A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
19 pág.
As mudanças climáticas e a questão energética

Pré-visualização | Página 6 de 6

também deve ser mal 
recebida por muitos. Nesse caso, a restrição fundamental é o alto custo, mesmo no futuro, e o 
baixo potencial em vários países. Entretanto, a contribuição potencial das fontes renováveis 
de energia é significativa, além do que o atual estágio tecnológico associado permite a 
proposição de ações concretas imediatamente. 
Do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico, a alternativa mais distante é a 
geração elétrica nuclear, considerada a necessidade de consolidação de uma nova geração de 
reatores nucleares e de sistemas de controle e de segurança. Por outro lado, embora haja certo 
otimismo a respeito das tecnologias de captura e de armazenamento de carbono, nenhuma das 
alternativas aventadas está próxima de um estágio comercial. O desconhecimento das 
implicações a longo prazo é outra restrição importante. 
 
As Mudanças Climáticas e a Questão Energética  
 
 
Revista Multiciência | Campinas | Edição no. 8 | Mudanças Climáticas | Maio 2007  ­ 46 ­ 
 
Em que pese o descrédito relativo ao futuro da geração elétrica nuclear e da captura e 
armazenamento de carbono, cabe refletir que sem essas duas alternativas será muito mais caro 
atingir a meta de estabilização das emissões de GEE. 
Ainda do ponto de vista tecnológico, mais próxima de ser realidade parece estar a 
opção de aumento da eficiência do uso final da energia. Nenhuma das tecnologias que são 
especificamente mencionadas nos vários estudos prospectivos é grande novidade, o que indica 
certa proximidade dessas do estágio comercial necessário. Entretanto, resultados positivos no 
aumento da eficiência do uso de energia dependem muito mais de mudanças comportamentais 
do que de desenvolvimentos tecnológicos específicos, e esse deve ser o real desafio. 
No caso do Brasil, que já tem mais de 40% de participação de fontes renováveis em 
sua matriz energética, sua efetiva contribuição para a redução das emissões de GEE está na 
redução – e no futuro, na total eliminação – do desmatamento. Por outro lado, o país tem 
grande potencial para, ao menos, manter a participação das fontes renováveis em sua matriz 
energética e tem condições, também, de produzir biocombustíveis (por exemplo, etanol, 
biomassa sólida – por exemplo, a partir de resíduos – e no futuro, eventualmente, biodiesel) 
para exportação. O Brasil não deve assumir papel de supridor internacional de biomassa, em 
larga escala, mas pode ter papel fundamental na consolidação dos mercados e do comércio 
internacional. A questão fundamental é, evidentemente, que a produção de biomassa precisa 
ser sustentável a longo prazo, consideradas as dimensões econômica, ambiental (em sentido 
amplo) e social. Esse é, claramente, o desafio a ser enfrentado e vencido. 
Por último, e ainda no caso do Brasil, é fundamental que a cultura do uso eficiente de 
energia seja disseminada no país. Esse é um processo lento, que só é concretizado quando há 
conscientização de toda a sociedade. Mesmo nos países que mais avançaram nesse sentido os 
resultados ainda são modestos e, sem dúvida, ainda há muito a ser feito no Brasil. Portanto, 
quanto antes começarmos, melhor. 
 
 
As Mudanças Climáticas e a Questão Energética  
 
 
Revista Multiciência | Campinas | Edição no. 8 | Mudanças Climáticas | Maio 2007  ­ 47 ­ 
 
Referências 
(1) IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change. Working Group III Contribution 
to the Intergovernmental Panel on Climate Change. Fourth Assessment Report – 
Climate Change 2007: Mitigation of Climate Change. Summary for Policymakers. 
Bangkok, 2007. 
(2) IEA – International Energy Agency. IEA Energy Statistics. Disponível em 
http://www.iea.org/Textbase/stats/index.asp. Acesso em Julho de 2007. 
(3) IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change. Revised 1996 IPCC Guidelines 
for National Greenhouse Gas Inventories: Workbook. Vol. 2 (Workbook) e 3 
(Reference Manual), IPCC-OCDE. 1996. 
(4) IEA – International Energy Agency. Energy Technology and Perspectives 2006 – 
Scenarios & Strategies to 2050. Paris; 2006. Available at http://www.iea.org. 
(5) WEA – World Energy Assessment. Energy and the Challenge of Sustainability. 
United Nations Development Programme. New York, 2000. 
(6) PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Relatório do 
Desenvolvimento Humano 2004 – Liberdade Cultural num Mundo Diversificado. 
Lisboa, 2004. 
(7) IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change. Special Report on Carbon 
Dioxide Capture and Storage. 2006. 
(8) Williams, RH. Cost-Competitive, Low GHG Emitting Synthetic Fuels via Coordinated 
Energy Production from Coal and Biomass with CO2 Capture and Storage (CCS). 
UOP, Chicago, USA, 2005. 
(9) IEA – International Energy Agency. Projected Costs of Generating Electricity - 2005 
Update. Paris, 2005. 
(10) Fulton, L. Recent biofuels assessments and two new scenarios. Paper presented at the 
IEA Seminar Assessing the Biofuels Option. Paris, 2004. 
 
Data de Recebimento: 08/01/2007  
Data de Aprovação: 05/03/2007

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.