A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
408 pág.
CamposSulinos

Pré-visualização | Página 32 de 50

verbenácea de flores amarelas, Nierembergia linariifolia, solanácea de flores branco-azuladas que 
forma grandes manchas, exclusiva deste tipo de formação e tóxica para herbívoros, Convolvolus 
laciniatus, convolvulácea de folhas muito recortadas e Ditaxis acaulis, euforbiácea densamente 
pilosa, exclusiva destes ambientes. São comuns plantas espinescentes, como Discaria americana 
(Rhamnaceae), espécie restrita e ameaçada de extinção, Eryngium echinatum (Apiaceae) e Paronichia 
chilensis (Caryophyllaceae).
Os campos onde os solos são um pouco mais profundos há uma baixa percentagem de solo descoberto. 
A vegetação apresenta-se em um estrato contínuo de gramíneas rizomatosas e estoloníferas, como Paspalum 
notatum (capim-forquilha) e Axonopus affinis (grama-tapete), entremeado por leguminosas também 
estoloníferas, como Arachis burkartii (amendoim-nativo) e Adesmia bicolor (babosa-do-campo). O mio-
mio (Baccharis coridifolia), espécie tóxica que geralmente não é consumida pelas ovelhas, forma um 
estrato superior. De uma forma geral, a carga animal é alta, beneficiando as espécies prostradas.
Campos de solos profundos:
Situam-se a sudoeste no Estado, sobre solos diversos, especialmente chernossolos, vertissolos 
e planossolos.
A quantidade de gramíneas em relação às outras famílias é marcante (29%). As estivais com mais 
alta participação, além do capim-forquilha (Paspalum notatum), que é rizomatosa, são as de hábito 
cespitoso, onde o capim-caninha (Andropogon lateralis), a cola-de-lagarto (Coelorachis selloana), e 
o capim-melador (Paspalum dilatatum) são as mais representativas. Entre as hibernais se destacam 
a flechilha (Stipa setigera) e o cabelo-de-porco (Piptochaetium stipoides). Em meio a estas espécies 
eretas desenvolvem-se ciperáceas em locais muito úmidos, como Carex phalaroides, muito comum 
em meio às gramíneas e Eleocharis dunensis. Esta espécie está restrita a metade sul do RS e só é 
encontrada sobre vertissolos e chernossolos.
Ca
m
po
s 
Su
lin
os
 |
 C
ap
ítu
lo
 4
69
Considerando todas as regiões do Estado, esta é a região onde as compostas são menos 
representativas. Interessante a presença de várias espécies de verbenáceas e muitas espécies de outras 
famílias (43%), com base em 251 espécies identificadas (Fig. 4.2b) (Elejalde et al. em preparação).
Nestes campos sobre solos férteis, há uma alta participação de gramíneas hibernais, destacando-
se as flechilhas (Stipa hyalina, S. papposa, S. setigera) e os cabelos-de-porco (Piptochaetium 
bicolor, P. stipoides, P. uruguense). As leguminosas mais freqüentemente encontradas são o trevo 
nativo (Trifolium polymorphum) e as babosas (Adesmia bicolor, A. securigerifolia, A. punctata e 
A. latifolia), destacando-se no campo, A. bicolor em locais de solos medianamente drenados, formando 
manchas devido à presença de estolões. Adesmia securigerifolia (Fabaceae) e Setaria globulifera 
(Poaceae) são endêmicas dos campos de Bagé. 
Espécies de origem andina, procedentes do pampa do Uruguai e Argentina, penetram no Rio 
Grande do Sul e alcançam seu limite mais setentrional nesta região do Estado, sendo algumas comuns 
e outras raras como Melica argyrea, M. rigida, Stipa arechavaletai, S. charruana, S. philippii, 
S. rosengurttii e S. torquata. 
Apesar da alta carga animal utilizada pela pecuária nestes campos, aplicada em decorrência da 
elevada fertilidade dos solos, a diversidade destes campos se mantém alta, pela influência de várias 
floras circundantes. A presença de espécies de gramíneas que apresentam metabolismo fotossintético 
C3 é aqui mais representativa do que nas demais regiões do Estado. Há uma convivência harmônica 
com as espécies C4.
Campos dos areais:
Na região dos areais, situada no centro-oeste do Rio Grande do Sul, Axonopus argentinus, 
Elyonurus sp. (o capim-limão) e Paspalum nicorae determinam a fisionomia dos campos. Muitas 
plantas que se desenvolvem sobre este substrato frágil possuem estruturas subterrâneas desenvolvidas, 
como rizomas e xilopódios, provavelmente para suportar o estresse hídrico. Os fatores ambientais, 
especialmente no verão, são muito severos: temperaturas altas, estiagem, chuvas concentradas e 
torrenciais em curtos períodos, o que resulta na percolação rápida da água no solo arenoso. Além 
disso, as partes aéreas apresentam-se com muita pilosidade, ou ainda com folhas coriáceas ou cerosas 
e glandulares, adaptações para suportar altas temperaturas, falta de água e ventos fortes, reduzindo 
a evapotranspiração. Habitam este ambiente, várias espécies latescentes (como as euforbiáceas e as 
apocináceas) e com óleo, (como o capim-limão), substâncias que servem possivelmente para evitar a 
predação por animais. 
Uma vegetação relictual é encontrada nesta região (Ab’Sáber 2004), demonstrada pela existência 
de exemplares de Podocarpus lambertii convivendo com Cereus hildmannianus, Parodia ottonis 
e Butia lallemantii. Com base no trabalho de Freitas et al. (em preparação) foram identificadas 301 
espécies para estes campos, com grande importância das compostas em relação às outras famílias, 
como gramíneas, leguminosas, euforbiáceas, ciperáceas e rubiáceas (Fig. 4.2c). 
Paspalum nicorae, P. stellatum e Pappophorum macrospermum, todas de coloração 
acinzentada, auxiliam na fixação do substrato arenoso, junto com Paspalum notatum e Acanthospermum 
australe, o carrapicho-do-campo (Freitas 2006). No meio da areia, Lupinus albescens germina e 
floresce, sendo uma importante indicadora para recuperação da fertilidade do solo.
Vernonia macrocephala e Baccharis multifolia (Asteraceae) cobrem grandes áreas e 
fornecem uma coloração acinzentada à vegetação. Ocorrem muitas espécies endêmicas de compostas 
pertencentes aos gêneros Asteropsis, Baccharis, Eupatorium, Trixis, Noticastrum, Vernonia, 
inclusive com citações novas para o Estado e para a ciência.
Ca
m
po
s 
Su
lin
os
 |
 C
ap
ítu
lo
 4
70
Vegetação savanóide: 
A região do planalto sul-rio-grandense, conhecida como Serra do Sudeste, apresenta baixas 
temperaturas no inverno e compreende solos em geral rasos, muito pedregosos, originados principalmente 
de granito. Muitas áreas, atualmente cobertas por vegetação campestre, originalmente apresentavam-se 
ocupadas por subarbustos, arbustos e árvores de baixo porte, as quais aos poucos foram sendo cortadas 
e queimadas, ampliando as áreas utilizadas como pastagens (Girardi-Deiro et al. 2004).
Considerando número de espécies, é a região que apresenta um maior equilíbrio entre gramíneas 
e compostas (Fig. 4.2d) e a que apresenta um menor número de representantes de outras famílias 
(27%), exceto leguminosas, ciperáceas e rubiáceas (Boldrini et al. 1998). 
Espécies de gramíneas cespitosas eretas são comuns, como as barbas-de-bode (Aristida jubata, A. 
filifolia, A. spegazzini, A. circinalis e A. venustula), Andropogon ternatus, A. selloanus e Stipa filifolia. 
É nesta região que as leguminosas estão mais bem representadas tanto no campo, quanto em 
beiras de estrada, junto da vegetação arbustiva, destacando-se Lathyrus pubescens, Rhynchosia 
diversifolia, Clitoria nana, Adesmia punctata, Galactia neesii e Eriosema tacuaremboense. 
A vegetação rupestre associada a estes campos apresenta muitas cactáceas endêmicas. Seus 
campos são também ricos em endemismos, como Colletia paradoxa (Rhamnaceae), Glechon thimoides 
(Lamiaceae), Kelissa brasiliensis (Iridaceae), Hypericum polyanthemum e H. myrianthum 
(Hypericaceae), Moritzia ciliata (Boraginaceae), Adesmia riograndensis (Fabaceae) e as 
gramíneas Briza parodiana, Erianthecium bulbosum e Stipa filifolia.
Campos do centro do Estado:
Situados entre o planalto sul-brasileiro e o planalto sul-rio-grandense os campos tem representantes 
de vegetação tropical e subtropical.
Usando como base o trabalho de Boldrini (1993) verifica-se que as compostas estão muito presentes