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CamposSulinos

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estejam diminuídos. 
A distribuição vertical e horizontal, a longevidade e a relação do banco de sementes do solo com 
a vegetação estabelecida precisam ser melhor estudadas. Muitas são as perguntas que restam, como 
por exemplo, em que profundidade as sementes encontram-se armazenadas no solo viáveis e com 
suficiente vigor? Qual a freqüência mínima que uma espécie deve ter no banco de sementes do solo 
para ser efetiva na recuperação da vegetação campestre? Qual a relação entre o padrão de distribuição 
espacial de uma espécie e sua cobertura e freqüência na vegetação estabelecida? Uma distribuição 
horizontal regular favorece a cobertura do solo de um campo perturbado? Que fatores influenciam a 
longevidade das sementes no solo? Qual a longevidade das sementes no solo e quais são as condições 
ideais para seu armazenamento? Além de estudar tais fatores, é necessário inventariar o banco de se-
mentes do solo em mais de uma época do ano para se verificar diretamente a longevidade das semen-
tes. Qual o significado de um índice de diversidade específica de Shannon de 2,833 e uma eqüabilidade 
de 0,773 (Garcia 2005)? Esses valores são elevados, mas são os máximos alcançados para o tipo de 
campo estudado? Qual o banco de sementes do solo de um campo bem conservado? O manejo que é 
sustentável para a vegetação estabelecida é sustentável para a manutenção do banco de sementes do 
solo? Como os diferentes manejos interferem no banco de sementes do solo? Essas informações são 
necessárias para o estabelecimento de práticas ideais para a recuperação de campos degradados assim 
como o manejo sustentável da vegetação campestre.
O método preferido para o inventário do banco de sementes do solo é o de germinação e conta-
gem de plântulas, pois resulta no número de sementes viáveis germinadas de cada espécie. Para utili-
zar-se esse método no estudo dos Campos Sulinos, será necessário estudar-se também a ecologia de 
espécies vegetais em particular e a fisiologia das sementes. As condições que possibilitam a germina-
ção das sementes da maioria das espécies nativas precisam ser estabelecidas. Para avaliar a totalidade 
do banco de sementes do solo é necessário que os tratamentos pré-germinativos ideais para superação 
da dormência em cada ambiente campestre sejam conhecidos.
O primeiro passo para a obtenção de informações precisas acerca do banco de sementes do 
solo nos Campos Sulinos é a utilização de métodos adequados ao tipo de vegetação analisado e aos 
objetivos pretendidos, bem como a padronização de um protocolo possível para todos os inventários a 
serem realizados. Para tanto, algumas referências bibliográficas são esclarecedoras: Bigwood & Inouye 
(1988), Gross (1990) e Thompson et al. (1997). O inventário do banco de sementes do solo nos Cam-
pos Sulinos deve levar em consideração o que segue:
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1. A superfície da unidade amostral deve ser a menor possível considerando o tamanho 
das sementes que poderão ser amostradas para que não sejam destruídas.
2. O número de unidades amostrais pode ser decidido com base em estudos anteriores realizados no 
mesmo tipo de campo da mesma região a ser estudada.
3. Amostrar duas camadas de solo: 0 – 5 cm e 5 – 10 cm de profundidade.
4. Coletar o solo quando há um mínimo de plantas das espécies objeto do estudo ou nenhuma em 
fase de dispersão de sementes ou germinação. Considerando que a grande maioria das espécies 
formadoras dos Campos Sulinos são estivais e o tratamento pré-germinativo recomendado para 
superar a dormência da maior parte das espécies é o pré-resfriamento 
a 5 – 10 ºC por 7 dias, o solo pode ser coletado no final do inverno-início da primavera.
5. Espalhar uma camada do solo coletado não mais espessa do que 5 mm sobre um substrato esterilizado.
6. Utilizar vasos contendo somente substrato esterilizado para monitorar a contaminação 
do banco de sementes a ser inventariado por chuva de sementes.
7. Após cada ciclo de germinação repetir os tratamentos para superação de dormência próprios 
para as espécies e/ou região estudada até esgotar o banco de sementes do solo.
8. Avaliar a suficiência da amostra.
Além disso é recomendável conhecer a ecologia da vegetação campestre estabelecida e a flo-
rística do campo a ser estudado, tendo-se o cuidado de não confundir espécies que não podem ser 
distinguidas vegetativamente e incorporar ao acervo de um herbário um exemplar de cada espécie 
amostrada como testemunho.
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