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CamposSulinos

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ecológicos, 
cuja compreensão da biodiversidade tanto do ponto 
de vista estrutural e funcional como dos serviços 
ambientais que oferece, é a base para identificar e 
propor estratégias de conservação e manejo ade-
quado. A terceira parte aborda as boas práticas de 
manejo sustentável dos Campos para a produção 
pecuária, demonstrando que, quando bem mane-
jados, podem ser conservados e assegurar desen-
volvimento econômico e competitividade frente a 
outras alternativas. A quarta parte é uma reflexão 
sobre o estado atual de remanescentes campestres, 
as invasões - ou a suscetibilidade a elas – de espé-
cies vegetais, a influência das políticas econômicas 
e ambientais no uso e na perda de hábitats cam-
pestres e, acima de tudo, uma reflexão sobre os 
desafios para a conservação e uso sustentável dos 
Campos Sulinos. 
Há sobreposições inevitáveis e complementações 
entre capítulos, as quais muitas vezes são assinala-
das por referências entre capítulos. Em eventuais 
questões controversas, os capítulos expressam as 
visões dos respectivos autores.
Esta obra é resultado de uma iniciativa do GEPAN 
(Grupo de Estudos em Pastagens Naturais), que 
foi concretizada com a realização do Simpósio “O 
Futuro dos Campos: Conservação e Uso Sustentá-
vel”, e viabilizada com apoio do Ministério do Meio 
Ambiente e do CNPq. No planejamento, elaboração 
e finalização tivemos, além dos autores de capítu-
los, a participação inestimável de Omara Lange e 
Eduardo Vélez e de várias pessoas cujos nomes 
encontram-se listados na ficha técnica e que cola-
boraram de uma forma ou outra, tanto na revisão 
científica de cada capítulo quanto gentilmente ce-
dendo fotografias. A todos nosso muito obrigado!
Dedicamos este livro à memória do Professor Ismar 
Leal Barreto, um grande incentivador das pesquisas 
com os Campos Sulinos, que ampliou as bases do 
conhecimento botânico sobre as espécies campes-
tres e sobre o melhoramento forrageiro das pasta-
gens naturais. Em sua homenagem, esperamos que 
este livro contribua para a formulação de políticas 
públicas e privadas que se concretizem na conser-
vação e no uso sustentável dos Campos Sulinos. 
Os Editores
Homenagem
Professor Ismar Leal Barreto
Aino V. A. Jacques
Professor Ismar Leal Barreto nas-
ceu no dia 9 de outubro de 1928, 
em Montenegro, Rio Grande do Sul. 
Graduou-se como Engenheiro Agrônomo em 
1953 pela Faculdade de Agronomia e Veteri-
nária da UFRGS. Sua atividade profissional foi 
desenvolvida por algum tempo como pesquisa-
dor do Serviço de Experimentação Zootécnica 
da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do 
Sul. Em 1965, iniciou suas atividades docentes 
no departamento de Fitotecnia da Faculdade 
de Agronomia da UFRGS. Em 1974, habilitou-
se à Livre Docência e obteve o título de Livre 
Docente e Doutor em Agronomia. Na condição 
de Professor Adjunto, mais tarde, transferiu-se 
para o departamento de Zootecnia da Universi-
dade Federal de Santa Maria. 
Para falar a respeito do cidadão Ismar Leal Bar-
reto é preciso falar das várias e importantes ma-
nifestações do seu perfil como educador, cien-
tista e produtor rural. 
Como educador, o traço característico era a sa-
tisfação em estar reunido com seus alunos – com 
os quais mantinha o mesmo grau de interesse e 
entusiasmo fossem eles jovens da iniciação cien-
tífica ou vividos e experimentados mestrandos 
ou doutorandos. O mestre Ismar tinha uma ca-
pacidade singular para reunir pessoas – princi-
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palmente estudantes e curiosos – em torno de 
si e em torno de idéias. Com sua simplicida-
de, paciência e extrema dedicação jamais lhe 
faltava tempo para discutir com seus alunos 
desde assuntos simples até projetos sofisti-
cados. Foi um verdadeiro educador, o que é 
mais que professor. Não se limitava a trans-
mitir conhecimentos, mas participava ativa-
mente da formação dos recursos humanos. 
Com seu carisma, pouco falante, influenciava 
muito mais pelo exemplo do que pela palavra. 
Por tantas virtudes, influenciou fortemente 
várias gerações de profissionais da agrono-
mia, da produção animal e da biologia. Como 
cientista foi dos primeiros a atravessar nossa 
fronteira com o Uruguai e Argentina em busca 
de novos conhecimentos e de novos métodos 
de pesquisa, vindo a ser reconhecido e res-
peitado, no país e no exterior, como grande 
agrostologista. Preparado, ampliou as bases 
do conhecimento sobre os ecossistemas de 
pastagens naturais – uma das suas grandes 
paixões. Liderou importantes projetos de pes-
quisa e, juntamente com o pesquisador argen-
tino Olegário Pallares, criou o Grupo Técnico 
de Forrageiras do Cone Sul. Um programa vi-
torioso e consolidado que mantém-se há mui-
tos anos. Orientou direta ou indiretamente 
um grande número de estudantes de iniciação 
científica e de pós-graduação na Universidade 
Federal do Rio Grande do Sul e mais tarde na 
Universidade Federal de Santa Maria. Na se-
cretaria da Agricultura atuou efetivamente na 
Estação Experimental de São Gabriel e parti-
cipou da fase mais ativa e produtiva do Servi-
ço de Experimentação Zootécnica que ajudou 
a criar. Como produtor rural foi também um 
exemplo. Pois, qualquer que fosse sua ativida-
de, era assumida com todas as forças da sua 
extraordinária capacidade, aplicando nas lides 
de campo o seu sólido conhecimento de agro-
nomia e o seu amplo conhecimento de biolo-
gia. Sentia-se à vontade para tratar questões 
muito específicas e especializadas no campo 
da taxonomia de plantas forrageiras ao mesmo 
tempo que encarava questões práticas do meio 
rural com a mesma desenvoltura e naturalida-
de. Mas, estas muitas facetas da sua persona-
lidade coexistiam de maneira muito harmonio-
sa. A figura do orientador exigente e criterioso 
convivia com a figura do pai, do amigo e do 
grande conselheiro. Viveu de maneira simples 
e discreta recolhido ao seu ambiente de tra-
balho – que poderia ser o confinamento dos 
laboratórios de botânica e das salas de aula 
como os espaços abertos e livres dos campos 
sulbrasileiros. Isto é um pouco da grande figu-
ra humana que foi o Dr. Ismar Barreto. Fale-
ceu em 10 de dezembro de 2000, deixando sua 
esposa Dona Suzana, três filhas – Vera Lúcia, 
Izabel Cristina e Maria Laura – e vários netos. 
Foi um grande coração que deixou de pulsar 
quando ainda havia muita gente precisando da 
sua generosidade. 
Sumário
Parte 1 
História ambiental e cultural dos Campos
Capítulo 1 – Dinâmica dos campos no sul do Brasil durante o Quaternário Tardio ...................................................................................... 13 
Hermann Behling, Vivian Jeske-Pieruschka, Lisa Schüler & Valério De Patta Pillar
Capítulo 2 – Os Campos Sulinos: um bioma negligenciado ............................................................................................................................... 26
Gerhard Ernst Overbeck, Sandra Cristina Müller, Alessandra Fidelis, Jörg Pfadenhauer, 
Valério De Patta Pillar, Carolina Casagrande Blanco, Ilsi Iob Boldrini, Rogério Both & Eduardo Dias Forneck
Capítulo 03 – Tchê Pampa: histórias da natureza gaúcha ................................................................................................................................. 42
Dirce M. A. Suertegaray & Luís Alberto Pires da Silva
Parte 2 
Ecossistemas campestres
Capítulo 04 – A flora dos campos do Rio Grande do Sul ....................................................................................................................................