Curso de Direito Processual Civil - TEORIA GERAL DO PROCESSO CIVIL

@processo-civil-i FACSUL
#processo civil#Curso de D#TEORIA GERAL DO PRO

Pré-visualização

e 
não poderá ser aplicada para a solução do caso concreto: estará sujeita à declaração in concreto 
ou in abstrato dessa referida inconstitucionalidade. Esta é a razão pela qual todos devem 
conhecer e aplicar o Direito Constitucional em toda a sua extensão, independentemente do ramo 

do direito infraconstitucional que se esteja examinando”67.  
 

 

 

                                                 

66
 WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; MEDINA, José Miguel Garcia. Processo civil moderno – parte geral e 
processo de conhecimento. São Paulo: RT, 2009, p. 61-62. 

67
 NERY JÚNIOR, Nelson. Princípios do processo civil na constituição federal. 6ª ed., São Paulo: RT, 2000, p. 
20. 



 
 

 

Curso de Direito Processual Civil 

Prof. Ney Alves Veras  
 

 

 

Atualizado em 25 de Janeiro de 2013. 

E-mail para contato: neyalvesveras@hotmail.com 

53

3.2. Princípio dispositivo  
Em regra, o processo civil trata de direitos disponíveis, que referem-se à esfera de 

direito privado do indivíduo, e portanto o processo deve necessariamente começar por iniciativa 
da parte, desenvolver-se por impulso oficial, mas sempre dependendo das manifestações do autor 

e do réu para que se chegue a um desfecho mais equitativo. 
Ocorre que o juiz hoje não pode ser um expectador passivo do processo, pois 

“mesmo nos processos que versem interesses disponíveis, há sempre um interesse público 
subjacente: o de que seja proferida a melhor sentença possível, para que se dê efetividade ao 
processo e garanta-se àquele que tem razão uma tutela jurisdicional adequada. É falsa a idéia de 
que no processo civil em que se discute sobre direitos disponíveis o juiz deva contentar-se com a 
verdade formal. Se possível, ele deve tentar apurar o que efetivamente ocorreu, para julgar em 
favor daquele que tem razão”68. 

Assim, o princípio dispositivo refere-se à propositura da ação e à fixação dos 
contornos objetivos da lide, mas na produção de provas (CPC, art. 13069) o juiz não pode 
contentar-se apenas com a iniciativa das partes, mas deve procurar atingir sempre que possível a 
verdade real. 

O direito se origina de fatos, porque a norma é um comando abstrato. A norma 
jurídica só poderá ser invocada para atuar se ocorrer um fato, e o processo é um instrumento de 
atuação da norma jurídica, mas para que isso ocorra é necessário que o julgador tenha 
conhecimento dos fatos que autorizam a incidência da norma. 

O processo civil moderno exige um julgador comprometido com a descoberta da 
verdade e a correta distribuição da justiça. Por isso pode o juiz determinar de ofício as provas 
necessárias à descoberta da verdade (CPC, art. 130), independentemente da iniciativa das partes. 
O meio de prova é apenas o mecanismo pelo qual se busca levar ao conhecimento do juiz a 
ocorrência dos fatos. Estes, uma vez demonstrados, se consubstanciam em conteúdo da prova. 
Além disso não existe hierarquia entre os meios de prova. (Princípio do livre convencimento 

                                                 

68
 GONÇALVES, Marcus Vinícius Rios. Novo curso de direito processual civil – teoria geral e processo de 
conhecimento (1ª parte). V.1. 9ª ed., São Paulo: Saraiva, 2012, p. 56.  

69
 CPC, Art. 130. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias à instrução 
do processo, indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias.  



 
 

 

Curso de Direito Processual Civil 

Prof. Ney Alves Veras  
 

 

 

Atualizado em 25 de Janeiro de 2013. 

E-mail para contato: neyalvesveras@hotmail.com 

54

motivado, CPC, art. 13170). Exceção: quando a lei determinar a prevalência de um meio de prova 
sobre o outro. CPC, art. 36671 , CPC, art. 400, I72 

Ressalta-se que todos devem colaborar com o Poder Judiciário para o descobrimento 
da verdade (CPC, art. 33973), e de acordo com o CPC, art. 34074, além dos deveres enumerados 
no art. 1475, compete à parte comparecer em juízo, respondendo ao que Ihe for interrogado, 
submeter-se à inspeção judicial, que for julgada necessária e praticar o ato que Ihe for 
determinado. E ao terceiro, que não for parte no processo, deve informar ao juiz todos os fatos e 
circunstâncias que souber, além de exibir documento ou coisa que esteja em seu poder (CPC, art. 
34176).  

 

 

 

 

 

                                                 

70
 CPC, Art. 401.  A prova exclusivamente testemunhal só se admite nos contratos cujo valor não exceda o décuplo 
do maior salário mínimo vigente no país, ao tempo em que foram celebrados. 

71
 CPC, art. 366. Quando a lei exigir, como da substância do ato, o instrumento público, nenhuma outra prova, por 
mais especial que seja, pode suprir-lhe a falta. 

72
 CPC, art. 400.  A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo diverso. O juiz indeferirá a 
inquirição de testemunhas sobre fatos: I - já provados por documento ou confissão da parte. 

73
 CPC, Art. 339. Ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o descobrimento da 
verdade. 

74
 CPC, Art. 340. Além dos deveres enumerados no art. 14, compete à parte: 

I - comparecer em juízo, respondendo ao que Ihe for interrogado; 
II - submeter-se à inspeção judicial, que for julgada necessária; 
III - praticar o ato que Ihe for determinado.  
75

 CPC, Art. 14. São deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo:  
I - expor os fatos em juízo conforme a verdade; 
II - proceder com lealdade e boa-fé; 
III - não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são destituídas de fundamento; 
IV - não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou defesa do direito. 
V - cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos 

judiciais, de natureza antecipatória ou final.  
Parágrafo único. Ressalvados os advogados que se sujeitam exclusivamente aos estatutos da OAB, a violação do 

disposto no inciso V deste artigo constitui ato atentatório ao exercício da jurisdição, podendo o juiz, sem prejuízo 
das sanções criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa em montante a ser fixado de 
acordo com a gravidade da conduta e não superior a vinte por cento do valor da causa; não sendo paga no prazo 
estabelecido, contado do trânsito em julgado da decisão final da causa, a multa será inscrita sempre como dívida 
ativa da União ou do Estado.  

76
 CPC, Art. 341. Compete ao terceiro, em relação a qualquer pleito: 

I - informar ao juiz os fatos e as circunstâncias, de que tenha conhecimento; 
II - exibir coisa ou documento, que esteja em seu poder. 



 
 

 

Curso de Direito Processual Civil 

Prof. Ney Alves Veras  
 

 

 

Atualizado em 25 de Janeiro de 2013. 

E-mail para contato: neyalvesveras@hotmail.com 

55

3.3. Princípio do livre convencimento motivado (ou da persuasão racional do juiz) 
O magistrado deve apreciar livremente a prova, na forma do CPC, art. 13177, pois no 

Brasil acolheu-se o princípio do livre convencimento motivado. Ou seja, o juiz é livre para 
julgar, mas deve motivar sua decisão, indicando os fundamentos que lhe formaram o 
convencimento.  

A propósito, “o juiz é livre na formação de seu convencimento, na apreciação das 
provas e argumentos apresentados pelas partes. Essa liberdade de convicção, no entanto, há de 
ser exercida de forma motivada (princípio da motivação), ‘não podendo o juiz desprezar as 
regras legais porventura existentes e as máximas da experiência’. O princípio da persuasão 
racional do juiz situa-se entre o sistema da prova legal, no qual há prévia valoração dos 
elementos probatórios, e o sistema do julgamento secundum conscientizam, no qual o juiz pode 
apreciar livremente as provas e decidir até contrariamente a elas. A apreciação das provas é