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CamposSulinos

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Omara Lange. Amendoim do campo em Caçapava do Sul, RS.
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Capítulo 6
 
A importância da biomassa e das estruturas 
subterrâneas nos Campos Sulinos
Alessandra Fidelis1, Beatriz Appezzato-da-Glória2 & Jörg Pfadenhauer1
Introdução
Os ecossistemas campestres cobrem aproximadamente 25% do globo terrestre (Kucera 1981), 
que vão desde as savanas africanas, estepes, pradarias da América do Norte, até áreas de campo na 
América do Sul e Eurásia, além de algumas pastagens e campos parcialmente antropogênicos (Kucera 
1981, Jacobs et al. 1999). Estes ecossistemas são responsáveis por uma grande parte da produtivi-
dade primária terrestre (Grace et al. 2006). Desta forma, os ecossistemas de campo, tanto tropicais 
como temperados, podem influenciar potencialmente as reservas globais de carbono, apesar da pouca 
importância dada a eles (Hall & Scurlock 1991, San José et al. 1998). Em realidade, os ecossistemas 
de campos tropicais são responsáveis pela metade da quantidade de carbono fixado atribuído às flores-
tas tropicais (Scurlock & Hall 1998).
A vegetação campestre é típica para muitas áreas do sul do Brasil, embora as condições climáti-
cas sejam favoráveis ao desenvolvimento de florestas (Rambo 1942). Pela nova classificação do IBGE 
(2004), essas áreas estão incluídas em dois biomas: Mata Atlântica (região dos Campos de Cima da 
Serra, no planalto do Sul do Brasil, onde os campos encontram-se associados às florestas de Araucária) 
e Pampa (na metade sul e oeste do Rio Grande do Sul). As áreas de campo no sul do Brasil são muito 
ricas em espécies vegetais (estimativas de 3000 espécies, Boldrini 1997, veja também Capítulo 4) e 
um dos fatores apontados como responsável pela manutenção da diversidade e fisionomia campestre 
é a histórica e constante ação de distúrbios como o fogo e o pastejo (Overbeck et al. 2007). Na sua 
ausência, há um aumento do estrato lenhoso e também da expansão de elementos florestais sobre a 
vegetação de campo (Oliveira & Pillar 2004, Müller et al. 2007). 
Foto de abertura: Júlio de Castilhos, RS. Acervo Labgeo/Centro de Ecologia da UFRGS.
1 Chair of Vegetation Ecology, Technische Universität München, Am Hochanger 6, D-85354 Freising, Alemanha. E-mail: fidelis@wzw.tum.de, 
pfadenhauer@wzw.tum.de
2 Departamento de Ciências Biológicas, Laboratório de Anatomia Vegetal, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, 
Av. Pádua Dias 11, 13418-900, Piracicaba – SP, Brasil. E-mail: bagloria@esalq.usp.br
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Estudos mostraram que os Campos Sulinos são resilientes ao fogo (Overbeck et al. 2005), com 
uma grande capacidade de regeneração pós-distúrbio (Fidelis 2008). A maioria da vegetação rebrota, 
principalmente a partir de gemas protegidas abaixo do nível do solo, presentes em órgãos subterrâneos 
como xilopódios e rizomas. Desta forma, o sucesso da regeneração da vegetação depende da sobrevi-
vência destes órgãos, assim como da viabilidade de suas gemas (Fidelis 2008).
Este capítulo tem como objetivo mostrar a importância da biomassa subterrânea na dinâmica da ve-
getação dos Campos Sulinos, assim como apontar a diversidade de estruturas subterrâneas que existem na 
vegetação campestre e suas diferentes funções neste ecossistema sob constante influência de distúrbios.
Importância dos estudos sobre a biomassa subterrânea 
As savanas possuem reservas aéreas de carbono que variam entre 1,8 t C ha-1 (áreas de savana 
sem árvores) e 30 t C ha-1 (áreas com uma maior cobertura de árvores, Grace et al. 2006). Em este-
pes russas, a produtividade primária anual da parte aérea da vegetação pode variar de 200 (em anos 
mais secos) a 226 g m-2 y-1 (em anos chuvosos, Titlyanova et al. 1999). Porém, nestas mesmas áreas, 
em anos chuvosos, a produtividade primária da parte subterrânea foi 3,7 vezes maior do que a aérea, 
enquanto que em anos secos, esta razão caiu para 1,5 (Titlyanova et al. 1999). 
A biomassa também pode variar de acordo com o tipo de manejo empregado na área. Após a 
exclusão de 25 anos do fogo em áreas de savanas na Venezuela, as reservas de carbono na vegetação 
aumentaram no total de 2,3 t C ha-1 para 7,85 t C ha-1 (San José et al. 1998). Entretanto, mais da me-
tade corresponde à vegetação lenhosa, enquanto que em áreas sob efeito do fogo, mais de 85% corres-
ponde ao estrato herbáceo. A reserva de carbono na parte subterrânea aumentou, mas não em grandes 
proporções como a reserva aérea (de 1,72 t C ha-1 para 2,75 t C ha-1, San José et al. 1998). 
Em ecossistemas brasileiros, a maioria dos estudos concentra-se na avaliação da biomassa aé-
rea. Pozer & Nogueira (2004) estimaram a biomassa aérea de pastos nativos inundáveis e protegidos. 
Eles encontraram valores entre 3,43 t ha-1 e 5,5 t ha-1, respectivamente. Em áreas de cerrado sensu 
stricto, a biomassa aérea composta por lenhosas somou 26 t ha-1 (12% da biomassa era composta por 
arbustos e o resto, por arbóreas), enquanto que a camada herbácea foi de aproximadamente 5,6 t ha-1 
(maior parte composta por gramíneas, Abdala et al. 1998). Nos Campos Sulinos, encontrou-se uma 
variação sazonal na biomassa aérea, que também variou de acordo com o manejo da área: