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Lesões corporais

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d) Deformidade Permanente: há necessidade de ocorrência de lesão estética considerável capaz de produzir desgosto, desconforto a quem vê ou humilhação ao portador. 
OBS: Quando a vítima for mulher a influência do dano estético é maior.
OBS: A lesão não precisa estar limitada ao rosto da vítima, mas a qualquer outra parte que seja visível. Ex: lesão na coluna, nas pernas (manco), etc..
OBS: A deformidade precisa advir de defeito físico permanente, ou seja, irrecuperável, mesmo que possa ser disfarçado por cirurgia estética.
OBS: A opção por deformidade ou debilidade permanente deve ocorrer no momento da sentença judicial (art. 129, § 1º, III OU art. 129, § 2º, IV).
OBS: A extração de órgãos genitais de transexual é fato atípico, pois falta o dolo de ofender a integridade física.
e) Aborto: é caso de crime preterdoloso (dolo na lesão + culpa no aborto)
OBS: Há a necessidade de que o agente saiba da gravidez, sem, contudo, querer o aborto. Se houver desconhecimento haverá erro de tipo.
OBS: Não confundir as situações do art. 127, 1ª parte e 129, § 2º, V. 
f) Lesão seguida de morte (art. 129, § 3º, CP): é conhecido como homicídio preterdoloso (dolo na lesão + culpa na morte). Se o resultado morte for imprevisível ou resultante de caso fortuito, o sujeito só responde por lesões corporais. Se houver dolo eventual quanto ao resultado mais grave (quer a morte) será homicídio.
OBS: Elemento subjetivo: dolo na lesão e culpa na morte.
OBS: Competência: é do juiz singular e não do tribunal do júri.
g) Lesões privilegiadas (§ 4º):
g.1) impelido por motivo de relevante valor social – Ex: decepar o braço do assassino do governador
g.2) Impelido por motivo de relevante valor moral – Ex: decepar o pênis do estuprador da filha.
g.3) sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima – a emoção deve ser o suficiente para que o sujeito seja dominado por ela; a reação deve ser imediata e a provocação tem de ser injusta. Se a emoção for menor será apenas influência, ou no caso de não ter sido logo em seguida, constituindo atenuante genérica (art. 65, III, c).
OBS: Se as lesões forem recíprocas (§ 5º) ou se ocorrer qualquer uma das privilegiadoras (§ 4º) a pena de detenção poderá ser substituída pela multa.
h) Lesão corporal culposa (§ 6º): 
h.1) Requisitos: 
- voluntariedade;
- descumprimento de dever de cuidado objetivo;
- previsibilidade objetiva do resultado;
- lesão corporal involuntária.
OBS: Não há graduação de culpa nas lesões, sendo esta considerada na dosimetria da pena (art. 59, CP) na espécie de “conseqüências do crime”.
i) Majorantes (§ 7º): são as mesmas do homicídio (art. 121, § 4º).
j) Isenção de pena ou perdão judicial (§ 8º): aplica-se somente no caso de lesão culposa e a gravidade das consequências deve ser auferida em relação a pessoa do agente, sendo imprescindível a existência de vínculo afetivo entre vítima e agente. O perdão judicial é direito público subjetivo do réu, desde que preenchidos os requisitos.
	
k) Concurso de crimes: quando houver concurso entre lesão corporal leve e estupro, este absorve a lesão. 
l) Violência doméstica (§ 9º): somente nos casos especificados no referido parágrafo: relação de parentesco ou convivência com a vítima e prevalecendo-se de relação doméstica, coabitação ou hospitalidade.
l.1) Bem jurídico tutelado na violência doméstica: além dos bjt pela própria lesão (integridade corporal ou a saúde), integram a proteção penal: a solidariedade, o respeito, a dignidade que fundamentam a família e o seu convívio (homem ou mulher). 
OBS: Eventuais “vias de fato” não configuram a qualificadora da violência doméstica.
Vias de fato: são atos progressivos que não resultam em danos corporais e não há o animus laedendi. Há a intenção de causar mal físico, mas não ferimento.
 OBS: O local onde a lesão foi praticada tem significância relativa, pois uma vez que a lesão é cometida contra ascendente, descendente, cônjuge, irmão ou com quem tenha convivido, não há a necessidade de que o fato tenha ocorrido dentro da morada ou lar familiar. Já quando as vítimas encontram-se em situações de hospitalidade ou coabitação, será indispensável que o fato ocorra dentro dos limites do lar.
OBS: Não confundir relações domésticas com relações empregatícias, exceto quando além da relação de emprego também existir relação de coabitação ou hospitalidade. Ex: babás.
l.2) Causa de aumento (§ 10): No caso de violência doméstica aplicam-se as mesmas causas de aumento da lesão grave, gravíssima ou seguida de morte.
m) Contra pessoa portadora de deficiência (§11): quando a violência doméstica for contra deficiente. Há a necessidade de laudo pericial para comprovação da deficiência e que o agente tenha conhecimento do fato (BITENCOURT). Para SANCHES, basta que a deficiência encontre-se no rol do decreto 3298/99 que regulamentou a lei 7853/89.
n) Ação penal nos casos de violência doméstica: Para os que consideram uma espécie de lesão leve, a ação penal é pública condicionada à representação (art. 88, 9099/95) - BITENCOURT. Já para os que sustentam ser crime autônomo, a ação penal será pública incondicionada. Verificar jurisprudência. 
o) Ação penal para os demais casos do art. 129: Nos crime de lesão leve e culposa – APP condicionada à representação (art. 88, 9099/95). Nos demais casos é APP Incondicionada.
p) Conflito com outros tipos penais: 
- Vias de fato (art. 21, LCP – sem animus laedendi);
- Lesão corporal e homicídio culposos decorrentes de serviços de alta periculosidade, contrariando determinação de autoridade competente (art. 65, § único, CDC);
-ECA majorantes de lesão corporal e homicídio doloso contra criança (121, §4º e art. 129, § 7º);
- Manipulação genética: art. 13, lei 8974/95.