Direito Processual Penal II - Prof. Carlos Eduardo Oliveira Conti
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Direito Processual Penal II - Prof. Carlos Eduardo Oliveira Conti


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TA;
TD;
Interrogatório do acusado.
O art. 412 preceitua que o procedimento será concluído em 90 dias. Não restam dúvidas que a inovação legislativa preocupou-se com o art. 5º, LXXVIII da CF.
O dispositivo aplica-se aos réus presos.
DECISÕES POSSÍVEIS DO JUIZ
Pronúncia.
Impronúncia.
Desclassificação.
Absolvição sumária.
PRONÚNCIA
Art. 413 do CPP
O juiz pronuncia quando há prova do crime e pelo menos indícios de autoria. A pronúncia é uma decisão interlocutória não terminativa, encerra a primeira fase do procedimento do júri sem enfrentar o mérito. É um mero juízo de admissibilidade da acusação.
A pronúncia possui natureza jurídica de decisão interlocutória não terminativa. Antigamente, o art. 408, § 1º, denominava esta decisão de \u201csentença de pronúncia\u201d, impropriedade que foi corrigida pela Lei nº 11.689/08, que a denomina apenas de \u201cpronúncia\u201d no art. 413 e \u201cdecisão de pronúncia\u201d no art. 478, I. Essa decisão não põe fim ao processo e não decide o mérito da pretensão punitiva, apenas decide sobre a admissibilidade da acusação, encerrando a primeira fase do procedimento e possibilitando que o réu seja submetido ao julgamento plenário do Tribunal do Júri.
O juiz deve usar uma linguagem simples e imparcial, para não influenciar os jurados. Havendo excesso, a pronúncia é nula e deve ser desentranhada dos autos.
É indispensável a classificação do crime na pronúncia. O juiz pode dar classificação diversa da que consta da denúncia ou queixa. As qualificadoras também devem constar, só podendo ser afastadas quando impertinentes.
PRONÚNCIA E CRIMES CONEXOS
Art. 78, I do CPP
Havendo crime conexo com o crime doloso contra a vida, argumenta Rangel que também esse crime conexo deverá ser objeto da decisão de pronúncia, ou seja, deve o juiz, após pronunciar o crime doloso contra a vida, também analisar se estão presentes os indícios da autoria e materialidade do delito conexo.
Se o réu for pronunciado pelo crime doloso contra a vida, o juiz somente poderá pronunciar ou impronunciar pelo crime da competência do juiz singular, porém jamais absolver ou condenar, subtraindo do júri o crime da competência do juiz singular que, por força da conexão, deve ser levado para o júri.
Nesta situação, defende Rangel que, se o crime doloso contra a vida for pronunciado e o crime conexo for impronunciado, será possível que, posteriormente, se surgirem nova provas, o crime conexo seja novamente denunciado perante o Tribunal do Júri e submetido a novo julgamento.
Adotar-se-á a mesma postura em se tratando de dois acusados. Um por homicídio doloso e o outro por roubo. O juiz não pode pronunciar o autor do homicídio e absolver ou condenar o autor do roubo, pois, por força da conexão entre os crimes, ambos devem ser levados a plenário do júri. O juiz pode pronunciar ou impronunciar o autor do roubo.
EFEITOS DA PRONÚNCIA
O acusado vai a júri;
Interrompe a prescrição;
Se o réu estiver preso, o juiz decidirá se mantém ou revoga a prisão do réu. Se o acusado estiver solto decidirá motivadamente sobre a necessidade da decretação da prisão.
Hoje só se prende se presentes os requisitos da prisão preventiva.
A pronúncia gera efeitos no cível relativamente à obrigação de reparar o prejuízo?
Não. A pronúncia é decisão de cunho meramente processual, não fazendo coisa julgada. Se pronunciado for, o réu será julgado pelo Tribunal popular e poderá ser absolvido. Se o réu for condenado pelo júri, a sentença condenatória transitada em julgado será título executivo judicial (art. 584, II do CPC).
Art. 418: emendatio libeli \u2013 correlação entre a pronúncia e a denúncia.
Exemplo: o MP imputa ao acusado homicídio qualificado por motivo fútil, descrevendo os fatos da denúncia. No momento de pedir a pronúncia pede apenas pelo homicídio simples esquecendo de mencionar a qualificadora. Trata-se de errônea classificação do crime. O réu se defende dos fatos que lhe foram imputados. O juiz poderá, sem que haja necessidade de aditamento à denúncia, pronunciar pelo homicídio qualificado.
§ 3º do art. 411: determina expressamente que, encerrada a instrução probatória, será observado, se for o caso, o disposto no artigo 384 do CPP (mutatio libelli). Caso o juiz verifique que restou demonstrada, na instrução, alguma elementar ou circunstância não contida na denúncia, deverá abrir vista dos autos para que o MP adite a denúncia.
Indaga-se: o juiz na fase da pronúncia pode incluir em sua decisão uma qualificadora não contida na denúncia?
Não. Se o réu não se defendeu, durante a instrução da qualificadora objeto da pronúncia, há uma surpresa pra ele, que terá cerceado seu direito constitucional de ampla defesa e do contraditório. Sendo assim, se na denúncia não constar a qualificadora, não estará o juiz autorizado a pronunciar pelo crime qualificado sem a providência anterior do aditamento à denúncia.
INTIMAÇÃO DA PRONÚNCIA
Art. 420
Art. 413. O processo não prosseguirá até que o réu seja intimado da sentença de pronúncia. (redação antiga)
Art. 414. A intimação da sentença de pronúncia, se o crime for inafiançável, será sempre feita ao réu pessoalmente. (redação antiga)
O legislador inovou ao admitir a intimação do acusado por edital. A Lei nº 11.689/2008, todavia, suprimiu a referência outrora existente acerca da intimação para a pronúncia e comprometeu a garantia do cidadão de ser cientificado das acusações que o levarão ao julgamento perante seus pares.
A partir de agora, se o réu não for localizado para tomar ciência da sentença de pronúncia, o juiz intimá-lo-á por edital, dando continuidade aos procedimentos do rito escalonado do júri.
Esse procedimento igualmente será adotado, quando o réu não for localizado para ser informado da data designada para a realização do seu julgamento em plenário ou, intimado, não comparecer no dia marcado.
É bem verdade que tal modificação legal imprimirá maior celeridade ao processo penal, pois, uma vez em crise, agora essa é finda e o feito seguirá seu rumo natural.
Diante dessa crise processual ou de instância, o Estado não quedava inerte. Suspendia o processo, mas autorizava a decretação da prisão preventiva do acusado.
A nova lei apresenta então uma presunção bastante delicada: a de que o réu é fugitivo.
A partir dessa presunção, o legislador impõe ao acusado castigo maior do que a prisão cautelar. Ele autoriza a continuidade do processo e a realização do julgamento sem a presença do indivíduo.
No que concerne à prisão preventiva em face da não localização do acusado nesse ato processual, estariam presentes os requisitos necessários para sua configuração.
A autodefesa é, sem dúvida nenhuma, importante mecanismo para a configuração da plenitude de defesa consagrada no texto constitucional.
NUCCI destaca em sua obra que, em pesquisa de campo realizada perante o 3º Tribunal do Júri de São Paulo, 84,62% dos jurados disseram acreditas às vezes nas palavras do réu. NUCCI, Guilherme de Souza. Júri: princípios constitucionais, São Paulo: Juarez de Oliveira, 1999, p. 343.
Evidentemente, a presença do réu no plenário e o consequente ato de seu interrogatório é o melhor momento para demonstrar sua inocência e se defender.
A presença física não é substituída à altura por depoimento tomado, por exemplo, na primeira fase (iudicium accusationis). Até mesmo o legislador sabe da diferença entre a palavra falada e a escrita. Tanto assim que o novo art. 475 do Código de Processo Penal salienta a necessidade de maior fidelidade na colheita da prova.
Dessa forma, é imensurável o prejuízo ao réu, em face da presunção de que ele fugiu.
Nota-se que mesmo o legislador de 1941, que permitia a decretação da revelia no momento da citação, ousou admitir que o crime fosse julgado em plenário sem a presença do acusado.
Há quem argumente que, se o réu pode calar-se em Plenário, sua ausência não compromete a plena defesa.
O argumento é falacioso, na medida em que o silêncio, como direito que é, constitui uma faculdade, ou seja, uma escolha do réu. É preciso permitir-lhe que decida: calar-se ou defender-se.