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Opera-se a prescrição da pretensão punitiva, ou prescrição intercorrente, ao escoar-se esse prazo antes do trânsito em julgado para a defesa ou do julgamento de eventual recurso imposto pelo Réu. Pode ocorrer a prescrição intercorrente, portanto, durante a tramitação do recurso especial e do recurso extraordinário.
PRESCRIÇÃO RETROATIVA
	Desde a época da edição da Súmula 146 entendeu-se que, aplicada a pena e não havendo recurso da acusação, servia ela de base para o cálculo da prescrição referente aos prazos anteriores à própria sentença, no que se denominou de prescrição retroativa.
	Com a lei nº 7209/84, deu-se a essa espécie de prescrição maior amplitude, determinando-se expressamente que a prescrição, com base na pena em concreto e atingido a pretensão punitiva, “pode Ter por termo inicial data anterior à do recebimento da denúncia ou da queixa”.
	Ainda que haja recurso da acusação, porém, pode ocorrer a prescrição intercorrente, já que o artigo 110, § 1º, se refere também à prescrição regulada pela pena aplicada depois de improvido o recurso de acusação. Não merecendo provimento o recurso da acusação, ocorrerá a prescrição retroativa se o lapso prescricional calculado com base na pena em concreto escoou-se entre os termos interruptivos.
	A prescrição pode operar-se: entre a data do fato e a do recebimento da denúncia; entre a data do recebimento da denúncia e a da sentença condenatória; entre a data da sentença condenatória e a do julgamento da apelação ou do eventual recurso extraordinário (já que a confirmação da sentença condenatória não é interruptiva da prescrição).
RECURSO DA ACUSAÇÃO
	Aplicada a pena na sentença, o recurso da acusação, ao menos provisoriamente, susta o reconhecimento da prescrição intercorrente, pois, se provido e elevada a pena, não se opera a extinção da punibilidade.
CONDENAÇÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA
	Quando o Réu é absolvido e recorre com sucesso a acusação, obtendo a condenação em Segunda instância, também pode ocorrer a prescrição retroativa, que incide entre a data do fato e a do recebimento da denúncia ou entre esta e o dia do julgamento do recurso.
PRESCRIÇÃO E MÉRITO
	Julgada extinta a punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva, inclusive intercorrente ou retroativa, não se pode mais discutir, em qualquer instância, sobre o mérito do processo.
PRESCRIÇÃO E PERDÃO JUDICIAL
	Concedido o perdão judicial, deve-se indagar qual o prazo da prescrição da pretensão punitiva intercorrente. A razão prende-se na existência dos efeitos penais secundários da sentença concessória do perdão (inscrição no rol dos culpados, pagamento de custas, etc.), que ficarão extintos se ocorrida essa espécie de prescrição.
	Três são as orientações a respeito do prazo.
regula-se pelo prazo mínimo previsto em lei, ou seja, dois anos;
regula-se pelo mínimo da pena que poderia ser aplicada, em abstrato, ao ilícito praticado;
regula-se pelo máximo da pena em abstrato prevista para o crime.
	Deve-se aceitar a primeira orientação, já que não pode ser maior o prazo de prescrição quando não se aplica a pena do que o previsto nos casos em que é imposta qualquer sanção.
PRAZOS PARALELOS
	Condenado o Réu, podem ocorrer paralelamente dos prazos de prescrição: a prescrição da pretensão intercorrente (da pretensão punitiva), em caso de não haver recurso da acusação, a contar da data da publicação da sentença (art. 110, § 1º); a prescrição de pretensão executória, não havendo recurso da acusação, a contar da data do trânsito em julgado para a acusação.
PRESCRIÇÃO E LEGISLAÇÃO ESPECIAL
	Nos termos do artigo 12, as regras da prescrição, como normas gerais que são, aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo diverso.
MARCELO MARTIN FERIGATO
BIBLIOGRAFIA
MANUAL DE DIREITO PENAL
Júlio Fabbrini Mirabete
Ed. Atlas, 1998
São Paulo - 13a edição