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CamposSulinos

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oeste, RS Moderadamente comum
Maçarico-acanelado (Tryngites subruficollis) Scolopacidae Campanha, Depressão Central, RS Raro e local
Andorinha-de-bando (Hirundo rustica) Hirundinidae Fronteira oeste, RS Escasso
Andorinha-de-sobre-acanelado (Petrochelydon pyrrhonota) Hirundinidae Missões e Planalto Médio, RS Campos Gerais, PR Razoavelmente comum
Triste-pia (Dolichonyx oryzivorus) Icteridae Fronteira oeste, RS Poucos registros
*Nos Campos Sulinos, não considerando os ambientes costeiros 
(Fontes: Belton 1994, Lanctot et al. 2002, Straube et al. 2005, G.A. Bencke & R. A. Dias, dados inéditos). 
Outro componente migratório a destacar na avifauna dos Campos Sulinos é o grupo dos 
pequenos papa-capins do gênero Sporophila, conhecidos como caboclinhos. Esses pássaros 
granívoros alimentam-se das sementes de gramíneas nativas e tendem a concentrar-se em margens 
capinzentas de banhados e nos campos úmidos ao longo das drenagens de regiões campestres (Bencke 
et al. 2003). Nove espécies reproduzem-se – ou potencialmente o fazem – nos campos do sul do 
Brasil (Belton 1994, Bencke et al. 2003, Fontana et al. no prelo). No período reprodutivo, a maior 
diversidade de espécies ocorre no Planalto das Araucárias e na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. 
Após a reprodução, os indivíduos de várias espécies se juntam ao longo de suas rotas migratórias e 
deslocam-se até os campos tropicais do Brasil central, onde passam o inverno e parte da primavera 
(Silva 1999, Bencke et al. 2003).
Espécies ameaçadas
A importância das formações campestres como hábitat para espécies ameaçadas de 
extinção é um indicador eficaz do seu valor para a conservação da biodiversidade. Vinte e uma 
espécies ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul são usuárias obrigatórias de campos e 
dependem diretamente desses ecossistemas para sua sobrevivência (Tab. 7.3). Outras 11 utilizam 
formações campestres de forma facultativa ou em combinação com outros ambientes, podendo 
ser genericamente consideradas semi-dependentes. Em sua maioria, são espécies que ocorrem 
em mosaicos formados pelo contato entre formações vegetais abertas e florestas estacionais ou 
com araucária. Um terceiro conjunto de espécies ameaçadas não apresenta associação direta 
com formações campestres, mas ocupa outros tipos de ambientes que ocorrem como elementos 
discretos na paisagem de regiões com predomínio de campos, tais como matas de galeria, corpos 
d’água sazonais e turfeiras. Nesse grupo também se incluem algumas espécies aquáticas restritas ao 
domínio dos Campos Sulinos (ao menos no Rio Grande do Sul), principalmente moluscos bivalves. 
Pelo menos em parte, as 17 espécies desse grupo parecem depender da dominância fisionômica 
dos campos na paisagem. 
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 Tabela 7.3 | Espécies ameaçadas no Rio Grande do Sul que habitam campos, grau de dependência em relação a hábitats campestres e status 
de conservação regional, nacional e global (fontes indicadas no texto). Grau de dependência de hábitats campestres: D – dependentes ou usuárias 
obrigatórias; SD – semi-dependentes ou usuárias facultativas; P – ocupantes de paisagens com predomínio de campos. Categorias de ameaça: VU – 
vulnerável; EN – em perigo; CR – criticamente em perigo; NT – quase ameaçado; DD – dados insuficientes.
Grupo/Nome científico Nome vulgar Grau de dependência 
Categoria de ameaça
Regional Nacional Global
Mamíferos
Myrmecophaga tridactyla tamanduá-bandeira D CR VU NT
Ozotoceros bezoarticus veado-campeiro D CR NT NT
Mazama gouazoubira veado-virá SD VU – DD
Chrysocyon brachyurus lobo-guará D CR VU NT
Leopardus colocolo gato-palheiro D EN VU NT
Leopardus geoffroyi gato-do-mato-grande SD VU NT NT
Puma yagouaroundi jaguarundi, gato-mourisco SD VU – –
Puma concolor puma, leão-baio SD EN VU NT
Alouatta caraya bugio-preto P VU – –
Aves
Harpyhaliaetus coronatus águia-cinzenta D CR VU EN
Buteo melanoleucus águia-chilena D VU – –
Circus cinereus gavião-cinza SD VU VU –
Parabuteo unicinctus gavião-asa-de-telha SD EN – –
Tryngites subruficollis maçarico-acanelado D VU NT NT
Gallinago undulata narcejão P VU – –
Amazona pretrei charão SD VU VU VU
Ramphastos toco tucanuçu SD VU – –
Limnoctites rectirostris junqueiro-de-bico-reto P VU VU NT
Synallaxis albescens uí-pi SD VU – –
Scytalopus iraiensis macuquinho-da-várzea P – EN EN
Polystictus pectoralis papa-moscas-canela D DD VU NT
Culicivora caudacuta papa-moscas-do-campo D CR VU VU
Xolmis dominicanus noivinha-de-rabo-preto D VU NT VU
Anthus nattereri caminheiro-grande D VU VU VU
Cistothorus platensis corruíra-do-campo D EN – –
Gubernatrix cristata cardeal-amarelo D EN CR EN
Sporophila plumbea patativa D EN – –
Sporophila cinnamomea caboclinho-de-chapéu-cinzento D EN EN VU
Sporophila palustris caboclinho-de-papo-branco P EN EN EN
Sporophila hypoxantha caboclinho-de-barriga-vermelha D CR DD –
Sporophila melanogaster caboclinho-de-barriga-preta D VU VU NT
Xanthopsar flavus veste-amarela D VU VU VU
Anfíbios
Elachistocleis erythrogaster rã-grilo-de-barriga-vermelha P VU DD NT
Melanophryniscus cambaraensis sapinho-verde-de-barriga-vermelha P VU DD DD
Répteis
Cnemidophorus vacariensis lagartinho-pintado D VU VU –
Peixes
Austrolebias affinis peixe-anual P VU VU –
Austrolebias alexandri peixe-anual P VU VU –
Austrolebias cyaneus peixe-anual P EN EN –
Austrolebias ibicuiensis peixe-anual P CR CR –
Austrolebias periodicus peixe-anual P VU VU –
Abelhas
Arhysosage cactorum abelha D VU NT –
Bicolletes franki abelha D EN – –
Bicolletes pampeana abelha EN – –
(Plebeia wittmanni) abelha-mirim SD ? EN – –
(Monoeca xanthopyga) abelha SD ? VU DD –
Moluscos bivalves
Anodontites ferrarisi redondo-rajado P VU EN –
Fossula fossiculifera fóssula P VU EN –
Monocondylaea paraguayana cofrinho P VU VU –
Mycetopoda siliquosa faquinha-truncada P VU VU –
Total de ameaçadas – 47 27 10
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O total de espécies ameaçadas 
que depende em maior ou menor grau 
de formações campestres no Rio Grande 
do Sul é de 49, o que representa 16% 
das 309 espécies da fauna gaúcha que 
constam em pelo menos uma das três 
listas vermelhas aplicáveis ao estado: 
a estadual (Marques et al. 2002), a 
nacional (Machado et al. 2005) e a global 
(IUCN 2008). Considerando somente as 
espécies ameaçadas continentais (i.e., 
não-marinhas), esse percentual sobe para 19%, ou cerca de uma em cada cinco. No Paraná, 
o número de espécies regionalmente ameaçadas exclusivas de campos é consideravelmente 
menor que no Rio Grande do Sul (7, ou 4,5% das espécies continentais), refletindo a pouca 
representatividade desses ecossistemas no estado (Mikich et al. 2004). Já o total combinado 
das espécies exclusivas de ambientes de vegetação natural aberta (campos e/ou cerrado) é de 
22, o que corresponde a 14% das espécies continentais regionalmente ameaçadas (Mikich et 
al. 2004). Conta-se, ainda, pelo menos uma espécie extinta nos Campos Sulinos, que é a arara-
azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), outrora um habitante dos palmares e das estepes 
arborizadas do Pampa gaúcho (Bencke et al. 2003). 
A análise da distribuição da fauna ameaçada em escala nacional coloca os Campos Sulinos 
em quarto lugar entre os sete grandes biomas brasileiros, em número de espécies em extinção, 
à frente da Amazônia, Caatinga e Pantanal (Paglia 2005, Tab. 7.4). Em relação à proporção de 
espécies na categoria criticamente em perigo, porém, os Campos Sulinos ficam atrás apenas da 
Mata Atlântica e da Caatinga (Tab. 7.4), o que indica um nível de ameaça geral relativamente 
alto sobre o bioma. 
Uma análise similar, mas enfocando apenas as aves (Marini & Garcia 2005), apontou os Campos 
Sulinos como o bioma brasileiro com o segundo menor número de espécies ameaçadas (20), à frente 
apenas do Pantanal. Contudo, os Campos Sulinos aparecem nessa análise com