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WBA0911_v1.0
APRENDIZAGEM EM FOCO
NUTRIGENÔMICA
2
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
Autoria: Laís A. de Paula Simino
Leitura crítica: Mariana Portovedo de Oliveira Araújo
Na disciplina de Nutrigenômica você irá estudar a relação entre 
os padrões alimentares ou nutrientes e a expressão gênica, e os 
impactos que essa relação traz para a manutenção da saúde e o 
desenvolvimento de doenças. Para isso, abordaremos os seguintes 
temas:
• Fundamentos da genômica nutricional: você irá relembrar e 
se aprofundar em conceitos básicos da biologia molecular 
(DNA, RNA mensageiro, proteínas, transcrição e tradução, por 
exemplo) e vai conhecer os principais conceitos e fundamentos 
da genômica nutricional, a ciência que envolve os saberes de 
áreas como a nutrigenética, nutrigenômica e a epigenômica 
nutricional.
• Nutrientes e expressão gênica: tema voltado ao conhecimento 
dos principais meios com que os nutrientes e compostos 
bioativos de alimentos promovem a modulação da expressão 
dos genes, impactando, assim, a saúde dos indivíduos.
• Epigenômica nutricional: reservado para você conhecer os 
conceitos e definições envolvendo a epigenética e alguns 
mecanismos que envolvem os nutrientes e a modulação da 
expressão gênica, como a metilação do DNA, as modificações 
de histonas e a expressão de microRNAs.
• Bioéticas, testes preditivos e exercícios físicos: vamos abordar 
os aspectos éticos que envolvem a aplicação de testes 
nutrigenéticos com caráter preditivo e, ainda, conhecer a 
relação entre a alimentação, prática de exercícios físicos e a 
modulação da expressão dos genes.
3
Bons estudos!
INTRODUÇÃO
Olá, aluno (a)! A Aprendizagem em Foco visa destacar, de maneira 
direta e assertiva, os principais conceitos inerentes à temática 
abordada na disciplina. Além disso, também pretende provocar 
reflexões que estimulem a aplicação da teoria na prática 
profissional. Vem conosco!
Fundamentos da genômica 
nutricional 
______________________________________________________________
Autoria: Laís A. de Paula Simino
Leitura crítica: Mariana Portovedo de Oliveira Araújo
TEMA 1
5
DIRETO AO PONTO
A expressão gênica é um processo no qual ocorre a síntese de um 
produto funcional a partir da informação contida em um gene, ou 
seja, de forma simplificada, retrata o conceito postulado há muitos 
anos, o dogma central da biologia molecular, em que o DNA é o 
molde utilizado para produção de proteínas, por intermédio do RNA.
Dois processos básicos são necessários para que a informação 
contida no DNA seja entendida como uma proteína funcional: 
a transcrição (a síntese da molécula “intermediária”, o RNA 
mensageiro, a partir do DNA) e a tradução (a leitura da informação 
do RNA mensageiro, que dará origem à proteína).
Diversos mecanismos regulatórios atuam em diferentes pontos da 
transcrição e tradução, de modo a favorecer ou desfavorecer esses 
processos. Tais mecanismos são conhecidos como reguladores da 
expressão gênica e os principais deles são: fatores de transcrição, 
metilação do DNA, modificação de histonas e expressão de 
microRNAs.
Estes mecanismos podem ser regulados de forma dinâmica 
e individual, já que interagem de forma direta tanto com as 
particularidades genéticas de cada indivíduo, quanto com fatores 
ambientais. Assim, a partir desse entendimento, surgiram os 
estudos na área da “genômica nutricional”.
A genômica nutricional tem como objetivo estudar como os 
nutrientes e os genes interagem para modificação do fenótipo. 
Dentro das áreas de conhecimento da genômica nutricional estão a 
nutrigenética e a nutrigenômica (Figura 1), bem como outras áreas 
como a epigenômica nutricional, a transcriptômica, a proteômica e a 
metabolômica.
6
Figura 1 – Nutrigenética e nutrigenômica
Fonte: adaptada de Teymur Alimardanov/iStock.com e dinosoftlabs/iStock.com.
Embora a nutrigenética e nutrigenômica sejam, muitas vezes, 
tratadas como cognatas, é importante diferenciarmos os dois 
conceitos: enquanto a nutrigenética estuda o impacto da 
variabilidade genética entre diferentes indivíduos sobre os 
desfechos na saúde e risco para desenvolvimento de doenças, 
mesmo quando o padrão do consumo dietético é semelhante, a 
nutrigenômica busca o compreendimento de como a interação entre 
os componentes dietéticos (nutrientes e compostos bioativos de 
alimentos) com o genoma podem levar à modulação da expressão 
gênica.
Assim, é aconselhável que profissionais da área da Nutrição 
conheçam estes conceitos e se atualizem periodicamente, já 
que o estudo da genômica nutricional possibilita uma melhor 
7
compreensão sobre a importância das prescrições individualizadas e 
do entendimento da variabilidade das respostas de cada indivíduo a 
determinadas intervenções, sendo uma ferramenta importante para 
manutenção da saúde e manejo de doenças crônicas no âmbito da 
nutrição.
Referências bibliográficas
CAMP, Kathryn M.; TRUJILLO, Elaine. Position of the Academy of Nutrition and 
Dietetics: nutritional genomics. J. Acad. Nutr. Diet., Chicago, v. 114, n. 2, p. 
299-312, 2014.
COMINETTI, Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, Maria A. (org.). Genômica 
Nutricional: dos fundamentos à nutrição molecular. Barueri: Manole, 2017. 
PARA SABER MAIS
Do ponto de vista histórico, acredita-se que o termo “nutrigenética” 
tenha sido motivado a partir do provérbio “Ut quod ali cibus est aliis 
fuat acre venenum”, do filósofo romano Tito Lucrécico Caro, que 
significa “o que é alimento para um é para outros veneno amargo”. 
Hoje, entendemos a nutrigenética como a área da genômica 
nutricional que busca entender as influências das variações 
genéticas dos seres humanos sobre a resposta à ingestão de 
nutrientes ou padrões dietéticos.
Além do exemplo clássico da fenilcetonúria, doença desenvolvida 
em indivíduos que possuem um polimorfismo no gene que codifica 
a enzima responsável pela conversão de fenilalanina em tirosina – 
a fenilalanina hidroxilase – temos alguns outros exemplos de SNP 
(polimorfismo em um único nucleotídeo) que levam a manifestações 
relacionadas à ingestão de nutrientes.
8
Um destes SNP nutricionalmente relevantes envolve o metabolismo 
da homocisteína e do folato, e está relacionado a defeitos do 
tubo neural e ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. 
Esse polimorfismo está relacionado ao gene MTHFR, que codifica 
a enzima metileno tetrahidrofolato redutase, e leva a uma baixa 
eficiência enzimática que resulta em menores níveis séricos de folato 
e ao aumento expressivo na quantidade homocisteína.
Essa descoberta alertou para a necessidade da fortificação de 
alimentos com ácido fólico, na tentativa de minimizar a deficiência 
na população acometida pelo polimorfismo e, dessa forma, diminuir 
a incidência de defeitos de fechamento do tubo neural e de doenças 
cardiovasculares relacionadas à essa manifestação. Nos EUA, existe 
a fortificação de alimentos desde 1998 e pesquisas demonstraram 
que o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares nos 
indivíduos com esse SNP diminuiu após essa medida. No Brasil, 
existe a regulamentação de fortificação da farinha de trigo, por 
exemplo, com ferro e ácido fólico.
Existem, ainda, variações genéticas que predispõem os indivíduos 
ao desenvolvimento de doenças metabólicas. Um exemplo é o SNP 
no gene FTO, que tem sido descrito como um polimorfismo que leva 
os indivíduos a apresentarem risco superior de desenvolvimento 
de obesidade. Além disso, estudos demonstraram que crianças 
que apresentam essa variação genética sentem mais fome e têm 
o consumo alimentar maior, antes mesmo de desenvolverem 
obesidade.
Porém, isso não significa que o mecanismo definitivo para o 
desenvolvimento da obesidade tenha sido descoberto, já que 
polimorfismos nesse e em outros genes que estão associados ao 
maior ganho de peso explicam apenas 2% dos casos de obesidade. 
Trata-se, então, de uma doença de causas multifatoriais e 
complementares: genéticas e/ou ambientais.
9
Além disso, mesmo em indivíduos com essa predisposição genética,existe uma proteção ao ganho de peso caso exista a prática regular 
de atividades físicas e o consumo dietético adequado, o que reforça 
a hipótese de que esses fatores ambientais podem interferir na 
expressão gênica e promoção da saúde.
Referências bibliográficas
CAMP, Kathryn M.; TRUJILLO, Elaine. Position of the Academy of Nutrition and 
Dietetics: nutritional genomics. J. Acad. Nutr. Diet., Chicago, v. 114, n. 2, p. 
299-312, 2014.
COMINETTI, Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, Maria A. (org.). Genômica 
Nutricional: dos fundamentos à nutrição molecular. Barueri: Manole, 2017.
TEORIA EM PRÁTICA
Depois de conhecer os principais conceitos sobre o tema genômica 
nutricional, reflita sobre a atuação de nutricionistas que seguem 
uma abordagem ou método com todos os seus clientes/pacientes, 
como, por exemplo, a “linha low carb”, geralmente métodos como 
restrição calórica ou jejum intermitente, utilização de determinado 
suplemento.
Mesmo que existam evidências científicas válidas para utilização 
destas técnicas, você acredita que funcionariam com qualquer 
pessoa? Em quais fatores você acha que o profissional deve se 
basear ao prescrever orientações nutricionais e planos alimentares?
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
10
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
Este livro é um dos principais materiais de consulta que temos 
disponível em língua portuguesa acerca da genômica nutricional. 
Neste capítulo, em especial, os autores abordam com detalhes 
todos os processos envolvidos na expressão gênica, assunto esse, 
fundamental para a compreensão dos mecanismos envolvidos com 
a nutrigenética e nutrigenômica.
DA SILVA, Silvana A. B.; PANTALEÃO, Lucas C. Expressão gênica. In: COMINETTI, 
Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, Maria A. Genômica nutricional: dos 
fundamentos à nutrição molecular. Barueri: Manole, 2017.
Indicações de leitura
11
Indicação 2
Este artigo é um posicionamento da Academia de Nutrição 
e Dietética sobre a genômica nutricional, e aborda todo o 
embasamento teórico necessário para a compreensão do tema, 
além de trazer um glossário dos principais termos dessa área do 
conhecimento, definições dos principais conceitos, aspectos éticos e 
perspectivas.
CAMP, Kathryn M.; TRUJILLO, Elaine. Position of the Academy of Nutrition and 
Dietetics: nutritional genomics. J. Acad. Nutr. Diet., Chicago, v. 114, n. 2, p. 
299-312, 2014. 
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
1. “A __________ é uma ciência ampla, que contempla conhecimentos 
de diferentes áreas com o objetivo comum de estudar a 
interação dos nutrientes e genes. Dentre essas áreas do 
conhecimento, estão a __________ e a __________ que estudam 
a forma como as variações genéticas interferem na resposta 
a diferentes padrões alimentares e a forma como a ingestão 
de nutrientes e compostos bioativos de alimentos afetam a 
expressão gênica, respectivamente”.
12
Assinale a alternativa que contenha as palavras que 
completem as lacunas corretamente: 
a. Genômica nutricional; nutrigenômica; epigenômica nutricional.
b. Genômica nutricional; nutrigenética; nutrigenômica.
c. Genômica nutricional; epigenética nutricional; nutrigenômica.
d. Epigenética nutricional; nutrigenética; nutrigenômica.
e. Genética; genômica nutricional; epigenômica nutricional. 
2. “A expressão gênica é um processo no qual ocorre a síntese 
de um produto funcional através da informação contida em 
um gene. De forma simplificada, para que haja síntese de 
__________, dois eventos devem acontecer: o primeiro deles, 
a __________, acontece no núcleo celular e envolve a enzima 
RNA polimerase para síntese de RNAm a partir do DNA; o 
segundo, chamado de __________, acontece no citoplasma e 
envolve a leitura do RNAm pelo ribossomo para síntese do 
produto final”.
Assinale a alternativa que contenha as palavras que 
completem as lacunas corretamente:
a. Proteínas; transcrição; tradução.
b. Genes; transcrição; tradução.
c. Genes; sintetização; processamento.
d. Proteínas; tradução; transcrição.
e. Proteínas; sintetização; processamento. 
13
GABARITO
Questão 1 - Resposta B
Resolução: A ciência mais ampla que agrega áreas do 
conhecimento com interesse em estudar a interação entre 
nutrientes e genes para modulação do fenótipo é a genômica 
nutricional, que engloba os conhecimentos das áreas de 
nutrigenética, nutrigenômica, epigenômica nutricional, 
transcriptômica, proteômica e metabolômica.
A nutrigenética estuda o impacto das variações genéticas 
(polimorfismos) na resposta à padrões dietéticos, enquanto a 
nutrigenômica estuda o impacto do consumo de determinados 
nutrientes e compostos bioativos de alimentos na modulação 
da expressão gênica. 
Questão 2 - Resposta A
Resolução: A síntese de proteínas acontece, de forma 
simplificada, a partir do DNA, como molde, e envolve o RNA 
mensageiro como molécula intermediária. Esse processo 
envolve dois eventos básicos, conhecidos como transcrição 
e tradução. A transcrição, no núcleo celular, é a síntese do 
RNAm a partir do DNA, a partir da RNA polimerase; a tradução 
acontece no citoplasma, a partir do ribossomo, que lê a 
informação contida no RNAm para sintetizar a proteína. 
Nutrientes e expressão gênica 
______________________________________________________________
Autoria: Laís A. de Paula Simino 
Leitura crítica: Mariana Portovedo de Oliveira Araújo
TEMA 2
15
DIRETO AO PONTO
A nutrigenômica busca o entendimento do impacto dos nutrientes 
e dos compostos bioativos de alimentos (CBA) sobre a modulação 
da expressão gênica e a influência dessa modulação em vias 
metabólicas, no fenótipo e, como consequência, na manutenção da 
saúde e desenvolvimento de doenças (Figura 1).
Figura 1 – Nutrientes e expressão gênica
Fonte: elaborada pela autora.
Todos os nutrientes já foram descritos como potenciais 
moduladores da expressão gênica de alguma forma. Vamos ver 
alguns exemplos:
• Carboidratos:
Os prebióticos, carboidratos não digeríveis, são bastante estudados 
em relação à sua função moduladora da microbiota intestinal, 
podendo levar à modificação da expressão de genes relacionados 
à absorção e metabolização de nutrientes, processos metabólicos 
e imunidade. Muitos estudos demonstraram, também, a grande 
capacidade da glicose e frutose, dois monossacarídeos, de 
modular a expressão gênica. Os genes/enzimas mais responsivos 
a concentrações de glicose e frutose são os da via glicolítica 
16
(especialmente hexoquinase, fosfofrutoquinase e piruvatoquinase) e 
os genes que codificam os transportadores de glicose do tipo GLUT 
e SGLT.
• Proteínas:
O impacto das proteínas na modulação da expressão gênica tem 
sido bastante estudado há alguns anos. A glutamina, por exemplo, 
apresenta importante papel imunomodulador,além de participar 
da modulação expressão de genes relacionados a diversas funções 
fisiológicas, como metabolismo, proliferação e reparo celular.
• Lipídios:
Diversas classes de lipídios já tiveram suas funções descritas na 
sinalização intracelular e na modulação da expressão gênica, como 
os acilgliceróis (monoacilgliceróis, diacilgliceróis e triacilgliceróis), 
as ceramidas, os fosfolipídios e, principalmente, os ácidos graxos 
(AG). Um dos exemplos mais clássicos envolvendo a transcrição 
gênica mediada por AG é o caso dos ácidos graxos saturados (AGS) 
e a modulação da expressão de mediadores pró-inflamatórios, a 
partir da sua ligação com os receptores do tipo TLR4, que levam à 
transcrição de mediadores pró-inflamatórios, como TNFα, IL1β e IL6.
• Micronutrientes:
Dentre os processos fisiológicos com maior influência dos 
micronutrientes, destaca-se o sistema imunológico. As vitaminas 
e os minerais desempenham papéis importantes em todas as 
etapas da resposta imune: 1) Barreira física: vitaminas A, C, D, E, 
B6, B12, folato, ferro e zinco; 2) resposta imune inata: vitaminas A, 
C, D, E, B6, B12, folato, ferro, zinco, cobre, selênio e magnésio; 3) 
Resposta inflamatória: vitaminas A, C, B6, ferro, zinco, cobre, selênio 
e magnésio; e 4) Resposta imune adaptativa: vitaminas A, C, D, E, B6, 
B12, folato, ferro, zinco, cobre, selênio e magnésio.
17
• Compostos bioativos de alimentos (CBA):
Os CBA mais conhecidos e estudados são os polifenóis, metabólitos 
secundários que são encontrados em uma grande variedade 
de alimentos e bebidas de origem vegetal. Os efeitos atribuídos 
a eles estão relacionados, principalmente, à sua característica 
antioxidante de combate a espécies reativas de oxigênio (EROs) e em 
determinadas vias metabólicas. Em relação à sua capacidade anti-
inflamatória, o mecanismo acontece por meio da inibição de fatores 
de transcrição como NFκB e AP-1, que são ativados por estímulos 
antagônicos (como ácidos graxos saturados, por exemplo), e que 
levariam à transcrição de mediadores inflamatórios como TNFα, IL1β 
e IL6.
Referências bibliográficas
COMINETTI, Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, Maria A. (org.). Genômica 
Nutricional: dos fundamentos à nutrição molecular. Barueri: Manole, 2017. 
PARA SABER MAIS
Assim como vários outros tipos de lipídios, os ácidos graxos (AG) 
da família ômega 3 (ω3) possuem papel importante na modulação 
da expressão gênica. Esses AG são poli-insaturados e, dentro da 
família dos ω3, encontram-se os AG alfa-linolênico (ALA – C18:3), 
eicosapentaenoico (EPA – C22:5) e docosa-hexaenoico (DHA – C24:6).
São considerados essenciais, já que o organismo dos mamíferos é 
incapaz de sintetizá-los e, portanto, devemos garantir sua ingestão 
por meio da alimentação ou suplementação. Após serem absorvidos 
pelas células, os ω3 atuam na síntese de substâncias fundamentais 
à vida humana, como leucotrienos, prostaglandinas, prostaciclinas 
18
e tromboxanos. Esses AG também apresentam características anti-
inflamatória (Figura 2).
Figura 2 – Ação anti-inflamatória dos ácidos graxos ômega 3.
Fonte: elaborada pela autora.
Pesquisas têm demonstrado que os AG ω3 podem inibir a 
transcrição de citocinas pró-inflamatórias de diferentes formas. 
Uma delas é por meio da diminuição da efetividade dos receptores 
(TLR4, receptor que reconhece ácidos graxos saturados; TNFR, 
receptor que reconhece citocinas pró-inflamatórias como o TNFα) 
em disparar a cascata de sinalização que leva à transcrição desses 
mediadores pró-inflamatórios. Além disso, esses AG também podem 
interferir em vários pontos da via de sinalização em si, inibindo as 
fosforilações que propagam os sinais através de diversas proteínas 
intermediárias, por exemplo.
Referências bibliográficas
CINTRA, Dennys E.; YAMADA, Mônica; ROGERO, Marcelo M. Ácidos graxos poli-
insaturados. In: COMINETTI, Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, Maria 
19
A. Genômica nutricional: dos fundamentos à nutrição molecular. Barueri: 
Manole, 2017.
TEORIA EM PRÁTICA
Depois de conhecer a função de diversos nutrientes sobre a 
capacidade de modulação de várias fases da resposta imunológica, 
reflita sobre a recomendação de suplementação de determinados 
micronutrientes, como a vitamina D, para a população geral, para 
prevenção de infecção viral em caso de pandemia, como no caso da 
COVID-19, ou para gripes virais sazonais, como a H1N1.
Você acredita que essa prática de suplementação seja válida, segura 
e, acima de tudo, eficaz para prevenção de infecção viral? 
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
Indicações de leitura
20
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
Este é um artigo atual de revisão sobre a nutrigenômica da vitamina 
D, que apresenta papel fundamental no metabolismo e imunidade 
celular. Nesta revisão, os autores, discutem diferentes aspectos de 
como a vitamina D interage com o genoma humano, levando a uma 
boa compreensão dos seus benefícios clínicos.
CARLBERG, Carsten. Nutrigenomics of Vitamin D. Nutrients, v. 11, ed. 676, p. 
1-15, 2019.
Indicação 2
Este livro trata exclusivamente sobre genômica nutricional. No 
capítulo Polifenóis, na seção de “Nutrientes, compostos bioativos 
de alimentos e expressão gênica”, os autores discutem as ações 
dos polifenóis, especialmente dos flavonóides, na expressão gênica 
em diferentes tecidos e condições, com destaque para a ação 
antioxidante e anti-inflamatória destes metabólitos secundários.
HASSIMOTTO, Neuza M. A.; LAJOLO, Franco M. Polifenóis. In: COMINETTI, 
Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, Maria A. (org.). Genômica nutricional: 
dos fundamentos à nutrição molecular. Barueri: Manole, 2017. 
21
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
1. Diferentes tipos de lipídios já foram descritos como moduladores 
da expressão gênica em diversos contextos fisiológicos. Os 
ácidos graxos são uma das classes de lipídios com mais funções 
moduladoras descritas.
Com relação aos ácidos graxos saturados, assinale a 
alternativa que melhor descreva sua função moduladora 
relacionada à transcrição de mediadores pró-inflamatórios: 
a. Diminuem a transcrição de mediadores pró-inflamatórios 
por meio de sua ação repressora da atividade dos fatores de 
transcrição.
b. Diminuem a transcrição de mediadores pró-inflamatórios a 
partir de sua ação inibitória do receptor TLR4. 
c. Diminuem a sinalização de mediadores pró-inflamatórios a 
partir de sua ação inibitória do receptor TNFR. 
d. Promovem a transcrição de mediadores pró-inflamatórios 
a partir das ações desencadeadas por sua ligação aos 
receptores TLR4. 
22
e. Promovem a transcrição de mediadores pró-inflamatórios 
a partir das ações desencadeadas por sua ligação aos 
receptores TNFR. 
2. “Dentro do grupo com compostos bioativosde alimentos, 
os __________ são os mais conhecidos e estudados. Esses 
compostos possuem efeitos importantes, principalmente 
devido à sua característica __________, de combate as EROs. 
Como mecanismo anti-inflamatório, eles atuam __________ a 
ação de fatores de transcrição como NFκB e AP-1”. 
Assinale a alternativa que contenha as palavras que 
completem as lacunas corretamente: 
a. Polifenóis; antioxidante; promovendo.
b. Polifenóis; anti-tumorigênica; inibindo.
c. Polifenóis; antioxidante; inibindo.
d. Taninos; antioxidante; inibindo. 
e. Taninos, anti-tumorigênica; promovendo. 
GABARITO
Questão 1 - Resposta D
Resolução: Os ácidos graxos saturados levam à modulação 
da expressão de mediadores pró-inflamatórios por meio da 
sua ligação com os receptores do tipo TLR4, que promovem a 
transcrição de mediadores pró-inflamatórios, como TNFα, IL1β 
e IL6. 
23
Questão 2 - Resposta C
Resolução: Os compostos bioativos de alimentos mais 
conhecidos e estudados são os polifenóis, metabólitos 
secundários que são encontrados em uma grande variedade 
de alimentos e bebidas de origem vegetal. Os efeitos atribuídos 
a eles estão relacionados, principalmente, à sua característica 
antioxidante de combate a espécies reativas de oxigênio 
(EROs) e em determinadas vias metabólicas. Em relação à 
sua capacidade anti-inflamatória, o mecanismo acontece por 
meio da inibição de fatores de transcrição como NFκB e AP-
1, que são ativados por estímulos antagônicos (como ácidos 
graxos saturados), e que levariam à transcrição de mediadores 
inflamatórios como TNFα, IL1β e IL6. 
Epigenômica nutricional 
______________________________________________________________
Autoria: Laís A. de Paula Simino 
Leitura crítica: Mariana Portovedo de Oliveira Araújo
TEMA 3
25
DIRETO AO PONTO
A epigenômica nutricional estuda a influência dos nutrientes e 
padrões alimentares na modulação de mecanismos epigenéticos. A 
epigenética, por sua vez, se refere as alterações que impactam na 
modulação da expressão gênica, mas que não estão envolvidas com 
mudanças na sequência do DNA.
Para que determinado mecanismo possa ser considerado 
epigenético, deve obedecer a três critérios:
1. Autopropagação, ou seja, não depender de outros 
mecanismos para acontecer.
2. Ser passível de ser herdado.
3. Ser reversível.
Atualmente, consideramos como mecanismos epigenéticos: 
metilação do DNA, modificações das histonas e expressão de 
microRNAs (Figura 1).
26
Figura 1 – Nutrientes e a modulação de mecanismos 
epigenéticos
Fonte: elaborada pela autora.
A metilação do DNA é o mecanismo epigenético mais estudado, 
e consiste na adição de grupos metil ao DNA, levando ao 
silenciamento estável da transcrição do gene, ou seja, à menor 
expressão do gene que foi metilado. A adição de grupos metil 
é realizada por uma família de enzimas chamadas DNA metil-
transferases (DNMT), responsáveis pela transferência do grupo 
metil de uma molécula doadora (SAM) às citosinas localizadas na 
ilha CpG do DNA, ou seja, na região promotora, o que impede que 
os fatores de transcrição se liguem à essa região para dar início à 
transcrição gênica. Muitos micronutrientes participam da regulação 
da metilação por serem intermediários da formação de SAM ou da 
molécula inibidora de metiltransferases (SAH). Além disso, micro 
e macronutrientes, padrões alimentares e compostos bioativos de 
alimentos (CBA) podem ativar ou inibir as DNMT.
27
As histonas são proteínas encontradas ao longo da fita de DNA, 
sendo essenciais para sua estrutura e funcionalidade. A este 
conjunto de histonas e DNA dá-se o nome de cromatina. As histonas 
podem sofrer diversas modificações que levam ao aumento ou 
diminuição da transcrição gênica: metilação, acetilação, fosforilação 
e ubiquitinação, por exemplo. As enzimas envolvidas nos processos 
de metilação (HMT e HDM, metiltransferase e demetilase) e 
acetilação (HAT e HDAC, acetiltransferase e desacetilase) podem ser 
reguladas por nutrientes, padrões dietéticos e CBA.
Os microRNAs (miR), por sua vez, fazem parte do grupo dos RNA 
não codificantes. Eles possuem apenas cerca de 22 nucleotídeos em 
sua forma madura e atuam na regulação pós-transcricional, ou seja, 
controlam a expressão de genes após a etapa de transcrição. Estima-
se que mais de 60% dos RNA mensageiros são regulados pelos 
miR e, assim como acontece nos outros mecanismos epigenéticos, 
existem evidências de que a alimentação pode influenciar na 
alteração do fenótipo dirigida pela modulação na expressão de 
miR, aumentando ou diminuindo a expressão de determinados miR 
tecido-específicos.
Apesar de ainda não haver recomendações dietéticas específicas 
com o intuito de modular determinados mecanismos epigenéticos, 
acredita-se que esses processos podem ser um mecanismo central 
para a prevenção e tratamento de diversas doenças existentes. 
Assim, espera-se que, cada vez mais, o estudo da epigenômica 
nutricional possa servir como base para a prática clínica e promoção 
da saúde na área de atuação do nutricionista.
Referências bibliográficas
COMINETTI, Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, Maria A. (org.). Genômica 
Nutricional: dos fundamentos à nutrição molecular. Barueri: Manole, 2017. 
28
PARA SABER MAIS
Estudos epidemiológicos e experimentais das últimas décadas 
têm demonstrado o impacto da programação metabólica fetal 
no desenvolvimento de doenças metabólicas. Tal programação 
é o processo no qual diferentes estímulos que ocorrem durante 
períodos considerados críticos para o desenvolvimento, como o 
período intrauterino e pós-natal precoce, impactam no fenótipo e 
metabolismo dos indivíduos durante toda vida.
Esses períodos críticos do desenvolvimento são traduzidos, hoje 
em dia, no conceito definido como “os primeiros mil dias” e envolve 
desde a concepção, ou seja, todo o período gestacional, até os 2 
anos de vida. Os primeiros mil dias são a fase mais crítica para a 
indução de desordens fisiopatológicas, principalmente relacionadas 
ao metabolismo, e diversos estímulos ou condições podem 
desencadear essas desordens: exposição a toxinas e medicamentos; 
poluição; estresse psicológico; sedentarismo; excesso ou escassez 
de nutrientes; diabetes e obesidade materna são alguns exemplos.
Evidências sugerem que a exposição a diversos dessem fatores 
podem levar os descendentes ao desenvolvimento de obesidade já 
na infância, podendo persistir durante toda a vida adulta. O Quadro 
1 descreve os principais fatores de risco para o desenvolvimento de 
obesidade relacionados à programação metabólica em cada fase 
dos “primeiros mil dias”.
29
Quadro 1 – Principais fatores de risco nos “Primeiros 1000 dias” 
associados ao desenvolvimento de obesidade
Fase Fator de risco
Pré-natal 
(gestação)
• IMC materno pré-gestacional elevado.
• Ganho de peso gestacional excessivo.
• Diabetes gestacional.
• Predisposição genética.
0 - 6 meses • Problemas associados a formulações infantis:
• Curva de crescimento do bebê acelerada.
• Alta ingestão energética.
• Alta/inadequada concentração de proteínas.
• Baixa/inadequada concentração de ácidos graxos 
poli-insaturados.
• Introdução alimentar precoce.
6 meses - 2 anos • Ganho de peso muito acelerado após a introdução 
alimentar.
• Alta/inadequada ingestão de proteínas.
• Alta ingestão energética.
• Alteração na microbiota intestinal.
Fonte: adaptado de Mameli, Mazzantini e Zuccotti (2016).
30
Assim, é importante que a prevenção à obesidade e outras 
desordens metabólicas inicie desde antes do nascimento e que se 
tenha atenção especial principalmente durante os primeiros 2 anos 
de vida do bebê.
Referências bibliográficas
MAMELI, Chiara; MAZZANTINI, Sara; ZUCCOTTI, Vincenzo. Nutrition in the 
First 100 0 Days: The Origin of Childhood Obesity. Int. J. Environ. Res. Public 
Health, Basiléia, v. 13, ed. 383, p. 1-9, 2016.
TEORIA EM PRÁTICA
Após o estudo de como os nutrientes, o estado nutricional e a 
composição corporal podem levar a alterações em mecanismos 
epigenéticos queparticipam da programação metabólica fetal, reflita 
sobre o caso de mulheres que se encontram obesas e apresentam 
Diabetes mellitus tipo 2 no início da gestação.
Qual seria a orientação nutricional nesse caso? Seria importante 
planejar a alimentação de forma a promover a perda de gordura da 
gestante, a fim de se evitar modulações epigenéticas negativas no 
filho?
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
31
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
Este livro trata exclusivamente sobre genômica nutricional. 
E no capítulo Fundamentos de epigenética e nutrição, na seção 
Fundamentos da genômica nutricional, os autores trazem definições e 
conceitos básicos acerca da epigenética e discutem as alterações em 
mecanismos epigenéticos dirigidas por nutrientes.
HORST, Maria A.; CARVALHO, Ana C.; VETTORE, Andre L. Fundamentos de 
epigenética e nutrição. In: COMINETTI, Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, 
Maria A. (org.). Genômica nutricional: dos fundamentos à nutrição molecular. 
Barueri: Manole, 2017.
Indicações de leitura
32
Indicação 2
Este é um artigo de revisão, com o tema Programação metabólica 
precoce em humanos, que aborda, além de um breve histórico sobre 
o tema da programação fetal, assuntos como diabetes gestacional, 
obesidade e ganho de peso excessivo durante a gestação, exposição 
intrauterina a glicocorticóides e toxinas, os mecanismos epigenéticos 
envolvidos na programação metabólica e os efeitos de intervenções 
nutricionais durante a gestação e lactação para os desfechos cardio-
metabólicos dos descendentes.
FALL, Caroline H. D.; KUMARAN, Kalyanaraman. Metabolic programming in 
early life in humans. Phil. Trans. R. Soc. B, Londres, v. 374, p. 1-9, 2019. 
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
1. Os microRNAs são pequenas moléculas de cerca de 22 
nucleotídeos, que fazem parte do grupo dos RNA não 
codificantes. Estima-se que mais de 60% dos RNA mensageiros 
sejam regulados pela expressão diferencial dos microRNAs.
33
Acerca da regulação exercida pelos microRNAs, assinale a 
alternativa correta: 
a. Participam da regulação pré-transcricional, promovendo o 
aumento da transcrição do gene alvo.
b. Participam da regulação pré-transcricional, realizando a 
repressão da transcrição do gene alvo. 
c. Participam da regulação pós-transcricional, promovendo o 
aumento da transcrição do gene alvo.
d. Participam da regulação pós-transcricional, realizando a 
repressão da tradução do RNA mensageiro alvo. 
e. Participam da regulação pós-transcricional, promovendo o 
aumento da tradução do RNA mensageiro alvo. 
2. “O mecanismo epigenético mais conhecido e estudado é 
__________, e consiste na adição de grupos metil a __________ 
do DNA localizadas, principalmente, nas ilhas CpG. Esse 
mecanismo leva ao __________ da transcrição gênica”.
Assinale a alternativa que contenha as palavras que 
completem as lacunas corretamente: 
a. A metilação de histonas; guaninas; silenciamento.
b. A metilação do DNA; citosinas; aumento.
c. A metilação do DNA; citosinas; silenciamento.
d. A metilação de histonas; citosinas; silenciamento.
e. A metilação do DNA; guaninas; aumento. 
34
GABARITO
Questão 1 - Resposta D
Resolução: Os microRNAs fazem parte do grupo dos RNA não 
codificantes e atuam na regulação pós-transcricional, ou seja, 
controlam a expressão de genes após a etapa de transcrição, 
realizando a repressão da tradução do RNA mensageiro alvo. 
Questão 2 - Resposta C
Resolução: A metilação do DNA é o mecanismo epigenético 
mais estudado e consiste na adição de grupos metil a citosinas 
do DNA, localizadas nas ilhas CpG, levando a um silenciamento 
estável da transcrição do gene, ou seja, à menor expressão do 
gene que foi metilado. 
Bioética, testes preditivos e 
exercícios físicos 
______________________________________________________________
Autoria: Laís A. de Paula Simino 
Leitura crítica: Mariana Portovedo de Oliveira Araújo
TEMA 4
36
DIRETO AO PONTO
Nos últimos anos, pudemos observar um rápido progresso no 
entendimento do genoma e no estudo das interações entre os 
alimentos e nutrientes na expressão gênica e variabilidade genética, 
o que conhecemos hoje como genômica nutricional. Por se tratar 
de uma área do conhecimento relativamente nova, é importante 
que sejam discutidos e compreendidos os aspectos bioéticos que 
envolvem a aplicação prática dessa ciência.
Por ética, compreende-se a disciplina filosófica que investiga os 
sistemas morais criados pelo homem, a fim de compreender as 
concepções sobre questões que podem ter interpretações diversas. 
A moral, por sua vez, é um conjunto de condutas assumidas de 
forma livre pelos indivíduos, com o intuito de organizar as relações 
pessoais segundo valores de bom e ruim, bem e mal. Já a bioética 
se trata de um conjunto de conceitos e normas que buscam tratar 
os humanos de maneira ética no que se relaciona a atos que afetam 
os sistemas vivos. Os princípios gerais que devem ser observados 
na bioética são: beneficência; não maleficência; justiça; equidade; e 
autonomia.
O consumo alimentar é um importante fator ambiental que 
pode interferir no desenvolvimento de doenças associadas a 
polimorfismos genéticos e, nesse sentido, os testes relacionados 
à nutrigenética têm emergido como uma possibilidade de 
aperfeiçoamento do cuidado nutricional personalizado. O principal 
enfoque dos testes preditivos nutrigenéticos, atualmente, está na 
análise dos polimorfismos de nucleotídeo único (SNP). Contudo, 
diferentemente do que ocorre com as doenças monogênicas 
com alta penetrância, em que o indivíduo apresenta alto risco 
de desenvolver a condição associada àquele gene, como a 
fenilcetonúria, as doenças crônicas não transmissíveis mais 
37
abordadas na prática clínica do nutricionista são condições 
poligênicas multifatoriais complexas. Portanto, alterações em um 
único SNP relacionado a elas pode determinar uma associação 
muito baixa com o risco de desenvolvimento da doença 
propriamente dito. Assim, existem ainda muitas limitações em 
relação ao emprego dos testes preditivos nutrigenéticos e, para que 
sejam utilizados com segurança e critério, devem ser observadas as 
seguintes premissas (Figura 1):
• Respeitar os princípios da bioética.
• Entender que os testes têm caráter complementar e preditivo, 
nunca diagnóstico.
• O profissional que solicitar, deve ser especializado/capacitado 
para interpretar os dados obtidos.
• Devem ser utilizados em conjunto com as outras ferramentas 
básicas do atendimento nutricional (histórico familiar e 
pessoal, parâmetros bioquímicos, cultura e preferências 
pessoais, avaliação do estado nutricional, diretrizes atuais).
38
Figura 1 – Premissas para utilização de testes preditivos 
nutrigenéticos
Fonte: elaboradapela autora.
Assim, entende-se que os testes nutrigenéticos sejam ferramentas 
inovadoras que possibilitam uma visão complementar para o 
direcionamento da conduta dietética em diversos campos de 
atuação, principalmente na prevenção de DCNT, controle do peso, 
rastreio de intolerâncias e alergias e melhora de performance. No 
entanto, ainda se trata de uma ferramenta nova, que carece de mais 
estudos para que os reais benefícios sejam aplicáveis com segurança 
e tragam reais benefícios no dia a dia dos nutricionistas clínico.
Referências bibliográficas
COMINETTI, Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, Maria A. (org.). Genômica 
Nutricional: dos fundamentos à nutrição molecular. Barueri: Manole, 2017. 
39
PARA SABER MAIS
O organismo sofre diversas adaptações promovidas quando o 
indivíduo pratica exercícios físicos, sendo que diferentes tipos de 
exercícios causam diferentes tipos de adaptações. Essas adaptações 
são o resultado das alterações na expressão de genes promovidas 
não só pelo próprio exercício, mas também por outros fatores 
correlacionados, como a alimentação/nutrientes (Figura 2).
Figura 2 – Interação entre genes, nutrientes e exercícios físicos
Fonte: elaborado pela autora.
Como exemplo, podemos citar a influência de um composto bioativo 
de alimentos (CBA) e sua relação com o exercício e a expressão 
gênica. A principal classe de CBA estudada são os polifenóis, que se 
subdividem em taninos, estilbenos, ácidos fenólicos e flavonóides. 
Além dos efeitos comuns relacionados à grande parte dos CBA, 
como as características antioxidantes de combate a espécies reativas 
de oxigênio (EROs) e a efeitos fisiológicos como vasodilatação, 
quimioproteção, neuroproteção, e anti-inflamatório, algumas 
funções atribuídas a esses compostos já foram relacionadas ao 
40
desempenho físico, por meio da promoção da modulação da 
expressão gênica.
A quercetina, por exemplo, um flavonóide cujas fontes principais 
são cebola, maçã, mirtilo, couve-flor, brócolis e alguns chás, pode 
influenciar a biogênese mitocondrial induzida por exercícios, ou 
seja, a construção de novas mitocôndrias. Essa organela é essencial 
à vida, já que por meio dela, realiza-se a respiração celular, e é 
onde há a formação da maior parte da energia necessária para o 
funcionamento do corpo. Em um estudo no qual camundongos 
foram submetidos a exercícios físicos com ou sem suplementação 
de quercetina, verificou-se que o grupo suplementado teve maior 
expressão de genes relacionados à biogênese mitocondrial e, como 
consequência, houve maior quantidade de mitocôndrias após um 
período de treino e suplementação.
Referências bibliográficas
ROGERO, Marcelo M.; TORRES-LEAL, Francisco L. Nutrigenômica e exercício 
físico. In: COMINETTI, Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, Maria A. (org.). 
Genômica nutricional: dos fundamentos à nutrição molecular. Barueri: 
Manole, 2017.
TEORIA EM PRÁTICA
Reflita sobre os testes preditivos em nutrigenética, direcionados ao 
consumidor final, com o intuito de direcionar prescrições dietéticas 
específicas. Suponha que chegue ao seu consultório um paciente 
que realizou previamente um destes testes e, ao ler o relatório, 
viu que havia algumas mutações em genes que metabolizam 
carboidratos e gorduras e, por isso, ele buscava orientação para 
uma dieta hiperproteica e hipoglicídica/hipolipídica.
41
Qual seria sua conduta nesse caso? Ignoraria o teste e prescreveria 
uma orientação voltada com base nas suas orientações 
convencionais, ou faria a prescrição e orientação nutricional de 
acordo com os resultados obtidos no teste?
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
Este livro trata exclusivamente sobre genômica nutricional. No 
capítulo Avanços e perspectivas, na seção Modelos para estudos de 
Indicações de leitura
42
genômica nutricional”, os autores abordam as ferramentas utilizadas 
nos estudos científicos e exemplificam os modelos in vivo e in vitro 
mais comuns nestes tipos de estudo.
HEIDOR, Renato et al. Modelos para estudos de genômica nutricional. In: 
COMINETTI, Cristiane; ROGERO, Marcelo M.; HORST, Maria A. (org.). Genômica 
nutricional: dos fundamentos à nutrição molecular. Barueri: Manole, 2017.
Indicação 2
Este é um artigo de revisão, chamado Variações genéticas comuns 
envolvidas na variabilidade inter-individual de concentrações circulantes 
de colesterol em resposta a dietas: uma revisão narrativa de evidências 
recentes, em que discutiu estudos recentes sobre como alguns 
polimorfismos podem estar relacionados à resposta dietética na 
busca da melhora dos níveis circulantes de colesterol.
ABDULLAH, Mohammad M. H. et al. Common Genetic Variations Involved in 
the Inter-Individual Variability of Circulating Cholesterol Concentrations in 
Response to Diets: A Narrative Review of Recent Evidence. Nutrients, v. 13, n. 
695, 2020. 
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
43
1. Os testes preditivos nutrigenéticos buscam, atualmente, 
investigar os SNPs que podem estar relacionados aos padrões 
alimentares e desenvolvimento de doenças crônicas não 
transmissíveis.
Acerca desses testes, assinale a alternativa correta: 
a. Os SNPs são polimorfismos em um único nucleotídeo e, 
por esse motivo, alterações em um único SNP relacionado a 
doenças crônicas multifatoriais e complexas pode determinar 
uma associação muito baixa com o risco de desenvolvimento 
da doença propriamente dita.
b. Os SNPs são polimorfismos em diversos nucleotídeos do 
mesmo gene e, por esse motivo, esse tipo de teste aponta 
para associações importantes para o desenvolvimento de 
doenças crônicas.
c. Diferentemente do que ocorre com as doenças poligênicas 
multifatoriais, em que o indivíduo apresenta alto risco de 
desenvolver a condição associada àquele gene, como a 
fenilcetonúria, as doenças crônicas não transmissíveis mais 
abordadas na prática clínica do nutricionista são condições 
monogênicas com alta penetrância. 
d. Diferentemente do que ocorre com as doenças monogênicas, 
em que o indivíduo apresenta alto risco de desenvolver a 
condição associada àquele gene, como a fenilcetonúria, as 
doenças crônicas não transmissíveis mais abordadas na 
prática clínica do nutricionista são facilmente detectáveis pelos 
testes nutrigenéticos que avaliam SNPs. 
e. O consumo alimentar é um importante fator ambiental que 
pode interferir no desenvolvimento de doenças associadas 
a polimorfismos genéticos e, por isso, os testes que avaliam 
SNPs determinam alto risco de desenvolvimento da condição 
associada àquele gene. 
44
2. “Os compostos bioativos de alimentos são substâncias 
que podem interferir na modulação da expressão gênica 
mediada por exercícios físicos. A quercetina, por exemplo, é 
um__________ que pode ser encontrado em alimentos como 
maçã, mirtilo, couve-flor e brócolis e influência a biogênese 
de __________ mediada por exercícios físicos. Essa organela, 
responsável pela __________, é essencial para a geração 
de energia necessária para o funcionamento de todo o 
organismo”.
Assinale a alternativa que contenha as palavras que 
completem as lacunas corretamente:
a. Opioide; ribossomos; tradução de proteínas.
b. Flavonóide; ribossomos; respiração celular.
c. Flavonóide; mitocôndrias; respiração celular.
d. Ácido fenólico; mitocôndrias; tradução de proteínas.
e. Ácido fenólico; ribossomos; respiração celular. 
GABARITO
Questão 1 - Resposta A
Resolução: O consumo alimentar é um importante fator 
ambiental que pode interferir no desenvolvimento de doenças 
associadas a polimorfismos genéticos e, nesse sentido, os 
testes relacionados à nutrigenética têm emergido como uma 
possibilidade de aperfeiçoamento do cuidado nutricional 
personalizado. O principal enfoque dos testes preditivos 
nutrigenéticos, atualmente, está na análise dos polimorfismos 
de nucleotídeo único (SNP). Contudo, diferentemente do que 
ocorre com as doenças monogênicas com alta penetrância, 
45
em que o indivíduo apresenta alto risco de desenvolver a 
condição associada aquele gene, como a fenilcetonúria, as 
doenças crônicas não transmissíveis mais abordadas na 
prática clínica do nutricionista são condições poligênicas 
multifatoriais complexas e, portanto, alterações em um único 
SNP relacionado a elas pode determinar uma associação muito 
baixa com o risco de desenvolvimento da doença propriamente 
dito. 
Questão 2 - Resposta C
Resolução: Os compostos bioativos de alimentos são 
substâncias que podem interferir na modulação da expressão 
gênica mediada por exercícios físicos. A quercetina, por 
exemplo, é um flavonóide que pode ser encontrado em 
alimentos como maçã, mirtilo, couve-flor e brócolis e influência 
a biogênese de mitocôndrias mediada por exercícios físicos. 
Essa organela, responsável pela respiração celular, é essencial 
para a geração de energia necessária para o funcionamento de 
todo o organismo. 
BONS ESTUDOS!
	Apresentação da disciplina
	Introdução
	TEMA 1
	Direto ao ponto
	Para saber mais 
	Teoria em prática
	Leitura fundamental
	Quiz
	Gabarito
	TEMA 2
	Direto ao ponto
	Para saber mais
	Teoria em prática
	Leitura fundamental
	Quiz
	Gabarito
	TEMA 3
	Direto ao ponto
	Para saber mais
	Teoria em prática
	Leitura fundamental
	Quiz
	Gabarito
	TEMA 4
	Direto ao ponto
	Para saber mais
	Teoria em prática
	Quiz
	Gabarito
	Inicio 2: 
	Botão TEMA 4: 
	Botão TEMA 1: 
	Botão TEMA 2: 
	Botão TEMA 3: 
	Botão TEMA 9: 
	Inicio :

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