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48 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável CAPÍTULO 3. REAFIRMANDO O COMPROMISSO DA GESTÃO DO DESENVOLVIMENTO URBANO COM O DIREITO À CIDADE DOS TERRITÓRIOS VULNERABILIZADOS A Agenda 2030 traz Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) que dialogam com o aparecimento do deba- te sobre moradia adequada num contexto de mudanças climá- ticas e pandemia global. O ODS 1 busca acabar com a pobreza em todos os lugares, com governos comprometidos a promover o acesso da população vulnerabilizada a recursos econômicos e serviços básicos. O ODS 3 trata da saúde de qualidade a todos. Ele tem uma área de interação com questões de infraestruturas das áreas vulnerabilizadas, como o saneamento básico, funda- mentais para diminuir o índice de doenças como arboviroses e zoonoses. Além da preocupação com a qualidade da habitabi- lidade nas casas como fator de uma ideia de saúde que inclui o meio onde se vive como fator determinante para o bem-estar. Recentemente, o mundo viveu o terror da pandemia do Novo Coronavírus. As principais recomendações das autoridades de saúde diziam respeito à intensificação da higiene pessoal e à manutenção do distanciamento social. As conhecidas cha- madas para lavar as mãos e ficar em casa mostraram a impor- tância de habitações de boa qualidade para garantir a saúde pública e o bem-estar coletivo. Muitas pessoas não têm con- dições de seguir essas recomendações, escancarando as desi- gualdades socioespaciais de nossas cidades. O ODS 13 diz respeito às ações contra a mudança climática. É sabido que muitos assentamentos populares estão em áreas de vulnerabilidade ambiental, avançando sobre matas ou nas mar- gens de rios. É importante uma gestão integrada que pense na mitigação ambiental e na questão da moradia. Deve-se usar o princípio da regularização fundiária total para mediar conflitos ambientais, melhorando os territórios e consolidando comuni- dades autoconstruídas. Dessa forma, o avanço sobre áreas na- turais é contido e se evita grandes remoções e demolições que também trariam impactos ambientais. 49 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável Figuras 9, 10, 11: Símbolos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 1, 3 e 13 da Agenda 2030. Fonte: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs As cidades brasileiras são fortemente marcadas pela desigualdade social, aparecendo na paisagem urbana o contraste entre áreas formais e informais. Essa desigualdade socioespacial tem raízes históricas no processo de colonização do Brasil, baseado no tripé econômico monocultura, latifúndio e mão de obra escravizada (dos povos origi- nários e negros trazidos à força da África). Esse tripé concentrou a terra e o poder po- lítico e econômico nas mãos de poucos. A abolição da escravidão é um fato recente na nossa história, com menos de 150 anos. O Brasil foi o último país das Américas a abolir o trabalho escravo e esse sistema deixou marcas profundas em nossa sociedade e que reverberam até hoje. Apesar da abolição do trabalho escravo, não foram criados mecanismos para a inclusão efetiva da população negra e dos povos originários na sociedade brasileira. Jogadas à própria sorte, muitas encontram ainda hoje dificuldade para acessar a terra urbani- zada. Diante do não acesso ao mercado de trabalho e à terra urbanizada, esse grupo significativo de pessoas vulnerabilizadas pelo processo histórico deram a si mesmas uma alternativa habitacional ocupando áreas de baixo valor econômico e alto risco ambiental, como morros e alagados. Esse processo junto com a rápida urbanização na metade do século XX, a industrialização dos grandes centros urbanos e a migração do campo para a cidade sem um planejamento prévio contribuíram para a formação de territórios vulnerabilizados. Durante todo este curso, vimos que a principal orientação da política urbana no nosso marco legal diz respeito à garantia das funções sociais da cidade e do bem-estar da sua população. No entanto, a condição de ilegalidade dos territórios vulnerabilizados têm im- pedido o acesso da população de baixa renda a direitos básicos previstos na Constituição de 1988, como o direito à moradia e a cidades socialmente justas. A concentração do poder político nas mãos das elites locais influencia a escolha das prioridades no uso do orçamento público. O investimento em infraestruturas é feito nas áreas privilegiadas da cidade, enquanto outras áreas sofrem com a falta de sistemas de água, esgoto, ilumina- ção e transporte público. https://brasil.un.org/pt-br/sdgs 50 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável O desenvolvimento urbano sustentável só será alcançado se promover uma reparação histórica e adotar o princípio da equidade, tratando as pessoas diferentes de forma di- ferente. Ou seja, quem tem menos acesso aos serviços públicos precisa mais da atuação do Estado para se integrar à cidade formal. É essencial para isso a gestão democrática do desenvolvimento urbano e a inclusão da população no debate sobre os rumos da cidade. Veremos a seguir como implementar alguns instrumentos previstos no marco legal bra- sileiro, especificamente nessas áreas vulnerabilizadas. Dessa forma, promove-se uma maior integração com a cidade formal. 3.1 Implementação das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) ou Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS) Certamente não se pode melhorar atuando no que não se conhece. Então, o primeiro passo para incluir áreas vulnerabilizadas na política de desenvolvimento urbano sus- tentável dos municípios é produzir informações sobre essas áreas, como vimos no Módulo 3. Isso pode ser feito por meio de mapeamentos e levantamentos socioeconô- micos, por exemplo. Além de conhecer a realidade desses territórios, é importante reconhecê-los legalmen- te. Surgem assim instrumentos urbanísticos como as Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) ou Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS), categorias do zoneamento urbano municipal. Por meio delas são estabelecidas regras especiais, com o objetivo de regula- rizar a posse de terras públicas ou privadas e a sua urbanização, considerando o padrão construtivo existente. Os ajustes necessários são feitos para superar questões de risco e outras inadequações que comprometam a vida dos habitantes e os interesses da comu- nidade. O instrumento também é utilizado para impedir a ação predatória do mercado imobiliário, que por vezes acaba expulsando gradualmente as comunidades de seus lo- cais de origem, por meio da valorização da terra e dos aluguéis. Esse processo aos poucos obriga a população mais pobre a ocupar áreas mais distantes da cidade, prejudicando a mobilidade e aumentando os movimentos pendulares casa/trabalho. A implementação das ZEIS e AEIS pode acontecer nos processos de criação e revisão dos Planos Diretores, bem como da Lei de Uso e Ocupação do Solo, também por meio de de- creto do Executivo. Todas as alternativas devem estabelecer critérios para transformar uma área em ZEIS ou AEIS, como o padrão de uso e ocupação do solo. Outro fator importante na implementação do instrumento é a obrigatoriedade da cria- ção de um conselho gestor responsável pela área. Ele deve reunir equipes técnicas da prefeitura com formações complementares (advocacia, assistência social, arquitetura e urbanismo). Além disso, contar com as lideranças comunitárias representantes das áreas demarcadas. Esse conselho pode ter um fundo associado a ele e que será administrado pelos envolvidos. Seu papel é debater e definir prioridades para aplicar os recursos que serão executados pelo Poder Executivo, segundo as orientações votadas. 51 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável As primeiras ZEIS foram demarcadas ainda na década de 1980, antes da Constituição de 1988. Isso aconteceu em Recife, em 1983, e foi fruto da pressão de movimentos po- pulares, mas ainda sem muitas definições. Em 1987, o instrumento foiregulamentado e foi criado o Plano de Regularização das ZEIS. Uma lei estabeleceu o fórum do Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social e associou um fundo a esse fórum. 3.1.1 Importância das ZEIS e seu papel na criação de políticas de habitação municipal Com as áreas vulnerabilizadas mapeadas e demarcadas como ZEIS, podemos entender melhor as necessidades de cada uma delas. É possível também desenhar uma política habitacional a partir da diversidade existente. Tratamos as ZEIS até aqui como um instrumento de reconhecimento de ocupações es- pontâneas para regularizar e urbanizá-las. Mas existem modalidades desse instrumento que possibilitam uma atuação que dialoga com a diversidade da questão habitacional nos municípios. Por exemplo, as categorias de ZEIS definidas pelo Plano Diretor de São Paulo (2014). Ele estabelece cinco categorias: Figura 12 – ZEIS do Plano Diretor de São Paulo (2014) Fonte: São Paulo (2014). Elaboração gráfica Labhab (2022). 52 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável Além de podermos utilizar o instrumento de forma flexível, a aplicação das ZEIS ou AEIS possibilita que o município entenda melhor os investimentos que precisam ser feitos para a urbanização e regularização dessas áreas. Assim como prevê-los no orçamento municipal de forma racionalizada. Outro ponto importante é a organização da comunidade e a possibilidade de debater e definir os rumos do território com pessoas envolvidas no assunto. Existem ZEIS demarcadas no seu município? Descreva os seus tipos. ATIVIDADE PROGRAMADA AULA 6 MÓDULO 5 Aula 6 - Implementação integrada de serviços urbanos/ processos de urbanização e regularização fundiária 3.1.2 Implementação de planos de urbanização e regularização fundiária: o desafio da regularização fundiária plena e de uma atuação integrada É preciso realizar ações de urbanização, além de proteger esses territórios transforman- do-os em ZEIS ou AEIS e garantir a posse da terra pela regularização fundiária. O desafio de uma atuação integrada no planejamento das ZEIS aponta para a retomada do concei- to de regularização fundiária plena proposto pela Lei nº 11.977/09. O conceito da regularização fundiária plena associa questões cartoriais a processos de urbanização, com o lançamento de infraestrutura na área e ajustes urbanos que dimi- nuam os riscos. Ela é fundamental para que as políticas públicas de urbanização desses assentamentos não consolidem precariedades urbanas e melhorem a qualidade de vida da população, como previsto no Estatuto das Cidades. Uma vez definidas no zoneamento municipal, a prefeitura deve levantar informações so- cioeconômicas e espaciais para aprofundar as ações. Isso pode ser feito com o desenvol- vimento de um plano urbanístico local por meio da comissão criada pelo fórum gestor da ZEIS em questão. Esse fórum estabelecerá metas e ações que devem ser desenvolvidas para implementar as transformações no território. É importante que essas ações estejam previstas no orçamento público. Isso pode ser feito por meio de um fundo administrado por um conselho gestor ou parecido. Deve-se pensar também em diversificar a captação de recursos, buscando parcerias com os ou- tros entes federativos, com entes privados e pela cooperação internacional. 53 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável Com um plano urbanístico detalhado e recursos disponibiliza- dos, deve-se distribuir as ações traçadas para o desenvolvimen- to de forma intersetorial. Elas serão distribuídas entre os ór- gãos competentes, como Diretoria de Obras Públicas, Diretoria de Habitação, Diretoria de Saneamento, Diretoria de Serviço Social, Diretoria de Saúde, Diretoria de Educação, Diretoria de Mobilidade e Diretoria de Regularização Fundiária e ou similares. AULA 7 MÓDULO 5 Aula 7 - Implementação das ZEIS: urbanização e regularização Entrevista com Fernanda Costa, diretora-geral do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico. 3.2 O direito à assistência técnica para habitação de interesse social Costumamos pensar na questão habitacional como um proble- ma apenas de falta de casas, idealizando uma imagem dos con- juntos habitacionais novos. No entanto, muitas pessoas estão em situação de déficit habitacional devido às más condições das casas onde moram. São casas autoconstruídas sem suporte pro- fissional para garantir a habitabilidade, ou seja, boa ventilação, circulação, iluminação etc. Muitos problemas podem surgir das más condições de moradia, inclusive de saúde, causados pela umidade, baixa luminosidade natural e ausência de ventilação. As más condições de acessibi- lidade também podem ampliar as barreiras que dificultam o dia a dia de pessoas com baixa mobilidade. Nos casos mais graves, os problemas no sistema elétrico podem colocar em risco a vida das pessoas que moram nessas casas. A intervenção do Estado é necessária, pois essas situações acon- tecem nos territórios vulnerabilizados. Lá mora uma população de baixa renda que não consegue contratar ajuda profissional especializada ou acessar crédito para realizar as intervenções. 54 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável 3.2.1 Surgimento e dispositivos previstos na Lei Federal nº 11.888/08 O movimento para criar um marco legal e uma política pública para a assistência técni- ca em habitação de interesse social surgiu nos anos 1970. Ele foi resultado dos debates que deram origem ao movimento de reforma urbana. A primeira lei a tratar do tema é de 1976, de autoria da Prefeitura de Porto Alegre, conhecida como Assistência Técnica à Moradia Econômica (ATME). Essa lei mais tarde inspirou a criação da Lei Federal nº 11.888/08, a chamada Lei da Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS). Além disso, muitas experiências por todo o país influenciaram a criação desse marco legal. Elas eram promovidas por equipes técnicas envolvidas no debate sobre o direito à cidade e à moradia de qualidade. Eram experiências muitas vezes originadas nas universidades, buscando uma prática profissional concreta para democratizar o acesso ao conhecimento técnico e combater as desigualdades sociais. A Lei nº 11.888/08 estabelece que famílias de baixa renda (renda de até três salários mí- nimos) têm o direito à assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social. Além disso, a lei diz que: Art. 2o § 1o O direito à assistência técnica previsto no caput deste artigo abrange todos os trabalhos de projeto, acompanhamento e execução da obra a cargo dos profissionais das áreas de arquitetura, urbanismo e engenharia necessários para a edificação, reforma, ampliação ou regularização fundiária da habitação. § 2o Além de assegurar o direito à moradia, a assistência técnica de que trata este artigo objetiva: I - otimizar e qualificar o uso e o aproveitamento racional do espaço edificado e de seu entorno, bem como dos recursos humanos, técnicos e econômicos empregados no projeto e na construção da habitação; II - formalizar o processo de edificação, reforma ou ampliação da habitação perante o poder público municipal e outros órgãos públicos; III - evitar a ocupação de áreas de risco e de interesse ambiental; IV - propiciar e qualificar a ocupação do sítio urbano em consonância com a legislação urbanística e ambiental. A ATHIS é um direito previsto em lei federal, porém ainda existe um longo caminho a per- correr para que seja regulamentada pelos municípios e se efetive esse direito. Depois de mais de uma década, a lei teve pouca aplicação prática e é extremamente desconhecida tanto pelas gestões das prefeituras quanto pela população em geral. Ela tem maior visi- bilidade nos meios técnicos. 55 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável 3.2.2 Formas de implementar e captar recursos As iniciativas de Assistência Técnica em Habitação de InteresseSocial (ATHIS) podem es- tar ligadas à Secretaria de Habitação e à Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Podem até mesmo estar ligadas à Secretaria de Saúde e de Assistência Social. Isso varia de mu- nicípio para município, dependendo da capacidade institucional e financeira de cada um. Mas, geralmente se cria um departamento ou divisão para promover essas iniciativas, com equipes profissionais capacitadas dos campos da engenharia, direito, serviço social, arquitetura e urbanismo. Como a demanda geralmente é muito grande, esse departamento pode estruturar o tra- balho a partir de programas de regularização fundiária, de melhorias habitacionais e de suporte à locação social. A implementação desses programas pode ser iniciada escolhen- do áreas a partir do princípio da equidade, ou seja, priorizando os assentamentos mais vulnerabilizados do município. Os recursos podem ser das prefeituras. Elas podem fazer reajustes orçamentários e es- tabelecer prioridades para implementar essa política pública, como gastos com remo- ções e reassentamentos. Eles podem vir também das outras esferas, como os recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). Outra possibilidade é a par- ceria com o setor privado ou mesmo com outras instituições públicas, como o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), que pode usar 2% de seu orçamento para iniciativas em ATHIS. 3.3 Experiências de ATHIS no Brasil 3.3.1 Escritório Público de Assistência Técnica, Conde/PB O Município do Conde faz parte da Região Metropolitana de João Pessoa, no litoral sul da Paraíba. Tem uma área de aproximadamente 172,744 km² e uma população estimada pelo IBGE em 2019 de 24.670 habitantes. Esse pequeno município paraibano criou um programa de governo entre 2017 e 2019 chamado Escritório Público de Assistência Técnica (EPA). O EPA promove ações de re- gularização fundiária, de reparo das residências e de melhoria dos espaços públicos das comunidades atendidas. Isso é feito por meio de programas como o Programa Chão de Direito, o Programa Melhorias Habitacionais e o Mutirão na Vizinhança. O Mutirão na Vizinhança foi implementado por meio da parceria entre a Prefeitura do Conde e o curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), articulando diversas secretarias do município e mobilizando o setor privado. Foi criada uma ampla rede com diversos setores sociais para melhorar os espaços públicos nos ter- ritórios vulnerabilizados da cidade. Além desse esforço para captar recursos humanos e financeiros, o principal pilar do EPA é a participação da comunidade em todas as eta- pas. Buscou-se construir um processo participativo e não entregar apenas um produto. 56 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável Assim, as pessoas da comunidade são estimuladas a construir mais do que espaços públi- cos e a desenvolver de fato uma autonomia popular, reconhecendo seus direitos. O objetivo dos programas Chão de Direito e Melhorias Habitacionais é promover a re- gularização fundiária e a melhoria habitacional. Eles foram implementados a partir dos editais do CAU Paraíba e em parceria com movimentos sociais por moradia. Os movi- mentos entraram na empreitada fornecendo mão de obra para a realização das melho- rias habitacionais. 33 Hino de Conde/PB (Benedito Honório da Silva) Goiás, 2019 Foto: CNM/UniverCidades Organograma da iniciativa Urbanismo Arquitetura Projetos Prog. Urb. Departamento de Regularização Fund. Div. Fiscalização, Tráfe- go e Administração Div. Cont. e Análise de Estatística de Trânsito Depart. de Cadastro Técnico e Geoprocessa- mento Div. Engenharia e Sinalização Div. Educação de trânsito Análise Fiscalização Admin. Orçam. Departamento de Convênios Asses. Técn. Coordenadoria de Mobilidade e Trânsito Coordenadoria de Planejamento Territorial Coordenadoria de Habitação Coordenadoria de Controle Urbano Coordenadoria de Orçamento Secretário de Planejamento 33 Figura 13: Organograma do Escritório Público de Assistência Técnica (EPA), Conde-PB Fonte: https://cisama.sc.gov. br/assets/uploads/5b435- conde-pb_epa_escritorio- publico-de-assistencia- tecnica.pdf AULA 8 MÓDULO 5 Aula 8 - Instrumentos de gestão e modelos inovadores e inclusivos de gestão compartilhada para o desenvolvimento urbano sustentável: coletivos, associações e outras formas de ação coletiva sobre o território urbano Apresentação de Susana Montenegro sobre o estudo de caso de Conde-PB. https://cisama.sc.gov.br/assets/uploads/5b435-conde-pb_epa_escritorio-publico-de-assistencia-tecnica.pdf https://cisama.sc.gov.br/assets/uploads/5b435-conde-pb_epa_escritorio-publico-de-assistencia-tecnica.pdf https://cisama.sc.gov.br/assets/uploads/5b435-conde-pb_epa_escritorio-publico-de-assistencia-tecnica.pdf https://cisama.sc.gov.br/assets/uploads/5b435-conde-pb_epa_escritorio-publico-de-assistencia-tecnica.pdf https://cisama.sc.gov.br/assets/uploads/5b435-conde-pb_epa_escritorio-publico-de-assistencia-tecnica.pdf 57 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável 3.3.2 CODHab/DF A Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (CODHAB/DF) é uma empresa pública que faz par- te da administração indireta do Governo do Distrito Federal. Desde 2015, desenvolve uma importante experiência com a instalação de escritórios de assistência técnica nas periferias de Brasília. Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR) em matéria publicada em 23/02/20201, a iniciativa contava com dez escritórios distribuídos pelas co- munidades nos arredores de Brasília. Os escritórios são divididos em duas categorias: Projeto na Medida, que foca nas ações de melhorias habitacionais, e pro- jetos focados na revitalização do espaço público. Quatro escri- tórios estão destinados à primeira categoria e seis à segunda. O Projeto na Medida foca nas questões de adequação sanitá- ria das edificações. As famílias interessadas se cadastram nos escritórios físicos e passam por uma análise de perfil socioeco- nômico, de acordo com o previsto na Lei Federal nº 18.888/18, a lei de ATHIS. Se for enquadrada como possível beneficiária, uma visita de campo é agendada para identificar as situações de insalubridade relatadas. Então, a equipe de engenharia e ar- quitetura inicia os levantamentos, e desenvolve o projeto para os ambientes, geralmente banheiros ou cozinhas. A partir daí, a família pode acessar um recurso de até 13 mil reais e o escritó- rio contrata a mão de obra e compra os materiais necessários. Até fevereiro de 2020, 132 reformas já haviam sido entregues, 32 estavam em andamento e 47 estavam para ser iniciadas, se- gundo a matéria mencionada acima. Já no programa focado na requalificação de espaços públicos, os escritórios têm autonomia para definir os projetos prioritários. Além disso, podem organizar mutirões comunitários, desenvol- ver projetos urbanísticos, organizar concursos públicos para implantação de equipamentos e mediar conflitos fundiários. 1. Disponível em: https:// www.caubr.gov.br/ assistencia-tecnica-periferia- df/. https://www.caubr.gov.br/assistencia-tecnica-periferia-df/ https://www.caubr.gov.br/assistencia-tecnica-periferia-df/ https://www.caubr.gov.br/assistencia-tecnica-periferia-df/ https://www.caubr.gov.br/assistencia-tecnica-periferia-df/ 58 Gestão: A dimensão institucional do desenvolvimento urbano sustentável 3.3.3 Rede Moradia-Assessoria A Rede Moradia-Assessoria2 reúne grupos de todo o Brasil com experiências em ATHIS e em assessoria técnica popular, asso- ciando o conhecimento técnico a lutas dos movimentos sociais e das comunidades organizadas. O grupo se diz uma rede de articulação política, acadêmica e profissional para pesquisa e ação sobre condições de moradia e iniciativas populares de as- sessoria técnica no Brasil. Enquanto rede, pretende estimular a capacidade de olhar para as questões da moradia e da assessoria técnicacom a devida complexidade, reconhecendo a sua realidade diversa e as dife- rentes possibilidades de atuação e de investigação. O objetivo do grupo é dar visibilidade aos apagamentos e ao subdimen- sionamento de informações e levantamentos das condições de moradia no país. A rede se propõe também a divulgar debates, práticas e conceitos que aproximem a discussão nacional so- bre moradia da assessoria técnica. Além disso, busca ser uma agente na luta pelo campo profissional da assessoria técnica no Brasil. A partir do banco de dados da Rede, podemos ter acesso a di- versas iniciativas em todo o território nacional. Servem tanto de estudo de caso para inspirar outras experiências quanto para abrir um leque de possibilidades de parcerias com os gru- pos mapeados e envolvidos na rede. 2. Mais informações em: https://www. moradiaassessoria.org.br/ https://www.moradiaassessoria.org.br/ https://www.moradiaassessoria.org.br/