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Gestão de preços e custos Autoria Lucas Mendes Pereira GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS ReitoR: Prof. Cláudio ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. rafael raBelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio raBelo Bastos diretor de oPerações: Prof. José Pereira de oliveira coordenação Pedagógica: Profa. Maria aliCe duarte G. soares coordenação nead: Profa. luCiana r. raMos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou par- cialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotos- tática ou outros, sem a autorização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. expediente Ficha técnica autoria: luCas Mendes Pereira suPervisão de Produção nead: franCisCo Cleuson do nasCiMento alves design instrucional: antonio Carlos vieira / Ana Lúcia do Nascimento Projeto gráfico e caPa: franCisCo erBínio alves rodriGues / MiGuel José de andrade Carvalho diagramação e tratamento de imagens: MiGuel José de andrade Carvalho revisão textual: antonio Carlos vieira Ficha catalogRáFica catalogação na publicação biblioteca centRo univeRsitáRio ateneu PEREIRA, Lucas Mendes. Gestão de preços e custos. / Lucas Mendes Pereira. – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 120 p. ISBN: 1. Gestão de preços e custos. 2. Métodos de custeio. 3. Formação de preços. 4. Estrutu- ra de mercado. Centro Universitário Ateneu. II. Título. SEJA BEM-VINDO! Caro estudante, é com grande satisfação que apresento o material didático da disciplina Gestão de Preços e Custos. Ao ler e estudar por este material, você terá condições de responder as atividades preparadas para o seu curso. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Iniciaremos com conceitos básicos sobre gastos, desembolsos, investimentos, desperdícios, perdas, despesas e custos, buscando promover o entendimento do processo de formação de preços a partir da análise da estrutura de custos de cada produto e serviço. Em seguida, demonstraremos os principais métodos de rateio através da apropriação dos custos diretos e indiretos, fazendo comparações entre um método e outro, para depois entendermos como realizar um diagnóstico de mercado (demanda e concorrentes) e os mecanismos de avaliação da produtividade, que podem ser usados por uma empresa, projetando lucro ou prejuízo, a partir de indicadores fundamentais como: a margem de contribuição unitária e os pontos de equilíbrio. Posteriormente, avaliaremos a formação de preços a partir da técnica de mark-up e o valor percebido pelo cliente. E, por fim, conheceremos os principais impostos que incidem no comércio das mercadorias, como o ICMS e o IPI, as características do preço de transferência, a estrutura de mercado, as estratégias de penetração de preço e desnatamento de mercado no lançamento de produtos e serviços, a importância do uso da planilha P&L; os elementos que determinam a lei geral da demanda; a mensuração de desempenho nas operações de uma empresa e as decisões de investimento de capital. Não é nosso objetivo esgotar todo o assunto neste material didático, ao contrário, você deverá procurar outras fontes além deste livro para aprofundar seu conhecimento e estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. Bons estudos! SUMÁRIO CONECTE-SE ANOTAÇÕES REFERÊNCIAS Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem e significam: SUMÁRIO 1. Introdução à gestão de preços e custos.................. 8 2. Gastos e desembolsos ............................................ 9 3. Custos de fabricação e despesas ......................... 10 4. Perdas, desperdícios e investimentos ................... 11 5. Classificação dos custos ....................................... 13 6. Sistemas de acumulação de custos ...................... 16 7. Custos na indústria e no comércio ........................ 20 8. Custos nas empresas de serviços......................... 21 Referências ............................................................... 26 01 1. Método do custeio variável ou direto ..................... 28 2. Método de custeio por absorção ........................... 30 3. Método de custeio por absorção total ou pleno .... 33 4. Método de custeio activity based costing (abc) ..... 36 5. Método de custeio padrão ..................................... 44 Referências ............................................................... 52 02 MÉTODOS DE CUSTEIO GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 1. Preço de transferência .......................................... 84 2. Estrutura de mercado ............................................ 92 3. Preço de penetração de mercado e desnatamento ......................................................... 97 4. Planilha P&L ........................................................ 101 5. Lei geral da demanda .......................................... 103 6. Mensuração de desempenho .............................. 108 7. Decisões de investimento de capital ................... 111 Referências ............................................................. 119 04 APERFEIÇOAMENTO NO APREÇAMENTO 1. Análise do custo-volume-lucro .......................... 54 2. Considerações sobre ICMS e IPI ...................... 76 Referências ............................................................ 81 03 FORMAÇÃO DE PREÇOS Apresentação Nesta unidade, primeiramente, vamos analisar a formação de preços dos produtos a partir de uma apuração criteriosa dos custos, diagnóstico do mercado (demanda e concorrentes) e demonstrar os mecanismos de avaliação da produtividade e o volume de vendas de uma empresa, bem como a sua projeção de lucro ou prejuízo a partir de indicadores fundamentais como: a margem de contribuição unitária e os pontos de equilíbrio. Tais parâmetros são fundamentais para entendermos a tomada de decisão do gestor de um negócio, que pode ter uma visão antecipada e ampliada das operações da empresa e aperfeiçoar de forma antecipada a produção e/ou distribuição dos produtos para uma melhor venda e obtenção de lucro a curto, médio e longo prazo. Em seguida, iremos definir conceitos como custo médio, custo marginal e avaliar a formação dos preços a partir da técnica de mark-up e o valor percebido pelo cliente sobre um produto ou serviço. E, por fim, conheceremos através de exemplos e cálculos simples a formação dos preços de venda à vista e a prazo. Além das características de impostos que incidem no comércio das mercadorias como o ICMS e IPI. Unidade 03 formação de preços 54 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Definir a formação de preços a partir dos custos e do mercado; • Saber como avaliar e projetar a produção e vendas dos produtos a curto e médio prazo através de indicadores como: margem de contribuição unitária e pontos de equilíbrio; • Conceituar e diferenciar os termos custo médio e custo marginal; • Entender a ferramenta de mark-up para formação de preços; • Conhecer mecanismos para atrair clientes através da geração de valor na oferta de um produto ou serviço; • Compreender o processo de incidência de tributos na formação de preço à vista e a prazo. 1. análIse do custo-volume-lucro Segundo Iudicibus e Mello (2013, p. 56): A análise de relações custo/volume/lucro é uma das técnicas mais antigas e eficientes de análise de custos. Se bem conduzi- da e nunca perdendo de vista suas limitações, pode se transfor- mar num valioso instrumento para a tomada de decisões. Figura 01: A análise custo-volume-lucro funciona como uma importante ferramenta gerencial. Fonte: . GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 55| Desse modo, tal técnica proporciona informações de grande relevância para um empreendimento, uma vez que ela simula quais impactosas variáveis (custo, volume e lucro) vão oferecer umas às outras e na tomada de decisão dos processos produtivos como um todo da empresa. Mas para compreender melhor essa variação, é preciso saber o que é margem de contribuição unitária (MCU) e definir os pontos de equilíbrio. Figura 02: Etapas para a tomada de decisão com base nas variáveis custos, volume, lucro, MCU e pontos de equilíbrio. Análise do Custo, Volume e Lucro Análise da Margem de Contribuição Unitária Definição dos Pontos de Equilíbrio Tomada de Decisão Fonte: Elaborada pelo autor. 1.1. Margem de Contribuição Unitária – MCU Conhecida como margem de lucro, é a margem que se tem do lucro real em cima de cada unidade de produto. A margem de contribuição unitária é a medida que demonstra a rentabilidade unitária de cada item. E tem como objetivo amortizar os custos totais para então gerar o lucro. Ou seja, é a receita unitária deduzida do somatório entre os custos fixos e as despesas variáveis de uma empresa. 56 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| Fórmula da margem de contribuição unitária - MCU: MCU = PV – CF – DV ou MCU = PV – (CF + DV) Onde: PV = Preço de Venda | CF = Custos Fixos | DV = Despesas Variáveis Fonte: OLIVEIRA, 2018 (adaptado). Portanto, se uma empresa almejar ser suficiente para cobrir todos os seus custos e obter lucro, a margem de contribuição é um indicador essencial para projetar cenários e nortear os próximos passos a serem determinados pelo gestor de um empreendimento. Logo, tomando como parâmetro uma empresa na qual o custo fixo e a despesa variável se mantêm praticamente os mesmos, quanto maior a margem de contribuição, maior será o lucro. Segundo o professor Anselmo Oliveira (2018), a margem de contribuição esclarece também por que uma empresa pode não alcançar resultado esperado para sustentar o seu empreendimento apenas vendendo seus produtos com um preço acima do custo. Pois não basta vender qualquer quantidade de mercadoria. É necessário que o volume de vendas seja alto para suplantar os custos totais e assim originar lucratividade. Desse modo, a margem de contribuição percentual calcula qual a percentagem do volume de vendas deverá ser definida para quitar os custos e despesas totais e ainda gerar lucratividade para a empresa. Fórmula da margem de contribuição percentual: MCU x 100MC(%) = PV FIQUE ATENTO Para que o gestor de uma empresa busque uma melhor margem de contribuição com o objetivo de aumentar o lucro do seu negócio, é necessário que ele esteja atento a algumas ações importantes como: • Avaliar o mix de produtos e serviços da empresa e analisar quais os produtos que são mais lucrativos e os que menos contribuem para GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 57| geração de rentabilidade, para assim excluir os que oferecem muito trabalho e pouco retorno financeiro e concentrar os esforços nos que geram lucro, buscando, assim, eficiência nos processos para atingir um melhor resultado de produtividade e vendas; • Aumentar o volume de vendas realizando propaganda de seus produtos e serviços, bem como fazer uma pesquisa de mercado para buscar conquistar novos mercados; • Negociar com fornecedores para reduzir custos e despesas, e investir na qualidade dos processos para evitar desperdícios; • Analisar o mercado e a concorrência para verificar a possibilidade de aumentar os preços de seus produtos, sem perder a competitividade. Fonte: OLIVEIRA, 2018 (adaptado). 1.2. Pontos de equilíbrio Segundo Yanase (2018), os pontos de equilíbrio são de suma importância para que o administrador tenha uma noção do volume de produtos ou serviços a ser negociado para que as operações originem resultados positivos. Desta forma, os pontos de equilíbrio são indicadores que demonstram o grau de atividade que a empresa tem que conseguir para obter um resultado que ela almeja. Logo, eles são parâmetros para sinalizar uma necessidade financeira do negócio. Figura 03: Gráfico do ponto de equilíbrio. Fonte: RESENDE, 2013. 58 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| Esse indicador permite às empresas visualizar a dinâmica entre a receita e os custos e testar a viabilidade de seu negócio, proporcionando uma análise da quantidade necessária de vendas dos bens ou serviços que uma empresa deve ter para obter o lucro ou encontrar o mínimo de receita para não se ter prejuízo. E, geralmente, o parâmetro é feito definindo três pontos de equilíbrio, são eles: • Ponto de equilíbrio contábil: é o indicador que demonstra o nível de faturamento que a empresa precisa atingir (a quantidade de itens que ela necessita vender) para cobrir todos os custos e despesas, obtendo, assim, resultado zero, nem lucro e nem prejuízo. É comum dizer que neste ponto o negócio está empatado. Portanto, é o ponto em que o faturamento mínimo se encontra com o gasto total ou quando a receita é igual ao custo total, ou ainda, quando a margem de contribuição se iguala ao custo fixo, tornando-se um parâmetro para definir metas de vendas. Até esse instante, o negócio tem margem de segurança negativa, ou seja, está no prejuízo e a partir do momento que ultrapassa o ponto de equilíbrio (amortiza o custo total), a empresa passa a ter lucro. Portanto, quanto antes a empresa atingir o ponto de equilíbrio mais cedo ela vai obter lucratividade naquele período. Fórmula do ponto de equilíbrio contábil: DF (Despesas Fixas)P. E. Contábil = V (Preço de Venda)-CT (Custo Total) Fonte: YANASE, 2018, p. 129 (adaptado). Exemplo: suponha que uma empresa tem capacidade total para produzir 1000 unidades, mensalmente, de um determinado produto e o custo total para fabricação desse produto é de R$ 10,00, o seu preço de venda é de R$ 50,00 e tem despesas fixas mensais de R$ 20.000,00. Usando a fórmula anterior: R$ 20.000,00P. E. Contábil = R$ 50,00 - R$ 10,00 500 unidades Fonte: YANASE, 2018, p. 129 (adaptado). GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 59| Logo, a empresa necessita vender pelo menos 500 unidades do produto para cobrir todos os custos e despesas e atingir o resultado zero; a partir daí, obter lucro com a venda de mais unidades produzidas. • Ponto de equilíbrio fi nanceiro: esse indicador manifesta quanto a empresa tem que faturar ou a quantidade de bens ou serviços que deve vender para cobrir os gastos desembolsados. Desta forma, retiramos da análise despesas que não são desembolsos finan- ceiros, por exemplo, a depreciação que por mais que contemple a estrutura de gastos, não descapitaliza a empresa. Conforme Yanase (2018), existem contas que interferem nos resultados, mas não têm efeitos no caixa da empresa, é o caso, por exemplo, da depreciação de máquinas, veículos e equipamentos de informática ou edifícios, que, em geral, esses bens têm vida útil de 5, 10 e 25 anos, respectivamente. No cálculo do ponto de equilíbrio financeiro, podemos, ainda, considerar desembolsos, que não são custos e nem despesas, como amortização de dívidas, investimentos, parcelamentos, entre outros. Fórmula do ponto de equilíbrio financeiro: (DF Despesas Fixadas; exceto depreciação)P. E. Financeiro = PV (Preço de Venda)-CT (Custo Total) Fonte: YANASE, 2018, p. 133 (adaptado). Tomando como exemplo o modelo de cálculo usado pelo autor, e considerando as despesas fixas já estipuladas em R$ 20.000,00, se estipularmos uma dedução de R$ 4.000,00 referente à depreciação e calcularmos o ponto de equilíbrio contábil, teremos: (R$ 16.000,00) P. E. Financeiro = R$ 50,00 - R$ 10,00 400 unidades Fonte: YANASE, 2018, p. 133 (adaptado). Logo, agora será necessária a venda de 400 unidades para que as receitas cubram os custos totais, excluindo os valores correspondentes à depreciação, pois tal despesa não terá efeito no caixa da empresa. • Ponto de equilíbrio econômico: é a rentabilidade mínima para quitar todos os custos e despesas e ainda garantir lucratividade mínima ao negócio. Este indicador demonstra a quantidade de unidades que a empresa tem que vender para obter o retorno fi- nanceiro que almeja.60 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| Yanase (2018) sinaliza que no momento em que um empreendedor se propõe a fazer investimentos em algum tipo de negócio, seguramente o fará esperando um retorno positivo, pois todo investimento sugere retorno, que será relacionado ao prazo e ao risco e quanto maior o prazo e/ou o risco, maior será o retorno esperado. Desse modo, para determinar o ponto de equilíbrio econômico nestas condições, há necessidade de fazer o somatório do custo de capital investido com as despesas fixas, qualificando esse ponto de equilíbrio mais acima que os pontos de equilíbrio contábil e financeiro. Fórmula do ponto de equilíbrio econômico: Despesas Fixas + Custo do CapitalP. E. Econômico = PV (Preço de Venda)-CT (Custo Total) Fonte: YANASE, 2018, p. 136 (adaptado). Ainda pegando como exemplo o modelo de cálculo utilizado pelo autor, supondo que um empresário invista um total de R$ 100.000,00 no negócio e sua Taxa Mínima de Atratividade (TMA) seja de 24% ao ano, deduzindo essa taxa aos meses do ano, teremos um percentual de 2%, que representa um capital a ser investido mensalmente de R$ 2.000,00. Logo, aplicando a fórmula: R$ 20.000,00 + R$ 2.000,00P. E. Econômico = R$ 50,00 - R$ 10,00 550 unidades Fonte: YANASE, 2018, p. 136 (adaptado). Sendo assim, o autor afirma que para originar receitas necessárias para cobrir os custos totais, as despesas fixas e o custo de capital investido, a empresa precisa vender 550 unidades. Produzindo e vendendo unidades acima dessa quantidade, ela vai gerar sobras de caixa. 1.3. Tomada de decisão A principal preocupação dos empreendedores e gestores é aumentar o lucro da empresa, pois sem lucratividade nenhum negócio sobrevive. No entanto, muitos empreendimentos deixam de ser tão rentáveis quanto poderiam ser pela falta de uma gestão de qualidade. GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 61| Figura 04: Análise de rentabilidade x Decisão nos negócios. Fonte: . E para garantir a sobrevivência de um negócio, todo e qualquer gestor precisa entender e avaliar algumas variáveis e indicadores da empresa, como: • Saber quais os produtos e serviços que são mais rentáveis e os que não geram lucro; • Controlar os custos fixos e variáveis do negócio; • Analisar o custo total para o seu negócio funcionar; • Saber quanto o faturamento da empresa precisa crescer ou qual a distância atual em relação ao mínimo de venda para alcançar a lucratividade; • Apurar periodicamente a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio do negócio. Compreender o funcionamento dessas e outras variáveis que compõem o resultado é fundamental para averiguar alternativas, projetar cenários, garantir a competitividade no mercado e tomar decisões sobre os negócios. 1.4. Formação do preço de venda com base nos custos ou no mercado Segundo Yanase (2018), se houver a possibilidade de uma empresa estabelecer seu preço de venda apenas com base nos seus custos apurados, associando uma margem de lucro desejada, e não houver barreiras no seu mercado de atuação, como a presença de concorrentes, um empreendimento 62 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| pode projetar sua estratégia comercial e seu plano financeiro, preocupando- se apenas em conservar a sua participação de mercado e garantir a oferta de bens e serviços aos seus clientes. No entanto, o mercado é muito dinâmico e a qualquer momento toda estrutura existente pode mudar, principalmente com os avanços da tecnologia na era digital em que vivemos, bem como o surgimento de um concorrente com inovações nos produtos e serviços, disponibilizando preços mais baixos e um formato de comercialização diferenciado, utilizando, por exemplo, o e-commerce como principal ferramenta na venda de seus produtos, possibilitando condições especiais de pagamentos, maior proximidade com o cliente através de ações de marketing de relacionamento via internet na pré- venda e/ou no pós-venda e entrega rápida dos produtos em qualquer lugar do país. Levando as empresas impactadas com tais processos a melhorar ou adaptar a sua política de comercialização e preços dos produtos, bem como repensar uma entrega mais valorosa de seus serviços. Figura 05: O e-commerce brasileiro faturou R$ 53,2 bilhões em 2018. Fonte: . O autor ainda ressalta que para as empresas se manterem competitivas e ter uma maior participação de mercado, elas devem sempre fazer uma revisão de seus custos e despesas, regime tributário, custo financeiro e todos os detalhes que possam conduzir a comercialização de seus serviços e produtos de acordo com os preços praticados no mercado. GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 63| Já para Kotler e Keller (2006), a demanda de mercado é quem dita o preço máximo que se pode cobrar por determinado produto e os custos do valor mínimo. E que, no entanto, nem sempre as empresas que almejam definir um preço que cubra seus custos de fabricação, distribuição e venda do produto obtêm lucro. Pois ainda há um fator importante que deve ser considerado, o custo médio, que é o custo por unidade em diferentes níveis de produção, ou seja, é o custo total (fixos e variáveis) dividido pelo nível de produção. Logo, para definir preço com maior eficiência e mais competitivo, a administração necessita entender como o custo unitário se diversifica em graus distintos de produtividade. Para tanto, é necessário que a fábrica estabeleça um preço que cubra pelo menos os custos totais de operações em determinado nível de produção. Figura 06: A lucratividade é a eficiência com que o dinheiro investido se transforma em dinheiro. Fonte: . Como exemplo, os autores citam uma empresa que produza em média mil unidades de calculadoras de bolso por dia e que à medida que ela produz poucas unidades (abaixo de mil) o custo por unidade aumenta, se a produção chegar o mais perto de mil, o custo médio cai, pois os custos fixos são divididos por mais unidades, e se por acaso a produção ultrapassar as mil unidades, a fábrica já se torna ineficiente, pois outros fatores, como a espera dos operários para utilizar as máquinas, a quebra de equipamentos com mais frequência e uma quantidade maior de trabalhadores no mesmo espaço físico, atrapalham as operações da fábrica. 64 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| 1.5. Formação do preço de venda com base no mark-up Segundo Yanase (2018, p. 99), Mark-up significa remarcação para cima, ou marcação para cima. É um fator multiplicador ou divisor que, aplicado sobre o custo, obtém-se o preço de venda. Não é rara sua utilização, mesmo porque é representado por uma fórmula relativamente simples e que, corretamente formatado, apresenta o preço de venda. Ainda que esse preço de venda seja determinado pelo mercado, o empresário saberá que preço abaixo daquele encon- trado pela aplicação do mark-up poderá representar resultado deficitário em seus negócios. Com base na citação anterior, verifica-se que caso o preço praticado seja abaixo do que deveria, o gestor de um negócio deve ficar atento e buscar mecanismos para que o negócio não apresente prejuízo e tenha viabilidade, como tomar medidas para diminuir custos ou substituir produtos e serviços. Figura 07: Compreender como melhorar o lucro vai muito além do que apenas vender mais. Fonte: . Segundo Kotler e Keller (2006), o método mais simples para definir preços dos produtos é acrescentar um mark-up padrão ao seu custo. As empresas de construção civil submetem proposta para lici- tações estimando o custo total do projeto e acrescentando um mark-up padrão para o lucro. Advogados e contadores normal- mente determinam preços acrescendo um mark-up padrão a seu tempo e custos. (KOTLER; KELLER, 2006, p. 441) GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 65| Outro exemplo citado pelo autor é a venda de medicamentos somente com receita médica, e que normalmente acontecem de forma sazonal. Daí a importância de aplicar o mark-up no custo de produtos especiaise que têm vendas mais lentas, ou ainda que possuem elevados custos de armazenamento e demanda inelástica, evitando o risco de encalhe destes produtos. Kotler e Keller (2006) ainda fazem uma ressalva informando que no lançamento de um novo produto no mercado, os gestores do negócio normalmente determinam um valor elevado, com o objetivo de recuperar os custos o quanto antes. No entanto, se a concorrência estiver praticando preços baixos, adotar uma tática de mark-up alto pode ser prejudicial. Foi o que aconteceu quando a Philips desejava realizar lucro sobre cada aparelho, mas os concorrentes japoneses cobravam pouco e conseguiram aumentar rapidamente sua participação de mercado, o que por sua vez, reduziu de forma considerável seus custos. (KOTLER E KELLER, 2006, p. 441). Quadro 01: Três razões para definir preços com mark-up, segundo Kotler. Avaliar os custos é mais fácil do que avaliar a demanda, pois o trabalho para definir o preço somente com apuração dos custos se torna mais simples. Caso as empresas de um mesmo setor não dessem atenção à deman- da e utilizassem a técnica do mark-up, os preços praticados por elas ten- deriam a ser parecidos. Diminuindo, assim, a competitividade por preços. Muitas pessoas acreditam que os preços definidos pelo mark-up é mais justo, tanto para quem compra quanto para quem vende. As empresas não se aproveitam dos compradores quando a demanda aumenta, e os vendedores conquistam um ROI justo. Fonte: KOTLER, 2006 (adaptado). Cálculo do mark-up multiplicador e mark-up divisor Conforme Yanase (2018), o mark-up multiplicador é a multiplicação de um índice apurado sobre o custo de compra de determinado produto para definir o preço de venda. E o mark-up divisor é a equação inversa. 66 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| Exemplo: Suponha que os custos diretos e indiretos de um produto seja 10%, o custo com impostos sobre as vendas dessa mercadoria seja de 12%, as despesas fixas em relação a receita de 12%, as despesas comerciais com comissões, fretes e seguro somam 8%, e a margem de lucro desejada é de 10%. Conforme o autor Yanase, para encontrarmos o mark-up multiplicador e divisor e, consequentemente, o preço de venda do produto, adotaremos os seguintes passos: 1° etapa - Aplica-se a fórmula do mark-up multiplicador: Mark-up multiplicador = 1 1-(DF+DT+DC+MG) Onde: DF = Despesas Fixas DT = Despesas Tributárias DC = Despesas Comerciais Mg = Margem Desejada • Substituindo os valores na fórmula: Mark-up multiplicador = 1 1-(0,12+0,12+0,08+0,10) = 1 1-(0,42) = 1,7241. Logo, o mark-up multiplicador é 1,7241 Aplica-se a fórmula do mark-up divisor: Mark-up divisor = 1 – (DF + DT + DC + Mg) = 1 – (0,12 + 0,12 + 0,08 + 0,10) Onde: DF = Despesas Fixas DT = Despesas Tributárias DC = Despesas Comerciais GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 67| Mg = Margem Desejada • Substituindo os valores na fórmula: Mark-up divisor = 1 – (0,12 + 0,12 + 0,08 + 0,10) = 0,42. Logo, o mark-up divisor é 0,42. 2° etapa Agora, com base nos dados dos valores anteriores, e supondo que uma mercadoria comprada “X” tenha um custo de R$ 7,00, para calcular o preço de revenda desse produto, adotamos as fórmulas a seguir. Calcula-se o preço de venda aplicando o mark-up multiplicador Preço de venda = Custo x 1 1-(CIF+DF+DT+DC+MG) Preço de venda = R$ 7,00 x 1 1-(0,10+0,12+0,12+0,08+0,10) = R$ 13,46. Calcula-se o preço de venda aplicando o mark-up divisor Preço de venda = Custo 1-(CIF+DF+DT+DC+MG) Preço de venda = R$ 7,00 1-(0,10+0,12+0,12+0,08+0,10) = R$ 13,46. Desta forma, conforme as fórmulas descritas por Yanase (2018), conclui-se que o mark-up multiplicador e mark-up divisor determinam o mesmo resultado. FIQUE ATENTO Segundo Kotler (2006), o uso de mark-up padrão geralmente não fará sentido e provavelmente não levará ao preço ótimo quando o método de determinação de preços não levar em conta a demanda atual, o valor percebido e a concorrência. A determinação de preço de mark-up sobre custos somente funciona se o preço com mark-up realmente gerar o nível de vendas esperado. 68 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| 1.6. Formação do preço de venda com base no valor percebido De acordo com Kotler e Keller (2006, p. 443), Um número crescente de empresas baseia seus preços no valor percebido pelo cliente. Elas devem entregar o valor prometido por sua proposta de valor e o cliente deve percebê-lo. Elas uti- lizam os outros elementos do mix marketing, como propaganda e força de vendas, para aumentar o valor percebido pelo cliente. Com base nesta afirmação, podemos tomar como exemplo as sandálias Havaianas, que há 25 ou 30 anos era o chinelo de quem não tinha dinheiro para comprar um sapato ou uma sandália mais sofisticada, mas com o passar dos anos, essa percepção foi alterada por meio de propagandas bem estruturadas, nas quais foram muito exploradas as imagens de modelos e atores de reconhecimento nacional e internacional usando o produto, transformando aquilo que tinha um valor percebido muito baixo em um produto de alto valor, percebido e desejado por pessoas de diversas classes sociais e idades, tornando-se até um produto de luxo dentro de um nicho de mercado, com produção de edições especiais e personalizadas da sandália, transformando a Havaianas num produto cobiçado por pessoas de dentro e fora do país. Podemos estender esse exemplo a outras empresas, como a Chilli Beans, que traz aliado à marca um alto valor percebido de estilo e status na venda de seus óculos de sol. Outros exemplos são os mercados de moda com a realização de grandes eventos em todo o Brasil, as chamadas “fashion weeks”, com o intuito de valorizar cada vez mais marcas nacionais e internacionais, produtos de maquiagem com assinatura de celebridades, dentre outros. Figura 08: Valor percebido é o custo-benefício visto pelo o cliente de um produto ou serviço. Fonte: . GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 69| Além da propaganda, os principais benefícios do produto devem ser considerados e explorados na hora de ofertá-lo no mercado, associando as suas características intrínsecas como a imagem da marca, atendimento de qualidade, pontos de vendas, garantias extras, desempenho do produto, durabilidade, vantagens no uso, conquista de status, dentre outros, tornando o processo de venda com base no valor percebido fator determinante na hora do consumidor analisar o seu serviço ou produto como um todo, ele podendo, inclusive, identificar um valor maior do que o esperado, e se sentindo satisfeito com a aquisição. Exemplo: supondo que uma fábrica de automóveis tradicional da marca “X” lançou no início do ano o seu novo modelo de carro popular para ser vendido nas concessionárias e revendedoras filiadas por um preço tabelado de R$ 30.000,00 e concorre com uma fabricante da marca “Y” do mesmo segmento, que também lançou um automóvel de modelo similar com um preço de revenda de R$ 25.000,00. Muito provavelmente, a maioria dos consumidores irá optar por pagar um valor a mais pelo automóvel da marca “X”, por ela já ter uma credibilidade maior no mercado, o que gera maior confiança, além de proporcionar garantia de maior durabilidade das peças, desempenho melhor do veículo, dentre outras características já conhecidas pelo público, em suma, o cliente já possui um valor percebido da marca melhor que a da concorrente “Y”. No entanto, sabemos que existe uma parcela grande de consumidores que avaliam outros aspectos na hora de comprar o seu carro novo, por exemplo um preço mais acessível ao seu bolso, e nem sempre a marca do modelo “X”, por ter mais credibilidade, vai atender a tais expectativas, pois estes consumidores, acima de tudo, estão procurando por produtos com preços menores e que atendam as suas necessidades financeiras, e evidente que ainda que um produto apresente uma certa qualidade inferior a outro, no segmento de automóveis, independente da marca, cada veículo tem suas especificidades e algumas pequenas e significativasvantagens para consumidores que procuram por preço mais baixo, economia de gasolina, facilidade em encontrar peças de reposição em lojas de varejo, melhor preço para revenda uma vez usado, dentre outras características. Segundo Kotler e Keller (2006), cada cliente potencial confere um peso diferente a cada uma dessas características, sendo classificados em três grupos de compradores: 70 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| • Compradores orientados para o preço – Para esse público, as empresas precisam oferecer produtos simples e serviços reduzidos; • Compradores orientados para valor – Nesse caso, as empre- sas devem sempre buscar inovação dos valores, reafirmando-os agressivamente; • Compradores fi éis – As empresas devem investir forte no marke- ting de relacionamento e entender os desejos e necessidades de seus clientes assíduos, aproximando-os cada vez mais dos seus negócios. A chave para determinação de preços segundo o valor perce- bido é entregar mais valor do que o concorrente e demonstrar isso aos compradores potenciais. Basicamente, a empresa pre- cisa entender o processo de tomada de decisão do cliente. Ela pode tentar determinar o valor de sua oferta de várias maneiras. (KOTLER; KELLER, 2006, p. 443) Figura 09: Maneiras de determinação do valor de oferta. Avaliação por parte das gerências da empresa Valor de produtos similares Grupos de foco Levantamento e análise de dados históricos Experimentação Análise conjunta Fonte: KOTLER; KELLER, 2006, p. 443. GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 71| 1.7. Formação do preço de venda com base custo marginal Avaliar a todo momento os custos de uma produção é de enorme importância para aprimorar o ciclo de operações de uma fábrica e com isso ter uma maior economia nos processos. Nesse sentido, o custo marginal é um método matemático que leva em conta os custos variáveis de um produto, que somente são calculados se um bem adicional for fabricado. Tal método permite ao gestor de uma fábrica verificar qual quantidade de produção é mais eficiente, na medida em que busca encontrar um ponto ótimo, no qual o custo de fabricação de uma unidade adicional seja igual ao custo médio total de toda a produção. A utilização deste artifício possibilita à gerência de uma fábrica uma maior flexibilidade em enxergar melhor os custos de fabricação e, assim, tomar decisões importantes sobre a definição da quantidade de bens a serem produzidos em determinado período. Figura 10: Principais características do custo marginal. Fonte: (adaptada). 72 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| • Cálculo do custo marginal Como já dito, o custo marginal é um cálculo de produtividade econômica que define o custo da produção das unidades adicionais de um produto. E para calculá-lo, deve-se primeiro saber quais são os custos fixos e variáveis de uma produção, para depois dividir a variação do custo total pela variação da quantidade produzida do bem. Sendo assim, a fórmula do custo marginal é a seguinte: Custo marginal = Variação do Custo Total Variação da Quant. ProduzidaVariação da Quant. Produzida Aplicando a fórmula do custo marginal: Unidades Produzidas Custo Fixo Custo Variável Custo Total Custo Marginal 1 R$ 10,00 R$ 20,00 R$ 30,00 2 R$ 19,00 R$ 21,00 R$ 40,00 R$ 10,00 3 R$ 27,00 R$ 22,00 R$ 49,00 R$ 9,00 4 R$ 34,00 R$ 23,00 R$ 57,00 R$ 8,00 5 R$ 40,00 R$ 24,00 R$ 64,00 R$ 7,00 Fonte: (adaptado). • Custo marginal zero Uma produção atinge o nível de custo marginal zero quando o custeio para produzir uma unidade a mais de um produto é mínimo ou nulo. Atualmente, a área de TI permite o desenvolvimento de negócios com custo marginal zero, pois criam procedimentos bem práticos, reduzindo o custo marginal a valores ínfimos. É o caso, por exemplo, de produtos digitais, como cursos online, e-books, podcasts, workshops etc., que podem ser disponibilizados para venda na internet e por não serem produtos físicos ou serviços presenciais, a distribuição se dá de forma inteiramente online, podendo ser replicado inúmeras vezes, sem custo adicional para quem produz. Portanto, o valor que se gasta para a produção de uma ou cem unidades desse produto é o mesmo. GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 73| FIQUE ATENTO Não devemos confundir custo marginal com custo médio de produção. O custo marginal relaciona as variações de custo e quantidades produzidas, enquanto que o custo médio é a divisão integral entre o custo total e a produção total. Assim, quando o custo marginal for menor que o custo médio, isso denota que a produção está rentável. E a medida que se adiciona a operação mais unidades, o custo médio vai caindo, até se tornar equivalente ao custo marginal. E a partir do momento que os dois custos se igualam, encontra-se o ponto no qual a produção oferece o menor custo médio possível, conhecido como ponto ótimo, e a produtividade torna-se amplamente lucrativa. Fonte: FURTADO; BEUREUN; PORTON, 2002. 1.8. Definindo preço de venda à vista e a prazo Realizar a avaliação do mercado de atuação de um empreendimento e os seus pontos positivos e negativos é o caminho ideal para determinar a melhor forma de cobrança na venda de serviços e produtos. Para tanto, é necessário que a empresa tenha condições financeiras satisfatórias para sustentar os benefícios comerciais ofertados. Se o objetivo do negócio for aumentar o dinheiro do caixa de forma mais rápida, dar descontos em uma venda à vista é uma boa alternativa. Em contrapartida, se o objetivo é fazer a manutenção de clientes e atrair novos compradores, conceder pagamentos a prazo é uma ótima alternativa de cobrança. 1.8.1. Preço de venda à vista O pagamento à vista é aquele realizado na hora de realizar a compra de um produto ou serviço, e segundo Vago (2018), para calcular o preço à vista, no cartão de débito ou crédito, simplesmente acrescenta-se a tarifa de crédito/débito sobre o preço à vista. Como em geral há duas tarifas diferentes, uma para o crédito e outra para o débito, deve-se utilizar sempre a tarifa maior (do crédito), ou uma média das duas tarifas. 74 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| Exemplo: supondo que uma mercadoria tenha um preço de venda de R$ 40,00 e a tarifa do cartão de débito/crédito para valor à vista seja de 3,79%, teremos o cálculo: • Fórmula do preço de venda à vista no cartão de débito ou crédito Preço de venda à vista no cartão = Preço de Venda à Vista em Dinheiro (100 -Taxa de Débito ou Crédito)x100 Preço de Venda à Vista em Dinheiro Aplicando a fórmula com os valores obtidos: Preço de venda à vista no cartão = R$ 40,00 (100-3,79) x 100 = R$ 41,57. Fonte: VAGO, 2018 (adaptado). 1.8.2. Preço de venda a prazo (parcelado) O pagamento a prazo ocorre quando o consumidor assume um compromisso de pagar o valor de um produto ou serviço numa data futura, posterior à compra. Sendo assim, primeiro o cliente adquire uma mercadoria ou serviço e futuramente paga. Vale observar e sinalizar que sempre que um consumidor realiza um pagamento a prazo, o mesmo adquire uma dívida. Logo, todo cuidado é pouco na hora de efetivar as compras no cartão de crédito para evitar a perda de controle das contas ou contrair dívidas altas e se desestabilizar financeiramente nos meses posteriores. Para determinar o preço de venda a prazo, você precisa inicial- mente determinar a política de crédito que sua empresa irá ado- tar. (RESENDE, 2013) Conforme Resende (2013), em geral, as vendas a prazo têm o intuito de facilitar a venda das mercadorias ao consumidor. Para isso, é de suma importância que a produtividade e a lucratividade de um empreendimento sejam resguardadas. O autor ainda ressalta que para calcular os preços a prazo em diversas parcelas, deve-se adicionar na fórmula do cálculo um percentual de juros nos valores de cada tarifa a ser cobrada: a taxa fixa do cartão de crédito e a tarifa pela quantidade de parcelamentos. Exemplo: tomando o mesmo caso em que o preço de venda de determinadamercadoria é R$ 40,00, a taxa fixa do cartão é de 3,60% e a taxa incidente no número de parcelas em 12 vezes seja de 16,15%, teremos: GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 75| • Fórmula do preço a prazo (PVP) Preço a prazo = Preço de Venda à Vista em Dinheiro (100-Taxa de Crédito Parcelado + Percentual do n° de parcelas)x100 Aplicando a fórmula com os valores obtidos: Preço a prazo = R$ 40,00 (100-3,60 + 16,15)x100 = R$ 49,84. Fonte: VAGO, 2018 (adaptado). Tabela 01: Modelo de planilha para definição de preço à vista e a prazo. Preço à vista Tarifa adicional por parcela N° de Parce- las Valor da Parcela Preço a prazo Índice Multipli- cador Taxas de Juros Efetivos R$ 40,00 0% 1 R$ 41,49 R$ 41,49 1,0373 3,73% R$ 40,00 4,09% 2 R$ 21,76 R$ 43,33 1,0833 4,17% R$ 40,00 5,41% 3 R$ 14,65 R$ 43,96 1,0990 3,30% R$ 40,00 6,70% 4 R$ 11,15 R$ 44,59 1,1148 2,87% R$ 40,00 7,96% 5 R$ 9,05 R$ 45,23 1,1307 2,61% R$ 40,00 9,20% 6 R$ 7, 65 R$ 45,87 1,1468 2,45% R$ 40,00 10,41% 7 R$ 6,65 R$ 46,52 1,1629 2,33% R$ 40,00 11,61% 8 R$ 5,90 R$ 47,18 1,1794 2,24% R$ 40,00 12,68% 9 R$ 5,31 R$ 47,78 1,1945 2,16% R$ 40,00 13,92% 10 R$ 4,85 R$ 48,50 1,2124 2,12% R$ 40,00 15,05% 11 R$ 4,47 R$ 49,17 1,2293 2,08% R$ 40,00 16,15% 12 R$ 4,15 R$ 49,84 1,2461 2,05% Fonte: VAGO, 2018 (adaptada). 76 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| 2. consIderações sobre Icms e IpI Neste tópico, iremos tratar sobre o ICMS e o IPI. No entanto, cabe citar o significado de outros impostos encontrados no mercado para subsidiar o aprofundamento de futuras pesquisas por parte do estudante, são eles: • COFINS: Contribuição para Financiamento de Seguridade Social; • PIS: Programa de Integração Social; • IRPJ: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica; • CSLL: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; • ISS: Imposto Sobre Serviço; • ICMS: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços; • IPI: Imposto sobre Produtos Industrializados. Para um melhor entendimento da apuração dos impostos, é importante também saber o que significa a alíquota, que é uma variação do cálculo tributário, caracterizando-se como uma taxa deliberada pelo governo de acordo com a sua estratégia. O reflexo dos tributos nas operações das empresas que operam no Brasil tem sido significante sob o ponto de vista da formação de preço de venda dos produtos. (YANASE, 2018, p. 105) De acordo com a citação do autor, no mercado globalizado e dinâmico que vivemos hoje, alterações nas taxas de alíquotas e impostos acontecem frequentemente e a qualquer momento muitas coisas podem mudar. Sendo assim, o acompanhamento de um profissional da área de contabilidade faz- se necessário para atualizar o gestor de uma empresa sobre as mudanças nos tributos e ajudar a compor a precificação ou possíveis descontos na venda de determinados produtos. 2.1. Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS O ICMS é um tributo estadual que incide sobre produtos de diferentes tipos, como eletrodomésticos, alimentos, serviços de comunicação e transporte intermunicipal e interestadual, entre outros. Ele se aplica no comércio praticado dentro do país e também em bens importados, sendo GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 77| de competência dos estados e do Distrito Federal, logo, somente os governos têm autoridade para instituí-lo. Considerado como imposto recuperável, o ICMS é recuperado quando a empresa efetivar a venda das mercadorias adquiridas. É importante saber que o valor do ICMS, devido às diferentes alíquotas, pode variar de estado para estado, da origem para o destinatário. A incidência do ICMS ocorre durante todas as etapas de produção, ou seja, toda vez que uma mercadoria é vendida entre empresas, exceto para o consumidor final. O cálculo do ICMS é bem simples, é só multiplicar o preço do produto pela alíquota vigente. Exemplo: supondo que um estabelecimento comercial adquire produtos para revenda num valor total de R$ 1.000,00, estimando que a alíquota para compra e venda desses produtos seja a mesma, no caso 12%, a revendedora terá um crédito de R$ 120,00 (12% x R$ 1000). Se no momento da venda ela for repassada por R$ 1.600,00, neste caso, gera-se uma obrigação tributária de R$ 192,00 (12% x R$ 1600,00). No entanto, na hora de acertar as contas junto ao fisco estadual, a empresa não recolherá o valor de R$ 192,00, pois já tinha um direito contabilizado de R$ 120,00, logo terá a obrigação de desembolsar apenas R$ 72,00 (R$ 192,00 – R$ 120,00). Fazendo uma análise dos valores que foram devidamente pagos, R$ 72,00 representa 12% de R$ 600,00, que é o ganho bruto da operação. Desta forma, podemos determinar que um estabelecimento só pagará os valores de ICMS sobre o valor adicionado aos produtos. 2.2. Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI O IPI é um imposto de jurisdição do governo federal e os percentuais de alíquotas variam conforme o tipo de produto. As alíquotas estão documentadas e disponíveis na Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados no site da Receita Federal. O Imposto sobre Produtos Industrializados incide sobre os bens que saem da indústria, quer seja por beneficiamento ou por processo de transformação. E as mercadorias importadas também têm arrecadação de IPI, além dos produtos que são recolhidos pela Receita Federal e vão a leilão. 78 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| O governo federal, analisando o cenário econômico atual do país, pode mudar as alíquotas do IPI como forma de incentivar algum setor específico que esteja passando por dificuldades devido a uma possível crise econômica, como o setor automobilístico, que pode passar por uma redução considerável do imposto para ter suas vendas estimuladas, servindo como incentivo para praticar um preço melhor e, consequentemente, aumentar as vendas. O governo federal [...] pode mudar as alíquotas do IPI como forma de incentivar algum setor... O IPI não é um tributo cumulativo, ou seja, caso o produto circule mais de uma vez pela indústria antes de ser vendido ao consumidor final, o imposto não será cobrado duas vezes. Ele é considerado como um imposto não recuperável. Esses impostos deverão fazer parte do custo de aquisição, pois não serão recuperados na venda de mercadorias e, portanto, não serão repassados aos clientes. (A cadeia tributária “morre” na aquisição de mercadorias; por exemplo, o IPI – Imposto so- bre Produtos Industrializados não será calculado na venda, ele será embutido apenas na compra, uma vez que uma empresa comercial não recolhe esse imposto). (RESENDE, 2013) As empresas enquadradas no Simples Nacional pagam um documento de arrecadação única que apresenta impostos como o IPI. E com relação às mercadorias importadas, a cobrança é realizada separadamente e a alíquota varia de acordo com a receita da empresa. FIQUE ATENTO Na hora de definir a formação do preço de venda, é importante contratar ou consultar um contador para verificar o regime de tributação em que a empresa está inserida, nas esferas municipal, estadual e federal, bem como as alíquotas (percentual de impostos) incidentes. GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 79| PRATIQUE 1. Qual a importância de entender os custos dos processos produtivos e o vo- lume de vendas de uma empresa para definir um melhor preço de venda dos produtos? 2. Defina margem de contribuição unitária. 3. O que é custo médio e custo marginal? 4. Diferencie pontos de equilíbrio: contábil, financeiro e econômico. 5. Conceitue mark-up. 6. Qual a diferença entre mark-up multiplicador e mark-up divisor? 80 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| 7. Quais ações de marketing podem resultar num melhor valor percebido pelo cliente sobre o seu produto ou serviço? 8. Dê exemplo de estratégias adotadas por empresas reais para aumentar o valor percebido de seu produto ou serviço. 9. Cite as principais características do preço de venda à vista e do preço de venda a prazo (parcelado). 10. Quais as principais características do ICMS e do IPI? GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS 81|RELEMBRE Nesta unidade, você verificou a importância de analisar a produção e o volume de vendas de uma empresa a partir de indicadores como margem de contribuição unitária – MCU e pontos de equilíbrio para que o gestor evite prejuízo financeiro e projete melhor o lucro por cada unidade adicional de produto que a empresa produzir e comercializar. Aprendeu a praticar melhor a formação de preços a partir da apuração dos custos unitários dos produtos, da análise da demanda de mercado bem como a atuação da concorrência. Estudou os conceitos de custo médio e custo marginal e conheceu o mecanismo de formação de preços a partir da técnica de mark-up. Além de perceber as estratégias de marketing de relacionamento e propaganda para agregar valor aos produtos e serviços de forma que a empresa posicione sua marca na mente do consumidor e ele qualifique melhor os seus serviços e produtos. E, por fim, compreendeu a importância de ter ciência da presença de tarifas fixas, para preços à vista com uso de cartão de débito e crédito, bem como as taxas variáveis, como alíquota ou juros no cartão para compras a prazo parceladas, e de impostos como o ICMS e o IPI, que incidem na circulação de bens e serviços, para entender e contabilizar melhor a cadeia de custos e, assim, definir com inteligência os preços de vendas à vista e a prazo dos produtos. REFERÊNCIAS IUDICIBUS, Sérgio de; MELLO, Gilmar Ribeiro de. Análise de custos: uma abordagem quantitativa. São Paulo: Atlas, 2013. YANASE, João. Custos e formação de preços: importante ferramenta para tomada de decisões. São Paulo: Trevisan Editora, 2018. 82 GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS| KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. RESENDE, José Flávio Bomtempo. Como elaborar o preço de venda. Belo Horizonte: SEBRAE/MG, 2013. Disponível em: . Acesso em: 17 set. 2019. FURTADO, Renata; BEUREUN, Ilse Maria; PORTON, Rosimere Alves de Bona. Uma proposta de metodologia do preço de venda para micro e pequenas empresas no comércio varejista. XXII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Curitiba/PR, 2002. Disponível em: . Acesso em: 17 set. 2019. VAGO, Ramon. Como calcular o preço de venda a prazo? Disponível em: . Acesso em: 03 fev. 2019. OLIVEIRA, Anselmo. Análise custo, volume e lucro: a teoria. Disponível em: . Acesso em: 01 fev. 2019. Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r w w w .U ni AT EN EU .e du .b r Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Telefone (85) 3033.5199 Capa_GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS-compactado GESTÃO DE PREÇOS E CUSTOS Contra-capa_reduzido