantes ao ponto de não reconhecer que 
haja milagres, curas, no meio neopentecostal, afinal, Deus opera como ele deseja, mas 
os líderes do neopentecostalismo utilizam a demonstração das curas e milagres para a 
autopromoção. Esta autopromoção fica evidente com as chamadas e os convites que 
enfatizam que em tal denominação Deus irá fazer e o proselitismo religioso começa a 
provocar vai e vem de fiéis. 
Este artigo não está contra este movimento, de maneira nenhuma, pois se uma 
pessoa alcançar uma bênção e glorificar a Jesus por isso, dando-lhe o crédito, quem serei 
eu em ser contra? “E a Jesus Glória!”, esse é um princípio que cogito como correto e 
idôneo. Mas, vamos para a história, ela nos demonstrará este resumo.
Não, em 1950, os missionários americanos realizaram uma tentativa de montar um 
ministério voltado para a teologia neopentecostal que conhecemos hoje:
O segundo grupo de igrejas implantado no Brasil, que não obteve 
nomenclatura consensual na literatura acadêmica, começou na década de 
1950, quando dois missionários norte-americanos da International Church 
of The Foursquare Gospel criaram, em São Paulo, a Cruzada Nacional de 
Evangelização. Por meio dela, iniciaram o evangelismo focado na pregação 
da cura divina, que atraiu multidões às concentrações evangelísticas na 
capital paulista e acelerou a expansão do pentecostalismo brasileiro. Em 
1953, fundaram a Igreja do Evangelho Quadrangular no Estado de São 
Paulo. No rastro de suas atividades de evangelização, surgiram Brasil Para 
84PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
Cristo (1955, SP), Deus é Amor (1962, SP) e Casa da Bênção (1964, MG). 
Os missionários da Quadrangular conferiram ênfase teológica à cura divina, 
seguindo o bem-sucedido movimento de cura propagado nos Estados Unidos 
durante a Segunda Guerra Mundial. Como estratégia proselitista, além da 
ênfase na cura, essa vertente pentecostal notabilizou-se pelo intenso uso do 
rádio e pela pregação itinerante com o emprego de tendas de lona (Mariano, 
1999, p. 123).
A Igreja Universal do Reino de Deus é nosso ponto de referência nesta análise e, 
para tal, vamos observar o seguinte: o pentecostalismo precisou de 100 anos para consolidar 
duas igrejas de expressão, a Assembleia de Deus e a Congregação Cristã no Brasil. A 
Congregação Cristã teve seu perfil mais sectário, se isolou das demais denominações, 
mas está em expressão ainda. A Assembleia de Deus evoluiu de forma diferente, criou uma 
convenção e se divide em vários ministérios e sua teologia é compartilhada para outras 
denominações pentecostais. 
Se considerarmos o tempo de existência da IURD, com toda certeza, vamos 
constatar um crescimento mais rápido que as igrejas pentecostais. Antes, precisamos 
esclarecer que a IURD não foi a única denominação a construir a teologia neopentecostal:
O neopentecostalismo teve início na segunda metade dos anos de 1970. 
Cresceu, ganhou visibilidade e se fortaleceu no decorrer das décadas 
seguintes. A Universal do Reino de Deus (1977, RJ), a Internacional da Graça 
de Deus (1980, RJ), a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (1976, 
GO) e a Renascer em Cristo (1986, SP), fundadas por pastores brasileiros, 
constituem as principais igrejas neopentecostais do país (Mariano, 1999, p. 
123 - 124).
A IURD surgiu com a divulgação do Evangelho de forma simples, exercendo uma 
valorização dos Ritos Sagrados, algo que no pentecostalismo havia sido deixado em últimos 
planos. Por exemplo: no pentecostalismo, as assembleias de Deus promoviam cultos ao ar 
livre. Nestes cultos, havia curas, libertação e apelos aos que queriam seguir sua doutrina 
e entregar sua vida para Jesus. Na IURD, os trabalhos são rigorosamente ocorridos dentro 
de seus templos, é ali que está a unção de cura e bênção divina, assim, o fiel precisa ir ao 
templo, não é qualquer lugar, algo que nos remete a nossa origem católica romana. Veja a 
tabela a seguir:
85PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
TABELA 2 - EVANGÉLICOS NO BRASIL
Pentecostais (em milhões de Fiéis)
Assembleia de Deus 12,3
Congregação Cristã do Brasil 2,28
Igreja Universal do Reino de Deus 1,87
Igreja do Evangelho Quadrangular 1,80
Fonte: Censo IBGE, 2010.
Assim, o novo pentecostalismo traz uma cultura religiosa de reverência e com o 
toque de liberdade. Assim, exemplifica Ricardo Mariano:
Encabeçado pela Igreja Universal, o neopentecostalismo é a vertente 
pentecostal que mais cresce atualmente e a que ocupa maior espaço na 
televisão brasileira, seja como proprietária de emissoras de TV, seja como 
produtora e difusora de programas de televangelismo. Do ponto de vista 
comportamental, é a mais liberal. Haja vista que suprimiu características 
sectárias tradicionais do pentecostalismo e rompeu com boa parte do 
ascetismo contracultural tipificado no estereótipo pelo qual os crentes eram 
reconhecidos e, volta e meia, estigmatizados. De modo que seus fiéis foram 
liberados para vestir roupas da moda, usar cosméticos e demais produtos 
de embelezamento, frequentar praias, piscinas, cinemas, teatros, torcer para 
times de futebol, praticar esportes variados, assistir à televisão e vídeos, tocar 
e ouvir diferentes ritmos musicais. Práticas que, nos últimos anos, também 
foram sendo paulatinamente permitidas por igrejas pentecostais das vertentes 
precedentes, com exceção da Deus é Amor, que manteve incólume a velha 
rigidez ascética. Em todas as vertentes permanece, porém, a interdição ao 
consumo de álcool, tabaco e drogas e ao sexo extraconjugal e homossexual 
(Mariano, 1999, p.124).
Ao analisarmos este contexto, vamos perceber que o neopentecostalismo é a 
corrente mais inclinada a acomodar a sociedade abrangente e a seus valores, interesses e 
práticas. A igreja apresentou-se com estratégia, valorizou a liberdade contemporânea, agiu 
de forma Paulina, como diz na carta de Paulo aos Coríntios:
Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda 
mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os 
que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os 
que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem 
lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para 
ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar 
os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar 
alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante 
dele (Bíblia, I Coríntios 9, 21 - 23).
86PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
Quanto à fundação da IURD, ocorreu em 1977, na Zona Norte do Rio de Janeiro, 
no local onde era uma pequena funerária. Em trinta anos, já era o maior fenômeno religioso 
na mídia e destacava-se tambémno campo religioso. Mariano (1999, p.125) pontua que:
Um dos principais responsáveis pela constituição desse verdadeiro império 
religioso, o fluminense Edir Bezerra Macedo, seu líder e fundador, tornou-se 
crente evangélico aos dezoito anos, ingressando na Igreja de Nova Vida por 
meio da influência de uma irmã. Antes era católico e frequentava a Umbanda. 
Permaneceu na Nova Vida de 1963 até 1975, quando, contrariado com seu 
elitismo de classe média, deixou-a para fundar a Cruzada do Caminho Eterno. 
Dois anos depois, nova cisão: saiu para formar, junto com outros crentes, a 
Universal do Reino de Deus. 
Algo importante que precisamos saber é que houve um crescimento de Edir Macedo 
na liderança da IURD. O então líder Soares perdeu espaço para Edir diante da crescente 
popularidade que ele adquiria nos programas que apresentava e isso culminou com a saída 
de Soares juntamente com Roberto Augusto Lopes da IURD. 
Soares fundou então sua denominação e Lopes retornou para a política. Foi o 
primeiro Deputado Federal eleito na IURD. E Edir Macedo implantou o sistema Episcopal 
na IURD em 1990 e se tornou vitalício no cargo, mas problemas com a justiça o fizeram 
abdicar. Mariano (1999) nos diz:
Em 1980, implementou o governo eclesiástico episcopal, no qual assumiu o 
posto de bispo primaz e o cargo vitalício de secretário-geral do presbitério, 
cargo do qual renunciaria em 1990 para evitar que eventuais sanções penais 
contra si atingissem a igreja (Mariano, 1999, p. 127).
E neste período, a IURD sofreu fiscalização da Polícia Federal e Edir Macedo 
precisou sair do Brasil, assim que pode, e com isso fundou a IURD em solo americano, 
algo que contribuiu para o crescimento denominacional, posteriormente, em vários outros 
países. 
87PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
FIGURA 1 - IGREJA UNIVERSAL NO EXTERIOR
https://www.shutterstock.com/image-photo/hialeah-fl-usa-april-2021-facade-1958839906
Hialeah, FL, EUA: abril de 2021: Fachada da Igreja Universal do Reino de Deus em Hialeah, Flórida. 
Entidade local de culto. Teologia, Bíblia e Deus.
Como podemos ver na foto acima, a Igreja Universal e o neopentecostalismo 
alcançaram pontos fora do Brasil. Assim, demonstra Ricardo Mariano:
Nesse período conturbado da história da Universal, Macedo procurou rarear 
sua presença no Brasil e estendê-la nos Estados Unidos, onde fundara uma 
filial em 1986. Decidiu, então, nomear o pastor Renato Suhett para substituí-
lo na direção da igreja no Brasil, para logo em seguida enfraquecê-lo, ao 
transferir funções administrativas a outros bispos e dividir o poder eclesiástico 
em quatro regiões no país. Em meados da década de 1990, consagrou 
dezenas de novos bispos para assumir funções de direção em nível regional, 
estadual e nacional. Para evitar cismas, reestruturou o poder eclesiástico, 
criando três instâncias hierárquicas: Conselho Mundial de Bispos, Conselho 
de Bispos do Brasil e Conselho de Pastores. Com isso, a igreja manteve os 
princípios de verticalidade e concentração de seu governo episcopal, que 
continuou encimado por Macedo (Mariano, 1999, p. 130).
Então, acreditamos que você já conhece o necessário para entender como a teologia 
praticada no neopentecostalismo se originou. É necessário compreender que o modelo no 
https://www.shutterstock.com/image-photo/hialeah-fl-usa-april-2021-facade-1958839906
88PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
qual a IRD apresentou foi algo extremamente diferente daquilo que a religião brasileira 
conhecia. Templos abertos 24 horas por dia, a santidade praticada de modo diferente do 
catolicismo e do pentecostalismo, uma abordagem midiática, uma relação de benefício para 
quem serve a Deus (não há necessidade de abdicação e santidade do pentecostalismo). 
Outro fato importante é que Edir Macedo até montou um Seminário Teológico para sua 
denominação, mas, quando viu que isso tiraria o tempo de seus pastores, decidiu fechar 
o seminário. A educação passou a ser dirigida pelo próprio Edir Macedo para seus líderes 
através dos meios de mídia digital.
Não nos opomos às linhas teológicas existentes, enquanto teólogos, pois é 
nosso conteúdo de reflexão, só podemos manifestar nossa opinião quando é pertinente. 
Precisamos saber que cada indivíduo, professor, aluno, fiel, tem a sua crença e cabe-nos, 
quando solicitado, dar a devida orientação para a razão cumprir seu papel crítico e arrazoe 
a fé existente.
Portanto, através deste capítulo, nós encerramos o conteúdo sobre as origens 
teológicas predominantes, agora, nos próximos capítulos desta unidade, vamos tratar 
alguns assuntos pertinentes ao nosso conhecimento. Será que existe tradição na IURD, 
nas Igrejas Pentecostais e na Igreja Católica Romana? E nas Igrejas Protestantes? 
89
 TRADIÇÃO2
TÓPICO
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
Tradição, segundo o dicionário, tem o sentido de “entregar”, e quer dizer “passar 
adiante”, é uma comunicação que ocorre por uma ou várias vias, oral, escrita, etc (Tradição, 
2021, online).
Ela revela um conjunto de comportamentos, costumes, rumores, memórias, crenças, 
lendas, práticas, doutrinas e leis transmitidos para indivíduos de uma comunidade, fazendo 
parte da cultura. Podemos dizer que faz parte da continuidade do passado (Japiassú; 
Marcondes, 1993, p. 269).
Na Igreja Católica, a tradição é algo muito ímpar, porque é e traz a base do 
conhecimento, leis e regras acerca de tudo o que a Igreja construiu ao longo dos séculos. 
Na teologia católica a tradição se divide em Oral e escrita (igual ao judaísmo), sendo: Oral 
– Consiste no testemunho dos apóstolos acerca da revelação de Jesus Cristo, os quais 
delegou os apóstolos para a continuação da mensagem do Evangelho e posteriormente 
passada para a liderança da Igreja, para o Papa, sendo a continuação dos apóstolos. 
Escrita – São os Testamentos ou Evangelhos, que contêm a parte escrita e inspirada do 
testemunho dos apóstolos.
A Igreja Católica diz que nem toda a tradição oral foi registrada e que, ainda hoje, 
ela é transmitida de geração para geração e através da “Revelação” que o “Magistério” é 
exercido na instituição católica romana. Esta autoridade do Magistério é soberana e definiu 
o Cânone Bíblico, por exemplo.
As primeiras Igrejas Reformadas consideram que a Bíblia é uma autoridade superior 
à tradição da Igreja, pois é a Palavra direta e inspirada de Deus, ou seja, é a fonte primária 
90PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
da fé cristã. A Igreja Luterana tem uma tradição mais ligada à teologia reformada, porém 
mantém alguns costumes pré-reforma no sentido dos ritos e sacramentos.
E assim, cada grupo religioso terá sua tradição, cabe ao teólogo respeitá-las como 
objeto de encontro das razões para as práticas religiosas. Identificar as tradições existentes 
de uma comunidade faz parte da cosmovisão. Para trabalhar com a Tradição, é necessário 
despir-se de preconceitos e imergir no ambiente eclesiástico com que está tendo contato. 
Trazemos este breve tópico neste momento do estudo, porque é algo que precisa 
ser entendido para um bom conhecimento teológico. Sabemos que ao nos introduzirmos na 
Teologia Católica, teremos um conteúdo diferente do conteúdo da Teologia Reformada, isto 
pode ser grosseiramente entendido como ponto de vista, mas é algo maior, envolve regras 
e construção de teorias. Além disso, reflete a história teológica do grupo com que se está 
tendo contato. 
Qual a tradição que você está tendo contato? Como é a tradição da igreja à qual 
você frequenta? Fica uma dica para uma ótima reflexão teológica.
91
TEOLOGIA FUNDAMENTAL, 
DOGMÁTICA E MORAL3
TÓPICO
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
Na teologia, encontramos áreas do saber distintas, que formam a grade acadêmica 
nos assuntos imprescindíveis da teologia. Existem disciplinas curriculares obrigatórias que 
formam grandes núcleos básicos e disciplinas optativas ou específicas, que podem ou não 
ser vistas num curso de teologia. Há várias maneiras de se formar uma grade de um curso 
de teologia,o estudo 
que tem como objeto o próprio Deus e suas interações. Abordaremos a sua criação, qual o 
ponto em que ela se diferencia da filosofia e da ciência e qual sua parte comum. 
Continuaremos nosso estudo tratando dos fundamentos teológicos e os métodos que 
a ciência utiliza, afinal, como é estudar sobre o divino? Provavelmente não é tão complexo 
quanto imaginamos. Temos o conceito de que teologia é algo que se pratica nas paredes da 
igreja, porém, através do tópico Teologia Acadêmica e Ciência, vamos entender então que na 
teologia temos muito o emprego da razão para dar confiança ao processo da fé.
Finalmente, desmistificamos um termo que muitos acreditam ser uma teologia 
paralela à teologia acadêmica, a teologia Bíblica, que tanto atrai alunos e fala tanto de 
espiritualidade. Sendo assim, convido você a entrar neste aprendizado que realmente se 
propõe a introduzir o estudo teológico na sua grade acadêmica, de forma simples e bem 
sistematizada, para que seu aprendizado produza uma teologia prática em sua vida e você 
possa optar em qual nível teológico deseja estar.
Um ótimo estudo e vamos juntos!!!!
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
9
A HISTÓRIA DA 
TEOLOGIA1
TÓPICO
1
Nada mais sugestivo na disciplina de Introdução à Teologia, como o seu próprio 
enunciado. A palavra introdução, segundo o dicionário Oxford e Aurélio, possui uma 
particularidade comum em seu significado, eles atribuem o mesmo sentido à palavra, como, 
sendo, “o ato ou efeito de abrir, ou dar início a uma tese”.
Portanto, entendemos que essa disciplina precisa ser o início de uma grade 
acadêmica, ou dar o sentido inicial a ela, assim, como toda introdução, vamos falar muito 
sobre a história, vamos buscar entender a origem da Teologia em suas diferentes correntes 
de interpretação e filosofias.
A Teologia, como ciência, é um assunto muito importante no seguimento religioso, 
porém, não está limitada, atualmente, somente ao estudo religioso ou acadêmico, com 
vistas ao sacerdócio ou ao próprio ambiente interno eclesiástico. Atualmente, a Teologia 
tem se destacado para dar compreensão e entendimento em ambientes coletivos dos mais 
diversos, ambientes corporativos, clínicos, por exemplo.
Sabendo que nossa disciplina fala de Teologia, vamos conceituar esta palavra. De 
acordo com dois teólogos referenciados no assunto, o Doutor João Batista Libânio e o 
Doutor Afonso Murad. Primeiramente, o conceito da Palavra Teologia se resume em: 
O termo teologia compõe-se etimologicamente de dois termos, que lhe 
definem já grandemente a natureza: THEÓS + logía = Deus + ciência. No 
centro está Deus, seu objeto principal. Qualquer reflexão teológica refere-se 
de alguma maneira a Deus. Ao determinar-se mais exatamente o estatuto 
teórico, ver-se-á como tal referência se produz (Libânio; Murad, 1996, p. 63).
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
10
A palavra “teologia” teve sua origem no mundo grego, com Platão, se referindo 
aos que discursavam sobre os deuses (Boff, 1998 [1944], p. 550). O conceito de teologia 
tem uma função tripla e é facilmente observado. Suas funções são: Crítica, Pedagógica e 
Política, crítico porque tem o caráter investigativo e interrogativo, pedagógico porque pode 
modificar o caráter individual e coletivo e político porque se origina e se forma com tal 
postura. Posteriormente, Aristóteles, aprendiz de Platão, vai atribuir à teologia um cunho 
filosófico, limitando à mesma a teoria (Boff, 1998 [1944], p. 554). 
É importante analisar que a teologia surgiu com a busca pelo “logos”, ou seja, o 
“divino”. Com a criação dos mitos, conhecidos desde a Grécia Antiga, para descobrir a 
origem de determinados fenômenos, principalmente os naturais, o homem começou a se 
deparar com a realidade de um mundo invisível, metafísico, o qual era o desencadeador 
de determinados fenômenos. De outro modo, podemos dizer que o homem começou a ter 
razão de um mundo além do visível e a necessidade de entendê-lo.
FIGURA 1 - SANTO AGOSTINHO (AGOSTINHO DE HIPONA)
Fonte: https://www.shutterstock.com/image-photo/turin-italy-march-15-2017-fresco-671249005
Turim, Itália - 15 de março de 2017: O afresco de Santo Agostinho médico da igreja 
na cúpula da Igreja Basílica Maria Auxiliatriz por Giuseppe Rollini (1889-1891).
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
11
Foi no século IV que o conceito da Teologia adquiriu um significado cristão, por 
meio de Agostinho de Hipona, o qual definiu o termo como “raciocínio ou discussão sobre 
a Deidade”. O “start” para o pensamento teológico é que o divino existe sendo manifesto 
através do físico ou sobrenatural. Nesta época, a teologia está sendo desenvolvida no 
ambiente religioso apenas. Alguns filósofos e religiosos buscam trazer a razão da fé, como 
o próprio Agostinho, de uma forma mais real aos períodos anteriores (Boff, 1998 [1944], p. 
554).
Vamos revisar e resumir até este ponto do nosso estudo: 
O conceito de teologia se inicia no período pré-Socrático, mas, é com Platão que 
surge o termo "teologia''. Os filósofos pré-socráticos rejeitavam explicações simples e 
tradicionais sobre os “mitos”, assim, eles introduziram questionamentos como: De onde 
tudo vem? Do que tudo é criado? Entre outros questionamentos, assim, entendemos 
que o conceito da teologia estava sendo desenvolvido pela primeira vez, ou, que se tem 
conhecimento. Platão (380 a.C.) vem na sequência e de uma forma simples, utiliza o 
termo pela primeira vez em referência a compreensão da natureza divina, no seu livro “A 
República”, no Livro II, Capítulo 18, ele traz a teologia com o sentido de “discurso sobre 
Deus”. Logo após, Aristóteles, em seus escritos de Metafísica, emprega numerosas vezes o 
termo, mas, com duplo sentido, primeiro como ramo fundamental da filosofia e em segundo 
plano como denominação do pensamento mitológico, anterior à filosofia. Aristóteles, em 
suas teorias, apresenta uma forma de divisão da filosofia, sendo: a matemática, a física e a 
“teologia” (teologia, esta, semelhante à metafísica).
No Séc. IV d. C., Agostinho de Hipona adota o nome e o conceito de teologia como 
um raciocínio ou estudo de Deus. Neste período, conhecido como Patrística, a teologia se 
conceituou como referência ao conhecimento e ao ensino sobre a natureza de Deus. Já na 
Escolástica, passou a ser a disciplina acadêmica que adotava como método a racionalização 
das doutrinas da religião cristã.
Foi a partir do século XVII que começou a usar o termo teologia para se referir ao 
estudo de ideias e ensinamentos religiosos “que não são especificamente cristãos”, inclusive. 
O termo teologia não se resume apenas ao meio cristão, pode ser utilizado pelos vários 
segmentos de fé que atribuem uma relação divina em sua crença, como, budismo, umbanda 
e outras religiões. Fazer teologia é fazer ciência, mas, além do exercício de razão, a Teologia 
tem como componente principal a fé, que extrapola, em muitas vezes, a razão. 
Vemos que a história da teologia demonstra claramente que ela veio para contribuir 
com a fé, para dar base para crenças e alicerçar o conhecimento dos atributos e das 
relações de Deus com os homens e a natureza.
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
12
2. 1. Fé e Razão:
Os fundamentos ou métodos do estudo teológico se concentram em suas “Fontes 
de Conhecimento e Princípios Básicos”. No estudo da teologia, dois componentes são 
fundamentais para a compreensão da matéria: o primeiro é a Fé e o segundo, a Razão. 
Assim, vamos utilizar a Fé, como ponto inicial, para organizarmos nossa linha de raciocínio. 
Veja a definição do teólogo Euler Renato Westphal (2010):
O método em teologia diz respeito à maneira e o ponto de partida com que se 
desenvolve a reflexão teológica. Podemos partir da premissa de uma postura 
ateia, ou de uma postura anti-intelectual, ou da afirmação às Escrituras ou, 
ainda, de suspeita às Escrituras. Podemos partir de uma concepção liberal 
de Jesus, que vê Cristo somente como exemplo de um ser humano de moral 
elevada. Podemosporém vamos falar e apresentar estas disciplinas básicas de uma perspectiva 
acadêmica (Libânio; Murad, 1996, p. 215).
A Teologia Sistemática ou Dogmática compreende várias disciplinas resultantes da 
elaboração teórica da Igreja durante os dois mil anos do cristianismo. Veja como o doutor 
Libânio descreve o conjunto da Dogmática:
A matéria-prima da dogmática é o dado revelado, aprofundado, reinterpretado 
e enriquecido pela tradição viva e regulada pelo magistério, no correr da 
história. Normalmente, os institutos privilegiam, na carga horária, as disciplinas 
centrais: cristologia, eclesiologia, sacramentos (em geral, e especificamente 
os sete sacramentos), Trindade, antropologia teológica (criação, pecado, 
graça e salvação). A dogmática abarca ainda pequenos tratados como a 
escatologia e a mariologia (Libânio e Murad, 1996, p. 224).
Alguns autores preferem o termo “Sistemática” e não “Dogmática”, porém, são o 
mesmo. Assim, evita-se o risco de se concentrar em fórmulas e métodos dogmáticos e 
pende-se para um lado da compreensão do processo orgânico de autocompreensão da fé. 
A Teologia sistemática tem diferentes abordagens nas Tradições Eclesiásticas: 
92PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
Com a dogmática-sistemática, entra-se na principal área diferenciadora da 
teologia católica, em relação aos evangélicos e ortodoxos. Os grupos cristãos 
não-católicos veem com certa desconfiança o excessivo peso que a teologia 
católica dá à dogmática. Os evangélicos acentuam mais a teologia bíblica, 
aceitando a dogmática elaborada pelos primeiros concílios ecumênicos. 
Entretanto, na atualidade, alguns teólogos protestantes, como K. Barth, P. 
Tillich, W. Pannenberg e Moltmann entre outros, têm elaborado excelentes, 
profundos e amplos tratados de sistemática, oferecendo valiosa contribuição 
para suas igrejas e para os companheiros católicos. Os ortodoxos vão um 
pouco além dos evangélicos, ao aceitar as afirmações dogmáticas até a 
patrística tardia, bem como alguns pronunciamentos do magistério católico. 
Movem-se, no entanto, em outra esfera de reflexão, mais tradicional e mística 
e menos especulativa, se compreendida sob o ponto de vista ocidental 
(Libânio e Murad, 1996, p. 225).
A Teologia Fundamental é uma disciplina que lança as bases do conhecimento 
teológico e arrasa sobre os fatos que integram a realidade cristã. Assim, uma das definições 
que mais se encaixa no contexto da realidade da teologia fundamental é:
A teologia fundamental não explicita todos os conteúdos decisivos do ato de 
crer, função que cabe à dogmática. Explicita o ato de crer em suas diversas 
dimensões: de razoabilidade e mistério, de liberdade e necessidade, de 
conhecimento e compromisso etc (Libânio e Murad, 1996, p. 213).
É o setor da teologia que mais está relacionado com os eventos e mentalidade 
contemporânea, é ela quem está mais próxima do diálogo com a ciência e o saber humano. 
“Valoriza sobremaneira a experiência existencial e religiosa, visando identificar
aí os pontos de inserção da fé.” (Libânio e Murad, 1996, p. 213).
O primeiro bloco da Teologia Fundamental é a disciplina Introdução à Teologia, que 
tem o seguinte resumo conceitual: (…) basicamente mostra em que consiste o conhecimento 
teológico, caracteriza seu estatuto epistemológico e método, recorda os grandes passos de 
sua história e aponta suas tarefas hodiernas (Libânio e Murad, 1996, p. 213).
No segundo bloco da Teologia Fundamental, está o círculo hermenêutico da 
existência cristã, parte da Revelação, que encontra na encarnação e nos ensinos de Jesus 
sua plenitude. Mostraremos a seguir os elementos constitutivos da fé e seus graus de 
explicitação: 
Reflete sobre as condições básicas que possibilitam a experiência de fé em 
determinado contexto sócio histórico e cultural. Cabe ainda à fundamental 
descortinar como se faz o processo de interpretação do evento cristão, na 
relação viva entre Revelação, Fé, Escritura, Tradição e Sinais dos Tempos 
(Libânio e Murad, 1996, p. 214).
A teologia fundamental é entendida hoje mais comumente como a reflexão 
sobre a primeira realidade cristã, a revelação de Deus, testemunhada de 
93PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
modo pleno por Jesus Cristo. Reflexão, portanto, sobre os fundamentos da 
dogmática, feita de maneira crítica, mas conduzida pela fé, desvendando-
lhes os motivos de credibilidade (Libânio e Murad, 1996, p. 214).
Define-se, portanto, mais pela sua finalidade e objeto e menos pelo método. O 
objeto é a revelação de Deus, que é, por sua vez, acontecimento e mistério. A 
finalidade é permitir ao ser humano, inteligente e livre, fazer uma opção de fé 
a esta intervenção de Deus, compatível com sua natureza espiritual (Libânio 
e Murad, 1996, p. 214).
Na Teologia Moral, a Moral era considerada uma parte prática da teologia e 
pertencia à dogmática, mas ultimamente não é vista nesta única ótica, devido à valorização 
da dimensão prática de toda a teologia.
Ao contrário do que se ouve dizer, a moral necessita de consistente 
sustentação teórica por ser área complexa do pensar teológico. Ao mesmo 
tempo, ela toca em muitos aspectos práticos e significativos não somente da 
pastoral, mas também da vida pessoal do aluno, exercendo influxo existencial 
indiscutível. (Libânio e Murad, 1996, p. 221).
Então, o ensino e aprendizagem da teologia moral procura refletir sobre a resposta 
concreta que o cristão dá a Deus nas diversas áreas: pessoal, comunitário, social e político. 
A teologia moral também se divide em dois grandes blocos de disciplinas: a) Teologia Moral 
Fundamental: Reflexão global das bases e critérios do agir cristão. b) Este bloco irá refletir a 
ética específica sobre diversos setores da existência humana: sexualidade, moral, política, 
bioética, ética ecológica, entre outras.
 
94
TEOLOGIA 
MODERNA4
TÓPICO
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
O período moderno e contemporâneo se inicia no Séc. XVII d.C. até os dias atuais, 
e nos mostra ciclos que se repetem na história da Igreja. No qual:
[...] distinguindo-se as seguintes “divisões”: 1º, séculos XVII e XVIII, cenário da 
ruptura entre os âmbitos espiritual e intelectual, é neste século que a teologia 
evangélica tem sua gênese, exatamente no interior da ortodoxia confessional, 
todavia, o fundamentalismo é o resultado dos “revivals” evangélicos dos 
séculos XIX e XX; 2º, século XIX, centro de polêmicas e tensões, mas também 
ocorrem vislumbres de “renovações”; 3º, século XX, [...] o discurso teológico 
que originalmente propunha a “glória de Deus”, evolui em direção à defesa e 
à valorização do humanum (Gibellini, 1998, p. 279 - 299).
Por exemplo, estudamos que a Igreja estava estagnada e a Escola Romana e a 
Escola de Tübingen reagiram, produzindo material teológico e teologia viva aos olhos do 
mundo. Agora, vemos no século XIX um levante de conhecimento, desejando provar a fé 
por meio de material rico em reflexões teológicas (Libânio e Murad, 1996, p. 140).
Observamos que a tendência da teologia passada foi muito mais a busca da 
teoria, resultando em sabedoria escrita, dogmatizada, sistematizada. A teologia moderna 
está sendo desafiada a romper no lado mais simples, pregar a Salvação em Cristo Jesus, 
ser mais ativa no lado relacional entre Deus-Jesus-Homem e sobrepor aos métodos já 
conhecidos da contextualização do Evangelho. 
Precisamos enfatizar então que, para ser um teólogo na atual modernidade, é 
necessário que o estudante se apegue a história de homens, pensadores e teólogos, que 
fizeram diferença na teologia mediante inovações na área da exposição bíblica, e estudar 
95
ANGLICANISMO - O anglicanismo é uma forma de cristianismo. É parte do ramo protestante da religião 
cristã. O anglicanismo desenvolveu-se na Inglaterra, no século XVI, os líderes da Igreja apresentaram os 
chamados Trinta e Nove Artigos, que afirmavam as crenças da Igreja. Eles seguem a Bíblia e acreditam em 
dois sacramentos principais, ou sinais especiais de fé: o Batismo e a Sagrada Comunhão.A Igreja Anglicana foi criada quando o rei Henrique VIII separou a Igreja da Inglaterra da Igreja Católica, 
em meados do século XVI. Ele fez isso porque o papa Clemente VII se recusou a lhe conceder a anulação 
de seu casamento com Catarina de Aragão. Henrique queria manter a Igreja inglesa tal como era, com a 
única diferença de que ele seria o líder, em vez do papa. Na época, outros povos na Europa também estavam 
rompendo com a Igreja Católica, a Reforma Protestante. 
Fonte: BRITANNICA Escola. Anglicanismo. 2021. Disponível em: https://escola.britannica.com.
br/artigo/anglicanismo/480606. Acesso em: 20 set. 2021.
SAIBA
MAIS
Quais são os fatores que, ao longo da história da Igreja, têm sido fundamentais para a discordância e o 
posterior surgimento de novas “religiões”? Poder político, posses, domínio? O que você elencaria?
Fonte: O autor (2021)
REFLITA
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
homens que fizeram história como Agostinho de Hipona, Tomás de Aquino, Lutero, Calvino, 
John Huss, entre muitos outros, é um diferencial para iniciar um ciclo de novas ideias, de 
atualização e tantas coisas que possam contribuir com a proclamação da Mensagem de 
Deus. 
A mensagem da nova teologia moderna é esta: “não ter a história da Igreja como 
um consumidor final, mas, como um produto a ser trabalhado e distribuído para todos os 
consumidores.”
https://escola.britannica.com.br/artigo/anglicanismo/480606
https://escola.britannica.com.br/artigo/anglicanismo/480606
96
Chegamos ao fim de mais uma Unidade e de mais uma disciplina também. Ter 
estudado a Introdução à Teologia nos ajudou a entender que a história da Igreja nos 
acompanhará em muitas reflexões teológicas. 
Descobrimos que quem faz o conteúdo teológico é a Igreja e, por muito tempo, foi 
ela quem fez a teologia também. Digo isto, porque atualmente falar do Divino não é mais 
uma exclusividade dos grandes líderes eclesiásticos e também não se limitou aos antigos 
locais de retiro e busca de revelação divina. Hoje, sua escola, sua turma e você têm papel 
importante na história da teologia. 
Mediante academias e pensadores, podemos encontrar verdadeiros diamantes 
teológicos, diamantes, porque podem ser lapidados e até quebrados, mas são o que 
há de mais forte que a natureza produziu. Estudando o neopentecostalismo na primeira 
unidade, vimos, através da história de igrejas como a IURD, a possibilidade de se ter 
novos pensamentos e interpretar a ação de Deus de forma diferente. O surgimento do 
neopentecostalismo não terminou nas tendências teológicas.
Por meio de uma breve introdução sobre tradição, entendemos que os conhecimentos 
e experiências adquiridas ao longo da caminhada da Igreja na face da terra, tem um papel 
importante para as igrejas e para a teologia. Como tratamos essas experiências e como 
fazemos delas, parte do nosso saber teológico é um ponto fundamental.
Vimos também, no terceiro capítulo, uma breve introdução de como são formados 
os blocos de disciplinas na teologia e como cada uma se coloca para fechar o círculo 
hermenêutico que existe em todo teólogo.
Enfim, falamos sobre a Igreja Moderna, ou melhor, a Teologia Moderna, ficando 
assim a certeza de que a teologia sempre estará à espera de um novo fato, um novo 
acontecimento ou pensamento que surja. Afinal, a teologia não coloca ponto final definitivo 
em suas definições. Desejo encontrá-los em novos níveis teológicos e, então, em qual 
nível você pretende atuar para contribuir com a sua ação teológica?
Shalom!!!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
97
LEITURA COMPLEMENTAR 
Movimento carismático
A Renovação Carismática Católica, ou o Pentecostalismo Católico, como foi 
inicialmente conhecida, teve origem com um retiro espiritual realizado nos dias 17-19 de 
fevereiro de 1967, na Universidade de Duquesne (Pittsburgh, Pensylvania, EUA).
Em uma carta enviada dois meses após (29 de abril de 1967), a um professor, 
Monsenhor Iacovantuno, Patti Gallagher, uma das estudantes que participou do retiro, 
assim relatou o que aconteceu naqueles dias:
Tivemos um Fim de Semana de Estudos nos dias 17-19 de fevereiro. Preparamo-
nos para este encontro, lemos os Atos dos Apóstolos e um livrinho intitulado “A Cruz e 
o Punhal” de autoria de David Wilkerson. Fiquei particularmente impressionada pelo 
conhecimento do poder do Espírito Santo e pelo vigor e a coragem com que os apóstolos 
conseguiram espalhar a Boa Nova, após o Pentecostes. Eu supunha, naturalmente, que 
o Fim de Semana me seria proveitoso, mas devo admitir que nunca poderia supor que 
transformaria a minha vida!
Durante os nossos grupos de discussão, um dos líderes colocou em tela o fato de 
que devemos confirmar constantemente os nossos votos de Batismo e de Crisma, assim 
como devemos ter a alma mais aberta para o Espírito de Deus. Pareceu-me curioso, mas 
um pouco difícil de acreditar quando me foi dito que os dons carismáticos concedidos aos 
apóstolos são ainda dados às pessoas atualmente – que ainda existem sinais do poder 
divino e milagres – e que Deus prometeu emanar o seu Espírito para que se fizesse presença 
a todos os seus filhos. Decidimos, então, efetuar a renovação dos votos de Batismo e de 
Crisma como parte do serviço da missa de encerramento, no domingo à noite. No entanto, 
o Senhor tinha em mente outras coisas para nós!...
No sábado à noite, havíamos programado uma festinha de aniversário para alguns 
dos colegas, mas as coisas foram simplesmente acontecendo sem alternativa. Fomos 
conduzidos para a capela, um de cada vez, e recebemos a graça denominada de Batismo 
no Espírito Santo, no Novo Testamento. Isto aconteceu de maneiras diversas para cada 
uma das pessoas. Fui atingida por uma forte certeza de que Deus é real e que nos ama. 
Orações que eu nunca tive coragem de proferir em voz alta, saltavam dos meus lábios. (...) 
Este não era, pois, um simples bom fim de semana, mas, na realidade, uma experiência 
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
98
transformadora de vida que continua prosseguindo e se desenvolvendo em crescimento e 
expansão.
Os dons do Espírito já são hoje manifestos – e isto posso testemunhar, porque 
tenho ouvido pessoas orando em línguas, outras praticam curas, discernimento de espíritos, 
falam com sabedoria e fé extraordinárias, profetizam e interpretam.
Eu, agora, tenho certeza de que não há nada que tenhamos de suportar sozinhos, 
nenhuma oração que não seja atendida, nenhuma necessidade que Deus não possa cobrir 
em sua riqueza! E, no depender dele e louvá-lo com fidelidade, eu sinto uma tremenda 
sensação de liberdade.
Podemos tentar viver como cristãos, morrendo para nós mesmos e para o pecado, 
mas esta será uma luta desanimadora se não contarmos com o poder do Espírito. Ainda 
existem tentações e problemas, mas agora tenho a certeza e a confiança em Deus, agora 
ele me dá segurança. Realmente, transforma-me a viver nele. É verdade que na Crisma, nós 
recebemos o Espírito Santo e somos seus templos, mas nós não nos abrimos o suficiente 
para receber em nossas vidas, os seus dons e o seu poder. É certo que o Espírito Santo é 
o nosso professor: eu dele aprendi tanto e em tão pouco tempo!
As Escrituras vivem! Amém! Estou segura de que jamais poderia ter acumulado por 
minha própria conta tanto conhecimento, apesar de todo o esforço desenvolvido e com as 
melhores intenções que tivesse.
(…) Eu me vi, de repente, conversando com as pessoas sobre Cristo e,, vendo 
desde logo, o resultado desse trabalho! Eu jamais teria ousado fazer essas coisas no 
passado, mas agora, é ao contrário: é impossível deixar de fazê-lo. É como disseram os 
apóstolos depois de Pentecostes: “Como podemos deixar de falar sobre as coisas que 
vimos e ouvimos!” (…).
Estas notícias se divulgaram rapidamente, causando um grande impacto no 
meio religioso universitário. O “Fim de Semana de Duquesne”, como ficou mundialmente 
conhecido este retiro, tem sido geralmente aceito como o ponto de partida quedeu origem 
à Renovação Carismática Católica, cuja abrangência estender-se-á, num curto período, por 
inúmeros países.
Fonte: Histórico da RCC. Disponível em: https://www.rccbrasil.org.br/institucional/historico-da-rcc.html. Acesso 
em: 21 set. 2011.
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
99
MATERIAL COMPLEMENTAR
• FILME/VÍDEO
• Título: Nada a Perder: Contra Tudo. Por Todos
• Ano: 2018
• Sinopse: É baseado na trilogia homônima Nada a Perder e no livro 
O Bispo: A História Revelada de Edir Macedo, de Douglas Tavolaro. 
É estrelado por Petrônio Gontijo, interpretando o protagonista, 
Day Mesquita, interpretando sua esposa Ester Bezerra, e Beth 
Goulart, interpretando a mãe Dona Geninha. É também a primeira 
representação de Silvio Santos no cinema.
• Link: https://youtu.be/5BdcofHX2WI. 
• LIVRO
• Título: Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no 
Brasil
• Autor: Ricardo Mariano.
• Editora:‎ Edições Loyola; 5ª edição. 
• Sinopse: Este livro analisa o neopentecostalismo, vertente 
pentecostal responsável pelas principais transformações 
teológicas, estéticas e comportamentais por que vem passando o 
movimento pentecostal. Elaborado e escrito de uma perspectiva 
sociológica e baseado em extensa pesquisa empírica, almeja, além 
de familiarizar o leitor com a história das crenças, das práticas e 
do funcionamento das igrejas neopentecostais, atestar a ruptura 
com o ascetismo contracultural e a progressiva acomodação 
desses religiosos e suas denominações à sociedade e à cultura de 
consumo. Mudanças consideráveis, de caráter secularizante, cujos 
efeitos mais visíveis têm consistido em torná-los cada vez menos 
distintos e, por consequência, cada vez menos um retrato negativo 
dos símbolos de nossa brasilidade.
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
100
• WEB
• Caros alunos, o link abaixo é de um vídeo no qual relata o “Início 
da Renovação Carismática Católica no Brasil.”
• Link: https://youtu.be/cL6-Hcsw7k0. 
PRÁTICAS TEOLÓGICASUNIDADE 4
101
CONCLUSÃO GERAL
Caro (a) aluno (a), chegamos ao final, parabéns! 
Que bom que você chegou até aqui! A teologia é um estudo que não acaba, sim, isso 
é verdade! Quando elaboramos esta disciplina, buscamos trazer os assuntos e a divisão 
que você precisava para poder entender que o conteúdo teológico é muito amplo e, em 
determinados momentos, nós precisamos avaliar nosso foco e seguir por ele durante algum 
tempo. Por exemplo, você já se decidiu se o conteúdo teológico que você está absorvendo 
vai ser utilizado no ministério pastoral, acadêmico, institucional, ou em outra situação que 
possa ser o seu desejo? Falando assim, você percebe que a introdução teológica mexe 
com sua vocação (e você teve um pouquinho deste conceito nesta unidade). 
Introduzir um aluno à sua matriz acadêmica exige muita responsabilidade, pois 
precisamos demonstrar que você também estará fazendo parte da teologia. Não há como 
entrar no universo teológico e continuar a analisar os fatos à nossa volta da mesma forma 
como antes. 
Vimos que os homens mudaram a história, tanto inovando como retendo o conteúdo 
e os métodos. É fato que a teologia implica na sociedade, no seu estilo de vida e utiliza-
se dela para colher seu grande material. A teologia é viva e acompanha os movimentos 
religiosos e espirituais, buscando simplificar o objetivo de sua existência. 
A grande contribuição que você também pode tirar desta disciplina é saber que a 
Fé e a Razão são companheiras e alicerçam a crença no divino. E é sua missão, também, 
fazer com que ambas continuem exercendo seu propósito corretamente.
Peço a você, aluno (a), que cresça em conhecimento e, no final deste curso teológico, 
você se lembre desta disciplina e tenha a certeza de que você poderia reescrevê-la, melhor 
ainda e contribuir com a excelência das ciências da Fé!
Muito obrigado! Lute por aquilo que você acredita!
102
ARAÚJO, Israel de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
BÍBLIA. A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. 
Edição revisada e atualizada no Brasil. Brasília: Sociedade Bíblia do Brasil, 1969.
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FERREIRA, Franklin. Pilares da Fé. São Paulo: Vida Nova, 2017.
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GIBELINI, Rosino. A Teologia do Século XX. Tradução de José Paixão Netto. São Paulo: 
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GILBERTO, Antônio. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2010: número 
de católicos cai e aumenta o de evangélicos, espíritas e sem religião. Rio de Janeiro: IBGE, 
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agencia-de-noticias/releases/14244-asi-censo-2010-numero-de-catolicos-cai-e-aumenta-
o-de-evangelicos-espiritas-e-sem-religiao. Acesso em: 09 ago. 2021.
REFERÊNCIAS
103
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MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do Novo Pentecostalismo do Brasil. São 
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pobres. Revista do Instituto Humanitas de Ensino, ed. 329, 2010, p. 5-7.
MORAES, Isael Araujo de. Frida Vingren: uma biografia da mulher de Deus, esposa de 
Gunnar Vingren, pioneiro das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.
OSMER, R. R. Practical Theology: An Introduction. Michigan/EUA. William B. Eerdmans 
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RODRIGUES, E. H. da S. Introdução à Teologia. Curitiba: Contentus, 2020. Disponível em: 
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PLATÃO. República. Tradução de Ingrid Neves. 1. ed. Goiânia: Editora Kiron, 2014.
SERTILLANGES, A. D. A vida intelectual. São Paulo: É realizações. 2010.
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TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. São Paulo: ASTE, 1988.
ROLIM, Francisco Cartaxo. Dicotomias religiosas: ensaio de sociologia da religião. 
Petrópolis: Vozes, 1997.
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TRADIÇÃO. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2021. Disponível 
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WESTPHAL, E. R. Teologia como fé inteligente: aspectos teológico-filosóficos. São Paulo: 
Vox Scripturae, 2010.
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	Site UniFatecie 3: 
	Botão 19: 
	Botão 18: 
	Botão 17: 
	Botão 16:partir de uma abordagem que vê Jesus como Senhor, 
como Rei, como Deus, ignorando o aspecto da sua humanidade. Podemos 
colocar a fé como referencial básico para a elaboração teológica, mas 
também podemos colocar a dúvida como dúvida metodológica no sentido 
de questionar as coisas da fé, buscando encontrar respostas. É possível ter 
a dúvida como pergunta que não busca respostas, mas a dúvida que vive 
em função das próprias dúvidas e somente para confirmar as suspeitas em 
relação às Escrituras. Temos outras formas de procedimento metodológico. 
Podemos partir da fé para compreender (Westphal, 2010, p. 80).
A razão e a fé, quando se fala em Teologia, precisam ser entendidos como parte 
integrante, uma da outra, assim, a reflexão teológica é bem constituída:
FUNDAMENTOS DO 
ESTUDO TEOLÓGICO2
TÓPICO
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
13
Primeiro eu creio para então buscar a compreensão daquilo que creio. De 
outro lado, busca-se a compreensão intelectual em primeiro lugar, para 
então avistar a fé. Ambos os elementos não se excluem, mas devem ser 
buscados numa relação simbiótica entre fé e razão, que são dois elementos 
que constituem a própria teologia (Westphal, 2010, p. 80).
Um componente da Fé é a Crença, que se resume em convicção em algo como 
verdadeiro, e a Fé, que nada mais é que o sentimento total de confiança em uma crença. 
Segundo Euler Renato Westphal (2010), o método tem papel principal na reflexão 
teológica: Quando falamos em método na Teologia, precisamos entender que há uma 
dependência total do conteúdo e este exerce influência direta: 
Quando falamos do método em teologia, estamos colocando um segundo 
elemento ao lado deste, que é o conteúdo. Muitas vezes, pensa-se que o 
método pode ser dissociado do conteúdo, mas o método influencia o conteúdo 
e o conteúdo influencia o método. Ambos se condicionam. Há elementos que 
devem e podem ser dissociados, mas nunca podemos pensar que ambos se 
encontram em esferas totalmente diferentes. Isso fica plasmado à medida que 
formos avançando nas nossas reflexões. Quando abordamos a questão do 
método estaremos logo falando do conteúdo, inclusive a recíproca também é 
verdadeira (Westphal, 2010, p. 81).
A Fé precisa extrapolar a razão em determinados momentos, mas a fé é a iluminação 
da razão. É a fé que vai impulsionar a razão para o criticismo sadio e a afirmação da crença:
A teologia tem, em primeiro lugar, uma função existencial, pois ao falar de Deus, 
o teólogo é aquele que está existencialmente envolvido no círculo teológico. 
Não se pode falar de Deus sem tê-lo experimentado. Não conhecemos a 
graça de Deus em Jesus Cristo sem primeiro termos conhecido a nossa 
condenação. A experiência de Deus tem a ver com a experiência da nossa 
própria falência e da consciência de nossa própria maldade. Isso Deus nos 
revela através da sua Palavra e do seu Espírito. Portanto, somente pode fazer 
teologia quem antes teve um encontro pessoal com o Deus vivo e verdadeiro 
(Westphal, 2010, p. 81 - 82).
Precisamos nos atentar que não há sobreposição de valores entre fé e razão. Fé e 
Razão existem lado a lado e sua relação não é meio a meio, ou 50% de cada. A relação fé 
e razão é completa, 100% de fé e 100% de razão caminhando juntos:
A dimensão existencial da teologia não pode tomar o lugar do aspecto científico 
do labor teológico, mas ambos precisam se complementar. Não podemos 
colocar a fé e a razão como alternativas que se excluem mutuamente, mas 
ambas devem existir para que a fé seja inteligente e a inteligência seja levada 
cativa sob a obediência de Cristo. Assim como uma teologia preocupada 
somente com a dimensão existencial é unilateral, a teologia científica que não 
considera a participação da vida do teólogo peca por fazer de Deus um objeto 
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
14
de estudos, como se este objeto pudesse ser dissecado, analisado, servindo 
como uma coisa que pudesse ser manipulada pelo ser humano (Westphal, 
2010, p. 81 - 82).
2. 2 Principais Fontes da Teologia:
Segundo o teólogo Leonardo Boff (1998), a Teologia se utiliza de três fontes 
principais em sua reflexão: a Fé-Palavra, a Fé-Experiência e a Fé-Prática, que, na verdade, 
são relações da Fé e estas relações produzem reflexão, diálogo, um verdadeiro discurso 
teológico reflexivo. Vamos entender o significado destas fontes. Quando a Fé e a Palavra 
estão juntas, um discurso surge e este discurso é um discurso teológico, e a Fé é a base de 
que a sabedoria humana não pode ir contra ela. A fé tem suas determinações e estas são 
as três (Boff, 1998, p. 111).
Primeiramente, o que seria a Fé-Palavra? Segundo descreve o teólogo Leonardo 
Boff (1998), entendemos haver uma relação entre Fé e Palavra e esta relação constitui um 
princípio que traz especificações para a Teologia. A FÉ É O FIRME FUNDAMENTO DA 
TEOLOGIA, esta fé é a Fé-Palavra e não doutrina. A Palavra produz a doutrina, e esta, a 
reflexão teológica. Ainda, seguindo a afirmação de Boff (1998), a teologia tem como seu 
princípio objetivo a revelação. 
A fé torna-se o princípio subjetivo, assim, temos uma fé revelada e o princípio formal 
da teologia é a Palavra de Deus. Toda a reflexão teológica deve ser trazida para a ótica da 
Palavra de Deus. A reflexão de Deus, sob a ótica da fé, forma o princípio formal subjetivo 
da teologia, sendo a Fé-Palavra (Boff, 1998, p. 112).
Fazer teologia está ligado em confrontar as experiências humanas com a Palavra, 
ou melhor, a Bíblia. As Escrituras são testemunhas da revelação e essa revelação em nós 
deve encontrar correspondência, ou seja, há uma relação de “ação” da Palavra de Deus e 
“reação” do indivíduo. Devemos receber, assim, a Palavra com amor, que também é uma 
fonte de toda a palavra teológica.
A teologia autêntica é a revelação de Deus através da Palavra e a teologia está 
fundamentada no testemunho da Palavra, assim, afirma Westphal (2010):
A teologia está fundamentada no testemunho da Palavra, nela encontramos 
o testemunho da revelação de Deus em Jesus Cristo na Palavra de Deus, 
no Antigo e no Novo Testamento. A Palavra de Deus chama pessoas da 
morte para a vida. A teologia autêntica é resposta do ser humano a Deus, 
que se revela através da Palavra. A Palavra de Deus é Evangelho, pois ali 
Deus revela sua santidade, sua ira, sua inacessibilidade. No entanto, é no 
Evangelho, na Palavra de Deus, que encontramos a revelação do Deus 
misericordioso que aceita e abraça os filhos perdidos e coloca o ser humano 
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
15
arrependido para dentro da sua aliança. Através da Palavra de Deus nos é 
dito que somos pecadores agraciados, e que Deus não nos vê como somos, 
mas que ele vê Cristo em nosso lugar. Nós somos condenados, pois em 
nossa natureza e essência estamos totalmente perdidos. Ainda assim, Deus 
não nos exclui, mas se reconcilia conosco. Ele anuncia sua palavra de anistia 
para nós condenados. Ele não vê a mim em minha maldade e perdição, mas 
Jesus se coloca entre mim e Deus, e a justiça que está em mim não é a 
minha, mas a de Jesus Cristo. Deus se solidariza com este homem Jesus, e 
Deus habita entre nós na pessoa do Nazareno (Westphal, 2010, p. 90).
2. 3 Jesus Cristo como Raiz Teológica:
Não é só a fé que é o ponto de partida importante para o estudo da teologia, 
mas, também, a encarnação de Deus em Jesus Cristo nos dá compreensão da fé e é um 
importante conteúdo da teologia. Segundo Westphal (2010, p. 88):
A teologia parte do seu conteúdo fundamental que é a história concreta do 
Deus-Homem, que é Jesus Cristo. A fé é o ponto de partida da teologia. 
Jesus Cristo, testemunhado nas Escrituras, é o seu conteúdo. A razão é o 
instrumento que pensa a fé e a revelação, colocando-os de forma ordenada 
para a compreensão humana. A compreensão da fé inicia no acontecimento da 
encarnação de Deus em Jesus Cristo. Na pessoa de Cristo, nós temos a autor 
revelação de Deus. Jesus não é nenhum herói, mas Deus mesmo assumiu a 
forma humana, fazendo-se ser humano com todas as suaslimitações e sua 
desgraça. O homem Jesus de Nazaré é o Deus eterno, criador do céu e da 
terra. Nele temos a consumação final da salvação para toda a humanidade. 
A teologia tematiza a realidade da revelação do amor de Deus em Jesus 
Cristo e seu significado para a realidade da humanidade. O conteúdo de 
toda a teologia é a pessoa de Jesus Cristo. Aqui está a verdadeira fonte e o 
conteúdo de toda a teologia e, ao mesmo tempo, em Cristo está o ponto de 
convergência para o falar teológico. 
Assim, a Fé é o ponto de partida da Teologia e Jesus Cristo, o conteúdo, porque, 
nele, temos a revelação de Deus. Os temas e assuntos teológicos deveriam ser unicamente 
derivados da pessoa de Jesus Cristo. O que vimos e o que conhecemos de Jesus Cristo 
nos aproxima de Deus. Diz Westphal (2010, p. 88): 
Quando ouvimos Jesus, então buscamos a Palavra que foi testemunhada 
pelas testemunhas oculares. Estas devem ser interpretadas, pois não temos 
autoridade canônica e não nos encontramos na mesma linha sucessória dos 
apóstolos. O Espírito Santo nos abre os olhos aos mistérios da Palavra de 
Deus.
Então, a grande receita para ser um ótimo e excelente teólogo é ter uma relação 
profunda com o Espírito Santo, compreender que a teologia tem total relação com a sua 
Palavra, a Bíblia, ter experiência e prática e, com certeza, ter Jesus Cristo como fonte 
principal.
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
16
3. 1 Teologia e Ciência:
Primeiramente, vamos retornar um pouco no nosso conteúdo e solidificar um 
conhecimento necessário para o teólogo adquirir compreensão acerca da teologia. 
A teologia é uma ciência, mas o que é ciência? Segundo o dicionário online, o 
conceito de Ciência diz: “Reunião dos saberes organizados obtidos por observação, pesquisa 
ou pela demonstração de certos acontecimentos, fatos, fenômenos, sistematizados por 
métodos ou de maneira racional: as normas da ciência.” (Ciência, 2021, online). Assim, 
entendemos que a ciência é uma coletividade de conteúdo e experiências, devidamente 
sistematizadas e resultantes de normas. 
TEOLOGIA ACADÊMICA E 
CIÊNCIA3
TÓPICO
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
17
FIGURA 2 - CONCEITO DE NEGÓCIO DE MÃO DE MEGAFONE COM TEXTO CIÊNCIA 
VERSUS RELIGIÃO, ILUSTRAÇÃO VETORIAL
https://www.shutterstock.com/image-vector/megaphone-hand-business-concept-text-science-1013209075
Conceito de negócio de mão de megafone com texto Ciência versus religião, 
ilustração vetorial.
Quando falamos de fé e ciência, precisamos saber que não há embates entre 
as duas. A ciência vem como a razão, provar e normatizar o conhecimento, já a fé é a 
exploradora de novos acontecimentos. Podemos estar seguros quanto à relação entre fé 
e ciência, pois a fé se dedica a dizer, muitas vezes, quem fez e a ciência em revelar como 
se fez. A ciência é compreendida como lógica e a lógica da fé não traz um ponto final ou 
definitivo, pode, mas está limitado ao tempo.
Em sua definição de Teologia como Ciência, Libânio e Murad (1996), dizem que 
a ciência teológica não é uma ciência no sentido de ter evidências a respeito de seus 
princípios, mas, como uma ciência subordinada à ciência de Deus: 
Os princípios da teologia só se tornam evidentes na ciência mesma de Deus, 
é, na ciência que Deus tem de si. A teologia recebe da ciência de Deus — 
ciência subordinante — os seus princípios. Está em continuidade com essa 
ciência de Deus, em que as verdades reveladas participam da evidência 
divina pela revelação e fé. É conhecimento certo e dedutivo, mas a seu modo.
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
18
A teologia, como ciência subalterna, subordina-se à ciência superior de Deus e 
dos santos. Adquire, por isso, mais dignidade que aquelas que se fundam em princípios 
conhecidos à luz natural do intelecto e por si evidentes.
Estribando-se na própria ciência de Deus, que não se pode equivocar nem pode 
enganar-nos, toda verdade teológica se faz normativa para as outras ciências. Em qualquer 
conflito de intelecção, a teologia nessa compreensão levava vantagem inegável. Tutelava, 
por isso, tranquilamente todos os outros saberes humanos (Libânio; Murad, 1996, p. 80).
3. 2 Teologia e Academia:
Da mesma forma que estudamos em outros cursos e níveis de escolaridade, temos 
na teologia uma infinidade de recursos, de disciplinas, que servirão para tecer a teia do 
conhecimento teológico em nós.
Para que estou estudando teologia? Esta é a pergunta correta que devemos fazer 
para entender quais são as possibilidades e níveis que pretendemos atingir ao estudarmos. 
Para ser um pouco mais elucidado em minha exposição, a você aluno, quero dar, como 
exemplo, os estudantes de medicina, que podem estudar todos as mesmas disciplinas, 
mas, alguns servirão nos hospitais, outros em comunidades, outros em clínicas particulares 
e outros assumirão a academia e serão novos professores. Na teologia não é diferente, 
vamos estudar o mesmo conteúdo, mas vamos dar foco a situações possivelmente 
diferentes. 
Alguns serão Teólogos Profissionais. São os teólogos que agem unindo o 
conhecimento acadêmico em resposta às necessidades do Povo de Deus. São pensadores, 
críticos e defensores da fé sadia, voltados para o zelo com a veracidade das Escrituras e 
a boa prática das mesmas. 
Outros são teólogos pastorais, aqueles que promovem a evangelização e a prática 
da fé, são os líderes eclesiásticos, que utilizam as Escrituras para apascentar o rebanho de 
Cristo na face da Terra.
Ainda, há os Teólogos Populares, que praticam a teologia de forma simples, oral, 
falada, na prática, são os congregados à fé, que adquirem o conhecimento de forma menos 
formal e guiados pelo Espírito da Verdade. 
A Teologia não é uma ciência exata, também, sua abrangência e profundidade não 
podem ser medidas com um padrão. Para não sermos errôneos, podemos dizer que a 
cada década, o mundo conhece algo novo no sentido de pensamento cristão e teológico, 
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
19
os eventos que envolvem a fé não são totalmente rígidos e o surgimento de novos métodos 
interpretativos puxam o teólogo de sua zona de conforto e ocasionam a reflexão teológica 
constante. 
FIGURA 3 - UNIVERSIDADE DE BOLONHA (A MAIS ANTIGA DA EUROPA)
https://www.shutterstock.com/image-photo/bologna-italy-may-27-2018-facade-1823229221
BOLONHA, ITALIA – Maio/2018 – Fachada da Universidade de Bolonha – 
Considerada uma das mais antiga faculdade do mundo, surgiu em 1088 d.C.
Um fato muito importante a ser observado é que seguindo o movimento da 
Escolástica, as primeiras universidades surgiram com foco para resolver problemas 
teológicos entre a fé e a ciência, é o caso da Universidade Al-Azhar, no Cairo, criada em 
998 d.C. a pedido do vizir Yaqub para que o califa Aziz ministrasse instrução e alimentação 
a 36 estudantes da mesquita. A Universidade de Bolonha, na Itália, foi criada em 1088 d.C., 
também com a teologia como fonte principal na grade acadêmica.
A teologia também possui outros níveis organizacionais, tais como a Teologia 
Bíblica e a Teologia Sistemática.
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
20
3. 3 Teologia Sistemática:
A teologia Sistemática, também conhecida como “Dogmática”, é o conjunto de 
disciplinas elaboradas ao longo da história da Igreja. Este conjunto de ensinos não se 
vale de doutrinas ou ensino denominacional restrito, vale-se da pura reflexão cristã, sob 
um olhar humanista. A teologia sistemática reelabora conceitos fundamentais, como a 
revelação, graça, sacramentos, entre outros, isto, de acordo com um estudo sistematizado 
e cronológico, entendendo que cada afirmação pode ser provisória dentro do campo 
teológico (Libânio e Murad, 1996, p. 224 - 225).
Na Teologia Sistemática é que se pratica a cronologia da teologia, onde são definidos 
três momentos: O Retrospectivo – onde se analisa o fato e a consequência no passado. O 
Introspectivo – no qual se reflete sobre cada objeto teológico e sua posição no presente e 
por último, a Prospecção dos Fatos, em que se entendeo objeto de estudo, seu potencial 
e identificam-se os pontos a serem melhorados.
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
21
A Teologia Bíblica é uma das áreas que mais chama a atenção dos estudantes, 
primeiro porque, quando surge, dá a impressão de que as demais teologias não são bíblicas 
e esta seria a teologia correta. Assim, ocorre um desentendimento e um certo desvio ou 
conceito errado das demais nomenclaturas. 
Não se trata de um ramo teológico, mas de uma disciplina, a qual tem a Bíblia 
como principal fundamento de estudo. A Bíblia é o principal instrumento de evangelização 
e propagação da crença, é a ferramenta do evangelismo. Nesse sentido, a teologia Bíblica 
estudará o Antigo e Novo Testamento, baseando-se em exegese, que nada mais é que 
estudar minuciosamente cada texto ou período sugerida. A exegese é uma disciplina pré-
teológica e não é considerada teologia porque não trata diretamente da fé.
Quando utilizamos o método de exegese na teologia bíblica, podemos observar 
que em algumas situações os textos se completarão e em outros haverá conflito. A teologia 
bíblica é cativante ao estudante porque não traz conflitos ou criticismo, e, como leitura das 
Escrituras, é alimento para o espírito (Libânio; Murad, 1996, p. 220).
Enfim, trago este tópico para orientá-lo desde o início que não há uma teologia mais 
correta que outra, ou seja, a chamada teologia bíblica é um método que precisa de outros 
para trazer para fora o verdadeiro sentido dos textos sagrados. 
Muitos alunos entram nos cursos teológico dizendo que vão se prender a teologia 
bíblica porque é espiritualizada e não há necessidade de criticismo ou métodos mais 
refinados para se entender a compreensão do divino, assim, criam um pré-conceito de outras 
disciplinas teológicas e se frustram quando precisa recorrer aos métodos sistematizados. 
TEOLOGIA 
BÍBLICA4
TÓPICO
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
22
A teologia só irá acrescentar conteúdo benéfico e retirar enganos e equívocos que, muitas 
vezes, travam a fé e sua prática na vida do indivíduo.
A Universidade de Alazar ou Al-Azhar está localizada no Cairo, Egito. Está anexa à mesquita homônima. 
Foi fundada como escola de teologia no Califado Fatímida, (xiita) em 988, sendo a segunda mais antiga 
universidade do mundo. Nacionalizada em 1960, em 1961 disciplinas não-religiosas foram adicionadas ao 
seu currículo, tais como Medicina, Farmácia, Engenharia e Agricultura. Em 1962, admitiu pela primeira vez 
estudantes femininas.
Fundada como um centro de aprendizagem islâmica, seus alunos estudam o Alcorão e a lei islâmica 
em detalhe, sendo necessário, para admissão, saber de cor o Alcorão ou pelo menos importantes partes 
dele. Foi uma das primeiras universidades do mundo, e a única no mundo árabe a sobreviver como uma 
universidade moderna, incluindo temas seculares no currículo. Hoje é o centro principal da literatura árabe e 
da aprendizagem islâmica sunita no mundo.
Fonte: UNIVERSIDADE DE ALAZAR. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: 
Wikimedia Foundation, 2020. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Universidade_de_
Alazar&oldid=58352551. Acesso em: 26 maio 2020.
SAIBA
MAIS
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
23
SAIBA
MAIS
A Universidade de Bolonha é considerada uma das universidades mais antigas do mundo, tendo sido 
fundada em Bolonha, na Itália, em 1088. Constantemente é ranqueada entre as melhores do mundo, 
figurando entre as Universidades de Elite Mundial. Em 2020, a Alma Mater sobe três posições e faz história 
ao se tornar a universidade europeia mais preparada para o futuro e 6ª no ranking mundial do Times Higher 
Education.
Em 1364, vários teólogos começaram o ensino de Teologia. Em Bolonha passaram períodos de estudo 
Dante Alighieri, Francesco Petrarca, Guido Guinizzelli, Cino da Pistoia, Cecco d’Ascoli, Re Enzo, Salimbene 
de Parma e Coluccio Salutati.
Fonte: UNIVERSIDADE DE BOLONHA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia 
Foundation, 2020. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Universidade_de_Bolonha&oldid=59050212. 
Acesso em: 15 ago. 2020.
Diante da história das universidades mais antigas do mundo em funcionamento, temos um exemplo de 
ensino teológico islâmico, a Universidade de Alazar, praticamente a mais antiga do mundo. Diante deste fato 
apresentado, podemos dizer que a teologia cristã evolui?
Fonte: O autor (2021).
REFLITA
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Universidade_de_Bolonha&oldid=59050212
24
Chegamos ao final de nossa introdução à disciplina de Teologia. Nos propomos a 
trazer um conteúdo simples e conceitual sobre Introdução à Teologia e, como dissemos 
no início da unidade, o objetivo maior era situar você dentro do assunto, demonstrando 
as possibilidades que a teologia pode lhe oferecer, além do que já era conhecido no meio 
religioso.
Quando falamos da história da teologia, demonstramos como o assunto faz parte 
da história da humanidade e como repercutiu e repercute atualmente. A história da teologia, 
na verdade, foi produzida, na maioria, fora das paredes dos templos da Idade Antiga e 
Idade Média.
Vimos também que os fundamentos teológicos e os métodos são um bom elo entre 
a fé e a razão, no qual, se ambos andarem juntos em sua totalidade, muitas necessidades 
teológicas serão supridas e consequentemente haverá um acréscimo à crença individual ou 
coletiva. O diálogo entre Fé e Razão é mais necessário do que se imagina e é perfeitamente 
bem-vindo.
Ao falarmos de Academia e Ciência, demonstramos que a teologia não termina 
definitivo suas descobertas, que há níveis na teologia em que se pode focar e trabalhar. 
Não é somente algo restrito ao meio eclesiástico, mas, envolve o ensino como todo.
Com a explicação sobre teologia bíblica, observamos que realmente, se desejamos 
resolver conflitos no entendimento da própria palavra, precisamos de completar a exegese 
bíblica com as demais áreas da teologia, assim, obteremos um resultado mais claro.
Então, essa unidade buscou ser introdutória aos eventos centrais que fizeram da 
teologia uma das ciências mais praticadas no mundo e uma das mais antigas, inclusive. 
Espero que você tenha absorvido o conteúdo e esteja preparado, agora, para subirmos o 
nível e possamos trazer mais conceitos e métodos para nossa bagagem.
Até a Próxima Unidade!!! Shalom!!!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
25
As mulheres e a Teologia
Entre os ramos e enfoques teológicos, encontramos um que precisa ser mencionado 
e tem feito parte na atualidade expressivamente, estamos falando da Teologia Feminista. 
A proposta deste enfoque teológico é refletir acerca do espaço da mulher nas 
diferentes áreas, social, familiar, eclesial, movimentos feministas e todo o contexto em que 
a mulher possa se inserir.
Catarina Halkes, uma importante teóloga feminista holandesa, define assim:
As mulheres se tornam, pela primeira vez, concretamente, sujeito da vivência 
de sua própria experiência de fé, bem como da formulação da mesma e da 
reflexão sobre ela, e, portanto, da teologização (...) A teologia feminista é 
uma teologia crítica da Libertação, que não se baseia no caráter particular 
da mulher· como tal, mas em suas experiências históricas de sofrimento, em 
sua opressão psíquica e sexual, em sua infantilização e sua invisibilização 
estrutural em consequência do sexismo nas Igrejas e na sociedade. (... ) 
Abrange em sua 
reflexão sobre a fé todos os que não têm liberdade e são considerados objetos, 
mas estão conscientes de que são as mulheres que, praticamente sempre e 
em toda a parte, estão entre os oprimidos dos oprimidos” (C. Halkes, 1980, 
citado por Libânio; Murad, 1996, p. 255).
Com a proposta de uma análise crítica, a teologia feminista propõe uma 
desconstrução das posturas e ações discriminatórias do sexo feminino. 
A teologia feminista realiza análise crítica, exploração construtiva e 
transformação conceptual, colaborandoassim para o florescimento da 
Tradição viva da Igreja, Sua ação deconstrutora se fixa na denúncia e 
superação do sexismo (atitudes, posturas, ações discriminatórias contra 
o sexo feminino), principal expressão da visão androcêntrica (centrada no 
homem varão) que vigora em grande parte das atuais sociedades do planeta. 
Fenômeno não superficial, a discriminação contra a mulher deita suas raízes 
em antropologia deficiente, patriarcal, que associa o ser humano ideal ao 
varão, ente do sexo masculino (Libânio; Murad, 2003, p. 256 - 257).
É uma desconstrução para reconstruir. Como dissemos que na teologia, nem 
sempre podemos pôr um ponto final, a teologia feminista prova isto, pois ela promove uma 
reflexão que produz frutos para um discurso teológico correto.
Já se fazem sentir os frutos da teologia feminista nas convicções e descobertas 
básicas aceitas pela comunidade teológica internacional e lentamente 
assimiladas nos textos de teologia acadêmica. Assim, na Bíblia redescobrem-
LEITURA COMPLEMENTAR
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
26
se as figuras de mulheres; na dogmática, purifica-se a imagem de Deus de 
suas conotações masculinas e patriarcais, pelo resgate de características 
maternas (Deus Pai materno, ou Deus Pai-mãe) e comunitário-familiares 
(a Trindade); na teologia moral incorpora-se a perspectiva da mulher, 
especialmente no âmbito da sexualidade; na liturgia, faz-se exceler o valor de 
expressões simbólicas.” (Libânio; Murad, 2003, p. 256 - 257).
Sob a ótica de uma hermenêutica feminista, vemos que os avanços deste enfoque 
teológico têm sido significativos e contribuído com a compreensão do papel da mulher na 
sociedade toda. 
De certa forma, podemos concluir que a teologia feminista, ainda que nova, 
perante a tradição já existente, vem ocupando seu espaço de maneira significativa, não 
só, defendendo seus interesses, mas, abrindo o leque para outras situações que envolvam 
homens e mulheres e assim, a teologia feminista vai, lentamente, conquistando seu lugar.
Fonte: LIBANIO, J. B.; MURAD, A. Introdução à Teologia. São Paulo. Loyola, 1996. p. 255 - 258.
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
27
MATERIAL COMPLEMENTAR
• FILME/VÍDEO
• Título: Santo Agostinho
• Ano: 2015.
• Sinopse: Filme clássico, situa-se na fase crucial do declínio do 
império romano e da invasão pelos Visigodos e Vândalos. O Doutor 
da Igreja, Agostinho é um dos grandes nomes do cristianismo e 
um dos maiores filósofos da humanidade. Aos 70 anos, ele narra 
a história de sua juventude, seus excessos e transgressões, a 
crise existencial que o levou à conversão e a persistente ação de 
sua mãe, Santa Mônica. O ator Franco Nero interpreta Agostinho 
na sua velhice, Alessadro Preziosi o recria em sua atormentada 
juventude e Mônica Guerritore, a mãe de Agostinho.
• Link: https://www.paulinas.com.br/produto/santo-agostinho-dvd-
duplo-206-min-885. 
• LIVRO
• Título: Introdução à Teologia
• Autor: João Batista Libânio.
• Editora: Edições Loyola, 1996.
• Sinopse: O livro foi escrito em 1996 e se refere ao desenrolar 
do processo teológico na história da Igreja católica. A obra possui 
um caráter introdutório, portanto o método empregado pelo autor 
é de introduzir os leitores em uma visão geral do modo como fazer 
teologia e do modo como foi sendo feita a teologia no decorrer dos 
séculos e nos últimos anos no Brasil. O objetivo deste trabalho é 
apresentar uma resenha crítica da obra.
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
28
• WEB 
• Veja o link abaixo no qual relata uma entrevista com Leonardo 
Boff (22.4.19) - sobre os “Valores éticos e empatia sintetizados 
num ser ímpar”.
• Link do site: https://youtu.be/pwFvYJMxntc. 
CONHECENDO TEOLOGIAUNIDADE 1
Professor Esp. Érlon Migliozzi
TEOLOGIA CATÓLICA 
ROMANA2UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
30
Plano de Estudos
• Teologia Católica;
• Reforma e Contrarreforma;
• Espiritualidade, Intelectualidade e Eclesialidade;
• Teologia Prática e Teologia Sistemática.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar a Teologia Católica Romana;
• Compreender seu tipo de Filosofia e Interpretações Teológicas;
• Estabelecer a importância da Teologia Católica na compreensão do Divino.
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
31
Caro (a) aluno (a),
Entramos na segunda unidade de nossa Introdução à Teologia e vamos participar 
da história da primeira igreja cristã, consequentemente, a primeira linha teológica que 
surgiu, portanto, vamos ter uma linha de tempo muito ampla, pois, as demais correntes 
teológicas, as igrejas e as demais teologias que surgem, derivam da teologia católica, 
trazem componentes e, de certa forma, surgem também em reação à mesma.
No primeiro tópico, vamos abordar a história do catolicismo, mas de uma forma 
diferente, vamos iniciar no século XIV, onde a igreja começou a enfrentar oposição, 
consequentemente, precisou se reestruturar para sobreviver. Até este período da história 
da igreja, o crescimento foi, de certa forma, natural. Agora, vamos falar de um crescimento 
exigido sob demanda, no qual podemos dizer que é um crescimento forçado e necessário.
No segundo tópico, vamos abordar de maneira bem simples e direta o maior 
desafio da Igreja Católica, a Reforma Protestante e como a Igreja contra-atacou este 
movimento, posteriormente, no próximo tópico, vamos nos aprofundar mais no assunto 
“Reforma Protestante” e também falar de três componentes da teologia, a Espiritualidade, 
a Intelectualidade e a Eclesialidade, temas que fazem parte significativa na grade curricular 
do teólogo católico.
Por fim, no último tópico, vamos falar de teologia prática e sistemática, a fim de 
desmistificar estes termos. Espero que você esteja desejoso de aprender um pouco mais 
da história da Igreja, que, também, é uma disciplina muito importante dentro do seu currículo 
e, agora, você terá contato com uma grande parte da principal linha da história. Não deixe 
de utilizar os recursos disponibilizados em seu material, aprofunde-se mais e veja quanto é 
importante a teologia para o mundo.
Um ótimo estudo e vamos juntos!!!!
INTRODUÇÃO
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
32
TEOLOGIA 
CATÓLICA1
TÓPICO
1. 1. Os bastidores da Igreja Católica dos Séculos XIV ao XVIII
Partindo da unidade anterior, podemos entender que a teologia surgiu em um tronco 
único, ou seja, não tinha suas divisões e sua interpretação era única. A teologia foi praticada 
no meio filosófico e dentro da Igreja, pelos seus pensadores, para resolverem os problemas 
teológicos que houvessem, ou procurar compreendê-los.
O termo “teologia” foi sendo fundamentado ao longo dos tempos e cada vez mais 
utilizado, assim, após a obra de Eusébio de Cesaréia (260 - 340 d.C.) em sua obra “História 
Eclesiástica” o uso do termo passou a ser mais utilizado, principalmente no Ocidente, e o 
tornou conhecido como o primeiro historiador cristão (Libânio; Murad, 1996, p. 66).
Porém, vamos adiantar bem mais a frente, no ponto onde a teologia católica precisa 
se fortalecer e dialogar para não sofrer rupturas e descaracterizações, foi nos séculos XIV 
e XV que o pensamento medieval começou a desmoronar, ele atuava no campo político-
religioso e no campo do pensamento, assim, inicia um processo, em que, do tronco teológico, 
surgiriam galhos e estes, após quase cinco séculos, vão produzir novos ramos. Veja como 
Libânio descreve este momento:
Os séculos XIV e XV viram o lento desmonte da ideia-chave do pensamento 
medieval, a saber, a “ordem universal” determinada por Deus, na qual todas 
as coisas têm seu lugar. A idade moderna traz incríveis novidades, tais 
como: o capitalismo mercantil com seu espírito aventureiro e conquistador, o 
contato comercial e cultural com o Oriente, o movimento filosófico que afirma 
a supremacia da razão e do indivíduo racional, as manifestações artísticas e 
o humanismo renascentista. Uma avalanche de tendências desagregantes 
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
33TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
se precipita sobre a cristandade:subjetivismo e individualismo, nacionalismo, 
laicismo, secularização. Elas atuam no sentido de diluir as grandes sínteses 
alcançadas no plano político-religioso (o império e o papado) e no pensamento 
(dialética e sistematização escolásticas). A teologia escolástica não assimila 
o " giro cartesiano” da razão, nem o individualismo emergente. A Reforma 
protestante, iniciada por Lutero e seus companheiros no século XVI, golpeia 
duramente a unidade católica da Europa (Libânio; Murad, 1996, p. 135).
Nos séculos seguintes (XVI e XVII), haverá um período de reestruturação na 
teologia católica, com o evento da Contrarreforma, onde vários pensadores se levantarão 
para organizar e defender os assuntos pertinentes ao catolicismo romano.
Os séculos XIV e XV viram o lento desmonte da ideia-chave do pensamento 
na teologia destacam-se a Escola de Salamanca e os teólogos Jesuítas. (...) A 
Teologia combativa marca estes séculos. Neste espírito, Roberto Belarmino, 
figura notável, elabora o Catecismo Romano (Libânio; Murad, 1996, p. 136).
Nos séculos seguintes, o mundo passa por fortíssimas transformações culturais 
e sociais e sofre ataques, agora, do sistema econômico e político global, não são apenas 
lutas internas, mas, o mundo sofre revoluções que culminam com a implantação de novos 
sistemas econômicos e políticos, assim, agora, a teologia precisa se guardar das influências 
de uma nova sociedade.
Os séculos XVIll e XIX assistem as transformações ainda mais incisivas: 
a consolidação do capitalismo, a revolução francesa e outras revoluções 
burguesas, as mudanças radicais no modo de produção do campo e da 
cidade (revolução industrial e agrícola), o advento da mentalidade urbana, 
o crescimento da filosofia moderna com Kant, Hegel e Marx e a irrupção 
do movimento socialista. A teologia assume posição de defesa, reafirma 
que o sistema a: aristotélico-tomista constitui a única "filosofia perene". A 
reflexão teológica não se deixa contaminar com as pretensiosas filosofia 
da modernidade. Busca-se a restauração da velha teologia medieval com 
a “neoescolástica", que atinge seu ponto alto no Concílio Vaticano I. ao 
proclamar o dogma do primado e da infalibilidade papal. A teologia, portanto, 
ao seguir a tendência dominante na Igreja, nega-se a dialogar com o mundo 
moderno. Ao contrário, trata de combatê-lo. evocando a nostalgia do mundo 
da cristandade, ainda sobrevivente (Libânio; Murad, 1996, p. 136).
A teologia preponderante nesta época caracteriza-se pela submissão ao ensino, 
ou seja, o magistério, o qual é a característica fundamental da Igreja neste período. É o 
ensino que combate as heresias e se levanta como grande arma para eliminar os conflitos 
internos na instituição Igreja. “Especializa-se nas tarefas de expor, definir, defender, provar 
e confirmar a fé ortodoxa, examinar e condenar os erros. Deixe sua função de pesquisa 
para se tomar exposição autoritativa da doutrina.” (Libânio; Murad, 1996, p. 136).
34TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
A teologia tem seu papel importante na estruturação da fé cristã e nas crenças 
católicas. Segundo Libânio e Murad (1996, p.136), “os teólogos chegam a constituir um 
poder de fato na instituição da Igreja católica. Graças a eles é que o catolicismo moderno 
fica marcado pela preocupação com a homogeneidade, a ortodoxia, a clareza.”
É neste momento que há um crescimento excessivo da dependência teológica 
no clérigo. Os primeiros beneficiários são exatamente os clérigos, os religiosos e os 
diocesanos, os quais passam a ter a obrigatoriedade de possuir um curso teológico e, como 
consequência, a formação sacerdotal sofre uma vulgarização irremediável. A teologia se 
desenvolve assim, sobrepondo três áreas: Fundamental, Dogmática e Moral:
Na fundamental, prevalece a apologética, cujas demonstrações não visam 
a suscitar a fé, mas sim a mostrar a credibilidade do testemunho dado à 
revelação por Jesus Cristo e sua Igreja. Contra os incrédulos, funda 
racionalmente a necessidade de uma religião e divindade do cristianismo 
católico (Libânio; Murad, 1996, p. 137).
Já a teologia moral se estrutura sobretudo a partir da lei, que é divina, natural e 
positiva nos dez mandamentos. E a teologia Dogmática utiliza do método regressivo, ou 
seja, partem de uma tese, remetendo-a ao ensinamento atual do magistério eclesiástico.
1. 2 O renascimento da teologia católica no início do Séc. XIX
Antes de falarmos do Concílio Vaticano II, que foi um marco na mudança da 
teologia católica, precisamos entender alguns personagens que foram preponderantes 
nesta mudança, no caso, instituições. 
Neste momento, surgem duas escolas, a primeira é a Escola de Tübingen, na 
Alemanha, no ano de 1817, onde a academia teológica de Württemberg incorpora à 
Universidade como Faculdade Teológica Católica. Suas conquistas: Diálogo com o 
romantismo e o idealismo alemão, busca a fusão do método especulativo com o método 
histórico positivo, compreende a Igreja como lugar de continuação da manifestação divina. 
Ela fez um retorno à patrística e à escolástica.
A segunda instituição foi o Colégio Romano, que, em meio a uma derrocada na 
teologia local, se sobressaiu com a crítica textual dos monumentos, os quais, com as 
recentes descobertas arqueológicas, entram, assim, em contato com a escola alemã. 
Libânio e Murad (1996) traduzem o sucesso destas instituições da seguinte forma: 
35TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
As Escolas Romana e Tübingen emergem como exemplos significativos 
de esforços renovadores empreendidos por várias instâncias teológicas. 
Apresentam alguns pontos em comum: realizam estudos positivos, críticos 
e históricos. Aproveitam-se das descobertas arqueológicas. Intentem ir de 
encontro ao pensamento moderno. A crítica bíblica, a ciência, das religiões 
e a história dos dogmas questionam princípios da teologia reinante. A nova 
postura funda-se sobre a história comparada. Ao considerar o desenvolvimento 
do pensamento e ao pôr em xeque a concepção fixista da Escritura e a visão 
monolítica do dogma com suas verdades absolutas. Em suma, a concepção 
histórica entra lentamente na teologia ameaçando desestabilizar o sistema 
especulativo vigente (Libânio; Murad, 1996, p. 140).
1.3 O despertar da teologia católica no início do Século XX
O século XX inicia-se de uma maneira muito positiva para a Igreja Católica, Roma 
e Alemanha produzem uma teologia inovadora e promissora, e então, a França começa a 
produzir dicionários e revistas de grande envergadura, com estudos de exegese, patrologia, 
história das religiões, dogmas e história da Igreja. O movimento neotomista desencadeado 
pelo Papa Leão XIII, ganha espaço e se desenvolve. 
Com o desenvolvimento da “Apologética da Imanência”, desenvolvida por M. 
Blondel, que trabalha com o perfil do homem concreto e histórico, procurando pontos de 
abertura para a revelação cristã. Blondel, de certo modo, está propondo uma resposta 
construtiva para o modernismo. Resumindo: O método da imanência de Blondel favorece a 
percepção da espiritualidade e necessidade da revelação.
Nem tudo ocorreu no mesmo ritmo, os intitulados modernistas, atingiram um pico 
em suas contribuições:
O movimento "modernista", assim chamado pela pretensão de seus 
protagonistas de adaptarem o catolicismo ao pensamento moderno, mesmo 
a custo de certa descontinuidade com o ensinamento tradicional da Igreja e 
suas formas institucionais, floresce na primeira década de nosso século. Faz 
eco à teologia protestante liberal do final do século passado, como aparece, 
por exemplo, em Schleiermacher e Sabatier. Sofre influência do agnosticismo 
dos neokantianos, panteísmo e evolucionismo dos neo-hegelianos e o 
vitalismo dos pragmáticos. Seu principal corifeu é A. Loisy (1857 - 1940), 
professor do Instituto Católico de Paris (Libânio; Murad, 1996, p. 142).
Então, o golpe fatal nos crescentes modernistas veio quando os exegetas e 
historiadores do dogma propõem reformular o conceito de revelaçãoe dogma, introduzindo 
na igreja aspectos evolucionistas, imanentistas e subjetivistas. E assim, introduzem o 
pensar histórico do sujeito ao progresso, contra a rigidez dogmática da Igreja. Diz Libânio 
e Murad (1996) que: 
36TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
A Igreja oficial desfecha-lhe violento processo de perseguição. Pio X 
denomina-o "suma de todas as heresias" (Dz 2105, 2114), condenando-o por 
meio de dois documentos: Lamentali (Dz 2001-2065) e "Pascendi" (Dz 2071 
- 2109), em 1907. O primeiro, decreto pontifício, simplesmente enumera 65 
afirmações dos modernistas, reprovando-as e prescrevendo-as em bloco. O 
segundo, carta encíclica, faz detalhada análise e acre juízo do movimento. A 
condenação elimina não só os exageros, mas também o espírito renovador 
que o movimento traz em si. Favorece desta forma a reação integrista, freia o 
desenvolvimento das ciências bíblicas e de outras áreas da teologia, reforça 
a fixação na teologia manualística (Libânio; Murad, 1996, p. 143).
Como dissemos no início de nossos estudos, não há como estudar a teologia 
sem estudar a história das grandes Igrejas. No caso, vimos como funcionou o caminhar 
teológico na Igreja Católica. Até este momento da história, temos uma teologia que foi 
única e incontestada, que passou por um embate interno, no qual surgiu o protestantismo. 
Passou, também, por pressão externa, através do surgimento do Iluminismo e outras 
filosofias liberais, somadas à evolução da sociedade e ao despertar para um mundo mais 
corporativo, vencendo estes desafios, mas agora recebe uma sentença que provoca uma 
pausa em sua evolução.
Porém, nos vinte anos entre a primeira e a segunda Grande Guerra, a teologia 
católica se desenvolveu sobremaneira, produzindo métodos e reflexões ímpares. Em 
resumo, houve um grande movimento para aproximar a teologia da espiritualidade e 
estes movimentos envolveram os dominicanos franceses, os jesuítas, os beneditinos e os 
carmelitas.
A teologia, além de espiritualizada, começa a receber influência do humanismo e a 
teologia observa um enfoque com mais atenção, e assim surge a preocupação da teologia 
ao passar a ser com o bem-estar presente do homem.
A problemática humana começa a ser assunto de teologia. Elaboram-se 
escritos sobre a moral familiar e as relações entre Igreja e Estado, o progresso, 
as relações sociais. O humanismo cristão, sobretudo com J. Maritain, traz 
novo alento à espinhosa questão do natural-sobrenatural, que subjaz à 
teologia da graça. Na eclesiologia, ressaltam-se as dimensões espiritual, 
sobrenatural e comunitária da Igreja, em contraposição ao juridicismo e ao 
individualismo (Libânio; Murad, 2003, p. 144).
1. 4 O Movimento Querigmático
Neste tempo, surgiu o movimento querigmático, protagonizado por um grupo 
de teólogos de Innsbruck, na Áustria (J. A. Jungman, H. Rahner, J. B. Lotz), o qual, se 
resume em estudar a teologia e desenvolvê-la para atender a necessidade dos fiéis que 
37TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
não tinham capacidade de absorver os termos teológicos, assim, a teologia era estudada 
nos seus termos teológicos já existentes e, também, era instruída de forma que o pregador 
alcançasse a eloquência e a vivacidade da Palavra, fazendo-se de um excelente pregador 
e conseguindo passar a mensagem a todos, desde o mais simples.
Então, teríamos duas teologias, a primeira, já conhecida entre os teólogos, a 
erudita, e a segunda, que era a querigmática, voltada à pregação da Palavra com ênfase 
no plano salvífico de Deus na história. Utiliza-se de recursos pedagógicos na apresentação 
da mensagem cristã e uma teologia mais do coração que intelectual, utiliza imagens e estilo 
simples, distanciando-se muito dos manuais de teologia.
Infelizmente, o movimento se afasta muito do eixo de existência entre as teologias 
propostas e, inevitavelmente, perde espaço.
A teologia querigmática diagnostica completamente a doença no corpo da 
teologia, mas prescreve medicação equivocada. Acentua demasiadamente 
a separação em duas teologias. Toda teologia deve ser simultaneamente 
querigmática, servindo à evangelização, e científica, atenta à sistematicidade 
e coerência de seu discurso. Certamente o tipo de interlocutor exige acentos 
diversos. Mas a teologia na época só conhecia um tipo de cientificidade, 
herdada do tomismo. E neste momento ela não comportava abertura para 
a pastoral. Mesmo assim, a teologia querigmática produz frutos benéficos, 
gerando renovação no ensino e busca de teologia com incidência existencial, 
utilizável na pregação. Alerta para a dimensão pastoral da teologia, promove 
também volta às fontes da Escritura e dos Santos Padres (Libânio; Murad, 
1996, p. 145).
Com esta base que estudamos, podemos entender por que a teologia católica 
segue como tal, para entendermos que o catolicismo procura manter suas origens e 
sua institucionalidade. Nos tópicos a seguir, veremos o que foi a Reforma Protestante e 
entenderemos mais sobre a teologia católica também. Sugiro que você acesse o material 
complementar que estamos indicando e continue a conhecer a história da teologia católica, 
você estará conhecendo o momento de vários novos movimentos teológicos e de definição 
da teologia católica contemporânea.
38
REFORMA E 
CONTRARREFORMA2
TÓPICO
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
2.1. Pré-Reforma:
No Séc. XII d.C., um homem chamado por Pedro Valdo (Pedro, por ser comparado 
ao apóstolo Pedro e Valdo, por ser um Valdez), comerciante de Lyon, na França, se 
converteu ao cristianismo e ao ter contato com a Bíblia, decidiu adquirir um exemplar em 
linguagem popular e passou a pregar a Palavra sem ser sacerdote. Ao mesmo tempo, 
renunciou seu ofício e dividiu seus bens aos pobres. Os seguidores de Valdo são conhecidos 
como “valdenses” e se caracterizam por não reconhecer a soberania eclesiástica de Roma, 
renunciavam ao culto a imagens e tinham como direito que cada fiel tivesse um exemplar 
das escrituras sagradas em sua própria Língua.
No Séc. XIV d.C. tivemos outro precursor importante da Reforma, o inglês John 
Wycliffe, que defendia que a Igreja deveria retornar às origens, era contra o enriquecimento 
do clero e acreditava que o poder da Igreja deveria se limitar às questões religiosas. 
39TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
FIGURA 1 - JOHN HUSS EM SEU OFÍCIO
https://www.shutterstock.com/image-photo/john-huss-jan-hus-monument-vitkov-656150191
MONUMENTO DE JOHN HUSS (JAN HUS), MEMORIAL NACIONAL DE VITKOV, 
PRAGA, REPÚBLICA CHECA - 6 DE JUNHO DE 2017: O reformador e padre boêmio está 
pregando aos guerreiros. Movimento hussitista contra a igreja católica
Logo em seguida, surge João Huss, pensador tcheco, que continua o pensamento 
de Wycliffe e também reúne fiéis à sua causa (George, 1993, p. 38 - 41). Com esta breve 
introdução, demonstramos o que já havia em oposição ao catolicismo.
2. 2 Reforma Protestante:
Foi no início do século XVI que um monge alemão chamado Martinho Lutero, 
convencido das ideias dos pré-reformadores (João Huss, Wycliffe, Valdo), realizou três 
sermões contra as indulgências cobradas pela Igreja Católica. No dia 31 de outubro de 
1517, ele afixou as 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, com um convite aberto a 
40TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
uma disputa escolástica sobre elas. Assim, temos o início da chamada Reforma Protestante 
(George, 1993).
Mas, primeiramente, quem foi Martinho Lutero? Vamos ver o que nos diz o Dr. 
Timothy George em sua breve biografia de Lutero:
Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, filho de 
um minerador de prata de classe média. Destinado para o estudo de Direito, 
voltou-se para o mosteiro, no qual, após muitas lutas, desenvolveu uma nova 
compreensão de Deus, da fé e da igreja. Isso o envolveu num conflito com 
o papado, seguido de sua excomunhão e da fundação da Igreja Luterana, a 
qual presidiu até morrer, em 1546 (George, 1993, p. 51).
Martinho Lutero, condenava a avareza do paganismona igreja, bem como, a 
cobrança de indulgências, estes eram os pontos principais, embora, há outros a serem 
defendidos e debatidos pelo reformador.
As 95 teses foram traduzidas para o alemão e em pouco tempo, um mês, e suas 
cópias estavam por toda a Europa. Obviamente, Lutero foi processado pela igreja e em 
1520 foi excomungado e exilado no Castelo de Wartburg, em Eisenach, onde permaneceu 
por cerca de um ano e ali, trabalhou em traduzir a Bíblia para o alemão, a qual, em 1522, 
estava sendo impressa o Novo Testamento. 
Para esta unidade o que precisamos entender sobre a Reforma Protestante é o fato 
que a publicação e os fatos posteriores, desencadearam uma série de movimentos contra 
o clero da época, padres renunciaram seus votos de castidade, houve um movimento de 
desaceleração no recebimento de indulgências. Lutero se casou e com isto, outros padres 
também seguiram seu exemplo. Este ato culminou com o rompimento definitivo de Lutero 
com a igreja católica romana.
Na ótica do clero católico, houve um enorme prejuízo à imagem da instituição 
eclesiástica e por alguns anos, o catolicismo procurou regenerar suas práticas.
2. 3 Contrarreforma:
Este tema, neste momento, nos chama mais a atenção porque estamos falando de 
teologia católica e a contrarreforma foi uma estratégia desta teologia para se defender e 
buscar o apogeu que tinha anteriormente.
Então, enfim, o que é a contrarreforma? Podemos entender que foi o esforço da 
Igreja Católica para conter o crescimento do protestantismo pela Europa, mediante várias 
ações conjuntas.
41TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
Como iniciou a contrarreforma? Iniciou-se no Concílio de Trento no ano de 1545 
e durou 18 anos, indo até 1563. Foi convocado pelo papa Paulo III e dividido em três 
encontros, as discussões tinham como centro o combate às heresias e o fortalecimento da 
Igreja Católica. 
As questões doutrinárias foram os primeiros atos a serem discutidos no Concílio, 
tais como, o pecado original, sacramentos, ritualismo, papel de Maria, Jesus, entre outros, 
foi mantida a infalibilidade do papa, mas, diante dos ataques protestantes, a igreja recuou 
no quesito “venda de indulgências”, proibindo esta prática. 
Não foi somente por meio de princípios que a contrarreforma ocorreu. A ação 
também aconteceu na proibição da venda e leitura de certos livros, que eram contra o 
catolicismo romano. Houve a instituição da catequese, a fim de doutrinar os membros e 
a confirmação da transubstanciação, do celibato e da hierarquia clerical, também eram 
imposição para os sacerdotes católicos na época e deviam ser também de conhecimento 
de todo o povo.
Surgiu a Companhia de Jesus, uma importante frente de jesuítas, aptos a catequizar 
e reciclar o ensino religioso para qualquer nação. Inácio de Loiola foi o grande fundador 
dessa companhia em 1534. 
Foram reativados os “Tribunais do Santo Ofício” e instaurou-se a inquisição. Nos 
países onde o catolicismo perdia fortemente terreno para o protestantismo, aqueles que 
faziam a opção de não serem católicos eram julgados como hereges e queimados vivos 
(George, 1993).
Enfim, neste breve resumo sobre a contrarreforma, percebemos que, na verdade, 
o movimento de defesa da teologia católica não trouxe consideráveis inovações, mas uma 
fixação das ordens católicas já existentes. De fato, o maior benefício para todos, ocorreu 
devido à Reforma Protestante, porque, com a ascensão do protestantismo, o povo foi liberto 
da cobrança de indulgências.
No Brasil, os jesuítas contribuíram muito com a formação da sociedade. Eles eram 
contra a escravidão indígena e práticas bizarras que poderiam ser praticadas, também 
promoveram a educação e a catequização do povo escravo.
42
ESPIRITUALIDADE, 
INTELECTUALIDADE E 
ECLESIALIDADE3
TÓPICO
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
3. 1 Espiritualidade:
A espiritualidade é a essência natural e parte integrante da teologia, ela não 
causa dano ou descrédito à teologia, por abalar sua cientificidade. Libânio e Murad (1996) 
conceituam a relação entre espiritualidade e teologia como algo necessário ao futuro 
teólogo:
Ao articular-se com a espiritualidade, a teologia recria, como na patrística, as 
condições para ser "mistagogia", introdução ao mistério divino. Constata-se, 
com tristeza, que alunos do terceiro ou quarto ano de teologia, após estudar 
tanto tempo a "doutrina sagrada", avançaram muito pouco na vida de fé, no 
seguimento a Jesus. Poder-se-ia contra-argumentar que o curso de teologia 
não se destina primariamente a esta finalidade. Alimenta-se espiritualidade 
no espaço eclesial, não no espaço acadêmico: seminário, casa de formação 
ou grupo/pastoral dos leigos, conforme o caso. Mas a pergunta irrenunciável 
permanece: como a intelecção das verdades da fé pode ajudar a sua vivência? 
De que forma a compreensão impulsiona o coração a entregar-se de forma 
mais madura a Deus, e as mãos a abrir-se na causa da evangelização?” 
(Libânio; Murad, 1996, p. 241).
A Espiritualidade é totalmente necessária para uma teologia completa, afinal, 
a teologia tem seu componente de fé, de busca pelo oculto: “Na feliz expressão de J. 
Sabrina, a espiritualidade, ao incidir na teologia, muda-lhe o rosto, dá-lhe sabor, confere-lhe 
características ímpares: teologal, popular e dialogal (criatura!).” (Libânio; Murad, 2003, p. 
241).
43TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
3. 2 Intelectualidade:
A intelectualidade é a capacidade de fazer uma reflexão profunda de determinados 
eventos, no qual diz respeito à personalidade do indivíduo, que em seus níveis de inteligência, 
pode possuir preponderância ou se inclinar para um determinado tipo, por exemplo, 
podemos ter uma inteligência crítica mais forte que uma inteligência analítica, assim, nossa 
intelectualidade irá refletir nos nossos resultados. Antonin Gilbert Sertillanges, escritor da 
obra “A vida intelectual”, escrita em 1920, detalha como a vida intelectual influencia em uma 
vocação autêntica:
Falar de vocação equivale a designar os que pretendem fazer do trabalho 
intelectual a sua vida, ou porque dispõem do tempo vago para entregarem 
ao estudo, ou porque, no meio de ocupações profissionais reservam para 
si, como feliz suplemento e recompensa, o profundo desenvolvimento do 
espírito. Digo profundo, para descartar uma ideia de tintura superficial. Uma 
vocação não se satisfaz com leituras vagas nem com pequenos trabalhos 
dispersos. Requer penetração continuidade e esforço metódico, no intuito 
duma plenitude que responderá ao apelo do Espírito e aos recursos que lhe 
aprouve comunicar-nos (Sertillanges, 2010, p. 06).
O fundamento da vocação intelectual se manifesta primeiramente no aprender a 
pensar, depois, se manifesta de realidade, com um misto de utopia e por fim, manifesta sua 
lucidez de realidade, assim, o fruto é a liberdade responsável do intelecto. A vida intelectual 
é uma vocação e depende do desejo em realização. A intelectualidade na atualidade exige 
criticidade e capacidade de dialogar, assim, seu fruto pode ser compreendido. 
3. 3 Eclesialidade:
A Eclesialidade nada mais é que o coletivo, o trabalhar com e em prol de um grupo. 
O teólogo não caminha sozinho, ele não trabalha só e seus frutos não são para ele apenas 
e a comunidade agrega à teologia, no qual precisa considerar as manifestações populares 
dos fiéis. O que os fiéis professam como verdade é critério para validar um ensino.
O teólogo precisa estar em sintonia com a comunidade e com a igreja, manter 
suas origens teológicas e contrastar com a realidade vivida na comunidade em que estiver 
inserido. O teólogo deve analisar o contexto do local e respeitar as crenças e verdades 
professadas pelos locais. Falar de Eclesialidade é dizer que a teologia vai até o povo que 
precisa da pregação da Palavra, como conceito simples.
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TEOLOGIA PRÁTICA E 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA4
TÓPICO
TEOLOGIA CATÓLICA ROMANAUNIDADE 2
4. 1 Teologia Prática
A Teologia Prática nada mais é

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