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CamposSulinos

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por curto prazo
Micranthemum umbrosum S.F. Blake agregado agregado agregado persistente por curto prazo
Oxalis bipartita A. St.-Hil. transitória
Panicum gouinii E. Fourn. transitória
Paspalum nicorae Parodi transitória
Paspalum notatum Flügge transitória
Paspalum pauciciliatum (Parodi) Herter transitória
Paspalum pumilum Nees agregado agregado persistente por curto prazo
Pluchea sagittalis (Lam.) Cabrera regular transitória
Poa annua L. transitória
Polygonum hydropiperoides Michx. transitória
Pycreus polystachyos (Rottb.) P. Beauv. agregado agregado agregado persistente por curto prazo
Ranunculus bonariensis Poir. regular regular transitória
Setaria parviflora (Poir.) Kerguélen agregado agregado transitória
Sisyrinchium micranthum Cav. regular persistente por curto prazo
Soliva pterosperma (Juss.) Less. regular transitória
Sporobolus indicus (L.) R. Br. agregado agregado transitória
Steinchisma decipiens (Nees ex Trin.) W. V. Br. agregado agregado transitória
Steinchisma hians (Elliott) Nash. regular regular transitória
Longevidade
As espécies amostradas por Garcia (2005) foram classificadas segundo a longevidade de suas 
sementes no solo de acordo com Bakker et al. (2000). Somente G. filaginea apresentou banco de 
sementes persistente por longo prazo e várias espécies foram amostradas apenas na vegetação es-
tabelecida (Tab. 5.2). Os demais resultados devem ser observados com ressalvas: a profundidade de 
solo avaliada foi grande; maior do que aquela normalmente analisada em campos (duas camadas de 
5 cm). Contudo, de forma similar ao verificado por Funes et al. (2001) e Márquez et al. (2002), que 
inventariaram 10 cm de profundidade de solo, predominam espécies formadoras de bancos de semen-
tes transitórios, seguidas por espécies com banco de sementes persistentes por curto prazo, como se 
pode verificar na Tabela 5.2. Em campos úmidos descritos por Funes et al. (2001), 67% das espécies 
enquadraram-se na categoria de banco transitório, 24% apresentaram banco de sementes persistente 
por curto prazo e 9% persistente por longo prazo. Em campos cespitosos altos ou pedregosos o per-
centual de espécies com sementes de longevidade transitória foi mais elevado e menor o de espécies 
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com banco de sementes persistente por longo prazo (Funes et al. 2001). Quando, no entanto, Funes 
et al. (2003) avaliaram somente os 5 cm superficiais do solo, em campos situados em três altitudes 
diferentes, em duas épocas do ano (possibilitando uma avaliação direta da longevidade das sementes 
no solo), o banco de sementes persistente foi predominante. Além disso, uma mesma espécie pode ser 
classificada em categorias de longevidade distintas em comunidades vegetais diferentes, como foi o 
caso de C. peduncularis (Funes et al. 2001, Márquez et al. 2002, Funes et al. 2003).
O tamanho da semente, a longevidade da planta adulta e a capacidade de ocupação da superfície 
do solo que apresenta a espécie (grande quando a forma de crescimento é estolonífera ou rizomatosa) 
são negativamente correlacionados com a longevidade das sementes no solo (Rees 1997, Thompson 
2000). Em Garcia (2005), a grande maioria das espécies que demonstraram ter banco de sementes do 
solo transitório apresentaram diásporos grandes, duração de vida perene e multiplicação vegetativa, 
corroborando as conclusões de Rees (1997) e Thompson (2000) para outras vegetações campestres. 
Relação com a vegetação estabelecida
Na maioria das formações vegetais dominadas por gramíneas do restante do mundo, as espécies 
mais abundantes na vegetação estabelecida parecem estar ausentes no banco de sementes do solo ou 
presentes em densidade pequena na superfície do solo (Chippindale & Milton 1934, Major & Pyott 
1966, Moore 1980, Rice 1989, Medeiros 2000). Para campos da Depressão Central do Rio Grande do 
Sul, Maia et al. (2003) encontrou uma correlação significativa entre o banco de sementes do solo e a 
vegetação estabelecida de apenas 0,37. Garcia (2005), entretanto, para campo no Litoral, verificou um 
índice de similaridade de Sorensen entre o banco de sementes do solo e a vegetação estabelecida de 
65%. Esse valor é elevado, quando comparado com aqueles já registrados para os campos sul-ameri-
canos. Índices de similaridade de Sorensen de 25, 21 e 45% foram registrados em campos cespitosos 
altos, pedregosos e úmidos na Argentina (Funes et al. 2001, 2003). Márquez et al. (2002) observaram 
índices de similaridade de Sorensen similares, de 36 e 37%, em campos pastejados ou não, respectiva-
mente. Boccanelli & Lewis (1994) registraram índice de Sorensen na grandeza de 54% em um campo 
pastejado não submetido a cultivo há pelo menos 40 anos. Haretche & Rodríguez (2006), no entanto, 
concluíram que sob pastejo, a Similaridade de Renkonen foi de apenas 44% entre o banco de sementes 
e a vegetação estabelecida enquanto no campo não pastejado foi bem maior, 70%.
Apesar de alguns estudos sugerirem que o banco de sementes tem mínimo efeito sobre o curso 
da sucessão da vegetação campestre (Harper 1977, Bekker et al. 1997), nos Campos Sulinos algumas 
constatações revelam que o banco de sementes do solo pode ser capaz de regenerar a vegetação es-
tabelecida, em caso de distúrbios: 1) as altas similaridades encontradas com a vegetação estabelecida 
(Garcia 2005, Haretche & Rodríguez 2006); 2) espécies dominantes em cobertura (Garcia 2005) e 
freqüência (Garcia 2005, Haretche & Rodríguez 2006) na vegetação estabelecida apresentam semen-
tes viáveis amostradas; 3) espécies que ocorrem nos estágios iniciais da dinâmica campestre como 
Eleocharis bonariensis, E. sellowiana, P. pumilum tem sementes persistentes no solo, podendo 
recompor grandes áreas perturbadas. A. affinis, também característico do início da recomposição 
dos campos, apesar de ter apresentado banco de sementes transitório, apresenta elevado número de 
sementes viáveis germinadas m-2, freqüência não muito baixa e padrão de distribuição espacial regular 
no banco de sementes do solo (Garcia, 2005). 
Efeito do pastejo
O efeito do pastejo sobre o banco de sementes do solo nos campos sul-americanos ainda não 
é conhecido, pois os poucos resultados já existentes divergem. Para Haretche & Rodríguez (2006), a 
densidade do banco de sementes do solo foi maior sob exclusão do pastejo, aumentando o número de 
sementes viáveis germinadas das gramíneas de inverno ao passo que o número de sementes dicotiledô-
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neas foi maior sob pastejo e o banco de sementes de gramíneas estivais, juncáceas e ciperáceas não 
sofreu influência do pastejo. Segundo Márquez et al. (2002), entretanto, não se observaram diferenças 
significativas nem na densidade, nem na riqueza e na diversidade específica entre campos pastejados e 
não pastejados. Favreto et al. (2000) inventariaram o banco de sementes do solo em Campos Sulinos 
submetidos a 4 e 16% de oferta de forragem e não encontraram diferença significativa na sua compo-
sição e densidade. 
Considerações finais
Algumas características do banco de sementes do solo nos Campos Sulinos podem ser conside-
radas como conclusivas. O banco de sementes constitui-se numa fração muito importante nesta vege-
tação e é um dos mais significativos já inventariados. A riqueza encontrada no banco de sementes é 
uma das maiores já registradas para formações vegetais dominadas por gramíneas (Rice 1989, Milberg 
1992, Schott & Hamburg 1997, Kalamees & Zobel 2002). A densidade, por sua vez, é a mais elevada 
já amostrada, porém, mesmo pequenas densidades relativas de sementes podem ser importantes para 
a cobertura do solo nos estágios iniciais da sucessão e para a manutenção de espécies características 
de campos não perturbados, principalmente em áreas distantes de campos bem conservados onde o 
crescimento vegetativo e a chuva de sementes