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Osvaldo Cruz

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FRAGA, Clementino. Vida e obra de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro: José 
Olympio, 1972. 208p. il. 
 
 
NOTA DA EDITORA 
DADOS BIOGRÁFICOS DO AUTOR 
 
 NASCIDO em Muritiba, Estado da Bahia, a 15 de setembro de 1880, filho de 
Clementino Rocha Fraga e Córdula Magalhães Fraga, Clementino Fraga estudou as primeiras 
letras em sua cidade natal, com o Prof. José Pedro de Sousa, e o ginásio na capital baiana, 
onde foi discípulo do grande educador Ernesto Carneiro Ribeiro, nome que se tornou famoso 
no ambiente intelectual brasileiro de sua época, através da polêmica travada com Rui Barbosa. 
 Aos 17 anos Clementino Fraga matricula-se na Faculdade de Medicina da Bahia, 
diplomando-se em 1903 com a tese A Vontade, Estudo Psicofisiológico. Em 1904 é nomeado, 
por concurso, Assistente da Faculdade onde havia estudado. Em 1906, também por concurso, 
obtém o cargo de Inspetor Sanitário, no Rio de Janeiro. Em 1910 é nomeado, depois de 
memorável concurso, Professor Substituto de Medicina Interna da Faculdade da Bahia. O 
Diário Oficial, de 17 de junho de 1910, publica nota oficial do Ministério da Justiça, que então 
superintendia os Negócios da Educação, “de que no concurso para Substituto da 6.ª Sessão da 
Faculdade de Medicina da Bahia, dos papéis remetidos pela Congregação, teve o governo 
ocasião de verificar que o aludido concurso foi dos mais brilhantes que se têm realizado nas 
faculdades de medicina. O Doutor Clementino Rocha Fraga Júnior foi classificado em 1.º lugar 
por 16 votos da Congregação contra 4 dados ao seu concorrente”. Em 1913 foi Delegado 
brasileiro no Congresso Internacional de Medicina, reunido em Londres, e no ano seguinte é 
nomeado Professor catedrático de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Bahia. Em 
1925 foi transferido para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, exercendo ainda, 
posteriormente, a direção do Departamento Nacional de Saúde Pública e a da campanha 
contra a febre amarela no Rio de Janeiro. Entre 1937 e 1940 foi Secretário de Saúde e 
Assistência do então Distrito Federal, na gestão do Prefeito Henrique Dodsworth. Por duas 
vezes exerceu o Prof. Clementino Fraga mandatos eletivos: a primeira de 1921 a 1925, pelo 
Estado da Bahia, e a segunda em 1951 pelo atual Estado da Guanabara, ambas como 
Deputado federal. Elegeu-se em 1939 para a Academia Brasileira de Letras, cadeira n.º 36, 
sucedendo a Afonso Celso. Sua carreira literária correu paralela à atividade científica, embora 
sempre conduzida numa linha de austeridade, discrição e equilíbrio, características que 
definem sua personalidade intelectual. Homem de ciência, antes de tudo, a disciplina dessa 
formação reflete-se sem dúvida na literatura que praticou, onde a forma é sempre castiça e 
tradicional na busca de suas raízes mais antigas. Além do magistério universitário, que exerceu 
por muitos anos, e da clínica a que se dedicou com permanente entusiasmo, Clementino Fraga 
não obteve apenas o reconhecimento dos discípulos e dos que, levados pelo destino, 
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recorreram ao seu saber médico. Também instituições científicas e culturais, nacionais e 
estrangeiras, souberam reconhecer o grande valor de sua contribuição intelectual, 
concedendo-lhe numerosos títulos e honrarias. Entre essas instituições citam-se a Academia 
Nacional de medicina, Academia de medicina Militar, Academia das Ciências de Lisboa, 
Academia de Medicina de Paris, Sociedade Francesa de Tuberculose, Academia de Medicina 
de Buenos Aires, Sociedade Argentina de Tisiologia, Sociedade de Patologia Renal de Paris, 
Sociedade de Tisiologia do Uruguai e Sociedade Médica dos Hospitais de Paris, das quais o 
Prof. Clementino Fraga foi membro efetivo ou honorário. Clementino Fraga foi ainda agraciado 
com as Palmas Acadêmicas de Ouro, da Academia das Ciências de Lisboa, e com o título de 
Cidadão do Rio de Janeiro, que lhe foi concedido pelo Legislativo carioca em homenagem e 
reconhecimento à sua vitoriosa campanha contra a febre amarela, entre 1928 e 1929. 
 Em 1970 recebeu o Prêmio Alfred Juzykowski, por sua obra médica, da Academia 
Nacional de medicina e, no mesmo ano, a Medalha de Grande Mérito concedida pela 
Academia de Medicina Militar. Hospitais e Centros de Saúde com o seu nome existem no Rio 
de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Paraíba. Faleceu no Rio de Janeiro a 8 de janeiro de 1971. 
 Em comemoração ao centenário de nascimento do grande sanitarista patrício, nossa 
Casa lança agora, em convênio com o INL e com apresentação do Professor Raimundo Moniz 
de Aragão, o livro póstumo Vida e Obra de Osvaldo Cruz. 
 
 Rio, outubro de 1972. 
 
 
 
PREFÁCIO 
Raymundo Moniz de Aragão 
 A um simples lance de olhos sôbre as vidas de Clementino Fraga e Osvaldo Cruz 
– neste livro biógrafo e biografado – ressalta de pronto a coincidência de haverem 
conduzido, a duas décadas de intervalo, campanhas vitoriosas contra a febre amarela, 
nesta mesma cidade, bela e sofrida. Mas, isto é o acidental, o fato exterior que, se os 
envolve no mesmo preito de admiração agradecida dos brasileiros, por forma alguma 
justifica a condição em que nesta obra se associam e, de certa forma, se confrontam. 
 O que realmente comove o leitor iniciado e o induz a uma comparação inevitável 
dos dois grandes vultos, à margem do texto que, nobre cautela do autor, só raramente 
em curtas passagens a sugere, é a forma semelhante por que sentem e solvem os 
episódios que lhes salteiam a ação de dirigentes sanitários, em país subdesenvolvido. 
Isto, não por cópia intencional ou falta de imaginação, mas pelo aperfeiçoamento, no 
mais môço, da forma de pensar e agir à do homem tão bem compreendido e tão 
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intensamente admirado, a que se ligou por sincera afeição, para logo idealizada na 
saudade, a jeito de filiação espiritual. 
 Para quem conhece a vida dos dois eminentes brasileiros, suas lutas, suas 
obras, é uma experiência avassaladora ver emergir, por fôrça de simples confrontação, 
de uma cronologia morta de fatos epidemiológicos, incidentes administrativos, 
ocorrências triviais, todo o processo – gradativo, vivo, palpitante de sentimento – 
através do qual, em metamorfoses, por dizer inevitáveis, o conhecimento suscitou a 
admiração, esta propiciou a afeição nobilitante, motivadora a seu turno de um propósito 
subconsciente de identificação que não se esgota na observância do modelo, antes 
procura fixá-lo, em rememoração grata, e tenta a interpretação do personagem, na 
projeção da própria personalidade. 
 De Osvaldo Cruz e Fraga, não há exagêro em falar de filiação, pois, nascidos 
embora a distância menor que dez anos, a diferença de idade, menos expressiva em 
têrmos biológicos, representa, no ápice da parábola que figura a trajetória profissional, o 
passo de uma geração. No caso, o intervalo entre a geração que presenciou as grandes 
descobertas da nascente medicina experimental e a aplicação das incipientes e 
revolucionárias normas sanitárias dela emergentes, e a que assistiu o emprêgo 
desenvolto de tais medidas, acreditadas em êxito espetacular, pelo recuo constante das 
grandes endemias, afinal represadas nas áreas menos desenvolvidas, à espera do golpe 
final que as elimine. 
 De Fraga, ouvi certa feita, que “não há filhos adotivos, mas pais adotados”, a 
significar ser o sentimento filial que efetivamente realiza e consagra a filiação volitiva. 
Dêle, também, li, na sua bela e pessoal forma de escrever, a propósito do comércio de 
gerações: “[ .....] o ensino é a amizade! [.....] Amizade que se faz no respeito mútuo, na 
comunhão pacífica, concorde nos mesmos interêsses e superiormente discorde de 
quaisquer subalternidades; [.....] amizade que se edifica na confiança recíproca e 
prolonga, fora da família, a família intelectual,