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As mudanças climáticas e a questão energética

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mesma época, por exemplo, apenas 4,6 GJ/1.000 US$ no Japão, 8,4 na UE-25 e 9,2 nos EUA, 
mas tão alto quanto 13,4 na América Latina, 36 na África e 39,4 GJ/1.000 US$ na China. No Brasil, em 2004, o 
indicador foi igual a 13 GJ/1.000 US$ (2). 
6 Segundo a Agência Internacional de Energia (4), entre 1973 e 2003 houve significativo crescimento da 
participação do gás natural (16,2% para 21,2%) e da energia nuclear (0,9 para 6,5%) na matriz energética 
mundial e concomitante redução da participação do petróleo (45% para 34,4%). A participação do carvão 
mineral manteve-se praticamente inalterada (24,8% em 1973 e 24,4% em 2003). 
 
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Tabela 1. Fatores de emissão de carbono para algumas fontes fósseis e alguns combustíveis. 
Fontes fósseis Combustíveis Fatores (tC/TJ) 
Carvão mineral (linhito) 27,6 
Carvão mineral (antracito) 26,8 
Petróleo cru 20,0 
Gás natural (seco) 15,3 
Biomassa¹ 29,9 
 Gasolina 18,9 
 Óleo diesel 20,2 
 GLP 17,2 
Fonte: (3) 
Nota: ¹ caso a biomassa seja renovável, as emissões líquidas poderão ser nulas. 
 
Energia e Qualidade de Vida 
O suprimento mundial de energia em 2003 foi estimado em aproximadamente 440 EJ 
(4). Cerca de metade do consumo mundial de energia deve ser atribuído a apenas 1 bilhão de 
pessoas, que vivem nos países da OCDE7. Por outro lado, um bilhão de pessoas mais pobre 
consome tão somente cerca de 4% da energia consumida no mundo. Por exemplo, estima-se 
que 2,4 bilhões de pessoas apenas consomem biomassa tradicional8, utilizada na cocção e 
aquecimento. Por outro lado, estima-se que 1,6 bilhão de pessoas não tem acesso à 
eletricidade e que cerca de 2 bilhões de pessoas tenham acesso a serviços elétricos de péssima 
qualidade. Assim, em função do crescimento populacional e da desejada melhoria da 
qualidade de vida em países em desenvolvimento9, a demanda de energia primária poderia 
dobrar até 2050, com evidentes impactos sobre as emissões de GEE. 
Energia é um importante indutor do desenvolvimento econômico e social. Embora o 
simples consumo de energia (por exemplo, eletricidade, derivados de petróleo) não implique 
em melhora das condições de vida das populações, há clara correlação entre o consumo de 
 
7 Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico; fundamentalmente, os países-membro da OCDE 
são os países desenvolvidos. 
8 Lenha e resíduos vegetais e animais, em sistemas de muito baixa eficiência. No caso da lenha, a produção está 
muitas vezes associada ao desmatamento. Por outro lado, o uso residencial de biomassa sólida em ambientes 
fechados (por exemplo, no caso da cocção) acarreta sérios problemas à saúde de mulheres e crianças, como 
problemas respiratórios e até cegueira (5). 
9 Por exemplo, estima-se que até 2030 dois terços a três quartos do crescimento do consumo de energia ocorrerá 
em países em desenvolvimento (1). 
 
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energia e os indicadores de qualidade de vida como, por exemplo, o Índice de 
Desenvolvimento Humano – IDH. Tendo por base informações apresentadas no Relatório de 
Desenvolvimento Humano de 2004 (6), apresenta-se na Figura 1 a associação entre o IDH (de 
2002) de 177 países e o respectivo consumo de eletricidade per capita (em 2001). 
Na figura, os cinco países de alto IDH (> 0,9) que também apresentam consumo de 
eletricidade per capita muito alto e que de alguma forma fogem do padrão observado na figura 
são, da direita para esquerda: Noruega, Islândia, Canadá, Suécia e Finlândia. Em comum, 
além das condições climáticas (por exemplo, invernos rigorosos), esses países têm indústrias 
energo-intensivas e, particularmente, eletro-intensivas, em função da significativa capacidade 
de geração hidroelétrica. 
 
No caso dos países com IDH entre 0,8 e 0,9, os quatro países com alto consumo per 
capita de eletricidade na figura são, da direita para a esquerda: Catar, Kuwait, Emirados 
Árabes Unidos e Barein. Além de grandes produtores de petróleo, esses países têm baixa 
população, parque industrial energo-intensivo (por exemplo, refinarias e petroquímicas) e 
clima desértico. 
 
Fonte: (6) 
Figura 1. IDH (2002) em função do consumo de eletricidade per capita (2001) para 177 
países. 
 
 
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Já a Figura 2 apresenta a relação entre o IDH e o consumo específico de eletricidade 
em base monetária, expresso em kWh consumidos por 1.000 US$ de PIB produzidos (em 
US$ de 2000) - ambos indicadores correspondem a valores de 2002. A clara correlação 
observada na Figura 1 não é verificada na Figura 2. É evidente que países com alto IDH (> 
0,8) têm, em geral, consumo específico relativamente baixo, o que indica maior eficiência no 
uso da energia – no caso em questão, energia elétrica – e estrutura econômica menos 
dependente de segmentos industriais energo-intensivos. O consumo específico dos países de 
alto IDH é inferior ao de vários países com médio IDH (0,6 > IDH > 0,8), e inclusive inferior 
ao de alguns países com baixo IDH (< 0,6). 
Na figura, o consumo específico muito alto de alguns países chama a atenção. Na 
Figura 2 são identificados os seguintes países: 1. Tadjiquistão, 2. Quirguistão, 3. Uzbequistão, 
4. Ucrânia, 5. Moldávia e 6. Zâmbia. Os cinco primeiros países faziam parte da antiga União 
Soviética e tinham – ou ainda têm – parque industrial energo-intensivo, com baixa eficiência 
de uso da energia. O consumo específico de Zâmbia em 2002 foi maior do que o de qualquer 
país com alto IDH, embora seu indicador de qualidade de vida seja muito baixo. 
 
Fonte: (6) 
Figura 2. IDH (2002) em função do consumo específico de eletricidade, expresso em kWh por 
1.000 US$ de PIB (de 2002, expresso em US$ de 2000). 
 
 
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Dos dados apresentados pode-se concluir que energia é fundamental para a melhoria 
da qualidade de vida, mas do ponto de vista econômico, altos consumos específicos não estão 
associados a alto IDH. Os países do norte da Europa, por exemplo, todos eles com alto IDH e 
alto consumo de eletricidade per capita têm, também, baixo consumo específico em base 
monetária. Portanto, é evidente que em vários países seria possível aumentar a atividade 
econômica, e muito possivelmente melhorar a qualidade de vida de suas populações, 
mantendo-se o nível de consumo total de energia. 
 
Alternativas para Redução das Emissões de GEE 
A pedido dos governantes das principais potências econômicas mundiais (o chamado 
G8), um estudo foi feito pela Agência Internacional de Energia (4) com o objetivo de 
identificar, para diferentes cenários, quais as ações prioritárias para a redução das emissões de 
GEE associadas ao consumo de energia. A premissa básica do estudo é que as necessidades 
futuras das pessoas, no que diz respeito aos serviços energéticos básicos10, devem ser 
atendidas. As condições adicionais são que os custos das ações de mitigação devem ser 
razoáveis para toda a sociedade, além de que outros impactos ambientais devem ser 
igualmente minimizados. 
As tecnologias foram escolhidas em função dos custos de mitigação associados, ou 
seja, as tecnologias de menor custo foram sempre consideradas prioritárias. Segundo a AIE 
(4), nenhuma das tecnologias consideradas

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