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#170 Ano: 27/2020 • R$ 40,00 UMA CRISE DIFERENTE Esqueçam as crises financeiras que afetaram o setor no Brasil e no mundo ao longo das últimas décadas. A crise decorrente da pandemia do Coronavírus, além de mais profunda, traz desafios de outra natureza, incluindo a mudança profunda em hábitos e atitudes, consumo e canais de compra de produtos de beleza 3ATUALIDADE COSMÉTICA # 170| MARÇO 2020 #1 70 06. PAINEL As lives vieram para ficar, também no mercado de beleza. 18. ESPECIAL COVID-19 MERCADO BRASILEIRO Como o consumidor brasileiro vai sair da pan- demia ninguém tem certeza. Mas, que ele sairá diferente, isso ninguém tem dúvidas. 14. ESPECIAL COVID-19 MERCADO GLOBAL Os resultados dos grandes players globais no primeiro trimestre deixam claro: o impacto da quarentena na Ásia foi forte, mas os que serão gerados pelo fechamento das economias ocidentais serão ainda piores. 20. ESPECIAL COVID-19 VAREJO DE BELEZA As redes de perfumaria foram pegas no con- trapé. Além de não terem sido consideradas um varejo essencial, estavam muito atrás na digitalização das suas operações de vendas. Agora, estão todos correndo atrás. 35. EXPRESS Os lançamentos continuam movimentando a indústria de beleza no Brasil. 38. MERCADO TENDÊNCIAS Antes da pandemia, Atualidade Cosmética es- cutou especialistas de diversas companhias de inteligências de mercado sobre as expectativas deles para o futuro. Ainda que o Coronavírus tenha virado o mercado de cabeça para baixo, a maior parte do que foi dito segue fazendo sentido no médio e no longo prazo. 54. MERCADO IDEIAS Raoni Cusma de Paula fala da importância da sutileza em tempos de agressividade explícita. 8ATUALIDADE COSMÉTICA # 115 | SET-OUT 2010 E m momentos duros como os que vivere- mos daqui para frente, será preciso que os líderes empresariais lidem com situações inusitadas, complexas e que vão impactar a vida dos seus colaboradores e parceiros de negócios. Essas decisões precisaram ser tomadas num momento em que pouco se pode prever para o futuro. A única coisa que parece clara neste mo- mento é que no curto prazo, consumidores receosos em relação a sua saúde e segurança somada a severa crise econômica que o mundo vai enfrentar, e que deve ser mais sentida aqui e na América Latina do que em mer- cados desenvolvidos. Nesse cenário embaçado, toda ajuda é bem vinda. Quando se trata de dados e informações, entretanto, é preciso ter cuidado. Com tanta informação sendo pro- duzida e disseminada de forma indiscriminada, é mui- to fácil tomar como ver algo que pode parecer crível, ou mesmo que soe bem aos nossos ouvidos. Por exem- plo. Quem não quer escutar que o mercado de beleza vai tirar proveito da crise, com o aumento na venda de produtos relacionados à higiene pessoal? Que a explo- são das vendas de álcool em gel e sabonetes vão ajudar a compensar a queda em categorias mais tradicionais como perfumes e maquiagem. Ou mesmo que o avan- ço da categoria de coloração no mass market (às custas dos salões) compensem a queda na venda de colorações profissionais. São movimentos de curto prazo, alguns podem até perdurar, mas é preciso ser claro: tudo isso está muito longe de fazer sombra ao tombo com o qual o mercado de beleza precisará lidar neste ano de 2020. Ignorar a realidade é sempre um erro. Goste ou não ela acaba por se impor. Por isso, essa edição de Atuali- dade Cosmética traz uma extensa cobertura sobre os pri- meiros impactos da crise do Coronavírus nos mercados de beleza do Brasil e no Mundo, tendo como base dados de empresas de inteligência de mercado, relatórios de resultados das empresas, pesquisas e entrevistas com lí- deres do setor para oferecer ao leitor um panorama real da situação e as expectativas do que é que já podemos esperar para os próximos meses. Tudo muito bem emba- sado e apurado. Para completar, uma seleção de especialistas do mer- cado compartilhou com a revista suas impressões para o ano de 2020 antes da pandemia. Ainda que o mercado tenha sido virado de cabela para baixo, muitas das ten- dências apresentadas pelos especialistas seguem vivas. Algumas podem ser postergadas, outras potencializa- das. Mas, sem dúvida, oferecem um quadro de informa- ções e ideias valioso das oportunidades que ainda pode- rão ser aproveitadas pela indústria e o varejo de beleza no futuro. Boa leitura. EDITORIAL NÃO SE PODE ESMORECER, TÃO POUCO IGNORAR A REALIDADE FUNDADOR: JOSÉ LUIZ DE PAULA JR. EDITOR E PUBLISHER: AÛANI CUSMA DE PAULA EDITOR-ASSISTENTE: RAFAEL MENDONÇA (rafael@cusmaneditora.com.br) EXECUTIVOS DE VENDAS: WANESSA DE SOUZA (wanessa@ cusmaneditora.com.br) EUFRAZIO LAUTON (lauton@cusmaneditora.com.br) DARYUS FELISBINO (daryus@cusmaneditora.com.br) DESIGN: JOHNNY FELIPE (jonatas@cusmaneditora.com.br) WWW.COSMETICANEWS.COM.BR ADMINISTRAÇÃO E REDAÇÃO RUA ANTONIO TAVARES, 59 CAMBUCI CEP 01542-010 SP – BRASIL PARA ANUNCIAR, LIGUE: (11) 3392-2584 6ATUALIDADE COSMÉTICA # 170 | MARÇO 2020 painel A is lives de artistas têm sido uma das formas de artistas manterem-se ativos e entreter seus fãs em meio ao período de reclusão. Mas as marcas de beleza já vinham apostando em transmissões via streaming desde antes da pandemia, em especial na China. A tendência agora é que esse movimento seja acentuado e se acelerem em outras partes do mundo. Do lado de cá do globo, as transmissões em stre- aming são mais focadas na indústria de games e en- tretenimento, mas na China elas são uma forma dos consumidores para explorar tendências de produtos, receber informações sobre produtos, especialmente na indústria da beleza. Segundo um estudo da fir- ma de inteligência de mercado Mintel na China, 14% dos entrevistados dizem que transmissões ao vivo ou BELEZA AO VIVO O INFLUENCIADOR CHINÊS AUSTIN LI: lives turbinam as vendas de beleza no mercado chinês. posts em plataformas de vídeos curtos são a primei- ra escolha para quem decide comprar produtos de beleza e higiene pessoal. “Quando os clientes ficam online para transmissão ao vivo, criam uma comu- nidade de necessidades e interesses semelhantes. 47% dos clientes pesquisados que compraram pro- dutos de beleza e cuidados pessoais através de ca- nais de transmissão ao vivo disseram: ‘comprei o que realmente preciso’”, disse Jessica Jin, diretora de beleza e cuidados pessoais da Mintel. Um bom exemplo da força das lives no gigan- te asiático é a entrada da marca Huda Beauty no Tmall, a plataforma de comércio internacional do Alibaba. A empresa vendeu seu estoque de pale- tas em segundos. Para o lançamento, Huda Kat- tan, fundadora da marca, fez uma parceria com a celebridade da internet Austin Li para animar a 7 # 170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA abertura de sua nova loja. Kattan desafiou Li, também conhecido como “Lipstick Brother”, a criar uma aparência de maquiagem de primavera no site de microblog chinês Weibo. Li também reco- mendou os produtos da Huda Beauty aos espectadores durante uma transmissão ao vivo no canal Taobao Live, também do Alibaba, que teve mais de 12 milhões de vi- sualizações. Mesmo com a força de influen- ciadores como Li, a Mintel aponta que durante o surto de COVID-19, as próprias marcas se tornam a principal força da transmissão ao vivo. Consultores de beleza, ma- quiadores até donos de lojas de cosméticos começaram a trans- mitir ao vivo para vender produ- tos. “É mais importante para uma marca manter a operação rodando e a comunicação com os clientes, o que não poderia ser feito com apenas uma ou duas vezes ao vivo com um influenciador. Pelo contrário, as assistentes de ven- das podem manter e intensificar o engajamento e a comunicação com os clientes em potencial”, re- força Jin. Segundo a Mintel, a equipe da loja de cosméticos é tão in- fluente quanto os influenciado- res tradicionais da indústria da beleza em termos de conversão de vendas. A pesquisa mostra tambémprimeiro momento, com um esfor- ço muito assertivo nos produtos de alto giro. Esse movimento tende a reforçar a posição das marcas mais conhecidas e bem estabelecidas no mercado. O movimento de redução do mix, precisa ser acompanhado pelas indús- trias. Elas terão de ter a coragem de cortar itens do seu portfólio de maneira mais rápida do que vinha sendo feito até agora. “Já vínhamos revendo isso, mas sempre tem uma demora em tirar um ou outro produto”, reconhece Wil- son, da EICO, que diz que o momento pede mais objetividade em relação ao que é oferecido para os clientes. Mesmo que também deem como lí- quido e certo que o mix de produtos vai mudar, executivos da indústria chamam atenção para uma questão: a importância dos lançamentos para o mercado de bele- za. Para Bruno Wolmer, diretor de Vendas da divisão de consumo da Coty no Brasil, lojistas e indústria terão que aprender a equilibrar muito bem a questão do sor- timento versus caixa com a necessidade de introduzir novidades. “Todo mundo quer ser mais assertivo, mais efetivo no que vende, só que do outro lado, a ino- vação (lançamentos) é um pilar chave do negócio. A agenda de inovações continua porque o mercado tem uma rotatividade WILSON RIBEIRO, DA EICO: problema grande demais para ser resolvido por uma única parte da cadeia. O jeito é fatiar e dividi-lo. 26ATUALIDADE COSMÉTICA # 170 | MARÇO 2020 CANAL Perfumarias enorme”, acredita o executivo da mul- tinacional americana. Na mesma linha, Joana Fleury diz que a L’Oréal também não travou os lançamento por conta da crise. “Inovação é muito importante nes- se momento, consumidor de beleza bus- ca novidade e as inovações vão ajudar a passar por esse momento de maneira um pouco mais suave”, pontua a diretora. Embora não tenha congelado o pro- cesso de inovação na empresa, Katia, da Cless, acredita que será preciso estar muito atento sobre o que a consumidora deseja e, com isso, oferecer produtos de ótima relação custo x benefício. Na Multi B, Álvaro diz que a opção foi por dimi- nuir o número de lançamentos, focando nos produtos que tenham mais a ver com esse momento. RECONSTRUINDO OS PLANOS Para as indústrias, que começam a pre- parar os seus planos para a reabertura do varejo especializado, é consenso que os planos que estavam na mesa até o início de março, de pouco servirão para o res- to do ano. “O que construímos lá atrás, talvez não suporte a situação daqui para frente”, reconhece Bruno, da Coty. Mais radical, Álvaro diz que dentro do Grupo Boticário, a primeira coisa foi jogar fora todos os planos de negócios que estavam na mesa e recomeçar do zero. Para o executivo da Multi B, o pri- meiro ponto a ser atacado na reabertura é a gestão dos estoques, já que toda a ca- deia (indústrias, distribuidores e lojistas) está com muito produto nas mãos. Os planos da empresa já partem da premissa que em outros mercados, após a abertu- ra das lojas, existe uma queda de 30% a 40% em relação ao fluxo médio de antes da pandemia e, mais importante, sabe que neste momento nada será definitivo. “Teremos que ajustar dia a dia. Ninguém sabe como será o futuro, então quem rea- gir mais rápido irá sair mais cedo da cri- se”, acredita Alvaro. Para que a indústria possa ser assertiva em sua oferta para o varejo nesse contexto de mudanças de hábitos de consumo e da necessidade de redução do mix, ela preci- sará estar mais próxima das operações do varejo. Mais do que isso: será preciso que a agenda de colaboração, há tempos sen- do discutida por varejistas e indústrias, saia do papel de verdade. Só com a troca de informações e de dados entre as partes será possível construir planos verdadeira- mente únicos e assertivos. “Se a indústria não souber o sell out dela na loja, ela não saberá como ajudar, porque a curva A dele de vendas pode não ser a mesma da nossa rede”, reforça Minoro, que também cobra da indústria a responsabilidade de ajudar a enfrentar as lojas informais e, estabelecer uma política de preços assertiva para todos os canais. Bruno, da Coty, concorda que é preciso estabelecer, ainda mais agora, uma boa gestão da competitividade, preços e atratividade da perfumaria em relação aos outros canais. SEM FALSO OTIMISMO Mesmo com todas as oportunidades que surgem de transformação e reinvenção, em especial com a aceleração forçada da agenda digital, nenhum lojista em sã consciência acredita que o momento é, digamos assim, favorável. Pelo contrá- rio, é certo que será preciso dar alguns passos para trás. “Gostaria de vender um falso otimismo. Mas é melhor recu- armos, sermos responsáveis e estarmos vivos, do que sermos irresponsáveis agora e morrer lá na frente”, pontua Mi- noro Kamachi, da Soneda, ressaltando que em São Paulo, já existem perfuma- rias fechando as portas em definitivo. Fábio Kai lembra que os passos atrás que a economia vai dar, na visão dele, vão fazer o consumo mudar de caracte- rística. Consumidores das classes C e D, talvez voltem a comprar produtos mais baratos, o que não vinha acontecendo até então, com essa fatia da população comprando itens melhores e mais caros e tickets menores. “Vamos ter que sair das nossas mesas, abrir mão das nossas regalias, arregaçar as mangas e tentar ser o mais assertivo possível nas nossas decisões daqui para frente”, reforça o presidente da Leo. Por fim, o diretor da Beauty Fair, Ce- sar Tsukuda, que mediou os debates, diz que não se pode esquecer que na retoma- da, o dinheiro será o bem mais escasso em toda a cadeia, o que impõe um desafio ex- tra para todo o mercado. Para Wilson, da EICO, empresas locais estão acostumadas a lidar com isso. “Nunca tivemos nada e, se tivermos de nos livrar de um bem ou outro para suportar os negócios neste mo- mento, acho que é o que devemos fazer”, diz. “Vamos operar por algum tempo sem caixa ou com caixa negativo, de fato. Mas, todo mundo começou pequeno, sem caixa e construiu o negócio no dia a dia. Foram anos para chegar aonde chegamos. Claro que é desconfortável, talvez atrase alguns planos, mas não chega a ser uma novida- de. Temos que ser responsáveis”, conclui Augusto, da Monamie. Um aspecto que merece atenção dos diri- gentes do varejo, e também, da indústria, é que mesmo comercializando produtos essenciais nessa crise, a perfumaria não foi con- siderada um varejo essencial pelas autoridades. Mais do que isso, consumidores questionaram o fato de as lojas estarem abertas em casos nos quais as leis estaduais ou municipais ainda as permitiam estar funcionando. Em suma, a essen- cialidade do negócio foi questionada, o que traz a tona à questão: não é preciso reforçar, de forma institucional, o papel das perfumarias como um ponto de venda de higiene e beleza com impactos diretos na saúde, e não como um ponto de venda de itens que para parcela importante da popula- ESSENCIAL OU NÃO? ção, e mais ainda das autoridades, são consid- erados supérfluos? “30% de todo o nosso mix é de higiene pessoal. Por isso a nossa briga com as entidades de saúde”, pontua Fábio Kai, da Leo Cosméticos, para quem existe uma falta de valor percebido das perfuma- rias pela sociedade. A esse problema, se soma a falta de uma representação do setor capaz de or- ganizar e coordenar ações junto a diferentes stake- holders, inclusive o poder público. As discussões sobre a formação de uma enti- dade representativa do setor não são novas e devem se acelerar nesse momento. “Não éra- mos para estar fechados. Mas, como não está- vamos organizados, ficamos para trás. O vírus foi mais rápido do que nós para construir essa entidade”, lamenta Augusto, da Monamie. Untitled-1 1 18/02/2020 14:49:08 PHARMILAB - PT.PHARMILAB.EU O mercado de cos- méticos está cada vez mais globali- zado. E isso já não diz mais respeito apenas às marcas europeias e norte- -americanas avançando sobre os ou- tros mercados do mundo, como foi a regra por décadas. As pessoasperderam o medo de se assumir. Muitas buscam formas de realçar e valorizar aquilo que as torna únicas e especiais. E, para isso, estão dispostas a experimentar o novo, jus- tamente porque muitas delas não se enquadram, ou não se vêm represen- tadas, pelos produtos de marcas oci- dentais clássicas. Nesse movimento, marcas de di- ferentes países, que oferecem tecno- logias, culturas e hábitos de beleza que vão agregar algo de novo, dife- rente e, porque não dizer, inovador. Fenômenos vindos da Ásia, como o K-Beauty (Coréia do Sul) e o J-Beauty (Japão), não aconteceram por acaso. O mundo se abriu para eles porque enxergou valor. E o Brasil nessa história? Não somos o quarto maior mer- cado de produtos de higiene pesso- al, perfumaria e cosméticos à toa. A beleza brasileira é uma referência no mundo inteiro. A alegria e a sensuali- dade natural do nosso povo, somada a capacidade do País de gerar pro- dutos e tratamentos criativos e ori- ginais em diversas categorias, espe- cialmente em cabelos, mas também Apresentado por: em banho e proteção solar, muitas vezes a partir de ideias criadas pela própria população. Se o Brasil é tão associado à beleza, não deveríamos ter mais empresas da área se destacando internacionalmente? O certo seria dizer sim. Mas, as indústrias brasileiras, muitas vezes por falta de visão e, porque não dizer, de informações corretas, acabam não olhando com a devida atenção para o mercado internacional. Ir para fora não é para qualquer um. Esse é um primeiro aspecto. É preciso, antes de tudo, comprometimento da parte do empresário e da liderança da empresa para enveredar por um caminho que é, literalmente, de construção. “Levar a marca para o exterior, seja para a Europa, seja para qualquer outro mercado internacional, não deve ser encarado apenas como uma nova fonte de receitas. Especialmente no curto prazo”, diz Luis Figueiredo, sócio da Pharmilab, empresa especia- lizada em assessorar companhias de beleza brasileira em seus processos de internacionalização. Para o empresário português, a internacionalização deve ser parte de uma visão estratégica de longo prazo para fortalecer e perenizar o negócio e não depender apenas do mercado de um único País. “Claro que o mercado consumi- dor brasileiro é enorme, mas o su- cesso para as marcas, em especial as médias e as marcas de nicho, está em equilibrar os mercados locais e internacionais”, acredita Luis. UM MUNDO A SER CONQUISTADO O NOVO LAYOUT DE LOJA DA BEL COSMÉTICOS: mais leveza, modernidade, sofisticação e aconchego com muito uso de ferro, madeira e vidro. 29PHARMILAB - PT.PHARMILAB.EU Produzido por Cusman Branded Content A BEL CRESCE E A PARA NAVEGAR NO EXTERIOR, ASSESSORIA CORRETA É FUNDAMENTAL Levar a marca para o exterior deve ser primeiro, um desejo do empre- endedor. Ele existindo, aí é preciso pensar estrategicamente e planejar corretamente cada passo desse pro- cesso, que envolve diferentes frentes de ação, do entendimento dos merca- dos-alvo no exterior, passando pelos processos de registro dos produtos nos órgãos regulatórios de cada País, trâmites aduaneiros até a identifica- ção de parceiros comerciais em cada mercado internacional. O trabalho não é simples, mas pode ser facilitado com o apoio de uma consultoria especializada em todo o processo de internacionali- zação de marcas, caso da Pharmilab. Essa assessoria é importante, inclu- sive, para mostrar ao empresário brasileiro, quando ele está tentando ir para fora da forma, ou até pelo mo- tivo errado. Como o empresário que cria uma linha pensando exclusiva- mente no mercado interno e quando ela, por algum motivo, não dá certo no Brasil, tenta achar alguém para vendê-la lá fora. “Ainda que uma empresa venda muito bem no Bra- sil, é muito importante que ao olhar para o exterior, ela entenda que cada mercado é único, com características regulatórias, culturais e mercadoló- gicas que podem exigir adaptações ou novos estudos para serem acre- ditados em um novo país”, explica o sócio da Pharmilab. Quer um exemplo. Tem marcas que já nasceram pensando em acessar os mercados internacionais, ou que a partir de um determinado ponto, já desenvolve suas linhas pensando nis- so. Quando bem pensada e desenvol- vida com essas estratégias, o sucesso no mercado externo tende a ser mais fácil. O problema é que tem muita gente que faz isso de forma errada. “As marcas começam a demonstrar uma preocupação maior com as ques- tões regulatórias. Há três anos, muita gente entrava no mercado de forma ilegal. Isso ainda existe hoje, mas é um movimento bem menor”, reco- nhece Luis Figueiredo. OS ERROS MAIS COMUNS DAS EMPRESAS BRASILEIRAS NA HORA DE EXPORTAR “Nosso compromisso é, antes de tudo, com a qualidade. Usamos os melhores ativos e in- gredientes do mercado. Nosso produto não deve nada ao das maiores marcas”. A afirmação acima nada mais é do que um exemplo do que os empreende- dores do mercado de beleza costumam pensar dos seus produtos. Não é para menos. Se o próprio dono não vender a qualidade do seu produto, quem é que vai acreditar. De qualquer forma, ainda que o produto seja muito bom mesmo, é pre- ciso provar isso com testes clínicos. E esse é um dos primeiros grandes desa- fios das empresas brasileiras. Em espe- cial, aquelas que pretendem adentrar no mercado europeu. Validar fórmulas de cosméticos bra- sileiros na Europa apresenta desafios que, se não forem observados, podem se converter em dor de cabeça ou mes- mo, frustrar uma tentativa de introdu- zir seus produtos em solo europeu. O sócio da Pharmilab lembra que marcas brasileiras que ofereciam gran- de potencial pelo posicionamento de marca erraram em relação a não co- municar adequadamente tudo o que estava presente na formulação. Um caso ainda mais ilustrativo é o de uma empresa que formulava produtos com formol, que é permitido em algumas regiões do mundo, mas proibido na Europa. Não bastasse terem sido pegos uma primeira vez, a marca reincidiu tendo os seus produtos retirados do mercado europeu, mais uma vez, pelo uso de ingredientes indevidos. E o pro- blema é que, ainda que a marca estives- se em um único país da Europa, existe uma comunicação entre as nações do continente e todos são comunicados de que a marca saiu e, mais impor- tante, porque saiu do mercado. “Você sai de uma situação como essa com o filme queimado em todo o continente, porque os distribuidores acessam essas informações, que são disparadas para todos os países”, alerta Luis. Mas a lista de ingredientes é apenas um ponto a se destacar em relação à fórmula dos produtos para o mercado europeu. É preciso ter certeza de que a fórmula está adequada às promessas feitas nas embalagens. E isso, na Eu- ropa, é levado muito a sério. “Muitas marcas falham na forma como comuni- cam os seus claims”, lembra Luis. Lamentavelmente, existem por aqui muitos produtos que usam ape- los como “nutrição” e “hidratação” para se vender. Mas, com uma rápida passada de olho nas fórmulas, é pos- sível enxergar que, na prática, aqueles claims não se sustentam e que os in- gredientes que sustentariam os claims estão presentes em quantidades míni- mas. O suficiente para poder usar o claim aqui no Brasil. Na União Euro- 30PHARMILAB - PT.PHARMILAB.EU peia isso é um problema e tanto. “No mercado europeu, sem ter documen- tos e testes que comprovem esses be- nefícios, você não pode comunicá-los. Essa é uma das questões com as quais mais nos debatemos”, lamenta o em- presário português. Além disso, quan- do uma marca tem a oportunidade de acessar um consumidor na Europa, é preciso conquista-lo e fidelizá-lo. E isso só é possível se ele ficar realmente satisfeito com a entrega do produto. “No Brasil, as empresas já trabalham muito bem a construção de marca e o seu marketing. Agora, elas precisam focar nas prova de eficácia, para con- quistar mercados como o europeu”, pontua o empresário.Para Luis, as marcas deveriam ter sempre em mente as oportunidades que os mercados internacionais ofere- cem. Por isso, o ideal é trabalhar essa premissa já no processo de desenvolvi- mento dos produtos. “A empresa pode já estabelecer o desenvolvimento do produto pensando nos mercados local e internacional, levando em conta as- pectos regulatórios e mercadológicos que se adaptem as necessidades de consumidores no Brasil, mas também a de grupos de consumidores em países no exterior. Claro que sempre se pode fazer um produto para o Brasil e depois fazer os tramites para adequá-lo para exportação. Mas com uma boa asses- soria, é possível otimizar o processo e desenvolver um produto que, mesmo que focado no Brasil, atenda aos requi- sitos mais rígidos da regulação do ve- lho mundo. A Pharmilab, por exemplo, faz a validação das fórmulas ou aponta as adaptações necessárias para o mercado europeu, além de apoiar as indústrias de beleza brasileiras em questões regu- latórias e aduaneiras, mas também de mercado, preparando estudos que per- mitam aos empresários locais entender a realidade de cada mercado. Isso é importante, especialmente para marcas pequenas e médias que costumam que- rer registrar e vender seus produtos an- tes de pesquisar os mercados para onde eles se destinam. Além disso, a Pharmilab tem condi- ções de apontar parceiros comerciais em cada mercado e cuidar das ope- rações logísticas e de distribuição em solo europeu. A estratégia comercial inclusive é outro pilar fundamental para as marcas que pretendem se in- ternacionalizar, e um aspecto no qual a Pharmilab também vem ajudando empresas brasileiras de beleza em sua expansão. “É preciso encontrar os dis- tribuidores que tenham aderência ao perfil da marca”, reforça Luis. PARA VENCER É PRECISO DAR TEMPO AO TEMPO Outro elemento fundamental que os empresários de beleza brasileiros pre- cisam ter em mente quando decidem levar suas marcas ao mercado inter- nacional, especialmente em mercados desenvolvidos, como o europeu: para construir um negócio internacional relevante é preciso investir tempo e di- nheiro para manter o negócio sustenta- do até que ele alcance algum grau de maturidade. Como lembra o sócio da Pharmilab, mesmo empresas que tem porte e relevância no Brasil, no exterior, vão começar do zero. “Não adianta participar de uma feira no exterior em um ano e depois não participar mais. Tentativas dispersas acabam dificul- tando o negócio, por isso a necessidade do apoio de consultorias especializa- das nos mercados internacionais que a empresa quer atingir. Elas vão ajudar as empresas brasileiras a construir um plano estruturado e adequado à reali- dade”, explica Luis. No processo de construção desses projetos, os especialistas da Pharmi- lab realizam estudos de mercado para avaliar o posicionamento e o portfólio da marca. “Com base nesses estudos e em dados estatísticos é que oferecemos uma análise acurada dos produtos que terão mais potencial para o mercado europeu, e, se for o caso, quais adapta- ções seriam importantes de serem rea- lizadas”, pontua Luis. A Pharmilab também analisa, com base no objetivo e na adequação de cada marca, qual a melhor porta de en- trada para aqueles produtos na Euro- pa. Ao contrário do que se pensa, nem sempre Portugal é o melhor país euro- peu para marcas brasileiras fazerem os registros e a entrada dos produtos. INÍCIO SEM GRANDES INVESTIMENTOS Construir um negócio internacional de- manda recursos e visão de longo prazo. Mas, especialmente numa fase inicial, os investimentos estão longe de serem proibitivos para as indústrias brasilei- ras. Nesse primeiro momento, enquan- to correm os processos de registros e mesmo na fase inicial de negociação com distribuidores, com o apoio de uma empresa como a Pharmilab, a mar- ca não precisa ter nenhuma estrutura local, ou mesmo viagens frequentes para acompanhar essa fase pré-opera- cional, reduzindo enormemente os cus- tos de implantação. Com os produtos liberados, ter um estoque local é essen- cial para atender ao mercado. E a Phar- milab também monta toda a operação logística para que os clientes tenham estoque local e possam se apresentar de forma rápida aos possíveis parceiros de negócios, passando muito mais profis- sionalismo e segurança para eles. T empo necessário: uma empresa que quer exportar precisa de uma fábrica que esteja preparada para exportar. A Falta de organiza- ção e de sistemas nas empresas pode atrasar a resposta à necessidade docu- mental exigida pelo mercado europeu. E esse tempo de resposta influencia diretamente os prazos de aprovação e liberação dos produtos na União Euro- peia. Num cenário ideal, uma linha de 10 produtos tende a estar aprovada em 60 dias (a Pharmilab já conseguiu fazer processos em 30 dias). Passando disso, é porque existe algum problema na docu- mentação. Consistência no trabalho: são ne- cessários dois anos, no mínimo, para começar a estabilizar o negócio. O pri- meiro ano é de perder dinheiro e não de querer ganhar em todas as encomendas. A partir do terceiro ano pode-se olhar para crescimento. PRAZOS Apresentado por: WWW.TOPPINOX.COM.BR WHATSS APP (34) 98899-6195. LINHAS DE PRODUÇÃO FLEXÍVEIS E CAPAZES DE PRODUZIR DIFERENTES TIPOS DE PRODUTOS SEM A NECESSIDADE DE NO- VOS INVESTIMENTOS OU SETUPS DEMORADOS JÁ ERAM UMA DEMANDA EM ALTA NO MERCADO DE BELEZA. COM A CRISE DO CORONAVÍRUS, CONTAR COM ESSA FLEXIBILIDADE PAS- SOU A SER ESSENCIAL FLEXIBILIDADE É ESSENCIAL Apresentado por: REATORES DA TOPP INOX EM FÁBRICA DE COSMÉTICOS: com sistema de mistura interplanetário, o equipamento é um dos mais flexíveis e versáteis para a produção de diferentes tipos de produtos. WWW.TOPPINOX.COM.BR WHATSS APP (34) 98899-6195. de acordo com a necessidade de cada item, sem precisar realizar mudanças na linha de produção. Em linhas gerais, num reator com sistema tradicional, você tem a hélice girando sempre em um único sentido. Mas, para obter a viscosidade ideal de cada produto, muitas vezes, é necessá- rio um tipo de “bateção” diferente. Ao operar tanto em sentido horário como em sentido anti-horário, o sistema de mistura interplanetário patenteado pela Topp Inox garante muito mais agi- lidade na produção. Parece um mero detalhe, daque- les que quem lida com o negócio ou olha a empresa como um todo, não vê muito sentido em dar atenção num primeiro momento, mas que faz toda a diferença no tempo e no custo da produção, sem falar na qualidade fi- nal dos produtos que serão envasa- dos. Quer um exemplo prático disso? Enquanto com o sistema tradicional, você leva de 70 minutos até 80 mi- nutos, a mesma produção fabricada em reatores equipados com o sistema interplanetário da Topp Inox é feita em cerca de 20 minutos. “Quando os clientes fazem a conta da produtivi- dade, do custo x benefício, eles conse- guem ver claramente que os reatores da Topp Inox saem muito mais barato. Seria necessário ter o dobro de reato- res tradicionais da concorrência para produzir o mesmo que os nossos pro- duzem”, garante Helton Mendes de Oliveira Filho, fundador e presidente da Motorque, lembrando que ao do- brar o número de reatores, a empresa dobra também mão de obra e outras linhas para dar sequência à produção nos reatores. Os manipuladores que operam no chão de fábrica sabem que cada pro- duto precisa ser preparado a uma de- terminada velocidade e numa determi- nada intensidade. E esse é um ponto importante do sistema de mistura interplanetário da Topp Inox, porque alguns produtos atingem a viscosidade correta em sentido horário, enquanto outros, que precisam de mais “agita- ção”, por exemplo, vão atingir o ponto correto com o sistema batendo o produ- to de um lado para o outro. Além disso, o processo com o sistema interplane- tário garante mais homogeneidade ao produto, um fator fundamental, em di- ferentes tipos de viscosidade. CRESCENDO COM OS CLIENTESA história do desenvolvimento do sistema de mistura interplanetário é prova de uma das características mais marcantes no Grupo Motorque: a pro- ximidade com o cliente. Originalmente, o sistema foi pensado para retirar a es- puma da produção de shampoos de um importante cliente da empresa em Mi- nas Gerais, na época, um dos maiores fabricantes do produto no País. “Acon- tecia que quando se batia o shampoo no reator, o Lauryl (um surfactante muito utilizado em produtos de higie- ne) fazia muito espuma. Com o sistema interplanetário, esse problema foi eli- minado”, lembra Helton. Desde então, a Motorque aprimorou o sistema, cuja patente é garantida até 2033. E, como os aprimoramentos e inovações são cons- tantes, Helton garante que a Motorque está trabalhando para estender a paten- te por mais 10 anos. SONHO DE CONSUMO Os atributos de qualidade e inovação fazem dos reatores da Topp Inox uma espécie de “sonho de consumo” para C om as limitações de mobilidade, regras de distanciamento social e boa parte do comércio fechado, da noite para o dia o mercado de cos- méticos e higiene pesso- al (junto com todos os outros), foi surpre- endido pela pandemia do Coronavírus. Com o mercado em grande parte parado, uma alternativa para muitas empresas conseguirem manter ao me- nos parte do negócio rodando, foi a de olhar para duas das poucas cate- gorias de beleza e higiene pessoal que apresentaram um boom de consumo: as de álcool em gel e sabonetes, inclu- sive os líquidos. O crescimento na demanda por esses dois itens foi tanto, que mesmo quem nunca pensou em entrar nessas categorias, precisou rever seus planos e correr para produzir esses itens. Nessa hora, quem contava com uma linha de produção flexível, com equipamentos versáteis se deu bem. No caso da indústria de beleza, essa flexibilidade passa pela escolha dos equipamentos corretos para a li- nha de produção como, por exemplo, um Reator (os tanques nos quais os produtos são preparados para envase) equipado com o sistema de mistura interplanetário, como o patenteado pela Topp Inox, marca líder na fabri- cação de equipamentos para linhas de produção de produtos de higiene pes- soal e cosméticos. Fundada em 1990 e com sede em Uberaba (MG), a Top Inox faz parte do Grupo Motorque, companhia 100% brasileira que oferece soluções indus- triais completas para as empresas do mercado de beleza. DIFERENTES RESULTADOS. UM ÚNICO SISTEMA Uma empresa de higiene pessoal e cosméticos produz diversos produ- tos, como shampoos, cremes para o rosto e sabonetes líquidos. Cada um desses itens tem uma viscosidade diferente. Com o sistema de mistura interplanetário da Topp Inox é pos- sível fabricar produtos de alta quali- dade e obter diferentes viscosidades, O FUNDADOR DO GRUPO MOTORQUE, HELTON MENDES: a bandeira aposta em muito treinamento e no alinhamento dos funcionários com os valores da empresa. WWW.TOPPINOX.COM.BR WHATSS APP (34) 98899-6195. muitos clientes do mercado, que sa- bem que vão garantir em suas fábricas menor tempo de produção, mais quali- dade e maior produtividade. Além do Brasil, os reatores da marca do Grupo Motorque estão em fábricas de cosmé- ticos e higiene pessoal em mercados como os Estados Unidos, Oriente Mé- dio, Chile, Bolívia e Paraguai. A confiabilidade é outro ponto for- te dos reatores da Topp Inox. Em trinta anos de mercado, Helton garante que já recebeu entre 30 e 40 reatores da concorrência na base de troca em em- presas que migraram para os produ- tos do Grupo Motorque. “Agora, você não encontra um reator da Motorque usado, porque o nosso produto não dá problema. As empresas só trocam com a gente quando querem outro reator nosso maior no lugar”, reforça o fun- dador da companhia brasileira. A linha da Topp Inox é versátil para atender empresas de diferentes portes e que operam em diferentes ca- tegorias. O s reatores da empresa vão dos menores de 30 litros até os com 15 mil, 20 mil litros de capacidade. Helton explica que muitas empre- sas grandes, compram os reatores me- nores para linhas de desenvolvimento e para fazer produções testes. Esses mesmos reatores menores, de 200 li- tros, por exemplo, também são muito utilizados nas linhas de produção de produtos de maior valor agregado, como produtos dermocosméticos. LINHA COMPLETA PARA PRODUÇÃO COSMÉTICA Com a expertise da Motorque no de- senvolvimento de reatores e a convi- vência com os clientes no chão das fábricas e nos laboratórios de de- senvolvimento, a empresa evoluiu com os seus negócios e hoje oferece equipamentos e soluções para colo- car de pé uma linha de produção ou até mesmo uma fábrica inteira para os seus clientes, inclusive com linhas de água deionizada. Além dos rea- tores da Topp Inox, o Grupo Motor- que fabrica e instala as caldeiras, as esteiras além de todos os sistemas de tubulação de agua tratada, va- por e rejeitos industriais. “Deixamos Inox, em geral, eles mandam trocar tudo”, orgulha-se Helton. “Quando empresas de sucesso, como essas, começam a ver o funcionamento dos nossos reatores eles resolvem optar por todo o nosso sistema moderno, com placa de fluxo de transferência de um reator para duas, três ou mais linhas de envase”, lembra. Esse siste- ma moderno também já está em ope- ração nas fábricas de marcas como Skala, Kanechomm, Alfaparf, Far- max, Bonyplus e Biodomani. Além disso, o Grupo Motorque atende aos principais terceiristas do Brasil, como a Lange, Age Cosméticos, Naturelle, Rental Y, Athenas, DNA, Coferly, To- tal Performance, Super Nova, NK, Original e Essendy. “Meus clientes são todos os mesmos, só surgem novos, como a Salon Line, cuja nova fábrica roda com equipamen- tos da Motorque”, conclui Helton. A Motorque atende em todo o territó- rio nacional e oferece condições de paga- mento e financiamento facilitadas. Saiba mais em www.toppinox.com.br ou mande um whatss app para (34) 98899-6195. a linha 99% funcionando tanto no mercado nacional como no interna- cional. Fazemos toda a montagem dentro das normativas da ANVISA e seguindo todas as normas de se- gurança e meio ambiente preconi- zadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros e dos órgãos ambientais e de vigilância sanitária de todos os estados brasileiros. Parceiros que já fazem a validação em todas as linhas de montagem também. Entregamos a fábrica pronta para operar”, expli- ca o empresário. Todos os itens são fabricados na unidade industrial da Motorque em Minas Gerais, nada é terceirizado. “Fa- brico desde o tanque pulmão até as máquinas de envase com até 16 bicos; o sistema de resfriamento com água gelada (circulação de 1 a 0 grau), se- gundo as normas de meio ambiente e recirculação em circuito fechado (va- por e água gelada)”, diz o empresário. A limpeza é feita pelo sistema PIG, um circuito fechado de limpeza e de trata- mento que funciona por ar comprimi- do tratado e descomtaminado. Como os tanques e tubulações das Topp Inox são produzidas com montagem de sol- da submersa, não existe risco de conta- minação externa no processo. Helton explica que para uma empresa média, é possível montar uma linha de produção completa em 120 dias, e que como o proces- so é feito seguindo as normativas dos órgãos reguladores, geralmente as liberações acontecem ao mesmo tempo. Com base na sua experiên- cia o processo de autorização de funcionamento só demoram quan- do o projeto não é bem desenhado. O sucesso das soluções do Grupo Motorque pode ser encontrado em fábricas como as da fabricante de der- mocosméticos Bioage, que além de sua marca própria terceiriza dermo- cosméticos para marcas locais e inter- nacionais; da Cless, dona das marcas Charming, Salon Opus e Lightner; e na nova fábrica da Hinode, um dos maiores projetos realizados pela Motorque. “Quando nossos clientes que usam reatores de outras marcas recebem o primeiro reator da Topp LINHA COMPLETA: reatores de 30 litros até 20 mil litros, para atender diferentes necessidadese categorias de produtos. 35# 170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA ROSTO EM FOCO via de regra, logo após a pessoa se levantar), deixando a pele macia e hidratada graças à composição de Glicerina, Pantenol e Betaína. O item conta ainda com Vitamina E, que proporciona ação antioxidante. A Loção Hidratante Facial com Ácido Hialurônico (88 ml) conta com a exclusiva tecnologia Hyacare 50, possui partículas de ácido hialurônico com baixo peso molecular, capazes de penetrar nas camadas mais profundas da epiderme (quando comparado a produtos à base de ácido hialurônico com alto peso molecular). É indicado para todos os tipos de pele e promove hidratação imediata e prolongada por 24 horas. Já o Cetaphil Sun Antioxidante com FPS 60 (50 ml) com cor e sem cor, possui alta proteção contra raios UVA/UVB, luz visível e infravermelho (no caso da versão sem cor). Além disso, a Galderma diz que o uso do produto aumenta 37% o efeito antioxidante em apenas duas semanas, graças a vitamina C, vitamina E e o Complexo Celligent presentes na fórmula. Referência em hidratação e dona de um dos produtos mais vendidos do mundo na categoria, a marca Cetaphil, da Galderma, ampliou seu portfólio de cuidados faciais com o lançamento da sua nova linha Cetaphil Face, de soluções para limpeza, hidratação e fotoproteção para todos os tipos de pele. De acordo com a empresa, a nova linha oferece à rotina de skincare uma limpeza sem ressecar e sem agredir a pele, além de hidratação profunda, imediata e prolongada e fotoproteção 360º contra os raios UVA, UVB, infravermelho e luz visível. A linha Cetaphil Face é composta por quatro produtos. A Espuma de Limpeza Suave (236 ml), que segundo a Galderma remove 80% das partículas de poluição presentes na pele antes da limpeza feita no período basal (medida, Uma combinação de ativos consagrados na dermatologia é a base para o novo lançamento da La-Roche Posay. O Salicyli C10, é um sérum anti-idade renovador que combina 10% de Vitamina C Pura, Ácido Salicílico, Ácido Hialurônico e um complexo suavizante que possui Neurosensine, assim como Água Termal. De acordo com a empresa, a fórmula oferece maior eficácia dermatológica, com tolerância para peles sensíveis e adaptado para peles oleosas. O produto ajuda a reduzir rugas, uniformizar textura e tonalidade da pele, suavizar poros visíveis e melhorar a luminosidade e a radiância da pele. Para a marca, o Salicyli C10 apresenta resultados rápidos e visíveis. Segundo os estudos realizados pela L’Oréal, com 15 dias de uso, a pele fica com mais viço e luminosidade, a qualidade da pele oleosa melhora e após dois meses de uso os poros são visivelmente reduzidos. O produto é comercializado em farmácias e no e-commerce de La-Roche Posay. O preço sugerido é de R$ 229,00. ATIVOS CONSAGRADOS Express 36ATUALIDADE COSMÉTICA # 170 | MARÇO 2020 Express O laboratório mexicano Genomma (fabricante do Asepxia e do Cicatricure) lançou no Brasil a marca de cuidados com a pele Teatrical, com produtos que cuidam do rosto por preços bastante agressivos. Encontrados em farmácias, perfumarias e nas Lojas Americanas, os cremes hidratantes faciais lançados são destinados ao clareamento, hidratação e prevenção do envelhecimento. O Teatrical Creme Facial Hidratante melhora a elasticidade do rosto e tem preço sugerido de R$ 15. O Teatrical Creme Facial Clareador clareia marcas superficiais na pele, enquanto o Teatrical Creme Facial Antirrugas auxilia na redução de rugas e linhas de expressão. Ambos são comercializados pelo preço sugerido de R$ 19. Para a Genomma, a linha Teatrical tem como grande diferencial a utilização inovadora das células tronco da Flor Buddleja davidii, que promove a proteção do sistema natural, prevenção do envelhecimento e a redução de reações inflamatórias. TEATRAL E ACESSÍVEL A QUINTAL Dermocosméticos, marca da Feitobrasil, amplia a sua linha Rochás com o lançamento do Sabonete em Rocha Purificante. Segundo a empresa, trata-se de um novo conceito de limpeza para a pele em formato sólido. Um quarto da formulação do produto é composta de argila branca, ingrediente que remove o excesso de oleosidade. Além disso, a fórmula é enriquecida com Trehalose, ativo antidesidratante que forma uma barreira protetora na pele; Vitamina P, polifenóis do brócolis e aloe vera que purifica, acalma e previne os danos causados pelo estresse oxidativo das células; além de ativos prebióticos que estimulam a primeira barreira de defesa, equilibrando a microbiota e mantendo a pele saudável. A formulação do produto é 99% natural. O lançamento está sendo feito com exclusividade no site da QUINTAL, mas deve chegar aos outros canais de venda da marca nos próximos meses. SABONETE EM ROCHA A empresa de venda direta Mary Kay lança quatro sombras líquidas em edição limitada. As sombras Light Beam, Pink Starlight, Meteor Shower e Purple Nova apresentam tons metálicos e com muito brilho. A empresa diz que as sombras oferecem acabamento leve, uniforme e cores pigmentadas e é perfeita para construir looks de forma super rápida. Para oferecer uma cobertura ideal, a fórmula cremosa é combinada à precisão e praticidade do aplicador. Assim como as sombras Chromafusion, as novas sombras líquidas também proporcionam alta pigmentação e funcionalidade, porém apresentam a praticidade do acabamento líquido, ressaltando a cor, brilho e a intensidade desejada a cada pincelada. METÁLICOS E LIMITADOS 37# 170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA SABONETE EM ROCHA A marca S.O.S Bomba amplia o seu portfólio com o lançamento de shampoo, condicionador e máscara na franquia Antiqueda. Os itens se somam ao tônico fortalecedor antiqueda, já existente. A linha foi formulada com ativos como creatina, queratina e biotina, que, segundo a empresa, eliminam as pontas duplas, hidratam profundamente, deixam os fios mais fortes e garantem, comprovadamente, três vezes menos queda. Os produtos da linha S.O.S Bomba Antiqueda são indicados para cabelos fragilizados e danificados que precisam de hidratação, restauração e fortalecimento nos fios. A linha está disponível em farmácias e perfumarias, além do e-commerce Salon Line (lojadasalonline.com.br) BOMBA CONTRA A QUEDA A L’Occitane au Brésil entra no segmento de produtos infantis com o lançamento da linha Bagunça. Pensada para crianças com idade entre três e oito anos, os produtos tem fórmulas 90% naturais e ingrediente como a manteiga de Bacuri. A empresa diz que a linha de oito produtos foi criada com a participação de pais e filhos. O Shampoo Cabelo & Corpo (250ml, R$ 45), faz espuma colorida; o Condicionador (250ml, R$ 43), hidrata e desembaraça os fios, ajudando a tirar os nós; o Sabonete Geleca (250ml, R$ 39) tem formato único e gera uma espuma cremosa, limpando suavemente a pele e deixando-a com um toque macio. O Sabonete em barra (75g, R$ 14) tem formato divertido e colorido e está disponível em verde e vermelho. Além disso, a linha Bagunça conta com Spray de pentear (120ml, R$ 43), Água de Colônia sem Álcool (100ml, R$ 69) e o Refil do Shampoo Espuma Cabelo & Corpo. A designer catarinense Renata Moura é a responsável pela identidade visual da linha, que traz os momentos de brincadeiras para as cores e ilustrações das embalagens. Todos os produtos já estão disponíveis nas lojas físicas e virtual da L’Occitane au Brésil. BAGUNÇA NO BANHO BARRA COM ATIVOS BRASILEIROS A empresa de venda direta norte-americana Jeunesse, amplia a linha Spa Botanicals com o lançamento de dois sabonetes em barra corporais. Formulados com ativos da biodiversidade brasileira, a Body Scrubbing Bar é uma barra esfoliante indicada para remover as células mortas da pele e traz partículas naturais de semente de maracujá que limpam sem agredir a pele, ajudando a desobstruir os poros e mantendo a pele uniforme e saudável. O produto tem indicação de uso de uma vez por semana.Já a Body Nourishing Bar é uma barra hidratante ideal para limpeza e cuidado da pele. Desenvolvida exclusivamente para o Brasil, a linha Jeunesse Spa Botanicals tem suas formulações baseadas em dois ingredientes principais: a argila vermelha do Cerrado brasileiro, rica em minerais, e óleo de semente de Pracaxi, extraído de forma ética e responsável da Amazônia. O kit com os dois produtos (150 gr. cada barra), tem preço de venda sugerido de R$ 50,99. 38ATUALIDADE COSMÉTICA #170 | MARÇO 2020 MERCADO TENDÊNCIAS A CRISE DA COVID-19 COLOCOU DE CABEÇA PARA BAIXO TODAS AS PRE- VISÕES SOBRE EXPECTATIVAS DE RESULTADOS PARA ESTE ANO. MAS, EMBO- RA MUDANÇAS DE HÁBITOS E COMPORTAMENTO SEJAM CERTAS (MESMO QUE NINGUÉM TENHA MUITA CERTEZA DA DIREÇÃO E DA PROFUNDIDADE DESSAS MUDANÇAS), A MAIOR PARTE DAS TENDÊNCIAS APONTADAS POR ESPECIALISTAS CONSULTADOS POR ATUALIDADE COSMÉTICA ANTES DA CRISE, SEGUEM VÁLIDAS. ALGUMAS FORAM ATÉ REFORÇADAS >>> AUANI CUSMA DE PAULA O que fica de antes da Pandemia? 39 #170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA empresas de inteligência de mercado sobre as tendências de 2020. Atenderam ao cha- mado da redação (e responderam antes de a pandemia ter alcançado o status atu- al), Rodrigo Kurata, diretor de Consumer Health da Iqvia; Fernanda Pigato, diretora da BEAUTYSTREAMS; Cesar Tsukuda, diretor da Beauty Fair; Amanda Nogueira, analista sênior de Beleza e Higiene Pessoal; Elton Morimitsu, analista sênior da Euro- monitor, Jan Riehle, CEO da B4AII e Daniel Morimoto, da Segmenta. Veja o que eles pontuam para as tendências do mercado dentro da área de expertise de cada um. NÚMEROS E PERSPECTIVAS Frente às suas expectativas e previsões no início do ano passado, como você avalia os resultados de 2019? Rodrigo Kurata: 2019 superou expecta- tivas e apresentou um excelente resulta- do para o segmento de higiene e beleza no canal farma, com aceleração de cres- cimento das principais categorias, como cabelos, solar, desodorantes, skin care, proteção feminina e outras. O mercado fechou com 1,3 bilhão de unidades e R$ 19,8 bilhões, crescimento de 8,2% e 11,3% respectivamente versus mesmo período do ano anterior. Esta evolução acima da média do mercado no último ano ocor- reu devido a retomada de consumo de várias categorias que apresentaram de- saceleração desde o período pós-crise econômica, impactando positivamente segmentos de maior valor agregado como os dermocosméticos, que cresce- ram 15,0% em valor, além do excelente desempenho dos produtos massivos em HPPC e produtos infantis. As oportuni- dades ainda estão em Men Care e Nutri- cosméticos, que performaram abaixo da média, com crescimentos de 4,1% e 0,7% em valor, respectivamente. Daniel Morimoto: O mercado de perfumaria e cosméticos importados fechou 2018 com um crescimento de 11.5%. Em 2019, o mercado teve um resultado ainda mais acelerado, com 21.5% de crescimento em valores, supe- rando nossas expectativas. O desempenho acelerado deste mercado nestes últimos dois anos, com um cresci- mento consideravelmente superior a ou- tras categorias de consumo é um reflexo do aumento da distribuição destas mar- cas a partir da abertura de novas portas, como Renner, Riachuelo, Beautybox e Se- phora e da expansão do e-commerce, o que aproximou o consumidor deste tipo de produto, além da entrada de novas marcas no mercado nacional. Outro fator importante é a valorização do dólar frente ao real. Os preços no mer- cado local não refletiram a desvalorização por completo e isso tem estimulado o con- sumo, já que estes estão pareáveis ao Duty Free e ao exterior, porém com facilidades como parcelamento e assistência local. O e-commerce ainda representa muito pouco do mercado de beleza no Brasil. Proporcionalmente, bem menos do que a participação das vendas digitais nas vendas do comércio como um todo. Para este ano, você tem uma estimativa para a participação das vendas realizadas no ambiente digital no share das vendas de beleza? E você acredita que nos próxi- mos dois ou três anos, essa participação alcance os dois dígitos? Amanda Nogueira: Conforme ilustra- do pelo Relatório Mintel Compras Online – Brasil – Dezembro 2019, 49% dos entre- vistados que haviam feito alguma compra online nos 12 meses anteriores à pesquisa, fizeram compras de produtos de beleza e cuidados pessoas online. Para os próxi- mos anos, é esperado que a frequência de brasileiros que compram produtos online aumente. Com um estilo de vida cada vez mais atribulado, os consumidores passa- ram a optar pela compra de produtos em um ambiente totalmente digital, que lhes proporcione conforto e praticidade. Con- forme Tendência da Mintel Straight to You, os consumidores esperam não só produ- tos, mas também serviços nesses moldes, que cheguem até eles, onde quer que eles estejam. As redes sociais ainda constituem um dos canais de venda pouco explora- dos no Brasil, mas que podem representar uma interessante oportunidade de cresci- mento para marcas que já apostem nesse canal. De acordo com o Relatório Mintel Influenciadores de Beleza – Brasil – Janei- ro 2020, 44% dos indivíduos que seguem influenciadores de beleza nas redes sociais declararam ter comprado produtos de be- leza recomendados por um influenciador, e dentre esses consumidores, 35% afirma- ram ter comprado esses produtos através N são se pode dizer que o mercado estava pronto para lidar com algo desta na- tureza. Quando as autoridades chinesas, em dezembro do último ano, comunicaram ao mundo sobre o surto de um novo tipo de coronavírus, a maior parte das pessoas não deu muita atenção ao tema, talvez tendo em vista alguns surtos anteriores – como os da SARS e da H1N1, que apesar do número de óbitos elevados, tiveram impacto econômico limitado e, em grande medido, circun- dado a algumas regiões, em especial na Ásia, com restrições sanitárias, regulató- rias e de viagens pontuais. Agora foi diferente. Enquanto a China conseguiu conter o avanço da doença em seu território com medidas drásticas, pa- íses ocidentais, em especial a Europa e os Estados Unidos demoraram a se dar conta da gravidade da doença, muito provavel- mente tendo o histórico das crises anterio- res. De forma abrupta e avassaladora, o co- ronavírus colocou metade do mundo em quarentena, levando nações desenvolvidas à lona e interrompendo os negócios entre os países e dentro deles levando o mundo a uma situação de paralisia global como não se via desde a crise de 1929, decorrente da quebra da bolsa de Nova York. Para além dos custos em vida (que já supera as centenas de milhares), os impac- tos econômicos e nos hábitos e atitudes de comportamento e consumo das pessoas será grande, embora neste momento, nin- guém tem como dizer com alguma certeza como os consumidores vão se portar a par- tir do momento em que as regras de distan- ciamento social comecem a ser abrandadas e as atividades do comércio forem reabrin- do. É certo que ainda sofreremos e apren- deremos muito com os reflexos da pande- mia. Mas, também é fato de que algumas tendências que já vinham se desenhando em relação ao mercado de beleza, não de- vem sofrer mudanças significativas, caso do avanço dos cosméticos naturais ou do avanço da indústria sobre o modelo direct to consumer. Algumas dessas tendências serão, inclusive, potencializadas. Por isso, Atualidade Cosmética resolveu comparti- lhar a opinião de especialistas de diferentes 40ATUALIDADE COSMÉTICA #170 | MARÇO 2020 MERCADO TENDÊNCIAS das redes sociais, mas tudo indica que esse número pode crescer no futuro. Outro ca- nal de venda que promete crescer é o de compra por aplicativos. Cesar Tsukuda: De fato, o desempenho de vendas em e-commerce no Brasil ain- da é muito tímido. Discutimos este tópico recentemente, no evento Beauty Fair Pós- -NRF. Aqui, este canal representa apenas 5% das vendas do varejo, comparado a 30% do varejo chinês, 18% do varejo in- glês e 12% dovarejo norte-americano. Os empresários do varejo de beleza precisam estar atentos a estas oportunidades e, no- vamente, promover serviços e produtos personalizados de acordo com os hábitos de consumo de cada cliente. Hoje, a expe- riência de compra no online passa pela loja física, assim como a experiência de compra na loja física passa pelo e-commerce. Daniel Segmneta: No mercado que medimos, o e-commerce alcança qua- se 20% das vendas totais e vem sendo um dos motores do crescimento das categorias, por levar os produtos até consumidores que ainda não tem uma loja física de produtos importados por perto. Além disso, nos últimos anos houve um aumento da competi- tividade no canal entre Sephora, Épo- ca (com respaldo da Magazine Luiza) e Beleza na Web (agora parte do Gru- po O Boticário), fazendo com que a dinâmica promocional seja cada vez mais agressiva. Rodrigo: Para o canal farma, a estima- tiva é de que o eCommerce para beleza represente na média de 2-3% do total das vendas. O segmento de beleza é um dos focos para vendas online e deve apresen- tar evolução nos próximos anos. Esta ini- ciativa deve vir tanto dos varejistas, que jé estão se estruturando para desenvolver este canal quanto dos fabricantes que têm estratégias multicanais cujo foco é desen- volver as vendas em eCommerce. Jan Riehle: Acreditamos que o share onli- ne vai continuar crescendo ano por ano. Não acreditamos que vai alcançar 2 dígi- tos até 2023. CATEGORIAS E MERCADO A categoria de cuidados com a pele voltou a crescer fortemente em todo o mundo. Aqui no Brasil, essa ainda é uma categoria com pouca penetração e, proporcionalmente – diferentemente do que acontece em outros mercados –, muito menos relevante na comparação com as de cabelo ou perfumaria. Em 2020 devemos ver um novo esforço das indústrias para turbinar essa categoria? Em caso positivo, quais os drivers que devem, ou podem, nortear o crescimen- to sustentado da categoria no Brasil? Além disso, qual o papel que o varejo multimarcas (perfumarias, farmácias, supermercados...) precisa exercer (se é que precisa), para que essa categoria fi- nalmente conquiste um bom espaço na rotina de beleza das brasileiras? Cesar: Observamos uma grande mu- dança no comportamento do consu- midor. Antes, o foco era a maquiagem. Hoje, este não deixou de existir, mas as pessoas entendem mais e melhor sobre a importância do cuidado com a pele, que é a base de tudo, inclusive para uma make perfeita. Os cuidados com o sol e, consequentemente, à saúde é um dos pontos básicos de skincare e que as pessoas levam, cada vez mais, a sério. Neste sentido, há um grande potencial para esta categoria e apon- tamos algumas inovações no Beauty Fair Trends, o primeiro estudo dedi- cado a revelar tendências para o mer- cado de beleza brasileiro. Produtos de cuidados com a pele aparecem nas categorias de probióticos, ou seja, que contêm bactérias “amigas” para trata- mento da pele e promoção de saúde e bem-estar; Next Gen Glow de produ- tos que promovem o brilho natural de maneira holística, cuidando da pele de dentro para fora, e Beauty’licious que utilizam dos benefícios dos alimentos para tratamentos diários e hidratação. Temos que lembrar, também, que os consumidores estão envelhecendo e querem fazer isso da melhor forma, portanto, produtos que promovem uma longevidade saudável também estão em alta. É necessário que o va- rejo entenda esta transformação em termos de fórmulas de produtos, pro- postas e benefícios para oferecê-los com qualidade aos consumidores. Vale ressaltar que não apenas as mulheres se dedicam a uma rotina de beleza da pele; o mercado para consumidores homens está se fortalecendo ano após ano com soluções para pele, cabelos e barba. O ponto de venda precisa estar pronto para oferecer a melhor cura- doria e experiência para os consumi- dores conhecerem estes produtos, sua aplicabilidade e indicações. Diferente de comprar um batom que você esco- lhe cor ou textura, o skincare requer mais informações, por exemplo, qual é o produto ideial para sua pele?, como aplicá-lo? quando? ...municiados des- tes conteúdos, o consumidor ficará mais confortável para sua escolha de compra. CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO DA AMAZON: mesmo antes da pandemia, expectativa já era pelo crescimento do e-commerce nas vendas de produtos de beleza no Brasil. 41 #170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA Rodrigo: As categorias de skin care para HPPC massivo são a 6ª e 7ª mais impor- tantes do canal farma em valor, respecti- vamente, apresentando forte crescimen- to no último ano (+33,3% e +14,5%). Se mantido o mesmo crescimento de 2019, a categoria de Face Care já ultrapassaria Proteção Solar massivo em 2020, mas ain- da assim atrás de cabelos, desodorantes, higiene oral e proteção feminina. Já em dermocosméticos, o cenário é diferen- te, com Body Care na segunda posição e Face Care na terceira, atrás apenas de Pro- teção Solar. Para ambos os segmentos, a indústria vem investindo fortemente em inovação e comunicação, ofertando cons- tantemente novos benefícios de produto. O grande desafio é a geração da experi- mentação das diversas subcategorias de cuidados faciais e corpo (desde limpeza até produtos com perfil de tratamento), além do aumento da frequência de com- pras via uso diário de determinados seg- mentos, como acontece nos últimos anos com a categoria de proteção solar facial dermo, que foi em grande parte estimula- do via recomendação do dermatologista. Daniel: O cuidado com a pele (Skin Care) sempre foi atrelado à saúde e às recomendações médicas pelos brasilei- ros. Porém, com o boom da categoria a nível mundial, o consumidor na- cional também abraça à tendência da rotina de cuidados. A categoria repre- sentou somente 10% do total medido pela Segmenta, porém, tem os maiores crescimentos tanto em valor como uni- dade em 2019, muito motivados por novas marcas que oferecem produtos alinhados com as principais tendên- cias – máscaras faciais, acessórios de limpeza, produtos híbridos (maquia- gem com benefícios para a pele) e/ou com formulação limpa. Estratégias di- gitais com materiais didáticos – tanto para uso, benefícios e fórmulas – as- sim como associação com especialistas digitais da área também foram pontos em comum entre as marcas que impul- sionaram o crescimento. Amanda: De acordo com o Relatório Mintel Cuidados com a Pele – Brasil – Se- tembro 2019, o produto que teve maior declaração de uso por 57% dos consumi- dores foi hidratante corporal, seguido por 37% dos consumidores que afirmaram usar protetor solar, e na terceira colocação, com 35%, hidratante facial. Além da con- tínua educação e conscientização quanto à importância em incluir os produtos de cuidados da pele na rotina, os varejistas podem também implementar ações com especialistas que ajudem os consumido- res na escolha do produto ideal para seu tipo de pele. De acordo com a Tendência Mintel Return to the Experts, o aconse- lhamento humano passa a ser valoriza- do pelos consumidores. Ainda que seja importante adotar ações digitais que me- lhorem aspectos operacionais da compra (disposição de produtos, pagamento), os consumidores ainda desejam o contato com especialistas humanos. As marcas profissionais internacionais começaram a chegar ao varejo especia- lizado de forma oficial. Esse é um mo- vimento sem volta? Você consegue es- timar o quanto esse negócio pode con- tribuir para o crescimento da indústria e do varejo especializado? É possível estimar o potencial de share de mercado (considerando valor) das marcas profis- sionais dentro da categoria de cabelos no varejo especializado em beleza? Cesar: Sim, este é um movimento sem volta, porém benéfico, pois promove uma competição saudável e oportuni- dades de melhoria para as marcas bra- sileiras, que estão cada vez mais equi- libradas em termos de qualidade dos produtos e, muitas vezes, têm a van- tagem de conseguirem atender melhor às necessidadesdas brasileiras e em uma velocidade muito mais ágil. Em linhas gerais, antes, o acesso a estas marcas dependia muito de uma via- gem internacional; hoje, temos como adquiri-las aqui e sim, isso é bem posi- tivo, pois nos faz conhecer mais e me- lhor as ofertas de mercado. Elton: O movimento das marcas profis- sionais de cabelos no varejo especializado e também no e-commerce vem crescendo nos últimos anos. Essa foi uma estratégia para que esses produtos alcancem um público cada vez maior. Acredito que a tendência de democratização desses pro- dutos em mais canais não mude nos pró- ximos anos. Esse modelo já é utilizado em outros países, com varejistas como a Ulta, nos EUA, vendendo também marcas con- sideradas profissionais em suas lojas. Consumidores vem buscando op- ções diversas e a oferta desses produ- tos a um público maior fornece opções de maior valor agregado que antes eram mais restritos. Na planilha anexa você encontra os dados de tamanho de mercado da categoria ‘Salon Professio- nal Hair Care’ e também dados de sha- re das 5 principais marcas no Brasil. O modelo de vendas DTC, tem avança- do e é tratado hoje, globalmente e por todos diferentes segmentos da indús- tria, como um modelo de negócios cada vez mais relevante do ponto de vista dos resultados, e não apenas como um pon- to de experiência e exposição da marca. Trazendo para a realidade específica do Brasil, podemos esperar um avanço rá- pido de lojas e canais de venda próprios da indústria de beleza para o consumi- dor? E você acredita que o varejo saberá lidar bem com essa situação? Cesar Sim, e este é outro movimento sem volta, mas a cooperação entre in- dústria e varejo pode ser um formato na busca por atender os anseios do consumidor. O modelo DTC envolve muitos custos e know how que nem toda a indústria está preparada. Creio que aqui a discussão não seja canal, mas qual a melhor forma de atender o consumidor. Daniel: No nosso caso, já medimos alguns DTC de marcas de beleza que apostaram por este caminho no Bra- sil, como é o caso da MAC, Clinique e Jo Malone. No Brasil, acreditamos que esta evolução seja mais lenta como ponto de venda físico, pelo alto custo e barreiras para expansão. Vi- mos isto acontecer nos últimos anos com o fechamento da loja da Dior e das lojas da Benefit. No online, ou- tras marcas vêm apostando em sites próprios, porém ainda com baixa re- presentatividade nas vendas totais e, como o online multimarca vem se for- talecendo, terão que encontrar pon- tos de diferenciação relevantes para atrair o consumidor. Em termos de ingredientes “heróis” em produtos para a pele, você tem alguma(s) aposta(s) sobre qual(is) po- 42ATUALIDADE COSMÉTICA #170 | MARÇO 2020 MERCADO TENDÊNCIAS dem ganhar espaço no mercado neste e no próximo ano? Fernanda: Os consumidores estão se tornando cada vez mais informados sobre ingredientes e cuidados com a pele. Eles entendem a diferença entre ‘boas bactérias’ e ‘bactérias ruins’ e a importância do micro bioma, os tri- lhões de microrganismos que vivem na pele e no corpo e que são essen- ciais para se manter saudável. Os pro bióticos são utilizados há muito tem- po para manter a saúde intestinal e serão cada vez mais incorporados aos cuidados com a pele, à medida que as marcas projetam melhores variedades de pro bióticos em suas ofertas de cuidados com a pele. Também a epi- genética, ou seja, a ciência que conec- ta o estilo de vida e seu impacto no envelhecimento, se tornará cada vez mais uma palavra de efeito, à medida que entendermos melhor como práti- cas positivas de estilo de vida podem afetar a saúde da pele. Finalmente, menos ingredientes - e, em particular, os ingredientes que são mantidos fora das formulações - serão tão importan- tes quanto os próprios ingredientes. Aplicativos como o Think Dirty per- mitem que os usuários leiam códigos de barras de produtos e os instruam sobre possíveis toxinas a serem evita- das. Atualmente, a transparência é a tendência mais importante no cuida- do da pele, à medida que os consumi- dores gravitam em direção a produtos isentos de uma lista crescente de in- gredientes tóxicos. Amanda: De acordo com o levanta- mento conduzido para o Relatório Mintel Cuidados com a Pele – Brasil – Setembro 2019, 60% dos consumido- res brasileiros relataram interesse em produtos para os cuidados da pele formulados com vitaminas, enquanto 46% declararam que teriam interesse em produtos formulados com ingre- dientes que os ajudem a relaxar ou dormir (ex. camomila, melissa). Pro- dutos de beleza e cuidados pessoais que promovam um bem-estar emo- cional aos consumidores ganharão espaço na demanda dos clientes. Para isso, os cosméticos poderão contar não somente com fragrâncias e tex- turas relaxantes, como também com ingredientes que ajudem a diminuir o estresse do dia a dia. Cosméticos naturais e orgânicos (não estou considerando os ‘veganos’ aqui) permanecem na crista da onda? Em quais categorias de produto esse seg- mento deve ter mais destaque este ano? E poderemos ver mais espaço em vare- jistas tradicionais dos canais farma e especializado dedicando espaços espe- cíficos para esses produtos? Fernanda: Os cosméticos naturais e orgânicos continuam a evoluir de um nicho para o posicionamento con- vencional em todas as categorias de beleza. Os Millennials, em particular, acreditam que os produtos que usam na pele e no cabelo afetam sua saú- de e estão cada vez mais buscando produtos “limpos”, desprovidos de produtos químicos sintéticos, como parabenos, silicones e sulfatos. Os principais canais de varejo estão, por sua vez, expandindo seus sortimen- tos de beleza natural para atender à crescente demanda por ingredientes bons para você. Os varejistas tam- bém estão desenvolvendo seus pró- prios padrões específicos de beleza e cuidados com o corpo, selos e cer- tificações que definem ‘limpo’ e os melhores produtos da categoria. As multinacionais estão reformulando seus produtos de acordo com as ten- dências de beleza limpas e desenvol- vendo formulações claras, rotulagem fácil de entender e produtos mais agradáveis à pele e ao planeta. AÇÃO DA WELLA EM LOJA DA BEL COSMÉTICOS, NA BAHIA: marcas profissionais migram para o varejo especializado em beleza. 43 #170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA Elton: Sim. Os consumidores vem cada vez mais buscando alternati- vas dentro do mercado de beleza que possuam formulações mais naturais e orgânicas. Dados do nosso survey realizado na indústria de beleza indi- cam que cerca de 16% dos consumi- dores buscam essas formulações na categoria de cuidados com a pele e cuidados com os cabelos. O percentu- al pode ser baixo, mas a perspectiva é de que esse número continue crescen- do nos próximos anos. O mais inte- ressante é que o uso de ingredientes naturais e orgânicos é visto como um fator de diferenciação por parte dos consumidores. Cerca de 20% dos con- sumidores estão dispostos a pagar a mais por produtos que contenham essas formulações. Portanto, vemos que existe sim um segmento que tem potencial para ser explorado. Recen- temente temos visto cada vez mais marcas abordando essa característica em seus produtos. A entrada de mar- cas como Aveda no país e a linha Ve- gan by Needs são bons exemplos que segam esse tendência. Em relação aos canais, existe, sim, o potencial desses produtos se- rem cada vez mais disponibilizados em diversos pontos de venda. Como mencionado acima, a linha Vegan by Needs é um bom exemplo de como o canal farma pode explorar esse seg- mento. Por serem produtos ainda mais nichados, pode ser que varejis- tas optem por dedicar um espaço na gondola para esses produtos. No en- tanto, com a popularização dos itens e o aumento de consumidores bus- cando essas características, a tendên- cia é que esse espaço dedicado deixe de existir no futuro, uma vez que o uso de produtos naturais/orgânicos passe a ser mais uma característicastandard nas formulações. Rodrigo: Os cosméticos naturais têm apelo cada vez mais forte no mercado e deve se desenvolver nos próximos anos. Falando de canal farma, ainda é um segmento pouco explorado e com oportunidades de mix e comunicação junto ao consumidor. Atualmente já vimos iniciativas de alguns varejis- tas de desenvolver a gôndola fito/ naturais/orgânicos, mas ainda está em fase de testes e ainda com muitos desafios quanto ao entendimento de como entregar uma boa navegação e sortimento deste segmento ao consu- midor que já busca este tipo de pro- duto no canal farma. Neste contexto, a indústria exerce um papel funda- mental na definição da estratégia para o desenvolvimento e execução deste segmento no varejo farma. Daniel: Apesar da imprecisão sobre os termos – que não tem definição oficial pela ANVISA no Brasil – pro- dutos naturais e orgânicos seguem constantemente aparecendo nas listas de tendências e também entre os lan- çamentos das marcas – tanto nacio- nais como importadas. Em pesquisa realizada pela Segmenta em parceria com a Toluna em 2019, dentre os con- sumidores que pesquisam antes de comprar um produto de cosméticos, 61.1% buscam se o produto tem for- mulação natural enquanto 30.5% pes- 44ATUALIDADE COSMÉTICA #170 | MARÇO 2020 MERCADO TENDÊNCIAS quisam se é orgânica. Marcas como Christian Dior e Guerlain apostaram nesta tendência e lançaram produtos de luxo para skin care e maquiagem, respectivamen- te, com fórmulas naturais. A novata Biossance entrou no mercado brasi- leiro em 2018 e tem toda sua comu- nicação focada em cosmética limpa e sustentável para tratamento da pele. Esta mesma tendência pode ser vista por marcas nacionais como Sall- ve, Be Organic, Baims, Terral Cosme- ticos, entre outras. Amanda: Conforme Relatório Mintel Hábitos do Consumidor de Produtos de Beleza – Brasil – Outubro 2019, para 31% dos brasileiros, produtos com ingredientes naturais/orgânicos são mais eficazes do que os produtos que utilizam ingredientes químicos, sendo que dentre esses consumido- res, 24% têm interesse em produtos de beleza asiáticos (por exemplo, fa- bricados na Coréia do Sul, Japão). Marcas que se inspirem em produtos asiáticos têm, portanto, oportuni- dades para atrair alguns brasileiros que tenham interesse em produtos naturais. De acordo com o Relatório Mintel Cuidados com o Cabelo – Bra- sil – Abril 2020, 43% dos brasileiros afirmaram interesse em produtos ca- pilares formulados com ingredientes naturais nativos brasileiros, o que reforça que as marcas podem apostar em ativos regionais para oferecerem produtos capilares que contenham ingredientes orgânicos/naturais. Em outros países varejistas tradicionais dos canais farma já disponibilizam sessões para a compra de produtos naturais e orgânicos, como é o caso da CVS, rede farmacêutica americana que além de oferecer produtos natu- rais e orgânicos, também possui linha cosmética de marca própria com pro- dutos formulados sem ingredientes químicos controversos (como parabe- nos, ftalatos, dentre outros). No Bra- sil, em outubro de 2019, as farmácias Droga Raia e Drogasil lançaram sua primeira linha de cosméticos vega- nos, a linha Vegan by Needs, que con- ta com produtos para cuidados capi- lares, da pele e de banho. Com isso, é possível que pelos próximos anos, o movimento de marcas naturais e or- gânicas seja ainda mais acentuado do que é atualmente. TENDÊNCIAS E DIGITALIZAÇÃO Por onde as indie brands brasileiras de beleza podem encontrar espaço para aparecer e crescer em 2020? Você pode dizer quais os drivers que podem pu- xar o crescimento desse segmento neste ano? Você acredita que essas marcas po- dem vencer no varejo multimarcas, ou elas devem apostar num modelo DTC têm melhores condições de crescer o ne- gócio de forma sustentada? Fernanda Pigato: A era digital democra- tizou a beleza, permitindo que as marcas iniciantes se lançassem on-line, alcancem consumidores em escala global e sucesso em tempo recorde. Da mesma forma, os consumidores podem acessar as tendên- cias de beleza com o clique de um botão e comparar produtos, looks e dicas de moda, além de preços. Hoje, não existem ‘regras’ quando se trata de distribuição de beleza. Esta é uma partida dos dias em que era es- sencial entrar em determinadas lojas espe- cializadas e de varejo multimarcas. Hoje, as marcas independentes são construídas em suas plataformas de mídia social e adotam uma abordagem multifacetada. No Brasil, como em outras partes do mundo, as mar- cas independentes estão diversificando sua distribuição e mantendo uma agilida- de que lhes confere uma vantagem com- petitiva, pois lhes permite adaptar suas es- tratégias com agilidade. A microssegmen- tação (com foco em perfis específicos de consumidores) é muito importante, assim como a diversificação na distribuição, a fim de garantir um crescimento sustentável. Rodrigo: As marcas independentes têm seu conceito próprio e público específico e naturalmente podem co- meçar a aparecer no varejo de forma- to mais tradicional. Porém, existem grandes desafios de escalar e se ade- quar/estruturar para jogar o jogo do varejo, como capacidade de entrega, disposição para atuar com menores margens, necessidade de investimen- tos promocionais e trade, etc.. O mo- delo DTC é teoricamente um modelo mais “controlado” e com possibilida- des de ativação de marca mais dire- cionada e próxima do consumidor. É uma escolha estratégica que a marca deve fazer neste ano, pois é um in- vestimento considerável de recursos humanos e verba. Daniel: De todas as maneiras, para as indie brands apostar no canal on- line para a divulgação da marca é um caminho importante. Temos como exemplo a Sallve, marca de cosméti- cos nacional online, que lançou seus primeiros produtos em 2019 com base em uma pesquisa personalizada no qual obtiveram mais de dez mil res- postas em que buscavam saber quais as principais demandas do consumi- dor brasileiro. Com três produtos em seu portfolio, também possuem a seu favor a divulgação por parte de uma das principais blogueiras e digital in- fluencer de beleza no Brasil, a Julia Petit, fazendo com que o awareness da marca crescesse muito rápido. Após o lançamento da marca, tive- ram algumas discussões em relação à transparência dos ingredientes de seus produtos, porém continuam com esse posicionamento de proximidade com o público através de conversas diretas com seus clientes por meio das redes sociais, o que beneficia a marca na rápida resposta as necessi- dades do consumidor. O apoio de grandes porta-vozes, como digital influencers de beleza faz com que novas marcas cresçam mais rápido. Em nosso painel, temos exem- plos de marcas já consolidadas que criaram linhas junto a blogueiras e tiveram ótimos resultados. Um deles é a Tracta que começou com uma par- ceria com a Bruna Tavares e o exce- lente desempenho fez com que Bruna Tavares se tornasse uma nova marca em menos de um ano. Além disso, a Tracta criou uma nova companhia, a TBMake, somente de marcas desen- volvidas a partir de parcerias com as blogueiras: Mari Maria Makeup, Bruna Tavares, Chata de Galochas e Pausa para Feminices. Outro exem- plo bastante notório de 2019 é o lan- çamento da Payot com a Boca Rosa. Com apenas 6 meses de vendas em nosso painel já chegou a pesar 88% 45 #170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA das vendas da marca e contribuiu em R$ 13 milhões ao crescimento do mercado de maquiagem no primeiro semestre do ano passado. É claro que a capilaridade já exis- tente destas marcas apoia na rápida distribuição dos produtos nos pon- tos físicos, mas é inegável notar que a influencia do online no crescimento dessas novas linhas. No entanto, este não é o único caminho. Um exemplo de sucesso é a Simple Organic, marca que foi lançada em 2017 e desde seu inicio se posiciona como uma marca 100% orgânica e vegana. A marca não contou com o nome direto de nenhuminfluenciador digital, no entanto, a fundadora Patricia Lima, afirmou que a marca não seria o que ela é hoje sem as redes sociais. Segundo ela, eles geram conteúdo diário para poder explicar o impacto ambiental de sua marca, bem como o funcionamento da cadeia produtiva e ingredientes. Este posicionamento gera engajamento e maior conhecimento da sua marca, que já conta com quase 20 pontos fí- sicos e atualmente faz expansão física por meio de franquias. Com iniciativas como a Collor&Co., da L’Oréal, a possibilidade de personali- zação de produtos cosméticos a partir de uma recomendação/diagnóstico in- dividual dá mostra que de que come- ça a entrar em um jogo de escala que pode permitir a esses produtos abo- canhar fatias relevantes do mercado. Você acredita que em mais dois ou três anos, boa parte das grandes empresas globais terão ao menos uma marca (ou comprarão uma) que tenha como mo- delo de negócios a recomendação e a produção personalizada de produtos? E, pensando na realidade brasileira (do ponto de vista regulatório e opera- cional), isso é algo com potencial para atingir o mercado brasileiro nesse pe- ríodo de dois ou três anos, ou teremos que esperar mais tempo até que isso seja uma realidade por aqui? Fernanda: Personalização em beleza está aqui para ficar. Do Teint Particu- lier da Lancôme, base personalizada que calibra a correspondência exata de cor e textura para consumidores individuais e com 72 mil possibili- dades surpreendentes, até o Perso da L’Oréal lançado na CES (Consu- mer Electronics Show) no início des- te ano, que é como um dispositivo três em um capaz de criar fórmulas personalizadas para batom e base, as multinacionais estão comprometidas com o desenvolvimento de tecnolo- gia de beleza personalizada. A mais nova onda de produtos leva em con- sideração as condições ambientais locais e o tom e a condição da pele exclusivos dos consumidores, in- cluindo pigmentação, brilho e enve- lhecimento. Como o país mais etni- camente diversificado do mundo, há uma enorme demanda no Brasil por beleza micro gerenciada. Daniel: Já vemos um movimento das marcas neste sentido lançando pro- dutos para personalização, principal- mente na categoria de skincare, como é o caso da Clinique ID ou da Dior Cap- ture Youth. Algumas estão indo além, utilizando alta tecnologia na persona- lização, como é o caso da maquina de skincare do Grupo Shiseido (Optune) e da L’Oreal (Perso). Em maquiagem, vemos um movimento direcionado a personalização para entregar tons para cada pele com maior precisão, com ações pontuais das marcas para oferecer este tipo de experiência. No Brasil, temos barreiras regulatórias que podem atrasar o crescimento em escala deste tipo de produtos, prin- cipalmente para produtos que sejam totalmente personalizados para cada indivíduo, tornando-o mais nichado e lento. Nos casos de Capture Youth e Clinique ID é possível considerar que são produtos personalizáveis, porque dão ao consumidor algumas alternati- vas para selecionar o produto que es- teja mais próximo a sua necessidade, no entanto, existem algumas marcas que desenvolvem o produto de acor- do com o que cada indivíduo busca, como por exemplo, a marca de Cabe- los Meu Q, que personaliza suas fór- mulas de acordo com as característi- cas pessoais, objetivos e preferencias estéticas de cada pessoa. Nos últimos anos, vimos aparecer no mercado modelos de empresas nas- cidas e pensadas no ambiente online (N.E.: digo isso porque muitas marcas nascem e vão para o online por mera falta de opção, não por decisão estra- tégica). Marcas com essa origem trou- xeram inovação em modelos de ne- gócios, na forma como se relacionam com o consumidor e responderam por grande parte do crescimento do merca- do norte-americano nos últimos anos. Guardadas as proporções, podemos vislumbrar algo na mesma linha por aqui? Ou o Brasil ainda não oferece a escala necessária para que esse tipo de formato/negócio ganhe tração e se tor- ne relevante por aqui? Fernanda: Sim, é provável que o mercado brasileiro siga o modelo norte-americano no qual marcas nativas digitalmente estão redefinindo modelos de crescimento. In- formações demográficas diversas são mais fáceis de acessar on-line, especialmente a população diversificada do Brasil com suas etnias ricamente variadas. Jan Riehle : Sim, acreditamos que esses trend de direct-2-consumer vai continuar ganhando força no Brasil, assim como nos Estados Unidos. Somos um exemplo para isso. Acreditamos também que o desenvol- vimento será mais devagar no Brasil do que nos EUA, por razões estruturais. Cesar: O Brasil possui a escala e a criati- vidade necessárias para que esse formato de negócio seja bem-sucedido. Inclusive, temos exemplos de empresas nacionais que tiveram sua origem no ambiente di- gital e continuam se destacando ao longo dos anos. Uma marca digital nativa de su- cesso tem o conhecimento de tudo sobre o seu cliente e desenvolve seus produtos e campanhas com base nessas informações. É neste aspecto que as empresas digitais se diferenciam e fidelizam a clientela: elas sabem quem ela é, o que ela deseja e o que ela ainda não encontra no mercado. O uso inteligente de dados coletados e a atenção ao que é falado pelos consumidores cativos e potenciais novos clientes gera um víncu- lo verdadeiro entre as partes e resulta em produtos e serviços inovadores, relevan- tes e econômicos, pois não há mau uso de tempo e recursos para estratégias que não conversem com o seu público. Incentiva- mos que mais criativos brasileiros invistam neste modelo de negócio, se inspirem em 46ATUALIDADE COSMÉTICA #170 | MARÇO 2020 MERCADO TENDÊNCIAS cases de sucesso no Brasil e no mundo e criem iniciativas arrojadas de entrega de produtos, serviços e experiências. EMPRESAS As grandes indústrias multinacionais que operam no varejo multimarcas vêm enfrentando mais dificuldades (em um cenário já bastante difícil) do que as empresas locais para crescer. Em 2020, podemos esperar que esses atores vi- rem o jogo e voltem a entregar números mais fortes às matrizes? Ou esse ainda será um ano para que elas busquem es- tabilizar os seus negócios por aqui? Cesar: Para os próximos anos, a veloci- dade ditará o sucesso que a indústria al- cançará nas respostas das demandas do consumidor. Algumas estruturas de multi- nacionais têm sido muito lentas, tornando- -as pouco competitivas. Mas sem dúvida a força e a inteligência de uma multinacional podem trazer respostas mais eficazes para os desejos do consumidor. Rodrigo: Das top 10 corporações que atu- am no canal farma no segmento de higie- ne e beleza, 9 são multinacionais e 5 delas crescem acima da média do canal. Além destas, outras diversas empresas multina- cionais apresentam boa performance no canal. No entanto, algumas multinacionais estão com crescimento baixo ou estagna- do com grandes desafios de gerenciar um grande portfólio e desenvolver o canal far- ma. Por outro lado, as nacionais também apresentam desempenho variado entre elas, mas quando avaliamos o desempe- nho da soma das empresas multinacionas e nacionais, temos uma diferença significa- tiva de performance no último ano, ao qual as nacionais se destacam com crescimento de +15,5% em valor versus 9,5% das mul- tinacionais. Este é um mercado extrema- mente pulverizado em números de players (são mais de 2000 corporações), mas igual- mente concentrado (top 20 players fazem 74% do faturamento). Sendo assim, os top players das empresas multinacionais são as que definirão a performance deste gru- po em 2020. No caso da compra da Beleza na Web pelo Grupo Boticário, como esse movi- mento pode turbinar as vendas online e off-line da Beleza na Web e das lojas da The Beauty Box e, ainda, as operações digitais das marcas do Grupo Boticário? Daniel: Nos últimos anos tanto a Bele- za na Web quanto a Beauty Box foram às empresas que mais apostaram na moder- nização de suas lojas físicasque os consumidores acreditam que a transmissão ao vivo “oferece mais brindes, in- trodução mais detalhada do pro- duto a um preço melhor” do que a loja on-line oficial, mas “ainda não conquistam a confiança dos clientes em termos de garantia de qualidade, serviço pós-venda e conveniência”. A BIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméti- cos) lança no início de maio o Portal Inovação ABIHPEC. A plataforma irá apresentar infor- mações e fermentas de análise para apoiar a estratégia das companhias, como tendências globais em tecnologia e inovação, mapeamento de parceiros tecnológi- cos, rede de laboratórios, oportunidades de apoio financei- ro, além de uma plataforma personalizada de treinamentos. “O portal é uma ferramenta muito poderosa na promoção da inovação por meio de informações estratégicas e com potencial de impactar o desenvolvimento do setor”, afirma Marina Kobayashi, gerente de Inovação da entidade. Para o lançamento, o portal trará como destaque o trei- namento online sobre “Métodos alternativos in vitro”. As aulas serão ministradas pela Dra. Maria Inês Harris, pós-doutorada em Toxicologia Celular e Molecular de Ra- dicais Livres e em Lesões de Ácidos Nucleicos. São sete videoaulas abordando temas como toxicologia cosmética, confiabilidade de métodos, estratégia de AOP (adverse ou- tcome pathway), absorção cutânea, metabolismo cutâneo, corrosão e irritação cutânea, irritação e corrosão ocular, sensibilização cutânea, mutagenicidade, genotoxicidade, carcinogenicidade e reprotoxicidade. Serão gerados certificados por módulo concluído e um certificado especial, após conclusão do treinamento como um todo. “É importante posicionar a indústria como um todo de que os métodos alternativos também possibilitam um resultado mais ágil, além de melhor custo-benefício para as empresas. Os testes in vitro permitem conhecer- mos os efeitos das substâncias de forma rápida e de rea- lizarmos uma pesquisa clínica de forma segura e eficaz”, explica Harris. INOVAÇÃO NO AR 8ATUALIDADE COSMÉTICA #170 | MARÇO 2020 MERCADO COVID - 19 COMO A PANDEMIA JÁ MUDOU E SEGUIRÁ MUDANDO O MERCADO DE BELEZA NO BRASIL >>> AÛANI CUSMA DE PAULA D izem que no Brasil, o ano só começa de- pois carnaval. Pois bem. Neste ano, após a folia de Momo foram pouco mais de duas semanas de trabalho até que a maior parte do Brasil começas- se a entrar quarentena, em meados de março. O pouco tempo de exposição à pandemia já nos deu uma mostra do estrago do vírus sobre a economia no País e sobre o mercado e não terá venda de sabonetes e álcool em gel, cujo mercado pode acabar o ano mul- tiplicado por 10, capaz de suplantar as perdas de outras categorias, mais fortemente afetadas durante o con- finamento, e muito mais relevantes para o setor de beleza, como maquia- gem e perfumaria. Dados da Kantar Wordpanel, que acompanha o consumo nos lares lo- cais, os meses de janeiro e fevereiro viram as compras de consumo crescer 4% em unidade e mais 4% em valor, saindo da soma zero (quando não existe crescimento real no consumo). Com o avanço das compras de abaste- cimento nesse período, o Atacarejo se destacou mais uma vez. O canal agre- gou dois milhões de novos lares neste início de ano. De acordo com Elen Wedeman, diretora de Atendimento da Kantar Worldpanel, as categorias de dis- pensa se destacaram no período. As vendas de papel higiênico e de ab- sorventes cresceram 15% e 21%, res- pectivamente. A estável categoria de sabonetes cresceu 6% nos primeiros dois meses deste ano. Em contrapar- tida, as vendas de tintura caíram 4% no mesmo período. No canal farma, as vendas de vá- rias categorias ligadas a área de higie- ne pessoal e cosméticos também cres- ceram de forma mais pronunciada nos momentos imediatamente anterior e posterior as regras de distanciamen- to social e quarentena adotada pelas maiores cidades brasileiras. Em mar- ço, o pico dessa explosão de consumo, as vendas de produtos de produtos de consumer health (onde estão inseridos os itens de higiene pessoal e beleza) e de medicamentos isentos de prescri- ção (OTC), cresceu 49 % em unidades e 35% em valor, na comparação com março de 2019, segundo dados da IQVIA, multinacional que acompanha os números do varejo farmacêutico em todo o mundo. Para o ano móvel encerrado em março de 2020, o merca- do total de consumer health no Brasil cresceu 11,9% em valor, totalizando re- ceitas de R$ 56,6 bilhões. As categorias de Dermocosméti- cos e produtos de Personal Care e Be- leza massiva, que respondem por R$ 4,1 bilhões e R$ 11,8 bilhões em ven- das nas farmácias, cresceram 11,8% e 10,7% respectivamente (sempre con- siderando o ano móvel encerrado em março de 2020). Um exemplo do pico de consumo pode ser visto nas vendas de produtos de cuidados com as mãos, que cresce- ram mais de 527,2% no canal farma em março deste ano na comparação com março do ano passado. Considerando o período acumulado entre abril de 2019 e março de 2020, o crescimento é bem mais modesto, de 137,8%, num Entendendo o que virá 9 #170| MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA SUBIU MUITO, MAS VAI CAIR Mas esse estirão no consumo não é sustentado. Já em abril, nota-se uma queda no consumo. Considerando o varejo farmacêuti- co como um todo (o que inclui os me- dicamentos de prescrição), as vendas em março cresceram 28,9%, na com- paração com março do ano passado. Mas, quando se olha para o desem- penho semana após semana, após o crescimento expressivo na semana 12 (início da segunda quinzena de mar- ço), o mercado já apresentou queda de 11% na semana 15 e de 2,7% na semana 16, sempre na comparação com a mes- ma semana do ano anterior. Conside- rando apenas as vendas de produtos de consumer health não relacionadas direta ou indiretamente como o com- bate à Covid-19, a queda semanal foi de 16,6% e 13,7%, respectivamente, se- gundo as informações da IQVIA. Outro bom exemplo está nos nú- negócio que gera vendas de R$ 226 mi- lhões em vendas ao ano nas farmácias. Outras categorias que se beneficiaram do pico de consumo em março são a de banho, um negócio que gera vendas de R$ 655 milhões ao ano nas droga- rias, o crescimento acumulado nos 12 meses até março de 2020 foi de 17,5%, enquanto na comparação de março deste ano com março do ano passado, o avanço foi o dobro, de 31,4%. PICO DE CONSUMO: com o avanço do coronavírus, em meados de março, os brasileiros foram às compras para garantir bens essenciais de mercearia e higiene nos primeiros momentos da pandemia. 10ATUALIDADE COSMÉTICA #170 | MARÇO 2020 MERCADO COVID - 19 meros da RD, maior rede de drogarias do Brasil com mais de duas mil lojas das bandeiras Raia e Drogasil. Se nos três primeiros meses do ano as vendas cresceram 25%, no período acumula- do entre 1 de janeiro e 27 de abril, o crescimento foi de apenas 2,2%. Marcela Botana, também diretora de Atendimento da Kantar Worldpa- nel, aponta que por toda a América Latina, o padrão foi mais ou menos parecido com o de outras regiões: au- mento de consumo e abastecimento antes do isolamento seguido por uma retração. De dezembro até o início de abril, a frequência de compras teve um aumento de oito pontos percentu- ais enquanto a frequência de compras caiu 11 pontos percentuais em relação ao cenário-base, o que favoreceu os canais maiores, como Atacarejo, que cresceu 12% durante as quatro pri- meiras semanas de isolamento social. A executiva explica que a incerteza que levou às compras de abasteci- mento na segunda quinzena de mar- ço, deu lugar, a partir de abril, a um momento com mais atenção à saúde e de maior distanciamento. Isso fez com que as pessoas saíssem menos para as compras e, quando o fizes- sem, buscassem realizar as compras em locais mais próximas de suas ca- sas, com compras de reabastecimento em varejos de proximidade. QUANDO ABRIR, VOLTA? Um movimento de alta tambémentre as multi- marcas de perfumes e cosméticos de luxo. A Beleza na Web abriu sua primeira loja conceito em São Paulo em 2017 oferecen- do aos clientes experiências digitais em um espaço físico, além do espaço W Basic, uma parceria com a rede de salões Studio W. Já a Beauty Box veio nos últimos anos reorga- nizando os seus pontos de venda, através de mudanças em seu layout e sortimento de produtos. Além disso, em 2019 abriu uma loja com muita inovação tecnológica em Brasília, apostando no atendimento dos clientes por meio de vários canais de contato, da loja ao e-commerce. A principal novidade foi uma torre de pick up in store onde o cliente pode retirar seu pedido em loja através do uso de um QR code. Sem dúvidas, o fato de ambas serem as precur- soras de inovações tecnológicas no país faz com que elas se fortaleçam ainda mais atra- vés do intercambio de conhecimento. Por outro lado no canal online, sem dú- vidas o Grupo O Boticário é o que mais se beneficia com este movimento, já que a Be- leza na Web é um dos principais players do país e pode trazer conhecimento em termos de operação tanto para a Beauty Box quanto para todo o grupo que já é muito forte no território nacional considerando sua presen- ça física, mas ainda tem muita oportunida- de para crescer no canal online. Em termos de mercado de importados de luxo, ainda não se sabe como vai resultar a junção entre as marcas Beauty Box e Beleza na Web, po- rém sem dúvidas leva o Grupo O Boticário a um patamar mais elevado para competir com outros varejistas que já possuem uma forte presença em ambos os canais. Sobre os primeiros meses de operação da Amazon como varejista de beleza (e tendo turbinado o seu marketpla- ce), o quão impactante ela foi para o e-commerce? Daniel: O canal online é um dos que mais vem crescendo no mercado de perfumaria e cosméticos importados, só em 2019 apre- sentou uma alta de aproximadamente 40% contra 17.0% nas lojas físicas. Sem dúvidas, a expansão dos Market Place é um dos fa- tores que está acelerando este canal. A Amazon entrou no Brasil buscando ser um varejista direto no mercado de per- fumaria e cosméticos de luxo, no entanto, por não ser especializado em beleza e por ter um sortimento de produtos mais vol- COLLOR&CO, LINHA DE COLORAÇÃO PESONALIZADA DA L’ORÉAL: a personalização dos produtos cosméticos avança sob o mercado de mass market. 47 #170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA tado ao grande público não competem di- retamente com outros sites com portfolios mais seletivos. Por essa razão, eles somente estão presentes neste mercado através do seu Market Place e com certeza impacta- ram o setor com sua força de marca. No entanto, o Brasil possui outras páginas online de Market Place que já são muito representativas e estão contribuindo para o ótimo resultado do canal, tais como B2W, Via Varejo, Magazine Luiza, entre outros. CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Sobre os marketplaces, existem muitos questionamentos de varejistas sobre políticas de preços praticadas dentro dessas plataformas (sem falar na ques- tão da origem dos produtos). Produtos de difícil acesso para o varejo (como os itens profissionais) são facilmente en- contrados nessas plataformas e, mesmo no caso das lojas das próprias marcas alocados em sites como o MercadoLi- vre, são acusados de praticar uma polí- tica de preço agressiva, com preços mais atrativos ali do que os praticados pelos varejistas clientes das marcas. Como você vê as indústrias se equilibrando nesses dois mundos? Elas precisam reforçar o controle sobre a sua rede de distribuição? E elas não estão dando um tiro no pé ao praticar preços mais baixos no seu e-commerce? Cesar: A indústria precisa, sim, olhar para esses canais com atenção e negociar valo- res justos e competitivos com os demais pontos de venda. Os marketplaces já são canais consolidados e os consumidores estão atentos e pesquisam onde comprar e quais vantagens recebem em cada situação – seja preço, prazo da entrega, garantia do produto ou assistência no pós-venda. Não diria que é um tiro no pé oferecer preços mais baixos nestes canais, pois cada indús- tria sabe das possibilidades de precificação que não prejudicam a rentabilidade, po- rém, é preciso buscar equilíbrio para que todos tenham oportunidades equivalentes de vendas. Ofertar um produto em um es- paço de markeplace pode ser muito bom, pois gera a experiência de uso e conheci- mento de marca. Em uma outra oportu- nidade, este consumidor pode optar por outros canais de compra, pois - além de preço - muito se olha para conveniência e facilidade de compra. Daniel: A política de preços praticada pelo canal online invariavelmente será mais agressiva. A operação mais enxuta e a comparação de preços em tempo real são motivadores fortes para essa política na precificação dos produtos. O marketpla- ce tende a potencializar essa essa politica de preços por que as marcas locais estão buscando competir com esses pequenos players que são muito agressivos nos pre- ços praticados. Jan: Não estamos vendo grandes proble- mas ao respeito de precificação/canaliza- ção de outros canais em respeito aos ma- rketplaces hoje, mas é possível que terá isso um dia. Em relação ao canal farma, a expansão das grandes redes deve seguir em ritmo acele- rado? Quais as regiões alvo de expansão? Rodrigo: Sim, a expansão deve continuar, mas cada vez mais focada em produtivi- dade (potencial de performance) e com decisões de abertura de lojas pautadas em análises de inteligência competitiva. Ainda não fizemos a avaliação de regiões-alvo. As Lojas de Departamento já podem ser consideradas players relevantes no mercado brasileiro de beleza? Elas já podem fazer a diferença no crescimento de categorias como perfumaria e ma- quiagem? Cesar Tsukuda: Definitivamente. O consu- midor busca diversas possibilidades para adquirir seus produtos de preferência e as lojas de departamento, sejam físicas ou on- line, têm papel complementar às lojas pró- prias, perfumarias e e-commerces. Com mais opções de canais de venda, o merca- do se abre para maior variedade e disponi- bilidade de marcas e produtos. De novo, a facilidade e a conveniência de compra em tempos que todos estão o tempo todo cor- rendo ajudam muito o consumidor. Daniel: Sim! A Renner, por exemplo, é há alguns anos o maior varejista de perfumes importados do Brasil. São mais de 350 lojas espalhadas por todo território nacional que vendem produtos de beleza e fazem com que marcas anteriormente inacessíveis ao grande público se popularizassem e conse- guissem um aumento de importância signi- ficativo. Com a consolidação da Renner nes- se mercado, outras redes de lojas de depar- tamento passaram a explorar o setor como a C&A, Marisa, Havan, Pernambucanas e a Riachuelo que hoje já conta com quase 300 lojas com um setor específico de beleza. A partir da venda de perfumes importados tais varejistas buscam atrair os consumido- res com marcas desejo da alta moda e se consolidar cada vez mais na categoria. Amanda: Recentemente vimos cola- borações interessantes, a começar pela francesa Sephora que se uniu à varejista de departamento C&A para levar seus produtos best-seller juntamente com seus serviços de beleza express para visitantes e consumidores que queiram uma experiência de compra completa. Além de inovarem ao combinarem ser- viços com produtos, a parceria entre a C&A e a Sephora ajudou a desmitificar a imagem de que a varejista francesa só vende produtos premium, tornando a já reconhecida especialista em bele- za mais próxima dos jovens que con- somem produtos da C&A, de acordo com informações compartilhadas pela LOJA DA RIACHUELO EM SÃO PAULO: as lojas de departamento ganham relevância como pontos de venda de perfumaria e cosméticos. 48ATUALIDADE COSMÉTICA #170 | MARÇO 2020 MERCADO TENDÊNCIAS Sephora. De acordo com a pesquisa conduzida para o Relatório Mintel In- fluenciadores deBeleza – Brasil – Ja- neiro 2020, 44% dos entrevistados que seguem influenciadores de beleza nas redes sociais declararam ter comprado produtos de beleza recomendados por um influenciador, indicando que os in- fluenciadores podem ser usados pelos varejistas de produtos de beleza como uma forma de estimular os consumido- res a visitarem lojas físicas. No caso da Sephora, a varejista disponibilizou na C&A os produtos recentemente lança- dos em suas lojas físicas e online du- rante a campanha “Siga no Instagram, Curta na Sephora”, com produtos de maquiagem e cuidados com a pele que levam o nome das maiores influencia- doras de beleza do país. Outro exemplo interessante de colaboração ocorreu en- tre a marca brasileira Jequiti e as redes de varejo de moda Pernambucanas e Marisa. A partir de dezembro de 2019 os produtos da Jequiti passaram a ser vendidos nas lojas físicas da Pernam- bucanas e Marisa, em algumas capitais brasileiras, e através da loja online da Pernambucanas, com entrega para todo o Brasil, o que de acordo com a Jequi- ti, reforçou a estratégia da empresa em chegar a mais lares brasileiros e am- pliar sua atuação no e-commerce. BEAUTY FAIR: entidade fundamental para o setor de beleza no Brasil, já que nossa atuação é como plataforma de de- senvolvimento do varejo, indústria e salões de beleza. Além da Beauty Fair, a maior feira de beleza das Américas, a empresa também é responsável por importantes projetos com foco no va- rejo, como a Delegação Beauty Fair na NRF (New York), Líderes de Perfumaria, Fórum de Varejo de Beleza e Fórum Beauty Fair Farma. Com a iniciativa Beauty Fair Brazil, na Cosmoprof Bolo- gna (Itália), a empresa desempenha importante papel na expor- tação de cosméticos e na captação de novos negócios para a América Latina. BEAUTYSTREAMS: referência global da indústria da beleza. É o único serviço de tendências dedicado exclusivamente à beleza. As marcas contam com nossa experiência estratégica, desen- volvimento de produtos e inteligência de mercado, oferecendo a fonte definitiva de insights e conteúdo criativo original para a comunidade global de beleza. Nossos membros abrangem toda a cadeia de suprimentos de beleza, desde fornecedores de ingredientes e formulações até marcas, varejistas e agências de design. Isso inclui Chanel, AmorePacific, LVMH, Sephora e L´Oréal. Nossas ferramentas e metodologias proprietárias ofer- ecem uma perspectiva de longo e curto prazo do mercado. Isso inclui o funil de tendências BEAUTYSTREAMS, uma metodologia de perspectivas futuras que mapeia tendências do nível macro para o nível micro. A partir de movimentos macro de ampla gama e arquétipos de consumidores, destilamos implicações im- portantes para a indústria da beleza e identificamos tendências específicas de categorias. Arquétipos são traços essencialmente psicológicos compartilhados por consumidores em diferentes faixas etárias e regiões globais. Diretora Global de Marketing BEAUTYSTREAMS SEGMENTA: somos uma empresa de inteligência de mercado com 35 anos de experiência no mercado de beleza na América Latina, gerando dados e insights para mais de 200 parceiros na região através de nossos projetos de monitoramento de vendas do varejo, tracking da oferta em catálogos e e-commerce, além do acompanhamento da força de vendas das empresas do canal SOBRE AS CONSULTORIAS de vendas diretas. B4A (BEAUTY FOR ALL) é uma startup de beleza digital, for- mada em 2017 pelo empreendedor Jan Riehle, após aquisição e fusão das empresas Glambox e Men’s Market. Além deles, a em- presa ainda possui a Men’s Market e Glamshop, que oferecem aos assinantes o benefício de adquirir produtos com preços mel- hores, e a divisão B4A Marketing Services, que presta serviços de Marketing de Experimentação, Marketing 360 e Pesquisa de mercado para indústria de cosméticos. SEGMENTA - A Segmenta foi uma das pioneiras na América La- tina a desenvolver painéis de informação em colaboração com a indústria e com o varejo. Há mais de 35 anos, analisa informações e desenvolve insights para aperfeiçoar as estratégias de sua em- presa, assim como para encontrar as melhores oportunidades de negócios. Isso é possível graças a uma equipe de especialistas integrada e multidisciplinar, perfeita para transformar dados em informação confiável. IQVIA: a Quintiles e a IMS Health se uniram para se tornarem a IQVIA, The Human Data Science Company™. Inspirada pela indústria que ajudamos, a IQVIA se compromete a fornecer soluções que permitam às empresas de ciências biológicas in- ovar com confiança, maximizar suas oportunidades e, por fim, impulsionar os resultados da saúde humana. EUROMONITOR: empresa global de pesquisa e consultoria sobre o mercado de bens de consumo e serviços. Com sede em Londres e mais de 40 anos de atuação, somos líder no for- necimento de inteligência de negócios e análise estratégica de mercado para empresas em todo o mundo. Oferece soluções de pesquisa customizada e publica anualmente informações so- bre desempenho e tendências de 30 setores em até 210 países, além de agregar dados demográficos e socioeconômicos de países e consumidores. MINTEL: agência líder mundial em inteligência de mercado. Por mais de 40 anos, as análises da Mintel, feitas a partir de pesquisa de mercado com dados da mais alta qualidade, têm impactado no sucesso de nossos clientes. Com escritórios em Londres, Chicago, Xangai, Belfast, Düsseldorf, Kuala Lumpur, Mumbai, Munique, Nova York, São Paulo, Seoul, Singapura, Syd- ney, Tóquio, e Toronto, a Mintel moldou uma reputação de uma marca mundial renomada. 52ATUALIDADE COSMÉTICA #170 | MAR/ABR 2020 MERCADO Ideias EM TEMPOS DE POLARIZAÇÃO, QUEM ESTIMULA A HUMANIZAÇÃO É REI! I sso pode parecer romântico até certo ponto porém, para ser re- levante em tempos de grande complexidade ética e cultural, não se faz mais possível desas- sociar a humanização viven- ciada em cada ponto de interação entre marca e consumidor. Marca por marca qualquer um cria, no entanto durante processo criativo, estamos estimulando o que temos de mais humano para entregar a inovação? Inovação é valor percebido, e esta percepção nada mais é do que nossos 5 sentidos (visão, olfato, paladar, audi- ção e tato) sendo estimulados, algo pu- ramente humano. Tendo em vista esse fato, você con- segue sentir, analisar e compreender o que estimular em seu público? Antes de mais nada é vital saber que não conhecemos tão bem nosso público quanto acreditamos pois, não percebemos a vida para além da nos- sos próprios sentidos. Por isso a em- patia deveria ser o principal pilar de nossa criação, para que ela não se ba- seia em mera e raza suposição. Esta é uma reflexão importante, pois a inovação é um rascunho comer- cial das relações humanas. Por isso se faz lógico paramos de discutir fome em mesa farta e ir buscar conexões com almas reais para aprofundar a ne- cessária sensibilidade sobre os desejos e necessidades que vem de sujeitos or- gânicos, subjetivos e diferentes de nós. Sendo assim, saber contemplar e respeitar a possível sabedoria de cada pessoa e estar vulnerável a sua reali- dade é sair do senso comum, da hi- pocrisia corporativa e acadêmica, do achismo excessivo e estatístico sobre desejos e realidades de peles que não são as nossas. Se levarmos esta reflexão para o dia a dia de quem trabalha com ino- vação e experiência de consumo, esta reflexão nos possibilita entender uma dualidade crítica: O momento decisi- vo da compra é uma análise sutil en- tre possibilidade de solucionar uma necessidade real a partir de uma dor opcional (pagar). Logo, para ter uma marca relevan- te em ambientes competitivos e mul- ticulturais devemos encantar, fomen- tar o espaço de fala e gerar empatia com promessas e entregas que façam real sentido. Por tanto a simplicidade e o sutil precisam ser foco, e não temas a mar- gem do mercado. Por fim, você sabe como desenvol- ver diferencial competitivo e gerarva- lor para que mais importa em tempos de economia da atenção? Tenha certeza que sua resposta está na sensibilidade e no respeito ao que é frágil e inteligente. Afinal em períodos de polaridade o maior diferencial que podemos ter e a maior inovação que podemos propor, é saber perceber uni- versos que não são os nossos. RAONI CUSMA, FUNDADOR DA OROLAB, SÓCIO DA CUSMAN E COCRIADOR DO PODCAST DIP CAST. Especialista em Design de Conceito, consultor, palestrante e professor universitário, graduado em Gestão Pública (FGV); pós graduado em Desing Estratégico (IED) e em Psicologia Analísta (IJEP). O sutil como diferencial competitivo www.congressodecosmetologia.com.br 07 a 09 OUTUBRO • 2020 das 9h às 18h São Paulo Expo - São Paulo/SP NOVA DATA Devido à mudança de data do Congresso a Associação Brasileira de Cosmetologia reabriu a Submissão de Trabalhos científicos até o dia 20 MAIO 2020. Os autores que • • submeterem seus trabalhos científicos no 32º Congresso Brasileiro de Cosmetologia, poderão candidatar-se gratuitamente ao PITCH ABC e, se aprovado, participarão de um programa de capacitação com mentores especializados que irão colaborar com o desenvolvimento de habilidades empreendedoras para transformar suas pesquisas em negócios. 0 5 25 75 95 100 Revista Congresso 2020 4o anúncio - Nova Data - Atualidade Cosmética quinta-feira, 9 de abril de 2020 11:57:13 Contra um inimigo invisível, uma arma poderosa: a nossa união. Juntos, vamos vencer a luta contra o coronavírus. Cada um fazendo a sua parte, embalando um futuro melhor para todos.embalando um futuro melhor para todos. 01_CAPA 02_Anúncio_Cramer Agosto 03_sumario 04_EDITORIAL 05_Vollmens-ATC- (1) 06_07_painel 08_09_10_11_12_ coronavirus_brasil 13_Anuncio-antilhas 14_15_16_17_18_MERCADO COVID 19 19_Anuncio_alta 20_21_22_23_24_25_26_canal perfumaria 27_anúncio aercamp 28_29_30_PHARMALIB 31_ anúncio pac 32_33_34_Branded contente Toppinox 35_36_37__express 38_39_40_41_42_43_44_45_46_47_48_trends 49_Anuncio AC- Orolab 50_RAONI 51_ Revista Congresso 2020 4o anúncio - Nova Data - Atualidade Cosmética 52_Anuncio_Gonçalves_2019_21x28pode acontecer no momento subsequente à flexibilização, mas a tendência obser- vada é que isso reverta também para uma queda a níveis abaixo do que eram vistos antes da pandemia. Na China, que já viveu o pico da epidemia e desde o final de março ensaia uma lenta retomada à abertu- ra e a retirada de restrições de mo- vimentação, os consumidores apon- taram para um caminho mais ou me- nos padrão: uma queda no consumo de produtos não essenciais, como fragrâncias e maquiagem e um for- te incremento na venda de itens de higiene pessoal, como produtos de limpeza para as mãos e lenços ume- decidos. De acordo com dados da Kantar, multinacional de inteligência de mercado que acompanha o con- sumo em lares ao redor do mundo, após três semanas de flexibilização, o consumo de massa no país asiático aponta para uma tendência decres- cente, de pelos menos cinco pontos percentuais abaixo do período pré- -Covid-19. Essa movimentação, bem como a que começa a ser vista em outros mercados da Ásia e da Euro- pa, mostra que as expectativas para uma recuperação rápida estão fora de questão. Na retomada, as categorias rela- cionadas ao combate ao coronavírus, como a de limpeza das mãos, segui- rão com números fortes após a rea- bertura. Já itens básicos essenciais, que viram o crescimento por conta das compras de estoque, devem vol- tar ao patamar anterior a da pande- mia, podendo sofrer com alguma per- da nas próximas semanas, por conta do uso dos produtos estocados, uma vez que o consumidor já entendeu que o varejo está conseguindo manter as lojas estocadas com a maior parte dos produtos. Atreladas a rotinas e hábitos, as categorias tidas como não essenciais, que na América Latina estão muito atreladas às categorias de cuidados pessoais como hidratantes, desodo- rantes e produtos para os cabelos terão sua recuperação atrelada à re- tomada da economia e das ações das marcas dessas categorias para mobili- zar os consumidores. Esses negócios são muito atrela- dos à disponibilidade de renda dos consumidores. E dinheiro é algo que será escasso nos próximos meses. Após o início da flexibilização, que deve começar a partir de meados de maio, e mais ainda a partir de julho, é que se acredita que será possível ter uma visão um pouco mais clara da situação, que irá depender de vários fatores, diferentes em cada país, in- cluindo o impacto do auxilio do go- verno as empresas e a população. Na América Latina, existe o agravante de que a informalidade é muito maior na América Latina, da ordem de 40% e metade do consumo na região vem de pessoas de renda médio-baixa e baixa, justamente os que mais atuam no mercado informal. Isso é um dos pontos que diferencia a região de ou- LOJAS FECHADAS NO BAIRRO DA LIBERDADE, EM SÃO PAULO: depois do pico de abastecimento, as vendas estão caindo. 11 #170| MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA tras mais desenvolvidas, o que leva a Kantar a prever uma recuperação mais lenta para a região. Para o varejo farmacêutico, que, ao menos em tese, tem sofrido menos com a pandemia, os cenários traçados pela IQVIA se mantem no terreno po- sitivo mesmo no pior cenário, mas em todos eles, a previsão é de queda. De um crescimento estimado para o setor (considerando medicamentos inclu- sive) de 10,4%, a IQVIA acredita que agora, no seu cenário mais positivo o crescimento será de 7,3%; no cenário moderado, o avanço fica em 4,1%, en- quanto no pior cenário, o crescimento é de apenas 1,9%. A desigualdade também é um fator que torna o processo de recu- peração mais complicado no sul da América. No Brasil, uma família de classe baixa consome 26,4% menos do que uma família de classe alta nas cestas da Kantar. Após esse período de confinamento, a retomada devera nos deixar como legado uma região ainda mais desigual. Em um exercício realizado pela consultoria, foi estima- do que 20% da população passassem a consumir no nível imediatamente abaixo do seu. Nesse cenário, 30% da população brasileira gastariam US$ 20 a menos ao ano, que pelo câmbio atual, equivale a 10% do salário míni- mo atual. “Nos países ricos, os consu- midores têm mais flexibilidade para mexer na sua cesta de consumo, já que eles gastam duas, três vezes mais do que os consumidores latino-ame- ricanos”, pontua Marcela, da Kantar. O E-COMMERCE FICA Com lojas fechadas e consumidores trancados, coube ao e-commerce à missão de abastecer as pessoas. Bar- reiras históricas para o avanço da adesão ao varejo digital na América Latina, como custo de frete, preços e prazos de entrega, foram suplanta- das e muitas pessoas foram “obriga- das” a realizar uma compra digital pela primeira vez. Segundo Valéria Berlfein, diretora de Soluções da Kantar, 24% dos consumidores da região experimentaram os canais digitais pela primeira vez, com des- taque para as compras por WhattsA- pp, que responderam por 61% des- sas novas experiências. Aqui no Brasil, o e-commerce já cresceu 2,3 vezes. A penetração do canal digital no Brasil em 2019 era de 6,6% e, segundo a Kantar, ela cresceu 60% durante as semanas de isolamento. O número de itens por compra dobrou. E como destaca Va- léria, os usuários consideraram a ex- periência gerada com os novos meios muito boa. Tanto que entre os brasi- leiros que utilizaram o varejo digital pela primeira vez, 82% declaram que seguiram utilizando esses novos for- matos. Mas existem “pontos de dor” para aqueles que compraram via e- -commerce pela primeira vez. E é preciso entender quais são eles é im- portante para a retenção e o maior engajamento desses novos usuários após a quarentena. Existe uma par- cela dos usuários que ainda consi- deram o processo de compras com- plicado, especialmente na parte final da jornada, muito ligada a preen- chimento de formulário e cartão de crédito (inclusive a não aprovação). Outro ponto que começa a aparecer como um ponto de preocupação com o e-commerce diz respeito ao manu- seio do material e a segurança sani- tária do pedido, o que tem levado al- guns e-commerces a colocarem as in- formações referentes à higienização no rastreio do pedido e a adotarem materiais de embalagem tidos como “menos propensos” ao coronavírus. FILAS PARA SAQUE DO CORONAVOUCHER NA CAIXA: mais informal e já com níveis baixos de consumo, a flexibilidade para mudar a cesta de compras é bem mais limitada no Brasil e na América Latina do que em países desenvolvidos. Vamos “sofrer” mais para sair da crise. 12ATUALIDADE COSMÉTICA #170 | MARÇO 2020 MERCADO COVID - 19 Considerando apenas a categorias de cuidados pessoais, desde o início de 2020 até fevereiro, um milhão de novos consumidores foram atraídos para os canais digitais, com destaque para as compras de fragrâncias, ba- tons e cuidados com o rosto. Dentro do cenário do e-commerce de beleza, 33% rejeitam comprar os produtos da categoria. Para tentar conquistar esse grupo, é importan- te oferecer a eles experiências mais próximas da loja física para o online. “Mandar amostras e ter consultoras online para dialogar com a consu- midora quando ele estiver com es- sas amostras já é um ganho muito grande”, explica Daniel Machado, responsável pela área de Consumer Experience da Kantar. Por outro lado, as lojas físicas precisarão conviver mais próximas dos canais digitais. E elas precisaram estar prontas para atender as pesso- as nesse novo momento. E os valores importantes para elas em relação a isso mudaram. Oferecer preços aces- síveis continua sendo importante para motivar uma pessoa a escolher um ponto de venda. 53% dos consu- midores latino-americanos pesquisa- dos pela Kantar acham isso. Mas ela é menos importante do que a proxi- midade dela (62%), que a loja tenha poucas pessoas dentro dela (55%) e equivalente à adoção de medidas sa- nitárias, como uso de máscaras e ál- cool em gel (52%). UM BILHÃO DE OCASIÕES DE USO EM RISCO E ALGUMAS OPORTUNIDADES O modelo de home office já vinha sendo adotadopor empresas no Bra- sil, o que permitiu a Kantar ter uma noção bastante fidedigna de como as pessoas se comportam quando não precisam ir até o escritório. Com base nisso, a Kantar indica que as mudan- ças na rotina de cuidados pessoais das mulheres durante a quarentena impactam 15 categorias de higiene e beleza. Quem trabalha em home offi- ce faz, na média, 8 % menos lavagens de cabelos em relação a quem não faz. Pode parecer algo imperceptível para a pessoa, mas trata-se de um impacto relevante sobre o consumo. “60% das ocasiões de uso de shampoo são fei- tas por pessoas que não fazem home office e o impacto potencial disso no mercado de cabelos é de 16,9 milhões de ocasiões. E no caso de desodoran- tes - usado ao menos uma vez ao dia - 40% das ocasiões de uso são motiva- das pela ida ao trabalho ou a escola; ou ainda, por ocasiões de sociabilida- de, o que soma outras 8,2 milhões de ocasiões de uso ao menos”, diz Elen, lembrando que na média das catego- rias de cuidados pessoais essa moti- vação é de 22%. No caso dos homens, sete catego- rias sofrem impacto direto na compa- ração entre quem trabalha em casa e quem vai até o escritório. Por exem- plo, 32% dos homens se barbeiam apenas por razões profissionais, o que gera um potencial impacto de 21 mi- lhões de ocasiões. Somando tudo, as mudanças ge- radas pela quarentena, mais de um bilhão de ocasiões de uso de produ- tos estão em risco. 973 milhões delas por estarem relacionadas à ida ao trabalho ou a escola. Outras 356 mi- lhões de ocasiões estão relacionadas ao momento de socialização, impos- sibilitadas pelas regras de distancia- mento social. Em outra pesquisa da Kantar, re- alizada já após o confinamento, os consumidores da América Latina fo- ram perguntados sobre o uso de dife- rentes produtos. Os latino-america- nos dizem que estão usando menos itens de beleza como maquiagem, cremes para face e corpo, perfumes secadores e barbeadores. Os produ- tos mais ligados aos cuidados pesso- ais, como sabonete e shampoos, têm sido usados com a mesma frequência de antes do confinamento. Com as mudanças de hábito sur- gem também algumas oportunidades para a indústria. 26,5% dos usuários que lavam as mãos reclamam de ter as mãos secas ou muito secas. O po- tencial de banho também aumentos, atingindo a média de praticamente dois por dia. Outra oportunidade está em ca- tegorias como coloração e depilação, cujas consumidoras estão tendo que fazer o serviço em casa, uma vez que os salões estão fechados, e que conti- nuem a fazê-lo após o fim das regras de isolamento social. Para os produ- tos de remoção de pelos corporais no canal farma, as vendas avançarem 20,1% em março na comparação com o mesmo mês de 2019. As vendas des- sa categoria no canal somam R$ 142 milhões ao ano. Por fim, é possível que com o fim das regras de isolamento, mui- tos consumidores podem buscar por compras indulgentes, como uma for- ma de recompensa. Esse tipo de com- pra pode repercutir positivamente em áreas como moda e beleza. MARCAS REFORÇAM PAPEL SOCIAL E PERSONALIDADE Em termos do que merece atenção neste momento em termos de inves- timentos, Silvia Quintanilha, diretora da Kantar Insights, áreas como Ma- rketing, Inovação e Desenvolvimento de Novos Produtos, deveriam receber mais recursos agora (considerando a possibilidade de cada empresa). “Marcas fortes crescem cinco vezes mais e se recuperam mais rapidamen- te das crises”, diz a executiva. Para Silvia, neste momento, o con- sumidor quer saber o que as marcas estão fazendo para lidar com a crise e como elas podem ajudar na vida coti- diana dos clientes, que estão sofrendo com a incerteza e o pânico, que são fa- tores importantes. ?As marcas devem valorizar e comunicar seus valores ao mercado. O consumidor quer que as empresas ajudem a mostrar como a crise pode ser enfrentada?, reforça a diretora da Kantar Insights, lembran- do que a única coisa que uma marca não pode fazer agora é buscar explo- rar a situação para se promover. Em categorias tidas como não es- senciais ou mesmo supérfluas (na qual se enquadram várias categorias de beleza), as marcas também podem se beneficiar da comunicação. “Com tudo o que acontece, as pessoas estão buscando algum tipo de indulgen- cia”, lembra Silvia. ++ O maior mix de embalagens e serviços para rede de lojas Dedicamos atenção especial a todos os detalhes de nossos processos, para garantir sempre a melhor experiência de compra aos nossos clientes. Inovação Criatividade Personalização antilhas.com.br | 11 4152-1100www 14ATUALIDADE COSMÉTICA # 170 | MARÇO 2020 MERCADO COVID-19 OS RESULTADOS DO PRIMEIRO TRIMESTRE DOS GRANDES GRUPOS GLOBAIS DE BELEZA OFERECEM UM APERITIVO INDIGESTO DO QUE ESTÁ POR VIR >>> AUANI CUSMA DE PAULA P rimeira nação a re- portar um caso do novo Coronavírus, ainda no finalzinho de 2019, a China é hoje um mercado tão relevante para a in- dústria global de beleza quanto os Es- tados Unidos e a Europa. Se no mundo ocidental as primeiras medidas mais severas só foram tomadas em meados de março, na China esses impactos se fizeram sentir antes. Na medida em que o país foi ampliando as restrições para locomoção de cidadãos entre as diferentes cidades, o que fez com que os chineses não viajassem para o feria- do do ano novo chinês, uma das prin- cipais datas para o comércio local; as vendas de beleza no gigante asiático foram fortemente afetadas. Na japonesa Shiseido, as vendas na China entre os dias 1 e 23 de janeiro cresceram 47% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já na semana seguinte, entre 24 e 30 de janei- ro, os resultados tombaram 55%. No trimestre, a economia chinesa apresen- tou queda de 6,8%. E como a China, e a Ásia como um todo, pesam cada vez mais no balanço das vendas globais de beleza, o que acontece por lá reflete nos Primeiros impactos números. Na gigante de luxo LVMH, que também vê grande parte do seu cresci- mento oriundo da China, a queda foi de 18% nos primeiros três meses do ano. Os negócios foram afetados pelos fe- chamentos das lojas e pela redução nos níveis de estoques dos clientes, o que afetou o sell in. As lojas da Sephora, controlada pelo grupo, passaram boa parte do trimestre fechadas na China. Outro ator importante do segmen- to de cosméticos de luxo, a Estée Lau- der, quarta maior empresa de beleza e higiene pessoal do mundo, sofreu uma queda de 11% nas vendas para o seu trimestre fiscal encerrado em 31 de março. De acordo com a empresa, as operações na China foram significati- vamente impactadas do final de janeiro até março. Durante o pico da pande- mia por lá, em fevereiro, 70% das lojas operadas pela companhia ou por seus clientes estiveram fechadas e, as que permaneceram abertas, operaram sob horário reduzido. Na P&G, maior empresa de bens de consumo do mundo, as vendas es- tiveram em alta no primeiro trimestre em função do aumento na procura por itens de saúde e higiene pessoal. Mas os negócios da área de beleza da compa- nhia andaram de lado, com incremento de 1% na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior. A marca pre- mium de skincare SK-II, cujas vendas superam US$ 1 bilhão, apresentou que- da de dois dígitos por conta da inter- rupção temporária do varejo em merca- dos asiáticos e uma redução acentuada nos negócios no varejo de viagens. As vendas de beleza e higiene pes- soal da gigante de bens de consumo Unilever, permaneceram flat, avançan- do 0,3% entre janeiro e março. De acor- do com a empresa, o crescimento em ca- tegorias chave foi impactado tanto pelo consumo quanto pelos estoques do- mésticos, movimento que ajudou a tur- binar as vendas. A categoria de limpeza de pele, um negócio que gera cerca de 15 # 170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA cinco bilhões de euros em vendas anu- ais para a Unilever, apontou crescimen- to de um digito médio, puxado pelo aumento na demanda por produtos de higiene paraimpedir a propagação da Covid-19. A marca de sabonetes anti- bactericida Lifebuoy foi lançada em 43 novos mercados e a empresa tem traba- lhado rapidamente para expandir sua gama de produtos e apoiar a resposta à pandemia. Já nas categorias de cuida- dos com a pele, desodorantes e cabelos, que somadas representam 14 bilhões de euros anuais para a companhia, a Unilever viu aumento nas vendas para estocagem nos lares, mas também, uma diminuição no uso desses produtos pe- los consumidores. Em cuidados com a pele, a empresa viu sua marca Carver ser impactada pelas restrições nas via- gens, bem como o lockdown imposto na Índia em março. O negócio de cabe- los cresceu nos EUA, mas as medidas de restrições de locomoção impactaram o portfólio da companhia na China e na Índia. A Unilever Prestige, que engloba marcas como REN Skincare, Dermalo- gica e Kate Somerville, foi fortemente impactado pelo fechamento dos canais especializados em beleza em muitos mercados e pela queda no consumo dos produtos dessa categoria. Com a Ásia-Pacifico como sua maior região em termos de vendas hoje, a gigante francesa L’Oréal viu sua receita cair 4,8% nos primeiros três meses do ano. Com menos presença em higiene pessoal e sem atuação em categorias de higienização das mãos, a companhia se beneficiou menos do que suas concorrentes mais diretas no mass market como Unilever, Colgate e P&G, das compras para estocagem e do aumento de consumo dessas categorias por consumidores no Ocidente. Mesmo com todos os revesses, a L’Oréal con- seguiu um crescimento de respeitáveis 6% na China, muito em função da for- ça da empresas nos canais digitais, que respondem por cerca de metade das vendas de produtos cosméticos no país. Olhando para o setor como um todo (excluindo categorias como oral care e sabonetes em barra), a L’Oréal estima que o mercado de beleza global tenha caído 8% no primeiro trimestre do ano, influenciado justamente pela fraqueza A CIDADE D WUHAN, EPICENTRO DA COVID-19 NA CHINA, SOB ESTRITO LOCKDOWN: fechamento de lojas e restrições severas para deslocamentos e viagens impactaram no consumo de um dos principais motores do mercado de beleza global. 16ATUALIDADE COSMÉTICA # 170 | MARÇO 2020 MERCADO COVID-19 no mercado chinês e em parte da Ásia entre o final de janeiro até o começo de março e pelos sinais de fraqueza no Ocidente também a partir de meados de março. Para o segundo trimestre, Jean Paul Agon, CEO da companhia france- sa, espera uma inversão, com a China apresentando uma tendência de alta (o executivo espera um segundo trimestre forte para a L’Oréal na China e a LVMH também destacou que as lojas na Chi- na têm crescido gradualmente desde o início de abril.), enquanto Europa, Estados Unidos e outros mercados do ocidente vão enfrentar o pico da pan- demia. A eles se somam também países importantes da Ásia Pacífico, como a Índia – que com os seus 1,3 bilhão de habitantes vive o que é considerada a maior quarentena da história – e a In- donésia. O PIOR ESTÁ POR VIR Os resultados do segundo trimestre devem vir bem piores, inclusive para as empresas que reportaram bons números no primeiro. A Colgate-Pal- molive, que viu as vendas avançarem 5,5% no trimestre, apresentou queda de 9,5% nos seu volume de negócios na Ásia-Pacífico. Só que a região res- ponde por apenas 15%, das vendas da companhia (para a L’Oréal, por exem- plo, essa participação passa dos 30%). Como alertou Noel Wallace, CEO da Colgate, é esperado que parte do vo- lume adicional de vendas saia do re- sultado dos próximos trimestres, na medida em que os consumidores vão usando o estoque adquirido em de- terminadas categorias. Estudos realizados por institu- tos de pesquisa em diversas regiões do planeta demonstram que após as semanas de pico no período anterior e imediatamente posterior as regras mais estritas de isolamento social, no qual a compra de itens de higiene e limpeza e de merceria crescem muito, o consumo dessas categorias retorna aos níveis normais ou ficam um pou- co abaixo do padrão histórico. Fren- te às incertezas, a Colgate-Palmolive suspendeu temporariamente as pre- visões de crescimento apontadas ao mercado para este ano. Aqui no Brasil, os resultados do primeiro trimestre da RD, dona das bandeiras Raia e Drogasil, mostram esse efeito de forma bastante ilusta- tiva. Enquanto as vendas nos primei- ros três meses do ano avançaram 25%. Mas a rede varejista deixou claro que as vendas no trimestre foram signifi- cativamente acima do normal duran- te as duas semanas anteriores às res- trições, com a demanda concentrada especialmente itens de medicamentos OTC, à custa dos itens de higiene pes- soal e beleza. A companhia diz que as vendas começaram a cair a partir do final de março. No período entre 1 e 27 de abril, o crescimento acumulado de vendas foi de apenas 2,2% sobre o mesmo período de 2019, o que dá uma ideia do tamanho da queda entre o final de março e abril. A alemã Beiersdorf, dona das mar- cas Nivea, Eucerin e La Prairie foi ou- tra companhia que optou por retirar o seu guidance para 2020 do mercado até segunda ordem. A receita da sua divisão de consumo sofreu uma baixa de 3,3% no primeiro trimestre. A re- gião que comprende Ásia, Austrália e África, responde por cerca de um terço das vendas do grupo germâni- co. Já a Europa é a região geradora de quase a metade da receita das marcas da Beiersdorf. Com uma queda de 3,5% no PIB, a União Europeia já era um mercado com muitos desafios para a indústria de beleza alavancar seu crescimen- to de forma consistente nos últimos anos. Para 2020, os cenários traçados pelo Banco Central Europeu para o PIB da Zona do Euro, vão de uma queda de 5% até 12%, no cenário mais pessimista. O que só deve tornar a situação mais difícil. Todos os cin- OXFORD STREET, EM LONDRES. UM DOS GRANDES POLOS GLOBAIS DE CONSUMO: impacto da queda das vendas nos mercados europeu e norte-americano, serão mais sentidos nos resultados do segundo trimestre. 17 # 170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA co maiores mercados do continente: Alemanha, França, Inglaterra, Itália e Espanha foram severamente afeta- das pela pandemia. Itália e Espanha sentiram na pele o colapso em seus sistemas de saúde e viveram semanas sobre um estrito lockdown. Nos dois mercados, as vendas mais elevadas de bens de higiene pessoal relaciona- dos à prevenção ao coronavírus, con- trastam com uma queda acentuada de categorias como proteção solar e maquiagem. Nos Estados Unidos, cuja eco- nomia recuou 4,8% no trimestre e o número de pedidos de auxilio de- semprego bateu em impressionantes 30 milhões, o consumo é o principal motor da economia. Com o comércio de portas baixadas em boa parte dos principais centros de consumo do país, a recuperação deve depender mais das condições econômica dos consumidores na retomada do que na Europa ou na Ásia. A empresa de inteligência de mer- cado norte-americana Kline, alertou que a venda de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos nos Estados Unidos, um negócio de US$ 75 bilhões, deve sofrer a maior queda nas vendas já registrado nos mais de 60 anos em que a empresa acompanha o mercado por conta do Coronavírus. As novas previsões publicadas no fi- nal de março, indicam um declínio de 2,5% em 2020 como o resultado mais provável dentro a atual conjuntura. No melhor cenário previsto pela Kli- ne, o mercado apresentaria um avanço de 1,5% neste ano; já no pior cenário, a queda seria de impressionantes 8,1 %. E, de acordo com a empresa, dado o estado atual da pandemia, com os lockdowns avançando pela primave- ra e podendo se aproximar dos meses de verão, o pior cenário traçado pela empresa, de fato, pode se tornar o ce- nário mais provável. O DIGITAL É A NOVA ESPERANÇA Em meio a lojas fechadas por todo o Ocidente, resta às empresas acele- rar ainda mais o foco no e-commerce e na digitalizaçãodo consumo. Na L’Oréal, uma das companhias mais adiantadas nessa agenda, o digital avançou 53% no primeiro trimestre e já representa quase 20% das vendas do grupo. Dessas vendas, cerca de 40% são feitas pelos sites operados pelas próprias marcas da L’Oréal. Na Estée Lauder, assim como aconteceu na China (que já está mui- to a frente nessa agenda), as vendas online se aceleraram em todos os ou- tros mercados. Para a LVMH, as ven- das online cresceram rapidamente também A marca Guerlain teve bom desempenho, puxada pelo forte cres- cimento online na China. A receita online da Sephora, que já tem uma posição muito forte no mercado, au- mentou significativamente durante esse período. É consenso entre marcas e con- sultores que muitos dos novos con- sumidores capturados para o online em meio à quarentena, seguirão com- prando online mesmo após a abertura das lojas. MAQUIAGEM EM XEQUE A categoria de maquiagem já não vinha apresentando um bom desem- penho desde 2018. A pandemia trou- xe um desafio adicional para a cate- goria. Num primeiro momento, com as pessoas em casa, o uso de itens de maquiagem caiu drasticamente, uma vez que essa á uma categoria cujo uso está fortemente atrelado a atividades sociais, como ir ao trabalho ou a um evento. Segundo, porque na retomada, as máscaras faciais serão um “acessório” comum ao vestuário em muitos paí- ses por pelo menos algum tempo. Isso também deve impactar diretamente no consumo da categoria. Na L’Oréal, as vendas de maquiagem no primei- ro trimestre sofreram uma redução de mais de 10%. Para a Estée Lauder, dona da MAC, Clinique, Bobbi Brow entre outras, o negócio de maquia- gem é o segundo mais importante da empresa. As vendas da categoria tom- baram 22% no período. Em outro grupo bastante exposto ao negócio de maquiagem, o japonês Kao, as vendas da sua divisão de cos- méticos caíram 11,4% no trimestre, com as vendas no Japão em baixa substancial pela demanda interna e pelas restrições de mobilidade. Nas Américas e Europa, onde o grupo opera com a marca Molton Brown, o fechamento das lojas especializa- das também afetou os resultados. Na Ásia, o negócio apresentou cresci- mento com a recuperação da Kao na China a partir de março. Já os negó- cios de skincare e haircare avança- INTERFACE DA LOJA DA CARTIER NO TMALL, O MARKETPLACE INTERNACIONAL DO ALIBABA: a força do varejo digital na China e o crescimento do canal em outros países foi das poucas boas notícias apresentadas nos balanços do 1º trimestre. 18ATUALIDADE COSMÉTICA # 170 | MARÇO 2020 MERCADO COVID-19 ram, com aumento de 3.1% em bases comparáveis ao primeiro trimestre de 2019. As vendas de sabonetes e outros produtos de limpeza para as mãos da marca Bioré cresceram e a demanda por eles continua a superar a oferta. SALÕES NA EXPECTATIVA O negócio profissional da Kao, dona de marcas como Goldwell e Oribe, é um dos focos do grupo na América e na Europa. Com o fechamento dos sa- lões nessa região desde março, a com- panhia diz que essa parte do negócio está praticamente inoperante. Na Henkel, dona da Schwarzkopf, a divisão de Beauty Care deve repor- tar uma queda de 3,9% nas vendas, uma vez que os salões estão sendo se- veramente afetados pelos fechamen- tos ordenados por autoridades sani- tárias em diversos países. As vendas de produtos da divisão no varejo, que incluem as linhas de banho e higiene Fa e Dial, viu números estáveis na comparação com o primeiro trimestre de 2019. A Henkel também cancelou as suas previsões para os resultados de 2020. De fato, os salões de beleza estão entre os negócios mais afetados pela pandemia. Um estudo da Kline, com- panhia de inteligência de mercado, diz que a crise da Covid-19 pode re- presentar a morte de 20% dos salões nos Estados Unidos, com uma queda de até 33% na comercialização de pro- dutos profissionais nesses pontos de venda. Ainda segundo a Kline, com um mês de salões fechados, a perda de receita com serviços de beleza se- ria da ordem de US$ 5,5 bilhões. Isso fez com que as vendas de pro- dutos para os cabelos e de coloração da L’Oréal apresentassem quedas de um dígito médio, mesmo com as vendas dessas categorias crescendo (bombando, no caso de coloração) nos canais massivos. Mesmo após a abertura, não se sabe ao certo quão seguro os consu- midores estarão para sentar numa ca- deira de cabelereiro logo após o fim das restrições. Esperançoso, Agon, da L’Oréal, acredita que muitas pessoas não veem a hora de poder ir ao cabelereiro no- vamente, e que apesar de toda a situ- ação, ela pode servir como um ponto de inflexão para o segmento, com as pessoas passando a revalorizar a im- portância dos salões em sua vida. Em todo o mundo, empresas como L’Oréal, Henkel e Wella tem feito es- forços para apoiar os profissionais de beleza nesse momento crítico. TAMANHO FARÁ DIFERENÇA Nessa crise, mais do que nas an- teriores, tamanho fará diferença na hora de retomar o mercado. Primeiro, porque nessas horas o consum- idor médio tente a preferir marcas bem estabelecidas e que eles já conhecem. Além disso, o tamanho do bolso fará diferença. “A competição no mercado será mais difícil para os players menores frente aos maiores. Nós estamos sólidos e temos uma situação de caixa positiva para sairmos dessa crise fortes”, diz Agon, da L’Oréal. Questionado por um analista se as companhias menores e independentes talvez não suportem a situação tornando-se alvo de aquisições, Agon disse que: ”aparecendo oportuni- dades importantes, nós iremos ver.” JEAN PAUL AGON, DA L’ORÉAL: musculatura, capacidade operacional e de caixa das grandes empresas fará diferença, inclusive na hora de avaliar indie brands que podem não aguentar a crise sozinhas. CABELEREIRO ATENDE CLIENTE: com salões fechados, negócio de produtos profissionais poderá perder um terço das suas vendas nos EUA. Mortalidade de salões por lá pode chegar a 20%. OS MELHORES PRODUTOS COMEÇAM COM OS MELHORES EQUIPAMENTOS NOSSOS EQUIPAMENTOS SÃO CRIADOS E DESENVOLVIDOS COM TECNOLOGIA PATENTEADA A MAIS DE 30 ANOS. NOSSOS REATORES DE PROCESSO DE FABRICAÇÃO SÃO IMBATÍVEIS POIS REDUZEM O TEMPO DE PREPARAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DO PROCESSO INDUSTRIAL. ATENDEMOS COM EXCELÊNCIA A INDÚSTRIA COSMÉTICA, FARMACÊUTICA E ALIMENTÍCIA. PROCESSO DE FABRICAÇÃO SÃO IMBATÍVEIS POIS REDUZEM O TEMPO DE PREPARAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DO PROCESSO INDUSTRIAL. 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MESMO ASSIM NÃO FORAM TRATADAS COMO UM COMÉRCIO ESSENCIAL PELAS AUTORIDADES, DEIXANDO O SETOR DE PORTAS FECHADAS POR MAIS DE UM MÊS E LEVANDO TODOS OS PRINCIPAIS ATORES DO MERCADO A REPENSAR SEUS NEGÓCIOS >>> AÛANI CUSMA DE PAULA Essencialidade não reconhecida LOJA DA SONEDA, EM SÃO PAULO: mesmo abastecidas com produtos de higiene pessoal essenciais para o combate à COVID-19, as perfumarias tiveram que baixar suas portas. 21 # 170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA de funcionários para manter os pontos abertos com apenas uma porta e limitação da entrada de clientes. Mas, como em toda crise, sempre hálições a se tirar. “Ninguém queria pas- sar por isso, mas temos que olhar para o lado do aprendizado. E cada dia está sendo um aprendizado”, acredita Diego, da Lojas Rede, dizendo que a empresa, e o mercado, demoraram a dar sequência à transformação digital. “Agora que con- seguimos organizar a logística, estamos colocando o digital em prática e nos for- talecendo para enfrentar outras crises”, emenda. Pouco menos de dois meses depois de vivenciarem na NRF, a maior feira de va- rejo do mundo, realizada em Nova York (na delegação organizada pela Beauty Fair), que a integração entre os ambientes físico e digital era uma realidade incon- tornável pela própria mudança de hábitos dos consumidores, os empresários do va- rejo de beleza sentiram na pele e de for- ma imediata, o quanto essa integração é importante para o futuro dos negócios e o quão atrasado o Brasil, e mais especifica- mente o setor, estava em relação à execu- ção dessa agenda. “Até então nós não tínhamos tempo para fazer essa integração e tivemos que acelerar essa construção”, conta Augusto Cardoso, sócio da Monamie, rede flumi- nense com 10 lojas de rua na capital e na região metropolitana do Rio de Janeiro. A rede, que não possui uma plataforma de e-commerce, viu o televendas e as vendas por WhattsApp e redes sociais entregues na casa das clientes, algo secundário, converterem-se no negócio principal da empresa. “Sempre tivemos foco nas lo- jas físicas, que é de onde vem o grosso do faturamento. Mas, agora, teremos de olhar com mais carinho para essas novas operações. Vamos fazer cinco anos de di- gitalização da empresa em cinco meses”, aposta o empresário. A complexidade que costuma ser atri- buída ao tema da digitalização e do varejo omnichannel aqui no Brasil, leva em con- ta, quase sempre, a experiência dos gran- des grupos varejistas, com muita tecnolo- gia e muitos investimentos de fato. Ainda que em diversos segmentos existam ato- res independentes relevantes inovando nesse campo, são gigantes como Maga- com 70 lojas físicas e mais de dois mil funcionários, também baixou as portas de suas lojas de rua antes da publicação de decretos, uma vez que as lojas de sho- pping já estavam fechadas. “Nossa receita caiu drasticamente porque somos fortes fisicamente, não no e-commerce”, diz o diretor da varejista, Diego Lopes. Foram necessárias algumas semanas de trabalho para ajustar a logística do e-commerce, re- organizando a distribuição para algumas lojas, o que permitiu que os funcionários do depósito da empresa trabalhassem com maior distanciamento e a empresa pudesse dar mais força para as vendas online. Com 16 lojas fechadas e apenas duas operando em cidades menores, a Leo Cos- méticos, que atua no Paraná e em Santa Catarina, está tentando entender o futuro e para onde caminha a economia. Mas o presidente da rede, Fábio Kai, não vê fu- turo para esse ano e optou por enxugar a empresa. “Estamos com as lojas fechadas há quatro semanas. Agora, tudo fica mui- to pesado: aluguel, fornecedores... Temos passado por alguns apuros e tomamos uma série de precauções, como o des- ligamento de alguns profissionais com contrato temporário e uma parte dos fun- cionários. Cortamos umas 100 pessoas”, lamenta o empresário. Minoro, da Soneda também sentiu o baque inicial. “De imediato o fechamen- to gerou pânico. Fechamos todas as lojas num primeiro momento, até as três lojas que operavam com entregas via Rappi, e colocamos todo mundo em férias cole- tivas”, conta. A rede manteve as portas baixadas pelos primeiros 14 dias de qua- rentena, mas entendeu que não deveria permanecer assim frente à situação. “Tive de ir à farmácia num dia e vi uma viatura com policiais procurando álcool em gel e a farmácia não tinha para vender. E as per- fumarias todas abastecidas e não podendo atender a população”, conta o CEO da So- neda. A partir daí, a varejista entrou com liminares em algumas cidades e contatou as subprefeituras da capital paulista para obter licenças de funcionamento, levando em conta que o CNAE da companhia con- templa a comercialização de produtos de higiene. A rede teve êxito em seus pedidos e as lojas vêm operando, mas de forma bastante limitada, com o número mínimo 2 020, tal qual os últimos anos, começou sob o signo da in- certeza em relação à retoma- da da claudicante economia tupiniquim. Mas, ninguém imaginou que um vírus que surgiu no final de 2019 e até o início des- te ano parecia circunscrito à China, che- garia ao Brasil da forma como chegou, de supetão, obrigando empresas de to- dos os setores a repensar seus negócios para sobreviver. Para o varejo e o comér- cio tidos como não essencial, os impac- tos foram ainda mais severos. De portas fechadas, eles viram a sua geração de caixa secar de uma hora para outra. Embora sejam pontos de venda de produtos de higiene pessoal e estivessem estocados de itens como álcool em gel, sa- bonetes e epi’s como máscaras – que por semanas estiveram em falta em farmácias e supermercados – as perfumarias ficaram impedidas de abrir suas portas e servir a população com produtos essenciais nesse momento. “A frustração foi muito grande. Estamos em guerra, temos munição, mas não podemos oferecê-la à população”, la- menta Minoro Kamachi, CEO da rede So- neda, que opera 30 lojas no estado de São Paulo. O empresário participou ao lado de outros lojistas, do Beauty Fair Ao Vivo, painéis de debate online promovidos pela feira para discutir o mercado de beleza du- rante a pandemia e, também, saídas para a crise. Em outro painel, a Beauty Fair reu- niu dirigentes da indústria de beleza para tratar da crise e da retomada sob a pers- pectiva deles. Como aconteceu com quase todo mun- do, a crise se instaurou de forma instantâ- nea e sem aviso prévio. “Da noite para o dia não tínhamos mais receita”, lembra Renato Pereira, diretor da rede Belshop, com 28 lojas na região da Grande Porto Alegre e em Santa Catarina. “Fomos pegos de surpresa. Numa terça-feira fechamos as lojas de shopping e, a partir daí, tivemos a sensação de que as pessoas passaram a enxergar o nosso negócio como algo não essencial”, lembra o empresário. Isso o le- vou a fechar, por conta própria, as lojas de rua que ainda estavam abertas, antes da publicação do decreto estadual obrigando o fechamento de todo o comércio. Uma das maiores redes de perfu- marias do Brasil, a mineira Lojas Rede, 22ATUALIDADE COSMÉTICA # 170 | MARÇO 2020 CANAL Perfumarias zine Luiza, GPA e B2W que lideram essa agenda no Brasil, até porque muitos de- les vêm investindo pesadamente nisso há mais de uma década. Mesmo assim, a participação das vendas online no Brasil é baixa, mesmo em empresas bastante digitalizadas. Na RD, por exemplo, que opera mais de duas mil lojas das bandeiras Raia e Drogasil, em março, pico da cor- reria para abastecimento, o e-commerce respondeu por 3,5% do total das vendas do grupo. O crescimento na comparação com o mesmo período do ano anterior foi de 213%, mas metade dele é fruto da incorporação do e-commerce da Onofre, que era líder no segmento farma. De qualquer forma, o que chama atenção na digitalização da RD não é o cresci- mento das vendas online, que somaram cerca de R$ 135 milhões no primeiro tri- mestre, mas sim, a integração das lojas físicas ao modelo digital e a expansão da sua esfera de atendimento. O Compre & Retire, por exemplo, já está disponível em 100% das lojas, e o número de lojas que serve como mini centros de distribuição para en- tregas totalizou 191, em 46 cidades no final de março, com objetivo de chegar a 340 pontos em 174 cidades até o final de junho. Para a empresa, isso será fun- damental para alavancar as entregas rápidas com abrangência nacional. A RD também introduziu um programa de entrega de bairro, dentro de um raio de 300 metros dos seus pontos de ven- da para quem pede diretamente às lojas por telefone ou rede social, com entrega imediata e gratuita.O exemplo da RD mostra que exis- te muito a ser feito, inclusive o bom e velho televendas, que funciona tanto para a loja quanto para o consumidor e deve ser sim considerado parte de uma estratégia omnichannel. “Entre o oito (não fazer nada) e o 80 (uma digi- talização avançada) tem muito espaço para atuar”, acredita Álvaro Garcia, diretor Comercial da Multi B, braço do Grupo Boticário responsável por mar- cas como Vult e Australian Gold. “É preciso cuidar da casa (as lojas), mas é uma boa hora para colocar um pé em outras opções de venda”, emenda o di- retor da Multi B. “Televendas é sim um canal impor- tante. Estamos apanhando para imple- mentar isso, porque não tínhamos a estrutura. E esse é o lado bom das difi- culdades. Você se reinventa na marra”, lembra Minoro. Na Leo Cosméticos, Fá- bio Kai diz que já estabeleceu um disk entrega para cada região na qual a rede opera e que esse tem sido o foco. A rede também está trabalhando para imple- mentar um Compre & Retire. A Belshop também têm apostado no televendas e no WhattsApp para atender aos clientes e manter o quadro interno operando. Marina de Moraes, sócia da Mun- do do Cabelereiro, disse que depois de tomar a decisão de dar férias para todo mundo e não demitir ninguém, conta que todas as atenções se voltaram para a pauta digital. “Temos quase três déca- das de lojas, 34 em São Paulo e 20 em Pernambuco, onde nascemos. Todas elas estão fechadas e a fonte de receita zerada”, conta. “Nós sempre olhamos muito para a loja física e o digital não estava muito no radar. Agora isso virou prioridade, um foco muito grande de to- das as empresas”, reforça a empresária. Rapidamente, a Mundo reativou o seu jovem e-commerce, que num primeiro momento também saiu do ar. Mas a si- tuação está exigindo muita capacidade de se reinventar. “Estamos investindo em plataformas digitais, WhatsApp, Rappi, delivery... Viabilizar tudo isso de forma robusta e qualificada é difícil. É preciso acreditar muito nos propósitos de cada companhia e seguir em frente, um dia de cada vez”, afirma Marina. Como o negócio das perfumarias ficou restrito aos formatos online, as in- dústrias também tiveram que direcio- nar suas baterias para ajudar os clien- tes a gerar awarness e vendas nessas novas plataformas. “Apoiamos todos os e-commerce dos nossos clientes pro- duzindo material especifico para eles, promovendo lives, posts, conteúdo, ações nas redes sociais e fazendo trei- namentos. Temos sido muito presentes nesse momento”, garante Katia Couti- nho, diretora de Marketing da Cless, dona de marcas como Salon Opus, Charming e Lightner. Maior empresa de beleza do mun- do, a L’Oréal é dos atores do mercado de bens de consumo mais avançado na agenda de digitalização. No primeiro trimestre deste ano, as receitas em plata- formas online do grupo cresceram mais de 50% e já respondem por quase 20% das vendas do grupo, que no período foram de 7,2 bilhões de euros. A operação brasileira da compa- nhia está longe de ter performance se- melhante no mundo online, ainda mais em sua divisão de Grande Público, da qual fazem parte L’Oréal Paris, Garnier e Niely. Mas a divisão tem acelerado de forma exponencial a sua inserção nesse DIEGO LOPEZ, DA LOJAS REDE: na retomada, não bastará olhar apenas para os números. Será preciso estar no chão de loja para sentir o pulso das equipes e das consumidoras. 23 # 170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA novo mundo e em duas semanas, do- brou o time dedicado ao e-commerce para acelerar projetos e atender me- lhor aos parceiros. “Vimos que entre as perfumarias, assim como a gente, não tinham muita gente olhando para isso. Temos muitos parceiros (clientes) que não estavam plugados em platafor- mas importantes neste momento como os marketplaces e serviços de entrega, como o Rappi, e nós podemos ajudá-los com isso”, garante Joana Fleury, direto- ra de Desenvolvimento de Negócios da L’Oréal Grande Público. O ATENDIMENTO DA PERFUMARIA VAI MUDAR Aproveitar o momento para olhar todos os aspectos do negócio com lupa e ele- var a produtividade dos times também é algo a ser perseguido em meio à pande- mia. Com meses difíceis pela frente será necessário fazer mais com menos. Até por questões sanitárias (e de comportamento do consumidor no pós- -pandemia), as lojas vão precisar operar com menos pessoas dentro delas. Ao menos no curto prazo, isso vai levar, muito provavelmente, a uma redução nos quadros de funcionários e promoto- ras. Se for preciso limitar a entrada de pessoas para evitar aglomerações, é na- tural privilegiar a entrada de clientes, o que vai acabar obrigando o canal a ace- lerar uma discussão importante sobre o seu modelo de operação. Um dos diferenciais das perfuma- rias é o atendimento especializado. No modelo atual, na maioria das redes esse papel de especialista é exercido pelas promotoras e demonstradoras das mar- cas. Elas são alocadas pelas indústrias nas lojas para prestar informações, tirar dúvidas, manter a exposição de produ- tos organizada e, principalmente, ala- vancar as vendas naquele PDV. As perfumarias trabalham com uma miríade de marcas de beleza, muitas de- las são dependentes de um trabalho de abordagem e explicação dos benefícios dos seus produtos para se destacar em meio a tantas opções. Esse é um dos mo- tivos que explica o fato de as perfuma- rias funcionarem com muito mais cola- boradores por loja do que uma farmácia de tamanho equivalente. Assim como o coronavírus tem im- posto a transformação digital às empre- sas, ele também pode acabar impondo uma mudança a esse modelo de aten- dimento. Com o distanciamento social incorporado na população, será preciso restringir o quadro de profissionais no chão de loja. Isso vai levar a revisão de um modelo que, há tempos, acredita- -se não ser o mais indicado para os dias atuais, mas que por uma difícil equação financeira – na prática, o que acontece é que em muitos varejos especializados o salário do chão de loja é pago pelos for- necedores – teima em não mudar. Os empresários do varejo, em sua maioria, não pretendem abrir mão des- sa força, mas eles acreditam que tudo precisará ser revisto. “Tem marcas que precisam dessa venda mais assistida, enquanto outras, que até têm promo- toras, não enxergam grande resultado. Para essas últimas, é hora de rever a estratégia”, acredita Augusto, da Mo- namie. O empresário também acredi- ta que será necessário encontrar um número que não sobrecarregue a loja. “Quem antes ficava fixa numa loja vai ficar três dias num ponto, três em ou- tro”, emenda. Na mesma linha, Minoro, da Sone- da, diz que a rede não vai cortar todas as promotoras, mas que serão mais se- letivos no processo. Atualmente, entre 25% a 30% da força de vendas nas lojas da bandeira é de promotoras. “Vamos analisar muito bem e ver quem real- mente contribui para o acolhimento da loja e agrega valor ao serviço”, acre- dita o CEO da Soneda. Ele reconhe- ce que algumas promotoras viraram “patrimônio da loja” e não podem ser descartadas, mas que as próprias in- dústrias já começaram esse movimen- to de enxugamento. Como é esperada uma redução no mix de marcas com as quais cada rede trabalha, isso também deve servir como uma linha de corte natural de promotoras nas lojas. Fábio Kai, da Leo, é outro que vê mudanças importantes nessa área, in- clusive de perfil. Na rede do sul do País, existem três tipos de profissionais atu- ando: repositoras das marcas de venda mais massiva e que atuam focadas em exposição; promotoras que fazem ações e encantam; e as demonstradoras técni- cas. “Acredito que as segundas, talvez, tendem a cair”, diz ele. Esse suporte mais técnico dado pelas demonstrado- ras tem sido importante durante a pan- demia, já que as clientes estão em casa, e tendo que fazer alguns procedimentos de beleza que antes faziam no salão. “O atendimento via televendas está ten- do o suporte das demonstradoras por meio de WhattsAppou telefone sobre o produto ideal para aplicar no cabelo, o tempo de aplicação e todas as instruções necessárias”, explica Fábio. UMA MÃO AJUDA A OUTRA A relação entre indústria e varejo ga- nhou novos contornos em meio à pan- demia. Com a geração de caixa brutal- mente derrubada, todas as redes tive- ram de apelar às conversas com forne- cedores buscando renegociar prazos e condições de pagamentos. Nessa hora, ter relações bem estabelecidas com as indústrias é um fator importante. Para Wilson Ribeiro, sócio da EICO Cosmé- ticos, o problema é tão grande que só pode ser resolvido de forma fatiada e distribuído entre os diferentes agentes da cadeia. “Nunca imaginamos que teríamos que parar por tanto tempo, foi muito duro. Lojistas que nunca AUGUSTO CARDOSO, DA MONAMIE: apesar dos meses difíceis pela frente, as redes de perfumaria começaram pequenas e trabalharam por muito tempo sem caixa. 24ATUALIDADE COSMÉTICA # 170 | MARÇO 2020 CANAL Perfumarias deixaram de honrar um pagamento, com problemas, e indústrias também. A gente viveu isso. Mas, atendemos todas as solicitações do varejo, demos fôlego para todos os nossos parceiros para que eles pudessem respirar”, conta Wilson. Mas os varejistas têm em mente que nem toda a sua cadeia de abaste- cimento está nas mesmas condições. Muitas indústrias pequenas, que ope- ram exclusivamente nas perfumarias e são parte importante da diferenciação do canal, estão passando por tantas dificuldades quanto às perfumarias e, por isso, precisam do apoio das maio- res redes para sobreviver. “A gente tem que ser sensível também. Temos os grandes fornecedores que podem aguentar muito tempo e os pequenos, que não têm esse folego. Isso vai ser um grande exercício, avaliar caso a caso e traçar novos planos e estraté- gias com cada um deles”, diz Marina, do Mundo do Cabelereiro. “A perfumaria é um dos nossos principais canais, muito relevante em termos de volume. Com a paralisação delas e a suspensão dos pagamentos, o momento ficou delicado”, admite Katia, da Cless. A empresa, que co- locou 50% das equipes de férias, de- senvolveu rapidamente uma linha de álcool em gel que, além de atender ao mercado num momento de escassez, ajudou a gerar uma receita adicional para a empresa. O apoio mútuo, da indústria ao va- rejo e vice-versa, precisará ser dado num contexto no qual as lojas estão estocadas de produtos, o que traz outro dilema para os lojistas. “Tenho estoque e posso segurar a compra por dois, três meses. Mas aí você pode matar um fornecedor importante”, alerta Renato, da Belshop. “Eles vão ter que nos apoiar e nos vamos ter que apoiá-los. Infelizmente, nem todo mundo vai conseguir sobreviver à crise, mas temos que fazer o possível para que o máximo de pessoas consiga sair”, cor- robora Augusto, da Monamie. A NOVA LOJAS E A NOVA CLIENTE Se existe uma certeza até agora nessa pandemia é a de que as consumidoras (quando voltarem) voltarão diferen- tes, ainda receosas de saírem de casa e muito mais cuidadosas ao visitar qual- quer ambiente. Uma missão crítica para a reabertura é a de preparar as lojas para esse novo momento, para que as pessoas tenham a percepção de que todos os cuidados foram tomados e as lojas são realmente seguras. Nesse momento de quarentena, as pessoas já estão vivendo essa nova ex- periência de entrar numa loja ainda com bastante receio. “Tenho tido, como con- sumidor, experiências boas e ruins”, con- ta Alvaro, da Multi B. Ele diz que as lojas de O Boticário, na medida em que estão sendo abertas, deixam afixadas logo na entrada as regras de segurança adotadas, como quantas pessoas podem entrar por vez, permitindo a entrada apenas com máscaras e depois de passar álcool em gel nas mãos e com todos os atenden- tes paramentados. “Vamos ter que usar os epi’s, estabelecer uma nova rotina de trabalho e protocolos de limpeza e aten- dimento para quem entra na loja”, reco- nhece Renato, da Belshop, que opera sa- lões de beleza dentro dos pontos, o que torna o processo ainda mais complexo. Outro aspecto importante ressalta- do por Álvaro é simplificar a jornada LOJA DA SEPHORA NOS EUA: regras de distanciamento social e receio do consumidor após o fim das restrições tornam cenas como essa impossíveis nos próximos meses. 25 # 170 | MARÇO 2020 ATUALIDADE COSMÉTICA de compras. “As pessoas querem sair rápido da loja. O foco e a organização dos produtos nesse momento é impor- tante”, enfatiza. Agora, como será essa nova cliente, é outra história, para o qual ninguém arrisca grandes previsões para além das questões relacionadas aos cuida- dos com a segurança e a higiene. Isso vai levar os lojistas a arregaçar as man- gas, ir para o chão de loja, “encostar a barriga no balcão” para sentir o pulso e tentar entender o comportamento dessa nova consumidora. “Nessa fase, não adianta só olhar para números. Vamos ter que estar bastante presentes no chão de loja para sentir as nossas consultoras e as nossas clientes”, acre- dita Diego , da Lojas Rede. Um dos reflexos que podem ser positivo para as redes de perfumaria após o isolamento é que a migração de alguns procedimentos realizados em salões e clínicas, que uma parcela das consumidoras passou a realizar em casa, seja definitiva, mantendo a venda das colorações massivas, um mercado que vinha andando de lado, em crescimento. O DIGITAL VEIO PARA FICAR “Todo mundo se pergunta quando é que volta. Mas acho que a pergunta cor- reta é: será que estamos prontos para a volta?”, questiona Wilson, da EICO. “Temos que aproveitar essas semanas para nos prepararmos para atender essa nova demanda, essa novo consumidor, esse novo tudo. Nada mais será como era antes”, acredita o empresário. Em meio a tantas incertezas, das poucas coisas que se pode garantir como realidade é que todo mundo (consumi- dores e lojistas) vai estar mais digitali- zado. E por digitalizado, não devemos entender só o e-commerce, mas a digi- talização do consumo de forma mais ampla. Quem não comprava online, seja por medo ou vontade, da noite para o dia não teve como escapar. E uma parce- la grande de quem comprou online (ou por qualquer outro meio de venda que não na loja física) pela primeira vez, vai continuar usando esses novos formatos de compras após a quarentena. Uma pesquisa recente realizada pela empresa de inteligência de merca- do Kantar Worldpanel, aponta que 82% dos brasileiros pretendem manter os novos canais de compras adotados du- rante a pandemia. “Quem ingressa no mundo digital, volta para o físico, mas não abandona o digital”, reforça Joana, da L’Oréal. A executiva conta que as equipes tem passado por um processo de aprendizado sobre como integrar essas novas plataformas à loja física. “Não é mais sobre marketing digital, mas sobre integrar esse universo digi- tal com o mundo real e como fazemos o link disso com as vendas” complemen- ta. “É do digital que a gente vai trazer o cliente para o offline na retomada”, concorda Diego, da Lojas Rede. O MIX VAI MUDAR Outra aposta firme dos especialistas e do mercado é a de que o consumo de produtos relacionados à higiene pesso- al, em especial itens para higienização das mãos, além de epi’s como máscaras, deve permanecer forte após a reabertura do comércio e o relaxamento das regras de isolamento e distanciamento social. Isso é reflexo direto do impacto da pandemia nos hábitos de consumo e uso de produtos de higiene e beleza. E será um dos pontos que vão refletir na mudança do mix das perfumarias, apontada por muitos lojistas como uma necessidade. “Compramos muita luva, borrifador, álcool em gel e quando abrirmos as lojas deveremos focar mui- to em cima desses produtos”, aponta Fabio, da Leo Cosméticos. O outro fator que vai mudar o mix de produtos vendidos pelas perfumarias é a própria questão financeira gerada pela crise. O sortimento amplo que caracte- riza as lojas hoje, deverá ser reduzido num