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CamposSulinos

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nestes campos, entremeadas às gramíneas. Comparando-se com as outras regiões do Estado, estes campos 
em termos de famílias botânicas, são os mais semelhantes aos da Serra do Sudeste (Fig. 4.2e).
Quando os campos são bem manejados, a presença de solo descoberto é baixa, pois no estrato inferior 
as espécies dominantes são rizomatosas, representadas pelo capim-forquilha (Paspalum notatum) nos 
topos e encostas das coxilhas e estoloníferas como a grama-tapete (Axonopus affinis) nas baixadas úmidas. 
O capim-caninha (Andropogon lateralis) é presença constante, destacando-se no estrato superior. 
Em campos com sobrepastoreio, a comunidade vegetal torna-se rala e o solo descoberto 
apresenta valores alarmantes. São nestes espaços que as sementes das compostas, que são numerosas, 
se instalam, destacando-se a roseta (Soliva pterosperma), o alecrim-do-campo (Vernonia nudiflora), 
a maria-mole (Senecio brasiliensis), além de S. selloi e S. heterotrichius. Nas áreas bem drenadas, 
as barbas-de-bode (Aristida jubata e A. filifolia) formam touceiras e compõem o estrato superior da 
comunidade vegetal.
Campos litorâneos:
Nos campos litorâneos há uma presença marcante de espécies prostradas, estoloníferas ou 
rizomatosas, cobrindo bem o solo. As gramíneas habitam solos medianamente drenados e as ciperáceas, 
solos mal drenados, caracterizando estes campos. Comparado com outras regiões do Estado, as 
compostas apresentam uma baixa riqueza específica. Segundo Garcia (2005), as leguminosas e as 
solanáceas estão bem representadas (Fig. 4.2f).
Espécies de porte baixo, radicantes, representadas por Ischaemum minus, Axonopus affinis, A. 
obtusifolius, Paspalum dilatatum, P. pauciciliatum, P. modestum, P. pumilum e Panicum aquaticum. 
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Em geral, as ciperáceas apresentam um sistema subterrâneo bem desenvolvido, formando 
populações densas, como é o caso de Eleocharis bonariensis e E. viridans. Por outro lado, algumas 
espécies apresentam indivíduos isolados, como é o caso de Pycreus polystachyus e de Rhynchospora 
holoschoenoides.
Muitas leguminosas são comuns nesta região, destacando-se Stylosanthes leiocarpa, Indigofera 
sabulicola, Desmodium adscendens, D. barbatum, D.incanum, Adesmia latifolia, Vigna longifolia 
e V. luteola.
Estes campos desenvolveram poucos endemismos, no entanto, pode-se destacar Axonopus 
parodii, que é dominante nos solos mais arenosos na margem externa das lagoas, Cunila fasciculata 
(Lamiaceae) no litoral norte, Gomphrena sellowiana (Amaranthaceae) e Onira unguiculata (Iridaceae) 
no litoral sul. Vernonia constricta (Asteraceae) e Setaria stolonifera (Poaceae) são outras 
espécies exclusivas.
 Figura 4.2 Porcentagem de espécies por família em regiões do RS. A – Campos do bioma Mata Atlântica; B – Campos de solos profundos; C – Campos 
dos areais; D – Campos da Serra do Sudeste; E – Campos do centro do Estado; F – Campos litorâneos.
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Espécies ameaçadas de extinção
Segundo a Lista das espécies da flora ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul, editada 
no Diário Oficial do Rio Grande do Sul em 31/12/2002 (SEMA 2002), 213 táxons pertencentes a 
23 famílias de campos secos e úmidos estão ameaçados. Destes, 85 táxons ocorrem no bioma Mata 
Atlântica e 146 no bioma Pampa, sendo 28 táxons comuns aos dois biomas (Tab. 4.1). As famílias com 
maior número de representantes ameaçados são: Cactaceae com 50 espécies, Asteraceae com 40, 
Poaceae com 25, Bromeliaceae com 20, Amaranthaceae e Fabaceae com 15 espécies.
Cabe destacar que várias espécies tiveram seus nomes atualizados, especialmente as da 
família Cactaceae. 
De acordo com a proposição da IUCN (2008), na categoria “Em Perigo” estão relacionadas 86 
espécies, em “Vulnerável” 66, em “Criticamente ameaçada” 52 e em “Presumivelmente extinta” nove 
espécies (Tab. 4.1).
 
 Tabela 4.1 | Relação das espécies campestres do Rio Grande do Sul ameaçadas de extinção, segundo o Diário Oficial do RS de 31/12/2002 (SEMA 
2002). Categoria de ameaça: PE= Presumivelmente extinta; CR= Criticamente ameaçada; EN= Em Perigo; VU= Vulnerável.
Família/Espécie Categoria de ameaça Mata Atlântica Pampa
ALSTROEMERIACEAE
Alstroemeria isabellana Herb. EN X X
AMARANTHACEAE
Alternanthera hirtula (Mart.) R. E. Fr. EN X
Alternanthera malmeana R. E. Fr. EN X
Alternanthera micrantha R. E. Fr. VU X X
Alternanthera paronychioides St.Hil. VU X X
Alternanthera praelonga St.Hil. CR X
Alternanthera reineckii Briq. VU X X
Alternanthera tenella Colla VU X X
Amaranthus rosengurtii A. Hunziker EN X
Celosia grandifolia Moq. EN X
Chamissoa altissima (Jacq.) H.B.K. VU X X
Gomphrena graminea Moq. VU X X
Gomphrena perenis L. VU X
Gomphrena pulchella Mart. EN X
Gomphrena schlechtendaliana Mart. EN X X
Gomphrena sellowiana Mart. VU X
Gomphrena vaga Mart. VU X X
Pfaffia gnaphaloides (L.f.) Mart. VU X X
Pfaffia glomerata (Spreng.) Pedersen VU X X
APIACEAE X
Eryngium divaricatum Hook. & Arn. VU X
Eryngium dorae C. Norman EN X
Eryngium falcifolium S.Legang VU X
Eryngium ramboanum Math. & Const. CR X
Eryngium smithii Math. & Const. VU X
Eryngium urbanianum H. Wolff VU X
Eryngium zosterifolium H.Wolff VU X
APOCYNACEAE
Mandevilla coccinea (Hock. & Arn.) Woodson VU X X
ASTERACEAE X
Acmella pusilla (Hook. & Arn.) R. K. Jansen VU X
Acmella serratifolia R. K. Jansen VU X X
Baccharis hypericifolia DC. EN X
Calea clematidea Baker VU X
Calea kristiniae Pruski EN X
Chaptalia arechavaletae Hier. ex Arech. EN X
Chaptalia cordifolia (Backer) Cabrera EN X
Eupatorium angusticeps Malme PE X
Gochnatia cordata Less. VU X
Gochnatia mollissima (Malme) Cabr. PE X
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Gochnatia orbiculata (Malme) Cabr. EN X
Gochnatia polymorpha (Less.) Cabr. ssp. floccosa Cabr. VU X X
Holocheilus monocephalus Mondin VU X
Hysterionica pinnatiloba Matzenbacker & Sobral CR X
Isostigma crithmifolium Less. EN X
Mikania anethifolia (DC.)Matzenbacher EN X
Mikania decumbens Malme VU X
Mikania oblongifolia DC. EN X
Mikania pinnatiloba DC. VU X X
Mikania viminea DC. EN X
Pamphalea araucariophila Cabr. VU X X
Pamphalea blupeurifolia Less. VU X
Pamphalea cardaminifolia Less. EN X
Pamphalea commersonii Cass. VU X
Perezia multiflora (Humb. & Bonpl.) Less. ssp. sonchifolia (Baker) Vuill. VU X
Perezia squarrosa (Vahl) Less. ssp. cubatensis (Less.) Vuill. VU X
Perezia squarrosa (Vahl) Less. ssp. squarrosa CR X
Pamphalea maxima Less. VU X X
Pamphalea missionum Cabr. EN X
Pamphalea ramboi Cabr. VU X
Pamphalea smithii Cabr. VU X
Schlechtendahlia luzulifolia Less. EN X
Senecio heteroschizus Baker PE X
Smallanthus connatus (Spreng.) H. Rob. VU X X
Stenachenium macrocephalum DC. VU X
Trichocline catharinensis Cabr. var. discolor Cabr. EN X
Trichocline incana Cass. EN X
Trichocline macrocephala Less. EN X X
Trixis pallida Less. EN X X
Vernonia constricta Matzembacher EN X
Viguiera guaranitica Chod. EN X
BORAGINACEAE X
Moritzia ciliata (Cham.) DC. VU X
BROMELIACEAE
Dyckia agudensis Irgang & Sobral EN X
Dyckia alba S. Winkl. VU X
Dyckia brevifolia Baker EN X
Dyckia choristaminea Mez EN X
Dyckia delicata Larocca & Sobral VU X
Dyckia distachya Hassl. EN X
Dyckia domfelicianensis Strehl EN X
Dyckia elisabethae S. Winkl. CR X
Dyckia hebdingii L.B.Sm. VU X
Dyckia ibicuiensis Strehl CR X
Dyckia irmgardiae L.B.Sm. EN X
Dyckia jonesiana Strehl VU X
Dyckia julianae Strehl VU X
Dyckia maritima Baker VU X
Dyckia nigrospinulata Strehl VU X
Dyckia polycladus L.B.Sm. VU ? ?
Dyckia reitzii L.B.Sm. VU X
Dyckia remotiflora Otto VU X X
Dyckia remotiflora var. montevidensis (C.Koch) Baker VU X
Dyckia retroflexa S. Winkl. EN X
Dyckia rigida Strehl VU X
Dyckia tuberosa (Vell.) Beer EN X
Dyckia vicentensis Strehl