A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
177 pág.
CURSO DE FISIOLOGIA VEGETAL

Pré-visualização | Página 14 de 42

fases do crescimento não 
deve ser necessariamente o que conduz à máxima turgescência (depende da espécie). 
 59
 b) Absorção de água e Transpiração - São afetados pelo DH, pois este 
aumenta a resistência do fluxo de água dentro da planta, exigindo um maior gradiente de 
potencial água para a manutenção do fluxo. 
 c) Absorção de nutrientes e Transporte - Embora a absorção de nutrientes 
seja ativa através da epiderme, quando entram no simplasto, eles se movem por difusão. 
Além disso, há evidências deles serem atraídos por fluxo de massa para as proximidades 
das raízes. 
 d) Fotossíntese e Respiração - A fotossíntese é reduzida em plantas com 
DH, pela redução da superfície foliar (menor crescimento); fechamento dos estômatos 
(menor entrada de CO2); menor desempenho da máquina fotossintética, pela desidratação 
protoplasmática (maior viscosidade, menor fluxo de CO2). 
 Em culturas o efeito é ainda mais drástico, pois diminuindo o crescimento 
individual das plantas, redunda num “stand” final com área foliar reduzida, com menor 
índice de área foliar (< IAF), com menor quantidade de radiação absorvida, o que diminui 
a fotossíntese (menor produtividade). Em muitas culturas como o sorgo e o milho, há ainda 
enrolamento das folhas, com o que ainda mais se reduz a área foliar exposta. 
 Com relação ao processo de respiração, a maioria dos experimentos mostra que ela 
é diminuída com déficits crescentes, que provocam o fechamento dos estômatos (menor 
entrada de CO2). Entretanto, o efeito de DH na respiração (R) é bem menos pronunciado 
que na fotossíntese (FB), o que diminui a fotossíntese líquida (FL = FB - R), sendo mais 
acentuada em plantas que apresentam fotorrespiração mensurável. (FR): FL = FB - (R + 
FR), como é o caso das plantas C3. 
 e) Metabolismo de Proteínas - Ainda pouco estudado; mas evidências levam 
a crer que o DH na síntese de proteínas induz a uma redução na síntese ou, por outro lado, 
cause uma aceleração na hidrolise destas proteínas em aminoácidos livres, principalmente, 
prolina. Este aumento em função do DH pode ser explicado se considerarmos este 
composto como reserva de C e N, que serão disponíveis logo após o déficit. O DH causa a 
migração de P e N de folhas velhas para caules e tecidos meristemáticos, sugerindo a 
ocorrência de hidrólise de proteínas e compostos fosforados nas células. 
 Outros estudos sugerem que o acúmulo de prolina juntamente com betaína, esteja 
relacionado com a ação de proteases, para provocar o ajuste osmótico (Prisco e O’leary, 
1980). Os aminoácidos são mais osmoticamente ativos, o que baixa o potencial osmótico 
 60
das células fazendo com que estas possam retirar água em baixos potenciais de água no 
solo. 
 f) Metabolismo dos Carboidratos - À semelhança das proteínas, algumas 
enzimas mudam o comportamento usual em presença de DH e produz diminuição no teor 
de amido, transformando-os em açucares solúveis (osmoregulação). 
 g) Fitohormônios - Dentre os reguladores vegetais naturais destaca-se o 
aumento nos níveis de ABA, que provoca fechamento de estômatos pela inibição da 
ATPase, bloqueiando o fluxo de entrada de elementos íons K+ para o interior das células 
guardas e/ou a saída de íons H+, o que provocaria a abertura estomática, pela elevação do 
pH, o que ativaria a fosforilase para transformar amido em glicose, baixando o potencial 
osmótico e provocando a entrada de água nas células. Com o bloqueio, não há saída de 
íons H+, o pH continua ácido e a fosforilase não degrada o amido, mas, reconverte a 
glicose-6P, elevando o potencial osmótico e provocando o fechamento estomático. 
 Sugere-se ainda um aumento no nível de etileno (fitohormônio que também 
aumenta seu teor em presença de outros estresses: lesões, ataque de fungos por exemplo), 
o que poderia acelerar a senescência de tecidos maduros. Também o aumento no teor de 
citocinina já foi detectado por ocasião de déficits hídricos. 
 h) Outros - Como podemos observar, alguns processos fisiológicos são 
diretamente afetados pelo DH, em diferentes graus de sensibilidade. Por outro lado, 
determinadas partes da planta ou mesmo, a planta como um todo, a depender da espécie e 
da fase de desenvolvimento fenológico, podem sofrer diferentes graus de danos em função 
do déficit hídrico. 
 h.1) Desenvolvimento do sistema radicular - A relação Raiz/ Parte 
aérea tende a aumentar com o DH, implicando que o mesmo afeta menos o crescimento da 
raiz (crescem mais em busca de água para a planta) do que da parte aérea (diminuição da 
superfície foliar). Pode aumentar também a taxa de suberização de algumas raízes. 
 h.2) DH e produção de cereais - Determinados estádios de 
crescimento são mais sensíveis. No caso de cereais, ocorre na fase de formação de flores e 
enchimento de grãos ou sementes, sendo proporcional ao tempo de duração do estresse. 
 61
 Arroz - É muito sensível ao estresse no período de emborrachamento (fase 
preparatória para o lançamento da inflorescência). Os efeitos são danosos, não 
recuperáveis (má fertilização, não pegamento de flores, etc.). 
 Milho - A fase de fertilização (encontro dos gametas) é um estádio bastante 
sensível, portanto crítica, podendo ocorrer desidratação do grão de pólem ou murcha dos 
estiletes-estigma, de maneira que a fecundação do grão de pólem e a formação do tubo 
polínico seriam dificultadas, causando redução de até 50% na produção. 
 h.3) Endocompetição - A competição interna dos órgãos por água ou 
fotoassimilados passa a ser bem mais acirrada por ocasião do DH, pois a água constitui um 
meio de transporte por excelência nessa distribuição. A força de dreno aumenta entre os 
órgãos. As folhas novas sentem mais rápido o DH (maior demanda), porém as folhas mais 
velhas caem mais rapidamente. 
 Para a formação de frutos, a ocorrência de DH antes ou depois da antese, é sempre 
prejudicial, devido a dificuldade de translocação dos materiais produzidos pela 
fotossíntese direta, ou aqueles armazenados anteriormente em várias partes da planta. 
 
 
Referências Bibliográficas 
 
 
HASIAO, T. C. Plan responses to water stress. Ann. Rev.Plant Physiol., 24: 519-70, 
1973. 
 
HSIAO, T. C. Plant responses to water stress. Annual Review of Plant Physiology, 
24:519-570, 1972. HASIAO, T. C. ; ACEVEDO, E. Plan responses to water deficits; 
water-use efficiency, and drought resistance. In: STONE, J. F. Plant modification for 
more efficient water use. Amsterdam: Elsevier ,1975. p.59-84. 
 
PRISCO, J. T.; O’LEARY, J. W. osmotic and toxic effects of salinity on germination of 
Phaseolus vulgaris L. Seeds. Turrialba, v. 20, p. 177-184, 1980. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 62
CAPÍTULO 6 
 
 
 
6 Adaptação ao déficit hídrico e mecanismos de tolerância ou resistência à seca 
 
 6.1 Introdução 
 
 A água é fator fundamental na produção vegetal. Sua falta ou seu excesso afeta de 
maneira decisiva o desenvolvimento das plantas e, por isto, seu manejo racional é um 
imperativo na maximização da produção agrícola. 
 Qualquer cultura durante seu ciclo de desenvolvimento consome um enorme 
volume de água, sendo que cerca de 98% deste volume apenas passa pela planta, 
perdendo-se na atmosfera pelo processo de transpiração. Este fluxo de água é, porém, 
necessário para o desenvolvimento vegetal e por este motivo sua taxa deve ser mantida 
dentro de limites ótimos para cada cultura. 
 O reservatório desta água é o solo que temporariamente armazena água, podendo 
fornecê-la às plantas à medida de suas necessidades. Como a recarga natural desse 
reservatório (chuva) é descontínua, o volume disponível às plantas é variável. Quando as 
chuvas são excessivas sua capacidade de armazenamento é superada e grandes perdas 
podem ocorrer por escorrimento superficial ou por percolação profunda. Esta água 
superficial é perdida do ponto de vista da planta,