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PROFESSOR SÉRGIO GABRIEL 
TEORIA GERAL DO DIREITO DE EMPRESA 
 
1. Direito Empresarial atual 
 O Direito Empresarial com os novos contornos dados pelo Código Civil de 2002 e pela 
própria evolução da atividade empresarial ganha contornos muito mais abrangentes e passa a ter 
características próprias. Seu estudo inicia-se pela tríade da empresarialidade – cerne da Teoria da 
Empresa. 
1.2. Tríade da Empresarialidade - A identificação da empresa é feita pela verificação dos elementos 
encontrados na tríade da empresarialidade, quais sejam: empresário, estabelecimento e atividade 
econômica organizada. Tratou o Código Civil de disciplinar apenas a figura do empresário, exigindo-
se que a figura da empresa se verifique a partir da constatação dos elementos a seguir estudados: 
a) empresário: é a pessoa que exerce a atividade econômica organizada profissionalmente (art. 966 
do Código Civil) em nome próprio, distinguindo-se, portanto, dos prepostos da empresa e do próprio 
sócio quando organizada na forma societária. Essa atividade econômica organizada 
profissionalmente pode ser de serviço, comércio ou indústria; 
b) estabelecimento: formado pelo conjunto de elementos necessários ao exercício da atividade 
empresarial, sejam eles materiais ou imateriais; 
c) atividade econômica organizada: essa atividade econômica organizada por seu turno exige a 
conjugação de 03 (três) outros fatores, a saber: profissionalismo, risco e lucro; 
c.1) profissionalismo: que se caracteriza pelo exercício habitual da atividade empresarial na 
produção ou a circulação de bens ou de serviços, ou seja, é o exercício da atividade 
profissionalmente, o que o diferencia de uma atividade que seja exercida esporadicamente; 
c.2) risco: inerente à prática de atividade econômica, haja vista que qualquer atividade econômica 
exercida por conta própria gera riscos ao seu exercente de forma a exigir o profissionalismo para 
viabilizar o negócio; 
c.3) lucro: caracterizado pela finalidade da atividade e não necessariamente pelo resultado, pois, se 
existe o exercício profissional o lucro é a meta que justifica tal exercício. 
 
1.2. Abrangência do Direito Empresarial - Pela análise feita inicialmente podemos concluir que o 
Direito Empresarial é muito mais complexo que o antigo Direito Comercial e podemos concluir que 
são subespécies desse ramo: Direito Comercial; Direito Cambiário; Direito Contratual; Direito 
Societário; Direito Falimentar; Direito de Propriedade Industrial e congêneres e Direito 
Concorrencial. 
1.3. Características do Direito Empresarial - Embora o Direito Empresarial em termos legislativos 
passe a ter seu principal regramento inserido no bojo do Código Civil, continua a possuir 
características próprias como: simplicidade; cosmopolitismo, onerosidade, elasticidade e 
fragmentarismo: 
a) simplicidade: porque em suas relações habituais no mercado permite o exercício da atividade 
econômica sem maiores formalidades, pois, se contrário fosse, o formalismo poderia obstar o 
desenvolvimento econômico; 
b) cosmopolitismo: o Direito Empresarial vive de práticas idênticas ou semelhantes adotadas no 
mundo inteiro, principalmente com a globalização da economia, transcendendo as barreiras do 
direito pátrio, mas nem sempre exigindo legislação internacional a respeito; 
c) onerosidade: em se tratando de uma atividade econômica organizada, a onerosidade estará 
sempre presente no elemento lucro almejado pelo empresário. Às vezes é comum encontrarmos 
promoções oferecendo produtos abaixo do preço de custo, o que não retira o caráter de 
onerosidade, haja vista que normalmente são promoções com o objetivo de gerar sinergia nas 
vendas, onde o consumidor leva o produto abaixo do custo junto com outros produtos em que não 
exista a mesma promoção. Ou ainda, em situações em que o empresário busca minimizar 
determinado prejuízo; 
d) elasticidade: o Direito Empresarial por transcender os limites do território nacional precisa estar 
muito mais atento aos costumes do que aos ditames legais. Dessa forma, sempre que uma nova 
prática empresarial é adotada em larga escala internacionalmente ela passa a ser adaptada ainda 
de forma costumeira ao Direito Empresarial pátrio de forma a contemplar o dinamismo desse meio 
econômico; 
e) fragmentarismo: que consiste justamente na existência do Direito Empresarial vinculado a outros 
ramos do direito, pois ainda que com características próprias, sua existência depende da harmonia 
com o conjunto de regras de outros diplomas legislativos. Ou seja, não existe ramo autônomo no 
direito, apenas especialidades, haja vista a unicidade desta ciência 
1.4. Legislação aplicável - As fontes de direito primário aplicáveis ao Direito Empresarial são 
inesgotáveis, porém, no que concerne à fonte legal, especificamos aqui as principais leis atinentes 
a esse ramo do direito: Constituição Federal; Código Civil; Código Comercial; Estatuto da Micro e 
Pequena Empresa; Lei nº 9279/96, Lei nº 11.101/05; Lei nº 6404/76. 
2. Fontes de Direito Empresarial 
2.1. Fonte: objeto de estudo do primeiro ano dos bancos das faculdades de direito, as fontes 
constituem o nascedouro do direito. 
2.2. Classificação: várias são as classificações adotadas pela doutrina para o estudo das fontes do 
direito. No entanto, apenas para elucidar o estudo do Direito Empresarial: 
a) fontes de Direito Empresarial: inicialmente é de se asseverar que as fontes primárias de Direito 
Empresarial tanto podem ser consideradas como materiais ou formais, já que geram direitos e 
também disciplinam a sua aplicação, necessitando-se fazer uma análise individual de cada 
dispositivo; 
a.1) fontes primárias: em Direito Empresarial temos como fontes primárias a Constituição Federal, 
o Código Civil, o Código Comercial e a legislação extravagante empresarial. Os tratados comerciais 
internacionais também são fontes primárias de Direito Empresarial, até porque, são recepcionados 
em nosso ordenamento jurídico através de lei; 
a.2) fontes secundárias: àquelas aplicadas subsidiariamente não se esgotam, podendo se 
considerar qualquer ordenamento jurídico não empresarial aplicável à espécie, ademais, os usos e 
costumes, analogias, jurisprudência e os princípios gerais de direito estão sempre presentes no 
estudo do Direito Empresarial; 
b) usos e costumes: o Direito Empresarial em razão da sua dinâmica utiliza constantemente os usos 
e costumes como fonte de direito. A exemplo temos o contrato de factoring que embora ainda não 
tenha sido recepcionado pelo nosso ordenamento jurídico, possui aceitação normal no nosso meio 
empresarial por força de uma prática costumeira internacional, razão pela qual o costume merece 
destaque no estudo nessa espécie de direito. 
 
3. Empresário 
3.1. Conceito: o conceito de empresário encontra-se definitivamente estabelecido no Código Civil 
em seu artigo 966 – “Empresário é aquele que exerce profissionalmente a atividade econômica 
organizada para a produção ou circulação de bens e serviços” 
3.2. Formas de exercício profissional: o empresário no exercício habitual da atividade empresarial 
poderá atuar nas formas: individual ou societária, ambas objeto futuro de apreciação deste 
trabalho. 
3.3. Elementos: constituem elementos de caracterização do empresário: 
a) atividade regular: será considerado empresário quem exercer regularmente a profissão, ou seja, 
com a habitualidade e profissionalismo necessários a caracterizá-lo como tal; 
b) atividade econômica organizada: atividade comercial, industrial ou de serviços em que esteja 
presente a existência de estabelecimento, lucro e risco; 
c) circulação de bens ou de serviços: o conceito jurídico de atividade empresarial trouxe o principal 
elemento econômico que é a circulação de riquezas, mola mestra do desenvolvimento econômico, 
principalmente no mundo globalizado, de forma que essa circulação de riquezas compreende tanto 
o produto observadonas relações comerciais quanto o serviço observado nas relações até então 
meramente civis; 
d) nome próprio: caso a pessoa não exerça a atividade em nome próprio não será considerado 
empresário, será sócio, mero colaborador ou empregado da empresa; 
e) abrangência: note-se que com isso, empresário será a pessoa física ou jurídica exercente 
profissional de atividade econômica organizada; 
e.1) pessoa física: pessoa que exerce a atividade empresarial individualmente, sem constituir-se na 
forma societária; 
e.2) pessoa jurídica: na forma societária, que exerça atividade econômica organizada de circulação 
de bens ou serviços através de uma pessoa jurídica criada especificamente para esse fim; 
f) excluídos do conceito: o direito empresarial permite a exclusão de duas atividades cuja natureza 
poderia se pressupor empresarial: a intelectual e a rural; 
f.1) atividade intelectual: segundo dispõe o parágrafo único do artigo 966 do Código Civil, a pessoa 
que exerça atividade intelectual de natureza científica, literária ou artística, ainda que utilize 
auxiliares ou colaboradores não será considerada empresário, exceto se estiverem presentes os 
elementos de empresa anteriormente verificados; 
f.2) atividade rural: o exercente de atividade rural terá a faculdade de optar ou não pelo regime 
jurídico empresarial, conforme inteligência do artigo 971 do Código Civil; 
g) empresário: poderá será considerado empresário quem preencha os requisitos previstos no 
artigo 972 do Código Civil, ou seja: esteja em pleno gozo da capacidade civil; na livre administração 
de seus bens; quem não for legalmente impedido, objeto de estudo a seguir. 
 
4. Exercício da atividade empresarial 
4.1. Requisitos: vimos anteriormente que para o exercício da atividade empresarial é necessário 
que o empresário ou o sócio de sociedade empresarial possua capacidade civil, encontre-se na livre 
administração de seus bens, e que não seja impedido de exercer a atividade empresarial (artigo 972 
do Código Civil). 
4.2. Capacidade civil: segundo o novo diploma civil, possuí plena capacidade civil as pessoas 
descritas em seu artigo 5º: 
a) 18 anos de idade: pessoas que já tenham completado a idade limite; 
b) menores com emancipação: com autorização dos pais mediante instrumento público ou por 
força de decisão judicial desde que possua pelo menos 16 (dezesseis) anos de idade; 
c) casados: ainda que menores, o casamento lhes outorga a plena capacidade civil por força de 
emancipação; 
d) emprego público: trata-se do atingimento da capacidade através de posse em cargo público por 
menores de idade; 
e) estabelecimento com economia própria: havendo a comprovada possibilidade do menor se 
estabelecer com economias próprias poderá exercer a atividade empresarial, basta para tanto a 
demonstração de depósito bancário em valor suficiente para o estabelecimento. 
4.3. Livre administração dos bens: ainda que possua capacidade civil, existindo impedimento 
judicial que verifique não ter a pessoa à plena capacidade para administrar os próprios bens, a 
deixará de possuir capacidade para o estabelecimento empresarial. 
4.4. Impedidos de exercer a atividade empresarial: o artigo 972 ao falar da capacidade para o 
exercício da atividade empresarial estabelece como requisito negativo, a ausência de impedimento 
para o exercício da atividade: 
a) impedidos ou proibidos: anteriormente a doutrina cuidava de separar entre os proibidos 
(àqueles que não podiam exercer a atividade) dos impedidos (àqueles que temporariamente não 
podiam exercer a atividade). No entanto, é de se verificar que o legislador retirou essa preocupação 
da doutrina, generalizando o impedimento ao exercício, de forma que quem não tenha plena 
capacidade encontra-se impedido de exercer a atividade empresarial; 
b) impedidos: descrevemos a seguir as pessoas que não podem exercer a atividade empresarial: 
b.1) absolutamente incapaz: compreendem-se como absolutamente incapazes as pessoas 
descritas no artigo 3º do Código Civil, ou seja: os menores de 16 (dezesseis) anos, os que por 
enfermidade ou deficiência mental não puderem discernir sobre seus atos; e os que não puderem 
exprimir sua vontade; 
b.2) relativamente incapaz: compreendem-se como relativamente incapazes as pessoas 
descritas nas condições previstas no artigo 4º do Código Civil e que não se encontrem amparados 
pelo parágrafo único do artigo 5º do mesmo diploma, ou seja: maiores de 16 (dezesseis) e menores 
de 18 (dezoito) anos; ébrios habituais; viciados em tóxicos; deficientes mentais com discernimento 
reduzido; excepcionais sem desenvolvimento mental completo; e os pródigos; 
b.3) ocupantes de cargos públicos: os ocupantes de cargos públicos dependem de legislação 
específica para observar o devido impedimento. Cabe ao regime jurídico de cada esfera do 
funcionalismo público (Federal, Estadual ou Municipal) verificar o respectivo impedimento. No 
entanto, o que se tem observado na prática é que a vedação é para o exercício individual da 
atividade empresarial, ou de ocupação de cargo de gerência ou direção de sociedades empresariais. 
Quanto aos cargos de natureza política (Presidente, Governadores e Prefeitos), membros do Poder 
Judiciário (artigo 95, parágrafo único, inciso I, Constituição Federal), Promotores Públicos e 
Procuradores de Justiça (artigo 128, parágrafo 5º, inciso II, letra “c”, da Constituição Federal), e 
Militares (artigo 29 da Lei nº 6.880/80), pois. pela própria natureza já geram impedimento, embora 
a Constituição Federal garanta este direito com reservas aos membros do Poder Legislativo (artigo 
54 da Constituição Federal); 
b.4) falidos não reabilitados: às pessoas que já tenham exercido anteriormente a atividade 
empresarial e que tenham sua falência decretada, só poderão voltar ao exercício da atividade 
empresarial após a reabilitação no processo falimentar; 
b.5) leiloeiros: por serem considerados auxiliares do comércio e do próprio Poder Judiciário 
quando participantes da liquidação de bens em litígio judicial, os leiloeiros por impedimento 
expresso previsto no Decreto nº 21.981/32 não podem exercer atividade empresarial; 
b.6) cônsules e embaixadores: pelo mesmo motivo dos leiloeiros, os Cônsules e 
Embaixadores, que podem atuar como representantes estatais em tratados internacionais, não 
podem exercer atividade empresarial (Decreto nº 4.868/1882); 
b.7) despachantes aduaneiros: possuem vedação apenas parcial para o exercício da 
atividade empresarial, haja vista que o Decreto nº 646/92 veda a eles a comercialização de produtos 
estrangeiros; 
b.8) médicos: os médicos por força do disposto na Lei nº 5.991/73 e do Decreto nº 20.877/31 
não podem exercer atividade empresarial na área de comércio e fabricação de medicamentos, no 
entanto, por força do mesmo entendimento estariam proibidos de exercer atividade empresarial 
de comércio de insumos relativos a sua especialidade profissional; 
b.9) condenados criminalmente: alguns crimes praticados que já tenham trânsito em 
julgado de sua decisão levam ao impedimento da atividade empresarial antes de ocorrida à 
reabilitação criminal, são eles: 
b.9.1) crime falimentar: trata-se da apuração de crime dentro do processo falimentar 
em que se verifique a contribuição do falido para a ocorrência da falência pela prática de 
determinados atos considerados pela lei como suspeitos; 
b.9.2) prevaricação: é o crime praticado pelo funcionário público que deixa de 
observar o estrito dever legal; 
b.9.3) concussão: é o crime praticado por funcionário público que exerça a sua 
função de maneira abusiva visando à obtenção de vantagens; 
b.9.4) peculato: é o crime em que funcionário público utiliza recursos públicos em 
proveito próprio; 
b.9.5) suborno (corrupção ativa): é o crime que comete quem oferece vantagem 
indevida a funcionário público para que pratique ou deixe de praticar determinado ato de 
ofício; 
b.9.6)crimes contra a economia popular: são os crimes cometidos contra 
consumidores e de concorrência desleal; 
b.9.7) crimes contra a fé-pública: são crimes ligados à emissão e falsificação de 
moeda, títulos de crédito, títulos e papéis públicos; falsidade documental; falsidade 
ideológica e uso de documentos falsos; 
b.10) devedores do INSS: para o registro como empresário a pessoa terá que apresentar 
CND – Certidão Negativa de Débitos junto a Previdência Social, o que implicará em impedimento 
caso haja débito pendente por força da determinação expressa no artigo 95 da Lei nº 8.212/91; 
b.11) estrangeiros não residentes no país: para o registro necessário será a apresentação 
de comprovação de domicílio em território nacional; 
c) atividade empresarial exercida por impedido: o exercício de atividade empresarial por pessoa 
enquadrada em pelo menos uma das hipóteses anteriormente mencionadas configura prática de 
contravenção penal, possibilidade de interdição da atividade pelos entres públicos e 
responsabilidade ilimitada pelos atos praticados; 
c.1) contravenção penal: sujeita o seu infrator as penas legalmente previstas no artigo 47 da Lei de 
Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/41) “quem exercer a profissão ou atividade econômica 
ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o exercício – 
Pena de prisão de 15 dias a 3 meses”; 
c.2) interdição da atividade: o exercício da atividade empresarial por impedido pode gerar a 
interdição temporária da atividade por força do inciso II do artigo 47 do Código Penal; 
c.3) responsabilidade ilimitada: ademais, o exercício da atividade por pessoa impedida gera 
responsabilidade civil ilimitada pelos atos praticados nos termos do artigo 973 do Código Civil. 
4.5. Impedimento superveniente: 
a) conceito: é o impedimento que surge após o registro do empresário no Registro Público de 
Empresas Mercantis; 
b) alvará judicial: para que o indivíduo continue a exercer a atividade empresarial após o 
impedimento superveniente, necessária será a concessão de alvará judicial, além do que a liberação 
judicial ainda depende de representação do impedido; 
c) conveniência e revogação: a concessão de alvará judicial será faculdade do juiz após a análise da 
conveniência em concedê-lo mediante exame pericial e audiência de justificação, além do mais, tal 
ato pode ser revogado a qualquer tempo. A revogação não prejudicará interesse de terceiros; 
d) responsabilidade civil: como o nosso regime é patrimonial, os bens que o incapaz possuía e que 
não faziam parte do acervo de sua atividade empresarial não poderão ser atingidos por eventual 
execução das obrigações, razão pela qual ao conceder o alvará o juiz fará a descrição minuciosa dos 
bens que compõe a atividade empresarial; 
e) nomeação de gerente: caso o representante indicado não possua a qualidade de empresário, ou 
possua algum impedimento para o exercício, ou se ainda pretender o juiz, deverá ser nomeado um 
gerente para administração da atividade. Logo, se verifica a possibilidade dupla na nomeação de 
representante, um pelo próprio empresário e outro pelo Poder Judiciário, até porque, uma 
nomeação ou indicação não exclui a outra. 
 
5. Prepostos da empresa 
5.1. Conceito: pessoas que intervém na prática empresarial auxiliando direta ou indiretamente o 
empresário sem, contudo, exercer a atividade empresarial em nome próprio. Anteriormente o 
Direito Comercial tratava tais pessoas como agentes auxiliares da empresa: 
a) empregados: pessoas com vínculo de emprego ligadas diretamente à atividade empresarial, 
porém, não obrigatórios, a sua existência depende exclusivamente da dimensão da atividade 
empresarial, e os atos por eles praticados no exercício profissional geram responsabilidade in 
eligendo ao empresário, ou seja, o empresário responderá por todos os atos praticados por seus 
funcionários. Os funcionários respondem diretamente ao empresário pelo excesso ou pela prática 
de atos dolosos cometidos no exercício da função; 
b) gerentes (artigo 1172 do Código Civil): gerentes são pessoas nomeadas pelo empresário para 
dirigir a atividade empresarial, cujo ato de nomeação deve ser arquivado no registro de empresas. 
Normalmente os gerentes agem através de instrumento de mandato que lhes é outorgado para o 
exercício, no entanto, responderão pessoalmente pelo excesso cometido neste exercício. Como são 
nomeados para cargo de direção, sua atuação se dá dentro e fora do estabelecimento, inclusive em 
juízo; 
c) contabilistas (artigo 1177 do Código Civil): uma vez que a escrituração de documentos contábeis 
é obrigatória aos exercentes de atividade empresarial, necessariamente todo empresário deverá ter 
como preposto um contabilista que não precisa necessariamente ser empregado da empresa, 
podendo ser prestador de serviços, no entanto, os atos por ele praticados obrigam o empresário; 
d) auxiliares independentes: também conhecidos como auxiliares indiretos, permitem a 
complementação da atividade empresarial dentro de determinada especialidade, são eles: os 
corretores; os leiloeiros; despachantes aduaneiros; transportadores; representantes comerciais; 
tradutores etc. 
5.2. Exercício da atividade empresarial: os prepostos, como representantes diretos ou indiretos do 
empresário, ficam proibidos de exercer atividade empresarial no mesmo gênero de atividade do 
proponente, seja em nome próprio ou de terceiro por determinação expressa do artigo 1170 do 
Código Civil. 
5.3. Responsabilidade por atos de preposto: os atos praticados pelos prepostos obrigarão a pessoa 
jurídica de acordo com o local de sua realização: 
a) dentro do estabelecimento: obrigam o proponente ainda que não autorizados expressamente, 
consoante inteligência do artigo 1178 do Código Civil; 
b) fora do estabelecimento: desde que praticados dentro dos limites estabelecidos, conforme 
preceitua o artigo 47 e parágrafo único do artigo 1178 do Código Civil. 
5.4. Interesse de terceiros: quando os atos praticados por prepostos se der em nome da pessoa 
jurídica não prejudica interesse de terceiros, cabendo ao proponente ação regressiva contra o 
preposto dos atos a ele imputados. Essa regra só não se aplica para àqueles casos em que a 
qualidade de preposto deveria ser comprovada documentalmente. 
 
6. Estabelecimento Empresarial 
6.1. Conceito: é o conjunto de meios necessários ao exercício da atividade empresarial, também 
conhecido como fundo de negócio, fundo de comércio ou azienda. 
6.2. Distinção entre estabelecimento e empresário: empresário é a pessoa física ou jurídica que 
exerce a atividade empresarial através do estabelecimento que reúne o conjunto de meios 
necessários para esse exercício profissional. 
6.3. Distinção entre estabelecimento e empresa: empresa é o objeto da atividade econômica 
organizada, é um ente ficto, enquanto o estabelecimento é o conjunto de meios para o exercício da 
empresa. 
6.4. Finalidade do estabelecimento: propiciar meios para a atividade empresarial e auxiliar na 
definição do valor econômico de uma empresa. 
6.5. Estabelecimento X Lei de Falências: o estabelecimento serve para definir a competência para 
o processamento do pedido de falência da empresa ou do empresário. 
6.6. Composição: o estabelecimento é composto de bens corpóreos e incorpóreos: 
a) corpóreos ou materiais: são os elementos físicos necessários a atividade empresarial, a seguir 
exemplificados: balcões; vitrines; máquinas; equipamentos; móveis; instalações; veículos etc.; 
b) incorpóreos ou imateriais: são os elementos necessários à atividade empresarial que nascem em 
decorrência dela, e que não estão compreendidos entre os bens físicos; 
b.1) ponto comercial: trata-se do local onde a atividade empresarial é exercida de forma aparente, 
ou seja, o local onde o consumidor identifica a atividade empresarial. O ponto comercial para ser 
considerado bem do estabelecimentonão precisa ser necessariamente próprio, haja vista que aqui 
não estamos tratando do prédio físico, mas apenas do local; 
b.2) título do estabelecimento: nome fantasia utilizado pelo empresário para identificar-se junto 
ao público consumidor; 
b.3) nome comercial: ou razão social, é o nome que o empresário utilizou para registrar-se junto 
aos órgãos de registro da empresa; 
b.4) marca: trata-se de um sinal distintivo gráfico que identifique um produto, um serviço, uma 
família de produtos ou serviços, ou a própria empresa; 
b.5) patente: trata-se de uma invenção industrializável que venha solucionar problemas pré-
existentes e que ainda não tenha sido objeto de reconhecimento pelo Instituto Nacional da 
Propriedade Industrial por outra pessoa; 
b.6) processos de fabricação: trata-se de fórmulas de fabricação para insumos ou produtos 
comercializáveis ou utilizados no estabelecimento; 
b.7) clientela: carteira de clientes de determinado empresário; 
b.8) aviamento: capacidade lucrativa do estabelecimento comercial aferida a partir de sua carteira 
de clientes; 
b.9) contratos futuros: os contratos vigentes com efeitos presentes e futuros compõe o 
estabelecimento do empresário; 
b.10) créditos: os créditos com vencimento futuro, ou com vencimento passado, mas que ainda não 
tenham sido saudados, fazem parte do estabelecimento. 
6.7. Proteção do estabelecimento: 
a) abrangência: como vimos anteriormente, o estabelecimento é composto de um conjunto de bens 
corpóreos e incorpóreos e, de acordo com a natureza desses bens é que se determina o âmbito 
jurídico de sua proteção; 
a.1) bens corpóreos: os bens corpóreos são protegidos pelo Direito Civil no tocante ao aspecto 
patrimonial e pelo Direito Penal no tocante ao aspecto criminal que possa afetá-los; 
a.2) nome empresarial: tem a sua proteção disciplina pelo Direito Civil quanto a sua composição, 
além do que, possui proteção em âmbito administrativo uma vez que a Junta Comercial não permite 
o registro de duas empresas na mesma área de atuação com o mesmo nome; 
a.3) marcas e patentes: as marcas e patentes tem proteção específica da Lei de Propriedade 
Industrial (lei 9.279/96); 
a.4) processo de fabricação: o processo de fabricação, softwares, know how e demais escritos da 
empresa não protegidos pela Lei de Propriedade Industrial gozam de proteção pela Lei de Direitos 
Autorais; 
a.5) ponto empresarial: o ponto comercial é protegido pela Lei de Locações, inclusive com a 
possibilidade de ação renovatória locatícia. 
6.8. Alienação do estabelecimento: inicialmente convém rever o conceito de alienação, haja vista 
que não compreende apenas a venda, mas também a troca ou a doação1. A alienação do 
estabelecimento comercial, também denominada de trespasse, está sujeita à observância de cautelas 
específicas, criadas para assegurar os interesses dos credores, haja vista que o estabelecimento 
compõe o patrimônio do empresário. Para tanto, a alienação do estabelecimento deve observar as 
seguintes regras: 
 
1 Alienação: também chamada de alheação ou alheamento, é o termo jurídico, de caráter genérico, pelo qual se designa todo e qualquer ato que tem o 
efeito de transferir o domínio de uma coisa para outra pessoa, seja por venda, por troca ou por doação. De Plácido e Silva: 55. 
a) contrato escrito: a alienação do estabelecimento exige a forma escrita e para que seja oponível 
contra terceiros deve estar devidamente arquivado na Junta Comercial, gerando efeitos e sendo, 
portanto, oponível contra terceiros depois de publicado no Diário Oficial; 
b) notificação aos credores: para alienar o estabelecimento o empresário deverá notificar todos os 
credores para no prazo de 30 (trinta) dias se manifestarem sobre o consentimento ou não da alienação; 
c) anuência dos credores: o empresário deverá ter a anuência expressa dos credores, ou tácita, 
configurada depois de decorridos os 30 (trinta) dias da notificação; 
c.1) dispensa da anuência: poderá o empresário deixar de observar a exigência da anuência dos 
credores, desde que em seu patrimônio restem bens suficientes para garantir o cumprimento de suas 
obrigações; 
d) inobservância: a inobservância das regras para alienação do estabelecimento sujeita o empresário 
à falência com fundamento no artigo 94, III da Lei de Recuperação e Falências por presunção do 
estado falimentar, tornando nula a alienação produzida; 
e) recuperação judicial: a alienação do estabelecimento nos casos de empresário em processo de 
recuperação judicial implica na necessidade de anuência expressa de todos os credores, não se 
admitindo a possibilidade de anuência tácita anteriormente verificada; 
f) solidariedade: ao alienar o estabelecimento, o adquirente por sucessão empresarial assumirá todos 
os passivos do alienante, porém, no período de 01 (um) ano, o alienante será solidário ao adquirente 
perante os credores, de nada valendo eventual cláusula de responsabilidade exclusiva do adquirente 
em instrumento particular contratado entre eles; 
g) regresso: pode ser que no instrumento de alienação conste a responsabilidade do vendedor pelos 
débitos anteriores a venda do estabelecimento, porém, tal cláusula não será oponível contra terceiros, 
restando ao adquirente o direito de regresso contra o alienante; 
h) credores trabalhistas: os empregados credores poderão demandar tanto o alienante quanto o 
adquirente por força do disposto no artigo 448 da CLT; 
i) credor tributário: assim como os credores trabalhistas, os credores tributários também gozam de 
privilégio para executar a divida por força do disposto no artigo 133 do Código Tributário Nacional 
que gera responsabilidade subsidiária integral ao alienante; 
j) outorga conjugal: no caso do empresário casado, independentemente do regime de casamento, 
poderá alienar os bens que compõe o estabelecimento empresarial sem a necessidade de outorga 
uxória, inclusive bens imóveis consoante determina o artigo 978 do Código Civil; 
k) concorrência: de forma a não permitir a concorrência desleal entre alienante e adquirente, o 
legislador civil estabeleceu que durante um período de 5 (cinco) anos o alienante não poderá 
estabelecer-se em ramo idêntico ao do adquirente, salvo autorização expressa em contrário. 
 
7. Nome Empresarial 
7.1. Conceito: nome empresarial é o nome pelo qual se registra a empresa ou o empresário 
individual nos órgãos de registro de empresas, é o elemento de identificação da empresa. 
7.2. Abrangência: quando falamos de nome empresarial, a impressão que se têm é que tudo aquilo 
que possa identificar o nome do empresário perante o seu público-alvo, ou seja, consumidor, tem 
a mesma natureza. Assim, temos neste conjunto: nome empresarial, título do estabelecimento, 
domínio na Internet e marca. No entanto, veremos que o direito possui tratamento específico para 
cada uma dessas situações. 
7.3. Espécies: vamos tratar especificamente das espécies de nome empresarial sem nos atermos as 
identificações ligadas ao mesmo nome. Podem ser: firma ou denominação conforme previsão do 
artigo 1155 do Código Civil: 
a) firma (artigo 1156 do Código Civil): é o nome empresarial representado pelo próprio nome civil 
do empresário, visto que firma significa assinatura, estando presa à própria pessoa civil do 
empresário, acrescendo-se ou não o ramo de atividade empresarial. Exemplo: José da Silva 
Alimentos Ltda. ou José da Silva Ltda. A firma permite o uso do nome civil completo, abreviado ou 
parcial; 
a.1) sócio com responsabilidade ilimitada: havendo este tipo de sócio na sociedade, deverá ele 
emprestar o nome acrescido da expressão “e companhia” ou “e cia.”, conforme inteligência do 
artigo 1157 do Código Civil. Os sócios cujo nome não aparecem, cuja dedução decorre apenas da 
palavra “companhia”, são sócios cuja responsabilidade seja limitada; 
b) denominação: trata-se da utilização de elemento de fantasia na composição do nome 
empresarial,de forma que não é possível identificar a empresa pelo empresário. Exemplo: Bom 
Doce Comércio de Alimentos Ltda. 
7.4. Individualmente: 
a) Empresário individual: o empresário individual, pessoa inscrita no serviço de registro de 
empresas na forma individual como pessoa física, deverá necessariamente adotar a espécie firma 
para designação de seu nome empresarial. A mesma regra vale para o MEI – Microempreendedor 
individual, considerando que ele também é um empresário individual, mas com o registro 
simplificado. 
7.5. Sociedades empresárias: as sociedades possuem regras próprias para a escolha do nome, no 
entanto, é de se observar que o uso de firma nas sociedades está ligado diretamente à 
responsabilidade dos sócios: 
a) sociedade em conta de participação (art. 991 e 1162 do C. Civil): como não possui personalidade 
jurídica, a atividade empresarial é toda desenvolvida em nome pessoal do sócio ostensivo, 
aparecendo então a “firma individual” do sócio ostensivo ou participante; 
b) sociedade em nome coletivo (art. 1.041 do C. Civil): obrigatoriamente deverá adotar a espécie 
firma, podendo constar o nome de um só sócio, de alguns ou de todos eles; 
c) sociedade em comandita simples (art. 1047 do C.Civil): obrigatoriamente devem utilizar a 
espécie firma, no entanto, só poderá compor o nome da sociedade o nome dos sócios 
comanditados, caso o sócio comanditário venha emprestar nome à sociedade, sua responsabilidade 
girará de acordo com o previsto no parágrafo único do artigo 1157 do Código Civil; 
d) sociedade limitada (art. 1064 e 1158 do C. Civil): poderá utilizar firma ou denominação acrescida 
da palavra “limitada” ou da sigla “Ltda”; 
d.1) objeto social (parágrafo 2º do artigo 1158 do Código Civil): caso venha a sociedade limitada 
adotar denominação, deverá constar o objeto social da empresa; 
d.2) omissão da palavra limitada (parágrafo 3º do art. 1158 do C.Civil): a omissão da palavra 
limitada ou de sua forma abreviada gera responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores 
da sociedade; 
e) sociedade anônima (Lei nº 6404/76, art. 1160 do C.Civil): deverá utilizar denominação 
designativa do objeto social acrescida da expressão “sociedade anônima”, “companhia” ou da sigla 
“S/A”. A título honorífico poderá constar o nome do fundador, acionista ou colaborador; 
f) sociedade em comandita por ações (art. 1090 e 1161 do C. Civil): poderá utilizar firma ou 
denominação, sendo que essa última deverá ser designativa do objeto social e ser acrescida da 
expressão “comandita por ações”; 
g) microempresário (Lei Complementar nº 123/06): deve seguir as regras próprias do tipo 
societário adotado acrescendo ao nome a sigla ME; 
h) pequeno empresário (Lei Complementar nº 123/06): deve seguir as regras próprias do tipo 
societário adotado acrescendo ao nome a sigla EPP. 
7.6. Alteração do nome empresarial: nosso direito contempla duas possibilidades de alteração do 
nome empresarial, as facultativas e as compulsórias: 
a) alteração facultativa: pode ocorrer para simples modificação do nome empresarial que está a 
cargo do empresário, quando for do seu interesse alterar seu nome empresarial, poderá fazê-lo 
mediante alteração de registro na Junta Comercial, devendo para tanto, respeitar as formas de 
criação do nome empresarial; 
b) alteração compulsória: é de caráter obrigatório e deverá ser procedida sempre quando o nome 
empresarial estiver realizado na espécie de firma e esta sofra alteração por conta de um fator ligado 
à pessoa do empresário: 
b.1) alteração do patronímico: uma vez tendo o empresário que cedeu seu nome civil para 
composição do nome empresarial alterado seu registro civil por força de Ação Judicial de Retificação 
de Assento, deverá necessariamente proceder à respectiva alteração do nome empresarial no 
registro de empresa; 
b.2) alteração do tipo social: havendo alteração do tipo social, deverá o nome empresarial respeitar 
as regras de formação do novo tipo social; 
b.3) por ato judicial: quando na proteção dos direitos de outro empresário o Poder Judiciário 
determinar a alteração do nome do empresário; 
b.4) alteração do quadro social (art. 1165 do Código Civil): quando ocorra a saída de sócio, seja por 
cessão ou alienação das quotas; por morte, ou por exclusão do sócio. 
7.7. Alienação do nome empresarial (art. 1164 do Código Civil): o nome empresarial enquanto 
elemento do estabelecimento não pode ser comercializado. É permitida apenas a manutenção do 
nome do alienante acrescido do nome do sucessor e com a designação do sucedido. 
7.8. Perda do nome empresarial (art. 1168 do C. Civil): em situações específicas está o empresário 
sujeito a perder o nome empresarial, que pode ocorrer em razão do término, liquidação ou 
transformação da sociedade: 
a) término da empresa: a empresa pode ter o término de sua atividade determinado por transcurso 
de prazo previsto no contrato, em se tratando de sociedade constituída por tempo determinado; 
b) liquidação da empresa: a liquidação da empresa por vontade dos sócios ou por determinação 
judicial e põe fim à sociedade e consequentemente ao nome empresarial; 
c) transformação societária: dependendo da forma de transformação societária o nome 
empresarial atual pode se tornar incompatível, razão pela qual pode provocar a perda daquele 
nome empresarial; 
d) sócio retirante (art. 1165 do Código Civil): o sócio que sair da sociedade cujo nome seja composto 
por firma, seja por falecimento ou por exclusão, não poderá ser conservado na firma social, exceto 
nas hipóteses legais. 
 
8. Proteção do Nome Empresarial: como visto anteriormente, o nome empresarial possui regras 
próprias para sua definição, e a partir daí o direito põe a salvo esse nome não permitindo o registro 
de mais de um empresário com o mesmo nome, observando as seguintes regras: 
8.1. Registro estadual (art. 1166 do Código Civil): o registro do nome empresarial é de âmbito 
estadual, de forma que a proteção do nome empresarial só se dá no estado de registro ou nos 
demais em que possua filial devidamente registrada na respectiva junta. 
8.2. Registro Nacional (parágrafo único do art. 1166 do Código Civil): para poder gozar de proteção 
nacional o empresário deverá proceder ao registro do núcleo de seu nome empresarial como marca 
junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, já que até o presente momento ainda não 
existe lei especial disciplinando o registro nacional de empresas. 
8.3. Empresários com mesmo nome (parágrafo único do art. 1163 do Código Civil): havendo o 
pedido de registro de uma empresa ou empresário com o mesmo nome de outro já existente, 
deverá se utilizar uma forma de distinção do já existente. Exemplo: Mundo da Lua Comércio de 
Alimentos Ltda., Mundo da Lua – Guarulhos Comércio de Alimentos Ltda. 
8.4. Objetivo de proteção: preservação do crédito, da clientela e dos direitos de personalidade: 
a) preservação do crédito: o uso do mesmo nome por duas pessoas, tendo uma delas o nome 
vinculado a qualquer fato ilícito ou depreciativo, abalará o crédito da outra. Lembrem-se do 
exemplo dos casos das empresas Shering do Brasil e Shering Plugt da Alemanha, cujo envolvimento 
da primeira na comercialização de pílulas anticoncepcionais composta exclusivamente de “farinha” 
gerou uma depreciação do nome da segunda que precisou apresentar informes publicitários 
explicando a desvinculação das duas empresas; 
b) preservação da clientela: dois nomes com núcleos idênticos podem levar o consumidor a adquirir 
produto de uma empresa imaginando que está adquirindo produto da outra. E para tanto, o mesmo 
exemplo anteriormente citado pode demonstrar essa confusão; 
c) direitos de personalidade (art. 52 do Código Civil): em se tratando de empresário pessoa física 
já existia a proteção aos direitos de personalidade, e com o advento do Código Civil de 2002 o 
legislador estendeu esses direitos também à pessoa jurídicano que couber. No conjunto de direitos 
de personalidade temos a honra, a imagem e o nome da pessoa. Em se tratando da proteção ao 
nome, o direito civil resguarda não só a proteção ao uso indevido do nome como também permite 
indenização por danos materiais e morais que o uso indevido venha gerar. Quando o dispositivo 
citado usa a expressão “no que couber”, claro está que o legislador pretendia a tutela do nome e da 
imagem da pessoa jurídica, já que a honra diz respeito somente à pessoa natural. 
8.5. Efeitos da proteção: no resguardo dos direitos do empresário, o direito coloca mecanismos de 
ação a disposição para dar eficácia à proteção do nome empresarial, a saber: 
a) interdição da atividade: o uso indevido do nome empresarial pode levar a interdição da atividade 
empresarial do usurpador; 
b) apreensão de mercadorias: havendo a total identidade de atividades e de produtos, pode ser 
determinada à apreensão das mercadorias; 
c) perdas e danos: poderá ainda o lesado requerer indenização por perdas e danos que tenha sido 
causada pelo uso indevido do nome e da imagem empresarial; 
d) imprescritibilidade (art. 1167 do Código Civil): a proteção do nome empresarial é imprescritível, 
podendo o interessado arguir a qualquer tempo a anulação da inscrição do nome empresarial do 
usurpador. 
 
9. Título do estabelecimento: o título do estabelecimento ou nome fantasia é a denominação que 
o empresário utiliza para ser identificado junto aos consumidores. Portanto, necessariamente não 
se confunde com o nome empresarial desde que sejam diversos. 
9.1. Nomes idênticos: na hipótese de serem idênticos o título do estabelecimento e o nome 
empresarial, gozará o título da mesma proteção que o nome empresarial. 
9.2. Nomes diversos: sendo diversos os nomes, o título poderá gozar de proteção através da Lei de 
Propriedade Industrial desde que registrado como marca da empresa ou através da Lei de Defesa 
da Concorrência. 
 
10. Obrigações dos empresários 
10.1. Registro (artigo 967 do Código Civil): todo empresário está obrigado a registrar-se no Registro 
de Empresas mantido pela Junta Comercial antes de dar início à exploração de sua atividade; 
10.2. Escrituração: manter a escrituração regular de seus documentos e livros conforme determina 
o artigo 1179 do Código Civil. 
10.3. Balanço: apresentação de balanço anual de patrimônio e de resultado econômico. 
10.4. Descumprimento das obrigações: não permite que o empresário se beneficie da concordata; 
não pode participar de licitação pública; não poderá abrir ou tornar-se sócio de outra empresa, além 
de estar sujeito a sanções falimentares e penais. 
 
11. Registro de empresas 
11.1. Órgãos de registro: a estrutura de registro das empresas por parte do Poder Público se 
subdivide em dois órgãos distintos, um de âmbito federal e outro de âmbito estadual: 
a) DREI – Departamento de Registro e Integração: trata-se do órgão federal vinculado ao Ministério 
do Desenvolvimento que tem por finalidade controlar em âmbito nacional a atividade empresarial 
no Brasil, e entre suas atribuições se destacam: 
a.1) normatização de registros: estabelece normas e instruções para execução de registros 
empresariais pelas Juntas Comerciais estaduais; 
a.2) fiscalização: fiscalizar a atuação das Juntas Comerciais em todo o país; 
a.3) correição: a pedido dos Governos Estaduais pode intervir nas Juntas Comerciais para atuação 
correicional que consiste na verificação da regularidade ou não das atividades desenvolvidas pelos 
órgãos estaduais; 
a.4) cadastro: implantação e manutenção do cadastro nacional de empresas, atividade esta 
atualmente somente supletiva, sem finalidade de controle. Futuramente, sobrevindo lei federal 
para uniformização de registro empresarial poderá tornar esse cadastro como elemento único de 
verificação prévia que deve anteceder para a realização de um registro; 
b) juntas comerciais: são órgãos ligados aos governos estaduais que atuam no controle das 
empresas instaladas nos limites de seu território geográfico, tendo como principais funções: 
b.1) registro de empresas: efetuar o registro de criação, modificação e extinção de empresas, bem 
como dos livros obrigatórios; 
b.2) tradutores juramentados: habilitar, fiscalizar e controlar a atividade profissional dos tradutores 
juramentados; 
b.3) autenticidade: consoante determinação expressa do artigo 1153 do Código Civil cabe às juntas 
comerciais a verificação da autenticidade e a legitimidade do signatário do requerimento de registro 
de empresa; 
b.4.) fiscalização: por força do mesmo dispositivo citado anteriormente, cabe também às juntas a 
fiscalização das prescrições legais concernentes ao ato de registro, bem como da documentação 
apresentada. 
11.2. Atos de registro da empresa: 
a) abertura: trata-se do registro do ato constitutivo do empresário, seja ficha de inscrição individual, 
contrato social ou estatuto, que se realiza mediante arquivamento; 
b) alterações: toda alteração relativa à atividade empresarial, como mudança de objeto, forma 
social, composição social, capital etc., devem ser levadas à averbação junto ao registro do 
empresário; 
c) autenticação e controle de livros: os livros do empresário para terem validade precisam ser 
autenticados pela junta, bem como controlados para verificação de inatividade do empresário; 
d) encerramento: para dar baixa na atividade empresarial e desonerar-se das obrigações próprias 
da atividade empresarial deverá o empresário arquivar na Junta Comercial o respectivo termo de 
baixa. O não registro do termo de encerramento da empresa, ainda que essa já não mais esteja em 
atividade faz com que as obrigações tributárias e administrativas continuem sendo lançadas. 
11.3. Falta de registro: o empresário que exerce sua atividade sem registro será considerado 
irregular ou de fato, com as seguintes consequências: 
a) responsabilidade ilimitada: uma vez que não será possível se verificar o limite de sua 
responsabilidade pela ausência de ato constitutivo regular, responderá integralmente pelas 
obrigações assumidas, inclusive com seus bens pessoais, haja vista a impossibilidade de se distinguir 
os bens da atividade empresarial de seus bens pessoais; 
b) legitimidade para requerer falência e recuperação: não poderá pedir a falência de outro 
empresário na qualidade de empresário, já que a Lei de Recuperação e Falências exige que o 
requerente empresário demonstre sua regularidade. Uma vez pleiteando a falência na qualidade de 
credor civil, abrirá margem para que o empresário que tenha falência requerida alegue ilegitimidade 
do polo ativo do pedido falimentar; 
c) decretação de falência: embora não esteja devidamente registrado como empresário, o 
empresário irregular está sujeito à falência em razão da atividade econômica organizada profissional 
que exerce, além do mais, pela irregularidade estará sujeito à falência mesmo que pague suas 
obrigações em dia por presunção do estado falimentar; 
d) crime falimentar: pelo mesmo motivo anteriormente descrito, em razão das irregularidades, pela 
ausência de escrituração que só é possível aos empresários regulares, responderá também por 
crime falimentar; 
e) recuperação judicial: uma vez irregular não poderá requerer judicialmente a sua recuperação 
judicial, sujeitando-se a falência caso não cumpra suas obrigações pecuniárias; 
f) ação renovatória de locação: embora a lei de locações proteja o ponto empresarial, a ausência 
de regularidade não permite o deferimento do pedido; 
g) licitação pública: as licitações públicas iniciam-se pela fase de qualificação onde os interessados 
exibem a documentação que comprove a qualidade exigida pelo certame, o que não será possível 
de cumprimento por parte do empresário irregular; 
h) sanção de natureza fiscal: como vimos anteriormente, não poderá o empresário irregular 
proceder a sua escrituração contábil, haja vista que essa exigea regularidade da atividade, logo, 
estará sujeito a sanções de natureza fiscal. 
 
12. Contabilidade e Escrituração 
12.1. Contabilidade: além da obrigatoriedade do registro, o empresário deve manter controle e 
registro de sua administração econômica através de seus livros. 
12.2. Escrituração (art. 1183 do Código Civil): redução a escrito das operações mercantis em livros 
e formulários legalmente previstos, seja pela União, Estado ou Município: 
a) forma: mecanizada (datilografada ou micrografada) ou manual; 
b) idioma e moeda: corrente, ou seja, em língua portuguesa e atualmente em real; 
c) ordem: cronológica e crescente; 
d) espaços: na escrituração dos livros e documentos não podem existir espaços (linhas) em branco; 
e) rasuras: são proibidas, devendo se observar à forma de correção de erros para que não se 
presuma fraude; 
f) correção de erros: lançamento de estorno, trata-se de operação de lançamento posterior inversa 
do ato anterior de forma a zerar contabilmente os atos do primeiro lançamento. As correções 
devem ser feitas na forma de estorno, ou seja, é mantido o lançado errado que é suprimido 
contabilmente através de um lançamento seguinte contrário ao anterior para negativá-lo e em 
seguida efetua-se o lançamento na forma correta; 
12.3. Conservar e guardar a escrituração (art. 1194 do C. Civil): 
a) local: seguro, não precisa estar necessariamente no estabelecimento, sendo que quando de 
fiscalização é concedido prazo ao empresário para exibição da documentação; 
b) prazo de guarda: cinco anos dada à natureza fiscal dos documentos. Neste ponto, alguns 
doutrinadores sustentam a necessidade de guardar por tempo maior justamente pela natureza 
fiscal. Do ponto de vista prescricional do lançamento, cinco anos seriam suficientes para a guarda, 
no entanto, para fins de defesa judicial tributária pode existir a necessidade da manutenção dos 
documentos por tempo superior, tornando-se inclusive inviável dizer quanto tempo seria necessária 
essa guarda em razão da delonga no andamento das lides tributárias. 
 
13. Formar anualmente balanço geral: toda empresa deve anualmente exibir balanço contábil, 
exceto para as microempresas que apresentam apenas declaração anual de rendas, dado o regime 
de simplificação fiscal a que estão submetidas em razão de lei especial. 
13.1. Patrimonial: o balanço apresentado deve discriminar o ativo e passivo, demonstrando a 
situação patrimonial da empresa. 
13.2. Resultados: além da situação patrimonial o balanço deve demonstrar os lucros e perdas do 
exercício contábil. 
13.3. Consequências: além das sanções de natureza administrativa e fiscal, do ponto de vista 
empresarial a ausência de balanço no prazo de 60 (sessenta) dias depois de requerida pelo juiz, 
permite a decretação de falência do empresário por presunção do estado falimentar, bem com a 
configuração da prática de crime falimentar, embora haja jurisprudência em contrário quanto à 
responsabilização criminal. 
 
14. Livros empresariais: são livros que descriminam as operações diretas e indiretas do empresário 
mercantil e devem ser registrados na Junta Comercial de forma a manter a sua validade e permitir 
o controle da atividade de cada empresário. Os livros empresariais não se confundem com os livros 
de natureza tributária exigidos por cada ente fiscal. Cabe lembrar que atualmente todos os livros 
físicos devem ser substituídos por livros eletrônicos. 
14.1. Obrigatórios: 
a) diário (artigo 1180 do Código Civil): livro de registro do resultado diário da atividade financeira 
da empresa, sendo o único livro obrigatório a todos os empresários. Alguma persiste quanto aos 
microempresários já que o regime jurídico empresarial específico a que estão submetidos prega 
pela dispensa, o que não se verifica na legislação tributária; 
b) registro de duplicatas (Lei nº 5.474/68): para os empresários que emitem duplicatas é 
obrigatório o registro de cada cártula emitida em livro próprio; 
c) entrada e saída de mercadorias: assemelha-se ao registro de inventário, trata-se de livro 
obrigatório somente para os empresários do ramo de armazéns gerais e para àqueles que trabalham 
com estoque de mercadoria de terceiros; 
d) registro de ações: quando a empresa tiver seu capital constituído na forma de ações deverá ser 
registrado, a emissão, transferência de ações, subscrição de capital, ou seja, qualquer 
movimentação no valor ou no quadro acionário da empresa; 
e) atas de assembleias gerais: para as sociedades estatutárias e para as sociedades limitadas que 
deliberem através de assembleia, será obrigatório à redução a termo e registro das atas de 
assembleias, controle de presença de sócios etc. 
14.2. Facultativos: são livros que a lei não exige, mas que podem auxiliar o empresário da 
escrituração contábil, porém, se utilizados devem respeitar a forma legal de escrituração para que 
não faça prova contra o empresário: 
a) caixa: trata-se de um livro semelhante ao livro diário, que tem por finalidade permitir o registro 
de entrada e saída de dinheiro do caixa da empresa; 
b) conta-corrente: trata-se do livro próprio para registro da movimentação bancária da empresa; 
c) livro de estoque: livro de controle de mercadorias em estoque, seja nas dependências da própria 
empresa, ou em armazéns gerais; 
d) contas a receber e a pagar: livro de escrituração de recebimentos e dívidas futuras. 
14.3. Irregularidade dos livros empresariais: como tais livros possuem regras legais de escrituração, 
além da necessidade de autenticação pela Junta Comercial, a inobservância gera as seguintes 
consequências para a vida do empresário: 
a) requerer falência: como já asseverado anteriormente, a pessoa para requerer a falência na 
qualidade de credor empresário deverá demonstrar sua regularidade documental; 
b) prova judicial: toda a documentação do empresário serve como meio de prova a favor dele, para 
tanto, deverá estar devidamente regularizada; 
c) pena de confissão em processos judiciais: da mesma forma que a documentação faz prova a 
favor do empresário também faz prova contra ele, aplicando-se a espécie à pena de confissão 
quanto aos fatos que não puderem ser elucidados em razão da irregularidade, a menos que o 
empresário apresente prova documental em contrário; 
d) recuperação judicial: a exemplo do requerimento de falência, a recuperação judicial exige 
regularidade por parte do empresário; 
e) crime falimentar: uma vez que a documentação irregular faz prova contra o empresário, essa 
irregularidade não só permite a sua falência por presunção do estado falimentar, como também 
viabiliza a sua condenação por crime falimentar; 
f) licitação pública: a exemplo do registro do empresário, seus livros também são requisitos para 
habilitação em processo licitatório, o que pode ser obstado em razão da irregularidade; 
g) crime contra a fé pública (falsificação de documentos): dependendo da irregularidade verificada, 
além da possibilidade de crime falimentar pode o empresário sujeitar-se a tipificação nos crimes de 
falsidade, como por exemplo nos casos de emissão de nota fiscal na forma de “espelho”. 
14.4. Exibição judicial dos livros empresariais: em razão da natureza concorrencial da atividade 
empresarial, os livros do empresário constituem verdadeiras fontes que podem revelar a estratégia 
empresarial tão importante atualmente para a atuação profissional. Dessa forma, o direito põe a 
salvo o sigilo do empresário, expressamente previsto no artigo 1190 do Código Civil, só se 
permitindo a exigibilidade dos livros nas hipóteses legalmente previstas na legislação extravagante 
ou nas hipóteses do artigo 1191 do Código Civil: 
a) total: importa na retenção dos livros pelo órgão judicante a requerimento da parte interessada, 
e somente poderá ser exigida a exibição dos livros em ações que tratam de Direito Empresarial, 
Falimentar, Concorrencial, Fiscal ou Administrativo; 
b) parcial:importa na exibição dos livros com a sua devolução, e poderá ser feita de ofício pelo 
órgão judicante ou a requerimento de pessoa interessada, em qualquer litígio, desde que seja meio 
útil de prova. Normalmente a doutrina de direito material não se aprofunda nos aspectos 
processuais, e aqui, dessa forma cabe uma observação sobre a utilidade da prova, pois, havendo 
outro meio de prova, a exigibilidade do livro empresarial, ainda que parcialmente será afastada. Por 
outro lado, a exibição de ofício só tem ocorrido nos processos de natureza falimentar. 
 
15. Inatividade do Empresário 
15.1. Conceito: é a perda da qualidade de empresário com o consequente cancelamento do registro. 
15.2. Hipóteses: o Direito Empresarial estabelece três hipóteses em que a inatividade pode ser 
reconhecida permitindo a Junta Comercial o cancelamento do registro: 
a) pedido de encerramento: trata-se da comunicação feita sobre o encerramento da atividade 
empresarial na Junta Comercial por iniciativa do próprio empresário; 
b) comunicação de falência: trata-se da comunicação feita pelo Poder Judiciário da decisão final de 
falência com o decurso do trânsito em julgado da sentença; 
c) ausência de escrituração: conforme visto anteriormente, compete ao empresário a autenticação 
dos livros obrigatórios na Junta Comercial, não ocorrendo qualquer autenticação no período de 10 
(dez) anos, sendo que tal situação configurara inatividade. 
15.3. Consequências: o cancelamento do registro importa na perda de todos os dispositivos de 
proteção do empresário, como: direito à ação renovatória, requerimento de falência de outro 
empresário, beneficiar-se de recuperação judicial etc. Ademais, a prática do exercício da atividade 
empresarial após o cancelamento do registro importa em exercício irregular da atividade com 
sanções própria para a irregularidade anteriormente verificadas. 
15.4. Notificação: para que a Junta Comercial possa cancelar o registro do empresário necessário 
se faz à constatação de uma das hipóteses anteriormente verificadas, além da notificação ao 
empresário que poderá ser realizada por edital. 
 
 
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