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0 1 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................. 3 1 PRINCÍPIOS DA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA ............................... 4 1.1 Alimentação é mais que ingestão de nutrientes ................................... 7 2 PRÁTICAS ALIMENTARES SAUDÁVEIS ........................................ 8 2.1 Guia alimentar para a população brasileira .......................................... 9 2.2 Pirâmide alimentar brasileira .............................................................. 13 2.2.1 A história da classificação dos alimentos ............................................... 13 2.2.2 A pirâmide alimentar e seus grupos ....................................................... 14 2.2.3 Contabilizar os alimentos conforme a pirâmide alimentar ...................... 17 2.2.4 A pirâmide alimentar e suas adaptações ............................................... 19 2.2.5 Orientações para escolhas saudáveis a partir da interpretação da pirâmide 20 3 ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NOS DIFERENTES ESTÁGIOS DA VIDA 22 3.1 Orientações para gestantes ............................................................... 23 3.2 Orientações para crianças menores de 2 anos .................................. 25 3.3 Orientações para adolescentes .......................................................... 27 3.4 Orientações para idosos ..................................................................... 28 4 IMPORTÂNCIA DE UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL PARA O ADULTO E O IDOSO ................................................................................................ 29 5 ALIMENTOS FUNCIONAIS ............................................................. 30 6 ÁGUA .............................................................................................. 32 7 CONSEQUÊNCIAS DA MÁ ALIMENTAÇÃO ................................. 34 8 NUTRIÇÃO E PREVENÇÃO ........................................................... 34 9 INTERVENÇÕES NUTRICIONAIS TERAPÊUTICAS ..................... 36 9.1 Gestação ............................................................................................ 37 2 9.2 Infância e adolescência ...................................................................... 39 9.3 População adulta ................................................................................ 41 9.4 População idosa ................................................................................. 43 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................ 45 3 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 1 PRINCÍPIOS DA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA A rápida mudança nas práticas alimentares, na forma de consumo de alimentos e no sistema de produção alimentar gerou uma grande mudança nos parâmetros nutricionais, caracterizada pelo aumento no consumo de alimentos industrializados e pela redução do consumo de alimentos in natura. Ao longo dos anos, essa mudança contribuiu para que ocorresse uma transformação também no estado de saúde da população, sendo hoje observado um aumento nos casos de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis em função do alto consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras saturadas, e menor consumo de frutas e verduras (BARANCELLI; GAZOLLA; SCHNEIDER, 2022). A preferência por comprar e consumir alimentos industrializados é motivada em grande parte pela facilidade envolvida em seu processo de produção e distribuição, o que, entre outras coisas, promove a redução do preço desses alimentos. No entanto, também há outros fatores determinantes do sistema alimentar de um povo, como aspectos geográficos, condições climáticas e demografia da região onde as pessoas vivem, além da saúde e da situação econômica da população. Em regiões com menor desenvolvimento econômico, onde têm destaque as desnutrições, também é possível verificar um aumento no consumo de alimentos industrializados (POULAIN, 2021). São consequências do modelo industrial de hábitos alimentares o excesso de peso e a obesidade, que estão associados a complicações na saúde, redução da longevidade, além de diminuição da qualidade de vida e da produtividade. Tais implicações impactam não apenas a saúde dos indivíduos, mas também a economia, uma vez que pessoas com essas condições acabam usando mais os serviços de saúde, em comparação com pessoas eutróficas (CONDE; SILVA; FERRAZ, 2022). Nas últimas décadas, muitos estudos têm sido realizados para investigar a relação entre a alimentação e o aumento na prevalência de doenças, e entre hábitos alimentares e a longevidade de alguns povos. A partir dessas investigações, tem-se constatado que uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes está relacionada com envelhecimento saudável e menor morbidade, ao passo que uma alimentação rica em produtos industrializados tem sido associada a maior morbidade (IRITI; VARONI; VITALINI, 2020). 5 De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças crônicas não transmissíveis (doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, doenças respiratórias, entre outras) são responsáveis por aproximadamente 70% das mortes em todo o mundo. Esse rápido aumento das doenças tem sido impulsionado por uma série de fatores de risco comportamentais, como, por exemplo, dietas inadequadas, sedentarismo, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, exposição a poluentes ambientais e a fatores de risco ocupacionais, além dos riscos metabólicos (p. ex.: sobrepeso, obesidade, hipertensão, hiperglicemia, hipercolesterolemia, entre outros). Ainda, outro problema que persiste é a desnutrição causada tanto pela falta de alimentos quanto pela deficiência de nutrientes (WHO, 2020). Pesquisas têm demonstrado que a alimentação influencia a microbiota intestinal. Observou-se que a dieta é um dos fatores que modulam a composição da microbiota intestinal, e que essa composição pode ser alterada conforme mudanças na alimentação, afetando diretamente as funções da barreira intestinal e o sistema imunológico. Além disso, foi comprovada a relação entre a disbiose da microbiota intestinal e diversas doenças crônicas não transmissíveis, bem como doenças gastrointestinais e distúrbios neurológicos, como a doença de Parkinson e o transtorno do espectro autista. Essa interação entre a microbiota intestinal e o cérebro é conhecida como o "eixo intestino-cérebro" (RINNINELLA et al., 2019). Considerando-se o importante impacto que a alimentação exerce sobre a saúde dos indivíduos, atualmente têm sido elaborados diversos guias e diretrizes para orientar a população em diferentes estágios da vida. Mas décadas atrás, em 1937, já haviam sido elaboradas recomendações que, devido à sua atualidade emimportante, não podemos deixar de atentar para o cuidado com a autoimagem e a autoestima da criança e do adolescente. Uma estratégia positiva é a diminuição gradual do consumo de alimentos, introduzindo novos alimentos conforme a tolerância e a aceitação sempre que possível (BECK, 2019). • Baixo peso e desnutrição Atualmente, estamos vivenciando um período em que a desnutrição está em declínio; entretanto, em condições clínicas em que o baixo peso está presente, as intervenções nutricionais devem prevenir a desnutrição. Crianças gravemente desnutridas devem ser tratadas em nível hospitalar devido à complexidade do quadro e aos riscos associados. O baixo peso infantil serve de alerta para o início de medidas de intervenção nutricional que evitem a continuidade da perda de peso e, posteriormente, a recuperação do peso para um desenvolvimento adequado. Em situações de perda de peso, ocorre o aporte ineficiente de nutrientes e calorias, e essa deve ser a intervenção primordial para a recuperação do estado nutricional. Estratégias de aumentar o valor calórico das refeições sem aumentar o 40 volume são eficientes, uma vez que a capacidade gástrica pode ser reduzida na infância (BECK, 2019). • Anemia ferropriva Casos de anemia por deficiência de ferro ainda são presentes na população, principalmente durante a gestação e a infância. Crianças com anemia ferropriva apresentam deficiência de ferro no organismo, uma condição que pode estar associada a diversos fatores como baixas reservas de ferro ao nascer (principalmente para os indivíduos que nascem com baixo peso e prematuros), velocidade de crescimento (primeiros anos de vida), baixa ingestão de ferro, dificuldade de absorção do ferro, perdas de ferro por sangramento, verminoses, infecções ou doenças inflamatórias intestinais crônicas. Quando diagnosticada anemia ferropriva, é necessário que se estabeleçam intervenções nutricionais para cessar essa deficiência. Muitas vezes, essa terapêutica nutricional é complementada por suplementação medicamentosa para potencializar o tratamento. Deve-se incentivar o aleitamento materno para crianças menores de 2 anos e promover educação nutricional eficaz para a ingestão de alimentos ricos em ferro e orientação quanto ao consumo de alimentos ricos em vitamina C para aumentar a biodisponibilidade desse mineral (BECK, 2019). • Hipovitaminose A A falta de vitamina A está associada com alterações e lesões oculares, levando a dificuldades de enxergar à noite (xeroftalmia) e possibilidades de evoluir para cegueira. Além disso, estudos mostram que o déficit de vitamina A contribui para a ocorrência de anemia por prejudicar a mobilização dos depósitos de ferro. Seriam, portanto, problemas interligados, o que submete à população ao risco dos dois agravos. As ações preventivas de incentivo ao consumo de alimentos ricos em betacaroteno (precursor da vitamina A) e também ricos em vitamina A, o estímulo ao aleitamento materno e a rotina do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil fazem parte da atenção básica em saúde da criança (BECK, 2019). 41 9.3 População adulta • Obesidade O tratamento da obesidade é um processo lento e gradual, com grandes índices de recidiva por tratar-se de uma complexa patologia de causas multifatoriais. O sucesso no tratamento da obesidade parece estar relacionado com a abordagem terapêutica, estabelecendo vínculo e adesão. É importante salientar que pequenas reduções de peso já trazem importantes benefícios para a saúde, como redução da resistência insulínica, redução dos níveis glicêmicos e melhora do perfil lipídico. Não existe uma estratégia de intervenção nutricional única para a redução do excesso de peso acumulado, de modo que a intervenção deve ser planejada de forma individualizada, conforme o contexto de cada indivíduo. De forma geral, sabe-se que o estilo alimentar saudável favorece o ritmo metabólico e auxilia na perda de peso, devendo ser estimulado (BECK, 2019). • Hipertensão arterial Sabe-se que a hipertensão arterial também é influenciada por fatores ambientais modificáveis sendo a alimentação fortemente associada no tratamento dessa doença. Dentre os componentes alimentares com provável ação na pressão arterial, o sódio é, sem dúvida, o que tem a relação direta hipertensiva mais bem estabelecida, sendo o sal o mais importante determinante dietético da pressão arterial. A diminuição do consumo de sódio é fundamental para o controle dos níveis pressóricos da população, recomenda-se o consumo de 2,4 g de sódio/dia ou 6 g de sal (cloreto de sódio). Entretanto, o sódio não é o único mineral que influencia os níveis de pressão arterial; o potássio, por exemplo, é um mineral com ação hipotensiva devido às suas propriedades natriuréticas e vasodilatadoras. Sabe-se também, que baixas doses de cálcio na dieta estão associadas com níveis pressóricos mais altos e estudos sugerem que, em pessoas hipertensas, o metabolismo do cálcio está alterado, com excreção aumentada em pacientes sensíveis ao sal. O aumento do cálcio por meio de alimentos é o mais indicado para controle dos níveis desse mineral em relação à pressão arterial. O magnésio é um mineral intimamente ligado ao tônus vascular e à pressão arterial. Embora sua relação com a manutenção de bons níveis pressóricos seja 42 controversa, a associação de níveis baixos de magnésio com o aumento da pressão arterial não pode ser descartada. Além disso, o consumo excessivo de álcool, o sedentarismo, a obesidade e o baixo consumo de vegetais também estão associados à hipertensão, sendo fatores modificáveis por meio de ações de atenção básica à saúde, o que ajuda a diminuir o risco cardiovascular associado (BECK, 2019). • Diabetes mellitus (DM) O diabetes é uma doença metabólica relacionada com a resistência, intolerância ou deficiência insulínica. Sabemos que o DM tipo 1 é uma doença autoimune, decorrente da destruição das células beta pancreáticas, resultando em absoluta deficiência de insulina. Já o DM tipo 2 é mais prevalente na população, responsável por 90% dos casos diagnosticados e é resultante de graus variáveis de resistência à insulina e deficiência relativa na sua secreção. Nessa condição clínica, a alimentação é parte fundamental do tratamento que deve ser seguido, podendo prevenir e/ou retardar o aparecimento da doença e de suas complicações associadas. Dessa forma, independentemente do tipo de diabetes, a orientação alimentar tem por objetivo propiciar um bom controle metabólico (taxas de glicemia normais ou desejáveis, perfil lipídico adequado e níveis de pressão arterial adequados), prevenir e tratar as complicações que podem surgir (doenças cardiovasculares, nefropatias, retinopatias, hipertensão) e melhorar a saúde do indivíduo (BECK, 2019). • Doenças cardiovasculares São doenças que afetam o coração e os vasos sanguíneos, como doença da artéria coronariana (DAC), doença cerebrovascular, aterosclerose e hipertensão. É importante que a avaliação nutricional, nesses casos, seja iniciada pela análise dos fatores de risco, principalmente os que envolvem os fatores modificáveis. Sabe-se que quanto mais fatores a pessoa apresentar, maior o risco do desencadeamento de DAC. Existe uma série de intervenções nutricionais com finalidade cardioprotetora, e a dieta é peça fundamental na prevenção e no tratamento dessas condições clínicas (BECK, 2019). 43 9.4 População idosa A alimentação exerce um importante papel na saúde e na habilidade funcional da população idosa, por essa razão o estado nutricional possui grande impacto sobre o bem-estar físico e psicológico nas idades avançadas. Sabemos que o déficit de nutrientes é mais frequente na população de idosos do que em adultos e jovens, o que expõe o idoso a um maior risco de desenvolver doenças carenciais. A inadequadaingestão de nutrientes na alimentação diária é, muitas vezes, consequência de desordens somáticas, psíquicas e sociais, sendo as principais causas decorrentes de problemas de mastigação e deglutição, depressão e isolamento social (VENTURINI et al., 2015). Considera-se uma má nutrição qualquer alteração no estado nutricional normal, podendo ocorrer por consequência da subnutrição, com a qual observamos a deficiência de macronutrientes, vitaminas e minerais, ou a supernutrição, levando à obesidade. Sabe-se que a má nutrição, independentemente de sua causa, está associada a um pior prognóstico, representando um fator de risco independente para morbidade e mortalidade (STÜRMER et al., 2011). Veja, a seguir, algumas características clínicas e nutricionais relacionadas à população idosa (BECK, 2019). • Cálcio: a ingestão adequada de cálcio está relacionada com a prevenção no desenvolvimento de osteoporose, condição clínica comum nos idosos. Sabe- se que a absorção desse mineral é reduzida no envelhecimento, de modo que se deve estimular o consumo de alimentos ricos nesse mineral na alimentação diária para prevenir a desmineralização óssea. • Magnésio: a deficiência de magnésio também é um fator de risco para o desenvolvimento de osteoporose. Na população idosa, é frequente a redução no consumo de alimentos fonte de magnésio, além da ocorrência de piora na absorção intestinal e do aumento da excreção urinária. Dessa forma, deve-se incentivar o consumo de alimentos ricos em magnésio na alimentação diária. • Vitamina D: essa vitamina também está envolvida no metabolismo do cálcio e, portanto, na prevenção da osteoporose. Deve-se incentivar o consumo de fontes alimentares de vitamina D. Além disso, sabe-se que a luz solar é o principal fator que faz com que a pele produza vitamina D, apesar de essa 44 produção diminuir na velhice. Assim, deve-se propor horários para exposição ao sol. • Doenças carenciais: em situações de doenças carenciais, frequentemente observadas em idosos devido às mudanças fisiológicas naturais do envelhecimento que afetam o apetite e a absorção de alimentos, é necessária uma avaliação específica e individualizada. Na inadequação nutricional primária, resultante do consumo insuficiente de nutrientes, pode-se tentar concentrar o valor calórico em refeições já aceitas, fracionadas ao longo do dia, com aumento progressivo do volume. A inclusão de gorduras saudáveis nas refeições prontas, tubérculos misturados às preparações, farinhas enriquecidas com vitaminas e minerais, além de misturas de vegetais e frutas liquidificadas ou pastosas, pode facilitar a ingestão e digestão. Quando a alimentação oral não for suficiente ou não puder ser alterada, ou quando a desnutrição proteico- calórica já estiver instalada, o paciente deve ser encaminhado para atenção especializada. (BECK, 2019). 45 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARANCELLI, M. D. C.; GAZOLLA, M.; SCHNEIDER, S. Characterization of the prevalence of excess weight in Brazil. BMC Public Health, [S.l.], v. 22, n. 1131, 2022. BECK, B. D. Nutrição nos ciclos de vida. Porto Alegre: Grupo A, 2019. BRASIL. Ministério da Saúde. 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Assim, cada indivíduo necessita de quantidades específicas de carboidratos, proteínas, gorduras, fibras, vitaminas, minerais e de água para manter suas funções orgânicas e atividades diárias. Isto depende do sexo, da idade, do estado fisiológico e da atividade física. Tanto o excesso quanto a falta serão 6 prejudiciais ao organismo. Portanto, é necessária muita atenção às quantidades individuais. • Lei da quantidade: a alimentação deve ser completa em sua composição e que forneça ao organismo todos os nutrientes que ele necessita. Os nutrientes são essenciais para formação, crescimento e manutenção de um corpo saudável ao longo da vida, assim como para uma possível recuperação quando necessário. As refeições devem ser variadas, oferecendo todos os grupos de nutrientes para o bom funcionamento do corpo. A saúde do nosso organismo depende da qualidade e não da quantidade do que fornecermos para que ele tenha ou não um bom desempenho. • Lei da harmonia: é preciso ter um equilíbrio entre todos os nutrientes que necessitamos. Não é porque um nutriente é bom que devemos consumi-lo em grande quantidade. É necessária uma relação de equilíbrio na composição da alimentação de modo a evitar os excessos ou deficiências de nutrientes. O nosso organismo aproveita corretamente os nutrientes quando estes se encontram em proporções adequadas. Assim, é importante haver um equilíbrio entre eles, pois as substâncias não agem isoladamente, mas sim em conjunto. Por exemplo, a relação entre a ingestão de carboidratos, proteínas e gorduras, deve estar em harmonia. • Lei da adequação: mostra que a alimentação deve ser adequada às necessidades de cada organismo, respeitando as características de cada indivíduo. É necessário considerar os ciclos da vida: infância, adolescência, adultos e idoso; o estado fisiológico: gestação, lactação; o estado de saúde: presença ou ausência de doenças; os hábitos alimentares: deficiência de nutrientes; as condições socioeconômicas e culturais: acesso aos alimentos. As leis estabelecidas por Pedro Escudero são usadas até os dias atuais. É importante que em todas as fases de sua vida, o indivíduo receba alimentos com qualidade nutricional, em quantidade suficiente para atender à sua demanda energética e de nutrientes, que não sejam excessivos ou causem deficiências nutricionais e que estejam adequados às condições de saúde e à realidade das pessoas. 7 1.1 Alimentação é mais que ingestão de nutrientes Não basta apenas consumir alimentos, é preciso que esses alimentos tenham valor nutricional suficiente para atender às necessidades de cada indivíduo. Além disso, é importante que os alimentos estejam de acordo com a realidade socioeconômica e cultural das pessoas e que sejam variados, para que a combinação de diferentes alimentos possa suprir as necessidades individuais (BRASIL, 2014). A cultura e a tradição alimentar de um povo, transmitidas ao longo das gerações, servem atualmente como fundamento para o desenvolvimento de orientações sobre alimentação saudável, buscando-se valorizar alimentos regionais e seus produtores. Além disso, a formulação dessas orientações considera os conhecimentos adquiridos por meio de pesquisas acadêmicas sobre os efeitos positivos e negativos de determinados alimentos no organismo humano. Em geral, essas pesquisas levam em conta vários fatores, como os tipos de alimentos, os ingredientes dos produtos comercializados, a classificação quanto ao processo de industrialização, as formas de preparo, o público consumidor e as doenças que podem estar relacionadas ao consumo alimentar, entre outros. Portanto, as orientações sobre hábitos alimentares são formuladas com base nos resultados de estudos científicos experimentais, clínicos, populacionais e antropológicos, além da cultura e tradição alimentar de diferentes populações. As escolhas alimentares do indivíduo são influenciadas por diversos fatores, como o meio social em que ela vive, a publicidade, questões econômicas, suas preferências alimentares e o acesso a informações sobre benefícios e malefícios associados ao consumo de determinados alimentos, entre outros. Conscientizar-se sobre os efeitos da alimentação na sua saúde e conhecer hábitos alimentares saudáveis que sejam adequados à sua realidade cultural e socioeconômica são formas de o indivíduo ampliar sua autonomia nas escolhas alimentares (BRASIL, 2014). Uma alimentação saudável deve incluir o consumo diário de água, carboidratos, lipídeos, proteínas, fibras e os micronutrientes, pois são indispensáveis ao organismo, ou seja, o indivíduo precisa incluir todos os nutrientes para que o crescimento, desenvolvimento e manutenção da saúde sejam adequados. Entretanto, para facilitar o entendimento da população sobre alimentação saudável, os especialistas afirmam que deve-se focar no alimento e não no nutriente. As pessoas não consomem 8 nutrientes, mas alimentos palpáveis, com cheiro, cor, textura e sabor. Assim podemos estabelecer metas mais realistas de consumo, identificando alimentos específicos em grupos, conforme o Quadro 1 (SANT’ANNA, 2018). Quadro 1 - Alimentos saudáveis por grupo Fonte: Sant’Anna (2018). 2 PRÁTICAS ALIMENTARES SAUDÁVEIS A dieta e a nutrição são importantes determinantes da saúde e da doença de um grupo populacional. As práticas alimentares inadequadas estão relacionadas ao aumento da incidência de sobrepeso, obesidade e doenças crônicas não transmissíveis entre indivíduos de todas as faixas etárias. Em resposta ao crescimento significativo do número de casos dessas doenças, órgãos estatais têm implementado ações para conscientizar a população sobre a importância de manter práticas alimentares saudáveis, destacando-se a elaboração de manuais e guias (BRUG, 2008). 9 2.1 Guia alimentar para a população brasileira O guia alimentar para a população brasileira foi publicado em 2006, apresentando as primeiras diretrizes alimentares oficiais para o país. Foi revisado em 2014 para se adequar às mudanças sociais e de saúde vivenciadas pela população. Nele, são apresentados os dez passos para uma alimentação adequada e saudável que resumem as diretrizes nacionais de alimentação e nutrição voltadas aos cidadãos e profissionais de saúde, orientando a prática da promoção da alimentação apropriada e saudável. Apesar dos dez passos terem como foco a promoção da saúde e a prevenção de doenças, as suas recomendações, também, podem ser úteis para pessoas que possuem doenças, desde que adaptadas por profissionais de saúde (BRASIL, 2014). Para a elaborar essas diretrizes, foram consideradas como premissas básicas, a existência de evidências científicas e a promoção do direito humano à alimentação. Além disso, foi levado em conta o conceito de saúde, que vai além da ausência de doenças, e o de alimentação adequada e saudável, para além do consumo de nutrientes, conforme estabelecido pelo marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas. Assim, os dez passos estão disponibilizados no formato de folders, para que os profissionais possam trabalhar melhor as orientações preconizadas pelo guia alimentar, nas ações propostas. Agora, você poderá conferir o que orientam as diretrizes preconizadas nos dez passos: • Passo 1: fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação. Em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, alimentos in natura são a baseideal para uma alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável. Variedade significa alimentos de todos os tipos de grãos, raízes, tubérculos, farinhas, legumes, verduras, frutas, castanhas, leite, ovos e carnes e variedade dentro de cada tipo de feijão, arroz, milho, batata, mandioca, tomate, abóbora, laranja, banana, frango, peixes etc. 10 • Passo 2: utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar, em pequenas quantidades, ao temperar, cozinhar alimentos e criar preparações culinárias. Quando utilizados com moderação em preparações culinárias à base de alimentos in natura ou minimamente processados, óleos, gorduras, sal e açúcar contribuem para diversificar e tornar mais saborosa a alimentação, sem torná-la nutricionalmente desbalanceada. • Passo 3: limitar o consumo de alimentos processados. Os ingredientes e métodos usados na fabricação de alimentos processados, como conservas de legumes, compota de frutas, pães e queijos alteram, de modo desfavorável, a composição nutricional dos alimentos dos quais derivam. Em pequenas quantidades, podem ser consumidos como ingredientes de preparações culinárias ou parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados. • Passo 4: evitar o consumo de alimentos ultraprocessados. Devido a seus ingredientes, os alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes e macarrão instantâneo são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresentação, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente processados. Suas formas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam de modo negativo a cultura, a vida social e o meio ambiente. • Passo 5: comer com regularidade e atenção em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia. As refeições devem ser realizadas em horários semelhantes todos os dias e deve-se evitar beliscar nos intervalos entre as refeições. O alimento necessita ser comido devagar, em locais limpos, confortáveis e tranquilos, em que não haja estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimento. Sempre que possível, comer na companhia de familiares, amigos ou colegas de trabalho ou escola. A companhia nas refeições favorece o comer com regularidade e atenção, combina com ambientes apropriados e amplia o desfrute da alimentação. 11 • Passo 6: fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados. Procure fazer compras de alimentos em mercados, feiras livres e feiras de produtores e outros locais que comercializam variedades de alimentos in natura ou minimamente processados. Prefira legumes, verduras e frutas da estação e cultivados localmente. Sempre que possível, adquira alimentos orgânicos e de base agroecológica, de preferência diretamente dos produtores. • Passo 7: desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias. Se você tem habilidades culinárias, procure desenvolvê-las e partilhá-las, principalmente com crianças e jovens, sem distinção de gênero. Se você não tem habilidades culinárias – e isso vale para homens e mulheres –, procure adquiri-las. Para isso, converse com as pessoas que sabem cozinhar, peça receitas a familiares, amigos e colegas, leia livros, consulte a internet, eventualmente faça cursos e comece a cozinhar! • Passo 8: planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece. As compras de alimentos devem ser planejadas e a despensa doméstica organizada para auxiliar a definir, com antecedência, o cardápio da semana. Deve-se dividir com os membros da família a responsabilidade por todas as atividades domésticas relacionadas ao preparo de refeições. Fazer da preparação das refeições e do ato de comer momentos privilegiados de convivência e prazer. • Passo 9: dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora. No dia a dia, é necessário procurar locais que servem refeições feitas na hora e a preço justo. Restaurantes de comida a quilo podem ser boas opções, assim como, refeitórios que possuem comida caseira em escola ou local de trabalho. As redes de fast-food devem ser evitadas. • Passo 10: ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais 12 Lembre-se de que a função essencial da publicidade é aumentar a venda de produtos, e não informar ou, menos ainda, educar as pessoas. Avalie com crítica o que você lê, vê e ouve sobre alimentação em propagandas comerciais e estimule outras pessoas, particularmente crianças e jovens, a fazerem o mesmo. Com base nessas orientações, o Guia alimentar para a população brasileira apresenta exemplos de cardápios equilibrados, compostos por alimentos in natura ou minimamente processados disponíveis em diferentes regiões do Brasil e que fornecem aos indivíduos carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais em quantidade adequada. Veja esses exemplos a seguir (BRASIL, 2014): • Café da manhã Exemplos de cafés da manhã saudáveis e típicos dos brasileiros são aqueles que apresentam café com leite e fruta ou suco de fruta. Incluem-se também alimentos à base de cereais (pão, aveia, bolo de milho) e até mesmo tubérculos como a tapioca. Queijos e ovos também são boas opções para serem acrescentadas nesta refeição. • Almoço e jantar Nessas refeições, a mistura de feijão com arroz aparece quase sempre e demonstra a realidade alimentar da imensa maioria dos brasileiros que privilegiam alimentos in natura ou minimamente processados. Lentilhas ou grão-de-bico podem ser utilizadas no lugar do feijão. Também é interessante usar a farinha de mandioca no lugar do arroz. Apesar das verduras e legumes serem consumidos em menor quantidade, devem estar sempre presentes para compor uma refeição mais completa. Podem ser preparados crus, em saladas, ou em preparações cozidas ou refogadas. Para o jantar, os legumes e verduras podem ser utilizados no preparo de sopas. Em relação às carnes vermelhas (de gado ou de porco) devem ser priorizados os cortes magros e as preparações grelhadas ou assadas. Essas podem ser substituídas por frango ou peixe, ovos (omelete) ou legumes (abóbora com quiabo). Como sobremesa, destacamos a presença alternada de frutas e doces caseiros. • Pequenas refeições 13 Além das refeições principais (café da manhã, almoço e jantar), algumas pessoas podem sentir necessidade ou mesmo ter o hábito de fazer outras refeições ao longo do dia. Crianças e adolescentes, por se encontrarem em fase de crescimento, usualmente precisam fazer uma ou mais pequenas refeições, mas isso pode ocorrer também com pessoas em outras fases do curso da vida. A escolha dos alimentos a serem consumidos nessas refeições deve seguir as recomendações de privilegiar alimentos in natura ou minimamente processados, limitar os processados e evitar os ultraprocessados. Frutas frescas ou secas são excelentes alternativas, bem como leite, iogurte natural e castanhas ou nozes, na medida em que são alimentos com alto teor de nutrientes e grande poder de saciedade, além de serem práticos para transportar e consumir (BRASIL, 2014). 2.2 Pirâmide alimentar brasileira A pirâmide alimentar brasileira é uma representação gráfica que ajuda a orientar a alimentação de forma saudável. Ela divide os alimentos em grupos e indica a quantidade ideal de cada grupo que deve ser consumida diariamente para manter uma dieta equilibrada. 2.2.1 A história da classificação dos alimentos Para tornar mais didático o aconselhamento nutricional, diversas maneiras de classificar os alimentos foram desenvolvidas e reformuladas ao longo do tempo. Seja, para orientar consumidores ou paratornar mais didática uma instrução individual, as classificações são um instrumento comum na educação nutricional. Nesse sentido, muitos países, ao elaborarem seus guias alimentares para orientação da população e de políticas públicas, adotaram alguma classificação de alimentos como oficial. Essa classificação pode variar significativamente, até mesmo entre países do mesmo continente. Por isso, entidades e pesquisadores buscam a harmonização dos sistemas de classificação (NETO, 2018). O químico Wilbur Olin Atwater foi o precursor na investigação nutricional e o primeiro a organizar os componentes necessários para o desenvolvimento de guias alimentares. Em 1894, a publicação de tabelas de composição de alimentos e padrões 14 dietéticos para a população norte-americana facilitou os futuros estudos que estabeleceriam relações entre a composição dos alimentos, ingestão alimentar e saúde dos indivíduos. A partir desses trabalhos, vários guias foram elaborados para diferentes grupos populacionais, apresentando distintas formas de representação gráfica. O avanço científico no estudo dos alimentos e da fisiologia humana aplicada à nutrição, ocorrido entre as décadas de 1980 e 1990, resultou em pesquisas que levaram à criação de novas classificações para os alimentos, especialmente após a publicação do guia alimentar norte-americano em 1992. A classificação clássica, utilizada ao longo dos anos, no mundo inteiro, tinha como parâmetro a função dos alimentos no organismo. Dessa forma, os alimentos eram agrupados em energéticos (fornecem carboidratos e gorduras), construtores (alimentos proteicos e reguladores) e reguladores (fontes de vitaminas e de minerais) (PHILIPPI, 2008). Esse instrumento, representado graficamente como uma roda de alimentos, foi aplicado no Brasil, até meados da década de 1990, como um instrumento de educação nutricional e orientação dietética (PHILIPPI et al., 1999). Embora chamada de clássica, ela não é mais utilizada, considerando a complexidade dos alimentos e suas preparações. Além disso, não é mais recomendada para aconselhamento nutricional por órgãos oficiais (FAO, 1997). O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) associado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), formulou, em 1992, um novo modelo de classificação dos alimentos com a forma gráfica de uma pirâmide alimentar (WELSH; DAVIS; SHAW, 1992). Em 1999, seguindo essa tendência e considerando os bons resultados que os estudos apresentaram na compreensão populacional com a nova forma gráfica, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) adaptaram à realidade brasileira o modelo de pirâmide alimentar (PHILIPPI et al., 1999). 2.2.2 A pirâmide alimentar e seus grupos Na Figura 1, é possível observar que a pirâmide alimentar foi organizada em quatro níveis, da base para o topo: 15 • 1º nível: Alimentos energéticos como o grupo dos cereais, tubérculos, raízes; • 2º nível: Alimentos reguladores como hortaliças, vegetais e frutas, importantes fontes de vitaminas, minerais e fibras; • 3º nível: Alimentos proteicos como o grupo do leite e produtos lácteos, carnes, ovos e leguminosas; • 4º nível: Alimentos ricos em gorduras, açúcares e sal, que devem ser consumidos com moderação. Figura 1 – Pirâmide alimentar Fonte: Adaptada de Philippi et al. (1999). A representação gráfica da pirâmide alimentar facilita tanto o trabalho dos profissionais de saúde quanto a compreensão dos pacientes, especialmente quando é necessária uma dieta calculada. O fato de porções completas atenderem ao fechamento do cálculo energético aumenta a probabilidade de adesão à dieta. Não seria prático apresentar um plano alimentar com meia porção ou um quarto dela. 16 Portanto, as porções do guia foram elaboradas de forma a permitir o consumo de porções inteiras, mesmo em dietas com menor valor calórico, possibilitando ao nutricionista focar no conceito de porção para fins didáticos (PHILIPPI et al., 1999). Durante a prática clínica, dependendo dos hábitos alimentares dos indivíduos, o conceito de porção é extremamente variável. Neste sentido, o conceito da pirâmide, com seus exemplos de porções, colabora para que paciente e nutricionista consigam se entender no momento de planejar a dieta. No Quadro 2, são descritas as características dos oito grupos de alimentos representados nos quatro níveis da pirâmide alimentar: Quadro 2 - Os oito grupos alimentares 17 Fonte: Neto (2018). Embora a pirâmide brasileira tenha grande inspiração na pirâmide americana, a quantidade das porções dos alimentos foi estabelecida de forma diferente. No caso dos cereais, foi proposto um número menor de porções, em comparação com a outra pirâmide, enquanto que, para o grupo das hortaliças, foi sugerido um valor maior de porções (PHILIPPI et al., 1999). Ainda de acordo com as diferenças, a pirâmide brasileira destaca as leguminosas como um grupo próprio, considerando importante a questão cultural do consumo delas, como o feijão e a lentilha. Já, na pirâmide alimentar americana isso não ocorre, elas são incluídas junto com as carnes e ovos. Os alimentos proteicos foram todos apresentados no mesmo nível da pirâmide, com porções recomendadas correspondendo de 10 a 15% do valor energético total. Porém, a divisão indica que carnes, leite e leguminosas não podem ser substituídos livremente entre si. As gotas e os cubos, representando o óleo e o açúcar, respectivamente, foram distribuídos por toda a pirâmide para reforçar a presença intrínseca ou a adição desses alimentos a todos os tipos de preparações. Entretanto, foi estabelecida uma quantidade específica de porções para gorduras e açúcares, visando facilitar a orientação sobre a moderação no consumo desses elementos (PHILIPPI et al., 1999). 2.2.3 Contabilizar os alimentos conforme a pirâmide alimentar Alimentos como frutas e que tenham preparações únicas, como por exemplo, o feijão, são de fáceis de identificar e contabilizar por meio da pirâmide. Porém, 18 preparações mais complexas, apresentam dificuldades para a sua contabilização nas porções dos grupos de alimentos (NETO, 2018). Uma massa com molho de queijo poderia causar dúvidas na hora de classificar a qual grupo da pirâmide a preparação pertence. Neste caso, poderiam ser contabilizados as porções dos alimentos predominantes no prato: o macarrão, no grupo dos carboidratos e o molho de queijo, no grupo dos lácteos. Assim, você já pode perceber que as refeições e preparações não são contabilizadas em separado, e sim, compostas por porções de alimentos de diferentes grupos. É fundamental estar atento à quantidade de sal, açúcar e óleo adicionados aos alimentos e preparações. Devido à alta densidade energética dos açúcares e gorduras, seu uso inadequado pode comprometer significativamente o valor calórico desejado. A seguir, estão algumas recomendações básicas com base em uma interpretação geral da pirâmide alimentar: • escolher uma dieta variada com alimentos de todos os grupos da pirâmide; • dar preferência aos vegetais, como frutas, verduras e legumes; • ficar atento ao modo de preparo dos alimentos para garantia da qualidade final, dando preferência aos alimentos em sua forma natural, além de preparações assadas, cozidas em água ou no vapor e grelhadas; • ler os rótulos dos alimentos industrializados para conhecer o valor nutritivo do alimento que será consumido; • medidas radicais não são recomendadas e os hábitos alimentares devem ser aos poucos modificados; • utilizar açúcares, doces, sal e alimentos ricos em sódio com moderação; • consumir alimentos com baixo teor de gordura. Preferir gorduras insaturadas (óleo vegetal e margarina), leite desnatado e carnes magras; • se fizer uso de bebidas alcóolicas, que seja de forma moderada; • considerar o estilode vida e a energia diária são necessários para programar a dieta e atingir o peso ideal (NETO, 2018). 19 2.2.4 A pirâmide alimentar e suas adaptações A elaboração da primeira edição do guia alimentar brasileiro exigiu adaptações na pirâmide alimentar brasileira já publicada. Foram adaptados os cálculos do número de porções e de seu valor energético médio, assim, o valor calórico da dieta que era de 2500kcal foi reduzida para 2000kcal. Além disso, parte gráfica também sofreu algumas alterações, ganharam destaque as frutas regionais (caju, goiaba e graviola), as folhas verdes escuras, os peixes e as castanhas. No grupo dos doces, a representação do chocolate e do açucareiro enriqueceram a apresentação da pirâmide alimentar (PHILIPPI et al., 1999). Acompanhe na Figura 2 as modificações feitas na representação da pirâmide alimentar brasileira: Figura 2 - Pirâmide alimentar adaptada Fonte: Adaptada de Brasil (2014). 20 2.2.5 Orientações para escolhas saudáveis a partir da interpretação da pirâmide Atualmente, com base nos novos estudos e na segunda edição do guia alimentar para a população brasileira, é importante saber que a classificação por grupos alimentares não possui a sensibilidade necessária para identificar o nível de processamento dos alimentos. No entanto, devido à industrialização dos gêneros alimentícios, é essencial identificar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e deixar claro ao paciente que a preferência deve ser por alimentos in natura ou minimamente processados (NETO, 2018). Por não considerar o nível de processamento industrial, a pirâmide não foi adotada na segunda edição do guia. Contudo, estudou-se a sua relevância histórica e vantagens quanto à representação gráfica intuitiva e às indicações de porções, pois ainda podem ser instrumentos úteis na prática clínica. Na orientação individual dos pacientes, é essencial oferecer opções e propor uma dinâmica que promova a variedade, mantendo a meta energética estabelecida (segundo a pirâmide). O nutricionista deve adaptar a orientação populacional para cada caso individual, levando em conta problemas epidemiológicos atuais, como o alto consumo de alimentos refinados e ultraprocessados, além dos aspectos específicos do paciente, para orientá-lo nas escolhas mais adequadas dentro de cada grupo alimentar. Para ilustrar melhor as orientações pertinentes, utilizando como instrumento a pirâmide alimentar, será exposto no Quadro 3, o cardápio de um indivíduo que relatou o seu hábito alimentar: Quadro 3 - Exemplo de cardápio 21 Fonte: Neto (2018). Agora, você poderá conferir, de forma mais detalhada, no Quadro 4, a classificação e as porções recomendadas dos alimentos que compõem o cardápio desse mesmo indivíduo: Quadro 4 - A porção e classificação de determinados alimentos Fonte: Neto (2018). Com base na análise dessas características, serão feitas algumas colocações a respeito da distinção de alguns alimentos consumidos no cardápio. Em primeiro lugar, é possível observar que o item pastel de feira não se encontra catalogado, o que leva a analisar a preparação e identificar as porções médias de seus principais componentes. Como é uma preparação frita e a porção de óleo é de 1 colher de sopa, será considerada que a preparação final acaba com cerca de 2 colheres de sopa. O mesmo ocorre com o achocolatado, verificando a sua composição, percebe-se que ele é, preponderantemente, açúcar refinado, sendo, então, alocado neste grupo (NETO, 2018). 22 Já, o macarrão instantâneo foi considerado como parte do grupo dos cereais. A sua quantificação, em termos de porções, é realizada observando o seu rótulo, que forneceu um valor calórico de 324 kcal por unidade de produto. Logo, ele foi classificado como uma porção de cereais em equivalência que nem outra massa e, é sabido que o seu processamento acarreta a presença de um teor de sódio e de gorduras muito elevado. Ainda que fosse ajustado para a porção de gorduras, o sódio ficaria desconsiderado da análise. Isso ocorre em muitos alimentos que têm versões mais ou menos processadas industrialmente. Por isso, na hora de utilizar a pirâmide alimentar, na orientação nutricional, é vital conhecer os pontos de menor especificidade para orientar bem o paciente e não o induzir a erros quanto à qualidade dos alimentos escolhidos. Nesse sentido, cabe destacar a importância do processamento, principalmente, as preparações de frutas e vegetais. Por exemplo, quando o indivíduo do exemplo relatou o consumo de suco de tangerina, era necessário ter perguntado se o suco era natural. Entre os sucos artificiais encontram-se uma gama de produtos, desde sucos naturais concentrados e pasteurizados; sucos naturais diluídos e adoçados; sucos em pó saborizados artificialmente. Não se pode considerar esses produtos diluídos e, extremamente adoçados como uma porção de frutas, muito menos os saborizados artificialmente. Eles são alocados mais de acordo com os açúcares. O mesmo acontece com outras preparações como sopas e caldos. Uma porção de sopa pronta em pó não tem o mesmo valor nutricional de uma preparação culinária, devendo ser contabilizada com cautela, não podendo ser relacionada como uma porção de hortaliças. Portanto, observando esses cuidados, a esquematização, por meio de porções, pode auxiliar o paciente no cotidiano, a variar cardápios, organizar compras e preparar os alimentos (NETO, 2018). 3 ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NOS DIFERENTES ESTÁGIOS DA VIDA Buscando orientar a população de diferentes faixas etárias em relação a hábitos alimentares saudáveis, o Ministério da Saúde do Brasil elaborou materiais informativos direcionados para grupos populacionais específicos como gestantes, crianças menores de 2 anos, adolescentes, adultos e idosos. 23 3.1 Orientações para gestantes Um dos documentos orientadores elaborados pelo Ministério da Saúde brasileiro é o “Protocolo de uso do guia alimentar para a população brasileira na orientação alimentar da gestante”, publicado em 2021. Com o objetivo de apoiar a prática clínica voltada aos cuidados na gestação na atenção primária à saúde (APS), esse documento auxilia os profissionais no atendimento de gestantes de alto risco, com diabetes gestacional e hipertensão arterial, bem como gestantes desnutridas, com sobrepeso e obesas (BRASIL, 2021b). Nesse protocolo, há um formulário para avaliação da ingestão alimentar, apresentado no Quadro 5. Esse formulário deve ser usado pelo profissional durante a consulta para identificar os marcadores para uma alimentação saudável, o que inclui o consumo de frutas, verduras, legumes e feijões, além de possibilitar a avaliação do consumo de alimentos ultraprocessados pelas gestantes. Quadro 5 - Formulário para avaliação do consumo alimentar Fonte: Adaptado de Brasil (2021b). 24 A partir desse formulário, o profissional consegue orientar a gestante quanto a uma alimentação mais saudável, exemplo: • Caso a gestante não consuma feijão diariamente, é importante incentivar essa prática. Contudo, não deve se limitar apenas ao feijão; é recomendável também o consumo de outras leguminosas, como grão de bico, lentilha e ervilha, além de arroz, farinha de mandioca e outros alimentos que respeitem os hábitos culturais da gestante e a vocação agrícola da região onde ela vive. Além disso, é essencial que o profissional oriente a gestante sobre os temperos utilizados na preparação desses alimentos, destacando a importância de priorizar o uso de alho, cebola, sal marinho e louro, em detrimento de temperos industrializados, embutidos e carnes salgadas (BRASIL, 2021b). • Se tiver o hábito de consumir bebidas adoçadas (p. ex.: refrigerantes, sucos de caixinha ou em pó, etc.), o profissional deverá orientá-la a evitar a ingestão desse tipo de produto, incentivando-aa ingerir água, sucos naturais, água de coco natural, entre outras bebidas saudáveis. • Se a gestante tiver o hábito de consumir alimentos ultraprocessados como bolachas industrializadas, salgadinhos, alimentos congelados, o profissional deverá explicar as características desses produtos, informando seus potenciais malefícios à saúde, e orientá-la a evitar o consumo deles. Em substituição, deve ser incentivado o consumo de alimentos in natura e minimamente processados, distribuído em pelo menos três refeições principais compostas por ingredientes coloridos e variados sempre valorizando os pratos típicos de sua região que sejam preparados com ingredientes naturais. Nos lanches, a gestante pode ser orientada a consumir frutas (frescas ou secas), iogurte natural ou leite. • Se a gestante não estiver consumindo legumes ou verduras, o profissional deve incentivá-la a incluir esses alimentos em sua dieta, destacando a importância de consumi-los nas principais refeições, como almoço e jantar. Além disso, é recomendável orientá-la sobre os alimentos provenientes da produção agrícola local, garantindo que a gestante tenha acesso a verduras e legumes frescos e de baixo custo da região. • Se a gestante não tiver o hábito de consumir frutas, o profissional deve destacar a importância desses alimentos para a saúde dela e do bebê. Desse modo, é importante orientá-la para que consuma todos os dias frutas variadas, de 25 preferência da estação e produzidas na região, e que as frutas sejam consumidas preferencialmente in natura (e não em forma de suco), de modo a preservar as fibras presentes nelas. • Se tiver o hábito de fazer suas refeições em frente à TV, usando o celular ou diante de qualquer outra fonte que demande sua atenção, o profissional deverá estimulá-la a abandonar esse hábito, orientando-a a se alimentar em locais tranquilos, sem distrações e, sempre que possível, acompanhada de outras pessoas, a fim de tornar esse momento mais saudável e prazeroso (BRASIL, 2021b). 3.2 Orientações para crianças menores de 2 anos Publicado pelo Ministério da Saúde do Brasil em 2019, o “Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos” é um instrumento de orientação que tem como objetivo a promoção da saúde, do crescimento e do desenvolvimento dessa população, para que possa alcançar todo o seu potencial. A seguir são apresentados os sete princípios básicos definidos por esse documento (BRASIL, 2019). 1. A saúde da criança é prioridade absoluta e responsabilidade de todos: desde a gestação até os 2 anos de vida, a criança precisa ser orientada quanto à sua alimentação, devendo receber leite materno nos primeiros 6 meses. Após esse período, deve ter início a introdução alimentar. Portanto, o processo de alimentação de uma criança é tarefa não apenas da família, mas também do Estado e da sociedade. 2. O ambiente familiar é espaço para a promoção da saúde: é importante que todos os membros da família mantenham uma alimentação saudável, incentivando a criança a desenvolver os mesmos hábitos alimentares. Além disso, as refeições são momentos preciosos para o fortalecer os laços afetivos e para o desenvolvimento do sentimento de segurança pela criança. 3. Os primeiros anos de vida são importantes para a formação dos hábitos alimentares: é durante o início da introdução alimentar que a criança sofre maior influência para a formação do seu paladar. Assim, é de extrema importância que a família estimule o consumo de alimentos in natura e minimamente processados. 26 4. O acesso a alimentos adequados e saudáveis e à informação de qualidade fortalece a autonomia das famílias: quanto mais informações confiáveis sobre alimentação saudável a família receber, mais autonomia ela terá para realizar escolhas conscientes. 5. A alimentação é uma prática social e cultural: o ato de se alimentar envolve transmissão de conhecimentos, cultura e tradições de uma família e um povo. Desse modo, a família deve transmitir à criança também esses conhecimentos, sua cultura e sua tradição durante as refeições, atentando-se para que isso esteja alinhado a práticas alimentares adequadas. 6. A adoção de uma alimentação adequada e saudável para a criança contribui para o fortalecimento de sistemas alimentares sustentáveis: escolhas alimentares baseadas em alimentos in natura e minimamente processados estimulam a produção agrícola local, a agricultura familiar, a manutenção de famílias no campo e a preservação do meio ambiente. 7. O estímulo à autonomia da criança contribui para o desenvolvimento de uma relação saudável com a alimentação: as crianças devem ser expostas a uma variedade de alimentos saudáveis, de modo a desenvolverem seu paladar e, assim, sua autonomia para fazerem escolhas alimentares adequadas. Considerando esses sete princípios, o Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos apresenta 12 passos para uma alimentação saudável da criança, listados no Quadro 6. 27 Quadro 6 - Os 12 passos para uma alimentação saudável da criança Fonte: Adaptado de Brasil (2019). 3.3 Orientações para adolescentes O Protocolo de uso do guia alimentar para a população brasileira na orientação alimentar da pessoa na adolescência, publicado em 2022, também propõe que se use o formulário apresentado no Quadro 5 para avaliar os hábitos alimentares dessa população, e suas orientações estão em conformidade com os princípios do Guia alimentar para a população brasileira. No caso específico dos adolescentes, deve-se dar maior atenção para o uso de telas (TV, celular, etc.) durante as refeições e para o consumo de alimentos ultraprocessados, conscientizando-os sobre os malefícios acarretados por essas práticas e orientando-os em relação a hábitos alimentares adequados (BRASIL, 2022). 28 Outro ponto importante desse documento é o incentivo para que os adolescentes, durante o tempo em que permanecem na escola, se alimentem com a merenda escolar. Isso porque esta é elaborada por nutricionistas e atende às exigências do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que incluem o fornecimento aos estudantes de refeições baseadas em alimentos in natura e minimamente processados. Ainda, o protocolo chama a atenção para que, fora de casa e do ambiente escolar, os adolescentes sejam incentivados a frequentar locais que ofereçam alimentação saudável (BRASIL, 2022). 3.4 Orientações para idosos Assim como o documento destinado para adolescentes, o Protocolo de uso do guia alimentar para a população brasileira na orientação alimentar da pessoa idosa publicado em 2021, propõe que seja usado o formulário apresentado no Quadro 5 para a identificação dos hábitos alimentares dessa população, além de estar de acordo com os princípios do Guia alimentar para a população brasileira. É, desse modo, importante estimular os idosos a consumirem feijão e outras leguminosas, frutas, verduras, legumes e carnes, sempre tendo em vista a composição de pratos coloridos e variados, além de orientá-los a ingerir água, sucos de frutas in natura, leite, água de coco, etc. Em resumo, também para essa população, deve ser privilegiado o consumo de alimentos in natura e minimamente processados em detrimento do consumo de alimentos processados e ultraprocessados (BRASIL, 2021a). Quando o idoso tiver limitações funcionais, é importante que um familiar ou uma pessoa próxima o auxilie durante as refeições, e, sobretudo nos casos em que o idoso não tem apetite, este deve sempre se alimentar na presença de algum familiar ou pessoa próxima, que deve o incentivar a comer. Também é fundamental estimular o consumo de água pelo idoso, para evitar a desidratação e o desenvolvimento de problemas intestinais. Nos casos em que a condição financeira da família é desfavorável, uma alternativa é investir em hortas caseiras,que têm baixo custo e podem trazer grandes benefícios para a saúde. Por fim, convém destacar que a valorização dos saberes dos idosos é uma atitude que contribui tanto para aumentar a sua autoestima quanto para preservar sua cultura e suas tradições (BRASIL, 2022). 29 4 IMPORTÂNCIA DE UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL PARA O ADULTO E O IDOSO A fase adulta, o estágio mais longo do ciclo da vida, começa quando o adolescente conclui seu crescimento físico. Diferentemente dos estágios anteriores do ciclo da vida, os nutrientes são utilizados para manter o corpo, em vez de sustentar o crescimento físico. À medida que o adulto envelhece, as necessidades de nutrientes mudam. Por exemplo, é preciso aumentar o aporte de vitamina D e vitamina B12 para os idosos (WARDLAW; SMITH, 2013). Desta forma, a fase adulta é caracterizada pela manutenção corporal, por transições físicas e fisiológicas gradativas, geralmente conhecidas como envelhecimento. Este processo é um fenômeno universal e natural do organismo, caracterizado pela lenta morte celular, começando logo depois da fertilização do óvulo (WARDLAW; SMITH, 2013; COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). As alterações causadas pelo envelhecimento ocorrem em um ritmo diferente para cada pessoa e dependem de fatores internos e externos, como os descritos a seguir: • Fatores internos: a genética do indivíduo pode influenciar o processo de envelhecimento, retardando os danos causados pelo metabolismo endógeno das toxinas, regulando a taxa de maturação celular e o metabolismo, e suprimindo a tendência de proliferação ilimitada. • Fatores externos: o exercício físico, a radiação, a alimentação e os outros hábitos de vida, como o fumo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas (COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). O envelhecimento é um dos processos biológicos mais complexos, é inevitável e irreversível, dependente da idade, do aumento da vulnerabilidade e do declínio progressivo funcional. Agora, alguns processos fisiológicos que ocorrem durante o envelhecimento serão descritos: • Adolescência: o envelhecimento não é aparente, porque as principais atividades metabólicas estão voltadas para o crescimento e maturação. São produzidas uma grande quantidade de células ativas para suprir as necessidades fisiológicas. 30 • Durante o final da adolescência e fase adulta: a principal tarefa do corpo é manter as células. • Do início da fase adulta até em torno dos 30 anos de idade: os sistemas corporais encontram-se em sua taxa de eficiência máxima. Estatura, vigor, força, resistência, eficiência e saúde estão em seu ponto máximo na vida. As taxas de síntese e decomposição celular estão equilibradas na maioria dos tecidos. Entretanto, é inevitável que as células envelheçam e morram. • Após os 30 anos de idade: a taxa de decomposição celular começa, lentamente, a exceder o limite de renovação celular, levando a um declínio gradativo no tamanho e na eficiência dos órgãos. • Após os 60 anos: o corpo não consegue se ajustar para atender a todas as demandas fisiológicas, e o funcionamento do corpo começa a decair. Contudo, os sistemas corporais e os órgãos, geralmente, retêm uma capacidade de reserva suficiente para lidar com as demandas diárias normais, durante toda a vida de uma pessoa (WARDLAW; SMITH, 2013). À medida que os indivíduos envelhecem, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) tornam-se as principais causas de morbidade, incapacidade e mortalidade em todas as regiões do mundo, inclusive nos países em desenvolvimento. Estas doenças, comuns na terceira idade, são caras para os indivíduos, famílias e o Estado. No entanto, muitas delas podem ser evitadas ou pelo menos adiadas. Não prevenir ou controlar as DCNTs adequadamente resultará em enormes custos humanos e sociais, que irão absorver uma quantidade desproporcional de recursos que poderiam ser destinados a problemas de saúde de outras faixas etárias (WHO, 2005). Portanto, ao longo da vida, é essencial otimizar as oportunidades para melhorar e preservar a saúde, bem-estar físico, social e mental, independência, qualidade de vida e atividade física (COSTA; DIAS; SOUZA, 2013). 5 ALIMENTOS FUNCIONAIS As propriedades funcionais dos alimentos têm sido abordadas durante séculos em todo o mundo com o objetivo de prevenir doenças, onde os alimentos funcionais frequentemente são referidos como “produtos naturais de saúde” ou “alimentos 31 saudáveis” (BROWN et al., 2018). A descrição dos alimentos funcionais relaciona estes produtos com suas propriedades nutritivas e também com os efeitos metabólicos e fisiológicos trazendo benefícios a saúde (REIS et al., 2016). No entanto, ainda não há um consenso mundial concreto sobre a definição de alimentos funcionais e o Codex Alimentarius não possui uma definição oficial. O Japão foi um dos pioneiros a buscar mais informações sobre as propriedades funcionais dos alimentos e a sua associação com uma dieta equilibrada, lançando na década de 80 uma categoria para os alimentos que apresentavam benefícios a saúde, denominados por “Foods for Specified Health Use” (Alimentos para uso específico de saúde) (PASCOAL et al., 2016). O Brasil foi o país pioneiro na América Latina a criar uma legislação específica sobre alegações de propriedades funcionais e/ou de saúde, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para que os alimentos que apresentassem tais propriedades, fossem inseridos no mercado com alegações no rótulo. As Resoluções da Diretoria Colegiada (RDC) que regulamentam os alimentos funcionais são as RDC n.º 16/99; n.º 17/99; n.º 18/99 e n.º 19/99, cuja essência retrata sobre os alimentos com alegações de propriedades nutricionais e/ou saúde (PASCOAL et al., 2016). Assim, mediante ao atendimento da legislação vigente, para obtenção de registro no país como alimento funcional, o produto deverá comprovar a alegação de propriedades funcional ou de saúde com base no consumo previsto ou recomendado pelo fabricante, na finalidade e condições de uso, valor nutricional e quando for o caso através de evidência(s) científica(s). Embora a legislação brasileira apresente normas específicas para os alimentos com efeitos potencialmente benéficos à saúde, esta não possui uma definição para os alimentos funcionais, apenas define as alegações que podem ser utilizadas para um determinado alimento e/ou ingrediente, ou seja, poderá ser feita uma menção que afirme, sugira ou implique que o produto possua propriedades de benefício à saúde (PASCOAL et al., 2016). Os efeitos benéficos associados ao consumo de alimentos funcionais e nutracêuticos, tais como a cenoura, o alho, o abacate, a berinjela, o brócolis, a castanha do Pará, o salmão, a sardinha, a soja, os probióticos, o tomate, a linhaça, a aveia, o Goji Berry e a alcachofra e suas substâncias ativas isoladas vêm sendo relatados em diferentes estudos na prevenção da incidência de doenças como 32 hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, manutenção do peso corporal, aceleração da velocidade de reação do sistema imunológico e diversos tipos de câncer (CAVAZIM; FREITAS, 2018). Nas últimas décadas, o perfil de consumo da população vem mudando em função da busca de qualidade de vida, que apresenta uma associação com os hábitos alimentares e aumento da expectativa de vida. Mesmo havendo esta preocupação em relação aos hábitos alimentares e aumento da expectativa de vida, a incidência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) como: obesidade, diabetes, câncer, hipertensão e doenças cardíacas, ainda é bastante significativa, onde o fator determinante destas pode estar relacionado à alimentação. O risco de desenvolvimento das DCNT amplia-se com o consumo insuficiente de frutas e vegetais, além do processo de industrialização e aumento da oferta e consumo de alimentos de altos valores energéticos(SOUZA, 2017; VAZ; BENNEMANN, 2014). Estima-se que o consumo de frutas e vegetais corresponda a menos da metade do recomendado, onde nota-se desconhecimento da população sobre a importância destes alimentos (MURICI et al., 2016). Diante deste cenário, os alimentos com alegações de propriedades benéficas à saúde têm ganhado cada vez maior amplitude de divulgação, em função de afetar uma ou mais funções fisiológicas do organismo, melhorando o estado de bem-estar físico e psicológico do indivíduo (CAVAZIM; FREITAS, 2018). 6 ÁGUA A água é fundamental para a manutenção da vida, pois sem ela não conseguimos viver mais do que alguns dias. No corpo humano, a água representa cerca de 75% do peso corporal na infância e mais da metade na idade adulta. Assim como qualquer alimento, a quantidade de água necessária diariamente varia bastante e depende de diversos fatores, incluindo idade, peso corporal, nível de atividade física e condições climáticas do ambiente em que se vive. Enquanto para algumas pessoas dois litros por dia podem ser suficientes, outras precisam consumir três ou quatro litros diariamente como é o caso dos esportistas (BRASIL, 2014). O corpo humano possui uma capacidade eficiente de regular o equilíbrio diário de água, garantindo que a quantidade ingerida ao longo do dia corresponda àquela 33 utilizada ou eliminada pelo organismo. Esse balanço de água é controlado por sensores sofisticados localizados no cérebro e em diversas partes do corpo. Esses sensores nos fazem sentir sede e nos impulsionam a ingerir líquidos sempre que a ingestão não é suficiente para repor a água perdida. Devemos estar atentos aos primeiros sinais de sede, como boca seca, lábios e língua ressecados, leve dor de cabeça, e urina mais escura e em menor quantidade. Satisfazer prontamente as necessidades hídricas sinalizadas pelo organismo é extremamente importante para manter o bem-estar geral. A água que ingerimos deve vir predominantemente do consumo de água pura, mas também pode vir contida nos alimentos e preparações culinárias. É essencial que tanto a água bebida quanto a água utilizada nas preparações culinárias sejam potáveis, ou seja, estejam isentas de microrganismos e de substâncias químicas que possam constituir um risco para a saúde humana. A água fornecida pela rede pública de abastecimento deve atender a esses critérios, mas, na dúvida, filtrá-la e fervê-la antes do consumo garante sua qualidade. A água pura é a melhor opção para a ingestão de líquidos, mas também faz parte da cultura alimentar do brasileiro o consumo na forma de bebidas como café e chá, neste caso não é recomendado adicionar açúcar. Ter à mão pequenas garrafas com água fresca é boa solução quando se está fora de casa. A maioria dos alimentos in natura ou minimamente processados e das preparações desses alimentos têm alto conteúdo de água. O leite e a maior parte das frutas contêm entre 80% e 90% de água. Verduras e legumes cozidos ou na forma de saladas costumam ter mais do que 90% do seu peso em água. Após o cozimento, macarrão, batata ou mandioca têm cerca de 70% de água. Um prato de feijão com arroz é constituído de dois terços de água. Quando a alimentação é baseada nesses alimentos e preparações, é usual que eles forneçam cerca de metade da água que precisamos ingerir. Diferentemente dos alimentos in natura ou minimamente processados e das preparações culinárias desses alimentos, os alimentos ultraprocessados são em geral escassos em água, exatamente para que durem mais nas prateleiras. Este é o caso de salgadinhos “de pacote” e biscoitos que costumam ter menos do que 5% de água na sua composição. Outros produtos como refrigerantes e vários tipos de bebidas adoçadas possuem alta proporção de água, mas contêm açúcar ou adoçantes 34 artificiais e vários aditivos, razão pela qual não podem ser considerados fontes adequadas para hidratação (BRASIL, 2014). 7 CONSEQUÊNCIAS DA MÁ ALIMENTAÇÃO A má alimentação muitas vezes é decorrente de uma rotina longa e cansativa de trabalho, comprometendo as pessoas que não tem tempo para realizar todas as refeições diárias. A alimentação influencia na saúde, no trabalho, nos estudos e na vida social de todos os indivíduos, uma alimentação adequada aumenta a resistência a doenças, retarda o envelhecimento, e assegura bem-estar físico, social e mental. A pessoa que se alimenta de forma inadequada pode apresentar vários sintomas, como desânimo, cansaço, fraqueza, irritação, falta de disposição, e apresentar algumas patologias. Com uma vida corrida muita gente opta por comidas prontas, congeladas, salgados, lanches e refrigerantes, que são alimentos ricos em gorduras e carboidratos refinados, muitas vezes são alimentos industrializados que têm alto teor de sódio, com isso diminui a ingestão de nutrientes importantes para o bom funcionamento do organismo (MULLER; GIMENO, 2015). A alimentação é uma necessidade do corpo, por isso deve ser rica em alimentos saudáveis, que possam fornecer todos os nutrientes necessários para suprir a cadeia alimentar do ser humano. Quando isso não acontece algumas patologias podem desenvolver, sendo mais comum a hipertensão, obesidade e o diabetes (PEIXOTO et al., 2014). 8 NUTRIÇÃO E PREVENÇÃO A relação entre alimentação e saúde tem ganhado destaque. A nutrição saudável baseia-se no reconhecimento de que um nível ótimo de saúde é influenciado pelos hábitos alimentares adotados. Os guias alimentares propostos pelo Ministério da Saúde buscam reforçar essa relação, pois o aumento da obesidade e das doenças associadas está relacionado à maior prevalência de DCNTs, resultando em custos elevados com tratamentos que podem ser necessários por toda a vida (DUNCAN et al., 2012). 35 Nesse contexto, é fundamental dar ênfase às medidas preventivas, pois a prevenção precoce das doenças não apenas contribui para a melhoria da qualidade de vida, mas também porque as intervenções terapêuticas para a obesidade, um dos principais problemas nutricionais atuais, têm mostrado pouca eficiência. A prevenção baseia-se em dois componentes científicos fundamentais. Primeiro, é necessários o conhecimento e a compreensão dos processos biológicos e epidemiológicos envolvidos no surgimento das doenças. Em seguida, é essencial analisar a efetividade das intervenções. No Brasil, ainda é pequeno o conhecimento sobre a efetividade de intervenções das doenças crônicas. Isso porque grande parte da experiência preventiva no Brasil tem origem na prevenção das doenças infecciosas e das doenças carenciais, cuja prevenção tem um caráter mais específico. Já para a prevenção de doenças crônicas, ainda existem diversos obstáculos para garantir sua efetividade. Sabemos que a maioria das doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes, cânceres e hipertensão, estão intimamente relacionadas, formando uma rede complexa de interações, assim como os fatores de risco associados a elas. Por exemplo, os fatores de risco para o desenvolvimento de hipertensão arterial estão ligados ao diabetes tipo 2, que por sua vez está associado à redução do colesterol HDL e ao aumento dos triglicerídeos. Assim, o tratamento clínico deve considerar essas associações e ser realizado em conjunto com programas de prevenção. Outra característica que podemos observar é que, além de essas doenças estarem associadas, os fatores de risco para as DCNTs ocorrem de forma conjunta e interdependente. Portanto, deixar de fumar está associado ao ganho de peso, e comportamentos como realizar atividade física de lazer e comer mais frutas agrupam- se nos mesmos indivíduos. Dessa forma, embora muitos estudos epidemiológicos em doenças crônicas busquem um nutriente específico como o responsável pela diminuição da incidência, e mesmo que em alguns casos esse conhecimento possa representar, no futuro, a formamais efetiva de prevenção para uma doença específica, a abordagem coletiva das DCNTs parece ser a forma mais indicada de prevenção, abordando as doenças em sua integralidade e levando em conta suas associações (DUNCAN et al., 2012). 36 Nessa perspectiva global, uma proposta de alimentação saudável para a prevenção das DCNTs deve recomendar dietas acessíveis a toda a sociedade e que impactem os principais fatores relacionados às diversas doenças. Aumentar o consumo de frutas e verduras e estimular o consumo de arroz e feijão são exemplos de sugestões que atendem a esses critérios (LINDEMANN; OLIVEIRA; MENDOZA- SASSI, 2016). Sabemos que a obesidade é uma condição que aumenta o risco de morbidade para as principais doenças crônicas: hipertensão, dislipidemia, diabetes, doença coronariana e alguns tipos de câncer. Muito embora não se defina uma estratégia única, sua prevenção e seu tratamento apresentam-se como um dos grandes desafios da atualidade. A importância que a obesidade vem assumindo no Brasil não pode ser ignorada, de modo que o estabelecimento de dietas saudáveis deve contemplar como prioridade a prevenção do ganho de peso. Incluir o consumo alimentar e a atividade física no âmbito de comportamentos para uma vida saudável é, talvez, a mais importante tarefa de promoção da saúde (DUNCAN et al., 2012). Sendo assim, para uma alimentação saudável, sugere-se que as recomendações se baseiem mais em alimentos do que em nutrientes. Assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o estabelecimento de metas realísticas de consumo de alimentos específicos, que são identificados em função dos nutrientes que se pretenda abranger. 9 INTERVENÇÕES NUTRICIONAIS TERAPÊUTICAS Existem várias condições de saúde que podem se beneficiar de intervenções nutricionais como terapêutica clínica. Embora saibamos do papel da alimentação na prevenção de doenças, uma vez diagnosticada a enfermidade, ainda é possível obter benefícios por meio de dietoterapia específica (BECK, 2019). A intervenção nutricional baseada em uma alimentação saudável não se restringe apenas à alimentação nutritiva. Os alimentos são constituídos por nutrientes, e é na escolha desses alimentos que devemos focar nossas intenções de intervenção clínica. A combinação correta de alimentos fornecerá os nutrientes necessários para o desenvolvimento e a manutenção da saúde em todos os ciclos da vida, desde a gestação até o envelhecimento (VITOLO, 2014). 37 Além disso, a combinação de alimentos não deve mudar. Alimentos como frutas, verduras, cereais integrais, óleos vegetais, leguminosas, leite e derivados, ovos e carnes magras são saudáveis e devem ser consumidos em todas as fases da vida. Claramente, a modificação que deve ocorrer durante os ciclos de vida se dá no âmbito das recomendações quantitativas, tanto de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos) quanto de micronutrientes (vitaminas e minerais), e, especificamente, com orientações diferenciadas na vigência de patologias e outros distúrbios nutricionais (VITOLO, 2014). É preciso salientar que devemos preferir os alimentos mais naturais, menos processados e orgânicos, em vez dos cultivados com excesso de agrotóxicos. Deve- se buscar alimentos regionais e de acordo com sua safra de cultivo, além de prepará- los em condições propícias de higiene. A seguir, veja as condições clínicas mais comuns em cada fase da vida e as intervenções nutricionais mais adequadas a cada uma delas (BECK, 2019). 9.1 Gestação Durante a gravidez, é frequente o aparecimento de condições clínicas e sintomas que podem ser beneficiados por uma intervenção nutricional específica (BECK, 2019). • Constipação intestinal: essa condição clínica é fortemente associada a intervenções nutricionais. A gestante deve ser orientada a consumir fibras acompanhadas de hidratação adequada. É importante incentivar o consumo de frutas e verduras cruas e cereais integrais. Além disso, é necessário avaliar a possibilidade de prática de atividade física adequada para o período da gestação, estimulando o peristaltismo intestinal. • Flatulência: nesse caso, é preciso aconselhar sobre os diversos alimentos potencialmente flatulentos e sobre esse sintoma ser individual, devendo ser observada a tolerância. Não se deve estimular proibições e restrições alimentares, principalmente pela composição nutricional que encontramos nesses alimentos. • Náuseas e vômitos: é recomendável fracionar as refeições, consumindo pequenos volumes de alimentos distribuídos ao longo do dia. Durante a 38 gravidez, é comum ocorrer enjoo matinal, que pode estar relacionado à hipoglicemia. Portanto, estratégias como o consumo de carboidratos, como biscoitos crackers e torradas integrais, podem ajudar a regularizar os níveis de glicose no sangue. • Pirose: essa condição também se beneficia do fracionamento das refeições. Além disso, é importante orientar sobre o consumo moderado de frituras e alimentos condimentados. A rotina alimentar deve ser avaliada, incentivando o consumo lento dos alimentos, com mastigação adequada e evitando a ingestão de líquidos durante as refeições. Além dessas orientações, sabemos que o excesso de peso também está relacionado com essa condição; portanto, o controle do ganho de peso durante a gestação deve ser acompanhado. • Anemia: nesses casos, deve-se reforçar o consumo de alimentos ricos em ferro, como carnes, peixes, frango e vísceras, vegetais verde-escuros, feijões, lentilha, soja, ervilha, grão-de-bico, semente de abóbora, uva-passa e ameixa. Além disso, é preciso orientar o consumo de três porções de frutas por dia, especialmente as frutas ricas em vitamina C, como laranja, limão, acerola, tangerina, mamão, caju, goiaba. Chá preto, chá mate e café podem interferir na absorção do ferro da alimentação, portanto, é preciso evitar ingeri-los junto às refeições. • Hipertensão: situações de hipertensão durante a gestação devem receber orientação individualizada, com acompanhamento médico rigoroso durante o pré-natal. Deve-se orientar sobre o controle no consumo de alimentos ricos em sódio, restringindo o consumo de alimentos muito salgados, tais como bacalhau, carne de charque, azeitonas, embutidos, queijos amarelos, enlatados, molho shoyu e biscoitos salgados. • Diabetes gestacional: em casos de diagnóstico de diabetes gestacional, observa-se uma intolerância à glicose durante a gravidez, que pode ou não persistir após o parto. Devido aos altos níveis de glicemia da mãe, há uma maior transferência de glicose para o feto, predispondo-o a um ganho de peso excessivo. Nessa situação clínica, a orientação nutricional deve ser individualizada, seguindo recomendações que favoreçam o controle glicêmico durante a gestação (BECK, 2019). 39 9.2 Infância e adolescência • Obesidade O aumento da prevalência da obesidade nas crianças e nos adolescentes é um problema crescente no Brasil. Sabemos que, junto à obesidade, diversas condições clínicas desfavoráveis também estão em ascensão entre crianças e adolescentes, como índices de diabetes, hipertensão, alterações no perfil lipídico e síndrome metabólica. Na infância e na adolescência, é importante adotar intervenções graduais para a promoção de hábitos mais saudáveis. Dietas restritivas são desaconselhadas para essa população, devendo-se adotar mudanças comportamentais duradouras e modificações de padrões já estabelecidos. Nesse sentido, a família possui papel fundamental para garantir a eficiência no tratamento. Além disso, como a obesidade é uma doença multifatorial com várias morbidades associadas, a abordagem interdisciplinar é extremamente benéfica. A orientação nutricional deve ser gradual e feita com uma investigação e exploração dos hábitos alimentares saudáveis já estabelecidos. Por se tratar de uma fase de desenvolvimento