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biologia do solo

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causa uma doença pulmonar. Em alguns outros gêneros, tais como Phaffia e Bullera é conhecido somente o anamorfo. Embora o teleomorfo de Trichosporion seja desconhecido, esta levedura pertence a esta classe, pois sua hifa tem septo com doliporo e forma conídios simpodiais e a hifa quebra-se em conídios tálico-ártricos.
Classe Teliomycetes:
	Deste grupo fazem parte as leveduras vermelhas (contém carotenóides). Rhodotorula produz conídio blástico-fialídico. Sporobolomyces desenvolve esterigmatas, das quais nascem esporos que são ejetados. Embora a técnica de brotamento de esporos empregada aqui seja a mesma dos basidiomicetos, os esporos formados são mitósporos assexuais (conídios). Leveduras deste grupo algumas vezes produzem um teleomorfo: um clamidosporo parecido com um teliosporo. As leveduras vermelhas são agora consideradas pertencentes à ordem Ustinaginales. 
LIQUENS: ORGNISMOS DUPLOS
Os líquenes(figura 1) foram, inicialmente, confundidos com musgos e até com outras plantas. No entanto, nem sequer se trata de um indivíduo, mas de uma associação simbiótica de milhões de organismos fotossintéticos (algas), aprisionados em hifas fúngicas, formando uma unidade morfológica e fisiológica. 
As algas, que entram na constituição do líquen, são cianofíceas ou clorofíceas. A relação simbiótica conduz a novos caracteres morfológicos e químicos. Assim, os fungos liquénicos perdem a sua identidade, sendo incapazes de viver sozinhos na natureza; as algas são incapazes de libertar para for a das suas células os compostos de carbono sintetizados.
Figura 1 Líquenes
 Morfologia e Anatomia
 Os líquenes apresentam diferentes aspectos morfológicos: filamentosos, foliáceos e incrustantes.
O fungo é geralmente, responsável não só pela forma como também pela estrutura do líquen, contribuindo as hifas para a maior parte da sua massa.
Cortes transversais de certas espécies de líquenes, observados ao microscópio óptico, mostram as algas distribuídas, mais ou menos homogeneamente, em todo o talo, enquanto as hifas se aglomeram junto às superfícies, superior e inferior do mesmo. Noutras espécies, o componente algal forma uma camada paralela à superfície superior.
 
Fisiologia
No líquen, o metabolismo dos hidratos de carbono está inteiramente dependente da alga, necessitando esta do fungo para a obtenção de água e sais minerais.
O fungo proporciona o ambiente físico para o crescimento da alga, conferindo-lhe também proteção contra a intensa luz solar.
Alguns compostos fúngicos são tóxicos, defendendo o líquen de ser devorado pelos consumidores.
 
Habitat
Os líquenes proliferam nos substratos mais variados: sobre rochas, solo, casca das árvores e madeira. São seres pioneiros nas rochas nuas, dos solos de florestas queimadas e de escoadas vulcânicas. 
Vivem em ambientes onde nem fungos nem as algas se desenvolveriam. Assim, toleram condições climáticas extremas, como temperaturas desde 60º C a –196ºC; podem estar em dessecação completa, durante meses (o líquen desidrata-se e a fotossíntese é interrompida).
Quando há nevoeiro ou chove, o líquen pode absorver água correspondente a mais de dez vezes o seu peso.
Os líquenes, apesar de suportarem os rigores ambientais descritos, são muito sensíveis aos agentes poluentes, nomeadamente ao anidrido sulfuroso, o que explica a não ocorrência destes seres vivos nas grandes cidades.
	Os liquens podem sobreviver em temperaturas extremas, do deserto ao ártico. São organismos duplos, a combinação de um fungo (micobionte) com uma alga (ficobionte). O fungo obtém água e minerais, constrói um talo complexo e produz estruturas reprodutivas sexuais e assexuais. A alga vive e faz fotossíntese dentro do talo do fungo e embora ela constitua somente 5 a 10 %da biomassa total, ela supre o organismo todo. O fungo captura a alga e a relação é mais de parasitismo do que simbiose, uma vez que 50% do alimento sintetizado pela alga é pirateado pela hifa do fungo, a qual forma uma gaiola ao redor da alga. 
	Embora haja cerca de 500 gêneros e 18000 espécies de liquens, somente 24 gêneros de algas são liquenizados. A taxonomia do líquen é essencialmente a taxonomia do fungo. Dos fungos liquenizados, 10000 produzem somente frutificações teliomórficas, enquanto 8000 produzem conídios anamórficos e teliomórficos e 40 gêneros produzem somente anamorfos ou são estéreis. Ascomicetos perfazem 98% de todos os fungos liquenizados. 
	Na natureza, nenhum dos 18000 fungos liquenizados é encontrado sem sua alga domesticada, apesar de algumas algas poderem viver independentemente. Os talos de liquens apresentam quatro tipos de morfologia:
Crustose: estruturas grudadas no substrato. Para coletar o líquen, deve-se retirar um pedaço da pedra ou casaca de árvore em que estão crescendo.
Foliose: lobos em forma de folha ou língua, os quais se soltam facilmente do substrato.
Fruticose: talos em forma de cabelo e haste ereta ou pendente.
Squamulose: formado por pequenas escamas.
A estrutura de frutificação da maioria dos liquens é teleomórfica, mas muitos produzem propágulos vegetativos especializados. A superfície superior do talo se rompe expondo uma massa pulverulenta chamada sorédia. Esta massa compõe-se de pequenos grupos de células de algas envoltas em hifas. Um outro tipo de reprodução assexuada envolve pequenas estruturas parecidas com dedos ou galhos chamada isidia, a qual emerge do talo e então se quebra. Mas alguns líquens liberam ascosporos e a sobrevivência destes é um enigma porque quando são liberados nenhuma alga vai com eles. Isto quer dizer que se o ascósporo estabelece uma nova geração de líquens, ele deve encontrar uma alga apropriada, o que implica que o líquen necessita ser constantemente ressintetizado.
 Durante muitos anos os esforços para sintetizar líquens artificialmente falharam. Somente recentemente descobriu-se que tanto a alga quanto o fungo devem estar debilitados. O fungo então abraça a alga literalmente e esta permite sem “protestar”.
	Em uma síntese bem sucedida, a hifa cresce ao redor da alga e produz apressório em sua superfície. Uma vez nesta condição, a fisiologia da alga é subitamente alterada. Ela então perde grandes quantidades de carboidrato solúveis, que são rapidamente absorvidos pelo fungo e convertidos em carboidrato típicos do fungo.
	Como os líquens não possuem estruturas de absorção e vivem em substratos sem solo, dependem da chuva para a obtenção de minerais e são sensíveis a chuvas ácidas. Por esse motivo são fortes indicadores de poluição.
Acrescentando: 
I- BIOLOGIA DOS FUNGOS
	Fungos são eucariotos inferiores e a maioria deles pode crescer em meio definido. Alguns fungos são parasitas obrigatórios, tais como os que causam as ferrugens e os míldios. Eles crescem somente na planta hospedeira, mas alguns estágios podem ser estudados in vitro. Estudos genéticos desses fungos tem sido feitos, apesar de laboriosos. Eles possibilitam, entretanto, o estudo das relações parasita-hospedeiro. De fato, as ferrugens propiciaram as primeiras provas de uma relação gene-a-gene do sistema parasita-hospedeiro. Os fungos se reproduzem por meio generativo e/ou esporos vegetativos. Um esporo germina emitindo um tubo germinativo. São formados septos, exceto em Phycomycetes, os quais são cenocíticos. Em geral, o septo tem um poro que permite o transporte de citoplasma, mitocôndira e núcleo.
	A célula da ponta de uma hifa sempre tem mais de um núcleo. Logo depois da germinação, a hifa formará ramificações e o resultado é um rede de hifas, o micélio.
	A fusão de hifas (anastomose) permite a troca de citoplasma e núcleo entre hifas de diferentes origens, surgindo heterocários. Um heterocário é um sistema dinâmico de fusão e segregação de hifas. Em um heterocário muito bem balanceado, somente uma fração da hifa é heterocariótica.
	Quatro grupos de fungos são distinguidos com base na estrutura de reprodução sexual:
Phycomicetos: os esporos sexuais surgem de esporângios. Eles podem