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e técnicas. 
De acordo com a constituição e funcionamento do microscópio óptico, o 
material biológico, para ser observado, tem de ser sujeito a uma série de 
manipulações físicas e químicas. 
No microscópio óptico a luz é transmitida através do objecto, de modo 
que o material tem de ser atravessado pela luz, a fim de se produzir a imagem. 
Este aspecto impõe que, na observação de tecidos animais ou vegetais em que 
as células estão justapostas, seja necessário fazer finos cortes de modo a que 
se apresentem translúcidos. 
Com esse objectivo, utilizam-se normalmente as seguintes técnicas: 
1- Técnica do esfregaço; 
2- Técnica do esmagamento; 
3- Técnica de cortes finos. 
 
 
 
TÉCNICA DO ESFREGAÇO 
 
 
 
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Técnica utilizada com frequência em bacteriologia. Esta técnica permite a 
separação de células em meio líquido. Consiste em espalhar um fragmento de 
tecido ou uma colónia sobre uma lâmina de vidro, o que provoca a dissociação 
de alguns elementos celulares e a sua aderência ao vidro. 
 Desta maneira forma-se uma camada fina de células, facilitando a 
observação. 
 Método usado para: 
- Observação de sangue e outros líquidos orgânicos. 
(Coloca-se uma gota do líquido sobre uma lâmina e com 
outra lâmina ou lamela, espalha-se bem (esfregaço). 
- Após estar seco, o material, pode ser fixado e corado. 
 
TÉCNICA DO ESMAGAMENTO 
 
 
 
Técnica utilizada nos casos em que existe uma aderência fraca entre as 
células do tecido a observar. Para visualizar as células, basta colocar um 
pequeno fragmento do tecido entre a lâmina e a lamela e fazer uma pequena 
pressão com o polegar. Provoca-se, desta forma, um esmagamento do tecido, 
o que faz com que as células se espalhem, formando uma fina camada, que é 
facilmente atravessada pela luz. 
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TÉCNICA DOS CORTES FINOS 
 
 
 Esta técnica é mais complexa e frequentemente utilizada em Histologia. 
 Quando o material a ser estudado apresenta uma consistência mole, é 
necessário proceder à sua inclusão prévia, embebendo-o, por exemplo, em 
parafina líquida que, após solidificar, garante uma consistência adequada ao 
corte. Este corte poderá ser feito com um micrótomo que permite obter fatias 
muito finas, com cerca de 3 a 6 µm de espessura. 
 O material é banhado por um solvente e mergulhado em parafina 
derretida pelo calor. A parafina penetra nas células e endurece; forma-se um 
bloco de parafina que envolve o tecido a observar. Com a ajuda do micrótomo, 
este bloco é seccionado em fatias finas (espessura 5 µm ). O corte é então 
colocado sobre uma lâmina de vidro e a parafina é dissolvida por um solvente 
(xilol), ficando o fino corte de células sobre a lâmina. O material é, em seguida, 
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corado e desidratado, procedendo-se à sua montagem, para a qual se utiliza o 
bálsamo do Canadá (meio de montagem), que, ao solidificar, faz aderir a 
lamela à lâmina. 
 Outra forma de dar consistência necessária ao material biológico para 
possibilitar o corte é empregando a congelação; ou seja, congelando o material 
antes de o cortar. 
 No caso dos tecidos vegetais, que já apresentam uma certa rigidez, é 
possível fazer cortes sem inclusão, ou então com uma simples inclusão entre 
dois pedaços de medula de sabugueiro. 
 
 Quando não é necessário obter cortes extremamente finos, podemos 
efectuá-los com: 
- Uma lâmina bem afiada (ex.plo: lâmina de barbear) 
- Um bisturi 
 
Coloração e Fixação 
 
Todas as técnicas citológicas implicam frequentemente a coloração de 
material biológico; a maioria das estruturas celulares só são observáveis ao 
microscópio óptico composto se a célula for previamente tratada por corantes. 
Cada corante reage apenas com certos elementos celulares, que ficam 
contrastados em relação aos outros, o que facilita a observação. 
Para observarmos células vivas deve-se ter o cuidado de usar corantes 
que não alterem nem destruam o material biológico. Tais corantes — os 
corantes vitais — como é o caso do azul de metileno, do vermelho neutro e 
da eosina, são utilizados normalmente nas preparações extemporâneas ou 
preparações temporárias — preparações feitas para exames de ocasião. 
Quando se pretende fazer um grande número de observações ou 
exames demorados são geralmente utilizadas preparações definitivas. 
Neste caso, além da coloração, há necessidade de preservar, da 
maneira mais perfeita possível, a estrutura original das células. Tal efeito 
consegue-se com a utilização de fixadores — substâncias químicas como o 
formol, o éter, o ácido acético e o álcool — que matam rapidamente a célula, 
mantendo as suas estruturas com a menor alteração possível, sendo assim 
conservado o material biológico para futuras observações. 
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Os agentes susceptíveis de exercerem acção fixadora também podem 
ser de natureza física; como o frio e o calor. Consoante a estrutura celular que 
se pretende observar, deve-se ter o cuidado de escolher o fixador mais 
adequado, pois estes actuam de diferente forma. 
 
Corantes Específicos 
CORANTES ESTRUTURAS 
• Orceína acética • Cromossoma 
• Água iodada • Núcleo, grãos de amido 
• Eosina • Citoplasma 
• Soluto de lugol • Parede celulósica, grãos de amido 
• Vermelho neutro • Vacúolos 
• Azul de metileno • Núcleo 
 
 
Montagem 
 
• Consiste na colocação do material num meio, entre a lâmina e a lamela, 
que o isola do exterior, protegendo-o da acção de fungos e bactérias. 
• Usam-se por exemplo a gelatina glicerada e o bálsamo do canadá. 
• A montagem poderá ser completada com a colocação de um verniz ou lacre 
que recobre as extremidades da lamela utilizada, reforçando o isolamento 
do exterior. 
 
Microscópio Electrónico de Transmissão (MET) 
Considerações gerais 
 
 O nosso conhecimento sobre a complexa organização celular é 
relativamente recente. Até à década de 40 apenas se conhecia da estrutura 
celular o que era possível observar em função do poder de resolução do 
microscópio óptico. 
Olhando ao longe uma floresta, ela surge como uma mancha verde; 
mas ao perto constatamos ser constituída por árvores e arbustos de espécies e 
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tamanhos diferentes. Do mesmo modo, também só depois do aperfeiçoamento 
das técnicas microscópicas e do aparecimento do microscópio electrónico a 
célula pôde ser «olhada de perto» e observadas, detalhadamente, as suas 
ultra-estruturas, até aí «escondidas» na massa semifluida do citoplasma. 
Com um poder de resolução e de ampliação muito superior ao do 
microscópio óptico, o microscópio electrónico permitiu penetrar no mundo 
microscópico da célula. 
Embora se apresente com uma construção física bastante mais 
complexa e robusta, o microscópio electrónico de transmissão (M.E.T.) tem, na 
globalidade, uma estrutura muito semelhante à do microscópio óptico. 
A diferença fundamental entre estes dois instrumentos de observação 
reside no facto de o microscópio electrónico não utilizar a luz para dar a 
imagem do objecto, mas sim um feixe de electrões acelerados, o que faz com 
que as lentes usadas não sejam de vidro ou cristal, como no microscópio 
óptico, mas «lentes» electromagnéticas. 
O comprimento de onda do feixe de electrões pode ser muito reduzido; 
obtendo-se assim um elevado poder de resolução. 
No microscópio electrónico de transmissão o feixe de electrões 
atravessa o material a observar, de modo que a imagem resulta da maior ou 
menor absorção dos electrões por parte das diferentes estruturas celulares. 
A imagem é visualizada através de um ecrã fluorescente ou é registada 
numa película fotográfica. 
 
 
Microscópio Electrónico de Transmissão (MET) 
Constituição e funcionamento 
 
O Microscópio electrónico de transmissão tem basicamente duas partes: