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Direito Processual Penal II - Prof. Carlos Eduardo Oliveira Conti

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PROCESSO E PROCEDIMENTO
PROCESSO
Processo é o meio eficaz de se atender às pretensões do cidadão. O exercício do direito de agir deflagra a jurisdição e esta instaura o processo, criando a relação jurídico-processual, que nada tem a ver com a relação de direito material que se discutirá no processo.
Processo é o conjunto de atos jurídicos praticados dentro do processo, que chamamos de atos jurídicos processuais.
Natureza jurídica: instaurado o processo através do exercício do direito de agir que deflagrou a jurisdição, cria-se um vínculo entre os sujeitos que funcionará até a satisfação da pretensão. Trataremos então da natureza deste vínculo.
Teoria contratualista: acordo entre as partes (autor e réu), defendida pela doutrina francesa lá pelos idos do século XVII e XIX. Autor e réu aceitavam aquilo que fosse decidido pelo juiz. Esta teoria não prevaleceu, pois o início do processo dava-se independentemente da vontade do réu e, portanto, não poderia haver acordo se o ato não fosse bilateral. Não há que se falar em acordo, pois não há como se exigir que o réu não resista à pretensão do autor.
Quase contrato: devido a resistência do réu, percebeu-se que se não havia um livre acordo entre as partes, haveria um quase contrato. Porém, a lei é a principal fonte de obrigações entre as pessoas, e não havendo lei que obrigasse o réu a aceitar o pedido do autor sem resisti-lo, deixando de exercer seu direito de defesa, não havia como falar em quase contrato.
Relação jurídica: entre os sujeitos processuais que integram o processo. Liame entre os sujeitos com poderes, ônus, direitos, deveres e obrigações.
Entre quem é feita esta relação?
Para Kohler, a relação estabelece-se entre apenas o réu e o autor em sentido horizontal, em um plano meramente linear, excluindo a figura do juiz.
Para Hellwic, a relação é apenas entre o autor e o juiz e entre este e o réu. Ou seja, meramente angular. Não há nenhum vínculo entre as partes, não explicando o que há quando as mesmas aceitam acordos processuais, criando vínculos jurídicos entre si. Não há comunicação entre autor e réu.
A posição predominante é a da relação jurídica triangular, onde existe vínculo entre todos os sujeitos processuais: autor e juiz e vice-versa. Juiz e réu e vice-versa. Autor e réu e vice-versa.
A relação jurídico-processual não se confunde com a relação jurídico-material, sendo ambas autônomas entre si. Mesmo que a relação jurídico-material não exista, haverá a processual, pois quando o réu é absolvido por inexistência material do fato, houve o processo desenvolvido de forma válida, porém negou-se a relação de direito material.
Pressupostos processuais:
Requisitos sem os quais não haverá processo.
De existência do processo: partes (autor e réu), juiz e pedido. A falta dos pressupostos de existência impedem a própria relação processual, pois não há como imaginar uma relação processual sem o autor que deduz sua pretensão em juízo ou contra quem essa pretensão é deduzida. O juiz que substitui a vontade das partes e a própria demanda consubstanciada na postulação da prestação jurisdicional.
De validade do processo: imparcialidade, o juiz deve estar isento de qualquer sentimento ou relação com a causa de julgar com imparcialidade (suspeição e impedimento); competência, limitação jurisdicional, capacidade processual e postulatória.
Procedimento e sua distinção de processo:
Processo é a atividade desenvolvida pelo Estado com o escopo de satisfazer a pretensão de uma das partes. O procedimento é a forma, o modo, o meio pelo qual o Estado alcançará este fim.
Lei 11.719/08 – ritos para os crimes apenados com pena superior a 04 anos e inferior a 04 anos.
As principais alterações da Lei 11.719/08 foram:
a priorização do sistema oral, em detrimento do escrito;
a apresentação de uma defesa preliminar que realmente é uma defesa e não só um papel com o nome das testemunhas;
uma nova fase de saneamento, na qual o juiz pode absolver sumariamente o réu;
a reunião de quase todos os atos do processo em uma só audiência;
mudança de ordem na inquirição das pessoas, passando o réu a ser o último a ser ouvido (antes ele era o primeiro).
Art. 394. O procedimento será comum ou especial.
§ 1º O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo:
I – ordinário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada for igual ou superior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade;
II – sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade;
III – sumaríssimo, para as infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma da lei.
Interferência das qualificadoras, causas de aumento e diminuição e circunstâncias agravantes e atenuantes no procedimento a ser aplicado.
Qualificadoras: alteram o próprio patamar máximo cominado no tipo penal, devendo ser considerado para fins de solução do procedimento a ser aplicado.
Causas de aumento e diminuição de pena: se um delito comina pena máxima prevista de três anos e há uma causa de aumento de pena de um terço, a pena máxima que poderá ser aplicada ao agente será de quatro anos. Portando, o procedimento será o ordinário.
Outro exemplo: delito de abandono de incapaz (art. 133), em sua forma simples (detenção de seis meses a três anos), deverá tramitar pelo procedimento sumário. Caso haja a incidência de uma causa especial de aumento de pena (um terço), o procedimento a ser adotado será o ordinário.
Se o percentual de aumento for variável, deve-se utilizar o máximo, a fim de que se descubra o máximo da pena cominada. Mesma coisa no que tange a causa de diminuição, deve-se utilizar o mínimo da diminuição para se vislumbrar a pena máxima que o agente poderá receber ao final do processo.
Resumindo: deve-se verificar qual a situação mais prejudicial possível ao réu (aumento máximo e diminuição mínima), a fim de sabermos a pena máxima que poderá receber.
No que tange ao concurso de crimes, há que ser feita a distinção entre concurso material, formal ou crime continuado.
§ 2º Aplica-se a todos os processos o procedimento comum, salvo disposições em contrário deste Código ou de lei especial.
§ 3º Nos processos de competência do Tribunal do Júri, o procedimento observará as disposições estabelecidas nos arts. 406 a 497 deste Código.
§ 4º As disposições dos arts. 395 a 398 deste Código aplicam-se a todos os procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não regulados neste Código.
§ 5º Aplicam-se subsidiariamente aos procedimentos especial, sumário e sumaríssimo as disposições do procedimento ordinário.
Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:
I – for manifestamente inepta;
A denúncia tem que ser clara, a fim de possibilitar ao acusado o exercício do contraditório e da ampla defesa.
II – faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal;
Faltando os pressupostos de existência e de validade do processo, a denúncia também será rejeitada.
As condições para o exercício da ação penal são: legitimidade, possibilidade jurídica do pedido e interesse de agir.
A legitimidade é a pertinência subjetiva da penal. Por exemplo, na ação penal pública seja ela condicionada ou incondicionada a legitimidade para oferecer ação penal será do MP; na ação penal de iniciativa privada a legitimidade será do ofendido.
A possibilidade jurídica do pedido caracteriza-se pela viabilidade jurídica do pedido. Ex.: o fato imputado a alguém deve ser considerado crime.
O interesse de agir caracteriza-se pela necessidade e utilidade para propositura da ação penal. Há interesse de agir, em denunciar alguém porque furtou uma caixa de fósforos? Há interesse do Estado em exercer efetivamente o jus puniendi.
III – faltar justa causa para o exercício da ação penal.
Parágrafo único. (Revogado).
Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito,