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Direito Processual Penal II - Prof. Carlos Eduardo Oliveira Conti

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no prazo de 10 (dez) dias.
O despacho que receber ou rejeitar a denúncia deverá ser devidamente fundamentado, onde o juiz deverá expor os motivos pelos quais a denúncia deve ser recebida. Se ele receber a denúncia deverá justificar seu despacho positivo de prelibação, dizendo se estão presentes os pressupostos processuais, as condições para o exercício da ação penal (legitimidade, interesse, possibilidade jurídica do pedido e justa causa). A justa causa é aquele lastro probatório mínimo que deve existir para a propositura da ação penal.
Parágrafo único. No caso de citação por edital, o prazo para a defesa começará a fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído.
Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário.
§ 1º A exceção será processada em apartado, nos termos dos arts. 95 a 112 deste Código.
§ 2º Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não constituir defensor, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias.
A resposta a que se refere a lei é a antiga defesa prévia prevista no artigo 395 modificado pela lei nova. O prazo era de três dias após o interrogatório do acusado. Agora o prazo é de 10 dias. A novidade ficou para o interrogatório do réu que deverá ser feito após a oitiva das testemunhas e demais provas produzidas. Antes a defesa técnica não entrava no mérito, enfrentando-o após a instrução criminal na fase de alegações finais. Com a nova lei o defensor poderá analisar o meritum causae, tendo em vista que agora a lei preceitua que há a possibilidade de se absolver sumariamente o acusado conforme veremos mais adiante.
Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:
I – a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;
Legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal, estado de necessidade e exercício regular do direito.
II – a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade;
Pressupostos da culpabilidade: imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. Porque o juiz não absolverá sumariamente em caso de inimputabilidade? Porque em se tratando de inimputabilidade, o juiz deverá aplicar uma medida de segurança.
III – que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou
IV – extinta a punibilidade do agente.
Art. 398. (Revogado).
Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do assistente.
O art. 399 dá a entender que a peça acusatória será recebida duas vezes, em razão do recebimento previsto no art. 306. Não. Só há um recebimento da denúncia ou queixa (art. 396).
Qual o momento do recebimento da denúncia ou queixa? Após ou antes da apresentação da defesa inicial?
Segundo Capez, de acordo com o art. 363 do CPP, o processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado, formando-se a relação processual. Desse modo, segundo Capez, o recebimento da denúncia ou queixa ocorre antes da citação pessoal do acusado. Não sendo caso de rejeição preliminar, o juiz recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de dez dias.
Capez ainda cita a Lei de Drogas (11.343/06) que prevê a defesa preliminar antes do recebimento da denúncia, sendo o réu notificado para oferecer a defesa preliminar antes do recebimento da denúncia. Caso a denúncia seja recebida, o juiz ordenará a citação do acusado.
Quando a lei (art. 55, Lei 11.343/06) tratou do oferecimento da defesa antes do juízo de admissibilidade de denúncia ou queixa, previu a notificação do acusado e não sua citação pessoal. Somente após o recebimento da inicial acusatória é que a Lei se refere à citação pessoal.
Segundo Rangel, a denúncia é recebida apenas no art. 399 pelos seguintes motivos:
quando a denúncia é oferecida, o juiz determina a citação do réu para responder à acusação;
após o oferecimento da resposta prévia, o juiz é chamado a se manifestar sobre a presença ou não das causas mencionadas no art. 397, isto é, se absolve sumariamente ou não o acusado;
não absolvendo sumariamente o réu, aí sim o juiz recebe a denúncia e determina AIJ.
Ainda, segundo Rangel, a expressão recebê-la-á do art. 396 não significa tecnicamente juízo de admissibilidade da acusação, mas sim o ato de “entrar na posse” da petição inicial penal. A denúncia é distribuída à Vara Criminal e entregue ao juiz que a recebe em suas mãos, sem exercer ainda o juízo de admissibilidade.
A posição do Rangel é mais favorável ao réu, para efeitos de interrupção da prescrição (vide art. 117, I do CP).
§ 1º O acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório, devendo o poder público providenciar sua apresentação.
§ 2º O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.
Passa a viger no nosso ordenamento jurídico o Princípio da Identidade Física do juiz (vide art. 132 do CPC).
Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado.
§ 1° As provas serão produzidas numa só audiência, podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias.
§ 2º Os esclarecimentos dos peritos dependerão de prévio requerimento das partes.
Art. 401. Na instrução poderão ser inquiridas até 8 (oito) testemunhas arroladas pela acusação e 8 (oito) pela defesa.
§ 1º Nesse número não se compreendem as que não prestem compromisso e as referidas.
§ 2º A parte poderá desistir da inquirição de qualquer das testemunhas arroladas, ressalvado o disposto no art. 209 deste Código.
Art. 402. Produzidas as provas, ao final da audiência, o Ministério Público, o querelante e o assistente e, a seguir, o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução.
Art. 403. Não havendo requerimento de diligências, ou sendo indeferido, serão oferecidas alegações finais orais por 20 (vinte) minutos, respectivamente, pela acusação e pela defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a seguir, sentença.
§ 1º Havendo mais de um acusado, o tempo previsto para a defesa de cada um será individual.
§ 2º Ao assistente do Ministério Público, após a manifestação desse, serão concedidos 10 (dez) minutos, prorrogando-se por igual período o tempo de manifestação da defesa.
§ 3º O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. Nesse caso, terá o prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença.
Art. 404. Ordenado diligência considerada imprescindível, de ofício ou a requerimento da parte, a audiência será concluída sem as alegações finais.
Parágrafo único. Realizada, em seguida, a diligência determinada, as partes apresentarão, no prazo sucessivo de 5 (cinco) dias, suas alegações finais, por memorial, e, no prazo de 10 (dez) dias, o juiz proferirá sentença.
Art. 405. Do ocorrido em audiência será lavrado termo em livro próprio, assinado pelo juiz e pelas partes, contendo breve resumo dos fatos relevantes nela ocorridos.
§ 1º Sempre que possível, o registro dos depoimentos do investigado, indiciado, ofendido e testemunhas será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia,