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1 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO ................................................................................................. 3 
1 PRINCÍPIOS DA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA ............................... 4 
1.1 Alimentação é mais que ingestão de nutrientes ................................... 7 
2 PRÁTICAS ALIMENTARES SAUDÁVEIS ........................................ 8 
2.1 Guia alimentar para a população brasileira .......................................... 9 
2.2 Pirâmide alimentar brasileira .............................................................. 13 
2.2.1 A história da classificação dos alimentos ............................................... 13 
2.2.2 A pirâmide alimentar e seus grupos ....................................................... 14 
2.2.3 Contabilizar os alimentos conforme a pirâmide alimentar ...................... 17 
2.2.4 A pirâmide alimentar e suas adaptações ............................................... 19 
2.2.5 Orientações para escolhas saudáveis a partir da interpretação da 
pirâmide 20 
3 ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NOS DIFERENTES ESTÁGIOS DA 
VIDA 22 
3.1 Orientações para gestantes ............................................................... 23 
3.2 Orientações para crianças menores de 2 anos .................................. 25 
3.3 Orientações para adolescentes .......................................................... 27 
3.4 Orientações para idosos ..................................................................... 28 
4 IMPORTÂNCIA DE UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL PARA O 
ADULTO E O IDOSO ................................................................................................ 29 
5 ALIMENTOS FUNCIONAIS ............................................................. 30 
6 ÁGUA .............................................................................................. 32 
7 CONSEQUÊNCIAS DA MÁ ALIMENTAÇÃO ................................. 34 
8 NUTRIÇÃO E PREVENÇÃO ........................................................... 34 
9 INTERVENÇÕES NUTRICIONAIS TERAPÊUTICAS ..................... 36 
9.1 Gestação ............................................................................................ 37 
 
 
2 
 
9.2 Infância e adolescência ...................................................................... 39 
9.3 População adulta ................................................................................ 41 
9.4 População idosa ................................................................................. 43 
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................ 45 
 
 
 
 
3 
 
INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é 
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora 
que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma 
sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
1 PRINCÍPIOS DA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA 
A rápida mudança nas práticas alimentares, na forma de consumo de alimentos 
e no sistema de produção alimentar gerou uma grande mudança nos parâmetros 
nutricionais, caracterizada pelo aumento no consumo de alimentos industrializados e 
pela redução do consumo de alimentos in natura. Ao longo dos anos, essa mudança 
contribuiu para que ocorresse uma transformação também no estado de saúde da 
população, sendo hoje observado um aumento nos casos de obesidade e de doenças 
crônicas não transmissíveis em função do alto consumo de alimentos ricos em 
carboidratos simples e gorduras saturadas, e menor consumo de frutas e verduras 
(BARANCELLI; GAZOLLA; SCHNEIDER, 2022). 
A preferência por comprar e consumir alimentos industrializados é motivada em 
grande parte pela facilidade envolvida em seu processo de produção e distribuição, o 
que, entre outras coisas, promove a redução do preço desses alimentos. No entanto, 
também há outros fatores determinantes do sistema alimentar de um povo, como 
aspectos geográficos, condições climáticas e demografia da região onde as pessoas 
vivem, além da saúde e da situação econômica da população. Em regiões com menor 
desenvolvimento econômico, onde têm destaque as desnutrições, também é possível 
verificar um aumento no consumo de alimentos industrializados (POULAIN, 2021). 
São consequências do modelo industrial de hábitos alimentares o excesso de 
peso e a obesidade, que estão associados a complicações na saúde, redução da 
longevidade, além de diminuição da qualidade de vida e da produtividade. Tais 
implicações impactam não apenas a saúde dos indivíduos, mas também a economia, 
uma vez que pessoas com essas condições acabam usando mais os serviços de 
saúde, em comparação com pessoas eutróficas (CONDE; SILVA; FERRAZ, 2022). 
Nas últimas décadas, muitos estudos têm sido realizados para investigar a 
relação entre a alimentação e o aumento na prevalência de doenças, e entre hábitos 
alimentares e a longevidade de alguns povos. A partir dessas investigações, tem-se 
constatado que uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes está relacionada 
com envelhecimento saudável e menor morbidade, ao passo que uma alimentação 
rica em produtos industrializados tem sido associada a maior morbidade (IRITI; 
VARONI; VITALINI, 2020). 
 
 
5 
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças crônicas 
não transmissíveis (doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, doenças 
respiratórias, entre outras) são responsáveis por aproximadamente 70% das mortes 
em todo o mundo. Esse rápido aumento das doenças tem sido impulsionado por uma 
série de fatores de risco comportamentais, como, por exemplo, dietas inadequadas, 
sedentarismo, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, exposição a poluentes 
ambientais e a fatores de risco ocupacionais, além dos riscos metabólicos (p. ex.: 
sobrepeso, obesidade, hipertensão, hiperglicemia, hipercolesterolemia, entre outros). 
Ainda, outro problema que persiste é a desnutrição causada tanto pela falta de 
alimentos quanto pela deficiência de nutrientes (WHO, 2020). 
Pesquisas têm demonstrado que a alimentação influencia a microbiota 
intestinal. Observou-se que a dieta é um dos fatores que modulam a composição da 
microbiota intestinal, e que essa composição pode ser alterada conforme mudanças 
na alimentação, afetando diretamente as funções da barreira intestinal e o sistema 
imunológico. Além disso, foi comprovada a relação entre a disbiose da microbiota 
intestinal e diversas doenças crônicas não transmissíveis, bem como doenças 
gastrointestinais e distúrbios neurológicos, como a doença de Parkinson e o transtorno 
do espectro autista. Essa interação entre a microbiota intestinal e o cérebro é 
conhecida como o "eixo intestino-cérebro" (RINNINELLA et al., 2019). 
Considerando-se o importante impacto que a alimentação exerce sobre a 
saúde dos indivíduos, atualmente têm sido elaborados diversos guias e diretrizes para 
orientar a população em diferentes estágios da vida. Mas décadas atrás, em 1937, já 
haviam sido elaboradas recomendações que, devido à sua atualidade emimportante, não podemos deixar de atentar para o cuidado 
com a autoimagem e a autoestima da criança e do adolescente. Uma estratégia 
positiva é a diminuição gradual do consumo de alimentos, introduzindo novos 
alimentos conforme a tolerância e a aceitação sempre que possível (BECK, 2019). 
• Baixo peso e desnutrição 
Atualmente, estamos vivenciando um período em que a desnutrição está em 
declínio; entretanto, em condições clínicas em que o baixo peso está presente, as 
intervenções nutricionais devem prevenir a desnutrição. Crianças gravemente 
desnutridas devem ser tratadas em nível hospitalar devido à complexidade do quadro 
e aos riscos associados. O baixo peso infantil serve de alerta para o início de medidas 
de intervenção nutricional que evitem a continuidade da perda de peso e, 
posteriormente, a recuperação do peso para um desenvolvimento adequado. 
Em situações de perda de peso, ocorre o aporte ineficiente de nutrientes e 
calorias, e essa deve ser a intervenção primordial para a recuperação do estado 
nutricional. Estratégias de aumentar o valor calórico das refeições sem aumentar o 
 
 
40 
 
volume são eficientes, uma vez que a capacidade gástrica pode ser reduzida na 
infância (BECK, 2019). 
• Anemia ferropriva 
Casos de anemia por deficiência de ferro ainda são presentes na população, 
principalmente durante a gestação e a infância. Crianças com anemia ferropriva 
apresentam deficiência de ferro no organismo, uma condição que pode estar 
associada a diversos fatores como baixas reservas de ferro ao nascer (principalmente 
para os indivíduos que nascem com baixo peso e prematuros), velocidade de 
crescimento (primeiros anos de vida), baixa ingestão de ferro, dificuldade de absorção 
do ferro, perdas de ferro por sangramento, verminoses, infecções ou doenças 
inflamatórias intestinais crônicas. 
Quando diagnosticada anemia ferropriva, é necessário que se estabeleçam 
intervenções nutricionais para cessar essa deficiência. Muitas vezes, essa terapêutica 
nutricional é complementada por suplementação medicamentosa para potencializar o 
tratamento. Deve-se incentivar o aleitamento materno para crianças menores de 2 
anos e promover educação nutricional eficaz para a ingestão de alimentos ricos em 
ferro e orientação quanto ao consumo de alimentos ricos em vitamina C para aumentar 
a biodisponibilidade desse mineral (BECK, 2019). 
• Hipovitaminose A 
A falta de vitamina A está associada com alterações e lesões oculares, levando 
a dificuldades de enxergar à noite (xeroftalmia) e possibilidades de evoluir para 
cegueira. Além disso, estudos mostram que o déficit de vitamina A contribui para a 
ocorrência de anemia por prejudicar a mobilização dos depósitos de ferro. Seriam, 
portanto, problemas interligados, o que submete à população ao risco dos dois 
agravos. As ações preventivas de incentivo ao consumo de alimentos ricos em 
betacaroteno (precursor da vitamina A) e também ricos em vitamina A, o estímulo ao 
aleitamento materno e a rotina do acompanhamento do crescimento e 
desenvolvimento infantil fazem parte da atenção básica em saúde da criança (BECK, 
2019). 
 
 
41 
 
9.3 População adulta 
• Obesidade 
O tratamento da obesidade é um processo lento e gradual, com grandes índices 
de recidiva por tratar-se de uma complexa patologia de causas multifatoriais. O 
sucesso no tratamento da obesidade parece estar relacionado com a abordagem 
terapêutica, estabelecendo vínculo e adesão. É importante salientar que pequenas 
reduções de peso já trazem importantes benefícios para a saúde, como redução da 
resistência insulínica, redução dos níveis glicêmicos e melhora do perfil lipídico. Não 
existe uma estratégia de intervenção nutricional única para a redução do excesso de 
peso acumulado, de modo que a intervenção deve ser planejada de forma 
individualizada, conforme o contexto de cada indivíduo. De forma geral, sabe-se que 
o estilo alimentar saudável favorece o ritmo metabólico e auxilia na perda de peso, 
devendo ser estimulado (BECK, 2019). 
• Hipertensão arterial 
Sabe-se que a hipertensão arterial também é influenciada por fatores 
ambientais modificáveis sendo a alimentação fortemente associada no tratamento 
dessa doença. Dentre os componentes alimentares com provável ação na pressão 
arterial, o sódio é, sem dúvida, o que tem a relação direta hipertensiva mais bem 
estabelecida, sendo o sal o mais importante determinante dietético da pressão arterial. 
A diminuição do consumo de sódio é fundamental para o controle dos níveis 
pressóricos da população, recomenda-se o consumo de 2,4 g de sódio/dia ou 6 g de 
sal (cloreto de sódio). 
Entretanto, o sódio não é o único mineral que influencia os níveis de pressão 
arterial; o potássio, por exemplo, é um mineral com ação hipotensiva devido às suas 
propriedades natriuréticas e vasodilatadoras. Sabe-se também, que baixas doses de 
cálcio na dieta estão associadas com níveis pressóricos mais altos e estudos sugerem 
que, em pessoas hipertensas, o metabolismo do cálcio está alterado, com excreção 
aumentada em pacientes sensíveis ao sal. O aumento do cálcio por meio de alimentos 
é o mais indicado para controle dos níveis desse mineral em relação à pressão arterial. 
O magnésio é um mineral intimamente ligado ao tônus vascular e à pressão 
arterial. Embora sua relação com a manutenção de bons níveis pressóricos seja 
 
 
42 
 
controversa, a associação de níveis baixos de magnésio com o aumento da pressão 
arterial não pode ser descartada. Além disso, o consumo excessivo de álcool, o 
sedentarismo, a obesidade e o baixo consumo de vegetais também estão associados 
à hipertensão, sendo fatores modificáveis por meio de ações de atenção básica à 
saúde, o que ajuda a diminuir o risco cardiovascular associado (BECK, 2019). 
• Diabetes mellitus (DM) 
O diabetes é uma doença metabólica relacionada com a resistência, 
intolerância ou deficiência insulínica. Sabemos que o DM tipo 1 é uma doença 
autoimune, decorrente da destruição das células beta pancreáticas, resultando em 
absoluta deficiência de insulina. Já o DM tipo 2 é mais prevalente na população, 
responsável por 90% dos casos diagnosticados e é resultante de graus variáveis de 
resistência à insulina e deficiência relativa na sua secreção. Nessa condição clínica, 
a alimentação é parte fundamental do tratamento que deve ser seguido, podendo 
prevenir e/ou retardar o aparecimento da doença e de suas complicações associadas. 
Dessa forma, independentemente do tipo de diabetes, a orientação alimentar 
tem por objetivo propiciar um bom controle metabólico (taxas de glicemia normais ou 
desejáveis, perfil lipídico adequado e níveis de pressão arterial adequados), prevenir 
e tratar as complicações que podem surgir (doenças cardiovasculares, nefropatias, 
retinopatias, hipertensão) e melhorar a saúde do indivíduo (BECK, 2019). 
• Doenças cardiovasculares 
São doenças que afetam o coração e os vasos sanguíneos, como doença da 
artéria coronariana (DAC), doença cerebrovascular, aterosclerose e hipertensão. É 
importante que a avaliação nutricional, nesses casos, seja iniciada pela análise dos 
fatores de risco, principalmente os que envolvem os fatores modificáveis. Sabe-se que 
quanto mais fatores a pessoa apresentar, maior o risco do desencadeamento de DAC. 
Existe uma série de intervenções nutricionais com finalidade cardioprotetora, e a dieta 
é peça fundamental na prevenção e no tratamento dessas condições clínicas (BECK, 
2019). 
 
 
43 
 
9.4 População idosa 
A alimentação exerce um importante papel na saúde e na habilidade funcional 
da população idosa, por essa razão o estado nutricional possui grande impacto sobre 
o bem-estar físico e psicológico nas idades avançadas. Sabemos que o déficit de 
nutrientes é mais frequente na população de idosos do que em adultos e jovens, o 
que expõe o idoso a um maior risco de desenvolver doenças carenciais. A inadequadaingestão de nutrientes na alimentação diária é, muitas vezes, consequência de 
desordens somáticas, psíquicas e sociais, sendo as principais causas decorrentes de 
problemas de mastigação e deglutição, depressão e isolamento social (VENTURINI 
et al., 2015). 
Considera-se uma má nutrição qualquer alteração no estado nutricional normal, 
podendo ocorrer por consequência da subnutrição, com a qual observamos a 
deficiência de macronutrientes, vitaminas e minerais, ou a supernutrição, levando à 
obesidade. Sabe-se que a má nutrição, independentemente de sua causa, está 
associada a um pior prognóstico, representando um fator de risco independente para 
morbidade e mortalidade (STÜRMER et al., 2011). Veja, a seguir, algumas 
características clínicas e nutricionais relacionadas à população idosa (BECK, 2019). 
• Cálcio: a ingestão adequada de cálcio está relacionada com a prevenção no 
desenvolvimento de osteoporose, condição clínica comum nos idosos. Sabe-
se que a absorção desse mineral é reduzida no envelhecimento, de modo que 
se deve estimular o consumo de alimentos ricos nesse mineral na alimentação 
diária para prevenir a desmineralização óssea. 
• Magnésio: a deficiência de magnésio também é um fator de risco para o 
desenvolvimento de osteoporose. Na população idosa, é frequente a redução 
no consumo de alimentos fonte de magnésio, além da ocorrência de piora na 
absorção intestinal e do aumento da excreção urinária. Dessa forma, deve-se 
incentivar o consumo de alimentos ricos em magnésio na alimentação diária. 
• Vitamina D: essa vitamina também está envolvida no metabolismo do cálcio e, 
portanto, na prevenção da osteoporose. Deve-se incentivar o consumo de 
fontes alimentares de vitamina D. Além disso, sabe-se que a luz solar é o 
principal fator que faz com que a pele produza vitamina D, apesar de essa 
 
 
44 
 
produção diminuir na velhice. Assim, deve-se propor horários para exposição 
ao sol. 
• Doenças carenciais: em situações de doenças carenciais, frequentemente 
observadas em idosos devido às mudanças fisiológicas naturais do 
envelhecimento que afetam o apetite e a absorção de alimentos, é necessária 
uma avaliação específica e individualizada. Na inadequação nutricional 
primária, resultante do consumo insuficiente de nutrientes, pode-se tentar 
concentrar o valor calórico em refeições já aceitas, fracionadas ao longo do dia, 
com aumento progressivo do volume. A inclusão de gorduras saudáveis nas 
refeições prontas, tubérculos misturados às preparações, farinhas enriquecidas 
com vitaminas e minerais, além de misturas de vegetais e frutas liquidificadas 
ou pastosas, pode facilitar a ingestão e digestão. Quando a alimentação oral 
não for suficiente ou não puder ser alterada, ou quando a desnutrição proteico-
calórica já estiver instalada, o paciente deve ser encaminhado para atenção 
especializada. (BECK, 2019). 
 
 
45 
 
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BARANCELLI, M. D. C.; GAZOLLA, M.; SCHNEIDER, S. Characterization of the 
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eng.pdf?sequence=1. Acesso em: 04 fev. 2025.relação ao 
tema, seguem servindo de referência até hoje. Trata-se das mundialmente 
reconhecidas Leis da Alimentação do médico argentino e grande estudioso da fome 
Pedro Escudero (1877–1963), apresentadas a seguir (VENTURI, 2023): 
• Lei da qualidade: os alimentos devem ser suficientes para satisfazer as 
necessidades energéticas e nutricionais do organismo e mantê-lo em equilíbrio. 
Assim, cada indivíduo necessita de quantidades específicas de carboidratos, 
proteínas, gorduras, fibras, vitaminas, minerais e de água para manter suas 
funções orgânicas e atividades diárias. Isto depende do sexo, da idade, do 
estado fisiológico e da atividade física. Tanto o excesso quanto a falta serão 
 
 
6 
 
prejudiciais ao organismo. Portanto, é necessária muita atenção às 
quantidades individuais. 
• Lei da quantidade: a alimentação deve ser completa em sua composição e que 
forneça ao organismo todos os nutrientes que ele necessita. Os nutrientes são 
essenciais para formação, crescimento e manutenção de um corpo saudável 
ao longo da vida, assim como para uma possível recuperação quando 
necessário. As refeições devem ser variadas, oferecendo todos os grupos de 
nutrientes para o bom funcionamento do corpo. A saúde do nosso organismo 
depende da qualidade e não da quantidade do que fornecermos para que ele 
tenha ou não um bom desempenho. 
• Lei da harmonia: é preciso ter um equilíbrio entre todos os nutrientes que 
necessitamos. Não é porque um nutriente é bom que devemos consumi-lo em 
grande quantidade. É necessária uma relação de equilíbrio na composição da 
alimentação de modo a evitar os excessos ou deficiências de nutrientes. O 
nosso organismo aproveita corretamente os nutrientes quando estes se 
encontram em proporções adequadas. Assim, é importante haver um equilíbrio 
entre eles, pois as substâncias não agem isoladamente, mas sim em conjunto. 
Por exemplo, a relação entre a ingestão de carboidratos, proteínas e gorduras, 
deve estar em harmonia. 
• Lei da adequação: mostra que a alimentação deve ser adequada às 
necessidades de cada organismo, respeitando as características de cada 
indivíduo. É necessário considerar os ciclos da vida: infância, adolescência, 
adultos e idoso; o estado fisiológico: gestação, lactação; o estado de saúde: 
presença ou ausência de doenças; os hábitos alimentares: deficiência de 
nutrientes; as condições socioeconômicas e culturais: acesso aos alimentos. 
As leis estabelecidas por Pedro Escudero são usadas até os dias atuais. É 
importante que em todas as fases de sua vida, o indivíduo receba alimentos com 
qualidade nutricional, em quantidade suficiente para atender à sua demanda 
energética e de nutrientes, que não sejam excessivos ou causem deficiências 
nutricionais e que estejam adequados às condições de saúde e à realidade das 
pessoas. 
 
 
7 
 
1.1 Alimentação é mais que ingestão de nutrientes 
Não basta apenas consumir alimentos, é preciso que esses alimentos tenham 
valor nutricional suficiente para atender às necessidades de cada indivíduo. Além 
disso, é importante que os alimentos estejam de acordo com a realidade 
socioeconômica e cultural das pessoas e que sejam variados, para que a combinação 
de diferentes alimentos possa suprir as necessidades individuais (BRASIL, 2014). 
A cultura e a tradição alimentar de um povo, transmitidas ao longo das 
gerações, servem atualmente como fundamento para o desenvolvimento de 
orientações sobre alimentação saudável, buscando-se valorizar alimentos regionais e 
seus produtores. Além disso, a formulação dessas orientações considera os 
conhecimentos adquiridos por meio de pesquisas acadêmicas sobre os efeitos 
positivos e negativos de determinados alimentos no organismo humano. 
Em geral, essas pesquisas levam em conta vários fatores, como os tipos de 
alimentos, os ingredientes dos produtos comercializados, a classificação quanto ao 
processo de industrialização, as formas de preparo, o público consumidor e as 
doenças que podem estar relacionadas ao consumo alimentar, entre outros. Portanto, 
as orientações sobre hábitos alimentares são formuladas com base nos resultados de 
estudos científicos experimentais, clínicos, populacionais e antropológicos, além da 
cultura e tradição alimentar de diferentes populações. 
As escolhas alimentares do indivíduo são influenciadas por diversos fatores, 
como o meio social em que ela vive, a publicidade, questões econômicas, suas 
preferências alimentares e o acesso a informações sobre benefícios e malefícios 
associados ao consumo de determinados alimentos, entre outros. Conscientizar-se 
sobre os efeitos da alimentação na sua saúde e conhecer hábitos alimentares 
saudáveis que sejam adequados à sua realidade cultural e socioeconômica são 
formas de o indivíduo ampliar sua autonomia nas escolhas alimentares (BRASIL, 
2014). 
Uma alimentação saudável deve incluir o consumo diário de água, carboidratos, 
lipídeos, proteínas, fibras e os micronutrientes, pois são indispensáveis ao organismo, 
ou seja, o indivíduo precisa incluir todos os nutrientes para que o crescimento, 
desenvolvimento e manutenção da saúde sejam adequados. Entretanto, para facilitar 
o entendimento da população sobre alimentação saudável, os especialistas afirmam 
que deve-se focar no alimento e não no nutriente. As pessoas não consomem 
 
 
8 
 
nutrientes, mas alimentos palpáveis, com cheiro, cor, textura e sabor. Assim podemos 
estabelecer metas mais realistas de consumo, identificando alimentos específicos em 
grupos, conforme o Quadro 1 (SANT’ANNA, 2018). 
Quadro 1 - Alimentos saudáveis por grupo 
 
Fonte: Sant’Anna (2018). 
2 PRÁTICAS ALIMENTARES SAUDÁVEIS 
A dieta e a nutrição são importantes determinantes da saúde e da doença de 
um grupo populacional. As práticas alimentares inadequadas estão relacionadas ao 
aumento da incidência de sobrepeso, obesidade e doenças crônicas não 
transmissíveis entre indivíduos de todas as faixas etárias. Em resposta ao crescimento 
significativo do número de casos dessas doenças, órgãos estatais têm implementado 
ações para conscientizar a população sobre a importância de manter práticas 
alimentares saudáveis, destacando-se a elaboração de manuais e guias (BRUG, 
2008). 
 
 
9 
 
2.1 Guia alimentar para a população brasileira 
O guia alimentar para a população brasileira foi publicado em 2006, 
apresentando as primeiras diretrizes alimentares oficiais para o país. Foi revisado em 
2014 para se adequar às mudanças sociais e de saúde vivenciadas pela população. 
Nele, são apresentados os dez passos para uma alimentação adequada e saudável 
que resumem as diretrizes nacionais de alimentação e nutrição voltadas aos cidadãos 
e profissionais de saúde, orientando a prática da promoção da alimentação apropriada 
e saudável. Apesar dos dez passos terem como foco a promoção da saúde e a 
prevenção de doenças, as suas recomendações, também, podem ser úteis para 
pessoas que possuem doenças, desde que adaptadas por profissionais de saúde 
(BRASIL, 2014). 
Para a elaborar essas diretrizes, foram consideradas como premissas básicas, 
a existência de evidências científicas e a promoção do direito humano à alimentação. 
Além disso, foi levado em conta o conceito de saúde, que vai além da ausência de 
doenças, e o de alimentação adequada e saudável, para além do consumo de 
nutrientes, conforme estabelecido pelo marco de referência de educação alimentar e 
nutricional para as políticas públicas. Assim, os dez passos estão disponibilizados no 
formato de folders, para que os profissionais possam trabalhar melhor as orientações 
preconizadas pelo guia alimentar, nas ações propostas. 
Agora, você poderá conferir o que orientam as diretrizes preconizadas nos dez 
passos: 
• Passo 1: fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da 
alimentação. 
Em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, alimentos in 
natura são a baseideal para uma alimentação nutricionalmente balanceada, 
saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente 
e ambientalmente sustentável. Variedade significa alimentos de todos os tipos de 
grãos, raízes, tubérculos, farinhas, legumes, verduras, frutas, castanhas, leite, ovos e 
carnes e variedade dentro de cada tipo de feijão, arroz, milho, batata, mandioca, 
tomate, abóbora, laranja, banana, frango, peixes etc. 
 
 
10 
 
• Passo 2: utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar, em pequenas quantidades, ao 
temperar, cozinhar alimentos e criar preparações culinárias. 
Quando utilizados com moderação em preparações culinárias à base de 
alimentos in natura ou minimamente processados, óleos, gorduras, sal e açúcar 
contribuem para diversificar e tornar mais saborosa a alimentação, sem torná-la 
nutricionalmente desbalanceada. 
• Passo 3: limitar o consumo de alimentos processados. 
Os ingredientes e métodos usados na fabricação de alimentos processados, 
como conservas de legumes, compota de frutas, pães e queijos alteram, de modo 
desfavorável, a composição nutricional dos alimentos dos quais derivam. Em 
pequenas quantidades, podem ser consumidos como ingredientes de preparações 
culinárias ou parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente 
processados. 
• Passo 4: evitar o consumo de alimentos ultraprocessados. 
Devido a seus ingredientes, os alimentos ultraprocessados, como biscoitos 
recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes e macarrão instantâneo são 
nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresentação, 
tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou 
minimamente processados. Suas formas de produção, distribuição, comercialização 
e consumo afetam de modo negativo a cultura, a vida social e o meio ambiente. 
• Passo 5: comer com regularidade e atenção em ambientes apropriados e, 
sempre que possível, com companhia. 
As refeições devem ser realizadas em horários semelhantes todos os dias e 
deve-se evitar beliscar nos intervalos entre as refeições. O alimento necessita ser 
comido devagar, em locais limpos, confortáveis e tranquilos, em que não haja 
estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimento. Sempre que 
possível, comer na companhia de familiares, amigos ou colegas de trabalho ou escola. 
A companhia nas refeições favorece o comer com regularidade e atenção, combina 
com ambientes apropriados e amplia o desfrute da alimentação. 
 
 
11 
 
• Passo 6: fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in 
natura ou minimamente processados. 
Procure fazer compras de alimentos em mercados, feiras livres e feiras de 
produtores e outros locais que comercializam variedades de alimentos in natura ou 
minimamente processados. Prefira legumes, verduras e frutas da estação e cultivados 
localmente. Sempre que possível, adquira alimentos orgânicos e de base 
agroecológica, de preferência diretamente dos produtores. 
• Passo 7: desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias. 
Se você tem habilidades culinárias, procure desenvolvê-las e partilhá-las, 
principalmente com crianças e jovens, sem distinção de gênero. Se você não tem 
habilidades culinárias – e isso vale para homens e mulheres –, procure adquiri-las. 
Para isso, converse com as pessoas que sabem cozinhar, peça receitas a familiares, 
amigos e colegas, leia livros, consulte a internet, eventualmente faça cursos e comece 
a cozinhar! 
• Passo 8: planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela 
merece. 
As compras de alimentos devem ser planejadas e a despensa doméstica 
organizada para auxiliar a definir, com antecedência, o cardápio da semana. Deve-se 
dividir com os membros da família a responsabilidade por todas as atividades 
domésticas relacionadas ao preparo de refeições. Fazer da preparação das refeições 
e do ato de comer momentos privilegiados de convivência e prazer. 
• Passo 9: dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições 
feitas na hora. 
No dia a dia, é necessário procurar locais que servem refeições feitas na hora 
e a preço justo. Restaurantes de comida a quilo podem ser boas opções, assim como, 
refeitórios que possuem comida caseira em escola ou local de trabalho. As redes de 
fast-food devem ser evitadas. 
• Passo 10: ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre 
alimentação veiculadas em propagandas comerciais 
 
 
12 
 
Lembre-se de que a função essencial da publicidade é aumentar a venda de 
produtos, e não informar ou, menos ainda, educar as pessoas. Avalie com crítica o 
que você lê, vê e ouve sobre alimentação em propagandas comerciais e estimule 
outras pessoas, particularmente crianças e jovens, a fazerem o mesmo. 
 
Com base nessas orientações, o Guia alimentar para a população brasileira 
apresenta exemplos de cardápios equilibrados, compostos por alimentos in natura ou 
minimamente processados disponíveis em diferentes regiões do Brasil e que 
fornecem aos indivíduos carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais em 
quantidade adequada. Veja esses exemplos a seguir (BRASIL, 2014): 
• Café da manhã 
Exemplos de cafés da manhã saudáveis e típicos dos brasileiros são aqueles 
que apresentam café com leite e fruta ou suco de fruta. Incluem-se também alimentos 
à base de cereais (pão, aveia, bolo de milho) e até mesmo tubérculos como a tapioca. 
Queijos e ovos também são boas opções para serem acrescentadas nesta refeição. 
• Almoço e jantar 
Nessas refeições, a mistura de feijão com arroz aparece quase sempre e 
demonstra a realidade alimentar da imensa maioria dos brasileiros que privilegiam 
alimentos in natura ou minimamente processados. Lentilhas ou grão-de-bico podem 
ser utilizadas no lugar do feijão. Também é interessante usar a farinha de mandioca 
no lugar do arroz. 
Apesar das verduras e legumes serem consumidos em menor quantidade, 
devem estar sempre presentes para compor uma refeição mais completa. Podem ser 
preparados crus, em saladas, ou em preparações cozidas ou refogadas. Para o jantar, 
os legumes e verduras podem ser utilizados no preparo de sopas. Em relação às 
carnes vermelhas (de gado ou de porco) devem ser priorizados os cortes magros e as 
preparações grelhadas ou assadas. Essas podem ser substituídas por frango ou 
peixe, ovos (omelete) ou legumes (abóbora com quiabo). 
Como sobremesa, destacamos a presença alternada de frutas e doces 
caseiros. 
• Pequenas refeições 
 
 
13 
 
Além das refeições principais (café da manhã, almoço e jantar), algumas 
pessoas podem sentir necessidade ou mesmo ter o hábito de fazer outras refeições 
ao longo do dia. Crianças e adolescentes, por se encontrarem em fase de 
crescimento, usualmente precisam fazer uma ou mais pequenas refeições, mas isso 
pode ocorrer também com pessoas em outras fases do curso da vida. 
A escolha dos alimentos a serem consumidos nessas refeições deve seguir as 
recomendações de privilegiar alimentos in natura ou minimamente processados, 
limitar os processados e evitar os ultraprocessados. Frutas frescas ou secas são 
excelentes alternativas, bem como leite, iogurte natural e castanhas ou nozes, na 
medida em que são alimentos com alto teor de nutrientes e grande poder de 
saciedade, além de serem práticos para transportar e consumir (BRASIL, 2014). 
2.2 Pirâmide alimentar brasileira 
A pirâmide alimentar brasileira é uma representação gráfica que ajuda a 
orientar a alimentação de forma saudável. Ela divide os alimentos em grupos e indica 
a quantidade ideal de cada grupo que deve ser consumida diariamente para manter 
uma dieta equilibrada. 
2.2.1 A história da classificação dos alimentos 
Para tornar mais didático o aconselhamento nutricional, diversas maneiras de 
classificar os alimentos foram desenvolvidas e reformuladas ao longo do tempo. Seja, 
para orientar consumidores ou paratornar mais didática uma instrução individual, as 
classificações são um instrumento comum na educação nutricional. Nesse sentido, 
muitos países, ao elaborarem seus guias alimentares para orientação da população e 
de políticas públicas, adotaram alguma classificação de alimentos como oficial. Essa 
classificação pode variar significativamente, até mesmo entre países do mesmo 
continente. Por isso, entidades e pesquisadores buscam a harmonização dos 
sistemas de classificação (NETO, 2018). 
O químico Wilbur Olin Atwater foi o precursor na investigação nutricional e o 
primeiro a organizar os componentes necessários para o desenvolvimento de guias 
alimentares. Em 1894, a publicação de tabelas de composição de alimentos e padrões 
 
 
14 
 
dietéticos para a população norte-americana facilitou os futuros estudos que 
estabeleceriam relações entre a composição dos alimentos, ingestão alimentar e 
saúde dos indivíduos. A partir desses trabalhos, vários guias foram elaborados para 
diferentes grupos populacionais, apresentando distintas formas de representação 
gráfica. 
O avanço científico no estudo dos alimentos e da fisiologia humana aplicada à 
nutrição, ocorrido entre as décadas de 1980 e 1990, resultou em pesquisas que 
levaram à criação de novas classificações para os alimentos, especialmente após a 
publicação do guia alimentar norte-americano em 1992. 
A classificação clássica, utilizada ao longo dos anos, no mundo inteiro, tinha 
como parâmetro a função dos alimentos no organismo. Dessa forma, os alimentos 
eram agrupados em energéticos (fornecem carboidratos e gorduras), construtores 
(alimentos proteicos e reguladores) e reguladores (fontes de vitaminas e de minerais) 
(PHILIPPI, 2008). 
Esse instrumento, representado graficamente como uma roda de alimentos, foi 
aplicado no Brasil, até meados da década de 1990, como um instrumento de educação 
nutricional e orientação dietética (PHILIPPI et al., 1999). Embora chamada de 
clássica, ela não é mais utilizada, considerando a complexidade dos alimentos e suas 
preparações. Além disso, não é mais recomendada para aconselhamento nutricional 
por órgãos oficiais (FAO, 1997). 
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) associado ao 
Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), formulou, em 1992, um novo 
modelo de classificação dos alimentos com a forma gráfica de uma pirâmide alimentar 
(WELSH; DAVIS; SHAW, 1992). Em 1999, seguindo essa tendência e considerando 
os bons resultados que os estudos apresentaram na compreensão populacional com 
a nova forma gráfica, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) adaptaram 
à realidade brasileira o modelo de pirâmide alimentar (PHILIPPI et al., 1999). 
2.2.2 A pirâmide alimentar e seus grupos 
Na Figura 1, é possível observar que a pirâmide alimentar foi organizada em 
quatro níveis, da base para o topo: 
 
 
 
15 
 
• 1º nível: Alimentos energéticos como o grupo dos cereais, tubérculos, raízes; 
• 2º nível: Alimentos reguladores como hortaliças, vegetais e frutas, importantes 
fontes de vitaminas, minerais e fibras; 
• 3º nível: Alimentos proteicos como o grupo do leite e produtos lácteos, carnes, 
ovos e leguminosas; 
• 4º nível: Alimentos ricos em gorduras, açúcares e sal, que devem ser 
consumidos com moderação. 
Figura 1 – Pirâmide alimentar 
 
Fonte: Adaptada de Philippi et al. (1999). 
A representação gráfica da pirâmide alimentar facilita tanto o trabalho dos 
profissionais de saúde quanto a compreensão dos pacientes, especialmente quando 
é necessária uma dieta calculada. O fato de porções completas atenderem ao 
fechamento do cálculo energético aumenta a probabilidade de adesão à dieta. Não 
seria prático apresentar um plano alimentar com meia porção ou um quarto dela. 
 
 
16 
 
Portanto, as porções do guia foram elaboradas de forma a permitir o consumo de 
porções inteiras, mesmo em dietas com menor valor calórico, possibilitando ao 
nutricionista focar no conceito de porção para fins didáticos (PHILIPPI et al., 1999). 
Durante a prática clínica, dependendo dos hábitos alimentares dos indivíduos, 
o conceito de porção é extremamente variável. Neste sentido, o conceito da pirâmide, 
com seus exemplos de porções, colabora para que paciente e nutricionista consigam 
se entender no momento de planejar a dieta. 
No Quadro 2, são descritas as características dos oito grupos de alimentos 
representados nos quatro níveis da pirâmide alimentar: 
 
Quadro 2 - Os oito grupos alimentares 
 
 
 
 
 
17 
 
 
Fonte: Neto (2018). 
Embora a pirâmide brasileira tenha grande inspiração na pirâmide americana, 
a quantidade das porções dos alimentos foi estabelecida de forma diferente. No caso 
dos cereais, foi proposto um número menor de porções, em comparação com a outra 
pirâmide, enquanto que, para o grupo das hortaliças, foi sugerido um valor maior de 
porções (PHILIPPI et al., 1999). Ainda de acordo com as diferenças, a pirâmide 
brasileira destaca as leguminosas como um grupo próprio, considerando importante a 
questão cultural do consumo delas, como o feijão e a lentilha. Já, na pirâmide 
alimentar americana isso não ocorre, elas são incluídas junto com as carnes e ovos. 
 Os alimentos proteicos foram todos apresentados no mesmo nível da pirâmide, 
com porções recomendadas correspondendo de 10 a 15% do valor energético total. 
Porém, a divisão indica que carnes, leite e leguminosas não podem ser substituídos 
livremente entre si. As gotas e os cubos, representando o óleo e o açúcar, 
respectivamente, foram distribuídos por toda a pirâmide para reforçar a presença 
intrínseca ou a adição desses alimentos a todos os tipos de preparações. Entretanto, 
foi estabelecida uma quantidade específica de porções para gorduras e açúcares, 
visando facilitar a orientação sobre a moderação no consumo desses elementos 
(PHILIPPI et al., 1999). 
2.2.3 Contabilizar os alimentos conforme a pirâmide alimentar 
Alimentos como frutas e que tenham preparações únicas, como por exemplo, 
o feijão, são de fáceis de identificar e contabilizar por meio da pirâmide. Porém, 
 
 
18 
 
preparações mais complexas, apresentam dificuldades para a sua contabilização nas 
porções dos grupos de alimentos (NETO, 2018). 
Uma massa com molho de queijo poderia causar dúvidas na hora de classificar 
a qual grupo da pirâmide a preparação pertence. Neste caso, poderiam ser 
contabilizados as porções dos alimentos predominantes no prato: o macarrão, no 
grupo dos carboidratos e o molho de queijo, no grupo dos lácteos. Assim, você já pode 
perceber que as refeições e preparações não são contabilizadas em separado, e sim, 
compostas por porções de alimentos de diferentes grupos. 
É fundamental estar atento à quantidade de sal, açúcar e óleo adicionados aos 
alimentos e preparações. Devido à alta densidade energética dos açúcares e 
gorduras, seu uso inadequado pode comprometer significativamente o valor calórico 
desejado. A seguir, estão algumas recomendações básicas com base em uma 
interpretação geral da pirâmide alimentar: 
• escolher uma dieta variada com alimentos de todos os grupos da pirâmide; 
• dar preferência aos vegetais, como frutas, verduras e legumes; 
• ficar atento ao modo de preparo dos alimentos para garantia da qualidade final, 
dando preferência aos alimentos em sua forma natural, além de preparações 
assadas, cozidas em água ou no vapor e grelhadas; 
• ler os rótulos dos alimentos industrializados para conhecer o valor nutritivo do 
alimento que será consumido; 
• medidas radicais não são recomendadas e os hábitos alimentares devem ser 
aos poucos modificados; 
• utilizar açúcares, doces, sal e alimentos ricos em sódio com moderação; 
• consumir alimentos com baixo teor de gordura. Preferir gorduras insaturadas 
(óleo vegetal e margarina), leite desnatado e carnes magras; 
• se fizer uso de bebidas alcóolicas, que seja de forma moderada; 
• considerar o estilode vida e a energia diária são necessários para programar 
a dieta e atingir o peso ideal (NETO, 2018). 
 
 
19 
 
2.2.4 A pirâmide alimentar e suas adaptações 
A elaboração da primeira edição do guia alimentar brasileiro exigiu adaptações 
na pirâmide alimentar brasileira já publicada. Foram adaptados os cálculos do número 
de porções e de seu valor energético médio, assim, o valor calórico da dieta que era 
de 2500kcal foi reduzida para 2000kcal. 
Além disso, parte gráfica também sofreu algumas alterações, ganharam 
destaque as frutas regionais (caju, goiaba e graviola), as folhas verdes escuras, os 
peixes e as castanhas. No grupo dos doces, a representação do chocolate e do 
açucareiro enriqueceram a apresentação da pirâmide alimentar (PHILIPPI et al., 
1999). Acompanhe na Figura 2 as modificações feitas na representação da pirâmide 
alimentar brasileira: 
Figura 2 - Pirâmide alimentar adaptada 
 
Fonte: Adaptada de Brasil (2014). 
 
 
20 
 
2.2.5 Orientações para escolhas saudáveis a partir da interpretação da pirâmide 
Atualmente, com base nos novos estudos e na segunda edição do guia 
alimentar para a população brasileira, é importante saber que a classificação por 
grupos alimentares não possui a sensibilidade necessária para identificar o nível de 
processamento dos alimentos. No entanto, devido à industrialização dos gêneros 
alimentícios, é essencial identificar o consumo excessivo de alimentos 
ultraprocessados e deixar claro ao paciente que a preferência deve ser por alimentos 
in natura ou minimamente processados (NETO, 2018). 
Por não considerar o nível de processamento industrial, a pirâmide não foi 
adotada na segunda edição do guia. Contudo, estudou-se a sua relevância histórica 
e vantagens quanto à representação gráfica intuitiva e às indicações de porções, pois 
ainda podem ser instrumentos úteis na prática clínica. 
Na orientação individual dos pacientes, é essencial oferecer opções e propor 
uma dinâmica que promova a variedade, mantendo a meta energética estabelecida 
(segundo a pirâmide). O nutricionista deve adaptar a orientação populacional para 
cada caso individual, levando em conta problemas epidemiológicos atuais, como o 
alto consumo de alimentos refinados e ultraprocessados, além dos aspectos 
específicos do paciente, para orientá-lo nas escolhas mais adequadas dentro de cada 
grupo alimentar. 
 Para ilustrar melhor as orientações pertinentes, utilizando como instrumento a 
pirâmide alimentar, será exposto no Quadro 3, o cardápio de um indivíduo que relatou 
o seu hábito alimentar: 
Quadro 3 - Exemplo de cardápio
 
 
 
21 
 
Fonte: Neto (2018). 
 
Agora, você poderá conferir, de forma mais detalhada, no Quadro 4, a 
classificação e as porções recomendadas dos alimentos que compõem o cardápio 
desse mesmo indivíduo: 
 
Quadro 4 - A porção e classificação de determinados alimentos 
 
Fonte: Neto (2018). 
Com base na análise dessas características, serão feitas algumas colocações 
a respeito da distinção de alguns alimentos consumidos no cardápio. Em primeiro 
lugar, é possível observar que o item pastel de feira não se encontra catalogado, o 
que leva a analisar a preparação e identificar as porções médias de seus principais 
componentes. Como é uma preparação frita e a porção de óleo é de 1 colher de sopa, 
será considerada que a preparação final acaba com cerca de 2 colheres de sopa. O 
mesmo ocorre com o achocolatado, verificando a sua composição, percebe-se que 
ele é, preponderantemente, açúcar refinado, sendo, então, alocado neste grupo 
(NETO, 2018). 
 
 
22 
 
Já, o macarrão instantâneo foi considerado como parte do grupo dos cereais. 
A sua quantificação, em termos de porções, é realizada observando o seu rótulo, que 
forneceu um valor calórico de 324 kcal por unidade de produto. Logo, ele foi 
classificado como uma porção de cereais em equivalência que nem outra massa e, é 
sabido que o seu processamento acarreta a presença de um teor de sódio e de 
gorduras muito elevado. Ainda que fosse ajustado para a porção de gorduras, o sódio 
ficaria desconsiderado da análise. Isso ocorre em muitos alimentos que têm versões 
mais ou menos processadas industrialmente. Por isso, na hora de utilizar a pirâmide 
alimentar, na orientação nutricional, é vital conhecer os pontos de menor 
especificidade para orientar bem o paciente e não o induzir a erros quanto à qualidade 
dos alimentos escolhidos. 
Nesse sentido, cabe destacar a importância do processamento, principalmente, 
as preparações de frutas e vegetais. Por exemplo, quando o indivíduo do exemplo 
relatou o consumo de suco de tangerina, era necessário ter perguntado se o suco era 
natural. Entre os sucos artificiais encontram-se uma gama de produtos, desde sucos 
naturais concentrados e pasteurizados; sucos naturais diluídos e adoçados; sucos em 
pó saborizados artificialmente. Não se pode considerar esses produtos diluídos e, 
extremamente adoçados como uma porção de frutas, muito menos os saborizados 
artificialmente. Eles são alocados mais de acordo com os açúcares. 
O mesmo acontece com outras preparações como sopas e caldos. Uma porção 
de sopa pronta em pó não tem o mesmo valor nutricional de uma preparação culinária, 
devendo ser contabilizada com cautela, não podendo ser relacionada como uma 
porção de hortaliças. Portanto, observando esses cuidados, a esquematização, por 
meio de porções, pode auxiliar o paciente no cotidiano, a variar cardápios, organizar 
compras e preparar os alimentos (NETO, 2018). 
3 ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NOS DIFERENTES ESTÁGIOS DA VIDA 
Buscando orientar a população de diferentes faixas etárias em relação a 
hábitos alimentares saudáveis, o Ministério da Saúde do Brasil elaborou materiais 
informativos direcionados para grupos populacionais específicos como gestantes, 
crianças menores de 2 anos, adolescentes, adultos e idosos. 
 
 
23 
 
3.1 Orientações para gestantes 
Um dos documentos orientadores elaborados pelo Ministério da Saúde 
brasileiro é o “Protocolo de uso do guia alimentar para a população brasileira na 
orientação alimentar da gestante”, publicado em 2021. Com o objetivo de apoiar a 
prática clínica voltada aos cuidados na gestação na atenção primária à saúde (APS), 
esse documento auxilia os profissionais no atendimento de gestantes de alto risco, 
com diabetes gestacional e hipertensão arterial, bem como gestantes desnutridas, 
com sobrepeso e obesas (BRASIL, 2021b). 
Nesse protocolo, há um formulário para avaliação da ingestão alimentar, 
apresentado no Quadro 5. Esse formulário deve ser usado pelo profissional durante a 
consulta para identificar os marcadores para uma alimentação saudável, o que inclui 
o consumo de frutas, verduras, legumes e feijões, além de possibilitar a avaliação do 
consumo de alimentos ultraprocessados pelas gestantes. 
Quadro 5 - Formulário para avaliação do consumo alimentar 
 
Fonte: Adaptado de Brasil (2021b). 
 
 
24 
 
A partir desse formulário, o profissional consegue orientar a gestante quanto a 
uma alimentação mais saudável, exemplo: 
• Caso a gestante não consuma feijão diariamente, é importante incentivar essa 
prática. Contudo, não deve se limitar apenas ao feijão; é recomendável também 
o consumo de outras leguminosas, como grão de bico, lentilha e ervilha, além 
de arroz, farinha de mandioca e outros alimentos que respeitem os hábitos 
culturais da gestante e a vocação agrícola da região onde ela vive. Além disso, 
é essencial que o profissional oriente a gestante sobre os temperos utilizados 
na preparação desses alimentos, destacando a importância de priorizar o uso 
de alho, cebola, sal marinho e louro, em detrimento de temperos 
industrializados, embutidos e carnes salgadas (BRASIL, 2021b). 
• Se tiver o hábito de consumir bebidas adoçadas (p. ex.: refrigerantes, sucos de 
caixinha ou em pó, etc.), o profissional deverá orientá-la a evitar a ingestão 
desse tipo de produto, incentivando-aa ingerir água, sucos naturais, água de 
coco natural, entre outras bebidas saudáveis. 
• Se a gestante tiver o hábito de consumir alimentos ultraprocessados como 
bolachas industrializadas, salgadinhos, alimentos congelados, o profissional 
deverá explicar as características desses produtos, informando seus potenciais 
malefícios à saúde, e orientá-la a evitar o consumo deles. Em substituição, deve 
ser incentivado o consumo de alimentos in natura e minimamente processados, 
distribuído em pelo menos três refeições principais compostas por ingredientes 
coloridos e variados sempre valorizando os pratos típicos de sua região que 
sejam preparados com ingredientes naturais. Nos lanches, a gestante pode ser 
orientada a consumir frutas (frescas ou secas), iogurte natural ou leite. 
• Se a gestante não estiver consumindo legumes ou verduras, o profissional deve 
incentivá-la a incluir esses alimentos em sua dieta, destacando a importância 
de consumi-los nas principais refeições, como almoço e jantar. Além disso, é 
recomendável orientá-la sobre os alimentos provenientes da produção agrícola 
local, garantindo que a gestante tenha acesso a verduras e legumes frescos e 
de baixo custo da região. 
• Se a gestante não tiver o hábito de consumir frutas, o profissional deve destacar 
a importância desses alimentos para a saúde dela e do bebê. Desse modo, é 
importante orientá-la para que consuma todos os dias frutas variadas, de 
 
 
25 
 
preferência da estação e produzidas na região, e que as frutas sejam 
consumidas preferencialmente in natura (e não em forma de suco), de modo a 
preservar as fibras presentes nelas. 
• Se tiver o hábito de fazer suas refeições em frente à TV, usando o celular ou 
diante de qualquer outra fonte que demande sua atenção, o profissional deverá 
estimulá-la a abandonar esse hábito, orientando-a a se alimentar em locais 
tranquilos, sem distrações e, sempre que possível, acompanhada de outras 
pessoas, a fim de tornar esse momento mais saudável e prazeroso (BRASIL, 
2021b). 
3.2 Orientações para crianças menores de 2 anos 
Publicado pelo Ministério da Saúde do Brasil em 2019, o “Guia alimentar para 
crianças brasileiras menores de 2 anos” é um instrumento de orientação que tem como 
objetivo a promoção da saúde, do crescimento e do desenvolvimento dessa 
população, para que possa alcançar todo o seu potencial. A seguir são apresentados 
os sete princípios básicos definidos por esse documento (BRASIL, 2019). 
1. A saúde da criança é prioridade absoluta e responsabilidade de todos: desde a 
gestação até os 2 anos de vida, a criança precisa ser orientada quanto à sua 
alimentação, devendo receber leite materno nos primeiros 6 meses. Após esse 
período, deve ter início a introdução alimentar. Portanto, o processo de 
alimentação de uma criança é tarefa não apenas da família, mas também do 
Estado e da sociedade. 
2. O ambiente familiar é espaço para a promoção da saúde: é importante que 
todos os membros da família mantenham uma alimentação saudável, 
incentivando a criança a desenvolver os mesmos hábitos alimentares. Além 
disso, as refeições são momentos preciosos para o fortalecer os laços afetivos 
e para o desenvolvimento do sentimento de segurança pela criança. 
3. Os primeiros anos de vida são importantes para a formação dos hábitos 
alimentares: é durante o início da introdução alimentar que a criança sofre 
maior influência para a formação do seu paladar. Assim, é de extrema 
importância que a família estimule o consumo de alimentos in natura e 
minimamente processados. 
 
 
26 
 
4. O acesso a alimentos adequados e saudáveis e à informação de qualidade 
fortalece a autonomia das famílias: quanto mais informações confiáveis sobre 
alimentação saudável a família receber, mais autonomia ela terá para realizar 
escolhas conscientes. 
5. A alimentação é uma prática social e cultural: o ato de se alimentar envolve 
transmissão de conhecimentos, cultura e tradições de uma família e um povo. 
Desse modo, a família deve transmitir à criança também esses conhecimentos, 
sua cultura e sua tradição durante as refeições, atentando-se para que isso 
esteja alinhado a práticas alimentares adequadas. 
6. A adoção de uma alimentação adequada e saudável para a criança contribui 
para o fortalecimento de sistemas alimentares sustentáveis: escolhas 
alimentares baseadas em alimentos in natura e minimamente processados 
estimulam a produção agrícola local, a agricultura familiar, a manutenção de 
famílias no campo e a preservação do meio ambiente. 
7. O estímulo à autonomia da criança contribui para o desenvolvimento de uma 
relação saudável com a alimentação: as crianças devem ser expostas a uma 
variedade de alimentos saudáveis, de modo a desenvolverem seu paladar e, 
assim, sua autonomia para fazerem escolhas alimentares adequadas. 
Considerando esses sete princípios, o Guia alimentar para crianças brasileiras 
menores de 2 anos apresenta 12 passos para uma alimentação saudável da criança, 
listados no Quadro 6. 
 
 
 
 
 
27 
 
Quadro 6 - Os 12 passos para uma alimentação saudável da criança 
 
Fonte: Adaptado de Brasil (2019). 
3.3 Orientações para adolescentes 
O Protocolo de uso do guia alimentar para a população brasileira na orientação 
alimentar da pessoa na adolescência, publicado em 2022, também propõe que se use 
o formulário apresentado no Quadro 5 para avaliar os hábitos alimentares dessa 
população, e suas orientações estão em conformidade com os princípios do Guia 
alimentar para a população brasileira. No caso específico dos adolescentes, deve-se 
dar maior atenção para o uso de telas (TV, celular, etc.) durante as refeições e para o 
consumo de alimentos ultraprocessados, conscientizando-os sobre os malefícios 
acarretados por essas práticas e orientando-os em relação a hábitos alimentares 
adequados (BRASIL, 2022). 
 
 
28 
 
Outro ponto importante desse documento é o incentivo para que os 
adolescentes, durante o tempo em que permanecem na escola, se alimentem com a 
merenda escolar. Isso porque esta é elaborada por nutricionistas e atende às 
exigências do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que incluem o 
fornecimento aos estudantes de refeições baseadas em alimentos in natura e 
minimamente processados. Ainda, o protocolo chama a atenção para que, fora de 
casa e do ambiente escolar, os adolescentes sejam incentivados a frequentar locais 
que ofereçam alimentação saudável (BRASIL, 2022). 
3.4 Orientações para idosos 
Assim como o documento destinado para adolescentes, o Protocolo de uso do 
guia alimentar para a população brasileira na orientação alimentar da pessoa idosa 
publicado em 2021, propõe que seja usado o formulário apresentado no Quadro 5 
para a identificação dos hábitos alimentares dessa população, além de estar de 
acordo com os princípios do Guia alimentar para a população brasileira. É, desse 
modo, importante estimular os idosos a consumirem feijão e outras leguminosas, 
frutas, verduras, legumes e carnes, sempre tendo em vista a composição de pratos 
coloridos e variados, além de orientá-los a ingerir água, sucos de frutas in natura, leite, 
água de coco, etc. Em resumo, também para essa população, deve ser privilegiado o 
consumo de alimentos in natura e minimamente processados em detrimento do 
consumo de alimentos processados e ultraprocessados (BRASIL, 2021a). 
Quando o idoso tiver limitações funcionais, é importante que um familiar ou uma 
pessoa próxima o auxilie durante as refeições, e, sobretudo nos casos em que o idoso 
não tem apetite, este deve sempre se alimentar na presença de algum familiar ou 
pessoa próxima, que deve o incentivar a comer. Também é fundamental estimular o 
consumo de água pelo idoso, para evitar a desidratação e o desenvolvimento de 
problemas intestinais. Nos casos em que a condição financeira da família é 
desfavorável, uma alternativa é investir em hortas caseiras,que têm baixo custo e 
podem trazer grandes benefícios para a saúde. Por fim, convém destacar que a 
valorização dos saberes dos idosos é uma atitude que contribui tanto para aumentar 
a sua autoestima quanto para preservar sua cultura e suas tradições (BRASIL, 2022). 
 
 
29 
 
4 IMPORTÂNCIA DE UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL PARA O ADULTO E O 
IDOSO 
A fase adulta, o estágio mais longo do ciclo da vida, começa quando o 
adolescente conclui seu crescimento físico. Diferentemente dos estágios anteriores 
do ciclo da vida, os nutrientes são utilizados para manter o corpo, em vez de sustentar 
o crescimento físico. À medida que o adulto envelhece, as necessidades de nutrientes 
mudam. Por exemplo, é preciso aumentar o aporte de vitamina D e vitamina B12 para 
os idosos (WARDLAW; SMITH, 2013). 
Desta forma, a fase adulta é caracterizada pela manutenção corporal, por 
transições físicas e fisiológicas gradativas, geralmente conhecidas como 
envelhecimento. Este processo é um fenômeno universal e natural do organismo, 
caracterizado pela lenta morte celular, começando logo depois da fertilização do óvulo 
(WARDLAW; SMITH, 2013; COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). As alterações causadas 
pelo envelhecimento ocorrem em um ritmo diferente para cada pessoa e dependem 
de fatores internos e externos, como os descritos a seguir: 
• Fatores internos: a genética do indivíduo pode influenciar o processo de 
envelhecimento, retardando os danos causados pelo metabolismo endógeno 
das toxinas, regulando a taxa de maturação celular e o metabolismo, e 
suprimindo a tendência de proliferação ilimitada. 
• Fatores externos: o exercício físico, a radiação, a alimentação e os outros 
hábitos de vida, como o fumo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas 
(COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). 
O envelhecimento é um dos processos biológicos mais complexos, é inevitável 
e irreversível, dependente da idade, do aumento da vulnerabilidade e do declínio 
progressivo funcional. Agora, alguns processos fisiológicos que ocorrem durante o 
envelhecimento serão descritos: 
• Adolescência: o envelhecimento não é aparente, porque as principais 
atividades metabólicas estão voltadas para o crescimento e maturação. São 
produzidas uma grande quantidade de células ativas para suprir as 
necessidades fisiológicas. 
 
 
30 
 
• Durante o final da adolescência e fase adulta: a principal tarefa do corpo é 
manter as células. 
• Do início da fase adulta até em torno dos 30 anos de idade: os sistemas 
corporais encontram-se em sua taxa de eficiência máxima. Estatura, vigor, 
força, resistência, eficiência e saúde estão em seu ponto máximo na vida. As 
taxas de síntese e decomposição celular estão equilibradas na maioria dos 
tecidos. Entretanto, é inevitável que as células envelheçam e morram. 
• Após os 30 anos de idade: a taxa de decomposição celular começa, 
lentamente, a exceder o limite de renovação celular, levando a um declínio 
gradativo no tamanho e na eficiência dos órgãos. 
• Após os 60 anos: o corpo não consegue se ajustar para atender a todas as 
demandas fisiológicas, e o funcionamento do corpo começa a decair. Contudo, 
os sistemas corporais e os órgãos, geralmente, retêm uma capacidade de 
reserva suficiente para lidar com as demandas diárias normais, durante toda a 
vida de uma pessoa (WARDLAW; SMITH, 2013). 
À medida que os indivíduos envelhecem, as doenças crônicas não 
transmissíveis (DCNTs) tornam-se as principais causas de morbidade, incapacidade 
e mortalidade em todas as regiões do mundo, inclusive nos países em 
desenvolvimento. Estas doenças, comuns na terceira idade, são caras para os 
indivíduos, famílias e o Estado. No entanto, muitas delas podem ser evitadas ou pelo 
menos adiadas. Não prevenir ou controlar as DCNTs adequadamente resultará em 
enormes custos humanos e sociais, que irão absorver uma quantidade 
desproporcional de recursos que poderiam ser destinados a problemas de saúde de 
outras faixas etárias (WHO, 2005). Portanto, ao longo da vida, é essencial otimizar as 
oportunidades para melhorar e preservar a saúde, bem-estar físico, social e mental, 
independência, qualidade de vida e atividade física (COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). 
5 ALIMENTOS FUNCIONAIS 
As propriedades funcionais dos alimentos têm sido abordadas durante séculos 
em todo o mundo com o objetivo de prevenir doenças, onde os alimentos funcionais 
frequentemente são referidos como “produtos naturais de saúde” ou “alimentos 
 
 
31 
 
saudáveis” (BROWN et al., 2018). A descrição dos alimentos funcionais relaciona 
estes produtos com suas propriedades nutritivas e também com os efeitos 
metabólicos e fisiológicos trazendo benefícios a saúde (REIS et al., 2016). 
 No entanto, ainda não há um consenso mundial concreto sobre a definição de 
alimentos funcionais e o Codex Alimentarius não possui uma definição oficial. O Japão 
foi um dos pioneiros a buscar mais informações sobre as propriedades funcionais dos 
alimentos e a sua associação com uma dieta equilibrada, lançando na década de 80 
uma categoria para os alimentos que apresentavam benefícios a saúde, denominados 
por “Foods for Specified Health Use” (Alimentos para uso específico de saúde) 
(PASCOAL et al., 2016). 
O Brasil foi o país pioneiro na América Latina a criar uma legislação específica 
sobre alegações de propriedades funcionais e/ou de saúde, através da Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para que os alimentos que apresentassem 
tais propriedades, fossem inseridos no mercado com alegações no rótulo. As 
Resoluções da Diretoria Colegiada (RDC) que regulamentam os alimentos funcionais 
são as RDC n.º 16/99; n.º 17/99; n.º 18/99 e n.º 19/99, cuja essência retrata sobre os 
alimentos com alegações de propriedades nutricionais e/ou saúde (PASCOAL et al., 
2016). 
Assim, mediante ao atendimento da legislação vigente, para obtenção de 
registro no país como alimento funcional, o produto deverá comprovar a alegação de 
propriedades funcional ou de saúde com base no consumo previsto ou recomendado 
pelo fabricante, na finalidade e condições de uso, valor nutricional e quando for o caso 
através de evidência(s) científica(s). Embora a legislação brasileira apresente normas 
específicas para os alimentos com efeitos potencialmente benéficos à saúde, esta não 
possui uma definição para os alimentos funcionais, apenas define as alegações que 
podem ser utilizadas para um determinado alimento e/ou ingrediente, ou seja, poderá 
ser feita uma menção que afirme, sugira ou implique que o produto possua 
propriedades de benefício à saúde (PASCOAL et al., 2016). 
Os efeitos benéficos associados ao consumo de alimentos funcionais e 
nutracêuticos, tais como a cenoura, o alho, o abacate, a berinjela, o brócolis, a 
castanha do Pará, o salmão, a sardinha, a soja, os probióticos, o tomate, a linhaça, a 
aveia, o Goji Berry e a alcachofra e suas substâncias ativas isoladas vêm sendo 
relatados em diferentes estudos na prevenção da incidência de doenças como 
 
 
32 
 
hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, manutenção do peso corporal, 
aceleração da velocidade de reação do sistema imunológico e diversos tipos de 
câncer (CAVAZIM; FREITAS, 2018). 
Nas últimas décadas, o perfil de consumo da população vem mudando em 
função da busca de qualidade de vida, que apresenta uma associação com os hábitos 
alimentares e aumento da expectativa de vida. Mesmo havendo esta preocupação em 
relação aos hábitos alimentares e aumento da expectativa de vida, a incidência de 
doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) como: obesidade, diabetes, câncer, 
hipertensão e doenças cardíacas, ainda é bastante significativa, onde o fator 
determinante destas pode estar relacionado à alimentação. O risco de 
desenvolvimento das DCNT amplia-se com o consumo insuficiente de frutas e 
vegetais, além do processo de industrialização e aumento da oferta e consumo de 
alimentos de altos valores energéticos(SOUZA, 2017; VAZ; BENNEMANN, 2014). 
Estima-se que o consumo de frutas e vegetais corresponda a menos da metade do 
recomendado, onde nota-se desconhecimento da população sobre a importância 
destes alimentos (MURICI et al., 2016). 
Diante deste cenário, os alimentos com alegações de propriedades benéficas 
à saúde têm ganhado cada vez maior amplitude de divulgação, em função de afetar 
uma ou mais funções fisiológicas do organismo, melhorando o estado de bem-estar 
físico e psicológico do indivíduo (CAVAZIM; FREITAS, 2018). 
6 ÁGUA 
A água é fundamental para a manutenção da vida, pois sem ela não 
conseguimos viver mais do que alguns dias. No corpo humano, a água representa 
cerca de 75% do peso corporal na infância e mais da metade na idade adulta. Assim 
como qualquer alimento, a quantidade de água necessária diariamente varia bastante 
e depende de diversos fatores, incluindo idade, peso corporal, nível de atividade física 
e condições climáticas do ambiente em que se vive. Enquanto para algumas pessoas 
dois litros por dia podem ser suficientes, outras precisam consumir três ou quatro litros 
diariamente como é o caso dos esportistas (BRASIL, 2014). 
O corpo humano possui uma capacidade eficiente de regular o equilíbrio diário 
de água, garantindo que a quantidade ingerida ao longo do dia corresponda àquela 
 
 
33 
 
utilizada ou eliminada pelo organismo. Esse balanço de água é controlado por 
sensores sofisticados localizados no cérebro e em diversas partes do corpo. Esses 
sensores nos fazem sentir sede e nos impulsionam a ingerir líquidos sempre que a 
ingestão não é suficiente para repor a água perdida. Devemos estar atentos aos 
primeiros sinais de sede, como boca seca, lábios e língua ressecados, leve dor de 
cabeça, e urina mais escura e em menor quantidade. Satisfazer prontamente as 
necessidades hídricas sinalizadas pelo organismo é extremamente importante para 
manter o bem-estar geral. 
A água que ingerimos deve vir predominantemente do consumo de água pura, 
mas também pode vir contida nos alimentos e preparações culinárias. É essencial que 
tanto a água bebida quanto a água utilizada nas preparações culinárias sejam 
potáveis, ou seja, estejam isentas de microrganismos e de substâncias químicas que 
possam constituir um risco para a saúde humana. A água fornecida pela rede pública 
de abastecimento deve atender a esses critérios, mas, na dúvida, filtrá-la e fervê-la 
antes do consumo garante sua qualidade. 
A água pura é a melhor opção para a ingestão de líquidos, mas também faz 
parte da cultura alimentar do brasileiro o consumo na forma de bebidas como café e 
chá, neste caso não é recomendado adicionar açúcar. Ter à mão pequenas garrafas 
com água fresca é boa solução quando se está fora de casa. 
A maioria dos alimentos in natura ou minimamente processados e das 
preparações desses alimentos têm alto conteúdo de água. O leite e a maior parte das 
frutas contêm entre 80% e 90% de água. Verduras e legumes cozidos ou na forma de 
saladas costumam ter mais do que 90% do seu peso em água. Após o cozimento, 
macarrão, batata ou mandioca têm cerca de 70% de água. Um prato de feijão com 
arroz é constituído de dois terços de água. Quando a alimentação é baseada nesses 
alimentos e preparações, é usual que eles forneçam cerca de metade da água que 
precisamos ingerir. 
Diferentemente dos alimentos in natura ou minimamente processados e das 
preparações culinárias desses alimentos, os alimentos ultraprocessados são em geral 
escassos em água, exatamente para que durem mais nas prateleiras. Este é o caso 
de salgadinhos “de pacote” e biscoitos que costumam ter menos do que 5% de água 
na sua composição. Outros produtos como refrigerantes e vários tipos de bebidas 
adoçadas possuem alta proporção de água, mas contêm açúcar ou adoçantes 
 
 
34 
 
artificiais e vários aditivos, razão pela qual não podem ser considerados fontes 
adequadas para hidratação (BRASIL, 2014). 
7 CONSEQUÊNCIAS DA MÁ ALIMENTAÇÃO 
A má alimentação muitas vezes é decorrente de uma rotina longa e cansativa 
de trabalho, comprometendo as pessoas que não tem tempo para realizar todas as 
refeições diárias. A alimentação influencia na saúde, no trabalho, nos estudos e na 
vida social de todos os indivíduos, uma alimentação adequada aumenta a resistência 
a doenças, retarda o envelhecimento, e assegura bem-estar físico, social e mental. 
A pessoa que se alimenta de forma inadequada pode apresentar vários 
sintomas, como desânimo, cansaço, fraqueza, irritação, falta de disposição, e 
apresentar algumas patologias. Com uma vida corrida muita gente opta por comidas 
prontas, congeladas, salgados, lanches e refrigerantes, que são alimentos ricos em 
gorduras e carboidratos refinados, muitas vezes são alimentos industrializados que 
têm alto teor de sódio, com isso diminui a ingestão de nutrientes importantes para o 
bom funcionamento do organismo (MULLER; GIMENO, 2015). 
A alimentação é uma necessidade do corpo, por isso deve ser rica em alimentos 
saudáveis, que possam fornecer todos os nutrientes necessários para suprir a cadeia 
alimentar do ser humano. Quando isso não acontece algumas patologias podem 
desenvolver, sendo mais comum a hipertensão, obesidade e o diabetes (PEIXOTO et 
al., 2014). 
8 NUTRIÇÃO E PREVENÇÃO 
A relação entre alimentação e saúde tem ganhado destaque. A nutrição 
saudável baseia-se no reconhecimento de que um nível ótimo de saúde é influenciado 
pelos hábitos alimentares adotados. Os guias alimentares propostos pelo Ministério 
da Saúde buscam reforçar essa relação, pois o aumento da obesidade e das doenças 
associadas está relacionado à maior prevalência de DCNTs, resultando em custos 
elevados com tratamentos que podem ser necessários por toda a vida (DUNCAN et 
al., 2012). 
 
 
35 
 
Nesse contexto, é fundamental dar ênfase às medidas preventivas, pois a 
prevenção precoce das doenças não apenas contribui para a melhoria da qualidade 
de vida, mas também porque as intervenções terapêuticas para a obesidade, um dos 
principais problemas nutricionais atuais, têm mostrado pouca eficiência. 
A prevenção baseia-se em dois componentes científicos fundamentais. 
Primeiro, é necessários o conhecimento e a compreensão dos processos biológicos e 
epidemiológicos envolvidos no surgimento das doenças. Em seguida, é essencial 
analisar a efetividade das intervenções. 
No Brasil, ainda é pequeno o conhecimento sobre a efetividade de intervenções 
das doenças crônicas. Isso porque grande parte da experiência preventiva no Brasil 
tem origem na prevenção das doenças infecciosas e das doenças carenciais, cuja 
prevenção tem um caráter mais específico. Já para a prevenção de doenças crônicas, 
ainda existem diversos obstáculos para garantir sua efetividade. 
Sabemos que a maioria das doenças crônicas, como doenças 
cardiovasculares, diabetes, cânceres e hipertensão, estão intimamente relacionadas, 
formando uma rede complexa de interações, assim como os fatores de risco 
associados a elas. Por exemplo, os fatores de risco para o desenvolvimento de 
hipertensão arterial estão ligados ao diabetes tipo 2, que por sua vez está associado 
à redução do colesterol HDL e ao aumento dos triglicerídeos. Assim, o tratamento 
clínico deve considerar essas associações e ser realizado em conjunto com 
programas de prevenção. 
Outra característica que podemos observar é que, além de essas doenças 
estarem associadas, os fatores de risco para as DCNTs ocorrem de forma conjunta e 
interdependente. Portanto, deixar de fumar está associado ao ganho de peso, e 
comportamentos como realizar atividade física de lazer e comer mais frutas agrupam-
se nos mesmos indivíduos. Dessa forma, embora muitos estudos epidemiológicos em 
doenças crônicas busquem um nutriente específico como o responsável pela 
diminuição da incidência, e mesmo que em alguns casos esse conhecimento possa 
representar, no futuro, a formamais efetiva de prevenção para uma doença 
específica, a abordagem coletiva das DCNTs parece ser a forma mais indicada de 
prevenção, abordando as doenças em sua integralidade e levando em conta suas 
associações (DUNCAN et al., 2012). 
 
 
36 
 
Nessa perspectiva global, uma proposta de alimentação saudável para a 
prevenção das DCNTs deve recomendar dietas acessíveis a toda a sociedade e que 
impactem os principais fatores relacionados às diversas doenças. Aumentar o 
consumo de frutas e verduras e estimular o consumo de arroz e feijão são exemplos 
de sugestões que atendem a esses critérios (LINDEMANN; OLIVEIRA; MENDOZA-
SASSI, 2016). 
Sabemos que a obesidade é uma condição que aumenta o risco de morbidade 
para as principais doenças crônicas: hipertensão, dislipidemia, diabetes, doença 
coronariana e alguns tipos de câncer. Muito embora não se defina uma estratégia 
única, sua prevenção e seu tratamento apresentam-se como um dos grandes desafios 
da atualidade. A importância que a obesidade vem assumindo no Brasil não pode ser 
ignorada, de modo que o estabelecimento de dietas saudáveis deve contemplar como 
prioridade a prevenção do ganho de peso. Incluir o consumo alimentar e a atividade 
física no âmbito de comportamentos para uma vida saudável é, talvez, a mais 
importante tarefa de promoção da saúde (DUNCAN et al., 2012). 
Sendo assim, para uma alimentação saudável, sugere-se que as 
recomendações se baseiem mais em alimentos do que em nutrientes. Assim, a 
Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o estabelecimento de metas 
realísticas de consumo de alimentos específicos, que são identificados em função dos 
nutrientes que se pretenda abranger. 
9 INTERVENÇÕES NUTRICIONAIS TERAPÊUTICAS 
Existem várias condições de saúde que podem se beneficiar de intervenções 
nutricionais como terapêutica clínica. Embora saibamos do papel da alimentação na 
prevenção de doenças, uma vez diagnosticada a enfermidade, ainda é possível obter 
benefícios por meio de dietoterapia específica (BECK, 2019). 
A intervenção nutricional baseada em uma alimentação saudável não se 
restringe apenas à alimentação nutritiva. Os alimentos são constituídos por nutrientes, 
e é na escolha desses alimentos que devemos focar nossas intenções de intervenção 
clínica. A combinação correta de alimentos fornecerá os nutrientes necessários para 
o desenvolvimento e a manutenção da saúde em todos os ciclos da vida, desde a 
gestação até o envelhecimento (VITOLO, 2014). 
 
 
37 
 
Além disso, a combinação de alimentos não deve mudar. Alimentos como 
frutas, verduras, cereais integrais, óleos vegetais, leguminosas, leite e derivados, ovos 
e carnes magras são saudáveis e devem ser consumidos em todas as fases da vida. 
Claramente, a modificação que deve ocorrer durante os ciclos de vida se dá no âmbito 
das recomendações quantitativas, tanto de macronutrientes (carboidratos, proteínas 
e lipídeos) quanto de micronutrientes (vitaminas e minerais), e, especificamente, com 
orientações diferenciadas na vigência de patologias e outros distúrbios nutricionais 
(VITOLO, 2014). 
É preciso salientar que devemos preferir os alimentos mais naturais, menos 
processados e orgânicos, em vez dos cultivados com excesso de agrotóxicos. Deve-
se buscar alimentos regionais e de acordo com sua safra de cultivo, além de prepará-
los em condições propícias de higiene. A seguir, veja as condições clínicas mais 
comuns em cada fase da vida e as intervenções nutricionais mais adequadas a cada 
uma delas (BECK, 2019). 
9.1 Gestação 
Durante a gravidez, é frequente o aparecimento de condições clínicas e 
sintomas que podem ser beneficiados por uma intervenção nutricional específica 
(BECK, 2019). 
• Constipação intestinal: essa condição clínica é fortemente associada a 
intervenções nutricionais. A gestante deve ser orientada a consumir fibras 
acompanhadas de hidratação adequada. É importante incentivar o consumo de 
frutas e verduras cruas e cereais integrais. Além disso, é necessário avaliar a 
possibilidade de prática de atividade física adequada para o período da 
gestação, estimulando o peristaltismo intestinal. 
• Flatulência: nesse caso, é preciso aconselhar sobre os diversos alimentos 
potencialmente flatulentos e sobre esse sintoma ser individual, devendo ser 
observada a tolerância. Não se deve estimular proibições e restrições 
alimentares, principalmente pela composição nutricional que encontramos 
nesses alimentos. 
• Náuseas e vômitos: é recomendável fracionar as refeições, consumindo 
pequenos volumes de alimentos distribuídos ao longo do dia. Durante a 
 
 
38 
 
gravidez, é comum ocorrer enjoo matinal, que pode estar relacionado à 
hipoglicemia. Portanto, estratégias como o consumo de carboidratos, como 
biscoitos crackers e torradas integrais, podem ajudar a regularizar os níveis de 
glicose no sangue. 
• Pirose: essa condição também se beneficia do fracionamento das refeições. 
Além disso, é importante orientar sobre o consumo moderado de frituras e 
alimentos condimentados. A rotina alimentar deve ser avaliada, incentivando o 
consumo lento dos alimentos, com mastigação adequada e evitando a ingestão 
de líquidos durante as refeições. Além dessas orientações, sabemos que o 
excesso de peso também está relacionado com essa condição; portanto, o 
controle do ganho de peso durante a gestação deve ser acompanhado. 
• Anemia: nesses casos, deve-se reforçar o consumo de alimentos ricos em 
ferro, como carnes, peixes, frango e vísceras, vegetais verde-escuros, feijões, 
lentilha, soja, ervilha, grão-de-bico, semente de abóbora, uva-passa e ameixa. 
Além disso, é preciso orientar o consumo de três porções de frutas por dia, 
especialmente as frutas ricas em vitamina C, como laranja, limão, acerola, 
tangerina, mamão, caju, goiaba. Chá preto, chá mate e café podem interferir na 
absorção do ferro da alimentação, portanto, é preciso evitar ingeri-los junto às 
refeições. 
• Hipertensão: situações de hipertensão durante a gestação devem receber 
orientação individualizada, com acompanhamento médico rigoroso durante o 
pré-natal. Deve-se orientar sobre o controle no consumo de alimentos ricos em 
sódio, restringindo o consumo de alimentos muito salgados, tais como 
bacalhau, carne de charque, azeitonas, embutidos, queijos amarelos, 
enlatados, molho shoyu e biscoitos salgados. 
• Diabetes gestacional: em casos de diagnóstico de diabetes gestacional, 
observa-se uma intolerância à glicose durante a gravidez, que pode ou não 
persistir após o parto. Devido aos altos níveis de glicemia da mãe, há uma maior 
transferência de glicose para o feto, predispondo-o a um ganho de peso 
excessivo. Nessa situação clínica, a orientação nutricional deve ser 
individualizada, seguindo recomendações que favoreçam o controle glicêmico 
durante a gestação (BECK, 2019). 
 
 
39 
 
9.2 Infância e adolescência 
• Obesidade 
O aumento da prevalência da obesidade nas crianças e nos adolescentes é um 
problema crescente no Brasil. Sabemos que, junto à obesidade, diversas condições 
clínicas desfavoráveis também estão em ascensão entre crianças e adolescentes, 
como índices de diabetes, hipertensão, alterações no perfil lipídico e síndrome 
metabólica. Na infância e na adolescência, é importante adotar intervenções graduais 
para a promoção de hábitos mais saudáveis. Dietas restritivas são desaconselhadas 
para essa população, devendo-se adotar mudanças comportamentais duradouras e 
modificações de padrões já estabelecidos. Nesse sentido, a família possui papel 
fundamental para garantir a eficiência no tratamento. Além disso, como a obesidade 
é uma doença multifatorial com várias morbidades associadas, a abordagem 
interdisciplinar é extremamente benéfica. 
A orientação nutricional deve ser gradual e feita com uma investigação e 
exploração dos hábitos alimentares saudáveis já estabelecidos. Por se tratar de uma 
fase de desenvolvimento

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