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CamposSulinos

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pela expressiva diversidade florística, bem como populacional. 
Seus táxons apresentam variados hábitos em suas diversas formas biológicas e, devido ao seu extraordinário 
potencial ornamental, os campos são cobertos por um colorido exuberante durante o período de 
florescimento das múltiplas espécies que os compõem. Entre as espécies que se destacam nos ambientes 
desta região, citam-se: Acmella bellidioides, Baccharis milleflora, B. trimera, B. uncinella, Calea 
phyllolepis, Eupatorium bupleurifolium, Eupatorium tanacetifolium, Hieracium commersonii, 
Hypochaeris lutea, Holocheilus monocephalus, Mikania decumbens, Perezia squarrosa subsp. 
cubataensis, Senecio conyzifolius, S. juergensii, S. oleosus, S. pulcher, Trichocline catharinensis, 
Vernonia catharinensis e V. tweedieana (Boldrini et al. no prelo).
 Dentre as Fabaceae, vários táxons herbáceos são característicos dos campos de altitude sul-
brasileiros, e muitos com xilopódios desenvolvidos, possivelmente uma estrutura subterrânea adaptada 
ao fogo que tem sido selecionada ao longo de muitos anos. Macroptilium prostratum de hábito volúvel 
e flores amarelas é a leguminosa mais comum destes campos. Cabe destacar Trifolium riograndense, 
espécie estolonífera de flores vermelhas em solos mais secos e Lathyrus paranensis que habita os 
banhados, sempre em associação com Eryngium pandanifolium, o gravatá-do-banhado. Em locais 
protegidos do campo e em beiras de estrada, sem interferência de gado, destacam-se Galactia neesii, 
Tephrosia adunca, de flores rosadas, espécies de Adesmia, como A. tristis, A. ciliata, com flores 
amarelas e espécies de Lupinus, com grande potencial ornamental pelo colorido variado de suas 
flores, variando de avermelhadas a liláses e azuis, como em L. paranensis.
A família Apiaceae, representada principalmente pelo gênero Eryngium com 18 espécies, é 
fisionomicamente muito importante. Nas baixadas úmidas típicas do planalto, a fisionomia é dada por E. 
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pandanifolium. Já nos campos secos e alterados, principalmente pelo uso do fogo, são características 
grandes populações de E. horridum.
Para a família Cyperaceae, cujas espécies estão geralmente associadas a ambientes mais 
úmidos, verificou-se que as mais abundantes no Planalto ocorrem em campos secos, como é o caso de 
Bulbostylis sphaerocephala, Rhynchospora flexuosa e R. globosa, indicando a presença constante 
de umidade nos ambientes de altitude. Os banhados são cobertos por Eleocharis bonariensis e 
Rhynchospora tenuis. 
Entre as demais famílias, destacam-se na fisionomia, pela beleza e colorido de suas flores, espécies 
de Petunia, como P. altiplana (Solanaceae) e de Glandularia, como G. catharinae (Verbenaceae). 
Algumas espécies de monocotiledôneas também se destacam pelo potencial ornamental, como 
Hippeastrum breviflorum, (Amaryllidaceae) e Lobelia camporum (Campanulaceae). 
O clima frio da região aliado à alta precipitação pluviométrica e altitude elevada desenvolveu 
muitos endemismos, ou seja, as plantas evoluíram e se adaptaram a este ambiente e se tornaram 
exclusivas desta região. Espécies endêmicas revelam locais com particularidades próprias. Endemismos 
e espécies ameaçadas são indicadores importantes para sugerir áreas para conservação. Muitas espécies 
hibernais ou hiberno-primaveris são endêmicas e/ou raras nesta região, como é possível verificar em 
Overbeck et al. (2007) (Tab. 4.1) e em estudo desenvolvido recentemente na região, envolvendo 
Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por Boldrini et al. (no prelo), onde foram contabilizadas 1.161 
espécies, das quais 107 são endêmicas.
Os campos do bioma Pampa
No Brasil, o bioma Pampa que tem continuidade no Uruguai, está restrito ao estado do Rio 
Grande do Sul e se localiza na metade sul, ocupando aproximadamente 63% (IBGE 2004) da superfície 
do Estado. Segundo Burkart (1975), constitui uma das regiões do mundo mais ricas em gramíneas, 
com uma mistura de espécies microtérmicas e megatérmicas e predomínio destas últimas. 
Embora aos olhos do leigo possa parecer simples, trata-se de um bioma complexo, formado 
por várias formações vegetacionais, dentre as quais o campo dominado por gramíneas é o mais 
representativo. A matriz geral é formada por áreas extensas de campos, com inclusões de florestas 
pelas margens de rios. Destacam-se os campos de barba-de-bode do Planalto, os campos sobre solos 
rasos e solos profundos da Campanha, os campos de areia, os campos da Depressão Central e os 
campos litorâneos. A vegetação savanóide (arbóreo-arbustiva) da Serra do Sudeste, sobre solos rasos 
procedentes de granito, é considerada um encrave no bioma ocupando aproximadamente ¼ da área 
do mesmo. A estrutura vegetacional é muito diversa, em resposta à diversidade e amplitude de fatores, 
como o clima, o solo e o manejo a que esta vegetação está submetida.
Os campos cobrem grandes extensões, em relevo suave-ondulado na porção central do Estado 
a forte-ondulado na Serra do Sudeste, com vistas panorâmicas, e plano “a perder de vista” nas regiões 
litorâneas e na divisa com a Argentina. Tem influência vegetacional do Pampa da Argentina e Uruguai, 
com muitas espécies em comum. Há uma dominância de plantas prostradas, que cobrem a superfície, 
não deixando solo descoberto, quando o campo é bem manejado. 
Campos de barba-de-bode:
A vegetação deste campos é relictual, de um período geológico mais seco, com precipitação menor 
que a atual, onde muitos representantes da flora procedentes do Brasil Central aqui se estabeleceram e 
se mantiveram. São espécies predominantemente tropicais, pouco exigentes quanto à fertilidade de solos 
e umidade. Dentre as gramíneas, a grande maioria é estival apresentando metabolismo fotossintético C4 
e são poucos os representantes de ciclo hibernal com metabolismo fotossintético C3.
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A pequena área dos campos de barba-de-bode que ainda existe no noroeste do Estado, em 
vista da conversão da vegetação original em agricultura para obtenção de grãos, apresenta uma 
dupla estrutura. O estrato superior é caracterizado por Aristida jubata e o inferior por gramíneas 
rizomatosas, destacando-se nas áreas mais secas sobre solos argilosos o capim-forquilha (Paspalum 
notatum) e a grama-missioneira (Axonopus jesuiticus) e em solos secos e arenosos, P. nicorae. Nos 
locais úmidos, como nas bordas de banhados vegetam espécies estoloníferas como a grama-tapete (A. 
affinis) e rizomatosas como P. pumilum.
Nestes campos encontram-se representantes de várias famílias e que são muito freqüentes, como por 
exemplo, Borreria poaya de flores azuis, Staelia thymoides de flores brancas (Rubiaceae), Stylosanthes 
sp. (Fabaceae), Melochia chamaedrys de flores amarelas (Malvaceae) e Waltheria douradinha 
(Malvaceae), que está relacionada na Lista das Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção no RS.
Muitas áreas baixas da fronteira oeste estão sendo drenadas para o cultivo de arroz, destruindo 
o habitat natural de Rhynchoryza subulata, Coelorachis balansae e Vicia tephrosioides.
Campos de solos rasos:
Localizam-se na fronteira oeste do Estado, sobre solos muito rasos a partir do basalto, pedregosos, 
com baixa retenção de umidade, associados ao déficit hídrico no verão. A vegetação é muito peculiar 
neste ambiente estressante. Vegetam gramíneas cespitosas de porte baixo, muitas endêmicas de solos 
rasos, como Aristida murina, A. uruguayensis, Bouteloua megapotamica, Eustachys brevipila, 
Microchloa indica, Tridens hackelii e Tripogon spicatus. Em meio à alta percentagem de solo 
exposto nestes ambientes, encontram-se compostas como Berroa gnaphalioides e Sommerfeltia 
spinulosa e leguminosas como Adesmia incana, Indigofera asperifolia, Mimosa amphigena e 
Rhynchosia diversifolia. Destacam-se espécies de outras famílias, como Lippia vilafloridana,