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às custas das gotículas de água superesfriada (Fig. 6.2). 
Fig. 6.2 - O processo de Bergeron
        Como o nível de supersaturação em relação ao gelo pode ser grande, o crescimento de cristais de gelo é geralmente rápido o suficiente para gerar cristais suficientemente grandes para cair. Durante sua descida estes cristais de gelo aumentam à medida que interceptam gotículas superesfriadas de nuvem que congelam sobre eles. É o processo de acreção, que leva a estruturas com orlas de gotículas congeladas. O granizo é um caso extremo de crescimento de partículas de gelo por acreção. Ele consiste de uma série de camadas quase concêntricas. É produzido somente em cumulonimbus, onde as correntes ascendentes são fortes e há suprimento abundante de água superesfriada. Granizo começa como pequenos embriões de gelo que crescem coletando gotículas superesfriadas enquanto caem através das nuvens. Se encontram uma forte corrente ascendente, eles podem ser levantados novamente e recomeçar a jornada para baixo. Cada viagem através da região de água superesfriada da nuvem pode representar uma camada adicional de gelo. 
        Os cristais de gelo podem crescer também colidindo e aderindo uns aos outros, formando cristais maiores, que são os flocos de neve. Este é o processo de agregação. Quando a temperatura da superfície está acima de 4 C, os flocos de neve geralmente derretem antes de atingir o solo e continuam caindo como chuva. 
        A semeadura de nuvens usa o processo de Bergeron. Adicionando núcleos de congelamento (comumente iodeto de prata) a nuvens com água superesfriada pode-se mudar a evolução destas nuvens. 
PROCESSO DE COLISÃO - COALESCÊNCIA 
        O processo de colisão-coalescência ocorre em algumas nuvens quentes, isto é, nuvens com temperatura acima do ponto de congelamento da água (0 C). 
Fig. 6.3 - O processo de colisão - coalescência
        Essas nuvens são inteiramente compostas de gotículas de água líquida e precisam conter gotículas com diâmetros maiores que 20m para que se forme precipitação. Estas gotículas maiores se formam quando núcleos de condensação "gigantes" estão presentes e quando partículas higroscópicas, como sal marinho, existem. Estas partículas higroscópicas começam a remover vapor d’água do ar em umidades relativas abaixo de 100% e podem crescer muito. Como essas gotículas gigantes caem rapidamente, elas colidem com as gotículas menores e mais lentas e coalescem (combinam) com elas, tornando-se cada vez maiores. Tornando-se maiores, elas caem mais rapidamente e aumentam suas chances de colisão e crescimento (Fig. 6.3). Após um milhão de colisões, elas estão suficientemente grandes para cair até a superfície sem se evaporar. Gotículas em nuvens com grande profundidade e umidade abundante tem mais chance de atingir o tamanho necessário. Correntes ascendentes também ajudam, porque permitem que as gotículas atravessem a nuvem várias vezes. As gotas de chuva podem crescer até 6 mm de diâmetro, quando sua velocidade terminal é de 30km/h. Neste tamanho e velocidade, a tensão superficial da água, que a mantém inteira, é superada pela resistência imposta pelo ar, que acaba "quebrando" a gota. As pequenas gotas resultantes recomeçam a tarefa de anexar gotículas de nuvem. Gotas menores que 0,5 mm ao atingir o solo, são denominadas chuvisco e requerem em torno de dez minutos para cair de uma nuvem com base em 1000 m. 
        Gotas de chuva produzidas em nuvens quentes são usualmente menores que aquelas de nuvens frias. De fato, raramente as gotas de chuva de nuvens quentes excedem 2 mm de diâmetro. O crescimento das gotas através de uma combinação do processo de Bergeron mais colisão-coalescência (em nuvens frias) produz gotas maiores que o processo de colisão-coalescência sozinho (em nuvens quentes). 
MEDIDAS DE PRECIPITAÇÃO 
        A forma mais comum de precipitação, a chuva, é provavelmente a mais fácil de medir. Entretanto, dispositivos sofisticados são usados para medir pequenas quantidades de chuva mais precisamente, assim como para reduzir perdas por evaporação. O pluviômetro padrão (Fig. 6.4) tem um diâmetro em torno de 20 cm no topo. Quando a água é recolhida, um funil a conduz a uma pequena abertura num tubo de medida cilíndrico que tem área de seção reta de somente um décimo da área do coletor. Consequentemente, a espessura da chuva precipitada é aumentada 10 vezes, o que permite medidas com precisão de até 0,025 cm, enquanto a abertura estreita minimiza a evaporação. Quando a quantidade de chuva é menor que 0,025 cm, é considerada um traço de precipitação. 
        Além do pluviômetro padrão, há vários tipos de pluviógrafos, que não apenas registram a quantidade de chuva, mas também seu instante de ocorrência e intensidade (quantidade por unidade de tempo). Os mais comuns são abaixo descritos. 
        Um deles é constituído por dois compartimentos, cada qual com capacidade de 0,025 cm de chuva, situados na base de um funil de 25 cm. Quando um dos compartimentos está cheio, ele entorna e se esvazia. Durante este intervalo o outro compartimento toma seu lugar na base do funil. Cada vez que um compartimento entorna, um circuito elétrico é fechado e a quantidade de precipitação é automaticamente registrada num gráfico. 
        O outro é o pluviógrafo de pesagem, no qual a precipitação é recolhida num cilindro que está sobre uma balança. À medida que o cilindro se enche, um registrador registra o peso da água acumulada, calibrado em espessura de precipitação. 
Fig. 6.4 - Pluviômetro padrão
        A exposição correta do pluviômetro é crítica. Para assegurar medidas representativas, deve haver proteção contra ventos fortes mas também distância de obstáculos que impeçam chuva oblíqua de cair no pluviômetro. Em geral os obstáculos deveriam estar a uma distância do pluviômetro igual a quatro vezes a sua altura. 
Que condições favorecem grande resfriamento radiativo noturno? 
2) Orvalho e geada não são formas de precipitação. Explique esta afirmação. 
3) Faça a distinção entre nuvem e nevoeiro. 
4) Liste os tipos de nevoeiro e respectivos mecanismos de formação. 
5) Descreva as circunstâncias que favorecem o desenvolvimento de nevoeiro de radiação. Por que este tipo de nevoeiro tem usualmente curta duração? Sob que condições pode o nevoeiro de radiação persistir por mais tempo? 
6) O que realmente acontece quando um nevoeiro de radiação se "levanta"? 
7) dentifique uma situação em que nevoeiro se forma por advecção de ar quente. 
8) Como se forma o nevoeiro de vapor? 
9) Identifique os nevoeiros descritos nas seguintes situações:
Você está numa estação de águas termais. De manhã, decide nadar na piscina aquecida e nota um nevoeiro sobre a água. 
Você está viajando através de uma região de vales e colinas e constata nevoeiros nos vales e total visibilidade sobre as colinas. 
Você está viajando por uma região montanhosa (a Serra do Mar, por exemplo) e a estrada na encosta de uma montanha passa por um nevoeiro. 
10) O que é uma nuvem? 
11) Por que as nuvens tipicamente se formam sem condições supersaturadas? 
12) Qual é a importância dos núcleos de condensação? 
13) Qual o significado de núcleo higroscópico? 
14) Núcleos de condensação de nuvens são muito mais abundantes que núcleos de formação de gelo. Qual é a implicação disto para a composição de nuvens? 
15) Faça a distinção entre núcleos de congelamento e núcleos de deposição. 
16) Qual é o critério para a classificação de nuvens? 
17) Por que as nuvens altas são finas em comparação com as nuvens médias e baixas? Por que tem composição diferente? 
18) O que as nuvens em camadas indicam a respeito da estabilidade do ar? O que as nuvens com desenvolvimento vertical indicam a respeito da estabilidade do ar? 
19) O que significa o nível de condensação por levantamento? 
20) Como a estabilidade do ar ambiente influencia o crescimento vertical das nuvens cumulus? 
21) Se a temperatura no nível de condensação