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Em contrapartida, tem suscitado uma interessante polêmica no debate econômico, especialmente quanto ao papel do Comitê de Política Monetária (copom), que periodicamente se reúne para definir a taxa básica de juros, considerada excessivamente elevada pelos críticos.
A meta de inflação é fixada a cada ano pelo Conselho Monetário Nacional (cmn). A principal crítica ao sistema é que ao perseguir o cumprimento dessa meta estipulada, o Banco Central (bc) acaba fixando uma taxa de juros demasiadamente elevada. O sistema tem seus méritos, por tentar coordenar as expectativas dos agentes econômicos quanto ao comportamento esperado da inflação, evitando, assim, repasses exagerados. Em um mercado internacional em que tem prevalecido taxas reais de juros muito baixas, ou até mesmo negativas, o Brasil convive com uma taxa de juros reais superiores a 10% ao ano.
A elevação das taxas básicas de juros encarece o crédito, o financiamento e posterga decisões de investimentos, reduzindo potencialmente o nível de atividades. Adicionalmente, encarece o financiamento da dívida pública, uma vez que uma parcela expressiva dela é financiada pòr taxas pós-fixadas.
Um outro efeito da elevada taxa de juros é valorizar de modo artificial a taxa de câmbio do real, relativamente às demais moedas internacionais. A taxa de juros mais elevada no mercado doméstico acaba atraindo capital especulativo em excesso, fazendo com que a oferta, bastante superior à procura de moeda estrangeira, acabe por provocar a sua valorização.
Do ponto de vista fiscal, o resultado primário das contas públicas é o obtido pela diferença entre a arrecadação do governo federal, estadual e municipal e suas respectivas empresas estatais, menos as despesas correntes, ou seja, sem levar em conta os custos financeiros (juros) sobre a dívida. Desde 1999, o Brasil vem obtendo expressivos e crescentes superávits primários.
O fato é que o esforço fiscal, decorrente de uma crescente carga tributária e atrofia dos investimentos públicos, tem proporcionado uma relativa redução da relação dívida pública/PIB. A relação dívida pública/PIB é de cerca de 51% do PIB (2005). Não se trata de uma proporção elevada, quando comparada com outros países, mas é uma dívida excessivamente concentrada no curto prazo e de elevadíssimo custo de financiamento.
No médio e longo prazos, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei de Responsabilidade Fiscal têm sinalizado uma relativa estabilidade nessa área. Esses instrumentos têm permitido um razoável grau de transparência e previsibilidade no que se refere ao comportamento das contas públicas. No entanto, a elevada carga tributária e o baixo investimento público colocam em xeque a sustentação do quadro fiscal no longo prazo, como veremos adiante.
� Do segundo capítulo (Pág. 17-22) de Brasil no contexto - 1987- 2007, livro organizado por Jaime Pinsky.