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Apostila_Curso-IDUS-Gestão_3

Capítulo sobre gestão do desenvolvimento urbano sustentável que aborda a Agenda 2030 (ODS 1, 3 e 13), impactos da pandemia e das mudanças climáticas na moradia, desigualdades socioespaciais históricas, assentamentos vulneráveis, infraestrutura precária e regularização fundiária.

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48
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
CAPÍTULO 3. REAFIRMANDO O 
COMPROMISSO DA GESTÃO DO 
DESENVOLVIMENTO URBANO COM O 
DIREITO À CIDADE DOS TERRITÓRIOS 
VULNERABILIZADOS
A Agenda 2030 traz Objetivos para o Desenvolvimento 
Sustentável (ODS) que dialogam com o aparecimento do deba-
te sobre moradia adequada num contexto de mudanças climá-
ticas e pandemia global. O ODS 1 busca acabar com a pobreza 
em todos os lugares, com governos comprometidos a promover 
o acesso da população vulnerabilizada a recursos econômicos e 
serviços básicos. O ODS 3 trata da saúde de qualidade a todos. 
Ele tem uma área de interação com questões de infraestruturas 
das áreas vulnerabilizadas, como o saneamento básico, funda-
mentais para diminuir o índice de doenças como arboviroses e 
zoonoses. Além da preocupação com a qualidade da habitabi-
lidade nas casas como fator de uma ideia de saúde que inclui o 
meio onde se vive como fator determinante para o bem-estar.
Recentemente, o mundo viveu o terror da pandemia do Novo 
Coronavírus. As principais recomendações das autoridades 
de saúde diziam respeito à intensificação da higiene pessoal 
e à manutenção do distanciamento social. As conhecidas cha-
madas para lavar as mãos e ficar em casa mostraram a impor-
tância de habitações de boa qualidade para garantir a saúde 
pública e o bem-estar coletivo. Muitas pessoas não têm con-
dições de seguir essas recomendações, escancarando as desi-
gualdades socioespaciais de nossas cidades. 
O ODS 13 diz respeito às ações contra a mudança climática. É 
sabido que muitos assentamentos populares estão em áreas de 
vulnerabilidade ambiental, avançando sobre matas ou nas mar-
gens de rios. É importante uma gestão integrada que pense na 
mitigação ambiental e na questão da moradia. Deve-se usar o 
princípio da regularização fundiária total para mediar conflitos 
ambientais, melhorando os territórios e consolidando comuni-
dades autoconstruídas. Dessa forma, o avanço sobre áreas na-
turais é contido e se evita grandes remoções e demolições que 
também trariam impactos ambientais.
49
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
Figuras 9, 10, 11: Símbolos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 1, 3 e 13 da Agenda 2030.
Fonte: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs
As cidades brasileiras são fortemente marcadas pela desigualdade social, aparecendo 
na paisagem urbana o contraste entre áreas formais e informais. Essa desigualdade 
socioespacial tem raízes históricas no processo de colonização do Brasil, baseado no 
tripé econômico monocultura, latifúndio e mão de obra escravizada (dos povos origi-
nários e negros trazidos à força da África). Esse tripé concentrou a terra e o poder po-
lítico e econômico nas mãos de poucos. A abolição da escravidão é um fato recente na 
nossa história, com menos de 150 anos. O Brasil foi o último país das Américas a abolir 
o trabalho escravo e esse sistema deixou marcas profundas em nossa sociedade e que 
reverberam até hoje. 
Apesar da abolição do trabalho escravo, não foram criados mecanismos para a inclusão 
efetiva da população negra e dos povos originários na sociedade brasileira. Jogadas à 
própria sorte, muitas encontram ainda hoje dificuldade para acessar a terra urbani-
zada. Diante do não acesso ao mercado de trabalho e à terra urbanizada, esse grupo 
significativo de pessoas vulnerabilizadas pelo processo histórico deram a si mesmas 
uma alternativa habitacional ocupando áreas de baixo valor econômico e alto risco 
ambiental, como morros e alagados. Esse processo junto com a rápida urbanização na 
metade do século XX, a industrialização dos grandes centros urbanos e a migração do 
campo para a cidade sem um planejamento prévio contribuíram para a formação de 
territórios vulnerabilizados. 
Durante todo este curso, vimos que a principal orientação da política urbana no nosso 
marco legal diz respeito à garantia das funções sociais da cidade e do bem-estar da sua 
população. No entanto, a condição de ilegalidade dos territórios vulnerabilizados têm im-
pedido o acesso da população de baixa renda a direitos básicos previstos na Constituição 
de 1988, como o direito à moradia e a cidades socialmente justas. A concentração do 
poder político nas mãos das elites locais influencia a escolha das prioridades no uso do 
orçamento público. O investimento em infraestruturas é feito nas áreas privilegiadas da 
cidade, enquanto outras áreas sofrem com a falta de sistemas de água, esgoto, ilumina-
ção e transporte público. 
https://brasil.un.org/pt-br/sdgs
50
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
O desenvolvimento urbano sustentável só será alcançado se promover uma reparação 
histórica e adotar o princípio da equidade, tratando as pessoas diferentes de forma di-
ferente. Ou seja, quem tem menos acesso aos serviços públicos precisa mais da atuação 
do Estado para se integrar à cidade formal. É essencial para isso a gestão democrática do 
desenvolvimento urbano e a inclusão da população no debate sobre os rumos da cidade.
Veremos a seguir como implementar alguns instrumentos previstos no marco legal bra-
sileiro, especificamente nessas áreas vulnerabilizadas. Dessa forma, promove-se uma 
maior integração com a cidade formal. 
3.1 Implementação das Zonas Especiais de Interesse Social 
(ZEIS) ou Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS)
Certamente não se pode melhorar atuando no que não se conhece. Então, o primeiro 
passo para incluir áreas vulnerabilizadas na política de desenvolvimento urbano sus-
tentável dos municípios é produzir informações sobre essas áreas, como vimos no 
Módulo 3. Isso pode ser feito por meio de mapeamentos e levantamentos socioeconô-
micos, por exemplo. 
Além de conhecer a realidade desses territórios, é importante reconhecê-los legalmen-
te. Surgem assim instrumentos urbanísticos como as Zonas Especiais de Interesse Social 
(ZEIS) ou Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS), categorias do zoneamento urbano 
municipal. Por meio delas são estabelecidas regras especiais, com o objetivo de regula-
rizar a posse de terras públicas ou privadas e a sua urbanização, considerando o padrão 
construtivo existente. Os ajustes necessários são feitos para superar questões de risco e 
outras inadequações que comprometam a vida dos habitantes e os interesses da comu-
nidade. O instrumento também é utilizado para impedir a ação predatória do mercado 
imobiliário, que por vezes acaba expulsando gradualmente as comunidades de seus lo-
cais de origem, por meio da valorização da terra e dos aluguéis. Esse processo aos poucos 
obriga a população mais pobre a ocupar áreas mais distantes da cidade, prejudicando a 
mobilidade e aumentando os movimentos pendulares casa/trabalho. 
A implementação das ZEIS e AEIS pode acontecer nos processos de criação e revisão dos 
Planos Diretores, bem como da Lei de Uso e Ocupação do Solo, também por meio de de-
creto do Executivo. Todas as alternativas devem estabelecer critérios para transformar 
uma área em ZEIS ou AEIS, como o padrão de uso e ocupação do solo.
Outro fator importante na implementação do instrumento é a obrigatoriedade da cria-
ção de um conselho gestor responsável pela área. Ele deve reunir equipes técnicas da 
prefeitura com formações complementares (advocacia, assistência social, arquitetura e 
urbanismo). Além disso, contar com as lideranças comunitárias representantes das áreas 
demarcadas. Esse conselho pode ter um fundo associado a ele e que será administrado 
pelos envolvidos. Seu papel é debater e definir prioridades para aplicar os recursos que 
serão executados pelo Poder Executivo, segundo as orientações votadas. 
51
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
As primeiras ZEIS foram demarcadas ainda na década de 1980, antes da Constituição 
de 1988. Isso aconteceu em Recife, em 1983, e foi fruto da pressão de movimentos po-
pulares, mas ainda sem muitas definições. Em 1987, o instrumento foiregulamentado e 
foi criado o Plano de Regularização das ZEIS. Uma lei estabeleceu o fórum do Plano de 
Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social e associou um fundo a esse fórum. 
3.1.1 Importância das ZEIS e seu papel na criação de políticas de habitação 
municipal 
Com as áreas vulnerabilizadas mapeadas e demarcadas como ZEIS, podemos entender 
melhor as necessidades de cada uma delas. É possível também desenhar uma política 
habitacional a partir da diversidade existente. 
Tratamos as ZEIS até aqui como um instrumento de reconhecimento de ocupações es-
pontâneas para regularizar e urbanizá-las. Mas existem modalidades desse instrumento 
que possibilitam uma atuação que dialoga com a diversidade da questão habitacional 
nos municípios. Por exemplo, as categorias de ZEIS definidas pelo Plano Diretor de São 
Paulo (2014). Ele estabelece cinco categorias: 
Figura 12 – ZEIS do Plano Diretor de São Paulo (2014)
Fonte: São Paulo (2014). Elaboração gráfica Labhab (2022).
52
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
Além de podermos utilizar o instrumento de forma flexível, a aplicação das ZEIS ou AEIS 
possibilita que o município entenda melhor os investimentos que precisam ser feitos 
para a urbanização e regularização dessas áreas. Assim como prevê-los no orçamento 
municipal de forma racionalizada. 
Outro ponto importante é a organização da comunidade e a possibilidade de debater e 
definir os rumos do território com pessoas envolvidas no assunto.
Existem ZEIS demarcadas no 
seu município? Descreva os 
seus tipos.
ATIVIDADE 
PROGRAMADA
AULA 6
MÓDULO 5
Aula 6 - Implementação 
integrada de serviços urbanos/
processos de urbanização e 
regularização fundiária
3.1.2 Implementação de planos de urbanização e regularização fundiária: 
o desafio da regularização fundiária plena e de uma atuação integrada
É preciso realizar ações de urbanização, além de proteger esses territórios transforman-
do-os em ZEIS ou AEIS e garantir a posse da terra pela regularização fundiária. O desafio 
de uma atuação integrada no planejamento das ZEIS aponta para a retomada do concei-
to de regularização fundiária plena proposto pela Lei nº 11.977/09.
O conceito da regularização fundiária plena associa questões cartoriais a processos de 
urbanização, com o lançamento de infraestrutura na área e ajustes urbanos que dimi-
nuam os riscos. Ela é fundamental para que as políticas públicas de urbanização desses 
assentamentos não consolidem precariedades urbanas e melhorem a qualidade de vida 
da população, como previsto no Estatuto das Cidades.
Uma vez definidas no zoneamento municipal, a prefeitura deve levantar informações so-
cioeconômicas e espaciais para aprofundar as ações. Isso pode ser feito com o desenvol-
vimento de um plano urbanístico local por meio da comissão criada pelo fórum gestor da 
ZEIS em questão. Esse fórum estabelecerá metas e ações que devem ser desenvolvidas 
para implementar as transformações no território.
É importante que essas ações estejam previstas no orçamento público. Isso pode ser 
feito por meio de um fundo administrado por um conselho gestor ou parecido. Deve-se 
pensar também em diversificar a captação de recursos, buscando parcerias com os ou-
tros entes federativos, com entes privados e pela cooperação internacional. 
53
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
Com um plano urbanístico detalhado e recursos disponibiliza-
dos, deve-se distribuir as ações traçadas para o desenvolvimen-
to de forma intersetorial. Elas serão distribuídas entre os ór-
gãos competentes, como Diretoria de Obras Públicas, Diretoria 
de Habitação, Diretoria de Saneamento, Diretoria de Serviço 
Social, Diretoria de Saúde, Diretoria de Educação, Diretoria 
de Mobilidade e Diretoria de Regularização Fundiária e ou 
similares.
AULA 7
MÓDULO 5
Aula 7 - Implementação das ZEIS: 
urbanização e regularização
Entrevista com Fernanda Costa, 
diretora-geral do Instituto 
Brasileiro de Direito Urbanístico.
3.2 O direito à assistência técnica para 
habitação de interesse social
Costumamos pensar na questão habitacional como um proble-
ma apenas de falta de casas, idealizando uma imagem dos con-
juntos habitacionais novos. No entanto, muitas pessoas estão 
em situação de déficit habitacional devido às más condições das 
casas onde moram. São casas autoconstruídas sem suporte pro-
fissional para garantir a habitabilidade, ou seja, boa ventilação, 
circulação, iluminação etc.
Muitos problemas podem surgir das más condições de moradia, 
inclusive de saúde, causados pela umidade, baixa luminosidade 
natural e ausência de ventilação. As más condições de acessibi-
lidade também podem ampliar as barreiras que dificultam o dia 
a dia de pessoas com baixa mobilidade. Nos casos mais graves, 
os problemas no sistema elétrico podem colocar em risco a vida 
das pessoas que moram nessas casas.
A intervenção do Estado é necessária, pois essas situações acon-
tecem nos territórios vulnerabilizados. Lá mora uma população 
de baixa renda que não consegue contratar ajuda profissional 
especializada ou acessar crédito para realizar as intervenções. 
54
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
3.2.1 Surgimento e dispositivos previstos na Lei Federal nº 11.888/08
O movimento para criar um marco legal e uma política pública para a assistência técni-
ca em habitação de interesse social surgiu nos anos 1970. Ele foi resultado dos debates 
que deram origem ao movimento de reforma urbana. A primeira lei a tratar do tema é 
de 1976, de autoria da Prefeitura de Porto Alegre, conhecida como Assistência Técnica 
à Moradia Econômica (ATME). Essa lei mais tarde inspirou a criação da Lei Federal nº 
11.888/08, a chamada Lei da Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social 
(ATHIS). Além disso, muitas experiências por todo o país influenciaram a criação desse 
marco legal. Elas eram promovidas por equipes técnicas envolvidas no debate sobre o 
direito à cidade e à moradia de qualidade. Eram experiências muitas vezes originadas nas 
universidades, buscando uma prática profissional concreta para democratizar o acesso 
ao conhecimento técnico e combater as desigualdades sociais.
A Lei nº 11.888/08 estabelece que famílias de baixa renda (renda de até três salários mí-
nimos) têm o direito à assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção 
de habitação de interesse social. Além disso, a lei diz que: 
Art. 2o 
§ 1o O direito à assistência técnica previsto no caput deste artigo 
abrange todos os trabalhos de projeto, acompanhamento e 
execução da obra a cargo dos profissionais das áreas de arquitetura, 
urbanismo e engenharia necessários para a edificação, reforma, 
ampliação ou regularização fundiária da habitação. 
§ 2o Além de assegurar o direito à moradia, a assistência técnica de 
que trata este artigo objetiva: 
I - otimizar e qualificar o uso e o aproveitamento racional do espaço 
edificado e de seu entorno, bem como dos recursos humanos, técnicos 
e econômicos empregados no projeto e na construção da habitação; 
II - formalizar o processo de edificação, reforma ou ampliação da 
habitação perante o poder público municipal e outros órgãos públicos; 
III - evitar a ocupação de áreas de risco e de interesse ambiental; 
IV - propiciar e qualificar a ocupação do sítio urbano em consonância 
com a legislação urbanística e ambiental. 
A ATHIS é um direito previsto em lei federal, porém ainda existe um longo caminho a per-
correr para que seja regulamentada pelos municípios e se efetive esse direito. Depois de 
mais de uma década, a lei teve pouca aplicação prática e é extremamente desconhecida 
tanto pelas gestões das prefeituras quanto pela população em geral. Ela tem maior visi-
bilidade nos meios técnicos.
55
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
3.2.2 Formas de implementar e captar recursos 
As iniciativas de Assistência Técnica em Habitação de InteresseSocial (ATHIS) podem es-
tar ligadas à Secretaria de Habitação e à Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Podem 
até mesmo estar ligadas à Secretaria de Saúde e de Assistência Social. Isso varia de mu-
nicípio para município, dependendo da capacidade institucional e financeira de cada um. 
Mas, geralmente se cria um departamento ou divisão para promover essas iniciativas, 
com equipes profissionais capacitadas dos campos da engenharia, direito, serviço social, 
arquitetura e urbanismo.
Como a demanda geralmente é muito grande, esse departamento pode estruturar o tra-
balho a partir de programas de regularização fundiária, de melhorias habitacionais e de 
suporte à locação social. A implementação desses programas pode ser iniciada escolhen-
do áreas a partir do princípio da equidade, ou seja, priorizando os assentamentos mais 
vulnerabilizados do município. 
Os recursos podem ser das prefeituras. Elas podem fazer reajustes orçamentários e es-
tabelecer prioridades para implementar essa política pública, como gastos com remo-
ções e reassentamentos. Eles podem vir também das outras esferas, como os recursos do 
Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). Outra possibilidade é a par-
ceria com o setor privado ou mesmo com outras instituições públicas, como o Conselho 
de Arquitetura e Urbanismo (CAU), que pode usar 2% de seu orçamento para iniciativas 
em ATHIS.
3.3 Experiências de ATHIS no Brasil 
3.3.1 Escritório Público de Assistência Técnica, Conde/PB
O Município do Conde faz parte da Região Metropolitana de João Pessoa, no litoral sul 
da Paraíba. Tem uma área de aproximadamente 172,744 km² e uma população estimada 
pelo IBGE em 2019 de 24.670 habitantes.
Esse pequeno município paraibano criou um programa de governo entre 2017 e 2019 
chamado Escritório Público de Assistência Técnica (EPA). O EPA promove ações de re-
gularização fundiária, de reparo das residências e de melhoria dos espaços públicos das 
comunidades atendidas. Isso é feito por meio de programas como o Programa Chão de 
Direito, o Programa Melhorias Habitacionais e o Mutirão na Vizinhança.
O Mutirão na Vizinhança foi implementado por meio da parceria entre a Prefeitura do 
Conde e o curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), 
articulando diversas secretarias do município e mobilizando o setor privado. Foi criada 
uma ampla rede com diversos setores sociais para melhorar os espaços públicos nos ter-
ritórios vulnerabilizados da cidade. Além desse esforço para captar recursos humanos 
e financeiros, o principal pilar do EPA é a participação da comunidade em todas as eta-
pas. Buscou-se construir um processo participativo e não entregar apenas um produto. 
56
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
Assim, as pessoas da comunidade são estimuladas a construir mais do que espaços públi-
cos e a desenvolver de fato uma autonomia popular, reconhecendo seus direitos.
O objetivo dos programas Chão de Direito e Melhorias Habitacionais é promover a re-
gularização fundiária e a melhoria habitacional. Eles foram implementados a partir dos 
editais do CAU Paraíba e em parceria com movimentos sociais por moradia. Os movi-
mentos entraram na empreitada fornecendo mão de obra para a realização das melho-
rias habitacionais.
33
Hino de Conde/PB 
(Benedito Honório da Silva)
Goiás, 2019
Foto: CNM/UniverCidades
Organograma da iniciativa
 
Urbanismo Arquitetura Projetos Prog. Urb.
Departamento de 
Regularização Fund.
Div. Fiscalização, Tráfe-
go e Administração
Div. Cont. e Análise de 
Estatística de Trânsito
Depart. de Cadastro 
Técnico e Geoprocessa-
mento
Div. Engenharia 
e Sinalização
Div. Educação de 
trânsito Análise Fiscalização
Admin. Orçam.
Departamento de 
Convênios
Asses. Técn.
Coordenadoria 
de Mobilidade e 
Trânsito
Coordenadoria 
de Planejamento 
Territorial
 
 
Coordenadoria 
de Habitação
 
 
Coordenadoria 
de Controle 
Urbano
 
Coordenadoria de 
Orçamento
 
Secretário de 
Planejamento
33
Figura 13: Organograma 
do Escritório Público de 
Assistência Técnica (EPA), 
Conde-PB
Fonte: https://cisama.sc.gov.
br/assets/uploads/5b435-
conde-pb_epa_escritorio-
publico-de-assistencia-
tecnica.pdf
AULA 8
MÓDULO 5
Aula 8 - Instrumentos de gestão e 
modelos inovadores e inclusivos de gestão 
compartilhada para o desenvolvimento 
urbano sustentável: coletivos, associações 
e outras formas de ação coletiva sobre o 
território urbano
Apresentação de Susana Montenegro 
sobre o estudo de caso de Conde-PB.
https://cisama.sc.gov.br/assets/uploads/5b435-conde-pb_epa_escritorio-publico-de-assistencia-tecnica.pdf
https://cisama.sc.gov.br/assets/uploads/5b435-conde-pb_epa_escritorio-publico-de-assistencia-tecnica.pdf
https://cisama.sc.gov.br/assets/uploads/5b435-conde-pb_epa_escritorio-publico-de-assistencia-tecnica.pdf
https://cisama.sc.gov.br/assets/uploads/5b435-conde-pb_epa_escritorio-publico-de-assistencia-tecnica.pdf
https://cisama.sc.gov.br/assets/uploads/5b435-conde-pb_epa_escritorio-publico-de-assistencia-tecnica.pdf
57
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
3.3.2 CODHab/DF
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito 
Federal (CODHAB/DF) é uma empresa pública que faz par-
te da administração indireta do Governo do Distrito Federal. 
Desde 2015, desenvolve uma importante experiência com a 
instalação de escritórios de assistência técnica nas periferias 
de Brasília. Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo 
do Brasil (CAU-BR) em matéria publicada em 23/02/20201, a 
iniciativa contava com dez escritórios distribuídos pelas co-
munidades nos arredores de Brasília. 
Os escritórios são divididos em duas categorias: Projeto na 
Medida, que foca nas ações de melhorias habitacionais, e pro-
jetos focados na revitalização do espaço público. Quatro escri-
tórios estão destinados à primeira categoria e seis à segunda.
O Projeto na Medida foca nas questões de adequação sanitá-
ria das edificações. As famílias interessadas se cadastram nos 
escritórios físicos e passam por uma análise de perfil socioeco-
nômico, de acordo com o previsto na Lei Federal nº 18.888/18, 
a lei de ATHIS. Se for enquadrada como possível beneficiária, 
uma visita de campo é agendada para identificar as situações 
de insalubridade relatadas. Então, a equipe de engenharia e ar-
quitetura inicia os levantamentos, e desenvolve o projeto para 
os ambientes, geralmente banheiros ou cozinhas. A partir daí, a 
família pode acessar um recurso de até 13 mil reais e o escritó-
rio contrata a mão de obra e compra os materiais necessários. 
Até fevereiro de 2020, 132 reformas já haviam sido entregues, 
32 estavam em andamento e 47 estavam para ser iniciadas, se-
gundo a matéria mencionada acima.
Já no programa focado na requalificação de espaços públicos, os 
escritórios têm autonomia para definir os projetos prioritários. 
Além disso, podem organizar mutirões comunitários, desenvol-
ver projetos urbanísticos, organizar concursos públicos para 
implantação de equipamentos e mediar conflitos fundiários. 
1. Disponível em: https://
www.caubr.gov.br/
assistencia-tecnica-periferia-
df/.
https://www.caubr.gov.br/assistencia-tecnica-periferia-df/
https://www.caubr.gov.br/assistencia-tecnica-periferia-df/
https://www.caubr.gov.br/assistencia-tecnica-periferia-df/
https://www.caubr.gov.br/assistencia-tecnica-periferia-df/
58
Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável
3.3.3 Rede Moradia-Assessoria
A Rede Moradia-Assessoria2 reúne grupos de todo o Brasil com 
experiências em ATHIS e em assessoria técnica popular, asso-
ciando o conhecimento técnico a lutas dos movimentos sociais 
e das comunidades organizadas. O grupo se diz uma rede de 
articulação política, acadêmica e profissional para pesquisa e 
ação sobre condições de moradia e iniciativas populares de as-
sessoria técnica no Brasil. 
Enquanto rede, pretende estimular a capacidade de olhar para 
as questões da moradia e da assessoria técnicacom a devida 
complexidade, reconhecendo a sua realidade diversa e as dife-
rentes possibilidades de atuação e de investigação. O objetivo 
do grupo é dar visibilidade aos apagamentos e ao subdimen-
sionamento de informações e levantamentos das condições de 
moradia no país. A rede se propõe também a divulgar debates, 
práticas e conceitos que aproximem a discussão nacional so-
bre moradia da assessoria técnica. Além disso, busca ser uma 
agente na luta pelo campo profissional da assessoria técnica no 
Brasil.
A partir do banco de dados da Rede, podemos ter acesso a di-
versas iniciativas em todo o território nacional. Servem tanto 
de estudo de caso para inspirar outras experiências quanto 
para abrir um leque de possibilidades de parcerias com os gru-
pos mapeados e envolvidos na rede.
 
2. Mais informações 
em: https://www.
moradiaassessoria.org.br/
https://www.moradiaassessoria.org.br/
https://www.moradiaassessoria.org.br/

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