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v.1, n.2, Agosto 2016
Projeto e Percepção do Ambiente
DIAGRAMAS ARQUITETÔNICOS E ESTRATÉGIAS PROJETUAIS:
reflexões sobre composição e retórica (1) 
SOBREIRA, Fabiano 
Arquiteto e Urbanista, Doutor em Desenvolvimento Urbano , Professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo do UniCEUB, Arquiteto do Depar-
tamento Técnico da Câmara dos Deputados. fabiano@mgs.arq.br
GUIMARÃES, Adriana 
Estudante do Curso de Arquitetura e Urbanismo do UniCEUB, adrianadrikete24@gmail.com
SIEBEL, Amanda 
Estudante do Curso de Arquitetura e Urbanismo do UniCEUB, arq.amandaseibel@gmail.com
Architectural Diagrams and Design Strategies: reflections on composition and rhetoric. 
RESUMO 
Este artigo tem como objetivo apresentar reflexões preliminares sobre o uso de recursos diagramáticos na arquitetura contemporânea, 
a partir de duas abordagens complementares: (1) retórica propositiva e (2) análise da composição. A primeira questão está relacionada 
ao uso de recursos gráficos diagramáticos como estratégia de apresentação, enquanto a segunda aborda a síntese analítica das 
estratégias de composição no projeto. Considerando que proposição e análise são dois exercícios complementares e necessários 
ao projeto e que se retroalimentam constantemente (como o diálogo permanente e necessário entre prática, ensino e pesquisa), 
propomos uma reflexão preliminar sobre o papel do exercício de síntese gráfica e textual (o diagrama) e seu impacto na Arquitetura 
Contemporânea. Metodologicamente, foram estudados projetos em situação de concurso (em particular, o Concurso Internacional 
para o Museu Guggenheim de Hensinki), por se tratarem de eventos que, por sua natureza, são exercícios de síntese propositiva e 
analítica, em que a retórica diagramática exerce papel fundamental no projeto e no julgamento qualitativo.
PALAVRAS-CHAVE: projeto, diagramas, composição, retórica, concursos. 
ABSTRACT
This paper presents preliminary reflections on the use of diagrammatic resources on contemporary architecture, from two 
complementary perspectives: (1) proposal rhetoric and (2) composition analysis. The first approach is related to the use 
of diagrammatic graphic resources as presentation strategies, while the second approach presents analytical synthesis on 
design composition strategies. Considering that proposition and analysis are two complementary actions, necessary to design, 
and that continuously feed each other (as the permanent and necessary dialogue between practice, teaching and research), 
one proposes discussions on the role of the graphic and textual synthesis (the diagram) and its impact on contemporary 
Architecture. Methodologically, winning competition designs were studied (in particular, the International Competition for 
the Guggenheim Museum in Helsinki), considering competitions as event marked by a constant exercise of analytical and 
proposal synthesis , where diagrammatic rhetoric play an important role on design and qualitative judgement.
KEY-WORDS: architectural design, diagrams, composition, rhetoric, competitions.
1 DIAGRAMAS: REFLEXÕES CONTEMPORÂNEAS
De acordo com Montaner (2014), a utilização 
do diagrama, enquanto “instrumento abstrato, 
complexo e versátil” se destaca como um dos quatro 
processos peculiares da arquitetura produzida entre 
meados dos anos 1990 e o início do século XXI.
Alguns dos principais arquitetos contemporâneos 
(reconhecidos duplamente por sua produção 
arquitetônica e intelectual) também destacam 
o uso desse recurso como uma característica 
de uma nova forma de pensar. Rem Koolhass 
(escritório OMA), um dos precursores e inovadores 
na utilização do instrumento, vê o diagrama não 
apenas como um elemento criativo para construir, 
“mas também como um modo de olhar. (...) olhamos 
para os edifícios do mesmo modo diagramático”. 
(KOOLHAAS, em STEELE, 2013).
Segundo Moneo (2008), se por um lado Le Corbusier 
difundiu bastante o pensamento arquitetônico 
em torno da ideia de “planta livre”, Rem Koolhaas 
incorporou à cultura arquitetônica do final do século 
XX e início do XXI o conceito de “corte livre”. Esse 
novo olhar é construído e expresso muitas vezes de 
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forma diagramática e conceitual, mais do que por 
meio de perspectivas e imagens tridimensionais 
realistas ou elementos gráficos técnicos usuais. 
Ainda segundo Koolhaas:
Para nós, o diagrama não é apenas mais um dispositivo 
que desencadeia a arquitetura, ou que nos permite 
desencadear a arquitetura. É também um dispositivo por 
meio do qual olhamos o mundo e tentamos representar 
algumas das condições bizarras que observamos. Para mim, 
isso permanece como parte importante do que podemos 
chamar de o “diagrama” hoje (STEELE, 2013, p. 29).
As estratégias diagramáticas do OMA vão além 
dos recursos tradicionais, de representações 
bidimensionais, ao combinar os esquemas 
topológicos aos elementos tridimensionais e 
fotografias (Figura 01).
Figura 1 - Estratégias diagramáticas do OMA/Rem Koolhaas 
em concursos de arquitetura. Acima: Museu de Belas Artes do 
Québec. Abaixo: Casa de Música do Porto. 
Fonte: concursosdeprojeto.org
Outro arquiteto conhecido pelas reflexões e 
práticas em torno do diagrama é Peter Eisenman 
(IZAR, 2015). Sobre o uso do diagrama no exercício 
projetual, o arquiteto afirma:
Uso o diagrama não como forma, mas como ideia. Tento 
encontrar algo que funcione como diagrama para gerar 
algo a partir das condições que não poderia ter previsto 
anteriormente. O diagrama é diferente em cada caso. 
A mudança, ou o uso, da concepção do diagrama tem 
evoluído de diagramas mais simples até outros mais 
complexos." (EISENMAN, em GALOFARO, 1999, p.47).
Segundo Adamczyk (2015), os desenhos em 
arquitetura (e nesse contexto podemos inserir os 
diagramas) podem ser cada vez mais interpretados 
não apenas como expressões de uma ideia mas 
como parte do processo de desenvolvimento 
reflexivo e da imaginação.
O diagrama, enfim, é associado à captura de dados 
por meio do observador de maneira mais ágil, 
configurando-se como um recurso sintetizador de 
raciocínio, por meio de instrumentos iconográficos 
(GARCIA, 2010). O diagrama se posiciona, portanto, 
entre o processo e o produto do projeto, como 
um discurso visual, muitas vezes sem tipologias 
definidas. Neste artigo consideramos como recurso 
diagramático não apenas a representação topológica 
clássica (bi ou tridimensional), amplamente utilizada 
na descrição de sistemas e processos. Consideramos 
uma abordagem mais ampla, em que a maquete 
física, a fotografia, o croqui, as perspectivas e 
fotomontagens podem ser interpretados como 
recursos diagramáticos (Figura 1), desde que seu 
propósito seja a comunicação sintética (e não realista, 
nem unicamente técnica) de uma ideia.
2 CONCURSOS: RETÓRICA E SÍNTESE 
DIAGRAMÁTICA
De acordo com o conceito de “Arquitetura Potencial” 
(ADAMCZYK et al, 2004; CHUPIN, 2010; 2015), 
os concursos de projeto, mais do que processos 
competitivos para a escolha da melhor solução para 
um problema específico, são também campos de 
especulação criativa e de formação profissional, 
assim como espaços de debates sobre a produção 
e a gestão do ambiente construído. Nesse sentido, o 
projeto de arquitetura em situação de concurso é aqui 
interpretado ao mesmo tempo como um instrumento 
propositivo e reflexivo para a disciplina, para a 
profissão e para a gestão pública (SOBREIRA, 2015).
O concurso, como instrumento analítico, devido 
ao amplo repertório propositivo, permite observar 
diversas estratégias de composição simultâneas, 
sobre um objeto e um mesmo contexto, o que 
permite fixar variáveis e aprofundar o processo 
analítico e comparativo: diferentes expressões e 
respostas simultâneas a um mesmo problema.
Chupin (2002) situa os projetos de concurso 
exatamente no ponto de convergência entre a 
disciplina e a profissão, uma vez que há uma relação 
de ação, que está vinculada à prática de projetocom a cognição, relativa às trocas de críticas e 
julgamentos internos e externos.
Segundo Boutinet (1990), por exemplo, uma das 
particularidades do conceito de projeto é a existência 
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de duas ordens: “a ordem do discurso, encarregado 
de explicitar, de prescrever e de planejar; e a 
“ordem da ação, na qual as intenções se convertem 
em prática”. Talvez por essa razão, observa-se que a 
dinâmica de apropriação dos conceitos no discurso 
arquitetônico oferece aos pesquisadores um vasto e 
rico campo de especulação teórica e de análises em 
torno do processo de projeto. Destacamos, nesse 
sentido, a reflexão de Tostrup (1999), que sugere:
...por trás da superficialidade dos ‘slogans’, a relação 
entre a arquitetura e o discurso que é escrito é 
surpreendentemente vaga. Ainda assim, a linguagem 
que acompanha os projetos oferece pistas interessantes 
sobre o raciocínio por trás do ato projetual e sobre 
outros fatores que não são expressos no discurso, mas 
que estão implícitos. (TOSTRUP, 1999, p.9)
No caso dos concursos, considerando que em 
geral não há o diálogo direto entre o arquiteto e o 
cliente, as pranchas precisam expressar a retórica 
não apenas do edifício ou do espaço proposto, 
como também das ideias levadas em consideração 
durante o processo projetual. Como consequência, 
nos projetos em situação de concurso, as estratégias 
são reveladas, além dos desenhos técnicos e 
perspectivas, de maneira diagramática e textual.
3 CONCURSO PARA O MUSEU GUGGENHEIM 
DE HELSINKI
Em junho de 2014 a Fundação Guggenheim lançou 
o concurso internacional aberto, em duas etapas, 
para selecionar a melhor proposta para o Museu 
Guggenheim de Hensilki, na Finlândia, com enfoque 
em expressões de arte dos séculos XX e XXI. Foram 
submetidas 1.715 propostas para a primeira etapa, 
das quais foram selecionados oito projetos finalistas. 
O projeto vencedor é de autoria do escritório Moreau 
Kusunoki Architectes, sediado em Paris.
De acordo com as bases do concurso, os projetos 
foram analisados a partir de cinco critérios: 
relação com a paisagem da cidade, arquitetura, 
funcionalidade, sustentabilidade e viabilidade 
construtiva. Mais especificamente, esperava-se 
das propostas, segundo as bases do concurso, 
as seguintes qualidades: originalidade do 
projeto, potencial para se tornar um ícone e um 
símbolo para Helsinki; sensibilidade em relação 
ao contexto histórico do lugar (região portuária); 
sustentabilidade (perspectivas econômica, social e 
ambiental); forte conexão com o centro histórico, 
o porto e o contexto urbano; adequação ao ideal 
Nórdico, incluindo os princípios de Abertura/
Integração e Acessibilidade.
O local de implantação (área de aproximadamente 
18.520 m2), na região portuária, é considerado 
como um portal de entrada para a cidade a partir do 
mar e diretamente conectado ao centro histórico. A 
intenção é que o Museu, além de espaço de cultura 
e arte, possa se consolidar como espaço cívico para 
a população local e os visitantes.
Figura 2 - Área central e região portuária de Helsinki, com a 
demarcação do local de construção do Museu Guggenheim.
Fonte: autor, editado a partir do Google Maps Helsinki 
Guggenheim Museum International Competition, 2014
A construção foi estimada em 130 milhões de Euros 
e a área construída de aproximadamente 12.000 
m2 (dos quais cerca de 4.000 m2 dedicados a áreas 
de exposição). Ainda de acordo com as bases do 
concurso, os projetos deveriam privilegiar a interação 
social e as possibilidades de experimentação da 
arte. O programa, além dos espaços expositivos, 
incluiu salas de aula, auditório flexível, café/bar, 
restaurante, área administrativa, armazenamento, 
lojas e instalações diversas. Deveriam também ser 
previstos espaços expositivos em áreas abertas. No 
que se refere à materialidade foram apresentadas 
referências especiais ao uso criativo da madeira, 
à tradição construtiva Finlandesa, além das mais 
avançadas tecnologias digitais. O processo entre 
o lançamento do concurso e a decisão final durou 
doze meses (resultado final em Junho de 2015). 
O Júri foi composto por onze membros, dos quais 
sete arquitetos (representantes de escritórios locais e 
internacionais, universidades e técnicos da Prefeitura 
de Helsinki) e quatro representantes de instituições 
locais e internacionais, com formações diversas: 
Fundação Guggenheim; Centro de Pesquisa Técnica 
da Finlândia; Prefeitura de Helsinki e Ministério do 
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Meio Ambiente da Finlândia. Trata-se, portanto, de 
júri híbrido entre arquitetos e não-arquitetos, tanto do 
contexto local como internacional. Antes do encontro 
presencial para a anállise da primeira fase, que durou 
4 dias, os 1.715 trabalhos foram disponibilizados em 
meio eletrônico, a fim de que os membros do júri 
pudessem realizar análises prévias. Uma comissão 
técnica realizou uma análise preliminar dos trabalhos, 
para verificação de atendimento às diretrizes das bases 
do concurso. Todos os trabalhos, mesmo aqueles 
indicados como “desclassificáveis” pela referida 
comissão, foram avaliados pelo Júri. Recomendação 
especial foi dada ao Júri para considerar o conceito 
subjacente a cada proposta, sua contribuição à ideia 
contemporânea de museu e sua relação com o tecido 
urbano da cidade. A seguir, apresentamos breve 
análise sobre a abordagem retórica/diagramática 
de cada uma das seis propostas finalistas, além de 
comentários do júri sobre os projetos. De acordo 
com a Ata do Júri, os finalistas se diferenciam uns dos 
outros tanto no que se refere ao desenvolvimento 
programático quanto à forma, mas têm em comum 
o potencial reflexivo sobre questões consideradas 
centrais para o concurso: “o que é um museu no 
contexto atual ?”; “De que forma esse novo museu 
pode proporcionar dinâmicas sociais e intelectuais 
que sejam vitais para a cidade?”
Art in the City
O Júri destacou esta proposta pelo agrupamento 
de pavilhões, que se apresentam como uma 
continuidade do tecido urbano e de elementos 
arquitetônicos existentes. A iluminação natural 
da proposta foi ressaltada (apesar de ressalvas 
sobre o formato da cobertura). Em resumo, um 
dos principais méritos do projeto, segundo o Júri, 
foi o potencial de redefinir o museu como uma 
experiência urbana, e não apenas arquitetônica. 
No que se refere às estratégias diagramáticas e 
à retórica gráfica, destacamos a originalidade da 
primeira prancha do projeto, que apresenta uma 
perspectiva aérea do museu inserido em paisagem 
que inclui a área portuária e o centro da cidade, em 
padrão gráfico que se assemelha a uma “história em 
quadrinhos”, em que o realismo usual - cada vez mais 
comum nos concursos - foi substituído pelo caráter 
lúdico e dinâmico das ilustrações que parecem ter 
sido feitas à mão livre. Nessa imagem o projeto do 
museu é apenas mais um elemento na paisagem, 
repleta de personagens e situações de interação 
e ocupação do espaço público, o que sugere (sem 
necessidade de textos) a ideia de inserção urbana e 
apropriação coletiva do projeto no contexto.
Na quarta prancha a estratégia se repete, desta 
vez na escala do edifício, em uma perspectiva (que 
também tem expressão lúdica e que parece ser feita 
à mão livre) em que o uso dos espaços se destaca, 
e não a materialidade, nem a plástica do edifício. A 
imagem é preenchida por diversos personagens, 
em situações diversas, que se espalham ao longo 
dos pavilhões e espaços intersticiais. Na mesma 
prancha, vale destacar um diagrama técnico, que 
procura sintetizar as estratégias ambientais e 
bioclimáticas. Também como recurso visual foram 
apresentadas imagens de florestas típicas da 
Finlândia e texturas das madeiras, em evidente 
referência à demanda das bases do concurso, de 
utilização desse material no projeto. Percebe-se 
que as principais diretrizes do concurso(contexto 
urbano, sustentabilidade, uso da madeira) foram 
objetos de ilustração sintética, por meio de recursos 
diagramáticos (desenhos, esquemas e fotos).
Figura 3 - Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Art in the City”. Prancha 01.
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06 finalistas-museu-guggenheim
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Two-in-one Museum
O Júri destacou, nesta proposta, o aspecto industrial e 
vernacular da volumetria e a flexibilidade dos espaços 
internos. A separação entre atividades de uso público 
(localizadas no térreo) e as áreas de exposição (pavimento 
superior) também foi um elemento ressaltado pelos 
avaliadores. A silhueta ao mesmo tempo discreta e 
original do edifício foi também destacada.
A primeira prancha do projeto apresenta uma série 
de recursos diagramático-conceituais, com destaque 
para o título da prancha e a imagem utilizada como 
analogia: “Ceci n’est pas un Musée” (Isto não é um 
Museu), em referência direta à conhecida obra do 
artista plástico Belga, Rene Magritte, intitulada “La 
Trahison des images”, criada em 1948. Uma reprodução 
da referida obra é inserida na prancha: uma ilustração 
de um cachimbo e a inscrição “Ceci n´est pas une 
pipe” (Isto não é um cachimbo). Na mesma prancha 
são inseridos diagramas de implantação, que buscam 
contextualizar o museu com seu entorno.
A última prancha reúne outros recursos diagramáticos, 
associados às questões técnicas, ambientais e 
programáticas da proposta, além da volumetria. Neste 
último caso, utilizando a fotografia como recurso 
retórico-diagramático (uma mão que manipula o 
volume), recurso recorrente em obras contemporâneas, 
como o escritório OMA, reconhecido pela utilização de 
recursos diagramáticos/fotográficos em suas obras, 
como vimos na parte inicial deste artigo.
Figura 4 - Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Art in the City”. Prancha 04.
Figura 05 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Two in One Museum”. Prancha 01.
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
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Quiet Animal
A integração entre imagem e tecnologia é um 
dos destaques deste projeto, que se mostrou, 
segundo o Júri, ao mesmo tempo simples e 
extraordinário. Apesar das qualidades associadas 
ao destaque visual da proposta, houve ressalvas 
em relação à lógica programática, que carecia de 
desenvolvimento. Um dos elementos ressaltados 
pelo Júri é a utilização de elementos estéticos 
como recursos de energia sustentável, apesar de 
reservas em relação ao sistema construtivo.
No que se refere aos recursos gráficos, 
destaca-se na primeira prancha (figura 07) 
a sequência de diagramas que ilustram a 
inserção do projeto na malha urbana sob 
várias perspectivas (espaço público, acesso, 
malha urbana, referências arquitetônicas, etc). 
O título do trabalho, conforme sugerido pelos 
autores, é uma analogia aos blocos/quadras 
que marcavam a paisagem urbana de Helsinki 
no século XVII, conhecidos como “wild animals”. 
Visual e conceitualmente, o principal elemento 
da proposta é uma segunda pele, ondulada, 
que tem ao mesmo tempo função visual e de 
conforto ambiental.
Na prancha 4 (figura 08) destacam-se diagramas 
de sustentabilidade (abordada sob a perspectiva 
social, ambiental e econômica), de eficiência 
energética e conforto ambiental.
Figura 06 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Two in One Museum”. Prancha 04.
Figura 07 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Quiet Animal”. Prancha 01.
Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
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47 Rooms
Relação com a paisagem da cidade e o entorno e 
utilização de materiais de edificações existentes 
foram algumas das qualidades destacadas pelo 
Júri para esta proposta (47 Rooms), que utilizou 
como referência os armazéns do porto de Helsinki 
e a importância da rede de espaços internos que 
propiciam o que os autores denominam de “vida 
pública interior”, devido às condições climáticas 
extremas enfrentadas pela cidade. 
O projeto parte das condições climáticas como base 
conceitual da proposta e defende a ideia do museu 
como uma atmosfera ativa que se vivencia em seu 
interior e não como um objeto passivo ou ícone 
arquitetônico, que se observa à distância. As pranchas 
2 e 3 (figura 09) expressam, de forma diagramática, 
tal relação entre o conceito arquitetônico e as 
condições climáticas dos espaços internos.
A prancha 4 (figura 10) se utiliza de ilustrações mais 
abstratas, como recurso conceitual de expressão 
da diversidade de atmosferas espaciais. As imagens 
parecem fazer analogia a obras de artes plásticas, com 
expressão gráfica mais conceitual e menos arquitetônica.
Figura 08 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Quiet Animal”. Prancha 04.
Figura 09 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “47 Rooms”. Pranchas 02 (esquerda) e 03 (direita).
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
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Guggenheim Commons
O Júri destacou, neste trabalho, a compreensão do 
funcionamento da cidade e as pesquisas relacionadas 
ao conceito contemporâneo de museu, tanto no que 
se refere ao funcionamento interno quanto sua relação 
com o tecido urbano. Atenção especial foi dada ao 
espaço público e ao potencial das áreas expositivas.
Este projeto se destaca, entre os demais, pela 
ampla utilização de recursos diagramáticos 
analíticos e não apenas propositivos. A prancha 01 
(figura 11) apresenta um diagnóstico diagramático 
sobre o funcionamento da região portuária e 
sua relação com o centro histórico, identificando 
barreiras e equipamentos públicos. Nesse sentido, 
a abordagem se assemelha à estratégia do projeto 
finalista “Art in the City”, em que a proposta do 
museu parte de uma reflexão sobre a cidade e seu 
funcionamento (de fora pra dentro).
Na prancha 02 (figura 12) a conceituação básica 
da proposta é ilustrada, de forma diagramática, 
com exemplos de outros museus, evidenciando a 
importância dos espaços livres (extras) em relação 
aos espaços dedicados a funções específicas 
(exposição, administração, etc). Um dos principais 
argumentos da proposta são os espaços livres, 
como uma oferta do Museu para a cidade, para 
além de suas funções expositivas. Tais qualidades 
são também apresentadas na prancha 03 (figura 
13), quando os espaços livres, o programa, os fluxos, 
a relação com a cidade, a iluminação, entre outros 
tópicos, são apresentados em diagramas.
Figura 11 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Guggenheim Commons”. Prancha 01.
Figura 10 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “47 Rooms”. Prancha 04 (esquerda) e detalhe da prancha (direita).
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
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Helsinki Five
O conjunto vertical de torres revestidas em madeira 
e o circuito potencial de galerias proporcionado 
pelo átrio interno são os principais elementos 
destacados pelo Júri nesta proposta, apesar de 
alguns questionamentos sobre as soluções de 
circulação (como o uso excessivo de elevadores).
O uso de diagramas também é identificado neste 
projeto, porém de forma mais convencional. Na prancha 
01 (figura 14) são utilizados diagramas conceituais 
relacionados ao contexto urbano e à iluminação.
A prancha 2 (figura 15) apresenta uma sobreposição 
de diagramas que buscam explicar o fluxo de 
visitantes às áreas de exposição, em solução que se 
assemelha ao Guggenheim de Nova Iorque, em que 
o visitante é conduzido ao topo do edifício e depois 
segue descendo os níveis à medida em que visita as 
galerias. A diferença está na solução da circulação, 
exemplar no caso do projeto de Frank Lloyd Wright 
em Nova Iorque. Na quarta prancha (figura 16) são 
inseridos diagramas mais técnicos, dedicados ao 
conceito estrutural e à sustentabilidade.
Figura 12 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Guggenheim Commons”. Prancha 02.
Figura 13 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Guggenheim Commons”. Prancha 03.
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
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Figura 14 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Helsinki FIve”. Prancha 01.
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
Figura 15 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Helsinki Five”. Prancha 02.
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
Figura 16 – Concurso – Museu Guggenheim Helsinki. Projeto Finalista: “Helsinki Five”. Prancha 04.
Fonte: concursosdeprojeto.org. Disponível em: http://www.concursosdeprojeto.org/2014/12/06/finalistas-museu-guggenheim
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4 ESTRATÉGIAS DE COMPOSIÇÃO - 
DIAGRAMAS ANALÍTICOS
Conforme sugere Martinez (2000), a noção de 
composição implica: “colocar junto a, relacionar 
partes para formar um todo, decidir qual será a 
relação entre essas partes, criar uma estruturação 
do futuro edifício”. Não se trata, como alerta o 
autor, de dar uma forma precisa e definitiva a 
um projeto, mas de apresentar especulações 
sobre a disposição geral e relativa dos espaços. 
Mais do que um produto, a composição é um 
processo projetual e são várias as estratégias 
identificadas por Martinez. A partir da leitura 
crítica de tais estratégias, propomos uma 
síntese analítica que se resume nas seguintes 
abordagens: (1) processo de composição e (2) 
produto da composição.
As possibilidades de articulação de forma, espaço 
e materialidade no processo projetual são 
aqui denominadas estratégias de composição. 
Martinez as define como modalidades operativas 
no ato de projetar que nem sempre serão usadas 
de modo consciente por parte dos projetistas. As 
estratégias compositivas atuam como processos 
eficazes que auxiliam na idealização do partido. 
Por não estarem evidentes em alguns casos, 
a análise das estratégias de composição nos 
permite trabalhar com interpretações hipotéticas 
de processos projetuais. Sob o ponto de 
vista processual sintetizamos o exercício de 
composição nos seguintes grupos:
a) Composição por Adição;
b) Composição por Subtração;
c) Composição Híbrida (ações complementares de 
adição, subtração e outros recursos complementares: 
deslocamento, rotação, torção, etc).
No que se refere ao conjunto resultante, identificamos os 
seguintes grupos:
a) Conjunto compacto;
b) Conjunto fragmentado;
c) Combinação entre fragmentação e compactação
Na arquitetura contemporânea, que é o foco 
desta pesquisa, Martinez argumenta que 
podem ser identificados tanto processos de 
composição aditiva quanto subtrativa e muitas 
das estratégias resultam dessa combinação: 
processo subtrativo para as partes e aditivo 
para o todo.
A partir das classificações referenciadas observamos 
um importante elemento de composição, comum 
às diversas estratégias: o vazio. As composições de 
projeto não se limitam à articulação entre volumes e 
espaços construídos, mas se referem principalmente 
à relação desses com os vazios (sejam internos ou 
circundantes, horizontais ou verticais). 
Ao analisar os projetos finalistas do Concurso 
Internacional para o Museu Guggenheim de Helsinki, 
observamos uma diversidade de estratégias de 
composição espacial e volumétrica, em grande 
parte associadas a relações urbanas, funcionais 
e conceituais e muitas vezes explicitadas por 
meio de recursos gráficos diagramáticos. A fim de 
concentrar as análises sobre a composição e evitar 
distrações decorrentes do apelo visual das imagens 
de cada proposta, utilizamos o recurso do diagrama 
sintético analítico: para cada projeto foi elaborado 
um diagrama volumétrico com o mesmo padrão 
gráfico e elaborada uma matriz analítica, a fim de 
permitir a análise comparativa (Figura 17).
Figura 17 – Matriz Analítica – Diagramas – Finalistas do Concurso 
Internacional para o Museu Guggenheim Helsinki.
Fonte: autores
No que se refere à compacidade ou fragmentação, 
observa-se que a proposta intitulada “Art in 
the City” (Figura 15A) apresentou composição 
mais fragmentada e horizontal (exceto um 
dos volumes, mais verticalizado, utilizado 
como mirante), tanto dos volumes quanto dos 
espaços vazios, resultante da adição de volumes 
irregulares conectados por um conjunto de 
espaços também irregulares. Tal estratégia está 
na essência do conceito defendido pelos autores, 
de utilização dos espaços vazios entre os diversos 
pavilhões como elementos de articulação entre a 
cidade e o Museu.
O projeto “Two-in-one Museum” (Figura 15B) 
é bastante compacto e não se utiliza de vazios 
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expressivos em sua composição. Trata-se de uma 
estratégia de composição por adição e sobreposição 
com leves deslocamentos horizontais, em que cada 
volume corresponde a uma das funções propostas 
e que definem o título do projeto: os espaços de 
convivência (térreo) e os espaços expositivos 
(pavimento superior).
O projeto “Quiet Animal” (Figura 15C) é um 
dos menos expressivos no que se refere à 
composição espacial e volumétrica, porém um 
dos mais originais em relação à envoltória. Trata-
se de um prisma, coberto por uma “pele”, como 
uma membrana de proteção e de transição entre 
o espaço externo e o interno.
“47 Rooms” (Figura 15D) resulta de composição 
horizontal por adição de volumes simples e 
lineares e não se utiliza de vazios ou pátios. Não 
há expressividade volumétrica do conjunto, que 
conceitualmente faz referência aos galpões de 
armazenamento do porto.
“Guggenheim Commons” (Figura 15E) estabelece 
certa dualidade no que se refere à composição: 
volumetricamente (visto de fora) o volume 
expressa compacidade, porém internamente 
os espaços são fragmentados, em decorrência 
dos pátios e espaços livres criados, elementos 
essenciais na conceituação do projeto. Este 
projeto foi um dos que mais enfatizou o discurso 
urbano, aspecto expresso claramente nos 
diagramas, como vimos anteriormente.
A proposta intitulada “Helsinki Five” (Figura 15F) 
opta pela fragmentação de volumes irregulares e o 
espaço vazio como articulador do conjunto, porém 
mantém um único espaço vazio, centralizado. O que 
o diferencia em relação à composição volumétrica 
dos demais projetos é a sua verticalidade: as 
galerias sãodispostas ao longo de pavimentos, 
gerando as cinco “torres de madeira” mencionadas 
pelos autores como elementos essenciais do 
conceito arquitetônico.
O julgamento final da segunda etapa do concurso 
ocorreu durante 3 dias, em maio de 2015. Nesta 
fase o Júri recebeu relatório analítico de uma 
comissão técnica sobre os aspectos técnicos, 
operacionais e de custo, sobre cada proposta 
finalista. Os projetos foram apresentados em 
nível mais detalhado (8 pranchas A1, maquete 
detalhada - 1:200 e maquete para contextualização 
urbana - 1:500, além de memorial descritivo). 
Os critérios de análise foram divididos em dois 
grupos: Essenciais (Contexto Urbano, Arquitetura 
e Funcionalidade) e Técnicos (Sustentabilidade 
e Viabilidade Técnica e Construtiva). A proposta 
“Art in the City” (Moreau Kusunoki Architectes, 
Paris) foi anunciada como vencedora e o segundo 
lugar foi atribuído a “Two-in-one Museum” (agps 
architecture, Zurique). 
De acordo com o Júri, o projeto vencedor (Art 
in the City) se destaca pela cuidadosa inserção 
urbana, pela proposta fragmentada, não-
hierárquica e horizontal e pela “rua coberta” 
criada pela combinação de pavilhões e espaços 
de transição, ora mais abertos ou mais fechados, 
conforme a relação com os ambientes e atividades 
circundantes. A proposta, ainda segundo a 
Comissão Julgadora, se destaca pela integração 
entre Arte e Sociedade e pela experiência expositiva 
gerada pela continuidade entre pavilhões, além 
do diálogo com os elementos do entorno: mar, 
parque e cidade. Destacou-se ainda o mérito de 
se apresentar como projeto contemporâneo, sem 
necessariamente ser icônico. O relatório do Júri 
ainda ressaltou a qualidade dos desenhos, que 
expressaram o sentido de comunidade e dinâmica 
social, importantes para a população local. 
Em relação ao segundo lugar (Two-in-one Museum), 
o Júri destacou a força conceitual e o diálogo entre o 
antigo e o novo, em que forma, orientação e escala 
do conjunto proposto se encaixam com equilíbrio no 
contexto industrial e portuário. Algumas limitações 
referentes a circulação e conexões verticais foram 
mencionadas. Ainda de acordo com a Comissão 
Julgadora os espaços internos propostos são 
generosos (apesar das imagens não comunicarem 
bem tais qualidades).
5 DIAGRAMAS ARQUITETÔNICOS OU 
ARQUITETURA DIAGRAMÁTICA ?
A leitura e a análise de projetos contemporâneos 
sob a perspectiva da expressão diagramática nos 
oferecem uma série de reflexões e inquietações, 
entre as quais destacamos: qual o limite entre 
a produção de diagramas arquitetônicos e a 
promoção de uma arquitetura diagramática?
O diagrama arquitetônico, como vimos, é a 
expressão sintética, gráfica e textual, que tem como 
objetivo colaborar para a concepção e a composição 
arquitetônica. Em alguns casos a retórica apenas 
confirma ou evidencia estratégias de composição 
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(espacial e volumétrica) desenvolvidas ao longo 
do processo de concepção e desenvolvimento: 
percebe-se, nesses casos, um equilíbrio entre o 
que foi projetado e o que está sendo comunicado. 
Em outros casos, a retórica é fabricada a 
posteriori, como um recurso de comunicação, não 
necessariamente vinculado ao exercício de projeto. 
Neste grupo incluímos as tentativas retóricas de 
agregar conteúdo e apelo visual a projetos que não 
nasceram de reflexões diagramáticas.
Identificamos ainda um terceiro grupo, que aqui 
denominamos “arquitetura retórica-diagramática”. 
Neste grupo a postura sintética e retórica do 
diagrama condiciona o exercício projetual, em uma 
abordagem mais tipológica e menos topológica de 
tal recurso gráfico, isto é, mais associada à forma 
do objeto e menos à relação espacial entre seus 
componentes e destes com o contexto. Como 
consequência, na “arquitetura retórica-diagramática” 
o projeto passa a ser uma reprodução tipológica 
de exercícios de síntese gráfica superficial. O risco, 
neste caso, é a extrema simplificação do “fazer 
arquitetônico”, reduzindo a complexidade do 
contexto e dos condicionantes a um conjunto de 
informações sintéticas, resultando em resposta 
arquitetônica superficial, cuja exequibilidade e 
aplicabilidade podem ser questionáveis. Tal processo 
pode ser associado diretamente a críticas recentes 
sobre a massificação da informação por meio da 
internet, que também tem afetado a Arquitetura: um 
conteúdo cada vez maior, assimilado de forma cada 
vez mais rápida, porém quase sempre superficial. 
Trata-se, conforme sugerem Sperling e Rosado 
(2014) de uma arquitetura midiática, diretamente 
relacionada ao que alguns críticos classificam como 
“TEDificação” do conhecimento (SADLER, 2014). 
Nessa perspectiva, não é exagero afirmar que tem 
ocorrido uma simplificação extrema dos problemas 
arquitetônicos por meio de sínteses visuais. Quando 
tal exercício de síntese gráfica não é acompanhado 
da necessária reflexão e do recomendável 
aprofundamento, o resultado é o diagrama como 
fim e não como meio, reduzindo a complexidade 
inerente dos problemas arquitetônicos e urbanos 
a retóricas frágeis e superficiais. Segundo Montaner 
(2014), os diagramas na Arquitetura ajudam a 
comunicar ideias, mas também podem se converter 
em instrumentos de simplificação extrema da 
realidade, que empobrecem o projeto, convertendo-
se em mera retórica:
Os diagramas são úteis para projetar o futuro, 
para responder a novos impulsos sociais, culturais, 
energéticos e ambientais. Tempos de mudança 
demandam instrumentos de projeto abertos e versáteis 
(...). O diagrama é ativo, uma ferramenta de novidade. 
É necessário para que se possam superar os hábitos, 
clichés e estereótipos, para que se possam experimentar 
novas referências. Por outro lado, deve-se evitar que os 
diagramas se convertam em sistemas arbitrários, sem 
referências, excessivamente abertos, autônomos e 
abstratos.” (Montaner, 2014, p.12)
Os projetos finalistas para o Museu Guggenheim 
de Helsinki, no que se refere à forma de utilização 
de estratégias diagramáticas, apresentam um rico 
repertório de recursos gráficos, com a utilização 
de elementos visuais e textuais que vão além 
do conceito tradicional de diagrama, e que de 
maneira geral conseguem equilibrar síntese e 
profundidade conceitual. Em boa parte desses 
projetos as estratégias diagramáticas (tanto as 
mais abstratas quanto as mais técnicas) parecem 
bem vinculadas aos conceitos propostos, assim 
como ao contexto de implantação do projeto. 
Muitas das qualidades destacadas pelo júri, como 
vimos, coincidem com discursos apresentados 
de forma diagramática pelos autores. O que 
percebemos, enfim, entre os finalistas do 
Concurso para o Guggenheim de Helsinki, 
com toda sua diversidade de abordagens, são 
diagramas arquitetônicos utilizados como síntese 
conceitual, e não uma “arquitetura retórica e 
diagramática”, que se resume ao apelo midiático.
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NOTAS
(1) Este artigo é resultado de pesquisa de iniciação científica realizada no Curso de Arquitetura e Urbanismo do UniCEUB, sob a coordenação do 
Prof. Fabiano Sobreira, com a participação das estudantes-pesquisadoras Amanda Siebel e Adriana Guimarães.
NOTA DO EDITOR (*) O conteúdo do artigo e as imagens nele publicadas são de responsabilidade do(s) autor(es).

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