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CamposSulinos

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de aproximadamente 280.000 km2, faz fronteira com o 
Uruguai e Argentina e apresenta grandes extensões de campos. Parte do Estado está incluído no bioma 
Mata Atlântica e parte no bioma Pampa.
A grande diversidade biológica ocorrente no RS se deve, em especial, a diversidade de solos 
procedentes da grande variabilidade geológica, da topografia, da distribuição da pluviosidade, da 
temperatura e da disponibilidade de água. A topografia associada à hidrografia, formada por rios e lagoas, 
constitui uma grande variedade de ambientes que sustentam uma grande diversidade biológica. 
A vegetação do RS é constituída por formações florestais, na ordem de 93.098,55 km2, por 
formações campestres que ocupam 131.041,38 km2, além das áreas de tensão ecológica e das 
formações pioneiras (Hasenack et al. 2007). No entanto, com o avanço da civilização e com o aumento 
da população humana ocorreram muitas alterações. A entrada de animais domésticos, como o gado 
bovino, a introdução de culturas, como o arroz e a soja, a silvicultura e a expansão urbana modificaram 
grandemente a fisionomia observada nos dias de hoje. Segundo Hasenack et al. (2007), a cobertura 
natural ou seminatural da vegetação campestre atualmente é de 64.210,09 km2, o que significa dizer que 
foi suprimido 51% da vegetação campestre original, com finalidade econômica e para urbanização. 
Os Campos do Rio Grande do Sul
Os campos são fisionomicamente caracterizados pelas gramíneas que constituem o grupo dominante. 
No entanto, a família das compostas apresenta um grande número de espécies, porém seus indivíduos 
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ocorrem isolados em meio às gramíneas, 
exceto em beiras de estradas, onde algumas 
espécies de Baccharis e Eupatorium são 
dominantes. Quando ocorrem em populações 
densas, são indicadoras de áreas de campo 
com pecuária mal manejada. Onde a carga 
animal está acima da capacidade de suporte 
do campo, a comunidade vegetal torna-se rala, 
com exposição da superfície do solo, ambiente 
propício para a germinação das sementes 
de compostas como, por exemplo, Soliva 
pterosperma (roseta), Conyza bonariensis 
(buva), Pluchea sagittalis (quitoco), Senecio 
madagascariensis, Senecio brasiliensis 
(maria-mole), Chrysanthemum myconis, Gamochaeta spp. e Aster squamatus, as quais muito 
rapidamente ocupam a área. As leguminosas habitam todas as formações campestres e, como as compostas, 
também ocorrem como indivíduos isolados. Outro grupo importante é o das ciperáceas, as quais habitam 
predominantemente áreas úmidas e formam, dependendo da espécie, densas populações. Quando se fala 
em banhados se pensa, automaticamente, em ciperáceas. Com base nas premissas colocadas acima, o 
conhecimento destas famílias é essencial para estudos que envolvam vegetação campestre. 
Com o avanço do conhecimento, famílias que se acreditava serem pouco representativas neste tipo 
de formação se destacam em algumas regiões, como as rubiáceas, euforbiáceas, umbelíferas, solanáceas, 
malváceas, amarantáceas, verbenáceas, plantagináceas, orquidáceas e as lamiáceas (Fig. 4.1). 
Atualmente, muitos estudos taxonômicos locais e regionais, e sinopses de gêneros que envolvem 
esta formação estão disponíveis, de modo que a grande maioria das espécies campestres (95%) é de 
possível identificação. Exceção se dá naquelas famílias ou gêneros em que não foram realizados estudos 
científicos ou em espécies que não foram descritas e que ainda estão desconhecidas pela ciência, o que 
constitui em torno de 5% de espécies de impossível identificação. A diversidade da flora dos campos do 
RS é bem conhecida, e este conhecimento está disponível em muitos artigos, floras, dissertações e teses, 
apesar de Giulietti et al. (2005) afirmarem que a flora de grandes porções dos campos do sul do Brasil 
ser “insuficientemente conhecida”. A maior área preservada de campos está situada no Rio Grande do Sul, 
pois o estado do Paraná foi praticamente devastado em prol da agricultura, restando 1.377 milhões de ha 
e Santa Catarina, cujos campos estão restritos à porção sudeste do Estado e perfazem 1.779 milhões de 
ha (IBGE 2006), está sofrendo atualmente muita pressão por parte do aumento da área da silvicultura.
A diversidade campestre no RS é da ordem de 2.200 espécies, o que se pode considerar um número 
alto, se comparado com as pradarias norte-americanas, onde Leach & Givnish (1996) registraram 266 
espécies em uma área de 800.000 ha do estado de Wisconsin.
Burkart (1975) classificou a vegetação campestre do sul do Brasil em dois tipos: “campos do 
Brasil Central” para aqueles situados no norte do Estado e que tem continuidade em Santa Catarina e 
Paraná e fazem parte do bioma Mata Atlântica (IBGE 2004) e “campos do Uruguai e sul do Brasil” para 
aqueles do sul do RS e que correspondem ao bioma Pampa (IBGE 2004). 
Os campos do bioma Mata Atlântica
Os denominados “campos do Brasil Central” ocorrem nas porções mais elevadas, nos topos e 
encostas, e nos vales podemos encontrar a floresta com araucária, dominada por Araucaria angustifolia. 
De acordo com Ministério do Meio Ambiente estes campos são denominados de “campos de altitude” e 
segundo Fortes (1959) fazem parte da região dos Campos de Cima da Serra.
 Figura 4.1 Famílias com o maior número de espécies presentes nos campos 
naturais do Rio Grande do Sul. 
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A vegetação é representada por grandes extensões de campo, entremeados com mata de 
araucária e turfeiras. As araucárias (Araucaria angustifolia), associadas a outras espécies como 
o pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii) e a bracatinga (Mimosa scabrella) cobertas por barba-
de-pau (Tillandsia usneoides), encontram-se junto a coxilhas amareladas pela grande quantidade 
de capim-caninha (Andropogon lateralis), espécie dominante e característica da área. Neste tapete 
contínuo, são encontradas espécies de diversas famílias, algumas muito vistosas, como as compostas, 
as leguminosas, as verbenáceas e as solanáceas. 
A pecuária, que é a atividade mais antiga da região, utiliza o manejo de queimadas no final de 
cada inverno ou a cada dois anos, com o intuito de propiciar o rebrote da vegetação que será utilizada 
na alimentação do rebanho bovino na primavera e verão. Esta prática empregada há aproximadamente 
150 anos provavelmente tem selecionado espécies vegetais e animais que apresentam mecanismos de 
escape ou defesa frente a este distúrbio. Cabe destacar que esta é a região do Estado que é mais propícia 
para o desenvolvimento de espécies hibernais. No entanto, apresenta dominância de espécies estivais, 
possivelmente pelo uso do fogo exatamente na época de início de desenvolvimento das hibernais, o que 
não permite seu florescimento e sua frutificação. Além disso, o fogo destrói as gemas vegetativas mais 
expostas, resultando no domínio de espécies cespitosas eretas, nas quais as gemas do centro das touceiras 
não são afetadas. Em espécies prostradas, as gemas ficam muito suscetíveis ao fogo (Jacques 2003). 
Com base no trabalho de Boldrini et al. (no prelo) verifica-se que o maior número de espécies pertence à 
família Asteraceae (24%), seguida pelas gramíneas com 20% e famílias menores com 7%, como Leguminosae 
e Cyperaceae, e 3% em Apiaceae. Outras famílias correspondem a 39% das espécies (Fig. 4.2a).
Entre as Poaceae destacam-se, na fisionomia dos campos bem drenados Andropogon lateralis, 
Axonopus siccus, Paspalum maculosum, Schizachyrium tenerum e S. spicatum. Nos campos mal 
drenados, salienta-se Andropogon macrothrix e Paspalum pumilum, embora A. lateralis também ocorra 
nestes ambientes. A alta percentagem de solo descoberto associada à dominância de espécies cespitosas 
eretas e de ciclo estival é característica nos campos da região, conforme descrito em Boldrini (1997).
A família Asteraceae se caracteriza