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qual a real intenção do legislador, a razão de ser da norma, isto é, seu espírito, a finalidade social a que ela é dirigida;
IV - Sistemática - Analisa a norma nas suas relações com o sistema jurídico a que pertence como unidade, parte do pressuposto de que o Direito é um sistema harmônico e, portanto, para compreender qualquer das suas partes é necessário situá-la no todo a que se insere.
V - Teleológica - Analisa a norma buscando interpretar o sentido ou finalidade da mesma.
c) Quanto ao resultado:
I - Declarativa ou Estrita - é aquela que conclui pela coincidência entre os resultados das interpretações gramatical, lógica e sistemática e o texto da lei, de modo a reproduzi-lo praticamente;
II - Restritiva - é aquela que reduz a expressão usada pela norma legal face a conclusão de que esta disse mais do que o legislador quis dizer;
III - Extensiva - é aquela que amplia a expressão usada pela norma por concluir que ela disse menos do que o legislador quis dizer;
IV - Ab-rogante - é aquela que conclui pela impossibilidade de aplicar determinada norma por ser absolutamente contrária ou incompatível com outra, considerada principal; 
V - Retificadora ou Modificativa - é aquela que conclui pela aplicação da norma a casos e consequências não conhecidos ou previstos pelo legislador para adaptá-la à realidade social emergente. 
REGRAS DE INTERPRETAÇÃO COLHIDAS NA JURISPRUDÊNCIA 
a) Na interpretação deve ser afastada a inteligência que conduz ao contraditório, ao absurdo ou ao vago;
b) Deve ser sempre preferida a inteligência que faz sentido à que não faz;
c) A inteligência que melhor atende às tradições do direito é sempre a melhor;
d) Onde a lei não distingue não deverá o intérprete distinguir;
e) As leis especiais e de exceção são interpretadas restritivamente;
f) As leis fiscais e penais são interpretadas restritivamente;
g) Onde há a mesma razão, deve haver a mesma disposição legal;
h) Na interpretação deve ser olhado o que é comum ao meio social;
i) Na interpretação das leis sociais é preciso examinar o seu alcance.
		Obs.: As máximas acima mencionadas não tem o valor científico que se lhes pretende dar.
	ANALOGIA
	Analogia, no sentido primitivo, tradicional, oriundo da Matemática, é uma semelhança de relações.
	Os modernos acham a palavra relações ampla em demasia para indicar precisamente o que se pretende exprimir.
	Passar, por inferência, de um assunto a outro de espécie diversa é raciocinar por analogia. Esta se baseia na presunção de que duas coisas que têm entre si um certo número de pontos de semelhança possam conseqüentemente assemelhar-se quanto a um outro mais. Se entre a hipótese conhecida e a nova a semelhança se encontra em circunstâncias que se deve reconhecer como essencial, isto é, como aquela da qual dependem todas as conseqüências merecedoras de apreço na questão discutida; ou, por outra, se a circunstância comum aos dois casos, com as conseqüências que da mesma decorrem, é a causa principal de todos os efeitos; o argumento adquire a força de uma indução rigorosa.
	Em geral se não exige tanto apuro. Duas coisas se assemelham sob um ou vários aspectos; conclui-se logo que, se determinada proposição é verdadeira quanto a uma, sê-lo-á também a respeito da outra. A assemelha-se a B; será, por isso, muitíssimo verossímil que o fato m, verificado em A, seja também verdadeiro relativamente a B.
	PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO
	Todo conjunto harmônico de regras positivas é apenas o resumo, a síntese, o substratum de um complexo de altos ditames, o índice materializado de um sistema orgânico, a concretização de uma doutrina, série de postulados que enfeixam princípios superiores. Constituem estes as diretivas idéias do hermeneuta, os pressupostos científicos da ordem jurídica. Se é deficiente o repositório de normas, se não oferece, explícita ou implicitamente, e nem sequer por analogia, o meio de regular ou resolver um caso concreto, o estudioso, o magistrado ou funcionário administrativo como que renova, em sentido inverso, o trabalho do legislador: este procede de cima para baixo, do geral ao particular; sobe aquele gradativamente, por indução, da idéia em foco para outra mais elevada, prossegue em generalizações sucessivas, e cada vez mais amplas, até encontrar a solução colimada. Por ex: em se tratando de um caso de Sucessões, investiga, em primeiro lugar, no capítulo correspondente à hipótese controvertida; em falta de êxito imediato, inquire entre institutos afins, no livro quarto do Código, em seu conjunto; vai depois ao Direito Civil, integral; em seguida ao Direito Privado (Civil e Comercial); mais tarde a todo o Direito Positivo; enfim à ciência jurídica em sua universalidade.
	Recorre o aplicador do texto aos princípios gerais:
	a) de um instituto jurídico;
	b) de vários institutos afins;
	c) de uma parte do Direito Privado (Civil ou Comercial); ou de uma parte do Direito Público (Constitucional, Administrativo, Internacional, etc.);
	d) de todo o Direito Privado, ou de todo o Direito Público;
	e) do Direito Positivo, inteiro;
	f) e, finalmente, do Direito em sua plenitude, sem distinção nenhuma. 
	Vai-se gradativamente, do menos ao mais geral: quanto menor for a amplitude, o raio de domínio adaptável à espécie, menor será a possibilidade de falhar o processo indutivo, mais fácil e segura a aplicação à hipótese controvertida.
	EQUIDADE
	Desempenha a Eqüidade o duplo papel de suprir as lacunas dos repositórios de normas, e auxiliar a obter o sentido e alcance das disposições legais. Serve, portanto, à Hermenêutica e à Aplicação do Direito.
	É, segundo Aristóteles, "a mitigação da lei escrita por circunstâncias que ocorrem em relação às pessoas, às coisas, ao lugar ou aos tempos"; no parecer de Wolfio, "uma virtude, que nos ensina a dar a outrem aquilo que só imperfeitamente lhe é devido"; no dizer de Grócio, "uma virtude corretiva do silêncio da lei por causa da generalidade das suas palavras". A Eqüidade judiciária compele os juízes, "no silêncio, dúvida ou obscuridade das leis escritas, a submeterem-se por um modo esclarecido à vontade suprema da lei, para não cometerem em nome dela injustiças que não desonram senão os seus executores". 
	A sua utilidade decorre dos inconvenientes que acarretaria a aplicação estrita dos textos.
	A frase — summum jus, summa injuria — encerra o conceito de Eqüidade. A admissão desta, que é o justo melhor, diverso do justo legal e corretivo do mesmo, parecia aos gregos meio hábil para abrandar e polir a idéia até então áspera do Direito; nesse sentido também ela abriu brecha no granito do antigo romanismo, humanizando-o cada vez mais — "fora da eqüidade há somente o rigor de Direito, o Direito duro, excessivo, maldoso, a fórmula estreitíssima, a mais alta cruz. A eqüidade é o Direito benigno, moderado, a justiça natural, a razão humana (isto é, inclinada à benevolência)".
	A Eqüidade tem "algo de superior a toda fórmula escrita ou tradicional, é um conjunto de princípios imanentes, constituindo de algum modo a substância jurídica da humanidade, segundo a sua natureza e o seu fim, princípios imutáveis no fundo, porém cuja forma se adapta à variedade dos tempos e países.
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EFICÁCIA DA LEI NO TEMPO E NO ESPAÇO. REVOGAÇÃO; IRRETROATIVIDADE; DIREITO ADQUIRIDO.
	Quando tem início a obrigatoriedade da lei: essa questão tem sido regulada por dois sistemas diferentes, o da obrigatoriedade progressiva e o da obrigatoriedade simultânea. No primeiro caso, o início da obrigatoriedade processa-se por partes, primeiro nas regiões mais próximas, depois nas mais remotas. No segundo, a lei entra em vigor a um só tempo em todo país.
	A Lei de Introdução (Dec. lei 4.657, de 04.09.42), adota o sistema da obrigatoriedade simultânea: salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada (art. 1º).
	Esse princípio, entretanto, não é absoluto porquanto quase todas as leis