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ESTRUTURASESTRUTURAS Estruturas Mariane Lima Alves John Kennedy Fonsêca Silva Roberto Vicente Silva de Abreu Mariane Lima Alves John Kennedy Fonsêca Silva Roberto Vicente Silva de Abreu GRUPO SER EDUCACIONAL gente criando o futuro Caro aluno, nesta unidade de ensino se inicia o estudo de análise estrutural. É impor- tante que o engenheiro civil entenda como se comportam as estruturas quando são sujeitas ao uso e às situações para as quais foram calculadas e projetadas. A engenha- ria estrutural trata do planejamento, projeto, execução da construção ou reparo dos sistemas estruturais. O sistema físico é constituído por elementos interligados capazes de suportar e trans- mitir ações ou um conjunto de ações e esforços. O sistema estrutural é composto pela parte resistente da edi� cação: vigas, pilares e laje. A análise estrutural, portanto, consiste em chegar aos resultados reais usando métodos matemáticos identi� cando os esforços dos elementos, as possíveis reações e tensões, conhecendo o sistema e o comportamento da estrutura existente. Hoje, com os avanços tecnológicos, há e� cientes softwares disponíveis para calcular a estrutura. Mesmo assim, isso não anula o conhecimento necessário para a análise crítica do projeto, usando o software apenas para auxílio. O resultado de aprendiza- gem desta unidade é a aplicação e análise dos conceitos básicos relativos às tensões, ações e esforços. CAPA_SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 1,3 11/06/2021 11:51:24 © Ser Educacional 2021 Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro Recife-PE – CEP 50100-160 *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Imagens de ícones/capa: © Shutterstock Presidente do Conselho de Administração Diretor-presidente Diretoria Executiva de Ensino Diretoria Executiva de Serviços Corporativos Diretoria de Ensino a Distância Autoria Projeto Gráfico e Capa Janguiê Diniz Jânyo Diniz Adriano Azevedo Joaldo Diniz Enzo Moreira Mariane Lima Alves John Kennedy Fonsêca Silva Roberto Vicente Silva de Abreu DP Content DADOS DO FORNECEDOR Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão. SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 2 11/06/2021 11:43:02 Boxes ASSISTA Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple- mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado. CITANDO Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa relevante para o estudo do conteúdo abordado. CONTEXTUALIZANDO Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstra-se a situação histórica do assunto. CURIOSIDADE Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado. DICA Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado. EXEMPLIFICANDO Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto. EXPLICANDO Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da área de conhecimento trabalhada. SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 3 11/06/2021 11:43:02 Unidade 1 - Morfologia das estruturas e ações em estruturas Objetivos da unidade ........................................................................................................... 14 Definições básicas............................................................................................................... 15 Classificação dos elementos estruturais .................................................................... 15 Ações: classificação ........................................................................................................... 30 Tipos de carga ................................................................................................................. 31 Esforços ............................................................................................................................ 32 Classificação dos esforços internos ............................................................................ 33 Conversão de sinais ............................................................................................................. 33 Sintetizando ........................................................................................................................... 37 Referências bibliográficas ................................................................................................. 38 Sumário SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 4 11/06/2021 11:43:02 Sumário Unidade 2 - Vigas Gerber e pórticos planos Objetivos da unidade ........................................................................................................... 41 Vigas Gerber .......................................................................................................................... 42 Reações de apoio ............................................................................................................ 45 Diagramas de esforços solicitantes ............................................................................. 48 Pórticos planos ..................................................................................................................... 56 Equilíbrio estático ............................................................................................................ 58 Esforços seccionais ........................................................................................................ 59 Barras inclinadas ............................................................................................................ 61 Sintetizando ........................................................................................................................... 66 Referências bibliográficas ................................................................................................. 67 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 5 11/06/2021 11:43:02 Sumário Unidade 3 - Arcos e grelhas Objetivos da unidade ........................................................................................................... 69 Arcos ....................................................................................................................................... 70 Terminologia ..................................................................................................................... 70 Breve história sobre a evolução de construções em arcos 71 Tipos de arcos .................................................................................................................. 73 Análise de esforços solicitantes em arcos isostáticos ............................................ 79 Grelhas ................................................................................................................................... 84 Classificação quanto ao equilíbrio estático ............................................................... 87 Análise de grelhas isostáticas ...................................................................................... 89 Sintetizando ........................................................................................................................... 93 Referências bibliográficas ................................................................................................. 94 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 6 11/06/2021 11:43:02 Sumário Unidade 4 - Treliças Objetivos da unidade ........................................................................................................... 96 Treliças ...................................................................................................................................pelas linhas em vermelhos) sobre o diagrama de corpo livre da estrutura. Representar uma estrutura valendo-se de um diagrama de corpo livre sig- nifi ca redesenhá-la empregando uma notação padrão, na qual os elementos lineares são representados por linhas, as cargas são representadas por setas, as rótulas são representadas por círculos e os apoios, por triângulos que, por sua vez, possuem algumas pequenas variações para diferenciá-los em do 1° e do 2° gênero. ESTRUTURAS 53 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 53 11/06/2021 12:09:23 DIAGRAMA 4. DIAGRAMA DE ESFORÇOS CORTANTES A construção do diagrama de momento fletor assemelha-se bastante à construção do diagrama de forças cortantes, no entanto, há uma particulari- dade no Brasil: o eixo positivo do momento fletor é apontado para baixo, en- quanto ele é apontado para cima na maioria dos demais países do mundo. A justificativa para empregar essa convenção é que, dessa forma, o diagrama de momento fletor se assemelha à configuração deformada da estrutura. Logo, se livros de origem estrangeira, mesmo traduzidos, forem consultados, os gráfi- cos de momento fletor das estruturas estão “invertidos”, como se estivessem de cabeça para baixo. Já os de origem nacional apresentam o diagrama com o eixo positivo do momento fletor apontado para baixo. Para construção do gráfico, são empregados os resultados de momento fletor obtidos com o método das seções. No ponto A, o valor do momento fletor é zero pois não há braço de alavanca se ali for aplicada uma seção partindo-se da esquerda para 12,00 1,25 1,25 2,00 kN A B E F C D 0,60 kN 0,60 kN 0,60 kNy x 1,00 kN 1,00 kN 1,40 kN 1,40 kN -1,40 kN -1,40 kN -1,00 kN -1,00 kN -1,00 kN -0,60 kN -0,60 kN 0,60 kN2,40 kN y [kN] x [m] 2,40 kN 2,00 kN 2,00 kN 1,25 1,251,00 2,50 2,50 1,00 ESTRUTURAS 54 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 54 11/06/2021 12:09:23 a direita. Já no ponto B, local no qual foi feita a primeira seção, com distância de 1,25 m do ponto A, existe um momento fletor calculado com o valor de 0,75 kNm. Como visto, uma carga pontual gera uma equação do 1° grau como resultado de diagrama de momento fletor. Sendo assim, o primeiro trecho do diagrama de momento fletor é construído ligando o marco zero do gráfico (0,00 m; 0,00 kNm) ao ponto constituído pelas coordenadas 1,25 m (eixo x) e 0,75 kNm (eixo y). O próximo trecho é construído da mesma maneira, ligando o ponto anterior ao ponto constituído pelas coordenadas de 2,50 m (local onde a segunda seção foi aplicada) e de -1,00 kNm (resultado do momento fletor para a segunda seção). O mesmo procedimento é realizado até chegar à extremidade direita da viga. DIAGRAMA 5. DIAGRAMA DE MOMENTO FLETOR 1,25 2,00 kN 0,60 kN y [kN] x [m] y [kNm] 0,60 kN2,40 kN 0,75 kNm 0,75 kNm 0,75 kNm 0,75 kNm 2,50 kNm 2,50 kNm -1,00 kNm -1,00 kNm -1,00 kNm -1.00 kNm 2,40 kN 2,00 kN 2,00 kN 1,251,25 1,252,50 2,501,00 1,00 12,00 A B E F C D y x ESTRUTURAS 55 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 55 11/06/2021 12:09:23 Pórticos planos Os pórticos planos isostáticos são estruturas constituídas por associação entre vigas (inclinadas ou não) e pilares (inclinados ou não). Da associação, se resulta uma estrutura bidimensional que trabalha de forma monolítica, em que o carregamento num determinado ponto da estrutura infl uencia o comporta- mento de todos os seus elementos. Um exemplo clássico de pórticos são as estruturas de concreto armado moldado in loco de edifi cações de múltiplos pavimentos, formadas por elementos lineares dispostos de maneira tridimen- sional e, na maioria das vezes, hiperestáticas. O sistema construtivo das estruturas faz com que todas as suas partes estejam interligadas, gerando um comportamento monolítico. O Diagrama 6 traz um exemplo de pórtico plano, tratando-se de uma obra provisória composta por uma rampa de acesso a um patamar, estabelecido por um tabuleiro apoiado sobre um pilar. A rampa e o tabuleiro são representados por vigas, sendo que existem dois carregamentos – duas motocicletas, uma sobre a rampa e outra sobre o patamar, que geram cargas verticais que apontam para baixo. Além disso, no pilar, há incidência de vento, que gera um carregamento la- teral horizontal apontando para a direita. O pilar está apoiado sobre uma fun- dação, embora não esteja ligado a ela de maneira rígida, formando um apoio do primeiro gênero (ou apoio fi xo) ao restringir as translações nas direções horizontais (x) e verticais (y), mas não impedindo a rotação em torno do eixo z. A rampa está apoiada sobre a fundação por meio de um aparelho de apoio, o que restringe apenas as movimentações verticais (eixo y), mas deixa livre as movimentações horizontais (eixo x) e a rotação em torno do eixo z. Desse modo, se tem uma reação do primeiro gênero (ou apoio móvel). Nos cálculos, cada motocicleta tem o peso de 2000 N e a carga devido ao vento tem um valor de 1000 N. EXPLICANDO A ABNT NBR 6120:2019 estabelece as ações mínimas a serem considera- das no projeto de estruturas de edifi cações, qualquer que seja sua classe e destino, salvo os casos previstos em Normas Brasileiras específi cas. ESTRUTURAS 56 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 56 11/06/2021 12:09:23 DIAGRAMA 6. PÓRTICO PLANO 2,00 F1 F2 F2 HA VA VD 2,00 1000,0 N 1000,0 N y x 18 12 ,5 N 21 87 ,5 N 2000,0 N 2000,0 N 2,00 A A B B C C D D 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 1, 50 1, 50 1, 50 1, 50 1, 50 1, 50 ESTRUTURAS 57 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 57 11/06/2021 12:09:23 Equilíbrio estático No processo de resolução de um pórtico plano, de início, são calculadas as reações de apoio para, depois, mon- tar os diagramas de esforços normal, cortante e de momento fl etor. Assim, são usadas as equações 2, 3 e 4 para calcula HA, VA e VD. Aplicando o somatório de forças em x (equação 2), se obtém o valor de HA = -1000 N: a Fx = 0˚ (2) HA + F1 = 0 HA + 1000 N = 0 HA = -1000 N Aplicando, por seu turno, o somatório de forças em y, se chega à equação 9, que possui duas incógnitas: a Fy = 0˚ (3) -F2 - F2 + VA + VD = 0 -2000 N - 2000 N + VA + VD = 0 VA + VD = 2000 N + 2000 N VA + VD = 4000 N (9) Aplicando o somatório de momentos em torno do eixo z, considerando o ponto A como referência, é calculado o valor de VD: a Mz = 0˚ (4) -F1(1,50 m) - F2(2,00 m) - F2(6,00 m) + VD(8,00 m) = 0 -1000 N(1,50 m) - 2000 N(2,00 m) - 2000 N(6,00 m) + VD(8,00 m) = 0 VD = 2187,50 N VD = 1000 N(1,50 m) + 2000 N(2,00 m) + 2000 N(6,00 m) (8,00 m) Com o valor de VD em mãos e substituindo-o na equação 9, consegue-se obter o valor de VD: VA + VD = 4000 N (9) VA + 2187,51 N = 4000 N VA = 4000 N - 2187,51 N VA = 1812,50 N ESTRUTURAS 58 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 58 11/06/2021 12:09:24 Esforços seccionais O método de construção dos diagramas de esforço normal, cortante e de momento fl etor para o pórtico é similar ao empregado para a construção dos diagramas para a viga. A única diferença aqui é construir, também, o diagrama de esforço normal. O esforço normal é o carregamento do elemento ao longo de seu eixo longitudinal e possui duas convenções: tração, considerada positi- va, e compressão, negativa. A tração é visualizada quando o elemento se estende sob aplicação de car- gas, enquanto a compressão é percebida quando o elemento se comprime sob aplicação de cargas. O Diagrama 7 expõe o método das seções aplicado ao pilar e à viga que compõem o pórtico. De maneira similar ao que foi feito na viga Gerber, quando houver mudança no carregamento ou na geometria da es- trutura, é aplicado um corte na seção, para que os valores de esforço normal, cortante e de momento fl etor sejam calculados. Há, porém, uma particularidade muito importante na análise dos pórti- cos na aplicação do método das seções e na construção dos diagramas de esforços internos. Na viga Gerber, foi defi nida a colocação doeixo x ao longo da direção horizontal e do eixo y ao longo da direção vertical, uma vez que o eixo x acompanha o comprimento do elemento analisado, enquanto o eixo y é utilizado para avaliar a magnitude do esforço em estudo – normal, cortante ou momento fl etor. No caso dos pórticos, a orientação muda com a orientação do elemento que compõe o pórtico e que é analisado em determinado momento. Em outras palavras, se um pilar vertical está sendo analisado, o eixo x, que acompanha a geometria do elemento, é ao longo da direção ver- tical, enquanto o eixo y, o eixo dos esforços, é na direção ho- rizontal. O mesmo ocorre quando uma viga inclinada é ana- lisada, com o eixo x acompanhando a inclinação da viga, ao passo que o eixo y é perpendicular ao eixo x. A orientação dos eixos apresenta variação ao longo do pórtico, a depender da orientação do elemento estrutural que é estu- dado no momento. ESTRUTURAS 59 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 59 11/06/2021 12:09:24 DIAGRAMA 7. MÉTODO DAS SEÇÕES APLICADO A PÓRTICOS PLANOS 1812,5 N 1000,0 N y [N] x [m] A 1, 50 1, 50 1, 50 1812,5 N 1000,0 N 1000,0 N y [N] x [m] A 1, 50 1, 50 1812,5 N 1000,0 N 1000,0 N B A 2,00 y [N] x [m] 1812,5 N 1000,0 N 1000,0 N 2000,0 N B A 2,00 1, 50 2,00 1, 50 y [N] x [m] ESTRUTURAS 60 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 60 11/06/2021 12:09:24 No pilar, foram feitos dois cortes na seção transversal – um por causa da apli- cação de carga horizontal de -1000 N decorrente do vento e outro por causa da mudança na geometria da estrutura passando de pilar para viga. Na viga, tam- bém foram feitos dois cortes na seção transversal – um por causa do carregamen- to vertical de -2000 N, decorrente da motocicleta, e outro por causa da mudança na geometria da estrutura, passando de viga horizontal para viga inclinada. Barras inclinadas O conceito de barras inclinadas pode ser explicado dentro do exemplo do pórtico. No Diagrama 8, são mostrados dois cortes realizados na barra inclina- da, um decorrente da aplicação da carga vertical de -2000 N e outro decorrente da mudança na geometria da estrutura, que se encontra com seu apoio móvel em sua extremidade direita. DIAGRAMA 8. MÉTODO DAS SEÇÕES APLICADO À PÓRTICOS PLANOS COM BARRAS INCLINADAS x [m] x [m] 2000,0 N 2000,0 N 2000,0 N B B A A C C 1000,0 N 1000,0 N 1000,0 N 1000,0 N 18 12 ,5 N 18 12 ,5 N 1, 50 1, 50 1, 50 1, 50 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 y [N] y [N] ESTRUTURAS 61 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 61 11/06/2021 12:09:25 Um aspecto importante é que, como a barra encontra-se inclinada, os car- regamentos que geram esforços sobre ela seguem sua inclinação. Todas as cargas atuantes na estrutura devem ser decompostas numa parcela paralela à direção da barra (gerando esforços normais) e outra perpendicular à direção da barra (gerando esforços cortantes). O momento fletor, por sua vez, é calcu- lado com as forças atuando em suas direções originais, pois o momento fletor independe da direção na qual a força se aplica, desde que se possa conhecer o valor braço de alavanca correspondente – que é a distância perpendicular entre a força aplicada e o ponto de análise. A distância perpendicular pode ser reconhecida quando se imagina uma reta de dimensões infinitas passando através da direção de aplicação da força. A menor distância entre essa reta e o ponto onde o momento fletor está sendo calculado é a distância perpendicular. Para a decomposição das forças, primei- ro se encontram os valores de seno e cosseno do ângulo formado entre a dire- ção da força e a direção da barra inclinada. Para as cargas verticais, o ângulo é chamado de α e, para as cargas horizontais, de β. sen(α) = = 0,804 5 sen(β) = = 0,603 5 cos(α) = = 0,603 5 cos(β) = = 0,804 5 Para encontrar o componente da força paralela à barra, basta multiplicar o valor da carga (independente se é vertical ou horizontal) pelo cosseno do ângulo formado entre a direção da força e a direção da barra. Já para encontrar o componente da força perpendicular à barra, basta multiplicar o valor carga (independente se é vertical ou horizontal) pelo seno do ângulo formado entre a direção da força e a direção da barra. O Diagrama 9 mostra as forças já decompostas nos diagramas de corpos livres feitos para mostrar os dois cortes na barra inclinada. Após a decomposi- ção das forças, os valores de esforço cortante e de esforço normal podem ser calculados nos dois diagramas de corpos livres construídos, pois as forças ou estão paralelas à barra ou estão perpendiculares à barra. ESTRUTURAS 62 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 62 11/06/2021 12:09:25 DIAGRAMA 9. DIAGRAMA DE ESFORÇO CORTANTE Os resultados a seguir mostram os valores de esforço normal, calculados para cada um dos cortes realizados. N1 e N2 são referentes ao pilar, N3 e N4 são referentes à viga e N5 e N6 são referentes à barra inclinada. O somatório de es- forços normais é bem simples de ser feito, basta verificar quais cargas atuam na direção da barra em análise e somá-las, caso estejam tracionando a barra, ou subtraí-las, caso estejam comprimindo a barra. α α α α α β β β β 1200,0 N 1200,0 N 1200,0 N 1600,0 N 1600,0 N 1600,0 N 1450,0 N 1450,0 N 800,0 N 800,0 N 800,0 N 800,0 N 600,0 N 600,0 N 600,0 N 600,0 N 1087,5 N 1087,5 N A A B B C C 2,00 2,00 2,00 2,00 1, 50 1, 50 1, 50 1, 50 2,00 2,00 2,00 y [N] y [N] x [m] x [m] ESTRUTURAS 63 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 63 11/06/2021 12:09:25 N1 = -1812,5 N N2 = -1812,5 N N3 = 1000,0 N - 1000,0 N = 0 N4 = 1000,0 N - 1000,0 N = 0 N5 = 1087,5 N + 800,0 N - 800,0 N - 1200,0 N = -112,5 N N6 = 1087,5 N + 800,0 N - 800,0 N - 1200,0 N = -112,5 N O cálculo do esforço cortante segue a mesma metodologia empregada du- rante o cálculo da viga Gerber, devendo-se atentar apenas para a direção do elemento que está sendo analisado. V1 = 1000,0 N V2 = 1000,0 N - 1000,0 N = 0 V3 = 1812,5 N V4 = 1812,5 N - 2000,0 N = -187,5 N V5 = 1450,0 N - 600,0 N + 600,0 N - 1600,0 N = - 150,0 N V6 = 1450,0 N - 600,0 N + 600,0 N - 1600,0 N- 1600,0 N = - 1750,0 kN Da mesma forma, o cálculo dos momentos fletores segue a mesma me- todologia do cálculo realizado para a vigas Gerber, com atenção à correta es- pecificação do braço de alavanca, o que pode criar alguma confusão no caso dos pórticos. Todavia, imaginando que existe uma reta de dimensões infinitas passando através da direção da força e, medindo a menor distância entre essa reta e o ponto no qual o momento está sendo calculado, é possível obter o braço de alavanca. Outra dúvida que pode surgir é se o sinal do momento fletor deve ser consi- derado positivo ou negativo. Da mesma forma que na viga Gerber, se as fibras inferiores (em relação ao eixo x) estiverem sendo tracionadas, o momento fle- tor é negativo. Uma boa metodologia é imaginar a estrutura se deformando com a aplicação do carregamento em análise, possibilitando ver se as fibras inferiores se tracionam ou comprimem. M1 = 1000,0 N(1,50 m) = 1500,0 Nm M2 = 1000,0 N(3,00 m) - 1000,0 N(1,50 m) = 1500,0 Nm M3 = 1825,5 N(2,00 m) + 1000,0 N(3,00 m) - 1000,0 N(1,50 m) = 5125,0 Nm M4 = 1825,5 N(4,00 m) + 1000,0 N(3,00 m) - 1000,0 N(1,50 m) - 2000,0 N(2,00 m) = 4750,0 Nm M5 = 1825,5 N(6,00 m) + 1000,0 N(1,50 m) - 2000,0 N(4,00 m) = 4375,0 Nm M5 = 1825,5 N(8,00 m) + 1000,0 N(1,50 m) - 2000,0 N(6,00 m) - 2000,0 N(2,00 m) = 0 ESTRUTURAS 64 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 64 11/06/2021 12:09:25 Dispondo dos valores de esforço normal (N), esforço cortante (V ) e de mo- mento fletor (M), os diagramas são esboçados, empregando a mesma metodo- logia dos diagramas para a viga Gerber. A única diferença está no fato de que a orientação dos gráficos sempre muda de acordo com a orientação da barra analisada, conforme já mencionado. Em suma, em pilares que estão na vertical, o eixo x acompanhao alinhamento do pilar. Nas vigas ho rizontais, o eixo x per- manece na horizontal, como já é empregado. Para as barras inclinadas, o eixo x acompanha a inclinação da barra. O eixo x sempre é utilizado para representar o comprimento do elemento, enquanto o eixo y, sempre perpendicular ao eixo x, é utilizado para representar os esforços (normal, cortante e momento fletor). DIAGRAMA 10. DIAGRAMAS DE ESFORÇOS INTERNOS -125,5 N -150,0 N -1312,5 N -1750,0 N 4750 Nm -1 82 5, 5 N -187,5 N 1825,5 N 5125,0 Nm 15 00 ,0 N m 15 00 ,0 N m 1500,0 Nm 4750,0 N 4375 N 10 00 ,0 N y [N] y [N] y [N] y [N] y [N] y [N] y [N] y [N] y [N] x [m] x [m] x [m] x [m] x [m] x [m] x [m] x [m] x [m] ESTRUTURAS 65 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 65 11/06/2021 12:09:25 Sintetizando Nesta unidade, foram analisados conceitos fundamentais relativos ao com- portamento mecânico dos elementos estruturais mais empregados em obras de construção civil. As principais características de cada elemento foram estu- dadas, bem como foram descritos os procedimentos necessários para a reali- zação do cálculo das reações de apoio e dos esforços internos. Para as vigas Gerber, os procedimentos necessários à determinação das reações de apoio se assemelham aos empregados para a obtenção das rea- ções de apoio de qualquer estrutura isostática comum, com a diferença de que, no caso das vigas Gerber, é necessário proceder a modulação da estrutura em vários trechos. Com as reações determinadas, os esforços internos e os diagra- mas são feitos de maneira convencional. Em relação aos pórticos, o protocolo de cálculo é o mesmo realizado paras as demais estruturas, sendo que a única diferença reside no fato de que o eixo das abscissas para a construção dos diagramas sempre acompanha a direção longitudinal do elemento. Já para as barras inclinadas, a única particularidade existente consiste em decompor as forças de modo que fiquem com parcelas perpendiculares e/ou paralelas à direção do elemento que está sendo analisado. ESTRUTURAS 66 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 66 11/06/2021 12:09:25 Referências bibliográficas ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6120: ações para o cálculo de estruturas de edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 2019. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7187: projeto de pontes de concreto armado e de concreto protendido: procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2003. Disponível em: . Acesso em: 22 fev. 2021. ESTRUTURAS 67 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 67 11/06/2021 12:09:25 ARCOS E GRELHAS 3 UNIDADE SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 68 11/06/2021 13:42:05 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Apresentar os diferentes tipos de arcos; Analisar arcos isostáticos; Classificar grelhas quanto ao equilíbrio estático; Analisar os esforços internos das grelhas. Arcos Terminologia Breve história sobre a evolução de construções em arcos Tipos de arcos Análise de esforços solicitantes em arcos isostáticos Grelhas Classificação quanto ao equilíbrio estático Análise de grelhas isostáticas ESTRUTURAS 69 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 69 11/06/2021 13:42:05 Arcos Arcos são elementos estruturais parabólicos construídos para vencer grandes vãos. Eles possuem restri- ção de movimento nas extremidades. Leet et al. (2018, n. p.) defi nem arcos como elementos estruturais em que a compressão axial é preponderante. Eles são utilizados em diversos tipos de estruturas, como pontes, barra- gens e edifícios diversos. Uma das propriedades fundamentais desses elementos é que os es- forços solicitantes preponderantes são os de compressão normal à seção transversal. Eles atuam como um cabo invertido porque enquanto os cabos são responsáveis por resistirem apenas a esforços de tração, os arcos utili- zam a sua geometria côncava voltada para baixo para resistirem apenas à compressão. A preponderância nos esforços de compressão, nesse tipo de elemento estrutural, ocasiona a redução nos esforços fl etores, que geralmente é o es- forço predominante em elementos estruturais que buscam vencer grandes vãos, como em vigas. A geometria dos arcos possibilita que os esforços ver- ticais sejam transferidos majoritariamente pelos eixos dos elementos. En- tretanto, em algumas situações, os esforços laterais resultantes nos apoios são elevados, e isso pode inviabilizar a construção de apoios adequados para suportar as reações de apoio, fazendo com que outras alternativas construtivas sejam mais efi cientes. Terminologia Apesar de haver diversos tipos de arcos e cada variação apresentar dife- rentes números de elementos e componentes, na Figura 1 é possível ver os elementos que são comumente encontrados em estruturas em arcos. O arco mostrado é um exemplo de arco construído em blocos: ESTRUTURAS 70 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 70 11/06/2021 13:42:06 Aduela Aduela Arranque Extradorso Intradorso Fle ch a Pé d ire ito Imposta Chave Figura 1. Terminologia dos elementos de um arco. Fonte: SOUZA, 2019, p. 20. (Adaptado). Em que: • Chave: ponto de travamento do arco. Geralmente, esse tipo de elemento se encontra no ponto mais elevado do arco; • Arranque: primeiro elemento que conecta o arco ao suporte; • Aduela: elemento em forma de cunha que apresenta face externa conve- xa em relação ao exterior do arco, e face interna côncava em relação à parte interior do arco; • Extradorso: face exterior do arco; • Intradorso: face interior do arco; • Flecha: dimensão vertical do nível inferior do arranque até a face inferior da chave. Breve história sobre a evolução de construções em arcos Segundo Connor e Faraji (2016, n. p.), os primeiros arcos construídos com fi nalidade estrutural foram feitos por volta de 4000 a.C., no Egito e na Grécia. Esses primeiros arcos eram construídos por meio de um sistema de camadas de blocos em que a abertura era decrescente à medida que a altura da parede era elevada. Esse tipo de arco é denominado arco falso. Na Figura 2, é possível ver um tipo de arco falso: ESTRUTURAS 71 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 71 11/06/2021 13:42:06 Figura 2. Sistema de arco falso. Fonte: CONNOR; FARAJI, 2016, p. 490. (Adaptado). Bloco chave Suporte Suporte Figura 3. Sistema de arco em blocos. Fonte: CONNOR; FARAJI, 2016, p. 491. (Adaptado). Ainda de acordo com Connor e Faraji (2016, n. p.), os arcos desenvolvidos para suportar carregamentos verticais sobre um vão foram desenvolvidos por volta de 3000 a.C., pelos egípcios. Os blocos são travados e confinados, de modo que o carregamento vertical é transferido pelo arco por meio de forças normais de compressão através dos blocos, como é mostrado na Figura 3: Por volta de 300 a.C., os romanos aperfeiçoaram as técnicas de construções de arcos de alvenaria. A qualidade dessas construções era tão elevada que al- guns desses arcos ainda estão em boas condições de estabilidade. Os roma- nos usaram esse tipo de elemento estrutural em diversos tipos de estruturas, como edifícios, pontes e aquedutos (CONNOR; FARAJI, 2016). Devido às limitações quanto aos vãos alcançados com arcos em alve- naria, o desenvolvimento de arcos sobre vãos com elevadas dimensões se deu juntamente com o desenvolvimento de materiais mais resistentes, ESTRUTURAS 72 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 72 11/06/2021 13:42:07 como o aço. No final do século XVIII, os arcos passaram a ser construídos de materiais metálicos. No final do século XIX, a emergência de estrutu- ras em concreto armado impulsionou a produção de pontes sobre arcos com arquiteturas mais agradáveis esteticamente, devido ao fato de que o concreto armado ofereceu maior versatilidade às construções dos arcos (CONNOR; FARAJI, 2016). Atualmente, o uso de arcos tem sido visto, principalmente, em pontes.Os arcos são mais agradáveis esteticamente do que as treliças, por exem- plo. Em pontes onde há a necessidade de vencer grandes vãos, as treliças e os arcos são opções viáveis. As pontes em arco podem ser construídas com os arcos sendo posicionados tanto na parte inferior da laje do tabu- leiro da ponte, quanto na parte superior. No caso de pontes com tabuleiro na parte superior, as cargas de peso próprio e cargas móveis são transferidas para a parte superior do arco (extradorso) por meio de elementos verticais em compressão. Em pontes onde o tabuleiro se en- contra na parte inferior do arco, há a necessidade de tirantes que conectam o tabuleiro ao arco. Es- ses tirantes estarão tracionados. Tipos de arcos Geralmente, arcos podem ser classifi cados quanto a forma (arco pleno, arco segmentar, arco catenário, arco parabólico etc.), quanto a função na es- trutura (arcobotante, arco diafragma, arco formalete, arco de ogiva, arco de cruzeiro etc.), quanto ao método de resistência ao empuxo horizontal (arco de fundação, arco reforçado e arco atirantado) e quanto ao grau de esta- ticidade. É importante destacar que todas essas classifi cações são impor- tantes, mas para os objetivos deste curso, apenas a última categoria será apresentada com mais detalhes. A classifi cação dos arcos quanto o grau de estaticidade se dá pela análise dos tipos de apoios e quantidade de rótulas que a estrutura possui. Dentre os principais tipos de arcos, pode-se destacar três: arcos biarticulados, ar- cos triarticulados e arcos com extremidades fi xas. ESTRUTURAS 73 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 73 11/06/2021 13:42:07 EXPLICANDO O grau de estaticidade de uma estrutura, ou elemento estrutural, é calculado com uma subtração. Diminui-se o número total de reações externas da estrutura (ou elemento) do número de equações de equilíbrio estático. Podemos ter três resultados: se for negativo, a estrutura é hipostática, havendo menos reações do que a equação de equilíbrio, o que deve ser evitado. Se o resultado for zero, a estru- tura é considerada isostática, já que o número de reações é igual de equações em equilíbrio. Finalmente, se a subtração resultar em valor positivo, ela é considerada hiperestática, já que há mais incógnitas do que equações e métodos avançados, que devem ser usados para a análise dessas estruturas. Arcos biarticulados Os arcos biarticulados são estruturas que possuem rótulas apenas nos apoios e, por isso, são mais rígidas. Entretanto, estruturas mais rígidas são suscetíveis a esforços extras decorrentes de variações de temperatura, re- calques do solo e erros de fabricação. Esse tipo de arco é uma estrutura indeterminada por causa das quatro reações de apoio. Reações de apoio Os arcos biarticulados, como o nome sugere, possuem duas rótulas, ou dois apoios, do tipo pino ou fixo. Esse tipo de suporte oferece restrição de movimento em duas direções, horizontal (x) e vertical (y). Sendo assim, em cada suporte, duas incógnitas são esperadas quando a análise desses arcos é desenvolvida. Como há a possibilidade de calcular o equilíbrio estático com três equações de equilíbrio: (1) (2) (3) Pode-se afirmar que um arco biarticulado é hiperestático do grau 1, porque, para a análise, há quatro incógnitas para apenas três equações de equilíbrio. Dessa forma, não é possível realizar uma análise completa dos esforços solicitantes de um arco biarticulado apenas com as três equações de equilí- brio, e métodos mais avançados baseados em deformações, como o método do trabalho virtual ou o método da força, são mais adequados. ESTRUTURAS 74 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 74 11/06/2021 13:42:07 A B VA VB HB Articulação HA Figura 4. Arco biarticulado. Fonte: LEET et al., 2018, p. 246. (Adaptado). Arcos triarticulados Os arcos triarticulados diferem dos biarticulados por possuírem uma rótula extra. Geralmente, essa rótula é construída no centro do arco. Com a adição dessa rótula extra, o arco se torna uma estrutura estaticamente determinada por causa da reação de equilíbrio extra que pode ser aplicada na rótula. Isso tor- na esse tipo de arco mais flexível que o arco biarticulado, e as deformações po- dem ser mais elevadas. Entretanto, esse tipo de arco apresenta menor sensibili- dade para as variações de temperatura, recalques do solo e erros de fabricação. Reações de apoio Os arcos triarticulados possuem três rótulas ou apoios fixos. Sendo assim, é possível fazer uma análise completa das reações de apoios de um arco triar- ticulado apenas com as equações de equilíbrio. Isso se deve ao fato de que a rótula central, como mostra a Figura 5, adiciona uma equação de equilíbrio extra. Essa equação extra é: (4) Sabe-se que em uma rótula, o somatório dos momentos é igual a zero e, com isso, um arco triarticulado é classificado como uma estrutura isostática. Figura 5. Arco triarticulado. Fonte: LEET et al., 2018, p. 246. (Adaptado). VA VB HA HB A B ESTRUTURAS 75 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 75 11/06/2021 13:42:07 EXPLICANDO As rótulas são soluções construtivas que geralmente são usadas para prevenir a transferência de momentos fletores. Por exemplo, em uma conexão entre viga e pilar, pode ser que o engenheiro projetista deseje que não haja momento fletor sendo aplicado no pilar e, assim, adota-se que a ligação entre pilar e viga seja executada de modo que haja uma rótula. Essa solução diminui as dimensões do pilar, poque a falta do momento fletor faz com que o dimensionamento do pilar leve em consideração apenas a compressão normal simples. Entretanto a não distribuição do momento no pilar faz com que os momentos fletores na viga sejam ainda maiores e as dimensões da viga podem ser maiores do se a ligação entre pilar e viga fosse engastada. As- sim, o engenheiro pode analisar as duas situações e ver qual é mais vantajosa em relação ao custo benefício. Arcos biengastados Um arco com extremidades fixas é o mais rí- gido dos três apresentados aqui. A vantagem desse elemento estrutural é possuir maior rigidez em relação às deformações, porém ele é ainda mais sensível aos problemas já apresentados nos arcos biarticulados, poden- do apresentar problemas quanto às variações térmicas e recalques de fundação. Nesse tipo de estrutura, as fundações localizadas abaixo dos apoios tendem a ser robustas para re- sistirem aos momentos gerados nos apoios. Por possuírem ainda mais rea- ções de apoio, os arcos biengastados possuem grau de estaticidade ainda mais elevados do que os arcos biarticulados. Reações de apoio Os arcos biengastados são caracterizados por apresentarem engastes nos dois apoios laterais. Cada engaste possui três reações, uma vertical, uma horizontal e um momento. No total, um arco biengastado possui seis reações de apoio e, com isso, ele é considerado uma estrutura hiperestática de grau 3. Quanto maior o grau de estaticidade de uma estrutura, maior a rigidez dessa estrutura. Sendo assim, dentre os três tipos de arcos apre- sentados nessa seção, os arcos biengastados são os que possuem maior resistência a deformações. ESTRUTURAS 76 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 76 11/06/2021 13:42:07 Figura 6. Arco com extremidades fixas. Fonte: LEET et al., 2018, p. 246. (Adaptado). Deformações em arcos e barras curvas A deformação de um arco depende principalmente do tipo de estrutura e dos apoios utilizados. Dentre os tipos de arcos apresentados nas seções anteriores, os arcos triarticulados são os mais flexíveis, porque apresen- tam uma rótula central, e comparados aos arcos biarticulados para o mes- mo carregamento, os arcos triarticulados apresentam maiores deforma- ções. Entretanto, por serem mais flexíveis, eles são menos afetados por recalques de fundação, por exemplo. Os arcos biengastados apresentam a maior rigidez dentre os três ti- pos apresentados anteriormente. Quando comparados aos outros tipos, os arcos biengastados são mais resistentesà deformação, mas em caso de recalques diferenciais do solo, eles são mais afetados do que os outros tipos. Além disso, produzir um suporte que se assemelhe e se comporte como um engaste ideal para ser base de um arco biengastado pode ser uma tarefa mais complicada do que construir um suporte semelhante a um apoio fixo. Na Figura 7, são apresentados os estados de deformações de cada tipo de arco. Na Figura 7a, um arco biarticulado é mostrado, e é possível ver que a deformação desse tipo de arco se dá por flambagem assimétrica. Na Figura 7b, um arco triarticulado é mostrado, e nota-se que a deformação da estrutura ocorre por uma flambagem simétrica em que a rótula central se desloca verticalmente para baixo. Na Figura 7c, um arco biengastado é mostrado, e é notório o efeito do engaste na deformação da estrutura. As deformações próximas de um engaste são zero, e isso é visto na Figura 7. No arco triengastado, a deformação é por flambagem assimétrica. HA HB VBMB BA VA MA ESTRUTURAS 77 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 77 11/06/2021 13:42:07 Em relação às diferenças entre estruturas isostáticas e hiperestáticas, é importante notar que estruturas hiperestáticas, ou estaticamente inde- terminadas, possuem uma distribuição de momentos mais otimizada ao longo da estrutura. Por exemplo, uma viga com um apoio fixo e um rolete, ou seja, isostática, possuirá um momento máximo no centro da viga maior do que a mesma viga sendo suportada por dois engastes. Isso se dá pelo Figura 7. Deformação de arcos de acordo com o tipo: biarticulado (a), triarticulado (b) e biengastado (c). Fonte: SILVA, 2016, p. 22, 24, 27. (Adaptado). q q q A B C ESTRUTURAS 78 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 78 11/06/2021 13:42:07 fato que os engastes ajudam na distribuição dos momentos. Com menores momentos atuando na seção transversal de um elemento estrutural, o di- mensionamento da seção transversal pode resultar em peças com meno- res dimensões. Além disso, uma estrutura com vínculos excedentes pode gerar maior segurança em relação às deformações e movimentos dos ele- mentos estruturais. Dentre as vantagens de uma estrutura isostática em relação a uma hipe- restática, pode-se citar que os esforços internos em uma estrutura isostática são dependentes, unicamente, dos carregamentos e geometria dos elemen- tos estruturais. Em estruturas hiperestáticas, os esforços internos dependem da rigidez dos elementos e das propriedades dos materiais utilizados. Além disso, as estruturas isostáticas, como citado anteriormente, pos- suem maior fl exibilidade quanto a deformações. Por exemplo, uma estru- tura isostática pode suportar melhor os recalques de fundação e variações de temperatura quando comparada a uma estrutura hiperestática. É im- portante destacar que as estruturas hiperestáticas podem resistir a todas essas deformações, desde que sejam projetadas para tal. Cada tipo de estrutura e formulação de estabilidade tem as suas peculiaridades, mas é essencial que todos os tipos de carregamentos e deformações sejam conside- rados, e que o elemento estrutural seja dimensionado levando em consideração todos os cenários possíveis. Análise de esforços solicitantes em arcos isostáticos O diagrama mostrado na Figura 8a é de um arco triarticulado com um car- regamento pontual. Como explicado no subtópico anterior, esse tipo de arco é isostático e, com isso, é possível solucionar tanto as reações quanto os esfor- ços internos por meio das equações de equilíbrio. Assim como em vigas Ger- ber, estruturas que possuem rótulas ao longo de sua seção transversal podem ser desmembradas, simplifi cando, assim, a análise, como visto na Figura 8b. As reações na rótula são apenas verticais e horizontais uma vez que em uma rótula o momento é igual a zero. ESTRUTURAS 79 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 79 11/06/2021 13:42:07 HA VA VB H P HB L Rótula BA C L-xx HA HC HC HB VC VBVA VC HH P A L/2L/2 - xx L/2 C A B Figura 8. Arco triarticulado com carregamento pontual (a) e estrutura simplificada (b). (Adaptado). Primeiramente, pode-se utilizar as equações de momento tanto para o pon- to A, quanto para a rótula em C, a fim de encontrar o valor das reações tanto em A, quanto em C, em função de P. Para isso, temos (momentos que causam rotação no sentido anti-horário são considerados positivos): (5) (6) (7) (8) (9) (10) (1) (11) (2) (12) ESTRUTURAS 80 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 80 11/06/2021 13:42:07 Com esses resultados, é possível utilizar as equações de equilíbrio no lado direito do arco mostrado na Figura 8b para solucionar os valores das reações: (13) (14) (8) (15) (16) (17) (1) (18) Fy = 0 (2) (19) Com esses resultados, é possível encontrar os valores de HA, VA, HB e VB em função das variáveis P, H, x e L, que geralmente são conhecidas. Sabendo que HB é igual a HC e VB é igual a VC, pode-se igualar as equações e encontrar HB em função de P, x e L: (20) (21) (22) (23) Usando esse valor, o valor de HB pode ser estimado: (24) Com os valores de VB e HB, pode-se estimar o valor de VA e HA: (25) (26) ESTRUTURAS 81 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 81 11/06/2021 13:42:07 Exemplo 1: baseando-se na análise desenvolvida anteriormente, calcula- remos as reações de apoio e a força normal de compressão no ponto D (seção entre o apoio A e o ponto de aplicação da força de 10 kN) desenvolvida no arco da Figura 9. Os dados do problema são: • P vale 10 kN; • x vale 10 m; • H vale 10 m; • L vale 40 m. VA HA HB VB Rótula 40 m 10 m 10 m 26.6° y = -10x2/(20)2 10 kN A D C B 10 m 20 m Figura 9. Exemplo de arco triarticulado com carregamento pontual. (Adaptado). Por meio da equação (23): (27) Por meio da equação (24): (28) Por meio da equação (25): (29) Por meio da equação (26): (30) ESTRUTURAS 82 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 82 11/06/2021 13:42:08 O valor negativo de ND indica que o vetor mostrado para esse esforço, na Figura 10, foi representado na direção oposta e, com isso, ND é uma força de compressão, por estar comprimindo a seção em D. Pela análise dos resultados do exemplo 1, pode-se notar que o arco apresenta esforços cortantes e de momento fletor. Isso está diretamente relacionado ao tipo de carregamento empregado no exemplo 1. Como a carga não era simétrica e distribuída, era esperado que houvessem esforços de cisalhamento e flexão. Em arcos com carregamentos distribuídos e simétricos, geralmente os esforços predominantes são os nor- mais de compressão, e os outros esforços são menores ou nulos. A resolução de arcos isostáticos com carregamentos uniformes ao longo da curvatura do arco segue um procedimento similar ao apresentado no exemplo 1. Entretanto, nas equações de equilíbrio, ao invés de uma força unitária e pon- tual, é esperado que mais termos sejam incluídos nos cálculos. Em arcos onde há simetria de geometria, suportes e carrega- mentos, a compressão pura simples é esperada e esse tipo de geometria é denominada funicular. Na Figura 10, os resultados alcançados anteriormente são usados para o cálculo do esforço de compressão na seção transversal do arco no ponto D. O esforço normal de compressão no ponto D pode ser calculado pelo somatório de esforços normais ao longo do eixo do arco: (31) (32) 5 kN 7.5 kN 5 x sen26.6 = 2.24 kN 5 x cos26.6 = 4.47 kN 7.5 x sen26.6 = 3.36 kN 7.5 x cos26.6 = 6.71 kN D D M M Q Q ND ND 26.6º eix o Figura 10. Análise dos esforços internos. ESTRUTURAS 83 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 83 11/06/2021 13:42:08 Grelhas Segundo Martha (2010, n. p.), o início do desen- volvimento da análise das estruturas se deu com estruturas chamadas de reticuladas. Esses tipos de estruturas são as que podem ser represen- tadas por meio de barras de eixo reto. Barras são definidas como elementos estruturais em que uma das dimensões é claramente muito maior do queas outras duas. Nesse caso, o comprimento do elemento é muito maior do que as outras dimensões. Um exem- plo de estrutura reticulada é uma grelha plana. Esse tipo de estrutura é composta por barras contínuas e com carregamentos perpendiculares ao plano dos elementos. Sabe-se que seis equações de equilíbrio da estática regem um siste- ma de forças em equilíbrio no espaço (tridimensional), uma vez que pode haver um somatório de forças e momentos para cada eixo (ΣFx, ΣFy, ΣFz, ΣMx, ΣMy e ΣMz todos iguais a zero). Entretanto, como em grelhas planas há apenas forças perpendiculares, algumas dessas equações de equilíbrio se tornam obsoletas. Suponha que uma grelha esteja contida nos eixos x e y da Figura 11, e as forças P1, Pi e Pn sejam forças aplicadas nessa grelha. É notório que nenhuma dessas forças causará qualquer esforço nas di- reções x ou y, porque essas forças estão aplicadas apenas no eixo z. Desse modo: (1) (2) (33) Passam a não serem necessárias para a análise de grelhas. Sendo assim, na análise de grelhas planas, é necessário apenas o uso de três equações de equilíbrio: (34) (35) (36) ESTRUTURAS 84 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 84 11/06/2021 13:42:08 Pn Pi P1 O x y z Figura 11. Representação da direção e eixos de aplicação de cargas em uma grelha plana. Fonte: SÜSSEKIND, 1987, p. 275. (Adaptado). O diagrama mostrado na Figura 12 é a representação de uma grelha plana com carregamento distribuído (q). Como explicado anteriormente, as forças ou carregamentos devem ser aplicadas perpendicularmente ao plano da grelha. A grelha está contida no plano definido pelos eixos x e y, e o carregamento é aplicado na direção do eixo z. É possível notar que os apoios influenciam diretamente o tipo de deforma- ção causada pela aplicação do carregamento. Do lado direito da grelha, a de- formação é vertical, representada por Δz, e sem rotação. Isso se dá pelo fato de que o apoio naquele lado é do tipo fixo e não acrescenta qualquer resistência à rotação. Do outro lado, a grelha possui um suporte engastado, que gera restri- ção à rotação. Por isso, duas rotações são representadas: a primeira é causada pela rotação em torno do eixo x (θx) e a segunda em torno do eixo y (θy). Em relação às reações de apoio, nota-se que não existem reações na di- reção do eixo x ou y, como explicado no parágrafo referente a Figura 11. Há apenas reações verticais na direção do eixo z (VA e VB). A reação de momento Mx A é causada pelo momento gerado no engaste por causa do carregamento q. A reação de momento My A representa o momento torsor, gerado no engaste por causa do carregamento q. ESTRUTURAS 85 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 85 11/06/2021 13:42:08 MA Y MA X VA Z Y X VB q Δz 0y 0x Figura 12. Eixos, reações, carregamento, rotações e deslocamentos em uma grelha plana. Fonte: MARTHA, 2010, p. 32. (Adaptado). DICA Diferentemente do momento fletor, que é causado por rotação da seção transversal de um elemento estrutural em relação a um eixo contido pela seção transversal, o momento torsor é causado pela rotação da seção transversal em torno do seu próprio eixo longitudinal. É importante en- tender e saber calcular os momentos torsores em elementos estruturais, porque para o cálculo e dimensionamento de uma estrutura, seja de aço, concreto armado ou madeira, é imprescindível que a estrutura seja re- sistente o suficiente para aguentar esse tipo de esforço. Negligenciar os momentos torsores pode causar diversos tipos de problemas estruturais e até o colapso total de uma estrutura. Na Figura 13, é possível ver a mesma grelha apresentada na Figura 12, en- tretanto, o objetivo da Figura 13 é mostrar os esforços internos da grelha. Caso um corte seja feito em uma das barras da grelha, haverá os seguintes esforços internos: • Q: esforço cortante (em algumas literaturas, essa simbologia pode mudar e é comum encontrar as letras Q e V sendo usadas para representar esforços cortantes); • M: momento fletor; • T: momento torsor. ESTRUTURAS 86 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 86 11/06/2021 13:42:08 Q Q T T M M X Z y Figura 13. Eixos, reações, carregamento, rotações e deslocamentos em uma grelha plana com foco nos esforços inter- nos da grelha. Fonte: MARTHA, 2010, p. 33. (Adaptado). Classificação quanto ao equilíbrio estático Apesar do equilíbrio estático de uma estrutura ser classifi cado de acordo com a análise do número de reações de apoio em relação ao número de equa- ções de equilíbrio, é necessária a análise das restrições aos movimentos que os apoios oferecem à estrutura. Uma estrutura está restringida quando os apoios oferecem condições sufi cientes para que a estrutura tenha resistências a todos os tipos de movimentos, sejam de translação ou rotação. Geralmente, em estruturas que são convencionalmente representadas em duas dimensões, como por exemplo uma viga isostática, utilizam-se as três equações de equilíbrio (as equações (1), (2) e (3)) para a determinação do grau de estaticidade. Entretanto, como explicado anteriormente, no caso de grelhas planas, não existem forças sendo aplicadas na direção do eixo x ou y e, por con- sequência, as três equações de equilíbrio a serem utilizadas são: (33) (34) (35) ESTRUTURAS 87 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 87 11/06/2021 13:42:08 Sendo que o número de incógnitas ou reações de apoio dependem do tipo de apoios aplicados em cada estrutura. O grau de estaticidade de uma grelha plana pode ser calculado pela sub- tração entre o número de incógnitas, ou reações, e o número de equações de equilíbrio. Porém, é importante notar que essa subtração pode indicar uma estrutura como sendo isostática ou hiperestática, mas os apoios não apre- sentaram condições suficientes de restrição ao movimento da estrutura em relação a alguma direção. Se isso acontecer, a estrutura deve ser considerada hipostática. Veja, na Figura 14, alguns exemplos de variações de apoios em grelhas planas. Propõe-se que cada uma dessas estruturas seja analisada quanto ao grau de estaticidade. Na Figura 14a, temos: ni (número de incógnitas) = 3 (reações de engaste: momento fletor, momento torsor e reação vertical) + (1 reação no apoio fixo: reação vertical) = 4 (37) ne (número de equações de equilíbrio: (38) ne (número de equações de equilíbrio: (38) ne (número de equações de equilíbrio: (38) Grau de estaticidade = ni - ne = 4 - 3 = 1 (grelha hiperestática de grau 1) (39) Grau de estaticidade = ni - ne = 4 - 3 = 1 (grelha hiperestática de grau 1) (39) Grau de estaticidade = ni - ne = 2 - 3 = -1 (grelha hipostática) (42) A verificação de restrição ao movimento é igual aos apoios oferecerem re- sistência a movimentos em todos as direções possíveis. Na Figura 14b, temos: ni (número de incógnitas) = 3 (reações de engaste: momento fletor, momento torsor e reação vertical) + 1 (reação no apoio do tipo rolete: reação vertical) = 4 (40) ni (número de incógnitas) = 1 (reação no apoio fixo: reação vertical) + 1 (reação no apoio do tipo rolete: reação vertical) = 2 (41) A verificação de restrição ao movimento é igual aos apoios oferecerem re- sistência a movimentos em todos as direções possíveis. Na Figura 14c, temos: ESTRUTURAS 88 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 88 11/06/2021 13:42:08 A verifi cação de restrição ao movimento é igual aos apoios não oferecerem resistência a movimentos em todos as direções possíveis. Apesar de os apoios apresentarem restrição ao movimento vertical, eles não oferecem quaisquer restrições à rotação, e a grelha, certamente, irá rotacionar verticalmente por causa do peso próprio e colapsar. Na Figura 14d, temos: ne (número de equações de equilíbrio: (38) Grau de estaticidade = ni - ne = 6 - 3 = 3 (grelha hiperestática de grau 3) (44) ni (número de incógnitas ) = 3 (reações de engaste: momento fletor, momento torsor e reação vertical) + 3 (reações de engaste: momento fletor, momentotorsor e reação vertical) = 6 (43) A verifi cação de restrição ao movimento é igual aos apoios oferecerem re- sistência a movimentos em todos as direções possíveis Análise de grelhas isostáticas A análise de grelhas se dá de forma similar a análise de outras estruturas. Inicialmente, é importante construir um diagrama de corpo livre com todas as dimensões, carregamentos e apoios. Posteriormente, o grau de estaticidade da estrutura é determinado e, com isso, o engenheiro pode escolher o método de análise. Figura 14. Grelhas com diferentes confi gurações de apoios. a b c d A B C D ESTRUTURAS 89 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 89 11/06/2021 13:42:08 No caso de grelhas isostáticas, o uso das equações de equilíbrio é suficiente para o cálculo das reações de apoio e dos esforços internos. Para grelhas hiperestáticas, o engenheiro pode fazer uso de algum software para a análise ou utilizar métodos mais avançados, como o método da força e o método dos deslocamentos. A grelha mostrada na Figura 15 é uma simples representação de uma estrutura isostática com uma força pontual na extremidade. Para a compreensão da análise a ser desenvolvida para esse exemplo, é importante entender que uma grelha plana é constituída por barras contínuas. Sendo assim, qualquer corte ou seção feita ao lon- go das barras da grelha, deve ser suportada por um engaste, indicando que aquela seção é completamente restringida em todas as direções. A análise da grelha apresentada na Figura 15 se dará em três partes: barra A-B, barra B-C e barra C-D. 1 kN 1 kN 1 kN 1 kN 10 kN-m 10 kN-m C A C B D B MD MB MC VD VB VC A B C D 10 m 10 m 10 m Figura 15. Análise de reações de apoio e esforços internos de uma grelha plana. ESTRUTURAS 90 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 90 11/06/2021 13:42:08 Barra A-B Como explicado anteriormente, o corte feito no ponto B gera um engaste. Sendo assim, a estrutura representada pela barra A-B ainda é uma estrutura isostática, e pode ser resolvida com o uso das equações de equilíbrio. (33) (45) (34) (46) A terceira equação de equilíbrio (equação (35)) não é necessária nessa barra, porque não há nenhuma força que causará algum momento em relação ao eixo y. Barra B-C Para a análise da barra B-C, é importante entender que as reações encontra- das para B são transferidas para o ponto B na barra B-C. Analisando a estrutura desmembrada, na Figura 15, pode-se notar que a reação VB foi descarregada no ponto B da barra B-C. O momento MB é transferido em forma de momento tor- sor, uma vez que a força de 1 kN torce a barra B-C com uma alavanca de 10 m. Com esses valores de forças e momentos, é possível encontrar os valores de VC e MC: (33) (47) (35) (48) (33) A segunda equação de equilíbrio (equação (34)) não é necessária nessa barra, já que não há nenhuma força que causará algum momento em relação ao eixo x. Barra C-D O processo para o cálculo dos esforços e reações para a barra C-D segue um procedimento similar ao da barra B-C. O momento MC é transferido em forma de momento torsor, uma vez que a força de 1 kN torce a barra C-D com uma alavanca de 10 m. Com esses valores de forças e momentos, é possível encon- trar os valores de VD e MD: (49) (34) (50) ESTRUTURAS 91 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 91 11/06/2021 13:42:08 A terceira equação de equilíbrio (equação (35)) não é necessária nessa bar- ra, porque não há nenhuma força que causará algum momento em relação ao eixo y. Apesar de o exemplo anterior ter sido simples, a metodologia a ser utilizada para problemas contendo carregamentos mais complexos, como combinações de forças pontuais e carregamentos distribuídos, é similar. Caso a grelha seja hiperestática, ou seja, apresente mais incógnitas do que equações de equilíbrio, há a necessidade do uso de métodos mais avançados de análise. Entre alguns exemplos dessas metodologias, po- de-se citar o método das forças e deslocamentos. O avanço da computação propicia diversas possibilidades do uso de programas computacionais para a análise de estruturas hiperestáticas também. ESTRUTURAS 92 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 92 11/06/2021 13:42:08 Sintetizando Nessa unidade, foram apresentados dois tipos de estruturas que são comu- mente utilizadas em construções: arcos e grelhas. A primeira parte da unidade apresentou uma breve história do desenvolvimento dos arcos estruturais e a sua classificação quanto aos tipos de apoios e rótulas internas (biarticulado, triarti- culado e biengastado). Posteriormente, um exemplo sobre o cálculo de reações de apoios e esforços internos em arcos triarticulados foi mostrado. Em relação às grelhas, a unidade foi usada para explanar um sistema de for- ças no espaço. Anteriormente, todas as estruturas apresentadas estavam sen- do representadas e analisadas em duas dimensões. Entretanto, para a análise de grelhas, é necessário considerar a estrutura em três dimensões e isso afeta diretamente o tipo de equações de equilíbrio a serem utilizadas. Um simples exemplo de cálculo de grelhas isostáticas foi usado para exemplificar o uso das equações de equilíbrio. É importante destacar que os exemplos mostrados nesta unidade foram de estruturas isostáticas, mas muitas das estruturas encontradas em arcos e gre- lhas são hiperestáticas e a análise e cálculo dessas estruturas requerem mais conhecimentos de métodos de análise de estruturas hiperestáticas. Esses méto- dos são conteúdo de disciplinas mais avançadas, mas o conhecimento adquirido aqui, com estruturas isostáticas, é de grande importância para o entendimento de estruturas hiperestáticas. Além do mais, atualmente, existem muitos tipos de software para analisar de forma mais detalhada estruturas hiperestáticas. Os objetivos da unidade foram alcançados e as peculiaridades dos tipos e análises de arcos e grelhas isostáticas foram apresentadas. Os conhecimentos adquiridos aqui serão necessários em unidades e disciplinas posteriores. ESTRUTURAS 93 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 93 11/06/2021 13:42:09 Referências bibliográficas CONNOR, J. J.; FARAJI, S. Fundamental of structural engineering. 2. ed. [s. l.]: Springer, 2016. LEET, K. M. et al. Fundamentals of structural analysis. 5. ed. New York: McGra- w-Hill, 2018. MARTHA, L. F. Análise de estruturas: conceitos e métodos básicos. 2. ed. [s. l.]: Elsevier, 2010. NUNES, P. C. C. Teoria do arco de alvenaria: uma perspectiva histórica. 2009. 176 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade de Brasília, Brasília, 2009. SILVA, T. D. Modelos para análise da força crítica de flambagem em ar- cos circulares. 2016. 115 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2016. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2021. SOUZA, M. M. Q. Investigação de estruturas arqueadas pela teoria da está- tica gráfica. 2019. 61 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Ouro Preto - Escola de Minas, Ouro Preto, 2019. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2021. SÜSSEKIND, J. C. Curso de análise estrutural. 7. ed. São Paulo: Globo, 1987, v. 3. ESTRUTURAS 94 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID3.indd 94 11/06/2021 13:42:09 TRELIÇAS 4 UNIDADE SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 95 11/06/2021 13:53:21 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Introduzir os conceitos e aplicações de treliças; Apresentar e exemplificar as metodologias para o cálculo dos esforços axiais em treliças planas; e Apresentar e exemplificar o uso de treliças espaciais. Treliças Tipos de treliças Classificação quanto à formação e ao equilíbrio estático Barra de esforços nulos Processos de análise Análise de treliças espaciais ESTRUTURAS 96 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 96 11/06/2021 13:53:22Treliças Treliças planas são estruturas reticuladas compostas por barras representa- das em um mesmo plano. A estrutura deve ser formada por um sistema estável e duas considerações devem ser feitas: • As articulações entre barras são feitas de modo que a conexão nas extremi- dades seja perfeita; e • As cargas pontuais são aplicadas nos nós, apenas. Geralmente, as treliças possuem elementos organizados de forma triangular e, como os nós e apoios são simplifi cados, de modo que não haja transferências de momentos ou qualquer atrito, as barras possuem apenas esforços axiais de tração ou compressão. Consequentemente, a seção transversal dos membros da treliça tende a ser menor e mais esbelta. Em relação ao desenvolvimento das primeiras treliças, o material usado por volta de 1800 era a madeira, até que a tecnologia de elementos em ferro fundi- do foi desenvolvida. A revolução industrial impulsionou a construção de pontes mais robustas, que resistiam aos trens com cargas maiores. O desenvolvimen- to de treliças mais resistentes seguiu esse desenvolvimento. Nesse período, os projetistas deram seus nomes às treliças por eles desenvolvidas, é por isso que existem treliças com nome. Na Figura 1, algumas dessas treliças são mostradas. Howe Fink Whipple Warren Pratt Parker Figura 1. Treliças com nomes. Fonte: CONNOR; FARAJI, 2016, p. 57. (Adaptado). ESTRUTURAS 97 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 97 11/06/2021 13:53:22 Tipos de treliças Treliças de telhado Um dos usos mais comuns de treliças planas se dá em telhados. As treliças são colocadas nas extremidades dos telhados e conectadas por travessas, como mostrado no primeiro exemplo da Figura 1, Howe. Em telhados mais longos, é possível utilizar mais de duas treliças para que as cargas nas tra- vessas sejam menores e que existam mais suportes para resistir as cargas externas. Como mostrado no exemplo de Howe, as travessas são apoiadas nos nós da treliça para que apenas esforços axiais sejam gerados nos elemen- tos da treliça. Em algumas construções mal executadas e mal planejadas, os construtores apoiam as travessas fora dos nós, o que pode causar esforços de momento fl etor nas barras da treliça. Deve se evitar essa prática pois, geralmente, as barras de uma treliça não são projetadas para resistir momen- tos. Isso pode comprometer a estabilidade e resistência de toda a estrutura do telhado. EXPLICANDO Não é raro encontrar treliças com cargas sendo aplicadas fora dos nós. Esses casos são vistos principalmente em construções de telhados em que não existe projeto ou responsável técnico. Em muitos desses casos, essas treliças são construídas com seções robustas e com desperdício de materiais, o que faz com que elas possam resistir aos esforços causados por chuvas e ventos. Por isso, o projeto e detalhamento dos elementos de uma treliça são fundamentais, pois otimizam o uso de materiais e fazem com que a estrutura funcione como projetada. As cargas externas aplicadas no telhado, como, por exemplo, cargas de vento, são aplicadas nas travessas de modo que a distribuição dessas cargas seja feita por meio de áreas de infl uência. No caso da estrutura mostrada na Figura 2a, a área de infl uência para a travessa em DD ’ é calculada por meio da multiplicação do comprimento do telhado e a largura de infl uência. Essa largura é a soma entre a metade da distância entre C e D e a metade da distância entre D e E. ESTRUTURAS 98 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 98 11/06/2021 13:53:22 Na Figura 2b, uma representação da treliça mostrada na Figura 2a é pro- posta e pode-se notar que as reações causadas pelas travessas são aplicadas nos nós, perpendicularmente às barras do banzo superior. Essas cargas, que podem ser tanto de vento quanto de chuva, ou combinações das duas, geram as reações nas travessas e depois são transferidas para vigas e pilares por meio dos apoios da treliça. Em relação aos carregamentos causados por ventos, primeiramente, o te- lhado pode sofrer pressão quando o vento está pressionando ou impactando os elementos da superfície ao qual ele está sendo aplicado. Posteriormente, de acordo com a geometria e aerodinâmica da construção, o vento pode cau- sar sucção das superfícies do telhado, fazendo com que os elementos se des- prendam da estrutura. Cargas de vento aplicadas como pressão são cargas distribuídas com o sinal positivo que causam compressão no banzo superior de uma treliça de telhado e tração no banzo inferior. A sucção causa o efeito oposto, uma vez que ela tem sinal negativo. Ou seja, na sucção, a carga distri- buída tende a ter vetores indo na direção contrária em relação à superfície a qual ela está sendo aplicada. Treliça de telhadoA A b) a) Travessa B B C C D D D’ E E Figura 2. Treliça de telhado. Fonte: HIBBELER, 2005, p. 221. (Adaptado). ESTRUTURAS 99 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 99 11/06/2021 13:53:24 Treliças de pontes Um dos usos comuns de treliças é em pontes, como mostrado na Figura 3a. Como se pode observar, as longarinas são elementos colocados abaixo do piso e que se estendem ao longo da ponte. Ou seja, o comprimento das longarinas é igual ao comprimento da ponte. As transversinas, como o nome indica, são elemen- tos estruturais colocados abaixo das longarinas, visando a distribuição das cargas para as treliças. O comprimento das transversinas é igual à largura da ponte. A Transversina b) a) Treliça da ponte Longarina Piso B C D E Figura 3. Treliça de ponte. Fonte: HIBBELER, 2005, p. 221. (Adaptado). A B C D E ESTRUTURAS 100 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 100 11/06/2021 13:53:25 Neste tipo de sistema estrutural, as cargas tanto de peso próprio quan- to dos automóveis sobre o piso são descarregadas primeiramente nas lon- garinas e, posteriormente, nas transversinas. Como esperado, as transver- sinas são conectadas nos nós do banzo inferior da treliça. Isso auxilia para que as reações causadas nas extremidades das transversinas não sejam descarregadas no meio de uma barra da treliça, uma vez que, como expli- cado anteriormente, para evitar momentos fletores nos elementos de uma treliça, as cargas devem ser aplicadas nos nós. A Figura 3b mostra a repre- sentação de uma das treliças com as cargas pontuais descarregadas pelas transversinas sobre os nós. É importante destacar que, em pontes ou telhados de comprimento ele- vado, ou seja, que buscam vencer elevados vãos, as deformações por varia- ções de temperatura ou por aplicação de cargas devem ser consideradas. O uso de apoio do tipo rolete, por exemplo, que não oferece resistência ao deslocamento horizontal, é uma das soluções pois permite que a estrutura possa sofrer expansão ou contração. Classificação quanto à formação e ao equilíbrio estático As treliças podem ser classifi cadas quanto à formação e ao equilíbrio está- tico. Na Figura 4, são mostrados os diferentes tipos de treli- ças. As simples são formadas pela adição de duas barras, conectando dois nós existentes a um terceiro nó. Por exemplo, o nó D da Figura 4a é formado pela adição de duas barras, uma vinda de B e uma vinda de C. Esse pro- cesso é repetido até que todos os elementos das treliças sejam posicionados. As treliças compostas são constituídas de combi- nações de treliças simples, como mostrado na Figu- ra 4b. As treliças complexas, mostradas na Figura 4c e 4d, são aquelas que não são nem simples nem compostas. As treliças complexas podem ser construídas por meio de combinações de elementos triangulares, quadriláteros e/ou poligonais. ESTRUTURAS 101 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 101 11/06/2021 13:53:25 Treliça simples Treliça simplesB D A C a) c) b) d) E Figura 4. Classificação de treliças quanto à formação. Fonte: LEET et al., 2017, p. 134-135. (Adaptado). Antes de iniciar qualquer análise de uma treliça, é importante saber se ela é estável e determinada. Caso a treliça seja instável, ou seja,não ofereça con- dições de estabilidade para que os elementos possam suportar as cargas ex- ternas e de peso próprio de modo equilibrado, não deve ser utilizada e tanto a geometria quanto as condições de apoio devem ser revisadas. O cálculo do grau de indeterminação estática de uma treliça auxilia na sua classificação entre: instável, estaticamente determinada e estaticamente inde- terminada. Existem duas equações de equilíbrio disponíveis em cada nó: ΣFX = 0 e ΣFY = 0. Sendo assim, a classificação é feita de acordo com a Equação 1. Essa equação é similar ao grau de estaticidade de uma estrutura. A formulação da equação se dá por número total de incógnitas menos o número total de equa- ções disponíveis. G = r + b - 2n (1) ESTRUTURAS 102 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 102 11/06/2021 13:53:25 Onde, • G: grau de indeterminação; • r: quantidade de reações desconhecidas; e • n: número de nós. Se G 0, a estrutura é considerada estaticamente indeterminada. Isso indica que apenas as equações de equilíbrio estático não são suficientes para calcular todas as incógnitas da treliça e, portanto, métodos avançados devem ser aplicados. Para exemplificar as explicações anteriores, tomemos alguns exemplos do cálculo do grau de indeterminação de treliças planas. As treliças utilizadas para cada caso são mostradas na Figura 5. A B (a) A B (b) ESTRUTURAS 103 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 103 11/06/2021 13:53:25 Figura 5. Treliça de ponte. Fonte: LEET et al., 2017, p. 153. (Adaptado). C G F EBA (c) BA (d) A B(e) A B C (f) D ESTRUTURAS 104 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 104 11/06/2021 13:53:25 Figura 5a b = 8; r = 4; n = 6 (2) b + r = 12; 2(n) = 12 b + r = 2n (estaticamente determinada) Aparentemente, a treliça é estaticamente determinada, como calculado an- teriormente. Entretanto, a falta de uma barra central que possa transferir os esforços verticais faz com que essa treliça seja considerada instável. Quadros planos geralmente tendem a ser vulneráveis aos esforços e podem sofrer co- lapso. A colocação de uma barra inclinada, conectando um vértice a outro do quadro plano central, seria suficiente para que essa treliça fosse estável. Figura 5b b = 21; r = 3; n = 10 (3) b + r = 24; 2(n) = 20 b + r > 2n (estaticamente indeterminada) A estrutura é estaticamente indeterminada de grau 4. As reações de apoio podem ser determinadas para qualquer tipo e combinação de carregamentos externos usando as três equações de equilíbrio estático. Entretanto, as duas equações de equilíbrio disponíveis para cada nó não são suficientes para de- terminar os esforços internos de cada barra. Assim, métodos mais avançados devem ser utilizados. É possível notar que a indeterminação é resultante da adição das duas diagonais (em forma de x) em cada quadro da treliça. É possível remover uma diagonal em cada quadro para que a estrutura seja estaticamen- te determinada. Figura 5c b = 16; r = 4; n = 10 (4) b + r = 20; 2(n) = 20 b + r = 2n (estaticamente determinada) Apesar da equação do grau de estabilidade ter indicado que a treliça é esta- ticamente determinada, a parte direita da treliça está formando um sistema de forças paralelas com a parte esquerda. A barra CD é uma conexão entre essas duas partes, e qualquer força aplicada no nó F, por exemplo, pode causar um levantamento da parte esquerda da treliça. Isso deve ser evitado, uma vez que é desejável que todos os elementos de uma treliça permaneçam estáticos. As- sim, a treliça deve ser considerada instável. ESTRUTURAS 105 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 105 11/06/2021 13:53:25 Figura 5d b = 6; r = 3; n = 5 (5) b + r = 9; 2(n) = 10 b + rexemplifi cado nas próximas seções. Entretanto, é importante apresentar alguns conceitos básicos sobre os es- forços internos em barras de uma treliça. A Figura 7 mostra a representação de uma barra tracionada (Figura 7a) e de uma barra comprimida (Figura 7b). A tração causa o alongamento da barra e a compressão, seu encurtamento. Por isso, as forças internas na barra tracionada são representadas saindo da barra, e as forças internas na barra comprimida são representadas entrando na barra. Nó A Nó A (a) (b) Nó B Nó B A A T C C C C TT T B B Figura 7. Treliça de ponte. Fonte: LEET et al., 2017, p. 136. (Adaptado). Outro conceito importante é o de que a força interna em uma barra é constante em todos os locais da barra. Ou seja, caso uma seção seja feita en- tre o nós A e B, a mesma força representada em A deve ser representada em B. Ou seja, supondo que FAB seja a força de tração da barra AB representada no nó A, a mesma força deve ser representada em B, mas com o nome de FBA pois a seta vai de B para A. FAB e FBA são a mesma força, mas são representadas em nós diferentes e a nomenclatura das forças geralmente se dá de modo que a sequência das letras segue a sequência de onde a força sai para onde ela está indo. ESTRUTURAS 108 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 108 11/06/2021 13:53:26 Método dos nós Neste método, deve-se fazer um corte ou seção em volta de um nó cortando todas as barras que se conectam a ele. Cada barra cortada deve ser representada por uma força. Geralmente, essas forças são representadas como sendo de tra- ção, ou seja, saindo do nó. Entretanto, a convenção da direção do esforço interno pode ser determinada pelo projetista. Após os cálculos dos esforços através das equações de equilíbrio do nó, um sinal negativo indica que a força deve estar na direção contrária. Neste documento, sempre que houver um corte em uma barra, a força nessa barra será adotada como sendo de tração. Assim, caso o cálculo des- sa força resulte em um valor negativo, essa força é de compressão. Como as forças em um nó constituem um sistema de forças concorrentes, existem duas equações de equilíbrio disponíveis para o cálculo dos esforços internos nas barras: ΣFX = 0 e ΣFY = 0. O somatório de momentos não é utilizado porque, como as forças passam pelo mesmo ponto (o nó), nenhuma das forças causa momento em relação ao nó. DICA Ao início da análise dos esforços axiais nos membros de uma treliça pelo método dos nós, é recomendável que todas as barras nulas sejam iden- tificadas. Isso facilita o cálculo dos outros elementos, uma vez que essa identificação pode possibilitar mais opções para o início dos cálculos. Além disso, em alguns casos, uma treliça estaticamente indeterminada pode ser resolvida unicamente com o uso do método dos nós dependendo do grau de estaticidade. Para o entendimento da aplicação do método dos nós, a treliça mostrada na Figura 8 será analisada quanto aos esforços internos e às reações de apoio. É importante destacar que o ângulo formado entre as barras pode ser repre- sentado de duas maneiras: pela indicação de um valor nominal do ângulo ou por um triângulo retângulo representando a inclinação. A conversão dos es- forços de cada barra para a direção de um eixo deve ser feita utilizando as leis da trigonometria (seno, cosseno e tangente). Para os exemplos utilizados nas próximas seções, os ângulos são representados por um triângulo retângulo com lados 3, 4 e 5. Assim, o seno e cosseno do ângulo serão representados por frações. Por exemplo, na Figura 8 é mostrado um nó com uma força inclinada e, para que as componentes dessa força sejam aplicadas nas equações de equi- líbrio, deve-se usar seno e cosseno do ângulo θ. ESTRUTURAS 109 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 109 11/06/2021 13:53:26 As componentes são calculadas da seguinte maneira: FAB_x = FAB ∙ cos θ = FAB ∙ (4/5) (8) FAB_y = FAB ∙ sen θ = FAB ∙ (3/5) (9) θ 5 FAB 4 3 Figura 8. Treliça plana com cargas pontuais aplicadas no banzo superior. O detalhamento de cada nó e as forças em cada barra são mostrados na Figura 9. Seguindo as recomendações sobre como iniciar o cálculo de esforços internos em treliças planas, é possível notar que existem diversas possibilidades para a ordem de cálculo das incógnitas. Depois de encontrar as reações de apoio utilizando as três equações de equilíbrio externo, pode-se iniciar o cálculo das forças internas tanto no nó A como no E, os apoios. Ambos os nós possuem ape- nas duas incógnitas e elas podem ser encontradas com a utilização das duas equações de equilíbrio dos nós: ΣFX = 0 e ΣFY = 0. ESTRUTURAS 110 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 110 11/06/2021 13:53:26 Figura 9. Detalhamento dos esforços em cada nó. Primeiramente, as reações de apoio devem ser calculadas: ΣME = 0 (10) -10kN ∙ (4m) – 10kN ∙ (8m) - 10kN ∙ (12m) - VE ∙ (16m) = 0 VE = 15kN ΣFY = 0 VA + VE - 30 kN = 0 VA = 15 kN (c) FCD FCG FCB C 10 kN (f) FFG FFE FFD F (h) H FHA FHG FHB (d) FDC FDE FDF FDG D 10 kN 55 4 4 33 (a) VA HA FAH FAB A 35 4 (b) FBH FBG FBC FAB 10 kN B 3 35 5 4 4 (e) FEF FED VE E 5 4 3 (g) FGH G FGB FGC FGD FGF 55 33 44 ESTRUTURAS 111 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 111 11/06/2021 13:53:26 ΣFx = 0 HA = 0 Agora, cada nó será analisado separadamente: Nó A (Figura 9a): ΣFy = 0 (11) FAB ∙ (3/5) + 15kN = 0 FAB = -25kN ΣFx = 0 FAB ∙ (4/5) + FAH + HA = 0 FAH = 20Kn Nó B (Figura 9b): ΣFy = 0 (12) –FAB * (3/5) – FBG * (3/5) – FBH – 10kN = 0 Sabendo que FAB = -25 kN, FBH = 0kN, FBG = 8,3kN ΣFx = 0 –FAB ∙ (4/5) + FBG ∙ (4/5) + FBC = 0 FBC = -26,6kN Nó C (Figura 9c): ΣFy = 0 (13) -FCG -10kN = 0 FCG = -10kN ΣFx = 0 Sabendo que FCB = FBC = -26,6kN, FCD + FCB = 0 FCD = -26,6kN Nó D (Figura 9d): ΣFy = 0 (14) –FDE ∙ (3/5) – FDG ∙ (3/5) – FDF – 10Kn = 0 Sabendo que FDE = FED = -25kN, FDF = FFD = 0kN, FDG = 8,3kN ΣFx = 0 –FDC ∙ (4/5) – FDG ∙ (4/5) + FDE = 0 FDC = -26,6kN ESTRUTURAS 112 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 112 11/06/2021 13:53:26 Nó E (Figura 9e): ΣFy = 0 (15) FED ∙ (3/5) + 15kN = 0 FED = -25kN ΣFx = 0 FED ∙ (4/5) + FEF = 0 Sabendo que FED = -25kN, FEF = 20kN Nó F (Figura 9f): ΣFy = 0 (16) FFD = 0 ΣFx = 0 FFE - FFG = 0 Sabendo que FFE = FEF = 20kN, FFG = 20kN Nó H (Figura 9h): ΣFy = 0 (17) FHB = 0 ΣFx = 0 -FHA + FHG = 0 Sabendo que FAH = FHA = 20kN, FHG = 20kN Note que não houve a necessida- de do cálculo do nó G, uma vez que todas as forças desse nó já foram so- lucionadas por meios da resolução dos outros nós. Entretanto, pode-se utilizar as equações de equilíbrio no nó G para conferir se os resultados das forças proporcionam o equilíbrio do nó. Ou seja, se os somatórios das forças na direção dos eixos x e y de- vem ser iguais a zero. ESTRUTURAS 113 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 113 11/06/2021 13:53:27 -25 .0 -25.0 8.3 8.3 20.0 15 .0 k N 15 .0 k N 20.0 -26.6 -26.6 -1 0. 0 20.0 20.0 -0 .0 -0 .0 Figura 10. Treliça plana com cargas pontuais aplicadas no banzo superior. Figura 11. Resultados da análise de esforços internos. Método das seções Assim como no método dos nós, o método das seções é utilizado para o cál- culo de esforços internos de barras da treliça. Entretanto, enquanto no método dos nós procura-se calcular os esforços internos de todas as barras, o método das seções busca encontrar esses esforços para barras específicas da treliça. Por exemplo,97 Tipos de treliças ............................................................................................................... 98 Classificação quanto à formação e ao equilíbrio estático ..................................... 101 Barra de esforços nulos ............................................................................................... 106 Processos de análise .................................................................................................... 108 Análise de treliças espaciais ...................................................................................... 116 Sintetizando ......................................................................................................................... 122 Referências bibliográficas ............................................................................................... 123 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 7 11/06/2021 11:43:02 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 8 11/06/2021 11:43:02 Caro aluno, nesta unidade de ensino se inicia o estudo de análise estrutural. É importante que o engenheiro civil entenda como se comportam as estrutu- ras quando são sujeitas ao uso e às situações para as quais foram calculadas e projetadas. A engenharia estrutural trata do planejamento, projeto, execução da construção ou reparo dos sistemas estruturais. O sistema físico é constituído por elementos interligados capazes de supor- tar e transmitir ações ou um conjunto de ações e esforços. O sistema estrutural é composto pela parte resistente da edifi cação: vigas, pilares e laje. A análise estrutural, portanto, consiste em chegar aos resultados reais usando métodos matemáticos identifi cando os esforços dos elementos, as possíveis reações e tensões, conhecendo o sistema e o comportamento da estrutura existente. Hoje, com os avanços tecnológicos, há efi cientes softwares disponíveis para calcular a estrutura. Mesmo assim, isso não anula o conhecimento necessário para a análise crítica do projeto, usando o software apenas para auxílio. O re- sultado de aprendizagem desta unidade é a aplicação e análise dos conceitos básicos relativos às tensões, ações e esforços. Aceita este desafi o? ESTRUTURAS 9 Apresentação SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 9 11/06/2021 11:43:02 A Deus, que me deu a vida e a sabedoria diária. Aos meus pais, Tito e Rosana, por todo o aprendizado e apoio desde o primeiro momento de vida. A professora Mariane Lima Alves é graduada em Engenharia Civil e espe- cialista em Estruturas. Possui conheci- mento de campo por já ter participado de grandes obras como shoppings, edi- fícios comerciais, residenciais e hotéis. Atua na área de pós obra, prestando assistência técnica a empreendimentos comerciais, acompanhando a trabalha- bilidade das estruturas e funcionamen- to do edifício construído. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2526414557921218 ESTRUTURAS 10 A autora SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 10 11/06/2021 11:43:02 Este material é dedicado a todos os estudantes que o utilizarem, com a esperança de que seja útil à formação desses futuros profi ssionais. Espero que seja uma leitura agradável e prazerosa! O professor John Kennedy Fonsêca Silva é mestre em Estruturas e Constru- ção Civil pela Universidade de Brasília (UnB, 2020) e graduado em Engenharia Civil pelo Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam, 2017). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5026086297505346 O autor ESTRUTURAS 11 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 11 11/06/2021 11:43:03 Dedico esse material a todos que me ajudaram a sair de uma condição de pobreza extrema até chegar a uma universidade nos Estados Unidos. O professor Roberto Vicente Silva de Abreu é mestre em Engenharia Ci- vil pelo Florida Institute of Technology (2019) e graduado em Engenharia Civil pela UNIFACIG (2016). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0390781136043856 ESTRUTURAS 12 O autor SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 12 11/06/2021 11:43:03 MORFOLOGIA DAS ESTRUTURAS E AÇÕES EM ESTRUTURAS 1 UNIDADE SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 13 11/06/2021 11:43:11 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Classificar os elementos estruturais; Analisar as ações em estruturas. Definições básicas Classificação dos elementos estruturais Ações: classificação Tipos de carga Esforços Classificação dos esforços internos Conversão de sinais ESTRUTURAS 14 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 14 11/06/2021 11:43:11 Definições básicas Suportar e transmitir cargas sem exceder os esforços dos elementos é o fator principal da análise e do cálculo estrutural que gera a garantia da segu- rança, durabilidade da estrutura, economia durante a construção, estética ou até mesmo aspectos ambientais, de acordo com método construtivo sugerido. Para analisar a capacidade da estrutura, é preciso determinar os esforços so- licitantes internos e, por isso, é importante relembrar as representações de vínculos e reações representados no Quadro 1. QUADRO 1. REPRESENTAÇÃO E DEFINIÇÃO DE FORÇAS Vínculos Representação Restrições ou reações Móvel ou V Fixo V H Engaste ou M MóvelMóvel FixoFixo ou H V V EngasteEngaste ouou M Fonte: SANTOS, 2018. (Adaptado). Classificação dos elementos estruturais A classifi cação dos elementos estruturais, segundo o seu formato, se defi ne por suas grandezas, dadas pelas três dimensões principais do elemento: com- primento, altura e espessura. Esses elementos são classifi cados como unidi- mensionais, bidimensionais e tridimensionais. ESTRUTURAS 15 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 15 11/06/2021 11:43:12 Elementos unidimensionais Quando duas dimensões participam da mesma grandeza e são menores que a terceira dimensão, temos uma estrutura linear, em formato de barra reta ou curva, que são os pilares, escoras, vigas, tirantes e nervuras, nomeados de elementos unidimensionais e apresentados no Diagrama 1. DIAGRAMA 1. REPRESENTAÇÃO DE VIGAS ℓ3 ℓ2 ℓ1 bw = ℓ3 ℓ3 ℓ2 ℓ1 h Fonte: FUSCO, 1981. Vigas Pela definição da NBR 6118, de 2014, vigas “são elementos lineares em que a flexão é preponderante”. As vigas são barras retas e horizontais que recebem reações das lajes, de outras vigas, de paredes de alvenaria e, even- tualmente, de pilares. A função das vigas é dar estabilidade à estrutura, vencendo os vãos e transmitindo as ações que recebem, para os apoios, ou seja, os pilares. As ações são perpendiculares ao seu eixo longitu- dinal e concentradas ou distribuídas em toda a exten- são da estrutura. Elas recebem forças normais de compressão ou de tração, na direção do eixo lon- gitudinal. Assim como as lajes e os pilares, fazem parte do sistema de contraventamento (sistema de proteção de edificações contra a ação do vento). ESTRUTURAS 16 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 16 11/06/2021 11:43:12 Essa proteção contra o vento, como o próprio nome diz, é respon- sável por proporcionar a estabilidade global dos edifícios às ações solicita- das verticais e horizontais. Uma viga é composta por estribos, chamados de armaduras transversais, e por barras longitudinais, chamadas de armadu- ras longitudinais. A quantidade e o tipo ou diâmetro da barra de aço é dimensionada por meio do cálculo es- trutural. A viga é um elemento linear, com seções transversais ao longo de sua extensão, sujeita a momento fle- tor ou força cortante (forças normais). Nesse contexto, há dois tipos de laje: viga em balanço ou viga apoiada. Pilares Elemento linear, com seções transversais ao longo de seu comprimento su- jeitas a forças normais de compressão de modo uniforme. São os elementos estruturais de extrema importância nas estruturas, seja na capacidade de re- sistência dos edifícios ou no aspecto de segurança. Além da transmissão das cargas verticais para os elementos de fundação e solo, os pilares, assim como as vigas, fazem parte da proteção de contraven- tamento, responsável por garantircaso seja desejável encontrar apenas as forças internas nas bar- ras CD, GD e GF da treliça mostrada na Figura 10, o método dos nós pode ser usado. Porém, neste caso, o método das seções proporciona mais agilidade devido ao número reduzido de cálculos a ser efetuado. Para o cálculo de FCD, FGD e FGF, pode-se passar uma seção (a-a ’ da Figura 12) que corte essas três barras 10 .0 k N 3. 00 m A B DC H 4.00 m 4.00 m 4.00 m 4.00 m 16.00 m F EG 10 .0 k N 10 .0 k N ESTRUTURAS 114 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 114 11/06/2021 13:53:27 e pode se usar as equações de equilíbrio global. Essa metodologia se baseia na teoria de que, se uma estrutura está em equilíbrio, todos os elementos e partes dessa estrutura também estarão em equilíbrio. Assim, as equações de equilí- brio podem ser utilizadas tanto para um lado como para o outro da treliça. Ou seja, tanto o diagrama de corpo livre do lado direito da seção pode ser utilizado quanto o lado esquerdo. Figura 12. Exemplo do método da seção. Não existem limitações quanto ao número de barras a serem cortadas por uma seção, mas, comumente, cortam-se, no máximo, três barras, pois existem três equações de equilíbrio disponíveis. Além disso, existem duas peculiarida- des sobre a direção das barras cortadas, e ambas são mostradas na Figura 12. A primeira se dá quando duas das barras cortadas são paralelas, e a terceira é inclinada em relação às outras duas. Isso facilita o cálculo da força inclinada por- que o somatório das forças na direção vertical é suficiente para encontrar o valor da força inclinada. Observa-se a segunda peculiaridade quando a extensão de uma força ao longo da direção à qual é aplicada intercepta outra força. A Figura 12 mostra isso com FGD e FCD se interceptando no ponto D. Essa configuração de barras faz com que o somatório de momento no ponto D seja suficiente para 3. 00 m 4.00 m VA = 15 kN 4.00 m G HA C FCD FGD FGF D a a’ B 10 .0 k N 10 .0 k N ESTRUTURAS 115 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 115 11/06/2021 13:53:27 encontrar o valor de FGF, uma vez que o momento sobre um ponto causado por uma força aplicada naquele ponto é zero. Assim, o momento de FCD e FGD sobre o ponto D é zero e a única força restante na equação de momentos é a força FGF. O cálculo de FCD, FGD e FGF será realizado a seguir por meio das três equações de equilíbrio externo: ΣFy = 0 (18) FGD ∙ (3/5) -10kN – 10kN + 15kN = 0 FGD = 8,3kN ΣMD = 0 FGF ∙ 3m + 10kN ∙ 4m + 10kN ∙ 8m -15kN ∙ 12m = 0 FGF = 20kN ΣMA = 0 FGD ∙ (3/5) ∙ 8m – FCD ∙ 3m – 10kN ∙ 8m – 10kN ∙ 4m = 0 Sabendo que FGD = 8,3kN, FCD = -26,6kN Os valores das forças FCD, FGD e FGF encontrados pelo método das seções coin- cidem com os valores dessas mesmas forças encontradas pelo método dos nós, como mostrado na seção anterior. DICA Geralmente, em treliças que possuem cargas aplicadas verticalmente para baixo, o banzo superior estará submetido a esforços de compressão e o banzo inferior estará submetido à esforços de tração. O tipo de esforço das diagonais depende da posição do carregamento e da inclinação de cada diagonal. Análise de treliças espaciais As treliças espaciais se diferenciam das planas pelo fato de elas serem repre- sentadas em um sistema de eixos em três dimensões. As barras são ligadas em cada nó, assim como anteriormente, mas agora a representação das posições e dimensões das barras devem ser representadas em três dimensões. A treliça espacial mais simples possível é um tetraedro, formado por quatro faces triangu- lares, como mostrado na Figura 13. ESTRUTURAS 116 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 116 11/06/2021 13:53:28 P Figura 13. Treliça espacial simples. É importante destacar que cada barra representada por dois ou mais ei- xos deve ter o esforço axial interno representado por notação vetorial. Sendo assim, dado uma barra que seja representada pelos três eixos, a componente na direção x é representada com um vetor unitário i, na direção y por j, e na direção z por k. Assim como em treliças planas, tanto o método dos nós quanto o das se- ções podem ser usados para o cálculo dos esforços internos. No método dos nós, para cada nó, três equações de equilíbrio estão disponíveis: ΣFX = 0, ΣFY = 0 e ΣFZ = 0. É recomendável que o cálculo seja iniciado por um nó que possua uma força conhecida e, no máximo, três forças desconhecidas. No método das seções existem seis equações de equilíbrio: ΣFX = 0, ΣFY = 0, ΣFZ = 0, ΣMX = 0, ΣMY = 0 e ΣMZ = 0. Uso de treliças espaciais As treliças espaciais podem ser utilizadas em telhados e pontes, assim como as treliças planas. Entretanto, pela maior dificuldade de fabricação e instalação, os projetistas optam por utilizá-las em casos especiais, onde busca-se vencer vãos elevados, sem muitas possibilidades de apoio intermediário. Elas são vis- tas com muita frequência em telhados de aeroportos, rodoviárias e galpões, por exemplo. ESTRUTURAS 117 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 117 11/06/2021 13:53:28 A Figura 14 mostra quatro exemplos de treliças espaciais. Pode-se notar que o galpão mostrado na Figura 14a possui um telhado que cobre uma área elevada e não existem muitos apoios internos. Os suportes das treliças estão na parte lateral. Isso é possível por conta da distribuição de cargas gerada pela treliça. A Figura 14b mostra um telhado de uma estação de ônibus suportado por treliças espaciais. Além desses dois exemplos, outras estruturas, como te- lhados de quadras de esportes e torres de transmissão, são tipos de estruturas que utilizam treliças espaciais e são facilmente encontradas no cotidiano. Os exemplos mostrados na Figura 14c e 14d são de estruturas formadas por treliças espaciais também, mas elas são estruturas mais únicas e que não são encontradas facilmente no cotidiano: a Torre Eiffel, na Figura 14c, e a roda gigante, na Figura 14d. A C B D Figura 14. Treliças espaciais. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 14/05/2021. Determinação do grau de estabilidade Determina-se o grau de estabilidade de treliças espaciais de forma similar ao método apresentado anteriormente. Entretanto, como a treliça está em três dimensões, existem três equações de equilíbrio disponíveis para cada nó. Por- tanto, ao invés de 2n, têm-se agora 3n para determinar o grau de estabilidade de uma treliça espacial. ESTRUTURAS 118 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 118 11/06/2021 13:53:32 G = r + b - 3n Se G 0 tende a indicar que a treliça é estaticamente indeterminada pois existem mais incógnitas do que equações. Entretanto, a verificação quanto às restrições oferecidas pelos apoios deve ser realizada da mesma forma como quando G = 0. Cálculo de esforços internos A treliça espacial mostrada na Figura 15 possui dois tipos de apoios/conexões que devem ser descritos. Nos nós B, C e D existem apenas uma barra conectan- do o nó da treliça a um suporte do tipo fixo. Assim, existe apenas uma força de reação em cada um desses nós. Entretanto, no nó E, a estrutura está apoiada diretamente no apoio fixo e, assim, esse nó possui duas reações de apoio. Figura 14. Exemplo de treliça espacial. Fonte: HIBBELER, 2005, n.p. (Adaptado). 30º B Z A D E X C 2 kN 2 m 2 m 5 kN y 2 m ESTRUTURAS 119 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 119 11/06/2021 13:53:32 Deseja-se calcular os esforços axiais em cada barra e utilizar-se-á o método dos nós. Como o nó A possui apenas três incógnitas, a análise se iniciará por ele. Nó A: É possível notar que no nó A existe apenas a força de2 kN aplicada ao longo de y. Como não existem outras forças sendo aplicadas tanto na direção x quan- to na z, as componentes x e z da força na barra inclinada (FAE) são zero e com isso, pode-se afirmar que FAE é igual a zero. ΣFY = 0 (19) FAB – 2kN = 0 FAB = 2kN ΣFX = 0 FAE = 0 ΣFZ = 0 FAC = 0 Nó B: O apoio em B produz uma reação na mesma direção da barra, ligando a treliça ao apoio. Essa reação (RB) é contida pelos eixos x e y. Relembrando que cos 30º = 0,866, sen 30º = 0,5, cos 45º = sen 45º = 0,707. A força FBE pode ser decom- posta em: FBEx = FBEy = FBE ∙ cos 45º = 0,707FBE. ΣFY = 0 (20) RB ∙ sen 30º - 2kN = 0 RB = 4kN ΣFX = 0 -RB ∙ cos 30º + 0,707 FBE = 0 FBE = 4,89kN ΣFZ = 0 -FBD + 5kN – 0,707 FBE = 0 FBD = -1,53kN Nó C: Não existem forças aplicadas na direção x. Assim, a força FCE é igual a zero. ΣFX = 0 (21) FCE = 0 ESTRUTURAS 120 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 120 11/06/2021 13:53:32 Nó D: Não existem forças aplicadas na direção x ou y. Assim, ambas as forças FDE e FDC são iguais a zero. ΣFX = 0 (22) FDE = 0 ΣFY = 0 FDC = 0 ESTRUTURAS 121 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 121 11/06/2021 13:53:32 Sintetizando As treliças são estruturas muito utilizadas em construções do cotidiano por conta de sua versatilidade e bom uso de materiais. Elas são formadas por barras esbeltas, conectadas por meio de nós. Além disso, possuem elementos organizados de maneira triangular, o que permite o alcance da estabilidade desses elementos em relação aos deslocamentos. As treliças planas, como o nome indica, são definidas por um plano. Ou seja, em duas dimensões. Elas são comumente usadas em telhados e pontes e podem ser projetadas e analisadas com o uso do método dos nós e o método das seções. Uma das premissas fundamentais para o projeto de treliças é a de que as forças devem ser aplicadas nos nós. Caso sejam aplicadas fora dos nós, a otimização e uso dos materiais de forma eficiente pode ficar comprometida. No método dos nós, faz-se um corte em volta de cada nó da treliça e as barras cortadas são substituídas por forças, que podem ser de tração ou com- pressão. Este método é o mais indicado quando se deseja calcular os esforços internos de todas as barras da treliça. Para o cálculo de cada esforço em cada barra, pode-se utilizar os somatórios de forças em x e y. É possível utilizar esses dois somatórios em cada nó. No método das seções, pode-se cortar qualquer parte da treliça, mas, no máximo, três barras. O método das seções é mais indicado quando se deseja encontrar apenas os esforços internos de algumas barras específicas da treliça. Após traçar o corte, as equações de equilíbrio externo (somatório de forças em x e y e somatório de momentos em cada apoio) podem ser utilizadas para a determinação das forças em cada barra cortada. As treliças espaciais são definidas por um sistema de três eixos. Sendo as- sim, os esforços internos em cada barra possuem múltiplos componentes. É isso que diferencia este tipo de treliça das treliças planas, uma vez que, no caso das treliças planas, os esforços axiais são definidos apenas por dois eixos. A formulação de treliças tridimensionais impacta também as equações de equi- líbrio. A estrutura deve estar em equilíbrio em relação aos três eixos. Ou seja, três somatórios de forças (em x, y e z) devem ser verificados, assim como os somatórios de momentos para esses mesmos eixos. ESTRUTURAS 122 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 122 11/06/2021 13:53:32 Referências bibliográficas CONNOR, J. J.; FARAJI, S. Fundamentals of structural engineering. 2. ed. [s.l.]: Springer, 2016. HIBBELER, R. C. Estática: mecânica para engenharia. 14. ed. [s.l.]: Pearson, 2005. LEET, K. M. et al. Fundamentals of structural analysis. 5. ed. Nova Iorque: Mc- Graw-Hill, 2017. ESTRUTURAS 123 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID4.indd 123 11/06/2021 13:53:32a estabilidade global dos edifícios às ações verticais e horizontais. Há diferentes classificações para os pilares e é o cálculo estrutural que define qual o tipo de pilar a ser usado. Pilar interno, de borda e de canto O pilar interno tem compressão simples, em que a excentricidade é desprezada. Nos pilares de borda, as solicitações correspondem à flexão composta, em que a excentricidade é admitida em uma direção. Já nos pilares de canto, as excentricidades iniciais ocor- rem na borda, uma vez que são submetidos a uma flexão oblíqua. ESTRUTURAS 17 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 17 11/06/2021 11:43:13 Pilar de canto Pilar de borda Pilar interno DIAGRAMA 2. CLASSIFICAÇÃO DE PILARES Fonte: VANDERLEI, 2008, p. 5. (Adaptado). Pilar parede São elementos verticais, em que as dimensões da seção transversal são submetidas à compressão, além de serem maiores ou da mesma altura de um pavimento. A espessu- ra é pequena e compatível com as paredes e vigas. Pórticos Os pórticos são elementos forma- dos pela junção de pilares e vigas. A es- trutura reticulada é submetida a carre- gamentos contidos em seu plano, com barras conectadas, articuladas ou rígi- das. Estão sujeitas a momento fletor ou torçor e força cortante. A diferença do pórtico para um sistema formado por vigas apoiadas em pilares é que, no pórtico, a união entre viga e pilar é rígida, o que faz com que as ações sobre um único elemento – o pórtico – sejam refletidas nos outros elementos. Apesar da rigidez das ligações, os pórticos são deslocáveis no sentido horizontal. ESTRUTURAS 18 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 18 11/06/2021 11:43:14 H L P P Δ DIAGRAMA 3. PÓRTICO DESLOCÁVEL Fonte: FUSCO, 1981. Estruturas acima de três pavimen- tos podem apresentar deslocamentos e tendem a assumir valores significa- tivos. Com isso, a ligação rígida entre vigas e pilares do pórtico pode não corresponder à estabilidade necessá- ria para a edificação. Neste caso, há a necessidade de travar a estrutura por meio das diagonais de contraventa- mento, que tornam os pórticos indes- locáveis. A estrutura diagonal é execu- tada em concreto armado quando a diagonal é somente solicitada à com- pressão e em aço, quando as solicita- ções são tração e compressão. ESTRUTURAS 19 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 19 11/06/2021 11:43:15 DIAGRAMA 4. PÓRTICO INDESLOCÁVEL Fonte: FUSCO, 1981. Treliças A treliça é uma estrutura reticulada, sujeita a carregamentos instalados em seu plano, aplicados em seus nós articulados, sujeitando-se apenas às forças normais de tração ou compressão. A sua estrutura é baseada no triângulo, com maior resistência aos esforços de flexão, sendo formada apenas por hastes unidas entre si e pelas suas extremidades. Essas hastes transmitem apenas força axial e, por serem articuladas, são chamadas de nós. Em cada extremidade deve haver um nó, ligado a uma ou mais hastes. Figura 1. Treliças metálicas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 15/09/2020. ESTRUTURAS 20 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 20 11/06/2021 11:43:16 As treliças são feitas de aço e de madeira. Quando executadas com aço, suas hastes com seções transversais de várias formas, são denominadas cantoneiras e podem ser de abas iguais, ou desiguais e ainda podem ter uma combinação composta com as duas opções. Em casos de treliças metálicas, elas têm suas liga- ções feitas por chapas de aço, nas quais são soldadas, rebitadas ou parafusadas. Elementos bidimensionais São os elementos de superfície, sendo os mais comuns, as lajes, paredes, placas e chapas ou um elemento curvo, chamado de casca – como exemplificado na Figura 2 pelo Auditório Simón Bolívar. As forças são perpendiculares ao plano da estrutura e nas paredes, as ações permanentes que são o próprio peso, per- manecem no plano da estrutura. Figura 2. Auditório Simón Bolívar. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 15/09/2020. Lajes Lajes são estruturas que realizam o compartilhamento entre pavimentos de uma edificação, podendo dar suporte a contrapisos ou funcionar como teto. Sua concepção estrutural é de uma placa, com duas dimensões e cargas trans- versais, é submetida à flexão. Lajes mais esbeltas são seguras quanto à ruptu- ra, mas geram flechas ou vibrações excessivas. A laje é o elemento totalmente plano, capaz de transmitir o seu peso pró- prio, além de toda a carga sobreposta que são as pessoas, pisos, paredes e mó- veis nela apoiados. A laje é responsável por transmitir essas ações para as vigas de apoio em suas bordas e, consequentemente, para os pilares da estrutura. ESTRUTURAS 21 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 21 11/06/2021 11:43:17 Tipos de lajes Laje maciça A laje maciça em geral, dispõe de dimensões de largura e comprimento mui- to maiores que a terceira dimensão denominada de espessura. Uma das van- tagens da laje maciça é o isolamento acústico que proporciona aos usuários. Entretanto, as lajes maciças têm grande contribuição no consumo de concreto, sendo que metade de sua composição é armadura de aço e a outra metade de concreto, podendo ser montadas no próprio local. A solução mais comum entre as lajes é a maciça, por ser uma placa de con- creto armado, utilizada em pequenos vãos e de espessura pequena. É usada em áreas maiores, mas gera um peso próprio excessivo e também um certo desperdício quando equiparada com outro modelo. As lajes maciças podem ser vinculadas nas vigas e armadas de dois modos: • Apoiadas em todas as direções; • Apoiada em duas direções. A técnica de construção da laje maciça segue uma sequência de montagem: • Execução das escoras e do assoalho para apoio da estrutura; • Locação da armadura, respeitando os espaçamentos da armadura e forma; • Locação das tubulações, eletrodutos e caixas de passagem para facilitar as instalações elétricas e hidráulicas, evitando quebras e retrabalhos posteriores (quebrar para realizar as instalações); • Execução da concretagem, podendo ser concreto usinado ou produzido na obra, dependendo da disponibilização de mão de obra, quantidade neces- sária de material e extensão da laje: • É necessário umedecer as formas antes da concretagem; • Manusear o movimento de vibração do concreto, com a ferramenta correta para a homogeneização; • O concreto é preparado na betoneira, em obras de menor escala, ou comprado pronto, sendo neces- sário o uso de caminhões bomba. • Nivelamento da laje com desempenadeira; • Manusear com guias que ajudam a manter o nível em toda a extensão da laje, tornando-se totalmente plana. ESTRUTURAS 22 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 22 11/06/2021 11:43:17 • Acabamento: • Aguardar o tempo de cura do concreto; • Executar a retirada das guias que nivelam a forma; • Realizar a desforma do madeirite; • Retirar escoras conforme indicado em projeto. EXPLICANDO Escoras são estruturas provisórias capazes de segurar as formas de concreto da laje, até o processo de cura do concreto. Após o cálculo es- trutural, o engenheiro projetista informa qual o tempo determinado para a retirada gradativa das escoras. A retirada não pode ocorrer em uma única vez e deve ser feita conforme indicado no projeto. Laje cogumelo De acordo com a NBR 6118, “lajes cogumelo, são lajes apoiadas diretamente em pilares com capitéis, enquanto lajes lisas são as apoiadas nos pilares sem capitéis”. Produzidas no concreto armado ou no concreto protendido, são uti- lizadas para lajes com grandes vãos. Apesar disso, são classificadas como um tipo de laje cara, pois sua larga espessura requer um alto consumo de arma- dura em aço e concreto. Esses elementos estão representados no Diagrama 5. Laje Laje lisa Laje cogumelo CapitelPilar DIAGRAMA 5. DEFINIÇÃO DE ESTRUTURAS Fonte: PEIXOTO, 2015, p. 5. Laje nervurada As lajes nervuradas são formadas por conjuntos de vigas e podem ter ner- vuras, cubetas de polipropileno em uma ou duas direções. É recomendada para vencer grandes vãos, sem pilares nem vigasintermediárias. Um espaço destinado ESTRUTURAS 23 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 23 11/06/2021 11:43:17 a escritórios ou salas pode ser modelado com a combinação desta laje e paredes em gesso acartonado. É um sistema versátil por ser usado em todos os pés direitos. Os vazios são obtidos com moldes plásticos removíveis disponíveis no mercado em diversos tipos e dimensões ou pela colocação de material inerte perdido, como isopor ou peças cerâmicas. A desforma das cubetas ocorre logo após a cura de concreto, respeitando a re- tirada das escoras, conforme indicado no projeto. Ao utilizar esta forma de EPS, se tem uma estética melhor do produto final, agregando valor por meio de formas especiais, por chapas de madeirite ou compensado associado a blocos de EPS. EXPLICANDO O gesso acartonado diz respeito a placas de gesso utilizadas para aca- bamentos de forro ou paredes, em geral internas, disponível na versão comum ou para áreas molhadas. As placas de gesso são produzidas por meio de uma mistura de gesso, água e aditivos. O gesso acartonado é uti- lizado em ambientes nos quais se deseja um acabamento mais moderno e sofisticado. Além de ter um excelente acabamento, outras vantagens são a rapidez na execução, a leveza do material e a fácil aplicação. Figura 3. Laje nervurada. Fonte: SANT’ANNA, 2018. Laje treliçada É o sistema construtivo mais comum em residências aqui no Brasil. É uma solução que utiliza vigotas de concreto, com armaduras no formato de treliça. São colocadas sobre elas material de enchimento para deixar seu peso próprio mais leve e, por fim, é realizada uma concretagem. Quando utiliza EPS, se de- nomina laje de isopor. ESTRUTURAS 24 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 24 11/06/2021 11:43:19 Após a concretagem, é considerada um tipo de laje nervurada, unidirecio- nal ou bidirecional. Essa laje tem o peso próprio ainda menor que a maciça, reduzindo a demanda de formas, mas tendo como consequência o aumento de resíduos gerados em canteiros. Figura 4. Vigas treliçadas para laje de piso de concreto armado e bloco de argila. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 15/09/2020. O enchimento incorporado na laje é executado com bloco cerâmico, mais usado neste tipo de laje e conhecido como lajota, bloco de concreto ou bloco de isopor. Todos esses enchimentos não produzem dano algum à armadura da laje. O enchimento é executado com materiais leves, sem função estrutural ou de resistência, pois ficam abaixo da linha neutra e permitem aumentar a altura da laje, encapando toda a estrutura de armadura. Laje alveolar Esta é outra solução que envolve pré-fabricados. Seu nome se dá pela pre- sença de dutos no interior das placas pré-moldadas. A vantagem da sua utili- zação está no cronograma da obra, uma vez que acaba reduzindo o tempo por ser uma peça que chega pronta. Prédios altos podem ser concebidos com lajes alveolares, todavia, caso seja utilizada como piso, é necessário um contrapiso de regularização. O uso da laje alveolar se dá em função da padronização das peças e da sustentabilidade, uma vez que, por conta dos alvéolos, a laje requer uma es- pessura menor de aço e concreto, deixando-a mais leve e oferecendo maior estabilidade dimensional na estrutura. ESTRUTURAS 25 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 25 11/06/2021 11:43:20 Mesa infeior Alma ou nervura Alvéolos Mesa superior Capa h Figura 5. Acabamento final das lajes alveolares. Fonte: BPM, 2015, p. 5. Escadas As escadas são elementos de suma importância para a movimentação de pessoas em edificações de múltiplos pavimentos. Na concepção de uma esca- da, o engenheiro ou arquiteto a dimensiona de modo que ela proporcione um nível aceitável de conforto ao usuário, além de segurança e acessibilidade. As escadas se classificam de acordo com os vários formatos e é preciso avaliar o projeto e o espaço do edifício para escolher o melhor tipo: • Retangulares armadas transversalmente, longitudinalmente ou em cruz; • Com ou sem patamar, em qualquer altura da escada; • Com laje em balanço; • Em viga reta, com degraus em balanço; • Com degraus engastados um a um (escada em cascata); • Com lajes ortogonais; • Com lances adjacentes. No dimensionamento da geometria das escadas, é utilizado o intervalo en- tre 60 e 64 cm para a soma do piso e duas vezes o espelho, de acordo com a fórmula de Blondel: Sendo: P = piso; E = espelho. 60 ≤ p + 2 · e ≤ 64 (1) ESTRUTURAS 26 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 26 11/06/2021 11:43:21 No cálculo estrutural, e para melhor dimensionar o elemento, as ações são consideradas verticais por m² de projeção horizontal. O peso próprio da escada é calculado pela soma da espessura da laje inclinada com o volume dos degraus. A carga varia com o uso da escada, conforme é indicado na NBR 6120, de 1980: • Escadas com acesso público: 3,0 kN/m²; • Escadas sem acesso público: 2,5 kN/m². Estes são os valores mínimos para o cálculo, oscilando para mais, a depender de cada projeto. Assim como o peso próprio, o revestimento é considerado como uma carga vertical por metro quadrado de projeção horizontal. Ele varia de acor- do com o material que o arquiteto detalhou em seu projeto. Na ausência dessa informação, é recomendado utilizar uma carga de revestimento de 1,0 kN/m². Elementos tridimensionais Os elementos têm os mesmos tamanhos de grandeza nas três dimensões. São estruturas de volume chamadas de elementos de fundação, que transmi- tem toda a carga recebida da estrutura para o solo, separadas em duas catego- rias: fundações diretas e indiretas. Figura 6. Fundação rasa (ou direta) de uma casa em comparação à fundação profunda (ou indireta) de um edifício. Fonte: Wikimedia Commons, 2007. Acesso em: 15/09/2020. Fundações diretas São consideradas aquelas em que a transmissão da carga é feita preponde- rantemente pela base, sem a necessidade de equipamentos de grande porte, sendo classificadas como fundações diretas, sapatas, e radier. ESTRUTURAS 27 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 27 11/06/2021 11:43:22 Sapatas Dando seguimento às fundações, as sapatas, de acordo com a NBR 6122, de 2010, são definidas como elemento de fundação superficial, de concreto arma- do, dimensionado de modo que as tensões de tração nele resultantes sejam resistidas pelo emprego de armadura especialmente disposta para este fim e se apresentando em dois tipos: sapata isolada e sapata corrida. A sapata isolada, como o próprio nome atribui, é um elemento de fundação que trabalha pontualmente sobre o solo. É utilizada em terrenos que apresen- tam uma boa taxa de trabalho, e quando a carga a ser distribuída é relativamente pequena. Em geral, são amarradas umas às outras através de cintas ou vigas bal- drames. Já a sapata corrida é executada em terreno de grande resistência, para pequenas construções, abaixo e ao longo das paredes com função estrutural. Radier É uma fundação utilizada em terrenos com pouca firmeza, quando a cama- da fraca de solo é muito profunda. Atua como uma laje, construída sob toda ex- tensão da obra, no chão. Porém, uma vez que suas medidas são estabelecidas e é efetuada sua construção, não pode haver alteração sobre seu posiciona- mento. A execução do radier é simples e não requer mão de obra especializada, quando o subsolo atende aos requisitos mínimos: • Escavar o terreno até a cota de implantação, garantindo o nivelamento correto; • Lançar um lastro de concreto magro (espessura mínima de 5,0 cm), a fim de evitar contaminações indesejáveis; • Concretar o radier, seguindo as especificações do projeto. Basicamente, resume-se em regularizar o terreno e concretar o radier. Fundações indiretas É chamada de indireta porque o elemento de fundação transmite a carga da construção ao terreno pela sua base, pela sua superfície lateral, ou pela combinação das duas. A sua utilização ocorre quando as camadas do solo não apresentam uma resistência equivalente à necessidade do projeto estruturale, como consequên- cia, se buscam camadas mais profundas. Conforme apresentado no Diagrama 6, a carga proveniente de um pilar é transmitida para um conjunto de es- tacas, por meio de um bloco de coroamento. ESTRUTURAS 28 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 28 11/06/2021 11:43:22 Bloco de coroamento Pilar Estaca DIAGRAMA 6. PILAR COM BLOCO DE COROAMENTO E ESTACAS Fonte: BARRETO, 2017, p. 19. (Adaptado). Estacas Estacas são elementos destinados a transmitir as ações ao solo por meio do atrito ao longo da superfície de contato e pelo apoio da ponta inferior no solo. De concreto armado ou metálicas, são pré-fabricadas ou moldadas in loco. Para que haja estabilidade é neces- sário que a estaca e o solo resistam à carga aplica- da. Há vários tipos de estacas no mercado, mas as mais usuais são: • Hélice contínua; • Raiz; • Franki; • Pré-moldadas de concreto; • Perfis laminados. ESTRUTURAS 29 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 29 11/06/2021 11:43:22 Bloco de coroamento Segundo a NBR 6118, o bloco de coroamento é o elemento estrutural que tem a função de receber a carga do pilar e distribuir de maneira equivalente ao con- junto de estacas que repousam abaixo dele. Para que isso ocorra, é necessário que o bloco seja extremamente rígido e que o centro de gravidade do bloco e do conjunto das estacas seja exatamente o mesmo. Quando isso não acontece, a excentricidade é gerada e a carga fi ca desbalanceada. Conforme a necessidade de projeto, as cargas são distribuídas em mais de uma estaca. No caso dos tubu- lões, o bloco faz a transposição de cargas dos pilares para o fuste dos tubulões. Tubulão É um elemento de fundação moldado in loco, que consiste na escavação e concretagem de um poço, e pelo encamisamento da estrutura do fuste com anéis de concreto ou tubos de aço. Executados em céu aberto, com ou sem escoramento e a ar comprimido, com revestimento metálico ou de concreto, o tubulão é empregado em situa- ções que precisam suportar cargas elevadas, como na construção de pontes, edifícios e em áreas com difi culdade de adoção de técnicas mais mecanizadas. A escavação de tubulões a céu aberto geralmente é manual, dependente de uma equipe. Vale ressaltar que o trabalho envolve riscos e exige o atendimento a normas de segurança, em relação ao uso de equipamentos de proteção indi- vidual e verifi cação da presença de gases no solo. Já os tubulões de ar comprimido são executados em solos menos coesivos, por esse motivo a técnica prevê a escavação acompanhada do revestimento. Além de suportar grandes cargas, seu diferencial é ser utiliza- do em solos permeáveis, abaixo no lençol freático. Essa fundação ainda é muito utilizada no Brasil, porém, em alguns países já foi proibida por colocar em risco a vida de pessoas durante a elaboração e checagem do fuste. Ações: classificação As ações, ou cargas, são responsáveis por introduzir ou modifi car um es- forço interno de uma estrutura. Classifi cadas como permanentes, variáveis e excepcionais, conforme a NBR 6118, as ações permanentes são constantes, e ESTRUTURAS 30 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 30 11/06/2021 11:43:22 atuam na estrutura por toda vida. Elementos estruturais que atuam nessa clas- sifi cação são paredes, vigas, pilares e revestimentos. As ações variáveis são desdobradas em normais e especiais, porém, dentro das normais constam as ações acidentais, também chamadas de sobrecarga, que agem na estrutura e ocorrem em função do uso. O vento é uma ação nor- mal, mas não é considerado como uma sobrecarga por agir independentemen- te da fi nalidade de uso da edifi cação. As ações ainda podem ser estáticas ou dinâmicas. As estáticas são constan- tes, ou seja, não variam com o tempo. Já as dinâmicas são inter- mitentes e, se o efeito dessa ação for desprezível, são chama- das de estáticas ou quase estáticas. São chamadas ações estáticas a ação de veículos em uma ponte, ações de origem térmica, o peso de móveis em uma laje e o empuxo da terra. Tipos de carga Para efetuar os cálculos de esforços nas estruturas, é necessário conside- rar como as cargas atuam em diversos elementos estruturais, se concentra- das ou distribuídas. Carga concentra- da é a que atua sobre uma superfície pequena, de maneira pontual, e trans- mitida por meio de um pilar, ou sobre uma viga, apoiada em outra. Já a carga distribuída é considerada a que age ao longo de uma superfície ou uma linha, como uma carga trans- mitida por uma parede em uma laje, ou uma laje que transmite sua carga para uma viga e até mesmo o peso próprio de uma viga. As unidades utilizadas nas cargas são: kN/m, kgf/m N/m. A carga distribuída sobre uma superfície é ação do peso próprio de lajes e de folhas. De modo geral elas são uniformes. ESTRUTURAS 31 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 31 11/06/2021 11:43:23 Esforços Os esforços internos surgem em uma determinada seção para que esse elemento permaneça em equilíbrio. Para que se entenda como esses esforços ocorrem, uma barra reta em equilíbrio, em que atuam as forças e as reações que ocorrem no engastamento: F1, F2 e M, como na Figura 7a. Visto que a barra está em equilíbrio, se ela for dividida e analisada a fundo, é possível notar que a seção divisória atua como um engastamento, que equili- bra os esforços internos de cada parte. As reações em cada seção divisora são iguais e de sentido inverso, como se observa na Figura 7b. Figura 7. Cilindro com forças e momentos representados. Fonte: MORILLA, [s. d.], p. 16-17. (Adaptado). F2 F2 F1 F1 L M F2 F2 Plano da seção M = F2 • ℓ L - ℓ L F2 F2 F1 F1 F1 F1 M M = F2 • ℓ A B ESTRUTURAS 32 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 32 11/06/2021 11:43:24 Classificação dos esforços internos A força perpendicular à seção transversal da barra é denominada como for- ça normal. Quando esse vetor sai do plano, é chamado de força normal de tra- ção, porque ele estica a barra. Quando ele entra na seção, é chamado de força normal de compressão, por tender a encurtar a barra. De modo geral, a força normal é representada pela letra N e quando a mesma coincide com o eixo baricêntrico da barra, também denominado como força axial. A força contida no plano da seção, que tende a deslizar uma em relação à outra, nas direções de y e z, fazendo um movimento de corte, se chama de força cortante ou força de cisalhamento e é representada pela letra V. Já o momento na direção de x, quando a força transversal tende a girar em tor- no do eixo x, produz o momento torçor ou momento de torção. Quando os momentos estão em My e Mz, a barra acaba sendo fl exionada, gerando os momentos fl etores. EXPLICANDO A força axial está sujeita à tração com compressão, ou seja, a barra pode ser puxada ou comprimida. Quando a barra é comprimida, o esforço de compressão acentua a barra provocando um efeito de curvatura e esse feito faz com que haja deslocamentos laterais. Este fenômeno é chamado de fl ambagem axial. Conversão de sinais Forças A força normal (N) é positiva quando traciona a barra. Já a força cortante (V ) é positiva quando o binário formado pelas forças em duas seções opostas tem o giro em sentido horário. Momentos O momento torçor é considerado positivo quando o ve- tor que o representa, sai da seção. Já os momentos em y e z são positivos quando tracionam as fi bras da barra dos lados positivos dos seus respectivos eixos. ESTRUTURAS 33 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 33 11/06/2021 11:43:24 Noções de equilíbrio estático Se o número de incógnitas é menor do que o de equações, a estrutura é hipostática, se o número de incógnitas é igual ao de equações, a estrutura é isostática e, se o número de incógnitas é maior do que o de equações, a estru- tura é hiperestática. Não obstante, um fator que une todas essas estruturas é que, em geral, elas não têm estabilidade. Vento A NBR 6118 determina que os esforços devidos à ação do vento devem ser considerados.Apesar da ação do vento constituir uma ação dinâmica, a nor- ma de vento permite uma simplificação na qual essa carga pode ser conside- rada estática. Por seu turno, a NBR 6123, de 1988, define uma velocidade bási- ca do vento (VO) que varia de acordo com a região do Brasil a ser considerada. A velocidade básica do vento é a velocidade de uma rajada de três se- gundos com probabilidade de 63% de ser excedida pelo menos uma vez em 50 anos, considerada à altura de 10 m acima do terreno em campo aberto e sem obstruções. Obtida a velocidade básica do vento (VO), é possível de- terminar a velocidade de incidência na edificação, chamada de velocidade característica (VK). A velocidade característica considera aspectos particulares, como topo- grafia do local, rugosidade do terreno, altura da edificação, suas dimensões, tipo de ocupação e risco de vida. A velocidade característica do vento VK é calculada com base na equação 2: Na qual: S1 = fator que leva em conta a topografia do terreno; S2 = fator que considera a rugosidade do terreno, dimensões da edificação e altura acima do terreno; S3 = fator que leva em conta o grau de segurança requerido e a vida útil da edificação; VO = velocidade básica do vento. Velocidade básica do vento VO A velocidade básica do vento (VO) é uma propriedade característica de cada localidade. A NBR 6123 apresenta, de forma gráfica, as isopletas da velocidade básica do vento no Brasil. VK = VOS1S2S3 (2) ESTRUTURAS 34 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 34 11/06/2021 11:43:24 Figura 8. Isopleta de velocidade básica na unidade de m/s. Fonte: ABNT, 1988. Frente à demanda por edificações cada vez mais altas e esbel- tas, os projetos de estruturas necessitam de modelos matemáti- cos cada vez mais refinados no que tange à estabilidade global, visto que as ações horizontais oriundas do vento au- mentam de acordo com altura da edificação, o que gerou a necessidade de conceber estruturas mais rígidas para atenuar os deslocamentos impostos pelas ações horizontais. ESTRUTURAS 35 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 35 11/06/2021 11:43:25 Toda estrutura deve atender requisitos mínimos, como capacidade de resis- tir aos esforços solicitantes, desempenho em serviço, utilização e durabilidade. A consideração das ações horizontais nas estruturas é imprescindível para a análise correta do comportamento e da estabilidade global da estrutura. Para tanto, é necessário considerar, além das ações verticais já citadas, as diver- sas ações horizontais que solicitam a estrutura, como o vento, o desaprumo e, quando existente, os abalos sísmicos, pois tais ações geram deslocamentos na estrutura. A problemática referente à instabilidade de estruturas, ocasionada por solicitações de compressão, pode estar dis- posta de forma centrada ou excêntrica. A avaliação e clas- sificação da instabilidade estrutural também será realiza- da levando em consideração o comportamento do material. ESTRUTURAS 36 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 36 11/06/2021 11:43:25 Sintetizando Nesta unidade, foram estudados os aspectos primordiais no que tange às estruturas. Entender a morfologia da classificação das estruturas é primordial para o cálculo estrutural, já que deste cálculo depende todo o resto da obra, sem esquecer da estabilidade da construção ao longo dos anos, independente- mente do seu uso e conservação. Ao compreender sua classificação, se entende como funciona uma cons- trução e qual o papel de cada elemento na estrutura, desde a fundação até a última laje. Por isso, é fundamental obedecer a parâmetros que garantem a estabilidade e a qualidade na construção, de modo que falhas sejam evitadas no presente e no futuro. Cada elemento tem a sua ação ou esforço, que precisa ser estudado até obter o maior entendimento possível sobre o assunto, bem como as reações dos ma- teriais e forças externas como o vento. Contudo, cabe lembrar que, em especial nas edificações mais altas, quanto mais alta a edificação, maior o rigor com a estrutura, já que a influência de fatores como o vento é mais preponderante. Portanto, os temas e elementos abordados no tocante às estruturas e seus conceitos fundamentais são rotineiros para a elaboração de qualquer projeto ou execução de uma obra e, por isso mesmo, são objetos de atenção, dada a sua importância na construção como um todo. ESTRUTURAS 37 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID1.indd 37 11/06/2021 11:43:25 Referências bibliográficas ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118: Projeto de es- truturas de concreto – procedimento. Rio de Janeiro, ABNT, 2014. Disponível em: . Acesso em: 15 set. 2020. ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6120: Cargas para o cálculo de estruturas de edificações. Rio de Janeiro, ABNT, 1980. Disponível em: . Acesso em: 15 set. 2020. ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6122: Projeto e execu- ção de fundações. Rio de Janeiro, ABNT, 2010. Disponível em: . Acesso em: 15 set. 2020. ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6123: Forças devidas ao vento em edificações. Rio de Janeiro, ABNT, 1988. Disponível em: . Acesso em: 15 set. 2020. ASSAN, A. E. Resistência dos materiais. Campinas: Unicamp, 2019, v. 1. BARRETO, F. C. Estudo comparativo técnico-econômico de potenciais fun- dações de um edifício em Brasília–DF. 2017. 104 f. 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Vigas Gerber Reações de apoio Diagramas de esforços solici-tantes Pórticos planos Equilíbrio estático Esforços seccionais Barras inclinadas ESTRUTURAS 41 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 41 11/06/2021 12:09:22 Vigas Gerber As vigas Gerber são estruturas que possuem rótulas articuladas, inseri- das com o objetivo de garantir que a estrutura se comporte de maneira isostá- tica, tornando as vigas Gerber ligadas ao conceito de estruturas isostáticas. As rótulas articuladas são inseridas porque impedem que ocorra transferência de momento fl etor M [N · m] de uma parte para outra da estrutura. O mo- mento fl etor consiste na tendência de rotação da estrutura e possui dois ele- mentos: a força F [N] e o braço de alavanca d [m]. O produto entre esses dois componentes fornece o valor do momento fl etor: M = F · d (1) As estruturas são consideradas isostáticas quando suas reações de apoio podem ser calculadas utilizando as equações fundamentais da estática, fazen- do a montagem de um simples sistema de equações lineares que pode facil- mente ser resolvido com manipulação algébrica. Os únicos parâmetros que são necessárias para a realização dos cálculos são os carregamentos e a geo- metria da estrutura. Tratando-se de estruturas planas (bidimensionais) exis- tem três equações fundamentais, resumidas pelas equações 2, 3 e 4. Sendo assim, em estruturas isostáticas usuais, é possível calcular até três rea- ções de apoio desconhecidas que, no caso das vigas, em geral são duas reações ver- ticais, VA e VB, e uma horizontal, HA ou HB. As estruturas hiperestáticas bidimensio- nais, por sua vez, têm mais de três incógnitas (reações de apoio), ou seja, possuem mais incógnitas que as equações disponíveis para sua resolução. Portanto, devem ser resolvidas empregando-se outros métodos, para além dos carregamentos e da geometria da estrutura, sendo necessário conhecer também a geometria da seção transversal e as propriedades dos materiais constituintes da estrutura: a Fx = 0˚ (2) a Fy = 0˚ (3) a Mz = 0˚ (4) Quando as equações 2, 3 e 4 são atendidas, isto signifi ca que a estrutura está estática (em equilíbrio). Ou seja, todas as forças na direção de x (horizontal) e de y (vertical) se anulam e todas as tendências de rotação em torno do eixo z (o eixo per- pendicular às direções x e y) também se anulam. Se qualquer uma das três equações não for atendida, existe um esforço externo resultante e a estrutura está em movi- ESTRUTURAS 42 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 42 11/06/2021 12:09:22 mento. Com isso, ela deixa de ser uma estrutura e passa a ser um mecanismo. Neste caso, se as equações 2 e 3 não forem atendidas, a estrutura sofre um translado. Se for a equação 4 a que não for atendida, isso resulta numa rotação na estrutura. Há algumas vantagens em se empregar estruturas isostáticas, como a mo- dulação das estruturas em várias partes menores. A maioria das estruturas de concreto armado pré-moldado são confeccionadas dessa maneira, o que tem como consequência o fato de que, se uma das partes moduladas apresentar pro- blema (deslocamento vertical de um pilar por falha na fundação), o problema não é transferido para as outras partes da estrutura, o que não acontece nas estruturas hiperestáticas pois, como todas as partes estão conectadas, as falhas numa parte da estrutura são transferidas para outras partes. Tal comportamen- to das estruturas hiperestáticas é chamado de comportamento monolítico, pois toda a estrutura se comporta como se fosse uma só. A maioria das estrutu- ras de concreto armado moldado in loco são consideradas monolíticas. Outra vantagem apresentada pelas estruturas isostáticas refere-se ao fato delas se deformarem quando submetidas à variação de temperatura. Tais de- formações não geram tensões internas quem podem causar falhas na estru- tura, uma vez que toda a estrutura está livre para se deformar. É interessante destacar que estruturas isostáticas são calculadas empregando equações da estática, a partir de um simples sistema linear. Já nas estruturas hiperestáticas, os métodos para sua resolução são bem mais complicados, como o Método da Força Unitária ou o Método dos Deslocamentos. O Diagrama 1 é um tabuleiro de uma ponte de concreto armado apoiada sobre pilares. A estrutura é composta por um tabuleiro de 12 m de comprimento, apoiado sobre quatro pilares, com um deles tendo apoio do tipo fixo (2º gênero) e com apoios do tipo móvel (1º gênero) nos outros três pilares. A viga recebe três carregamentos com valor de 2,00 kN cada, que são representados por três moto- cicletas, além de três gravuras: (A) uma estrutura hiperestática, (B) uma estrutura isostática e (C) uma estrutura isostática dividida em três partes. A estrutura isostática é igual à hiperestática, exceto pelo fato de que possui duas rótulas articuladas em seu tabuleiro (representado por uma viga). As rótu- las são simbolizadas pelos círculos inseridos nos pontos E e F. A estrutura dividi- da em três partes é a própria estrutura isostática, mas dividida em três partes (um trecho lateral esquerdo, um trecho central e um trecho lateral direito). ESTRUTURAS 43 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 43 11/06/2021 12:09:22 EXPLICANDO A ABNT NBR 7187:2003 fixa os requisitos que devem ser obedecidos no projeto, na execução e no controle das pontes de concreto armado e de concreto protendido, excluídas aquelas em que se empregue concreto leve ou outros concretos especiais. DIAGRAMA 1. VIGA GERBER 1,25 1,25 1,25 1,25y x 1,25 1,25 1,25 1,25 1,25 1,25 1,00 1,00 1,00 1,00 1,25 1,25 3,50 3,50 3,50 2,50 2,50 2,50 3,50 2,50 12,00 12,00 F F F F F F F F F A A A B B B E E E F F F C C C D D D HA HA HA VA VA VA VB VB VB RA RE RF RF VC VC VC VD VD VD ESTRUTURAS 44 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 44 11/06/2021 12:09:22 Embora seja muito importante conhecer os principais conceitos teóricos so- bre as vigas Gerber, o estudo sobre esse tipo de estrutura tem predominância prática. Na formação do engenheiro, é imprescindível que se dominem as ha- bilidades necessárias para o cálculo das reações de apoio e para a construção dos diagramas de esforço cortante e de momento fl etor. Logo, o exemplo de estrutura apresentado no Diagrama 1 é um guia de todo o estudo sobre vigas Gerber, de modo a tornar o engenheiro apto para o cálculo das reações de apoio e para construir os diagramas de esforços internos. Assim, focando na última gravura do Diagrama 1, existem três trechos (es- querdo, central e direito) que se comportam de maneira independente em rela- ção aos momentos fl etores. Cada trecho pode ser analisado de maneira indivi- dual durante a realização dos cálculos das reações de apoio, mas é conveniente observar que quando a estrutura é dividida em três partes, em virtude da pre- sença das rótulas, surgem as reações RE e RF. Tais reações, chamadas de reações virtuais, são introduzidas da mesma maneira que os trechos laterais sustentam e “empurram” o trecho central para cima, bem como o trecho central se apoia e “empurra” os trechos laterais para baixo. Trata-se de uma consequência simples da Terceira Lei de Newton, cha- mada de lei da ação e reação. Durante o processo de resolução das vigas Ger- ber essas reações sobre as rótulas sempre são consideradas. Reações de apoio O primeiro passo na análise de uma viga Gerber consiste em calcular as rea- ções de apoio – ou seja, VA, VB e HA – utilizando estrutura já dividida em trechos menores e aplicando as equações 2, 3 e 4 em cada um dos trechos. Após isso, um pequeno sistema linear é montado e resolvido com manipulação algébrica. Trecho lateral esquerdo Começando pelo trecho lateral esquerdo e pelo somatório de forças na di- reção x, o valor de HA é calculado. Como não existem forças horizontais atuando nessa estrutura, o valor de HA é igual a zero: a FX = 0˚ (2) HA = 0 ESTRUTURAS 45 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 45 11/06/202112:09:22 Aplicando o somatório de forças na direção y, têm-se as forças VA e VB atuan- do na vertical e apontando para cima, sendo positivas. As forças F e RE, verticais e apontando para baixo, são negativas. Fazendo uma simples manipulação algébrica, obtém-se a equação 5, que ainda não pode ser resolvida, pois possui três incógnitas: a Fy = 0˚ (3) VA + VB - F - RE = 0 VA + VB - 2,00 kN - RE =0 VA + VB - RE = 2,00 kN (5) O somatório de momentos é calculado num ponto aleatório escolhido sobre a estrutura. No entanto, recomenda-se que a escolha recaia sobre um ponto no qual várias forças atuam, fazendo com que a equação obtida tenha uma menor quantida- de de incógnitas e possa ser resolvida de maneira mais fácil. Deste modo, optou-se por empregar o ponto A. No cálculo das reações de apoio, o momento é positivo quando tende a rotacionar a estrutura no sentido anti-horário. Ao fixar a estrutura no ponto A e aplicar o carregamento F, observa-se que a estrutura tende a rotacionar no sentido horário, portanto, o momento gerado pelo referido carregamento é negativo. Vale se atentar para o valor do braço de alavanca, calculado com base na distância perpendicular entre a força aplicada e o ponto de análise escolhido. Assim, ao realizar o somatório de momentos em torno do eixo z (eixo perpendicular), a equação 6 é obtida, tendo duas incógnitas, cujos valores ain- da não podem ser calculados: a Mz = 0˚ (4) -F(1,25 m) + VB(2,50 m) - RE(3,50 m) = 0 -2,00 kN(1,25 m) + VB(2,50 m) - RE(3,50 m) = 0 -2,50 kNm + VB(2,50 m) - RE(3,50 m) = 0 VB(2,50 m) - RE(3,50 m) = 2,50 kNm (6) Trecho central Analisando o trecho central, existem três forças atuantes: a força F (motocicleta), que aponta para baixo, e as forças RE e RF (rótulas), que apontam para cima. Ao aplicar-se a equação 2, como não existem forças horizontais atuantes, o somatório em x é nulo: a Fx = 0˚ (2) Aplicando a equação 3, obtém-se a equação 7, que possui duas incógnitas e não pode ser resolvida por enquanto: a FY = 0˚ (3) ESTRUTURAS 46 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 46 11/06/2021 12:09:22 RE - F + RF = 0 RE - 2,00 kN + RF = 0 RE + RF = 2,00 kN (7) Ao aplicar o somatório de momentos empregando a equação 4 e escolhendo o ponto E, é possível determinar o valor da reação RF, pois foi a única incógnita remanescente: a Mz = 0˚ (4) -F(2,50 m) + RF(5,00 m) = 0 -2,00 kN(2,50 m) + RF(5,00 m) = 0 RF = 1,00 kN RF = 2,00 kN(2,50 m) 5,00 m Substituindo-se o valor de RF na equação 7, se obtém RE: RE + RF = 2,00 kN RE + 1,00 kN = 2,00 kN RE = 2,00 kN - 1,00 kN RE = 1,00 kN (7) Dispondo do valor RE e substituindo-o na equação 6, se calcula VB: VB(2,50 m) - RE(3,50 m) = 2,50 kNm VB(2,50 m) - 1,00 kN(3,50 m) = 2,50 kNm VB = 2,40 kN VB = 2,50 kNm + 1,00 kN(3,50 m) (2,50 m) (6) Com o valor de VB e de RE em mãos, é calculado o valor de VA com a aplica- ção dos valores de VB e de RE na equação 5. Fazendo uma simples manipulação algébrica, temos: VA + VB - RE = 2,00 kN VA + 2,40 kN - 1,00 kN = 2,00 kN VA = 2,00 kN - 2,40 kN + 1,00 kN VA = 0,60 kN (5) A última parte da estrutura a ser calculada consiste no trecho lateral direito, que possui apenas duas incógnitas, que são VC e VD. Iniciando a aplicação das equações fundamentais da estática pelo somatório de forças em x, a partir da equação 2, nenhuma força atua nesta direção, logo, seu somatório é nulo: ESTRUTURAS 47 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 47 11/06/2021 12:09:22 a Fx = 0˚ (2) Dando sequência aos cálculos, o somatório de forças em y, presente na equação 3, é aplicado e dá origem à equação 8, contendo as incógnitas VD e VC: a Fy = 0˚ (3) -RF + VC - F- VD = 0 -1,00 kN + VC - 2,00 kN + VD = 0 VC + VD = 1,00 kN + 2,00 kN VC + VD = 3,00 kN (8) Em seguida, aplicando-se o somatório de momentos em torno do eixo z, considerando-se o ponto D como referência, pode-se obter o valor de VC. a Mz = 0˚ (4) RF(3,50 m) - VC(2,50 m) + F(1,25 m) = 0 1,00 kN(3,50 m) - VC(2,50 m) + 2,00 kN(1,25 m) = 0 VC = 2,4 kN -VC = -1,00 kN(3,50 m) - 2,00 kN(1,25 m) (2,50 m) Dispondo do valor de VC e substituindo-o na equação 8, é calculado o valor de VD: VC + VD = 3,00 kN 2,4 kN + VD = 3,00 kN VD = 3,00 kN - 2,40 kN VD = 0,60 kN (8) Como a estrutura apresentada no Diagrama 1 é simétrica – suas duas me- tades direita e esquerda são iguais, como se fossem o refl exo uma da outra –, os valores de suas reações de apoio são também simétricos. No entanto, por questões didáticas, se optou por calculá-los, pois a maioria das estruturas não é simétrica e exige o cálculo de todas as suas reações de apoio. Diagramas de esforços solicitantes Os diagramas de esforços solicitantes seguem a mesma lógica das equa- ções fundamentais da estática. Para as vigas Gerber, o somatório de forças em x, visto na equação 2, gera o Diagrama de Esforços Normais (DEN). O somató- rio de forças em y demonstrado na equação 3, por sua vez, gera o Diagrama de Esforços Cortantes (DEC) e o somatório de forças em z, presente na equação 4, ESTRUTURAS 48 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 48 11/06/2021 12:09:22 gera o Diagrama de Momento Fletor (DMF). No exemplo analisado, o DEN é nulo porque não existem esforços horizontais atuando na estrutura. Os diagramas são montados utilizando-se o método das seções, visto no Diagrama 3, que consiste em imaginar que, nos locais indicados com um sím- bolo em formato de “S”, existe um engaste ou uma reação de 3º gênero que restringe as translações horizontais (ao longo do eixo x), verticais (ao longo do eixo y) e a rotação da estrutura (em torno do eixo z). A colocação do símbolo “S” indica uma seção de cálculo em que foi realizado um corte. Em cada uma das seções de cálculo, são medidas as forças normais, cortan- te e de momento fletor e um aspecto importante diz respeito às convenções de sinais. No processo de resolução de estruturas isostáticas, a maioria esma- gadora dos erros são provenientes de confusões por causa das convenções de sinais, já que os cálculos em si são muto simples de serem feitos. Na construção dos diagramas, se a seção estiver tracionada pela força nor- mal, o esforço normal é positivo e, se ela estiver comprimida pela força normal, o esforço normal é negativo. O esforço cortante é positivo caso, com a aplicação da força cortante, a seção tenda a rotacionar em sentido horário – se tender a rota- cionar em sentido anti-horário, o esforço cortante é negativo. Se o momento fle- tor tracionar as fibras inferiores da estrutura, o momento fletor é positivo. Caso o momento fletor comprima as fibras inferiores da estrutura, ele é negativo. As convenções de sinal adotadas constam no Diagrama 2 e podem variar de autor para autor ou de país para país, embora a convenção apresentada seja a mais usual na literatura técnica específica sobre o tema. Na resolução de um exercício de caráter dissertativo, é recomendável que se desenhe a convenção de sinais a ser utilizada durante a resolução. Basta desenhar algo semelhante ao apresentado no Diagrama 2 e o examinador está ciente da convenção utilizada e isso evita que a resolução do exercício perca pontos por falta de padronização das convenções empregadas. DIAGRAMA 2. SINAIS PARA ESFORÇO NORMAL, CORTANTE E MOMENTO FLETOR N M V ESTRUTURAS 49 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 49 11/06/2021 12:09:22 Há duas maneiras de construir diagramas de esforços internos: (a) da es- querda para a direta, (b) ou da direita para a esquerda. As duas maneiras são similares e resultam no mesmo produto, mas são calculadas de modos diferen- tes. Por ser a metodologia mais comum na literatura técnica específica sobre o tema, é empregada aqui a metodologia de cálculo da esquerda para a direita. Outro aspecto importante é saber em que ponto as seções de corte devem ser aplicadas. Elas são aplicadas apenas em duas situações muito específicas: mu- dança na geometria da estrutura ou mudança no carregamento (tipo ou valor). DIAGRAMA3. MÉTODO DAS SEÇÕES APLICADO À VIGA GERBER 1,25 0,60 kN 0,60 kN 0,60 kN 0,60 kN 0,60 kN 0,60 kN y 2,40 kN 2,40 kN 2,40 kN 2,40 kN 2,40 kN 2,40 kN 1,25 1,25 1,25 1,25 1,25 1,25 1,25 1,25 1,25 1,25 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,25 1,25 1,25 2,50 2,50 2,50 2,50 2,50 2,50 2,50 2,00 kN 2,00 kN 2,00 kN 2,00 kN 2,00 kN 2,00 kN 2,00 kN 2,00 kN 2,00 kN A A A A A A B B B B E E E E F F F C C x ESTRUTURAS 50 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 50 11/06/2021 12:09:23 O Diagrama 3 mostra a aplicação do método das seções à viga em estudo. A viga possui sete forças atuando sobre ela, sendo três carregamentos externos e quatro reações de apoio. Dando início à análise partindo da extremidade es- querda em direção à extremidade direita, começa-se com uma carga aplicada de 0,60 kN sobre a extremidade esquerda da viga (ponto A). Após percorrer 1,25 m, existe uma carga aplicada de 2,00 kN – considera-se que a seção é cortada a uma distância infinitesimal antes da aplicação da próxima carga (ou antes da mudança na geometria). Logo, na prática, a próxima carga não entra na análise daquela seção. O mesmo procedimento repete-se até que toda a viga seja percorrida. Depois que todos os pontos de análise da seção estão definidos, são calculados os esforços: normal, cortante de momento fletor em cada uma das seções de corte, cujos valores são anotados e utilizados durante a construção dos dia- gramas de esforços internos. EXPLICANDO O conhecimento dos esforços internos é importante para o dimensiona- mento das estruturas de concreto. Os valores de esforço cortante e de momento fletor definem, por exemplo, a quantidade e a qualidade do aço e do concreto empregado em elementos estruturais constituídos por vigas. Conforme já comentado, no caso da viga Gerber em estudo, não se tem dia- grama de esforço normal, porque não existem forças horizontais atuando. O exemplo é condizente com a maioria das situações práticas, pois grande parte das vigas possuem apenas esforço cortantes e momento fletor atuante. Contu- do, caso surja uma viga com forças horizontais atuantes, basta aplicar o conhe- cimento desenvolvido no estudo de pórticos nessa viga, pois o pro- cedimento de análise é similar, dado que os pórticos apresentam algumas particularidades, detalhadas mais adiante. Com todas as seções definidas, se calcula o cortante V e do momento fletor M em cada uma dessas se- ções, numeradas de 1 a 6. A seguir, são mostrados os cálculos do esforço cortante em cada uma das seis seções definidas para a viga Gerber em estudo: ESTRUTURAS 51 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 51 11/06/2021 12:09:23 V1 = 0,60 kN V2 = 0,60 kN - 2,00 kN = -1,40 kN V3 = 0,60 kN - 2,00 kN + 2,40 kN = 1,00 kN V4 = 0,60 kN - 2,00 kN + 2,40 kN - 2,00 kN = -1,00 kN V5 = 0,60 kN - 2,00 kN + 2,40 kN - 2,00 kN + 2,40 kN = 1,40 kN V6 = 0,60 kN - 2,00 kN + 2,40 kN - 2,00 kN + 2,40 kN - 2,00 kN = -0,60 kN A seguir, são e expostos os cálculos do momento fletor em cada uma das seis seções definidas para a viga Gerber em análise: M1 = 0,60 kN(1,25 m) = 0,75 kNm M2 = 0,60 kN(2,50 m) - 2,00 kN(1,25 m) = -1,00 kNm M3 = 0,60 kN(6,00 m) - 2,00 kN(4,75 m + 2,40 kN(3,50 m) = 2,50 kNm M4 = 0,60 kN(9,50 m) - 2,00 kN(8,25 m) + 2,40 kN(7,00 m) - 2,00 kN(3,50 m) = - 1,00 kNm M5 = 0,60 kN(10,75 m) - 2,00 kN(9,50 m) + 2,40 kN(8,25 m) - 2,00 kN(4,75 m + 2,40 kN(1,25 m) = 0,75 kNm M6 = 0,60 kN(17,00 m) - 2,00 kN(15,75m) + 2,40 kN(14,50 m) - 2,00 kN(8,50 m) + 2,40 kN(2,50 m) - 2,00 kN(1,25 m) = 0,00 kNm Após fazer os cálculos dos valores de esforço cortante e de momento fle- tor em cada uma das seções da viga, a próxima etapa consiste em construir os diagramas, gráficos nos quais o eixo x (abscissas) representa o comprimento da viga e o eixo y (ordenadas) representa o valor do esforço (cortante ou normal). O formato dos diagramas de esforços depende do tipo de carga que está sendo aplicada e existem três formas de concentrar cargas em estruturas (há outras formas cuja ocorrência, no entanto, é mais rara): cargas pontuais, cargas unifor- memente distribuídas (em formato retangular) e cargas em formato triangular. No esforço cortante, as cargas pontuais geram gráficos em forma de cons- tante. As cargas uniformemente distribuídas (constantes) geram gráficos em formato de curvas do 1° grau (retas) e as cargas em formato triangular geram diagramas em formato de equações do 2º grau (parábolas). No caso do mo- mento fletor, as cargas pontuais geram gráficos em formato de curvas do 1° grau (retas), as cargas uniformemente distribuídas (constantes) geram gráficos em formato de curvas do 2° grau parábolas e as cargas em formato triangular (retas) geram gráficos em formato de curvas do 3° grau. O Quadro 1 sintetiza as principais formas de aplicação de cargas em estruturas e os formatos de diagramas de momento fletor e de esforço cortante alcançados. ESTRUTURAS 52 SER_ENGPROD_ESTRU_UNID2.indd 52 11/06/2021 12:09:23 Carga Momento fl etor Esforço cortante Pontual Equação do 1° grau (reta) Constante Retangular Equação do 2° grau (parábola) Equação do 1° grau (reta) Triangular Equação do 3° grau Equação do 2° grau (parábola) PontualPontual Retangular Pontual Retangular Triangular Retangular TriangularTriangularTriangular Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 3° grau Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 3° grau Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 3° grau Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 3° grau Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 3° grau Equação do 2° grau (parábola) Equação do 3° grau Equação do 2° grau (parábola) Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Constante Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Constante Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Constante Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola) Equação do 1° grau (reta) Equação do 2° grau (parábola)Equação do 2° grau (parábola) QUADRO 1. FORMATO DOS DIAGRAMAS DE ESFORÇOS INTERNOS Cargas pontuais podem ser encontradas em diversas situações, como num pilar que descarrega sobre uma viga de transição ou num tirante de aço que se pendura em viga metálica. As cargas uniformemente distribuídas também são facilmente obtidas, como em paredes externas de edifi cações que descar- regam sobre vigas laterais, ou lajes que se apoiam sobre vigas de borda. Já as cargas triangulares são encontradas em solos que se apoiam em muros de arrimo ou em águas que se apoiam em barragens de gravidade. O Diagrama 4 apresenta o diagrama de esforço cortante para a viga em estudo. O diagrama se inicia com o valor de 0,60 kN, que é mantido cons- tante até o local onde esse valor foi calculado, isto é, até a primeira seção de cálculo. Como é uma carga pontual, o valor do seu esforço cortante é constante, conforme já foi comentado, assim como todas as demais cargas que atuam sobre essa estrutura. Em seguida, o valor muda para -1,40 kN, valor calculado para a segunda seção, que é mantido constante até o local de cálculo da segunda seção. Após isso, é colocado o valor encontrado para a terceira seção, mantido constante até o local de cálculo da terceira seção. O restante do diagrama de esforços cortantes segue o mesmo padrão de construção até a extremidade direito da estrutura. Ao fi nal, depois da construção do gráfi co, é bastante usual sobrepor o gráfi co construído (representado