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CURSO DE FISIOLOGIA VEGETAL

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SEMENTES – A maior parte das sementes germina quando há água e oxigênio. 
As áreas perto da parede celular, no núcleo da célula e nos espaços entre as organelas que 
armazenam substratos, são as primeiras a serem hidratadas. Logo em seguida, a semente 
aumenta de volume até sua umidade atingir cerca de 40-60%. 
Durante a germinação, com a embebição, são ativadas as enzimas hidrolíticas, o 
que provoca uma série de mudanças fisiológicas exigindo substratos para a respiração, 
fazendo com que a semente diminua sua massa de matéria seca pela eliminação de CO2 e 
sintetize componente celular para os órgãos em formação. 
 
 
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12.4 Fatores que afetam 
 
 12.4.1 Quantidade de substrato - Qualquer fator que interfira na quantidade 
de carboidratos, lipídios ou proteínas interfere na respiração. Ex: 100 gramas de folhas de 
feijoeiro deficientes em carbono libera 90 mg de CO2 hora-1 a 25 oC. Se estas folhas 
forem submetidas a uma solução de sacarose por 48 horas, aumenta a liberação de CO2 
para 150 mg hora-1. 
 
12.4.2 Oxigênio - A eliminação de CO2 na respiração está associada à 
entrada de O2, pois este é o último receptor de elétrons na cadeia respiratória. Entretanto, 
se o teor de O2 for inferior a 3%, há liberação de CO2 por via fermentativa. 
 
 12.4.3 Temperatura - De um modo geral o aumento na temperatura causa 
um aumento na respiração (5 -25oC, segue a lei de Vant Hoff, tendo um Q10 de 1,5 a 2,0 e 
até 2,5 em situações especiais). Em temperaturas baixas, menor que 5oC, o processo é 
lento, possibilitando o uso de baixas temperaturas para a conservação de frutos e verduras 
- tratamento pós-colheita. Temperaturas altas causam rompimento de membranas e 
desnaturação. 
 
 12.4.4 Gás carbônico - Embora na atmosfera seu teor praticamente não 
seja alterado (supõe-se que venha aumentando com o efeito estufa), na planta e no solo a 
concentração pode variar e afetar a respiração. Um fato interessante é que o QR diminui 
com o aumento na concentração de CO2. Isto tem muito a ver com o movimento 
estomático (maior concentração de CO2, fecha). 
 
 12.4.5 Danos e Doenças - Sempre que a planta ou um órgão desta sofre um 
dano ou lesão, há um aumento na respiração do tecido lesado. Tanto o volume de CO2 
como o consumo de O2 aumentam, pela ação de enzimas respiratórias (peroxidases) para 
a formação do “callus” e o posterior processo de cicatrização. Há acumulo de açúcares no 
local lesado e as enzimas necessitam de O2 para oxidar seus substratos. 
 
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 12.5 Venenos respiratórios 
 São compostos que bloqueiam a cadeia de transporte de elétrons. Um dos mais 
importantes é o cianeto (CN-). Os animais são muito sensíveis enquanto as plantas com a 
idade vão se tornando menos sensíveis. O conhecimento desses venenos tem uma 
importância muito grande no estudo da cadeia respiratória. Normalmente cada um tem 
um ponto de ação para interromper a cadeia citocrômica. É neste tipo de ação que muitos 
herbicidas respiratórios baseiam sua ação sobre as plantas daninhas. Algumas plantas 
apresentam uma via alternativa para fugir de certos venenos respiratórios, tornando-se 
insensível a certos inibidores, com redução na produção de ATP na cadeia de transporte 
de elétrons. 
 
 
Referências Bibliográficas 
 
LARCHER, W. Ecofisiologia vegetal . São Paul:Rima, 2000.531p. 
 
LEHNINGER, A. L., NELSON, A. L., COX, M. M. Princípios de Bioquímica. 2 ed., São 
Paulo Sarvier. 1995. 839 p. 
 
SALISBURY, F. B.; ROSS, C. W. Plant physiology. 4th edn. Wadsworth, Belmont. 1992 
 
TAIZ, L. ZEIGER, E. Fisiologia Vegetal. Trad. Eliane Romano Santarém... [et al.] – 
3.ed. – Porto Alegre: Artmed, 2004. 719p. 
 
TAIZ, L. ZEIGER, E. Plant Physiology. Cummings Publishing Company inc. California. 
1992. 559p. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 13 
 
 
13 REGULADORES VEGETAIS 
 
 13.1 Introdução 
 
As plantas crescem e a energia para que ocorra o crescimento provém da 
fotofosforilação (ADP + Pi) na fotossíntese e da queima das reservas (CH20)n na 
respiração (fosforilação oxidativa). Os fatores que interferem no crescimento das plantas 
podem ser agrupados em fatores do meio (luz, temperatura, água, solo, etc.); fatores 
genéticos (inerente a cada espécie vegetal) e o sistema interno de regulação, 
principalmente os hormônios (que têm como fonte os órgãos ativos). 
Dos fatores externos do crescimento, a luz tem efeito indireto, através da fotossíntese, 
podendo influenciar quanto à intensidade, a qualidade e a duração. A baixa 
temperatura (frio) implica em menor divisão celular. O calor (até 35ºC) favorece a um 
maior crescimento. A água, por sua vez, responde pelo equilíbrio fisiológico (relações 
hídricas) da célula ou da planta; enquanto o solo é o substrato natural para o 
desenvolvimento das plantas. 
 Os fatores genéticos são codificados, intrínsecos e inerentes à espécie. Quanto aos 
fatores internos, destacam-se os hormônios, que são reguladores vegetais. São compostos 
orgânicos, não nutrientes, que em pequenas quantidades promovem, inibem, retardam ou 
modificam processos fisiológicos. Geralmente o hormônio é produzido em um local e se 
desloca para outros, onde desenvolve sua ação. 
Crescimento – É o aumento irreversível de qualquer atributo físico. É 
quantitativo, podendo ser medido em massa, tamanho ou volume. 
Desenvolvimento – Inclui o crescimento e a diferenciação. Constitui as diferentes 
etapas por que passa o vegetal desde a germinação até a senescência (germinação, 
juvenilidade, maturação, reprodução, senilidade e morte). 
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Diferenciação – Aumento em complexidade; diz respeito a todas diferenças 
qualitativas entre células: especialização do tecido ou órgão (mesófilo, xilema, floema, 
etc.). 
Nas plantas autotróficas o crescimento constitui-se na transformação de 
substâncias simples (H20, C02, Sais minerais e o N do solo) em substâncias complexas 
(carboidratos, proteínas e lipídeos). 
O desenvolvimento é caracterizado pelo crescimento e também por mudanças de 
forma no corpo de uma planta, as quais ocorrem por meio de padrões sucessivos de 
diferenciação e morfogênese. 
 A partir do zigoto, ocorre o desenvolvimento e envolve os processos de 
crescimento, diferenciação e morfogênese, que operando conjuntamente irão produzir o 
indivíduo adulto. 
A multiplicação de células por mitose (divisão celular) e o seu alongamento por 
vacuolização (turgidez), constituem componentes fundamentais do crescimento. 
O crescimento pode se dar por Intussuscepção - Ação de receber; aumento de 
perímetro. Modo de crescimento de organismos por transformação e incorporação de 
elementos acumulados; crescimento por enchimento (de fora para dentro). Ou pode se dar 
por Aposição - Crescimento em espessura; por deposição na parede celular através de 
lâminas (ocorre de dentro para fora). 
 
13.2 Hormônios vegetais e Fitorreguladores 
 
Como se pode observar, a planta para crescer necessita de luz, água, C02 e 
nutrientes minerais além de um sistema de regulação interna, por meio de substâncias 
produzidas naturalmente, que são os hormônios, capazes de em pequenas quantidades, 
promoverem, inibirem, retardarem ou modificarem processos fisiológicos. 
 O termo “hormônio” vem do grego e significa “excitar”. Todavia, sabemos 
atualmente que muitos hormônios possuem influência “inibidora”. Assim sugere-se que 
seja mais apropriado considerar os hormônios como “mensageiros químicos”. No 
entanto, este termo precisa também ser qualificado, pois a resposta a uma mensagem 
depende não apenas do seu conteúdo, mas também de como é lida pelo receptor. 
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 Além dos hormônios, existem dentro e fora das plantas, substâncias químicas que 
têm ação similar e são conhecidas como fitorreguladores, que incluem tanto os hormônios 
naturais