Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

FACULDADE ATENAS 
MEDICINA 
 
 
 
LETÍCIA LOPES DE FREITAS 
TURMA MED VI BETA 
 
 
 
 
 
 
 
SÍNTESE PROVISÓRIA 
ECTOSCOPIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SETE LAGOAS 
2023 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
A ectoscopia, também chamada de exame físico geral ou somatoscopia, constitui 
a primeira etapa do exame físico. Por meio dela são obtidos dados gerais, 
independentemente dos sistemas orgânicos, é uma visão do paciente como um todo; 
a segunda etapa corresponde ao exame dos diferentes sistemas e aparelhos. 
Não existe um rígido sequenciamento para avaliar os componentes do exame físico 
geral. Em muitos pacientes são suas próprias condições clínicas que vão estabelecer 
a sequência a ser seguida. 
O paciente deve ser examinado nas posições de decúbito, sentada, de pé e 
caminhando. 
 
2. ESTADO GERAL 
É uma avaliação com base no conjunto de dados exibidos pelo paciente e 
interpretados de acordo com a experiência de cada um. É a impressão obtida, o que 
o paciente aparenta. A avaliação do estado geral tem utilidade prática, principalmente 
para se compreender até que ponto a doença atingiu o organismo. 
Usa-se a seguinte nomenclatura: bom estado geral (BEG); regular estado geral 
(REG); mau estado geral (MEG). 
 
3. NÍVEL DE CONSCIÊNCIA 
É o principal indicador da graduação das diversas fases intermediárias existentes 
entre o estado de vigília, em que está inteiramente consciente, e o estado comatoso, 
no qual o paciente perde a capacidade de identificar seu mundo interior e os 
acontecimentos do meio externo. 
• Obnubilação: nível de consciência pouco comprometido, permanecendo o 
paciente em estado de alerta ainda que algo diminuído. 
• Sonolência: o paciente é facilmente despertado, responde mais ou menos 
apropriadamente, mas logo volta a dormir. 
• Confusão mental: perda de atenção, o pensamento não é claro, as respostas 
são lentas e não há uma percepção temporo-espacial normal. 
• Torpor ou estupor: quando a alteração de consciência for mais pronunciada, 
mas o paciente ainda é capaz de ser despertado por estímulos mais fortes e 
tem movimentos espontâneos. 
• Coma: quando o paciente não for despertado por estímulos fortes e não tiver 
movimentos espontâneos. 
4. FÁCIES 
É o conjunto de dados exibidos na face do paciente, não são apenas os elementos 
estáticos, mas, e principalmente, a expressão do olhar, os movimentos das asas do 
nariz e a posição da boca. 
Os principais tipos de fácies são: fácies normal ou atípica, fácies hipocrática, fácies 
renal, fácies leonina, fácies adenoidiana, fácies parkinsoniana, fácies basedowiana, 
fácies mixedematosa, fácies acromegálica, fácies cushingoide ou de lua cheia, fácies 
mongoloide, fácies de depressão, fácies pseudobulbar, fácies da paralisia facial 
periférica, fácies miastênica ou fácies de Hutchinson, fácies do deficiente menta, fácies 
etílica, fácies esclerodérmica. 
 
5. BIOTIPO OU TIPO MORFOLÓGICO 
É o conjunto de características morfológicas apresentadas pelo indivíduo. São 
classificados como: 
• Brevilíneo: pescoço curto e grosso, tórax alargado e volumoso, membros curtos 
em relação ao tronco, musculatura desenvolvida e panículo adiposo espesso e 
tendência para baixa estatura 
• Mediolíneo: equilíbrio entre os membros e o tronco e desenvolvimento 
harmônico da musculatura e do panículo adiposo 
• Longilíneo: Pescoço longo e delgado, tórax afilado e chato, membros alongados 
com franco predomínio sobre o tronco, musculatura delgada e panículo adiposo 
pouco desenvolvido e tendência para estatura elevada. 
A determinação do biotipo é importante para a correta interpretação das variações 
anatômicas que acompanham cada tipo morfológico, pois há uma relação entre a 
forma exterior do corpo e a posição das vísceras. 
 
6. POSTURA OU ATITUDE NA POSIÇÃO DE PÉ 
Pode-se classificar a postura da seguinte maneira: 
• Boa postura: cabeça ereta ou ligeiramente inclinada para diante, peito erguido, 
abdome inferior achatado ou levemente retraído, curvas posteriores nos limites 
normais 
• Postura sofrível: cabeça levemente inclinada para diante, peito achatado, 
abdome protruso, curvas posteriores exageradas 
• Má postura: cabeça acentuadamente inclinada para diante, peito deprimido, 
abdome saliente e relaxado, curvas posteriores exageradas. 
Obs.: Os longilíneos frequentemente reúnem as características de má postura. 
Uma postura defeituosa pode ser consequência de hábitos posicionais ou de 
afecção da coluna vertebral. As afecções da coluna costumam acompanhar-se de 
alterações da posição do corpo: 
• Cifose: é uma alteração da forma da coluna dorsal com concavidade anterior, 
vulgarmente designada “corcunda”. A causa mais comum é o vício de postura. 
• Lordose (cervical ou lombar): é o encurvamento da coluna vertebral, formando 
concavidade para trás. Decorre de alterações de vértebras ou de discos 
intervertebrais, podendo ser citada como exemplo a espondilite reumatoide. 
• Escoliose: é o desvio lateral da coluna em qualquer segmento vertebral, sendo 
mais frequente na coluna lombar ou lombo-dorsal. Pode ser de origem 
congênita ou secundária a alterações nas vértebras ou dos músculos 
paravertebrais. 
Obs.: Cifoescoliose é a combinação de desvio lateral com encurvamento posterior. 
Postura e envelhecimento: Com o avançar da idade, a cabeça se desloca para 
frente e ocorre uma diminuição da lordose lombar normal. 
 
7. ATITUDE E DECÚBITO PREFERIDO NO LEITO 
Define-se atitude como a posição adotada pelo paciente no leito ou fora dele, por 
comodidade, hábito ou com o objetivo de conseguir alívio para algum padecimento. 
A classificação mais objetiva é a que separa as atitudes em voluntárias e 
involuntárias. Apenas tem valor diagnóstico as atitudes involuntárias ou as que 
proporcionam alívio para algum sintoma. 
As atitudes voluntárias são as que o paciente adota por sua vontade e 
compreendem a ortopneica, a genupeitoral, a posição de cócoras, a parkinsoniana e 
os diferentes decúbitos. 
As atitudes involuntárias independem da vontade do paciente e incluem: atitude 
passiva, ortótono, opistótono, emprostótono, pleurostótono e posição em gatilho e 
torcicolo e mão pêndula da paralisia radial. 
 
8. ESTADO DE HIDRATAÇÃO 
O estado de hidratação do paciente é avaliado de acordo com os seguintes 
parâmetros: 
• Alteração abrupta do peso 
• Alterações da pele quanto a umidade, elasticidade e turgor 
• Alterações das mucosas quanto à umidade 
• Fontanelas (no caso de crianças) 
• Alterações oculares 
• Estado geral. 
Um paciente estará normalmente hidratado quando a oferta de líquidos e eletrólitos 
estiver de acordo com as necessidades do organismo e quando não houver perdas 
extras (diarreia, vômitos, febre, taquipneia, sudorese excessiva), sem reposição 
adequada. 
A desidratação é a diminuição de água e eletrólitos totais do organismo, 
caracterizando-se pelos seguintes elementos, que variam de acordo com o grau de 
desidratação: 
• Sede 
• Diminuição abrupta do peso 
• Pele seca, com elasticidade e turgor diminuídos 
• Mucosas secas 
• Olhos afundados (enoftalmia) e hipotônicos 
• Fontanelas deprimidas no caso de crianças 
• Estado geral comprometido 
• Excitação psíquica ou abatimento 
• Oligúria. 
 
A desidratação pode ser classificada segundo a intensidade e a osmolaridade. 
Intensidade (baseia-se na perda de peso): 
• Leve ou de 1o grau: perda de peso de até 5% 
• Moderada ou de 2o grau: perda de peso de 5 a 10% 
• Grave ou de 3o grau: perda de peso acima de 10%. 
Osmolaridade (baseia-se no nível sanguíneo de sódio): 
• Isotônica: quando o sódio está nos limites normais; 130 a 150 mEq/ℓ) 
• Hipotônica: quando o sódio está baixo ( 150 mEq/ℓ). 
 
9. PELE, MUCOSAS E FÂNEROS 
Na inspeção devem ser avaliados: coloração, continuidade da integridade, 
umidade, textura, espessura, temperatura, elasticidade,mobilidade, turgor, 
sensibilidade e lesões elementares 
 
10. EDEMA 
É o excesso de líquido acumulado no espaço intersticial ou no interior das próprias 
células. 
O edema cutâneo é a infiltração de líquido no espaço intersticial dos tecidos que 
constituem a pele e a tela celular subcutânea e que pode ser identificado pela inspeção 
e palpação. 
Durante a anamnese, investiga-se três informações: tempo de duração, localização 
e evolução. Já no exame físico, investiga-se os seguintes parâmetros: 
• Localização e distribuição: distinguir se o edema é localizado ou generalizado. 
O edema localizado restringe-se a um segmento do corpo, seja a um dos 
membros inferiores, seja a um dos membros superiores, seja a qualquer área 
corporal. Considera-se generalizado o edema que, mesmo aparentemente 
restrito a uma parte do corpo, tem como causa uma alteração cardíaca, renal, 
hepática. 
• Intensidade: Para determinar a intensidade do edema, faz-se uma compressão, 
firme e sustentada, de encontro a uma estrutura rígida subjacente à área em 
exame com a polpa digital do polegar ou do indicador. Havendo edema, ao ser 
retirado o dedo, vê-se uma depressão no local comprimido, chamada fóvea. A 
intensidade do edema está relacionada com a profundidade da fóvea. Também 
pode-se determinar a intensidade pesando o paciente diariamente 1 vez/dia, 
pela manhã ou à noite. Variações muito acentuadas do peso traduzem retenção 
ou eliminação de água. Outra maneira é medir o perímetro da região 
edemaciada e comparar um lado com o outro em dias sucessivos. 
• Consistência: utiliza-se a mesma manobra adotada para avaliar a intensidade. 
A consistência pode ser definida como o grau de resistência encontrado ao se 
comprimir a região edemaciada. Classifica-se em dois tipos: edema mole 
(facilmente depressível) e edema duro (maior resistência para obter a formação 
da fóvea.) 
• Elasticidade: deve-se observar a volta da pele à posição primitiva quando se 
termina a compressão. São encontrados dois tipos: edema elástico (a pele 
retorna imediatamente à sua situação normal) e edema inelástico (a pele 
comprimida demora a voltar à posição primitiva). 
• Temperatura da pele circunjacente: utiliza-se o dorso dos dedos ou as costas 
das mãos, comparando-se com a pele da vizinhança e da região homóloga. Há 
três possibilidades: pele de temperatura normal, pele quente e pele fria. 
• Sensibilidade da pele circunjacente: quando a compressão desperta dor, o 
edema é doloroso e quando não desperta dor, o edema é indolor. 
• Outras alterações da pele adjacente: deve-se investigar a mudança de 
coloração, a textura e a espessura da pele. 
Fatores que participam da fisiopatologia do edema: 
• retenção de sódio 
• aumento da permeabilidade capilar 
• aumento da pressão hidrostática 
• diminuição da pressão osmótica das proteínas 
• obstrução dos vasos linfáticos 
As principais causas de edema são: 
• Síndrome nefrítica 
• Síndrome nefrótica 
• Pielonefrite 
• Insuficiência cardíaca 
• Cirrose hepática 
• Hepatite crônica 
• Desnutrição proteica 
• Fenômenos angioneuróticos (edema alérgico) 
• Gravidez 
• Toxemia gravídica 
• Obesidade 
• Hipotireoidismo 
• Medicamentos (corticosteroides, antiinflamatórios, antagonistas do cálcio). 
 
11. MARCHAS 
A identificação do modo de andar do paciente pode ser de grande utilidade 
diagnóstica, especialmente nas afecções neurológicas. Para ser analisada, solicita-se 
ao paciente que caminhe certa distância (acima de 5 m), descalço, com olhos abertos 
e fechados, indo e voltando sob a observação do examinador. 
Tipos de marcha anormal: 
• Marcha de pequenos passos: diminuição do comprimento da passada, com 
deslocamento anterior do corpo e diminuição da potência no final do apoio. 
Observa-se neste tipo de marcha uma tendência a quedas. Causas: senilidade, 
doença de Alzheimer. 
• Marcha ceifante ou hemiplégica: incapacidade de aumentar a velocidade de 
locomoção ou de adaptar-se às irregularidades do solo, além da dificuldade de 
elevar o pé durante a caminhada. A oscilação dos braços está comprometida. 
Causa: acidente vascular encefálico (AVE). 
• Marcha atáxica: há três tipos: ataxia sensorial, labiríntica (vestibular) e 
cerebelar. Ao andar observa-se falta de equilíbrio, o paciente caminha 
cambaleando, como se fosse cair. Causas: esclerose múltipla, ataxia de 
Friedreich, polineuropatia periférica (diabética e alcoólica), lesões cerebelares. 
• Marcha propulsiva: o paciente adota uma postura rígida com a cabeça e o 
pescoço encurvados para a frente, enquanto os braços permanecem 
estendidos e imobilizados, rentes ao corpo, e os quadris e os joelhos ficam 
semiencurvados. O centro de gravidade do corpo desloca-se para frente, 
prejudicando o equilíbrio, o que obriga o paciente a dar passos curtos, cada vez 
mais rápidos, com aceleração involuntária da deambulação. Deve ser 
diferenciada da marcha de pequenos passos. Causas: doença de Parkinson, 
esclerose múltipla. 
• Marcha tabética ou talonante: é realizada com a base alargada e o olhar fixo no 
chão, em função da perda da noção de proximidade do solo em relação aos 
pés. Os pés são arremessados para diante e batem com força no chão. Os 
calcanhares tocam o solo pesadamente. Causas: neurossífilis, polineuropatia 
periférica. 
• Marcha espástica ou em tesoura: uma das pernas fica esticada com flexão 
plantar do pé enquanto um dos braços permanece imóvel e próximo ao corpo 
(hemiparesia espástica). Quando bilateral, os dois membros inferiores, 
enrijecidos e espásticos, permanecem semifletidos. Ao caminhar os pés se 
arrastam e as pernas se cruzam, em um movimento que lembra o 
funcionamento de uma tesoura. Causas: esclerose múltipla, encefalopatia 
crônica da infância. 
• Marcha anserina: quando o paciente dá o passo, o quadril oposto cai em virtude 
de fraqueza dos músculos da cintura pélvica. Causa: distrofia muscular. 
• Marcha claudicante. Para aliviar o peso sobre um dos membros inferiores, o 
paciente modifica a marcha, ficando uma perna com movimentação normal, 
enquanto a outra toca com menos força no chão. Causas: afecções articulares, 
musculares ou ósseas que se acompanham de dor. 
Com o envelhecimento, a marcha também pode alterar-se, mesmo na ausência de 
qualquer doença. A marcha senil caracteriza-se por aumento da flexão dos cotovelos, 
cintura e quadril. Diminuem também o balanço dos braços, o levantamento dos pés e 
o comprimento dos passos, podendo adquirir as características da marcha de 
pequenos passos. Antes de rotular a marcha do paciente como “marcha senil”, é 
preciso afastar todas as doenças que podem alterá-la. 
 
12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
PORTO, C.C. Semiologia Médica. 8ª ed. Rio de Janeiro. Guanabara, 2019.

Mais conteúdos dessa disciplina