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Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade O período entre os séculos XIII e XVI na Europa e suas transformações, sobretudo culturais, e os conceitos que circundam esse período, com suas diferentes perspectivas. Prof.ª Thaiana Vieira 1. Itens iniciais Propósito Compreender o conceito de Renascimento e Modernidade, especificamente as transformações culturais, os contextos dos seus desenvolvimentos e suas implicações nas diferentes sociedades. Objetivos Discutir as perspectivas referentes ao período “Outono da Idade Média ou Primavera dos tempos modernos”. Reconhecer o surgimento do movimento renascentista e o desenvolvimento das novidades culturais nas diferentes áreas: pintura, escultura, literatura, filosofia, política e teologia e ciência. Descrever os conceitos de Modernidade a partir das diferentes áreas das ciências humanas. Introdução Vamos conhecer o movimento do Renascimento, seus desdobramentos, suas implicações, seus elementos principais, os avanços pelo espaço e sua relação com a Modernidade. O conteúdo é segmentado pelos aspectos mais relevantes do movimento. O primeiro módulo trata das diferentes perspectivas de percepção do Renascimento, ou seja, como um elemento do final do período medieval ou como uma novidade intensa que inicia uma nova era. O segundo módulo apresenta as expressões culturais do Renascimento, ou seja, as transformações nos segmentos de artes plásticas, pintura, literatura, filosofia e ciências. O terceiro módulo refere-se aos conceitos de Modernidade das diferentes áreas das ciências humanas e consiste em apresentar uma faceta que nem sempre aparece, ou seja, demonstrá-la como um processo heterogêneo e violento, em muitos casos, sobretudo com aqueles que se distanciavam do projeto ideal estabelecido. O movimento renascentista possui relevância no curso da trajetória da humanidade. Resultou em mudanças significativas no modo de ser, estar, viver, agir, perceber e questionar o mundo. Assim, a maior expressão do movimento é no campo cultural, onde variados aspectos são contemplados com novidades e que aborda como o homem contemporâneo vive e sente essas mudanças. • • • Retrato de Maomé II, o conquistador, por Gentile Bellini (1480). O Saque de Roma em 455, por Karl Bryullov (1833). 1. Outono da Idade Média ou Primavera dos tempos modernos O fim de um período: o que é Idade Média Idade Média Idade Média é o nome dado a um intervalo de tempo de aproximadamente mil anos, compreendido entre os séculos V e XV, como a maioria dos estudiosos aponta. Esse período tem início logo após a queda do Império Romano do Ocidente e seu declínio acontece com a conquista de Constantinopla pelo Império Turco-Otomano. Esses acontecimentos são momentos de grandes rupturas em relação ao que era vivenciado até então, por isso, são considerados marcos de mudança de era. O período medieval pode ser segmentado em Alta Idade Média e Baixa Idade Média. Destacamos que essa não é uma divisão unânime, há outras possibilidades de separar o período, mas essa é a mais amplamente utilizada. Dessa forma, percebemos que dentro da noção de Idade Média cabem algumas classificações, porque esses anos possuem muito em comum (por isso estão no grande grupo conhecido como Idade Média), mas também englobam algumas transformações que os distanciam. De modo geral, foi um período marcado pela união da herança romana com a cultura dos povos germânicos, conhecidos comumente como bárbaros, que invadiram o Império Romano. A Alta Idade Média A Alta Idade Média refere-se ao período que tem início com a formação da Europa medieval, no século V, e perdura até o seu apogeu, no século X. O Império Romano do Ocidente ruiu no século IV, e o imenso território conquistado pelos romanos pertencia, a partir disso, aos povos germânicos. Dessa forma, esse período é formado pela união da herança romana à cultura dos povos bárbaros. As invasões dos povos germânicos propiciaram a fuga dos habitantes dos centros urbanos em direção ao campo. A Europa Ocidental caminhava para a ruralização e a riqueza passa a ser a terra. Naquele momento, a Igreja católica tornou-se uma instituição poderosa e influente não apenas na religião, mas também na política e na sociedade medieval. Acontece que os reinos germânicos adaptaram seus costumes aos dos romanos, abriram mão de suas práticas religiosas e aderiram ao cristianismo, que também se transformou, adequando elementos das profissões de fé desses povos para a realidade cristã católica. Dessa forma, a Igreja aliou-se aos reis e estabeleceu-se como referência para o povo germânico e o romano. A fé cristã se espalhou pela Europa Ocidental, reforçando o poder do papa. Ruínas do Mosteiro de Disibodenberg, na Alemanha, fundado no século VIII sobre a tumba de São Disibod. A sociedade medieval era organizada hierarquicamente em camadas rígidas, era chamada de estamental e não permitia mobilidade social. Na parte de cima da pirâmide social estava o clero, seguido pela nobreza, e na base estavam as camadas mais baixas da sociedade: os servos, que trabalhavam e sustentavam as camadas de cima. A agricultura, então, tornou-se a principal atividade econômica. Era essa última camada, dos servos, que trabalhava a terra para o sustento de sua família e do seu senhor. Uma das principais características da Idade Média foi o feudalismo, um sistema social, econômico e político que se estabeleceu por todo período medieval, ora com mais ou menos força. Nele, as terras eram concedidas por um suserano (senhor feudal) ao seu vassalo (dependente), em troca de fidelidade e ajuda militar. Na prática, os senhores feudais, donos da terra, controlavam os feudos, como eram chamadas as terras, e os servos trabalhavam na terra produzindo alimentos para si e para o dono da terra, e pagavam impostos ao senhor feudal e ao clero. No que se refere à cultura, a Alta Idade Média concentrava nos mosteiros sua riqueza. O que foi produzido na Antiguidade Clássica foi preservado nesses espaços com a motivação de proteger as obras das desvatações que aconteciam. Os monges copistas tinham como função fazer cópias dos textos antigos, principalmente para que não se perdessem com o tempo. Esse trabalho era demorado e custoso, poucos tinham acesso aos livros, ainda que para transcrevê-los. O acesso às bibliotecas era restrito e o trabalho era manual, por esse motivo, levavam-se longos períodos para finalizar uma obra. A Baixa Idade Média A Baixa Idade Média tem início com o aumento populacional ocorrido a partir do ano 1000. Há algumas perspectivas e teorias sobre esse aumento, que pode ter sido motivado principalmente pela diminuição significativa das guerras com os povos germânicos. Mas não só isso, os servos e os senhores feudais estavam isolados nos feudos, e portanto, menos sujeitos às epidemias. Assim, tinham melhores condições de vida, possibilitando a melhoria do cultivo e a possibilidade de crescimento demográfico. Comentário Os números indicam um aumento significativo na taxa de natalidade e uma estabilidade da taxa de mortalidade. Fato é que a expansão demográfica promoveu um desequilíbrio na oferta e demanda de alimentos e esse aumento populacional provocou mudanças intensas na estrutura medieval. Com esse aumento populacional houve a necessidade de maiores volumes de colheitas. Assim, a forma de lidar com a terra se tranformou e foi preciso usar as terras que ficavam em repouso. O desgaste da terra aconteceu em pouco tempo e acarretou dificuldades na produção. A vida no campo começou a ficar difícil e as pessoas se encaminham para os centros urbanos, que passaram a ter movimentação mais intensa. Como alternativa de fonte de vida, teve início um investimento no comércio, e logo esse ofício ficou intenso por meio da troca de mercadorias. Outro aspecto relevante do período baixo medieval foram as Cruzadas, surgidas como movimento militar religioso cristão e justificativa de busca pela retomada de terras tidas como santas dos muçulmanos. Entretanto, essas batalhas se prolongaram– Os historiadores não apresentam consenso em relação à cronologia do conceito. III – Os filósofos só pensam a Modernidade a partir de suas expressões econômicas. IV – A Modernidade envolveu intensas transformações técnicas, econômicas, políticas e culturais. É correto o que se afirma em A I, II e III. B II e III. C II e IV. D II, III e IV. E I e II. A alternativa C está correta. Os historiadores apresentam divergências em relação à cronologia, tanto em relação ao início, quanto em relação ao fim. Optamos por trabalhar com a era Moderna mais amplamente aceita, que abrange desde o fim do século XV até o fim do século XVIII. Mas isso não é um consenso. E a Modernidade envolve transformações bruscas e intensas em todos os aspectos da sociedade, foi um momento de muita mudança. As demais opções estão erradas. Os sociólogos se preocupam com a cronologia, não possuem um consenso sobre tal, mas há um comprometimento em definir a que momento o termo se refere. E os filósofos pensam o conceito por variados aspectos e não apenas o econômico. 4. Conclusão Considerações finais O momento compreendido entre o século XIV até o XVII ou XX, a depender da cronologia adotada, é muito rico e muito complexo. Envolve movimentos, artísticos, políticos, culturais, religiosos e econômicos. As transformações acontecem em diferentes níveis e nos diferentes espaços. O Renascimento é um movimento que surgiu na atual Itália e rapidamente se expandiu para os diversos espaços da Europa, sobretudo ocidental. E esse movimento se desenvolveu das mais variadas formas, por isso, a abordagem de renascimentos. É empobrecedor tratar um o movimento tão complexo, potente e abundante por uma única perspectiva. Nesse espaço, trabalhamos predominantemente com a perspectiva desenvolvida na região em que surgiu. Mas é preciso ter em mente a necessidade de análise específica, pois as regiões são diversas e a difusão e desenvolvimento também o foi. Devemos estar sempre atentos ao fato de que a Modernidade foi vivenciada de modos muito diferentes em diversas partes do mundo. Em alguns casos ela é percebida de modo pacífico, em outros, de modo violento; ora as mudanças são suaves e, às vezes, são bruscas e intensas. É mesmo muito particular e deve ser analisada com cuidado, atenção e respeito a todas as histórias envolvidas. Atualmente, e desde o século XX, muitos estudiosos se debruçam sobre esses temas a fim de repensar as produções e as histórias que construímos de mundo. Os caminhos ainda são longos, mas, certamente, revisitar as fontes e os estudos sobre a Modernidade, a partir das perspectivas mais atuais de investigação, distantes do eurocentrismo que produziu a história que conhecemos, possibilitará muitas informações ainda desconhecidas. Podcast Ouça agora um podcast que apresenta os pontos mais importantes do conteúdo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Outono na Idade Media ou Primavera dos Tempos Modernos Para se ambientar mais na perspectiva de Outono na Idade Média, contemple a rica produção de arte dos irmãos Van Eyck. Foi para compreender essas obras que Johan Huizinga começou a reflexão que deu origem ao livro Outono na Idade Média. Renascimento cultural Para conhecer mais o Renascimento e a produção artística mais famosa do período, faça o tour virtual pela Capela Sistina. Para saber mais sobre o pensamento filosófico do período, leia O Príncipe, de Maquiavel. Para descobrir mais sobre Dante e sua produção, assista aos vídeos do Instituto Cultural Italiano comemorativos de 500 anos de ausência da personalidade. Conceitos de Modernidade Para ver mais sobre as principais características da Modernidade, assista ao filme Tempos modernos, de Charlie Chaplin, 1936, que apresenta as noções básicas desse conceito. Para saber mais sobre um dos modos de difusão desse conceito de Modernidade e conhecer mais sobre as Grandes Navegações, assista ao filme 1492: A Conquista do Paraíso, de Ridley Scott, 1992. Referências ARIÉS, P. ; DUBY, G. (orgs.). História da Vida Privada: Da Europa Feudal à Renascença. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. BAUMAN, Z. Modernidade e Ambivalência. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1999. BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. DURANT, W. História da Filosofia – A Vida e as Ideias dos Grandes Filósofo. São Paulo: Nacional, 1. ed., 1926. GIDDENS, A. As Consequências da Modernidade, 2. ed. São Paulo: Universidade Estadual Paulista (Unesp), 1991. GOMBRICH, E. H. J. História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 1999. HUIZINGA, J. Outono da Idade Média: Estudo sobra as formas de vida e de pensamentos dos séculos XIV e XV na França e nos Países Baixos. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. LEFEBVRE, H. Introdução à Modernidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1969. LEFEBVRE, H. Vida cotidiana no mundo moderno. São Paulo: Ática, 1991. MACEDO, J. R. Repensando o ensino da Idade Média no ensino de História. In: KARNAL, L. História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2004. MARQUES, A. H. R. de O. A sociedade Medieval Portuguesa: aspectos da vida quotidiana. 6. ed. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2010. MARTINS, J. de S. O Cotidiano Invisível – Uma entrevista com José de Souza Martins. Consultado na internet em: 17 jan. 2021. SIMMEL. G. A Metrópole e a Vida Mental. In: VELHO, O. G. (org.). O Fenômeno Urbano. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. SIMMEL, G. O dinheiro na cultura moderna. In: SOUZA, J.; ÖELZE, B. (orgs.) Simmel e a modernidade. Brasília: UnB, 1998. p. 23-40. WEBER, M. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. WEBER, M. Economia e Sociedade. 2 vol. 1. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo; Brasília: UNB, 2004. WEBER, M. Economia e sociedade. Brasília: UNB, 1991. Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Outono da Idade Média ou Primavera dos tempos modernos O fim de um período: o que é Idade Média Idade Média A Alta Idade Média A Baixa Idade Média Comentário Fome Pestes Guerra Visões sobre o medievo Idade Média, uma visão pejorativa Comentário Outono da Idade Média Comentário Primavera dos tempos modernos Debates sobre o ciclo do tempo Atenção Visões sobre a Idade Média Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Idade das Trevas Conteúdo interativo Huizinga e Michelangelo Conteúdo interativo Transformações do fim da Idade Média Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Renascimento cultural O conceito de Renascimento Renascimento Cultural As formas artísticas do Renascimento Pintura Escultura Literatura O antropocentrismo O racionalismo O hedonismo Bases do pensamento renascentista Filosofia, Política e Teologia Reforma Protestante Expansões marítimas A Burguesia A prensa Atenção Ciência Primeira lei Segunda lei Terceira lei Atenção Renascimento como movimento Conteúdo interativo Vem que eu te explico! O que seria Renascimento? Conteúdo interativo Expansão marítima Conteúdo interativo O papel da arte renascentista Conteúdo interativo A Terra como centro do Universo Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Conceitos de Modernidade O conceito de Modernidade Modernidade Modernidade na História Comparando o Medievo e a Modernidade Comparações Exemplo O domínio do tempo Eurocentrismo Modernidade filosófica Pensando sobre a modernidade Antropocentrismo Humanismo Valorização da natureza Racionalismo Empirismo Renascimento Iluminismo Filosofia laica Nicolau Maquiavel (1469-1527) Francis Bacon (1561-1626) Galileu Galilei (1564-1642) René Descartes (1596-1650) Thomas Hobbes (1588-1679) Immanuel Kant (1724-1804) Resumindo Reflexões necessárias Modernidade como invenção Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Debate sobre os tempos modernos Conteúdointerativo Transição ou ponto de vista Conteúdo interativo Modernidade filosófica Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referênciaspor longos anos e transformaram sua atuação, de modo que foram responsáveis por muitos contatos comerciais com o Oriente. Essa movimentação propiciou a retomada das Ricardo Coração de Leão rumo à Jerusalém, por James William Glass (1850). navegações pelo mar Mediterrâneo, que até então estavam abandonadas, por causa da ruralização da Europa e do domínio islâmico. A cidade medieval de Carassonne, na França. O retorno das pessoas para os centros urbanos e o desenvolvimento do comércio resultou no aparecimento das feiras, que aconteciam ao redor dos feudos e comercializavam os produtos vindos do Oriente. As feiras se espalharam e houve a necessidade da criação de bancos de apoio para troca de moedas que circulavam nesses centros urbanos. Com esse desenvolvimento, surgiu uma nova camada social, a burguesia. É ainda relevante mencionar sobre esse período, inclusive para o assunto que abordaremos a seguir, o surgimento das universidades, no século XIII, que promoveram mudanças significativas na vida cultural da Idade Média. Elas se tornaram locais de estudos e discussão livre de ideias, um espaço de verdadeira liberdade intelectual. Com isso, os mosteiros perderam sua força cultural, e, a partir de então, a moeda que circulava nas atividades comerciais começou a financiar as produções artística e intelectual. Essas transformações foram muito intensas e a estrutura social entrou em crise e as bases dos sistemas que sustentavam o período medieval foram afetadas. A crise do século XIV engloba três grandes problemas fundamentais: fome, pestes e guerras. Fome A agricultura entrou em decacência por causa das intempéries climáticas, provocava fome e resultava no esvaziamento do campo, com o consequente crescimento do comércio, movimentando as cidades. Pestes As pestes contagiosas se espalharam rápido e dizimaram milhões de pessoas. Os poucos servos que mantiveram-se nos feudos tiveram que trabalhar mais, o que inflamou uma revolta servil, abalando a estrutura feudal. Os antigos germânicos, por Philipp Clüver (1616). Guerra As guerras entre os reinos europeus e as revoltas servis foram refreadas pelos reis, os quais, com novos papéis sociais, não eram mais chefes militares e passaram a ser governantes dos reinos. Nas cidades e nas universidades, as ideias antes dominadas pela Igreja circulavam com mais liberdade e com questionamentos. Desse modo, a fé deixava de ser a norteadora de pensamentos, condutas e comportamentos cotidianos e a razão começava a ser presente na vida das pessoas. Visões sobre o medievo Idade Média, uma visão pejorativa A nomenclatura Idade Média foi intensamente discutida na historiografia. Os estudiosos do século XV em diante, defensores do pensamento racional e admiradores da cultura greco-romana, fizeram uma análise sobre o período que se encerrara. A ideia do termo era considerar o intervalo entre a queda do Império Romano do Ocidente e o século XV como um período de transição entre a Antiguidade Clássica e a Idade Moderna. Assim, cunhou- se Idade Média, com o termo média já atuando de modo pejorativo, como se nada de interessante tivesse acontecido entre os tempos áureos de Grécia e Roma Antiga e a era que buscava o resgate da cultura humanística idealizada pelos primeiros filósofos gregos e concretizada pelos romanos. Seguindo essa linha de compreensão do período, convencionou-se também chamar a Idade Média como Idade das Trevas. De modo geral, essa era é comumente associada a aquilo que é obsoleto e negativo e a uma religião que domina seus seguidores e fiéis. Acreditavam que o pensamento racional era desprezado, que não houve qualquer tipo de reflexão para além das crenças que a Igreja propagava. Outro problema dessa terminologia é a questão da simplificação, pois classifica uma cultura, no caso, a medieval, como inferior a outras: a antiga e a moderna. Como a sugestão de uso dos termos média e trevas para fazer menção ao período partiu dos indivíduos que viveram nos séculos XIV e XV, consideramos que era um modo desses sujeitos se afirmarem como inovadores, transformadores e diferentes daqueles que tinham vivido os anos anteriores. O caso dos povos bárbaros merece atenção como mais um exemplo de terminologia pejorativa. Já mencionamos que são comumente chamados dessa forma, porém, o mais adequado seria referi-los como povos germânicos. Acontece que eram chamados de bárbaros os grupos de pessoas que tinham diferenças em relação aos gregos. Eram povos com idioma, cultura, crenças religiosas, governo, educação e formas de vestir diferentes. No primeiro contato, isso gerava estranhamento por parte dos gregos e, posteriormente, dos romanos, que optaram por se referir a todos os grupos diferentes pelo mesmo nome. Os povos bárbaros não são uma unidade, é um único nome para tratar de várias tribos diferentes como: godos, saxões, vândalos, hunos, pictos, entre outras. Trazendo a questão dos povos germânicos para uma amplitude maior, encontramos mais uma consequência negativa em considerar esse período como intermediário, que é o fato de resumir a história de diversos povos que viviam na Europa como história única. No período medieval, no espaço da Europa Ocidental, diversos povos conviveram com maior ou menor proximidade. É o caso de mouros, judeus, critãos, povos germanos que se estabeleceram, entre outros. Esses O triunfo de São Tomás sobre Averroes, por Benozzo Gozzoli (1468). Os Cavaleiros da Távola Redonda recebem uma visão do Santo Graal, por Évrard d'Espinques (1475). povos possuem desenvolvimentos diferentes, paricularidades culturais, manifestação de religiosidades distintas, vestimentas próprias, hábitos alimentares singulares, entre outras práticas culturais. Comentário O fato é que, quando assumimos a perspectiva sobre esse momento como meramente intermediário, todo o período acaba perdendo a pluralidade e é percebido como uma história única, o que, definitivamente, não corresponde às conclusões dos estudos mais atuais. Atualmente, o termo Idade das Trevas não é mais utilizado pela historiografia. Por meio de inúmeras pesquisas sobre o período e sobre as mais variadas temáticas, hoje em dia temos conhecimento da sua vasta produção. Vale ressaltar que numerosas realizações do período são relevantes para aqueles contemporâneos e também são para as gerações futuras. Por exemplo, as obras de Filosofia medieval são fundamentais para o conhecimento humano; a preservação dos livros e documentos da Antiguidade Clássica nos mosteiros impediu que fossem destruidos, e possibilitaram conhecimentos naquele momento e novos tipos de experiências e compreensões nos séculos seguintes. O problema é que muitas pessoas aprenderam História dessa forma e ainda se referem ao período como Idade das Trevas. Isso inclina, pelo menos o senso comum, a aceitar que tudo o que foi produzido ao longo desses anos é pouco expressivo em termos de avanços, desenvolvimentos e que não teve contribuições intelectuais de relevo. A Idade Média e seus elementos são frequentemente utilizados até os dias atuais, em histórias populares ou não. Destacamos isso, pois é certo que esse tipo de narrativa, seja por meio de filmes, séries, jogos on-line, de cartas ou de tabuleiro, literaturas ou qualquer outra mídia, interfere na percepção das pessoas sobre o período. Essas obras têm, na maioria das vezes, a motivação de entretenimento e não uma reparação dos documentos históricos ou da historiografia. Os elementos mais comuns nessas realizações são princesas, castelos, dragões, reis, feiticeiras, bruxas, monges, padres, bispos e cavaleiros. Também é costumeiro tratar da bravura dos cavaleiros das Cruzadas, que atravessaram o Oriente Médio e a Europa para lutar contra os infiéis; da busca da princesa por um par ideal e o conflito com a escolha da família; de histórias de fundo religioso que apresentam diversos rituais católicos que tiveram origem nesse período, entre outros. Por mais que a Idade Média seja um período fecundo para produções de entretenimento, ela foi compostapor fatos reais e é preciso separar a realidade da ficção. O Casamento de Arnolfini, por Jan van Eyck (1434). Outono da Idade Média A cidade ideal, por Piero della Francesca (1470). Uma vez que já tratamos dos pontos principais acerca da Idade Média, podemos entender como os momentos finais desse período são interpretados pelos estudiosos do tema. Ressaltamos que durante a apresentação anterior do período não tivemos a pretensão de encerrar o assunto, exatamente o oposto, suscitamos alguns pontos pertinentes para um pensamento crítico do que vem a seguir. A noção de Outono na Idade Média dialoga diretamente com o período que intitula e aparece como uma interpretação de seus séculos finais, ou seja, os séculos XIV e XV, principalmente na França e na Borgonha, como os últimos momentos de uma cultura em processo avançado de amadurecimento e não o início de um período como o Renascimento (HUIZINGA, 2021. p. 10). Para tratar do tema, vamos partir de uma obra de Johan Huizinga, que leva o mesmo nome: O Outono da Idade Média. O historiador holandês faz variadas análises sobre as formas de vida e pensamento, de um modo geral. Uma reflexão interessante acontece quando ele faz uma observação e as ponderações sobre o quadro O casamento dos Arnolfini, de Van Eyck, que, inclusive, é capa de uma das publicações do livro. Ele aponta que o pintor representa, para além do casal, o anoitecer da Idade Média, uma era feliz, nobre, pura e simples da canção popular. Essa pintura, para o historiador, representa o auge da estética medieval na pintura. Ainda, a arte de Van Eyck é, para ele, completamente medieval e traduz o seu ponto final. A arte em questão é uma apresentação lúdica da ideia do livro e do conceito, como um todo. A Idade Média não tem os séculos finais, sobretudo no campo da cultura, como um declínio ou um encerramento inferior. A metáfora outonal sugere, antes de tudo, uma metamorfose, mas também uma latência que desbota os marcos rígidos entre começo e fim de um ciclo. Assim, o outono pode ser uma estação de queda e decomposição, bem como de amadurecimento e colheita (HUIZINGA, 2021. p. 12). Dessa maneira, o autor sugere que esse período deve ser interpretado como um momento de transformações. Ele nos indica que a passagem da Idade Média para o Renascimento não é percebida com uma ruptura Túmulo de Giuliano de Medici, por Michelangelo (1533). brusca, nem como uma continuidade absoluta, mas como um processo complexo que teria ocorrido em meio ao colapso da cultura medieval (HUIZINGA, 2021. p. 11). O contexto de crise a que o historiador se refere é o das pestes, de fome e guerra. Nesse sentido, o homem do fim da Idade Média, que se encontra nessa realidade de profundo pessimismo e perspectivas futuras limitadas, busca o prazer imediato no amor, na dança e na música. Entretanto, esses elementos não bastam em sua forma comum, é necessário enobrecê-la com a beleza. Não se buscava a arte em si, mas a vida bela, decorada pela arte. É fato que Michelangelo se opõe e critica a arte medieval, principalmente pela tendência a considerar cada particularidade da obra como uma coisa independente, fato que destaca ao espectador a obra medieval. Para Huizinga, Michelangelo, assim como a maioria dos renascentistas, sofreram de uma cegueira temporária para a beleza e verdade da arte medieval. E mais, o autor aponta que o melhor do fundamento medieval foi preservado na pintura flamenga, mais do que na poesia. E resume que o Renascimento é menos moderno e mais medieval (HUIZINGA, 2021. p.16). Assim, o desprezo do pintor italiano pela arte medieval acontece de modo infundado e limitado, afinal, ele não a compreendia. Comentário Essa obra é amplamente conhecida pelos historiadores, sobretudo os medievalistas, entretanto, não foi aceita como historiografia em um primeiro momento, e ainda hoje não é por parte dos estudiosos. O motivo é que o autor trabalha com a história da cultura, e alguns profissionais ponderam que é apenas um ponto de vista, inferior, sobre os fatos, considerando a produção mais próxima de uma literatura do que de um trabalho científico. A ritualização da vida aristocrática se parece com um “nobre jogo”, a perspectiva segundo a qual a cultura tardo-medieval deveria ser vista: à luz falsa e ofuscante do romantismo cavaleiresco, em que a tensão entre as forças de vida e a realidade seria incrivelmente forte (HUIZINGA, 2021. p.16). Assim, ele justifica as escolhas por retratar a arte, a cultura e a estética do período, por meio da perspectiva outonal. O historiador aponta que no contexto “em que morte e vida, novo e antigo, se entrecruzam e se fecundam, o brilho púrpura e ouro do Renascimento se transforma naquele de um sol poente, em que os tons crepusculares do outono medieval se misturam aos tons alvorais da primavera renascentista, a ponto de se confundirem como o verso e o reverso de um mesmo processo” (HUIZINGA, 2021. p. 11). A adoração do cordeiro, por Jan van Eyck (1432). Esse conceito destaca de modo eficaz que a Idade Moderna é desenvolvimento de muitas conquistas medievais, como o renascimento comercial da Europa no século XI, que acontece principalmente por meio da ação e dos desdobramentos das Cruzadas, no período entre os séculos XI e XIII. Primavera dos tempos modernos Debates sobre o ciclo do tempo Membros da guilda de fabricantes de tecidos, por Rembrandt (1662). Após a compreensão do Outono da Idade Média, avançamos para uma perspectiva nova em relação aos séculos finais da Idade Média. É o caso da Primavera dos tempos modernos, que considera esse momento como o preâmbulo, como o florescer dos novos tempos. A primavera, mesmo que frequentemente atravessada por elementos do inverno, apresenta-se rica em promessas. Para tratar desse assunto, partiremos da obra que possui esse conceito no título, chamada Outono da Idade Média ou Primavera dos tempos modernos, de Philippe Wolff (1913-2001). Nesse livro, o autor trata do Outono e oferece um ponto de vista distinto. Wolff, que estuda sobretudo os aspectos econômicos, sustenta a tese de que o desenvolvimento material da humanidade não seria possível sem uma intensa transformação intelectual. Ou seja, prioriza os progressos e aperfeiçoamentos no campo do pensamento em relação aos demais avanços, que só seriam possíveis a partir do primeiro. A Ceia em Emaús, por Rembrandt (1629). A metamorfose provocada pelo pensamento humano não acontece sem conflitos interiores, sem interrogações e sem dúvidas. E assim, propõe que a visão harmônica do Renascimento como um momento em que as invenções simplesmente surgem como elementos prontos e repletos de alegria e realizações é deturpada. Na prática, as descobertas ocorreram ao redor e em meio a conflitos, angústia e dor. A pessoa que vive nesse momento, de transição e efervescências, vivencia essas transformações de maneira angustiada e dolorosa. Os principais motivos de angústias do período são: fome, pestes e guerra, como já citamos. O autor corrobora esses motivos, apresenta que essas situações não se desenvolveram iguais por toda a Europa, e acrescenta que, em algumas regiões, as condições climáticas intensificaram essas aflições. O autor não corrobora a teoria de que a depressão se relaciona diretamente com a expansão demográfica do século XI e aponta que a diferença cada vez maior entre o crescimento demográfico e a produção agrícola é intensificada pela guerra, mesmo nos locais que não apresentam devastações. Ressalta, ainda, que não devemos desconsiderar o aspecto social, e aponta que a depressão tem início por volta de 1270, como o caso da Inglaterra, e a Peste, em 1348, encontra as pessoas em condição de subalimentação. Após essas constatações, Wolff apresenta as melhorias introduzidas na agricultura, nos negócios e nos transportes. E mostra como o crescimento da população urbana resultou na ampliação da gama de cereais, hortaliças e frutos cultivados; como os dias de abstinência causam um aumento do consumo de peixe, especificamente do bacalhau, cujapesca possui papel relevante nas descobertas em direção à América do Norte; as consequências, na indústria e no comércio, das necessidades de temperar os alimentos com azeite, manteiga, sal ou sal-gema, ou ainda com especiarias; o consumo do vinho e as atividades relacionadas, como a criação de vinhedos nas cidades, o envelhecimento da bebida, os respectivos impostos e sua relevância nas finanças municipais. As inovações técnicas que mais modificaram as condições de trabalho humano foram: A transformação de um movimento circular contínuo, como o produzido pela mó do moinho, em movimento retilíneo alternado, que permitiu o aperfeiçoamento dos tornos para o trabalho em madeira e metal, além do fabrico de bombas de aspiração e de compressão, que revolucionaram a mineração. A mecanização do pisoamento, que favoreceu novas possibilidades à indústria têxtil. O aperfeiçoamento dos teares para a elaboração de desenhos complexos. A explanação dos segredos do fabrico do vidro, que levou ao surgimento do óculo côncavo e ao espelho, que foi tão útil no processo de expansão marítima. O aperfeiçoamento das condições do tratamento dos minérios, que permitiu maior rendimento da produção do ferro. O uso do carvão mineral, em vez do vegetal. A separação quase total entre a prata e o cobre pela adjunção de chumbo, o que permitiu a utilização do cobre em larga escala na construção de embarcações de longo curso e, consequentemente, os grandes descobrimentos. A fabricação de livros, que usufrui dos aperfeiçoamentos ocorridos na indústria de papel, resultantes da melhor transmissão de energia, e da expansão da cultura do cânhamo e do linho, bem como de • • • • • • • • melhoramentos introduzidos pelos ourives e cunhadores de moedas, que levaram à substituição da xilogravura por caracteres de metal. O autor conclui que a maior contribuição do aparecimento da imprensa é a difusão das línguas vulgares, que veremos adiante. As mudanças que o Wolff considera mais positivas ocorrem no campo do comércio: a contabilidade, surgida na Itália, entre 1250 e 1400, o decréscimo das feiras e o progresso das associações, de comércio marítimo e as de comércio terrestre, de base familiar, contextualizando com os desenvolvimentos na agricultura e na indústria, o progresso dos transportes e a circulação de materiais. A luta entre o Carnaval e a Quaresma, por Pieter Bruegel, o Velho (1559). O autor aponta as melhorias mais significativas aparecem nos transportes marítimos: procura-se aumentar a capacidade de carga, a velocidade e estabilidade de navegação; surgem variedades de embarcações com capacidade cada vez maior. Assim, exceto em casos de mercadorias custosas e facilmente deterioráveis pela umidade, o transporte preferido foi o marítimo. A dinâmica urbana traz novos hábitos: o gosto pelos estudos é estimulado, e não apenas aos gênios ou mais propensos, mas também àqueles que buscam as informações, os estudos e o desenvolvimento nas escolas e no trabalho. Atenção É relevante destacar que as universidades se afastam cada vez mais da Igreja, afinal, não são apenas as mercadorias que circulam, as ideias possuem espaço nas cidades e ganham força e alguma autonomia. A curiosidade por notícias aumenta, os sujeitos desejam saber sobre as famílias governantes, as guerras, as agitações sociais, as oscilações monetárias e o que mais esteja acontecendo. Visões sobre a Idade Média Vamos assistir um mini-doc sobre o conceito de Outono da Idade Média e Primavera dos Tempos Modernos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Idade das Trevas Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Huizinga e Michelangelo Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Transformações do fim da Idade Média Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A Idade Média é um período histórico que vai do século V ao século X. A seguir, apontamos algumas afirmativas acerca do período em questão. Assinale a alternativa correta. A A Idade Média é um período que teve insignificantes transformações ao longo dos anos. B O período medieval é retratado com fidelidade na maioria dos casos. C A Igreja católica teve um papel religioso, político e social durante maior parte do período medieval. D As universidades surgiram na Alta Idade Média. E A Idade Média é um período que não teve produções intelectuais relevantes. A alternativa C está correta. A Idade Média é marcada por uma religiosidade intensa e a fé cristã e católica foi a dominante no medievo ocidental. Mas o papel da Igreja não se encerra nos limites da religião, desde o início do período medieval, a Igreja se consolida e, por meio das pessoas que compunham o clero, assume funções políticas e sociais relevantes. Questão 2 É possível entender os séculos XIV e XV como Outono da Idade Média ou como Primavera dos tempos modernos. Tendo isso em mente, assinale a alternativa correta. A O Outono da Idade Média aponta, de modo geral, que o Renascimento é mais medieval do que moderno. B A Primavera dos tempos modernos indica que a cultura floresceu e a economia permaneceu estagnada nesses séculos. C A perspectiva outonal refere-se a um estudo acerca da política medieval. D Apenas a perspectiva primaveril possui respaldo historiográfico. E Ambas as perspectivas sugerem a mesma coisa: desenvolvimento econômico. A alternativa A está correta. O Outono da Idade Média é um conceito que aponta a arte medieval como plena e madura nos séculos finais, e por esse motivo é capaz de se transformar, por meio de sutilezas e alguns elementos mais firmes, resultando na arte que se apresentará na Idade Moderna. Assim, a arte renascentista relaciona-se diretamente com a medieval, inclusive, menos que com a moderna. Leda e o Cisne, por Leonardo da Vinci (1510). 2. Renascimento cultural O conceito de Renascimento Renascimento Cultural A Última Ceia, por Leonardo da Vinci (1495). Renascimento é o nome conferido ao movimento artístico, cultural, político, econômico e filosófico que aconteceu na Europa entre meados do século XIV e fim do século XVI. Ele configura um ressurgimento da estética do mundo clássico greco-romano e o florescimento de literatura, ciência, arte, religião e política. A partir de uma revisitação desses conteúdos clássicos, flexibilizou-se o dogmatismo religioso e as crenças culturais da sociedade, junto com a incipiente e crescente relevância da racionalidade. Ideologicamente, o Renascimento é tido como o período de maior desenvolvimento cultural e de elegância. Isso acontece, pois esse movimento se fundamenta em resgate da Antiguidade Clássica diretamente em oposição à Idade Média, considerada como um longo período sombrio, atrasado e intermediário (GOMBRICH, 2013. p. 167). Durante o desenvolvimento do Renascimento, novas reflexões levam a uma alteração na percepção do ser humano. Este, que vivia em função das designações de Deus, passa a ser a figura central do pensamento. Ou seja, o homem é percebido como responsável por suas ações e, portanto, está no centro no mundo. É o chamado antropocentrismo. Assim, há uma valorização intensa do humano e a substituição (no pensamento e nas ações) de Deus como centro do mundo (teocentrismo), pelo homem. Dessa forma, surge o Humanismo, principal corrente de pensamento desse período. O Renascimento cultural foi propiciado pelas expansões marítimas e pelos contatos comerciais, sobretudo com o Oriente, que ampliaram as diversidades de produtos na Europa. O comércio expandido também colabora com o movimento de outro modo, pois possibilitou o acúmulo de riquezas que foram, posteriormente, investidas em produções artísticas das mais variadas expressões (escultura, pintura, filosofia, músicos, arquitetos, entre outros). Retrato por JacopoPontormo de Cosimo de Médici, banqueiro e político da cidade de Florença, na Itália, além de patrono das artes. O incentivo monetário não acontece apenas por parte dos comerciantes enriquecidos. Os governantes e o clero da Europa começaram a prover recursos aos artistas e intelectuais, é o chamado mecenato. É importante ter em mente que os mecenas não investiam nas artes sem qualquer interesse, eles eram as camadas mais altas da sociedade e desejavam se tornar mais populares. Assim, muitas famílias de mecenas encomendavam pinturas e esculturas a esses artistas e, por isso, o gênero dos retratos foi tão difundido nesse momento. O movimento renascentista apareceu na atual Itália, especificamente na região de Florença, no início do século XV, e sua divulgação foi rápida e efetiva. Nesse momento, na Europa, as transformações artísticas acontecem, efervescem e propiciam que novos eventos ocorram. Assim, durante séculos, constantes manifestações artísticas decorrentes desse período seguiram aparecendo, até quase os momentos atuais. A seguir, apresentamos as características mais relevantes, os principais nomes e as técnicas mais utilizadas em cada expressão cultural desenvolvida no Renascimento. As formas artísticas do Renascimento Pintura Concorrência pelo santo sacramento, por Rafael (1511). A pintura é a categoria artística com uma rica e potencial manifestação de técnicas, criatividade e talentos. Na prática, um único lugar e um mesmo momento fez florescer diversos pintores, admirados por suas produções de destaque até os dias atuais. Sem dúvida, um elemento que merece destaque e atenção. As principais características da pintura relacionam diretamente a um desenvolvimento técnico exponencial em termos de utensílios e matérias-primas e também respondem a uma maior liberdade de pensamento. São elas: a perspectiva, utilização de luz e sombra, o realismo, proporcionalidade, temática focada na natureza e no homem, representação das emoções e harmonia e beleza idealizadas. A Entrega das Chaves, por Pietro Perugino (1482). Estudo sobre o David de Michelangelo, por Leonardo da Vinci (1505). A perspectiva consiste em, a partir dos conhecimentos de matemática e geometria, valorizar as distâncias e proporções dos elementos que estão sendo retratados. Em termos de efeito visual, é o que nos garante perceber a profundidade na obra, quais artigos estão em primeiro plano, quais estão em segundo e quais são apenas detalhes. Para o espectador ter essa dimensão é preciso que, durante a confecção, o pintor utilize um ponto de fuga que consiste em um ponto na tela, físico e de referência no horizonte, de onde saem as linhas retas para construir a imagem a partir dessas menções. Modelo de plano de fundo para projeção de esquema de arquitetura. A característica luz e sombra é muito relevante e foi amplamente utilizada pelos pintores. É também conhecida como claro-escuro, referindo-se ao modo de produzir o efeito. Na prática, consiste em depositar tinta em tons claros em algumas áreas da tela de modo a iluminar, criar a luz, e em outras áreas depositar tintas em tons mais escuros, para gerar a sombra. O contraste visual sugere imediatamente ao espectador a ideia de luz e sombra e uma composição de volume nos elementos pintados. O realismo é um aspecto mais relacionado à percepção do artista sobre a função do homem no mundo. O planeta passa a ser entendido como uma realidade a ser analisada e compreendida e não apenas admirada. Assim, a função do homem é desvendar o que o cerca e não só observar e contemplar. Como resultado, as pinturas devem ser mais comprometidas com a fidelidade ao que está sendo retratado. A proporcionalidade está diretamente relacionada à perspectiva e significa colocar os elementos da obra em alguma escala com a realidade e repetir essa escala para os demais componentes da obra, criando uma pintura equilibrada. A temática focada na natureza e no homem responde à motivação básica no movimento de antagonismo à arte anterior, medieval. O interesse está em retratar aquilo que não remete à religiosidade. Esse mesmo incentivo implica na representação das emoções nos homens e na harmonia e beleza idealizadas. O Rapto das Sabinas, por Giambologna (1582). A descoberta do mel por Baco, por Piero di Cosimo (1505). Por fim, alguns aspectos que merecem atenção. Esse é momento do início do uso da tinta a óleo para a pintura, são precisos ajustes nas técnicas de pintura relacionados à textura, tonalidade, ao brilho, à consistência, entre outros, e o resultado também é diferenciado em relação às tintas vigentes. A pintura, que até esse momento aparece como um detalhe de uma obra arquitetônica, ou com uma função dependente da expressão da arquitetura, consegue uma autonomia e torna-se uma manifestação independente. Surge a noção de estilo pessoal que cada artista teria ligado à noção de liberdade que impacta a criação e também uma transformação social que está acontecendo que é o surgimento da noção de indivíduo. Tal fato nos relembra que todas essas manifestações artísticas fazem parte de um contexto político, social e econômico que age direta ou indiretamente nos processos e resultados. São exemplos de pintores desse período: Leonardo da Vinci (1452-1519), Giotto di Bondone (c. 1267-1337), Michelangelo Buonarroti (1475-1564), Sandro Botticelli (1445-1510), Rafael Sanzio (1483-1520), Ticiano Vecellio (c. 1473/90-1576), Hieronymus Bosch (1450-1516), Pieter Bruegel (1525-1569), Albrecht Dürer (1471-1528) e Hans Holbein (1497-1543). Escultura Assim como a pintura, a escultura alcança a independência da arquitetura no Renascimento. É importante, entretanto, ter em mente que nesse movimento a escultura não produziu enormes rupturas e transformações em relação ao período anterior. Podemos afirmar que há um conjunto de características para as esculturas renascentistas, mas não ocorreram numerosas novas regras e técnicas. As maiores novidades nessa expressão artística decorrem mais da liberdade propiciada pelo ideal do movimento, ou seja, referem-se mais ao gosto do artista, àquilo que ele mais deseja criar. Para identificar uma escultura renascentista, é preciso estar atento às inspirações que ela declara para si, os aspectos de fundo, não apenas o elemento central. Como muitas vezes as obras eram encomendadas pelos mecenas, é no espaço secundário que surge a possibilidade de demonstração de um estilo pessoal do artista, conforme já ressaltado. Os aspectos de fundo mais comuns nas esculturas desse momento são: um naturalismo enfático, isto é, uma necessidade de busca pela verossimilhança, era preciso veracidade; um profundo interesse pela retratação do homem, sua anatomia, suas emoções e expressões faciais; presença de ostentação do conhecimento, ou seja, não era suficiente ter o conhecimento e domínio das técnicas, era relevante vangloriar isso; como desenvolvimento do aspecto anterior, havia um desejo pela monumentalidade, pelo grandioso e espetaculoso; por fim, era frequente a utilização de formas geométricas simples, utilizadas como elementos de composição da obra. A valorização do homem por meio do Humanismo se manifesta nas esculturas de modo a representar os corpos com maior comprometimento com a verdade possível. Por esse motivo, as esculturas são marcadas por linhas curvas e sinuosas. Pietà, por Michelangelo (1497). Os mais destacados escultores desse movimento são: Michelangelo Buonarroti (1475-1564), Donato di Niccoló di Betto Bardi, conhecido como Donatello (1386-1466) e Andrea di Francesco di Cione, conhecido como Andrea del Verrochio (1435-1488). Literatura O Renascimento literário surgiu no início do movimento, na primeira fase, conhecida como Trecento, em referência aos anos 1300. Logo no início, foi publicada uma obra muito característica desse período, A Divina Comédia, que conferia críticas à Igreja dominante no período medieval e mesmo assim apresentava características marcadamente associadas ao período. Isso é fundamental para compreender opensamento nesse momento de permanências e rupturas. O autor da obra citada é Dante Alighieri (1265-1321), um personagem singular desse momento. Foi um escritor, poeta e político da região de Florença, na atual Itália. Gravura de Gustave Doré para A Divina Comédia. Gravura de Gustave Doré para o romance Dom Quixote de Miguel de Cervantes. Um objetivo relevante da arte do período é o antagonismo ao período medieval. Nesse sentido, a literatura retomou o modo clássico de atuação em relação à aprendizagem e ao conhecimento, criando novas possibilidades de desenvolvimento de compreensão do mundo para além da produção que advinha da Igreja. Foi frequente o ato de escritores disseminarem suas ideias, valores e idiomas, conforme circulavam pela Europa. Assim, em uma única obra havia diversos tipos de conhecimentos para que o leitor se abrisse a novos diálogos. Além da inspiração na Antiguidade Clássica, a literatura possui características coerentes com o movimento que a integra: O antropocentrismo Percebe o mundo a partir do homem no centro do universo. O racionalismo Valoriza a razão como forma de obtenção de conhecimento. O hedonismo Indica que o prazer como finalidade da vida humana e, na literatura, a natureza aparece muitas vezes como fonte de prazer. Na prática, a inspiração na Antiguidade Clássica aparecia nos temas da escrita e nas formas literárias adotadas. As histórias eram contadas em um mundo, a partir da perspectiva do homem no centro. E a busca de prazeres e uma vivência racional e crítica aparecem em diversas obras das mais variadas maneiras. A literatura renascentista é relevante na trajetória de desenvolvimento de conhecimentos por um motivo que não se relaciona diretamente com características literárias. Acontece que nesse momento, os sujeitos começam a escrever em suas línguas vernáculas (nativas) e não mais em latim, francês ou provençal. Isso é relevante por alguns motivos: porque registra o dialeto ou a língua; faz com que o texto alcance as pessoas daquela região ou que compreendem aquela comunicação e, em muitos casos, desenvolve-se como língua oficial da região. Por exemplo, na atual Itália, disseminou-se a utilização do dialeto toscano, o mais próximo de uma matriz do italiano contemporâneo. No fim do século XV, com a impressão das obras, essa língua, as ideias do movimento, os personagens e as célebres histórias foram difundidas por todo o mundo. Os nomes mais notáveis da literatura renascentista são: Dante Alighieri (1265-1321), Francesco Petrarca (1304-1374) e Nicolau Maquiavel (1469-1527). Porém, há nomes relevantes em diversos espaços da Europa que escreveram, foram pioneiros e influentes em suas línguas, tais como: Baltasar Castiglione (1478-1529), que escreveu poesia lírica em linguagem vulgar e poesia latina, autor de O cortesão; William Shakespeare (1564-1616), que escreveu Romeu e Julieta e se consagrou o escritor de língua inglesa mais reconhecido; Luís de Camões (1524-1580), autor de Os lusíadas, um dos maiores representantes da língua portuguesa; e outros inúmeros autores, que escreveram em suas línguas vernáculas suas histórias no contexto do Renascimento. Bases do pensamento renascentista Filosofia, Política e Teologia A Filosofia, a Política e a Teologia no momento do Renascimento são de relacionamento muito próximo, as ideias são intrínsecas e se influenciam mutuamente a todo momento. Todas essas vertentes culturais seguem as bases do movimento de maior aproximação com a Antiguidade Clássica como uma direta oposição ao período medieval. A negação do momento anterior era tanta que os filósofos do Renascimento se opuseram ao teocentrismo medieval de modo a colocar o ser humano como eixo central (o antropocentrismo). Para além desse ideal do movimento, a sociedade passava por outras transformações que colocam em dúvida o pensamento filosófico vigente: Reforma Protestante A Reforma Protestante estabelece uma fragmentação do poder religioso. Expansões marítimas As expansões marítimas apresentam a necessidade de enfrentar novos desafios. A Burguesia A burguesia, como nova camada social, demanda adequações na hierarquia vigente e suas justificativas. A prensa O surgimento da prensa (imprensa). A Filosofia do Renascimento foi um movimento relevante para o desenvolvimento de inúmeras áreas do conhecimento. Muitas crenças, tidas como verdades, e até como conhecimento, foram refutadas pela reflexão propiciada pela Filosofia em questão que se relaciona diretamente com a Ciência e as investigações empíricas. Monumento a Giordano Bruno em Campo de' Fiori, em Roma. Retrato de Nicolau Maquiavel, por Santi di Tito. Nesse momento, Deus deixava de ser o ponto central do pensamento filosófico e abordagens e reflexões começavam a surgir. Os limites impostos pelos dogmas da Igreja também deixavam de existir, afinal, uma vez que não acreditavam mais unicamente naqueles limites, eles ficam invalidados. A partir disso, houve uma efervescência e vários pensadores começaram a adotar posturas diversas de pensamento, criando um movimento heterogêneo, diverso e fecundo. Por exemplo, Giordano Bruno (1548-1600) defendia um panteísmo baseado na infinidade do universo e Nicolau de Cusa (1401-1464) questionou a possibilidade de conhecer a natureza de Deus. Os filósofos renascentistas são críticos em relação às doutrinas intelectuais medievais. A obra mais relevante da Filosofia renascentista é de Nicolau Maquiavel intitulada O Príncipe. Nela, ele buscou apresentar a vida política como realmente era e não por meio do seu ideal. Essa obra é tão relevante que, em diversos espaços, ele é considerado o fundador da ciência política moderna e é lida até os dias atuais. A inovação do texto de Maquiavel consiste em ser pragmático sobre os ideais filosóficos e políticos. O filósofo apresentava que um líder, dotado de poder, precisava entender a moralidade pública e privada como diferentes para governar satisfatoriamente. Assim, a atenção do governante não deveria recair apenas na reputação, mas ele precisaria agir imoralmente nos momentos certos, estratégicos. A relação entre Filosofia, Teologia e Política é interligada. Nesse momento, com os questionamentos e ideais renascentistas, o predomínio da religião deixou de ser absoluto e possibilitou o desenvolvimento das demais áreas. Atenção Esses fatos são relevantes e servem de base e também de fundo para a separação que ocorreria momentos depois entre o Estado e a Igreja, bem como para o movimento Iluminista, que surgiria anos mais tarde. Os ideais renascentistas inauguraram o pensamento moderno, no qual a razão se torna independente da fé e estrutura a Ciência. Ciência Em um diálogo direto com a Filosofia, a Teologia e a Política, há a ciência e seus desenvolvimentos durante o Renascimento. Esse período foi marcado por inúmeras descobertas científicas, sobretudo nos campos da Astronomia, Física, Medicina, Matemática e Geografia. Galileu e o Doge de Veneza, por Giuseppe Bertini (1858). O Astrônomo Copérnico em conversação com Deus, por Jan Matejko (1872). Foi Nicolau Copérnico, astrônomo e matemático, o responsável pelo heliocentrismo, teoria que demonstra o Sol como o centro do sistema solar e a Terra como mais um planeta que girava ao seu redor. Com essa única atitude, ele negou a teoria geocêntrica, que indica a Terra no centro do sistema solar, defendida pela Igreja e também por Aristóteles. Já Galileu Galilei é considerado o pai da Ciência moderna, com contribuições na Matemática, Física e Astronomia. Ele criou um telescópio e ao apontar para o céu, nas suas investigações, descobriu os anéis de Saturno, as manchas solares, os satélites de Júpiter, o relevo da Lua e a composição estelar da Via Láctea. Entre outras invenções, temos o relógio de pêndulo, o binóculo, o telescópio astronômico, a balança hidrostática e o compasso geométrico. Ele tentou medir a velocidade da luz, sem sucesso, por não ter equipamentos capazes da medição. Demonstrou que a velocidade da queda independe do pesodos corpos e fez contribuições também sobre a inércia. Por todas essas descobertas e proposições, Galileu foi perseguido e ameaçado pela Igreja e obrigado a negar publicamente suas ideias e descobertas. Johannes Kepler foi um astrônomo, astrólogo e matemático que criou as chamadas Leis de Kepler, que descrevem os movimentos elípticos dos planetas do sistema solar, a partir de modelos heliocêntricos. Primeira lei A primeira lei afirma que os planetas descrevem órbitas elípticas (ou seja, em relação ao cônico ou cilíndrico) em torno do Sol. Segunda lei A segunda lei indica que os segmentos que unem o Sol aos planetas possuem áreas e intervalos de tempo idênticos. Terceira lei A terceira lei aponta relação entre a distância de cada planeta e seu intervalo de translação. Kepler também foi um astrólogo notável e escreveu diversos almanaques astronômicos. Na Medicina, as descobertas e os desenvolvimentos de conhecimentos avançaram com trabalhos e experiências sobre, principalmente, circulação sanguínea, métodos de cauterização e princípios gerais de anatomia. Atenção Vale ressaltar que todos os avanços na Ciência não foram bem recebidos pela Igreja e muitos indivíduos que se envolveram nessas descobertas e produções tiveram problemas de curto ou longo prazo com a instituição. E isso significava ter implicações na sua vida cotidiana e outros ajustes. Renascimento como movimento Vamos continuar assistindo mini.doc sobre Renascimento, agora é o momento de pensarmos sobre a arte e seu papel nesse momento. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. O que seria Renascimento? Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Expansão marítima Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O papel da arte renascentista Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A Terra como centro do Universo Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O Renascimento é um movimento artístico e cultural que surge e se manifesta, na Itália, no século XIV, e configura um ressurgimento da estética do mundo clássico greco-romano. A partir dessa afirmação, assinale a alternativa correta. A As pinturas renascentistas eram desarmoniosas. B A pintura não possui relação com o desenvolvimento cultural da nação. C A escultura não se altera em relação aos períodos anteriores. D A pintura renascentista respeita regras de proporção e perspectiva. E As temáticas de pintura são relacionadas ao divino. A alternativa D está correta. As pinturas do Renascimento surgem com uma valorização da perspectiva e da proporção, são características relevantes dessas pinturas, junto com luz e sombra e realismo, por exemplo. São duas técnicas que se relacionam com o desenvolvimento do conhecimento matemático e de geometria. As artes utilizam esse conhecimento para criar uma imagem mais realista para o espectador. Questão 2 O Renascimento foi um movimento artístico, literário e científico que surgiu na Península Itálica e expandiu-se por quase toda a Europa em pouco tempo, provocando transformações intensas nas sociedades. A partir dessa afirmação é correto afirmar que A o antropocentrismo destaca o homem como elemento central e surge questionando o teocentrismo, que considera Deus a unidade central. B houve o resgate, pelos intelectuais renascentistas, dos ideais medievais ligados aos dogmas da Igreja. C o movimento buscava o ápice da cultura medieval, valorizando-a e reforçando-a. D a natureza foi completamente desprezada nesse período, pois era associada à ação divina. E os intelectuais renascentistas negaram o método experimental e a reflexão racional, valorizando os dogmas da Igreja. A alternativa A está correta. Uma das principais características do movimento renascentista é o antropocentrismo, filosofia que ressalta o homem como dotado de inteligência para lidar com o mundo para além das justificativas sem base racional da Igreja. Surge como um contraponto ao teocentrismo, que situa Deus no centro de toda explicação de mundo. Maomé II adentrando Constantinopla, por Fausto Zonaro. 3. Conceitos de Modernidade O conceito de Modernidade Modernidade Modernidade é uma palavra que possui interpretações variadas. De modo geral, é associada à ideia de novo, atual, diferente, recém-chegado e com algum apelo inovador. Está inevitavelmente relacionada a aquilo que é recente, é a expressão do moderno. O termo é amplamente utilizado nas ciências humanas e pode referir-se a diferentes aspectos em distintas áreas: tempo histórico, que tem início com o fim da Idade Média, na História; uma transformação na sociedade, também entendida como a racionalização social, na Sociologia; ou uma vanguarda artística, e nesse caso com uma pequena variação, que seria o termo modernismo, nas artes. Modernidade na História A utilização mais comum do termo Modernidade é para referir-se ao tempo histórico posterior à Idade Média, mas sua cronologia não é consenso entre os estudiosos. Alguns estudiosos entendem o Renascimento, o Humanismo, a Reforma Protestante e as Grandes Navegações, logo o século XVI, como o surgimento da Modernidade. Outros consideram que ela só começou no século XVIII, com o Iluminismo e a Revolução Francesa. O mesmo acontece com o final, alguns apontam que ela se encerra no século XVIII, outros destacam que ainda vivemos na Modernidade; no séxulo XX, apontaram que já vivíamos a pós-Modernidade, isto é, uma época depois. E isso é debate em curso, com muitas reflexões envolvidadas, em diversas áreas. De modo geral, considera-se a Idade Moderna a partir de final do século XV até a época das revoluções, no século XVIII. Os marcos sociais dessa era são a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453, como início; e a Revolução Francesa em 1789, como final. Nesse momento, consideramos essa cronologia para estudarmos. E aproveitamos para apresentar que a Modernidade é tema de grandes discussões e controvérsias, mas há consensos sobre as suas características. Comparando o Medievo e a Modernidade Comparações A apresentação do período será feita de modo comparativo, assim, as mudanças em relação ao período anterior ficam intensas e é possível perceber com maior nitidez o porquê da ideia de que tudo era muito inovador. Ilustração do século XIII representando o clero, a nobreza e os plebeus. Galileu enfrenta a Inquisição Romana, por Cristiano Banti (1857). A orientação e explicação de mundo no período medieval era religiosa, a produção de conhecimento acontecia nas igrejas, com o clero, e nos mosteiros, inclusive, a instituição era responsável por guardar e copiar os livros. A explicação do mundo e da vida aconteciam nos momentos das pregações. Na Modernidade, a Ciência interpreta o mundo. Há a valorização da razão e não concebem outro modo de perceber o planeta. Na organização econômica medieval, predominava o feudalismo na maior parte do tempo, sua mão de obra era majoritariamene servil e o comércio e a circulação de moedas eram secundárias. Na Modernidade, o capitalismo é a esrutura da economia. Ele se baseia na propriedade privada dos meios de produção, na grande circulação de moeda por meio do comércio e no trabalho assalariado. A organização social medieval era rígida e hierarquizada. A sociedade era estamental e isso significa que a posição social de cada um era determinada no nascimento e a mudança era praticamente inexistente. Na Modernidade, a sociedade passa a ser organizada em classes, de modo que o lugar social que cada pessoa ocupa é determinado pela quantidade de bens que a pessoa possui. Nesse momento, a mobilidade social é maior, é possível ascender socialmente e adquirir bens. Na política durante a Idade Média, o centro de poder mais proeminente era o da Igreja católica, o poder civil era descentralizado.O que acontecia era um endosso da Igreja ao poder político, mesmo dispersado, assim o poder político era exercido sob tutela do poder religioso. Na Modernidade, existem Estados centralizados e fortes que se constituíram como monarquias. Após apresentarmos as características mais relevantes do período em modo comparativo com o período medieval, chamamos a atenção para a necessidade de tratar esses fatos com rigor científico e afastar o julgamento de valor. É comum a explicação da Modernidade a partir de juízos de valor, inclusive e principalmente, pelos próprios homens modernos que entenderam a História como um processo evolutivo de direção única e esabeleceram o moderno como superior ao não moderno. Exemplo Algumas das características da Modernidade, como a Ciência, o capitalismo, a sociedade de classe, o Estado centralizado, rapidamente foram ícones do que é mais arrojado, promissor e avançado no mundo. O domínio do tempo Eurocentrismo Pizarro capturando o rei Inca, por John Everett (1846). Essa noção de que o moderno é superior nos leva a outro grande problema que possui consequências sérias para toda a História da humanidade: o eurocentrismo. Quando pensamos em Modernidade e também quando a estudamos, vemos o que aconteceu na Europa, e principalmente, na Europa Ocidental. As características já apresentadas aconteceram de acordo com a trajetória que as sociedades europeias desenvolveram. Em outras partes do mundo, as sociedades se desenvolveram de outras maneiras, em outras direções, e alcançaram outras formas de viver e manter suas necessidades básicas. Destacamos que o eurocentrismo atinge seu ápice em momentos posteriores à cronologia que adotamos para esse estudo, por meio da ação do imperialismo na África nos séculos XIX e XX, e é possível dizer que ainda vivemos à sua sombra. Entretanto, por meio dos processos expansivos, propiciados pelas Grandes Navegações, por exemplo, os europeus saíram da sua região e alcançaram territórios que não sabiam que existiam, consideraram esses fatos como descobertas e julgaram os povos que encontraram como inferiores, atrasados, incultos, incivilizados, de modo que todas as suas formas de organização política, econômica, cultural e social foram rebaixadas. A partir dessa compreensão, logo nos primeiros contatos, impuseram seu ponto de vista e seus modos de fazer todas as coisas. O resultado é que esses povos, como, por exemplo, os da América, inclusive o Brasil, adotaram o modelo europeu, mas alcançaram desenvolvimentos diferentes em tempos diversos. Dessa situação surgem dois novos problemas: como o ponto de vista europeu foi imposto e como os desenvolvimentos acontecem. Índios derramam ouro derretido na boca dos espanhóis, por Theodor de Bry. Carnaval na Rua Prancha, pory Jean-Baptiste Debret (1834). O primeiro ponto é apresentado diretamente: com violência, brutalidade e desrespeito em diversos níveis e em muitos aspectos. Com a certeza da sua superioridade, os europeus chegaram aos espaços exercendo a dominação. Não houve diálogo, uma tentativa de troca cultural minimamente equilibrada. Na prática, a percepção das diferenças pelos europeus é percebida como oportunidade de avanço de seus domínios, e pelos nativos das regiões, na maioria das vezes, como curiosidade. Assim, os expansionistas começam a impor sua cultura, sua língua, sua religão, sua razão e a devastar as estruturas dos povos originários. Em toda e qualquer situação de resistência ocorrida durante o processo, os europeus demonstravam truculência e violência física. Mas ressaltamos que também nos referimos à violência emocional da comunidade e seus personagens, por terem sua comunicação modificada, pela imposição de uma nova língua; suas muheres estupradas pelos desejos dos europeus; suas crenças impedidas de serem praticadas; sua alimentação modificada pela imposição de novos hábitos; entre outras situações. É fundamental considerar que foi um processo heterogêneo e violento com aqueles que diferiam do modelo ideal almejado pelo projeto da Modernidade. O segundo aspecto refere-se a como os desenvolvimentos aconteceram. É ilusório acreditar que os europeus chegaram na América, por exemplo, e ao impor sua cultura, a trajetória naquela região seguiria os mesmos caminhos que a região que determinou. Na prática, a cultura original não é esquecida, isso significa que, em muitos aspectos, ambas culturas irão coexistir. O resultado é uma Modernidade marcada pela convivência de características de diferentes épocas e estágios de desenvolvimento. Como exemplo, há lugares, como o Brasil, onde o capitalismo convive com formas econômicas comuns no período medieval, ao mesmo tempo em que a Ciência e a razão convivem com justificativas religiosas ou místicas sobre os eventos. Ainda, é preciso entender que essa noção de progresso não é, na prática, possível para todos, ainda mais acontecendo dessa forma, imposto, como aconteceu no processo de colonização europeu. Todos esses acontecimentos formaram o que Giddens (1991) considera três maiores características da Modernidade: Uma percepção do mundo como disponível à transformação humana. Um complexo de instituições econômicas pautadas na divisão do trabalho, na produção industrial e na economia de mercado. Uma organização de instituições políticas, principalmente o Estado moderno centralizado. Essas transformações culturais e sociais, drásticas e intensas, fizeram da Modernidade uma era guiada e caracterizada pela ideia de progresso. • • • Modernidade filosófica Pensando sobre a modernidade Capa da 1ª edição da obra Leviatã, de Thomas Hobbes. Para tratar da Modernidade na Filosofia, há duas maneiras: analisar como foi a Filosofia no período moderno e estudar os filósofos que trabalham o tema. Vamos trazer brevemente as duas perspectivas, a fim de tornar o estudo mais rico. A respeito da primeira abordagem, apontamos que a Filosofia moderna tem início no final do século XV, exatamente quando começa a Idade Moderna e se encerra no século XVIII, também acompanhando a era. A principal característica é a transição do pensamento baseado na convicção da fé e nas relações entre o homem e Deus, comum na Idade Média, para o pensamento fundamentado na razão, que direciona a humanidade para os questionamentos, que era comum na Idade Moderna. A partir da valorização dos estudos, indagações e reflexões, surgem as principais correntes filosóficas modernas: racionalismo e empirismo. A primeira ocorre a partir da razão para produção de conhecimeno humano e a segunda fundamenta-se na experiência para o mesmo fim. É preciso considerar que esse era um momento fecundo para a Filosofia, pois as transformações que aconteceram desde os momentos finais da Idade Média ocasionaram muitas inquietações e angústias nos sujeitos, o que os levou à reflexão. Assim, diversas mudanças aconteceram no campo do pensamento: O surgimento de uma nova camada social, a burguesia. A formação dos Estados nacionais. O absolutismo. O mercantilismo. A transição do feudalismo para o capitalismo. A Reforma Protestante. As Grades Navegações e as descobertas do novo mundo. A imprensa. O Renascimento e todas as suas mudanças. As principais características da Filosofia Moderna se desenvolvem a partir dos conceitos: Antropocentrismo, que considera o homem como agente transformador, dotado de inteligência e que, portanto, estava no centro do mundo. • • • • • • • • • Antropocentrismo Considera o homem como agente transformador, dotado de inteligência e que, portanto, estava no centro do mundo. Humanismo Significa, principalmente, valorizar o ser e a condição humana; cientificismo, que prioriza a ciência e os seus métodos. Valorização da natureza Não apenas contemplá-la, mas percebê-la e formular questões pautadas na razão sobre os elementos naturais. Racionalismo Valorização da razão nas atitudes e reflexões. Empirismo Debruçar-se sobre os dados da experiência para construir novas teorias. Renascimento A emergência de umvasto movimento cultural e artístico, que recupera as ideias e os valores da Antiguidade Clássica. Iluminismo Um movimento cultural que eleva a razão e a ciência em detrimento de noções religiosas e das superstições. Filosofia laica Completamente separada daquela praticada pela religiosidade. Os principais filósofos desse período são: Nicolau Maquiavel (1469-1527) Filósofo e político durante o Renascimento. Sua maior contribuição foi introduzir ética e valores morais na política, depois de elaborar a obra O Príncipe, em que a política não possuía qualquer ética. Francis Bacon (1561-1626) Filósofo e político, sua maior contribuição foi a elaboração de um método científico baseado nas observações dos fenômenos naturais. Galileu Galilei (1564-1642) Astrônomo, físico e matemático, colaborou com descobertas científicas e propiciou reflexões filosóficas relevantes, além de contribuir para a aceitação da teoria heliocêntrica. René Descartes (1596-1650) Filósofo e matemático francês, sua maior contribuição foi a criação do pensamento cartesiano que originou a Filosofia Moderna. Além disso, é o autor da frase “Penso, logo existo”, que traz a racionalidade fundamental para a condição humana. Thomas Hobbes (1588-1679) Filósofo e teórico político inglês, sua maior contribuição é a obra Leviatã, de 1651, na qual aborda a teoria do contrato social, que prevê a exisência de um soberano. Immanuel Kant (1724-1804) Filósofo alemão que criou uma espécie de ética em que os princípios advêm de um conhecimento fundamentado na sensibilidade e no entendimento. Com relação à segunda possibilidade de abordagem da Filosofia e da Modernidade, trazemos alguns filósofos que trabalharam com o tema. Sobre o conhecimento na Modernidade, Henri Lefebvre (1901-1991), filósofo e sociólogo francês, aponta que há uma diferença entre o conceito e o modernismo, de modo que este último carrega certa arrogância e considera inferior o ato de não saber algo e questionar. O moderno está justamente no fato de buscar sanar essa falta. A Modernidade exige reflexões, pois é um conceito que deve ser pensado de maneira recorrente com o passar do tempo. Dessa maneira, para o autor, a Modernidade é a própria dúvida, questionar-se é uma das tarefas mais urgentes da sociedade. Para Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), os dois fundadores do materialismo- histórico, a Modernidade e o capitalismo coincidem e, ao mesmo tempo, contrapõem-se às sociedades do passado, militares e teológicas. Para os autores, o conceito implica, em primeiro lugar, uma mudança na temporalidade, uma descontinuidade, pois inaugura uma nova mentalidade, um tempo caracterizado pelo desenvolvimento da sociedade burguesa. O que os autores apresentam é que há um movimento fundante importante para o desenvolvimento da sociedade capitalista moderna: um movimento que se expressa e se justifica racionalmente por meio da ideia da divisão. De modo que enquanto a sociedade se mantiver nas relações de divisão de trabalho, imposta por um discurso baseado na “sociedade natural”, isto é, que separa interesses privados de interesses coletivos, os conflitos sociais seguirão existindo. Dentro da sociedade natural, a divisão de trabalho contrapõe os interesses coletivos e os privados. Ainda assim, os interesses coletivos passam a ser interesses de grupos, e não mais dos indivíduos nem da coletividade geral. Esse interesse segregado aparece como a representação moderna do Estado. Os autores explicam que o Estado é uma representação coletiva ilusória. Resumindo Os filósofos que estudam a Modernidade, entre os quais selecionamos três para apresentar, apontam que para analisar a Modernidade é preciso uma discussão de fundamento com três conceitos: liberdade, homem e desenvolvimento. A ideia de liberdade surge como um sinônimo de vontade ou desejo, para somente depois se configurar em uma certeza de ação em relação à independência e autonomia. A noção de homem, proposta por Marx e influente para os demais filósofos que pensam a moderndade, consiste na ideia de um sujeito que está convencido das relações materiais de produção. De acordo com o autor, houve um empenho dos economistas para manipular uma imagem de homem distante da realidade: o homem egoísta e isolado. E assim, relaciona-se com o último conceito primordial, o desenvolvimento, que estaria direcionado a construir alienações. Isso indica, de forma muito objetiva, que para ocorrer desenvolvimento, muitos padecerão. Assim, desenvolver envolve, obrigatoriamente, aprofundar as desigualdades. Reflexões necessárias Depois de tantas perspectivas sobre o tema, não restam dúvidas de que Modernidade, um termo amplamente utilizado nas sociedades atuais, precisa de atenção e cuidado quando utilizado como conceito. As transformações aconteceram de modo muio intenso e as sociedades se transformaram profundamente. São muitas as reflexões sobre a Modernidade e as diferentes áreas das ciências humanas trabalham com diferentes pontos de vista, critérios, cronologias, e outras variações. É inegável que a Modernidade envolveu inúmeros progressos em diferentes áreas, o que ressaltamos é a necessidade de perceber os impactos que causaram. A Modernidade significou em todas as áreas e perspectivas muitas mudanças na economia, sociedade, política e cultura. Destacamos que o assunto é amplamente pesquisado atualmente e essa não é uma questão encerrada, exatamene o oposto, seguem surgindo novas produções sobre o tema que, certamente, enriquecerão a discussão. Modernidade como invenção Por fim vamos ver a parte final deste mini-doc pensando sobre a Invenção da Modernidade. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Debate sobre os tempos modernos Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Transição ou ponto de vista Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Modernidade filosófica Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A Modernidade marca, então, a era de nossa História em que a razão, o progresso e a individualidade são tomados como os princípios centrais de organização da sociedade. A partir dessa afirmativa, assinale a alternativa correta. A O colonialismo europeu pode ser entendido como um desenvolvimento negativo da explosão da técnica e da ciência e com execução dominadora e violenta. B A Modernidade envolve uma sociedade hierarquizada e rígida, sem mobilidade social. C O processo de modernização aconteceu igual em todos os espaços do mundo. D O progresso divulgado pela modernização chega para todos os sujeitos e todas as sociedades. E O eurocentrismo foi positivo para a trajetória da humanidade. A alternativa A está correta. As pinturas do Renascimento surgem com uma valorização da perspectiva e da proporção, são características relevantes dessas pinturas, junto com luz e sombra e realismo, por exemplo. São duas técnicas que se relacionam com o desenvolvimento do conhecimento matemático e de geometria. As artes utilizam desse conhecimento para criar uma imagem mais realista para o espectador. A modernidade filosófica oscila entre a paixão por si é pelos seus valores e os aspectos terríveis de seus resultados. Nesse sentido, métricas como desenvolvimento técnico científico e aprofundamentos de debates filosóficos foram construídos, também, como legitimados de superioridade e imposição de parâmetros culturais. Logo, as afirmativas que flertam com o entendimento de naturalizar e somente positiva a relação com a modernidade europeia estão incorretas. Questão 2 O conceito de Modernidade é trabalhado por diferentes áreas das ciências humanas. A partir dessa afirmação e das variadas perspectivas que o termo oferece, avalie as seguintes afirmações: I – Os sociólogos não estão preocupados com a cronologia do conceito. II