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CamposSulinos

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em locais com maior umidade no solo do que em campos melhor 
drenados. Nos campos mais úmidos, as espécies de Cyperaceae e Poaceae destacam-se por apresen-
tar maior densidade de sementes ao longo do perfil do solo (Maia et al. 2003, Garcia 2005), pois as 
espécies amostradas produzem um grande número de sementes por indivíduo. Em campo de encosta 
a densidade de sementes de espécies de outras famílias é maior. Destacam-se, além das gramíneas, as 
asteráceas. Estas últimas dominam em campo no topo do terreno (Maia et al. 2003).
Nos Campos Sulinos as espécies dominantes no banco de sementes do solo são perenes (Maia 
et al. 2003, 2004, Garcia 2005), assim como nos campos sul-americanos (Boccanelli & Lewis 1994, 
Márquez et al. 2002), ao contrário do que é observado em outras vegetações campestres onde o banco 
de sementes de espécies anuais é maior (Rice 1989).
Distribuição vertical
Segundo Medeiros (2000), em solos não perturbados a maioria das sementes localiza-se na 
superfície, entre 2 e 5 cm de profundidade e sua quantidade diminui rapidamente ao aprofundar-se 
o solo. Funes et al. (2001) ao amostrarem dois estratos de 5 cm de solo, encontraram cerca de 93% 
das sementes viáveis germinadas até 5 cm de profundidade em campo pedregoso, cerca de 81% em 
um campo úmido, mas apenas cerca de 67,5% das sementes em campo cespitoso alto. Garcia (2005) 
amostrou 92% das sementes viáveis germinadas nos 9 cm superiores do solo de um campo úmido no 
Litoral. A distribuição vertical das sementes foi variável de acordo com as espécies. Algumas apresen-
tam densidade semelhante ao longo do perfil do solo, como Pycreus polystachyos (Rottb.) P. Beauv. 
e Sisyrinchium micranthum Cav. e outras apresentam maior densidade na camada superior (como 
Kyllinga brevifolia Rottb.) ou na camada inferior do solo (por exemplo, Fimbristylis complanata 
(Retz.) Link, Juncus tenuis Willd. e Eleocharis sellowiana Kunth). A maioria das espécies esteve 
presente somente nos 9 cm superiores do solo, enquanto Gamochaeta filaginea (DC.) Cabrera foi 
encontrada somente nos 9 cm inferiores. 
Freqüência
Espécies que apresentam alta freqüência na vegetação estabelecida e alta taxa de frutificação, 
como por exemplo, P. polystachyos, Ischaemum minus, Axonopus affinis e Paspalum pumilum nos 
campos do Litoral, apresentaram alta freqüência no banco de sementes do solo (Garcia 2005). Maia 
et al. (2003) encontraram espécies de Cyperaceae como as mais freqüentes em campos de baixada 
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alagável e não alagável. Em campo de encosta as gramíneas foram mais freqüentes, enquanto no topo 
destacam-se as asteráceas.
Distribuição horizontal
A distribuição horizontal do banco de sementes do solo foi avaliada por Boccanelli & Lewis (1994) e 
Garcia (2005). No campo litorâneo inventariado por Garcia (2005), o índice de Morisita padronizado reve-
lou 20 espécies com padrão de distribuição espacial agregado, quando se considerou a amostra de 18 cm 
de profundidade de solo (Tab. 5.2). Dentre essas espécies, encontramos várias autocóricas, como Crassula 
peduncularis, Setaria parviflora, Fimbristylis dichotoma, E. sellowiana, K. brevifolia, Anagallis 
minima, J. tenuis e P. polystachyos, o que pode explicar o padrão de distribuição. O nível de agregação 
varia entre as espécies. As sementes viáveis de C. peduncularis encontraram-se em maior grau de agre-
gação, enquanto as de P. polystachyos demonstraram o menor nível de agregação nas duas camadas de 
solo analisadas. Outras 18 espécies amostradas apresentaram distribuição regular. Entre elas encontram-
se as compostas, anemocóricas: Gamochaeta americana, G. filaginea, Aster squamatus e Pluchea 
sagittalis, e epizoocóricas: Soliva pterosperma. Juncus microcephalus, que é uma espécie autocórica, 
provavelmente apresentou distribuição regular devido ao pequeno número de sementes encontrado no solo 
e à ausência na vegetação estabelecida. Somente A. minima mostrou padrão de distribuição diferente nas 
duas camadas de solo analisadas: agregada nos 9 cm superiores do solo e distribuição regular nos 9 cm 
inferiores. As espécies restantes apresentaram o mesmo padrão de distribuição espacial nas duas camadas 
de solo. Exceto para Micranthemum umbrosum, o nível de agregação das espécies foi maior nos 9 cm 
inferiores do solo que na camada superior, provavelmente porque as sementes dessas espécies devem se 
concentrar em locais que propiciam melhores condições para seu armazenamento e conservação em rela-
ção a outros. O mesmo deve ocorrer com A. minima. Boccanelli & Lewis (1994) encontraram uma grande 
maioria de espécies com sementes agregadas. Dentre as espécies que ocorrem nos dois locais, A. minima e 
Steinchisma hians apresentaram o mesmo padrão de distribuição espacial. Padrão diferente foi verificado 
para Cynodon dactylon, com distribuição agregada, e S. parviflora, regular.
 
 Tabela 5.2 | Padrão de distribuição espacial considerando três profundidades de solo e longevidade no banco de sementes de espécies amostradas 
em Campo Sulino (Garcia 2005).
Espécie
Padrão de distribuição espacial Longevidade do banco 
de sementes do solo18 cm 9 cm superiores 9 cm inferiores
Alternanthera philoxeroides (Mart.) Griseb. transitória
Anagallis minima (L.) E.H.L. Krause agregado agregado regular persistente por curto prazo
Aster squamatus (Spreng.) Hieron. regular transitória
Axonopus affinis Chase regular regular transitória
Axonopus obtusifolius (Raddi) Chase transitória
Axonopus parodii Valls (inéd.) transitória
Callitriche deflexa A. Braun ex Hegelm. agregado agregado persistente por curto prazo
Centella asiática (L.) Urb. agregado agregado transitória
Cerastium glomeratum Thuill. transitória
Cerastium humifusum Cambess. ex A. St.-Hil. transitória
Crassula peduncularis (Sm.) Meigen agregado agregado persistente por curto prazo
Cuphea carthagenensis (Jacq.) J.F. Macbr. transitória
Cynodon dactylon (L.) Pers. regular regular transitória
Desmodium adscendens (Sw.) DC. transitória
Diodia saponariifolia (Cham. & Schltdl.) K. Schum. transitória
Elatine triandra Schkuhr regular regular transitória
Eleocharis bonariensis Nees agregado agregado agregado persistente por curto prazo
Eleocharis minima Kunth regular transitória
Eleocharis montana (Kunth) Roem. & Schult. regular transitória
Eleocharis sellowiana Kunth agregado agregado agregado persistente por curto prazo
Eleocharis viridans Kük. agregado agregado persistente por curto prazo
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Espécie
Padrão de distribuição espacial Longevidade do banco 
de sementes do solo18 cm 9 cm superiores 9 cm inferiores
Eragrostis cataclasta Nicora transitória
Fimbristylis complanata (Retz.) Link agregado agregado agregado persistente por curto prazo
Fimbristylis dichotoma (L.) Vahl agregado agregado transitória
Gamochaeta americana (Mill.) Wedd. regular regular transitória
Gamochaeta filaginea (DC.) Cabrera regular regular persistente por longo prazo
Gratiola peruviana L. regular transitória
Hedyotis salzmannii (DC.) Steud. regular regular persistente por curto prazo
Hydrocotyle bonariensis Lam. transitória
Hydrocotyle exigua (Urb.) Malme transitória
Hypochoeris microcephala (Sch. Bip.) 
Cabrera var. albiflora (Kuntze) Cabrera transitória
Ischaemum minus J. Presl regular transitória
Juncus microcephalus Kunth regular regular transitória
Juncus tenuis Willd. agregado agregado agregado persistente por curto prazo
Kyllinga brevifolia Rottb. agregado agregado persistente por curto prazo
Kyllinga odorata Vahl agregado agregado persistente por curto prazo
Kyllinga vaginata Lam. transitória
Leersia hexandra Sw. transitória
Lobelia hederacea Cham. agregado agregado transitória
Luziola peruviana Juss. ex J. F. Gmel. transitória
Mecardonia tenella (Cham. & Schltdl.) Pennell agregado agregado agregado persistente