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Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 1 GH EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-ÓRGÃOS - Os dois principais reguladores hipotalâmicos da liberação de GH pela adeno-hipófise são o GHRH e o GHIH (somatostatina), que exercem influências excitatórias e inibitórias, respectivamente; GHRH - O GHRH é um hormônio proteico que age nos receptores de membrana dos somatotropos da adeno-hipófise, estimulando a secreção de GH. Isso ocorre pelo aumento na transcrição do gene e síntese do GH e proliferação dos somatotropos; ❖ Receptores de GHRH - O GHRH se liga aos receptores acoplados à proteína Gs nos somatotropos da adeno-hipófise → ativação da subunidade catalítica da adenilato-ciclase → ↑ AMPc → ativação da subunidade catalítica da proteína-quinase A (PKA) → fosforila da proteína de ligação do elemento (CREB) → ativação da CREB e transcrição aumentada do gene que codifica o fator de transcrição específico da hipófise (Pit-1). O Pit-1 ativa a transcrição do gene do GH, resultando em ↑ do RNAm do GH e da proteína, e em reposição das reservas celulares do GH. O Pit-1 também estimula a transcrição do gene do receptor de GHRH, ↑ o número de receptores de GHRH na célula somatotrópica; ❖ Liberação - A secreção do GHRH é pulsátil, pois apresenta picos de alta secreção intercalados com de baixa secreção. Esse padrão pulsátil segue o ciclo circadiano, com pico de maior secreção durante o sono não-REM (sono de ondas lentas). Esse sono não-REM estimula a liberação do GHRN, e inibe o do GHiH pelos neurônios do hipotálamo; GHIH OU SOMATOSTATINA - A liberação estimulada de GH é inibida pelo GHIH (somatostatina), que é um peptídeo sintetizado na maioria das regiões do cérebro (sobretudo núcleo periventricular, núcleo arqueado e núcleo ventromedial do hipotálamo) e em órgãos periféricos, como o pâncreas endócrino (onde também tem papel na inibição hormonal); ❖ Receptores - Os receptores de somatostatina (SS) são acoplados à proteína Gi → ↓ atividade da adenilato-ciclase → ↓ AMPc, ↓ [Ca+2] e estimulação da proteína tirosina-fosfatase; - Além disso, a ligação da somatostatina aos receptores acoplados aos causa de K+ causa a hiperpolarização da membrana, levando à cessação da atividade espontânea do potencial de ação e redução secundária das [Ca+2] intracelulares; Obs: a expressão dos receptores de somatostatina é modulada por hormônios e pelo estado nutricional do indivíduo; ❖ Outros fatores na regulação da liberação de GH - Além do GHRH e GHIH, o GH é regulado por peptídeos hipotalâmicos e neurotransmissores; - As catecolaminas, a dopamina e os aminoácidos excitatórios ↑ a liberação de GHRH e ↓ a de GHIH → ↑ GH; - O cortisol, o estrogênio, os androgênios e o hormônio tireoidiano o também podem afetar a responsividade dos somatotropos ao GHRH e à somatostatina; - O GH também é liberado durante o jejum (ou seja, hipoglicemia*), pois é hiperglicemiante. No jejum, também ocorre a liberação da grelina (peptídeo liberado predominantemente pelo estômago, mas também expresso no pâncreas, no rim, no fígado e no núcleo arqueado), que atua em receptores dos somatotropos e ↑ a secreção de GH diretamente; *Por isso, a hipoglicemia induzida por insulina é utilizada como teste clínico para causar a secreção de GH em crianças e adultos com deficiência desse hormônio; - Por outro lado, a glicose e os ácidos graxos não esterificados ↓ a liberação de GH, enquanto os aminoácidos (particularmente a arginina) ↑ a liberação de GH por uma redução na liberação de somatostatina; - O estresse e o exercício físico aumentam a secreção do GH; Obs: o estresse psicológico, como o medo e a ansiedade excessiva, podem inibir a secreção de GH por meio ↑ GHIH e ↓ GHRH. Indivíduos que passaram por traumas na infância geralmente tem prejuízos no crescimento; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 2 FEEDBACK - O GH pode inibir a secreção de GHRH pelos neurônios hipotalâmicos por meio de um feedback negativo de alça curta e, provavelmente, exerce um efeito inibitório direto (autócrino) sobre a secreção do somatotropo; - Por meio do feedback negativo de alça longa, o IGF-1 pode inibir a secreção de GH na adeno-hipófise e de GHRH no hipotálamo. Além disso, ainda pode estimular a liberação hipotalâmica de GHIH; GH - O GH ou somatotrofina é um hormônio peptídico de 191 aminoácidos e com estrutura semelhante à prolactina e à somatomamotrofina coriônica (hormônio derivado da placenta); - Ocorre em várias isoformas moleculares, mas o GH de 22kDa é a principal nos seres humanos; - O GH é produzido e secretado pelos somatotropos da adeno-hipófise. A liberação ocorre em surtos pulsáteis, sendo a maior parte da secreção noturna, ocorrendo em associação ao sono de ondas lentas; A base da liberação pulsátil do GH e a função desse padrão não estão totalmente esclarecidas, mas acredita-se que os mecanismos nutricionais, metabólicos e dos esteroides sexuais relacionados com a idade, os glicocorticoides suprarrenais, os hormônios tireoidianos, as funções renal e hepática, contribuam para a liberação pulsátil do GH. ❖ Síntese - Segue a via de produção de proteínas dos hormônios peptídicos, com transcrição do RNAm; Armazenamento: são estocados em vesículas ou grânulos secretórios até que receba um estímulo para a liberação (GHRH); ❖ Transporte - Como é um hormônio proteico, ele é hidrossolúvel, podendo circular de forma livre pelo plasma, mas a maior parte (60%) está ligada à proteína de ligação do GH (GHBP); - Essa proteína deriva da clivagem proteolítica do receptor de membrana do GH por metaloproteases e atua como reservatório do hormônio, pois a ligação com a proteína aumenta a meia-vida ao diminuir sua taxa de degradação, sendo a meia-vida hormonal, em média, de 6 a 20 minutos; ❖ Receptores - Os receptores de GH são conhecidos como GHR, e pertencem à superfamília dos receptores de citocinas da classe 1 (que inclui os receptores de Prl, eritropoetina, leptina, interferon e interleucinas). Estão localizados na superfície celular; - Esses receptores estão presentes em quase todos os tecidos e células, como fígado, osso, rim, tecido adiposo, músculo, olho, cérebro, coração e células do sistema imune; - Esse receptor é associado a enzimas, ativando enzimas intracelulares → ativação de proteínas → causam alterações da função celular → efeitos fisiológicos; - A molécula de GH tem dois sítios de ligação para o receptor de GH, resultando na dimerização do receptor. Essa dimerização é seguida pela ativação de uma quinase associada ao receptor (Janus-quinase 2) que atua por transdutores de sinais e ativadores das proteínas de transcrição (STATs), que sofrem dimerização e translocação para o núcleo, transmitindo sinais a elementos de resposta reguladores específicos do DNA; Degradação: o GH é degradado nos lisossomos, após a ligação a seus receptores e a internalização do complexo hormônio-receptor; ❖ Efeitos - O GH pode exercer efeitos diretos sobre as respostas celulares por sua ligação ao receptor de GH nos tecidos-alvo e, efeitos indiretos, pela estimulação da produção e da liberação do IGF-1; - O GH tem ações contrárias à insulina no tecido adiposo, músculo esquelético e fígado; - O efeito fisiológico mais importante do GH é a estimulação do crescimento longitudinal pós-natal, também tendo papel no: Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 3 o Metabolismo de substratos; o Diferenciação dos adipócitos; o Manutenção e desenvolvimento do sistema imune; o Regulação da função cerebral e cardíaca; Osso → o GH estimula o crescimento longitudinal, ↑ formação de novo osso e cartilagem. Os efeitos começam de modo gradativo durante o 1º e 2º ano de vida, alcançando o máximo na puberdade. Antes da fusão das epífises dos ossos longos, o GH estimula a condrogênese e oalargamento das placas epifisiais cartilaginosas, seguidos de deposição de matriz óssea. Também atua na regulação da fisiologia da formação óssea no adulto, ↑ a renovação óssea e o crescimento em espessura de alguns tipos de ossos; Acredita-se que os efeitos do GH na placa de crescimento epifisial sejam mediados diretamente, pela estimulação da diferenciação dos precursores dos condrócitos, e indiretamente, pelo ↑ da produção local e da responsividade ao IGF-1, que atua de modo autócrino ou parácrino, estimulando a expansão clonal dos condrócitos em processo de diferenciação. Tecido adiposo → enquanto a insulina ↑ lipogênese, o GH ↑ lipólise (TAG = ácido graxo e glicerol), estimulando a liberação e a oxidação de ácidos graxos livres* (sobretudo durante o jejum). Assim, o GH favorece a disponibilidade de AGL para armazenamento no tecido adiposo e oxidação no músculo esquelético (substrato energético); já o glicerol pode ser usado pelo fígado para a gliconeogênese; *Esses efeitos são mediados por uma redução na atividade da lipase lipoproteica, a enzima envolvida na depuração dos quilomícrons ricos em triglicerídeos e das lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL) da corrente sanguínea; Músculo esquelético → o GH tem ações anabólicas sobre o tecido muscular esquelético, pois estimula a captação de aminoácidos e sua incorporação em proteínas, a proliferação celular e a supressão da degradação proteica; Crescimento de órgãos → em quase todos os órgãos, o hormônio do crescimento ↑ a captação de aminoácidos e estimula a síntese de DNA, de RNA e de proteínas. Esses efeitos são responsáveis pelas ações de promoção do crescimento: aumento da massa magra do corpo e aumento do tamanho do órgão; Fígado: enquanto a insulina ↑ glicólise, o GH ↑ gliconeogênese*, ou seja, ↑ síntese hepática de glicose. Também estimula a liberação de IGF-1; *O GH é hiperglicemiante, pois ele tenta ↑ a glicemia (↑ fontes alternativas de energia para poupar a glicose e ↑ a gliconeogênese no fígado); Sistema imune → o GH afeta muitos aspectos da resposta imune, como as respostas das células B e a produção de anticorpos, a atividade das células NK e dos macrófagos, e a função dos linfócitos T; - O GH também tem efeitos sobre o SNC, modulando o humor e o comportamento; IPC: de forma geral, o GH se contrapõe à ação da insulina sobre o metabolismo dos lipídeos e da glicose, ↓ a utilização da glicose pelo músculo esquelético, ↑ a lipólise e estimulando a produção hepática de glicose (gliconeogênese). Assim, no músculo e tecido adiposo, o GH diminui a ação de insulina, que, como ↑ a captação de glicose por esses tecidos, o GH ↓ a captação de glicose por eles → ↑ glicemia. Nesse sentido, pode-se dizer que o GH causa resistência à insulina, devido ↓ a captação de glicose e sua utilização pelos tecido-alvo (esses efeitos são chamados de “diabetogênicos”); IGF-1 - Embora o GH possa agir diretamente em quase todas as células do organismo, ele também pode agir indiretamente, estimulando a síntese e secreção de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina 1); - Os IGFs, ou somatomedinas, são pequenos hormônios peptídicos membros de uma família de peptídeos relacionados com a insulina, como a relaxina, a insulina, o IGF-1 e o IGF-2; - Apesar do GH estimular a síntese de IGF-1 em vários tecidos, o maior produtor é o fígado, de onde é transportado para outros tecidos (atuando como hormônio endócrino). O IGF-1 secretado em tecidos extra-hepáticos (como as células cartilaginosas) atua localmente como hormônio parácrino; - O GH, o paratormônio e os esteroides sexuais regulam a produção de IGF-1 no osso, enquanto os esteroides sexuais constituem os principais reguladores da produção local de IGF-1 no sistema reprodutor; - A síntese e secreção de IGF-1 é estimulada quando o GH se liga aos seus receptores de membrana nas células hepáticas; Diferentemente da insulina, o IGF-1 conserva o peptídeo C e circula em concentrações mais altas do que a insulina, seja na forma livre (com meia-vida de cerca de 15 a 20 minutos) ou ligado a uma de várias proteínas específicas de ligação, que prolongam a meia-vida do peptídeo. À semelhança dos IGFs, essas proteínas de ligação são sintetizadas principalmente pelo fígado e produzidas localmente por vários tecidos, onde atuam de modo autócrino ou parácrino; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 4 ❖ Transporte - 1% circula livremente e 99% ligado à IGFBP (proteína de ligação ao IGF), se tem alta afinidade pelo IGF-1; - Foram identificadas seis IGFBPs, que formam um sistema para a regulação da atividade do IGF-1, visto que as IGFBPs regulam a disponibilidade do IGF-1 para seu receptor nos tecidos-alvo; - As IGFBPs inibem a ação do IGF-1 por sua ligação competitiva, mas, em alguns casos, parecem intensificar a atividade do IGF-1 ou atuar de modo independente; - Nos seres humanos, cerca de 80% do IGF-1 circulante é transportado pela IGFBP-3, um complexo ternário constituído por uma molécula de IGF-1, uma molécula de IGFBP-3 e uma molécula de uma proteína denominada subunidade acidolábil (SAL); - Assim, IGFBP-3 sequestra IGF-1 no sistema vascular, ↑ sua meia-vida e gerando um reservatório de IGF-1, ao mesmo tempo que impede a ligação excessiva do IGF-1 ao receptor de insulina; A interação entre as IGFBPs e os IGFs é controlada por dois mecanismos diferentes: (1) clivagem proteolítica por uma família de serina-proteases específicas, que diminui a afinidade de ligação do IGF; e (2) ligação à matriz extracelular, que potencializa as ações do IGF. A clivagem das IGFBPs por suas proteases específicas também influencia a biodisponibilidade do IGF-1, reduzindo a quantidade da IGFBP biodisponível; - A meia-vida desse hormônio é ~de ~20 horas; ❖ Receptores - Os receptores de IGF (IGFR) são heterotetrâmeros, e pertencem à mesma família dos receptores de insulina. O IGF-1 e o IGF-2 se ligam a dois receptores de membrana, que consistem em quinases receptoras ativadas por ligantes, que sofrem autofosforilação com a ligação do hormônio; - Os IGFRs são formados por 2 subunidades α extracelulares (têm sítios de ligação para o IGF-1 e estão ligadas por pontes dissulfeto) que atravessam a membrana e subunidades β transmembrana (têm um domínio extracelular curto, um domínio transmembrana e um domínio intracelular); - A parte intracelular da subunidade β contém um domínio de tirosina-quinase, que é o mecanismo de transdução de sinais → A ligação do ligante ao receptor causa a autofosforilação do receptor, ↑ a atividade da quinase e fosforilando diversas proteínas de substrato, como o substrato do receptor de insulina 1 (IRS1); - Isso produz uma cascata contínua de ativação enzimática por meio da fosfatidilinositol-3-quinase, da Grb2 (proteína de ligação do receptor do fator de crescimento 2), da Syp, da Nck e da Shc em associação à Grb2. Essa cascata de sinalização leva à ativação de proteína-quinases, incluindo a Raf, a proteína-quinase ativada por mitógeno, a quinase 5 G e outras envolvidas na mediação do crescimento e das respostas metabólicas. Um terceiro receptor, o receptor de manose-6-fosfato do IGF-2, liga-se ao IGF-2, mas não apresenta qualquer ação de sinalização intracelular conhecida; - Os receptores de IGF-1 são os IGFR, que são receptores com atividade enzimática. Ou seja, eles mesmo podem clivar e ativar proteínas intracelulares → alteração da função celular → efeitos fisiológicos; IPC: os receptores de insulina e de IGF-1, apesar de semelhantes em estrutura e função, desempenham funções fisiológicas diferentes. Em indivíduos sadios, o receptor de insulina está envolvido principalmente em funções metabólicas, enquanto o receptor de IGF-1 medeia o crescimento e a diferenciação. A separação dessas funções é controladapor diversos fatores, incluindo a distribuição tecidual dos respectivos receptores, a ligação de cada ligante com alta afinidade a seu respectivo receptor e a ligação do IGF às IGFBPs; Apesar de o IGF-1 se ligar principalmente ao receptor de IGF- 1, alguns efeitos podem ser mediados pelos receptores de IGF-2 e de insulina. A semelhança estrutural de IGF-1 com a insulina explica a capacidade de se ligar (com baixa afinidade) ao receptor de insulina; ❖ Efeitos - Os principais efeitos do IGF-1 consistem em regulação do crescimento somático, proliferação celular, transformação e apoptose; - O IGF-1 medeia os efeitos anabólicos e de promoção do crescimento linear do GH, e estimula a formação óssea, a síntese de proteínas, a captação de glicose no músculo, a sobrevida dos neurônios e a síntese de mielina. Células cartilaginosas → o IGF-1 tem efeitos sinérgicos com o GH; Osso → IGF-1 ↑ a replicação das células da linhagem osteoblástica, intensifica a síntese osteoblástica de colágeno e a taxa de aposição da matriz, além de ↓ a degradação de colágeno na calvária. Também pode estimular a reabsorção óssea por meio do recrutamento de osteoclastos, atuando tanto na formação quanto na reabsorção ósseas; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 5 - O IGF-1 reverte o balanço nitrogenado negativo durante a privação de alimento e inibe a degradação proteica no músculo; - Os IGFs também atuam como mitógenos, ou seja, estimulam a síntese de DNA, RNA e proteínas; Depois do nascimento, o IGF-1 parece ter um papel importante na regulação do crescimento, enquanto o papel pós-natal do IGF-2 não é conhecido. As concentrações de IGF- 1 são baixas ao nascimento, aumentam durante a infância e na puberdade, e começam a declinar na terceira década, acompanhando paralelamente a secreção de GH. No adulto, o IGF-2 ocorre em quantidades 3x maiores que o IGF-1, depende minimamente do GH e diminui pouco com a idade; - Tem efeito sobre quase todos os tecidos estimulando o crescimento, sendo muito importante no crescimento dos ossos longos durante a infância e a puberdade → quando o GH chega às epífises ósseas, ele estimula a produção local de IGF-1, que age em seus receptores de membrana presentes em células específicas e estimula a formação de cartilagem e sua posterior conversão em osso → crescimento linear dos ossos longos; METABOLISMO ÓSSEO - O osso é composto de matriz extracelular, cuja fase orgânica é composta de colágeno tipo I, proteoglicanos e proteínas não colagenosa. Já a fase inorgânica é composta de hidroxiapatita de cálcio, que atua como reservatório dos íons de cálcio e fosfato; - 80% do esqueleto é composto de osso cortical, que está na diáfise dos ossos longos e superfície dos ossos planos, e contém os sistemas de Havers; e 20% de osso trabecular, que estão na extremidade dos ossos longos e planos, e contém a medula óssea hematopoiética ou gordurosa; - Três tipos de células estão envolvidas no metabolismo ósseo: Osteoblastos → expressam receptores de PTH e são responsáveis pela formação e mineralização ósseas. São originados das células mesenquimatosas pluripotentes; Osteoclastos → são células gigantes multinucleadas formadas pela união de macrófagos; são caracterizadas por possuírem borda franzida, com invaginações e um citoesqueleto. Ricos em enzimas lisossômicas. Fazem a reabsorção óssea; Osteócitos → são as células mais numerosas encontradas no osso, sendo pequenas e achatas no interior da matriz óssea. São conectadas umas às outras e aos osteoblastos por uma rede canalicular que contém LEC ósseo. Sofrem apoptose ou fagocitose durante a reabsorção óssea; REMODELAÇÃO ÓSSEA - A remodelagem óssea consiste na remoção contínua de osso (reabsorção) seguida de síntese de uma nova matriz e sua mineralização subsequente (formação); - Os osteoclastos são estimulados hormonal e localmente por fatores de crescimento e citocinas, e sua atividade induzida pelo PTH é mediada indiretamente pela ativação de osteoblastos; Ativação de osteoclastos → a ligação do PTH aos osteoblastos estimula a produção de RANKL por essas células → o RANKL se liga ao seu receptor RANK, expresso nas células precursoras de osteoclastos → essa ligação estimula a diferenciação dessas células em osteoclastos funcionais; - Degradação óssea → consiste na fixação dos osteoclastos à superfície do osso por proteínas denominadas β- integrinas, que geram um microambiente isolado entre os osteoclastos e a superfície óssea, mimetizando um lisossomo. As vesículas intracelulares ácidas se fundem com a borda da membrana celular voltada para o osso, acidificando (pH 4) esse microambiente por meio de +H- ATPases que jogam íons de hidrogênio. Esse meio ácido favorece a dissolução de hidroxiapatita e gera condições ideais à ação das proteases lisossomais (como a colagenase e catepsinas); - Os produtos da degradação óssea (Ca+2 e fosfatos) são transportados por endocitose pelo osteoclasto (transcitose – trânsito através da célula) e liberados na superfície antirreabsortiva celular, até chegarem na circulação sistêmica; REGULAÇÃO HORMANAL DO METABOLISMO ÓSSEO - A remodelação óssea depende da interação entre células, hormônios, fatores de crescimento e citocinas, cujo resultado é a manutenção dinâmica da arquitetura do osso e a preservação sistêmica da homeostasia do cálcio; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 6 - Na reabsorção, os osteoclastos são recrutados para remover a matriz orgânica e a matriz mineral do osso, produzindo uma depressão. Já na formação, os osteoblastos depositam osteoide na depressão, que é mineralizado por essas células; - Hormônios podem influenciar a remodelação óssea em qualquer estágio por meio de efeitos diretos sobre osteoblastos ou osteoclastos, alterando a reabsorção ou formação óssea; Além disso, o envelhecimento também pode afetar esse processo: o processo de formação e reabsorção é afetado por reduções na diferenciação, atividade e tempo de sobrevida de osteoblastos, que são ainda mais potencializadas nos anos da perimenopausa pela privação hormonal e por aumento de atividade osteoclástica; PTH - O PTH é liberado quando há ↓ dos níveis de Ca+2 no plasma, sendo secretado pelas glândulas paratireoides; - Nos ossos → o PTH se liga a receptores nos osteoblastos, levando ao recrutamento de pré-osteoclastos e sua maturação em osteoclastos ativos, pois estimula a produção de RANKL e ↓ de OPG pelos osteoblastos → com ↑ de osteoclastos ativos, ↑ reabsorção óssea e ↑ liberação de Ca+2 e Pi na circulação; - Nos rins → o PTH promove a reabsorção de Ca+2 no TCD e a excreção de Pi na urina. Além disso, promove a hidroxilação da 25-hidroxivitamina D3 (calcidiol), pois estimula a enzima 1a-hidroxilase, levando a formação da sua forma ativa (calcitriol), que, por sua vez, ↑ a reabsorção intestinal de Ca+2 e ↑ a ação dos osteoclastos; VITAMINA D - A vitamina D (calcitriol) ↑ a reabsorção intestinal do Ca+2 e fosfato dietético, e a reabsorção renal do Ca+2 filtrado no TCP; - Nos ossos → a vitamina D ↑ o número de osteoclastos e estimula a reabsorção óssea e, logo, ↑ a liberação de Ca+2 e fosfato na circulação; - Na paratireoide → exerce um efeito de feedback negativo sobre a glândula, inibindo a liberação de PTH, pois se há muito calcitriol, não precisa mais de tanto PTH; CALCITONINA - A calcitonina é um hormônio peptídico de 32 aminoácidos que contrabalança os efeitos do PTH e inibe a atividade dos osteoclastos, ↓ a reabsorção óssea e ↑ a excreção renal de Ca+2 → com isso, ocorre uma ↓ dos níveis de Ca+2 livre; - Não tem um efeito tão significativo quanto o PTH; - A liberação de calcitonina é regulada pelos níveis plasmáticos de cálcio por um receptor de Ca2+ presente nas células parafoliculares. IPC: de modo global, o PTH, o calcitriole a calcitonina atuam em conjunto para manter os níveis plasmáticos de Ca2+ dentro de uma faixa normal. A elevação dos níveis de Ca2+ ionizado livre ↓ a liberação de PTH pela glândula paratireoide, ↓ a ativação da vitamina D no rim e estimula a liberação do hormônio calcitonina pelas células parafoliculares da glândula tireoide; CÁLCIO - A ↓ da ingestão de Ca+2 abaixo das perdas gera a mobilização de cálcio do esqueleto para manter a [Ca+2] ionizado no LEC, resultando em destruição óssea; - Na deficiência de cálcio simples, ocorre aumentos compensatórios de PTH e aumento da excreção de fosfato, levando a um quadro de hipofosfatemia, como incapacidade de mineralização de novo osso à medida que está sendo formado; FOSFATO - Nos adultos, 85% do fósforo está no estado de fosfato orgânico e estocado como hidroxiapatita nos ossos e dentes, junto com o cálcio; - O fósforo é absorvido em todo o intestino delgado, por meio de um sistema de cotransporte com íons de sódio. Assim como o cálcio, o fósforo possui um mecanismo de regulação da sua concentração sanguínea, visto que em casos de hipofosfatemia, ocorre liberação do fosfato do osso para normalizar suas concentrações; - Quando há ingestão aumentada de fósforo dietético, promove ↑ na [Pi], que estimula a secreção do PTH e do fator de crescimento de fibroblastos (FGF-23), que causam a hipofosfatúria; - Além disso, um consumo em excesso de fósforo na forma de fosfatos pode influenciar a razão Ca/P, principalmente se a ingestão de cálcio for baixa, fazendo reduzir as concentrações de cálcio ionizável, consequentemente estimulando o PTH e, se isso se tornar um processo crônico, pode levar à perda óssea; - Um consumo em excesso de fósforo na forma de fosfatos pode influenciar a razão Ca/P, principalmente se a ingestão de cálcio for baixa, fazendo reduzir as concentrações de cálcio ionizável, consequentemente estimulando o PTH e, se isso se tornar um processo crônico, pode levar à perda óssea; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 7 MAGNÉSIO - A quantidade de magnésio no organismo é de cerca de 25g, dos quais 60 a 65% se encontra nos ossos e 26% nos músculos. O equilíbrio fisiológico do Mg é mantido pelo intestino, ossos e rins; - Em relação à saúde óssea, o magnésio é necessário para a formação e a manutenção do osso → faz parte da estrutura mineral óssea junto com o cálcio e o fosfato, atuando nos processos de troca desses minerais entre o osso e os tecidos; - Ele está metabolicamente relacionado ao cálcio, pois pode atuar tanto em sinergismo quanto em antagonismo com ele; - Uma deficiência de magnésio pode apresentar impactos diretos e indiretos sobre o osso devido afetar a homeostase de PTH e vitamina D, levando à hipocalcemia; - A deficiência de Mg pode ↓ a síntese de PTH e vitamina D, podendo levar à osteoporose; - A redução do pH na hipomagnesemia também pode alterar a bomba H-K-ATPase, provocando uma maior instabilidade óssea e osteoporose; MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DEFICIÊNCIA DE GH A deficiência de GH em crianças resulta na falha no crescimento, baixa estatura, obesidade branda e puberdade tardia. No adulto, os sintomas são mais discretos, incluindo o aumento da gordura corporal, diminuição da massa muscular e da densidade óssea. As causas podem derivar de defeitos em cada etapa do eixo, como: o ↓ da secreção de GHRH (disfunção hipotalâmica); o ↓ da secreção de GH; o Falha na síntese hepática de IGFs; o Resistência dos receptores de IGFs nos tecidos-alvo; - Em crianças, essa condição é chamada de nanismo; Obs: a acondroplasia é um nanismo desproporcional causado pela mutação de genes, em sua maior parte de ossos longos, resultando em membros curtos e cabeças maiores; Obs2: a síndrome de Laron ocorre por mutações do gene do receptor de GH, logo, a reposição de GH não faz efeito. Assim, é preciso a suplementação de IGF-1, obtendo ações indiretas do GH; EXCESSO DE GH Gigantismo → ocorre com o excesso de GH antes da puberdade, causando um aumento do crescimento linear devido à estimulação hormonal intensa das placas epifisárias; Acromegalia → devido ao excesso de GH após a puberdade, causando aumento do crescimento ósseo do periósteo, do tamanho dos órgãos, das mãos, dos pés e da língua, resistência à insulina e intolerância à glicose. Frequentemente é decorrente de adenoma hipofisário secretor de GH. O tratamento é feito com análogos da somatostatina (ex: ocreotida), que inibe a secreção de GH pela adeno-hipófise; Obs: a acromegalia pode resultar em IC (devido ao espessamento da parede ventricular causada pelo GH) e DM2 (devido à resistência à insulina advinda do GH);