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Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 
1 
 
GH 
EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-ÓRGÃOS 
- Os dois principais reguladores hipotalâmicos da liberação 
de GH pela adeno-hipófise são o GHRH e o GHIH 
(somatostatina), que exercem influências excitatórias e 
inibitórias, respectivamente; 
GHRH 
- O GHRH é um hormônio proteico que age nos receptores 
de membrana dos somatotropos da adeno-hipófise, 
estimulando a secreção de GH. Isso ocorre pelo aumento na 
transcrição do gene e síntese do GH e proliferação dos 
somatotropos; 
❖ Receptores de GHRH 
- O GHRH se liga aos receptores acoplados à proteína Gs nos 
somatotropos da adeno-hipófise → ativação da subunidade 
catalítica da adenilato-ciclase → ↑ AMPc → ativação da 
subunidade catalítica da proteína-quinase A (PKA) → 
fosforila da proteína de ligação do elemento (CREB) → 
ativação da CREB e transcrição aumentada do gene que 
codifica o fator de transcrição específico da hipófise (Pit-1). 
O Pit-1 ativa a transcrição do gene do GH, resultando em ↑ 
do RNAm do GH e da proteína, e em reposição das reservas 
celulares do GH. O Pit-1 também estimula a transcrição do 
gene do receptor de GHRH, ↑ o número de receptores de 
GHRH na célula somatotrópica; 
❖ Liberação 
- A secreção do GHRH é pulsátil, pois apresenta picos de alta 
secreção intercalados com de baixa secreção. Esse padrão 
pulsátil segue o ciclo circadiano, com pico de maior secreção 
durante o sono não-REM (sono de ondas lentas). Esse sono 
não-REM estimula a liberação do GHRN, e inibe o do GHiH 
pelos neurônios do hipotálamo; 
GHIH OU SOMATOSTATINA 
- A liberação estimulada de GH é inibida pelo GHIH 
(somatostatina), que é um peptídeo sintetizado na maioria 
das regiões do cérebro (sobretudo núcleo periventricular, 
núcleo arqueado e núcleo ventromedial do hipotálamo) e 
em órgãos periféricos, como o pâncreas endócrino (onde 
também tem papel na inibição hormonal); 
❖ Receptores 
- Os receptores de somatostatina (SS) são acoplados à 
proteína Gi → ↓ atividade da adenilato-ciclase → ↓ AMPc, 
↓ [Ca+2] e estimulação da proteína tirosina-fosfatase; 
- Além disso, a ligação da somatostatina aos receptores 
acoplados aos causa de K+ causa a hiperpolarização da 
membrana, levando à cessação da atividade espontânea do 
potencial de ação e redução secundária das [Ca+2] 
intracelulares; 
Obs: a expressão dos receptores de somatostatina é 
modulada por hormônios e pelo estado nutricional do 
indivíduo; 
❖ Outros fatores na regulação da liberação de GH 
- Além do GHRH e GHIH, o GH é regulado por peptídeos 
hipotalâmicos e neurotransmissores; 
- As catecolaminas, a dopamina e os aminoácidos 
excitatórios ↑ a liberação de GHRH e ↓ a de GHIH → ↑ GH; 
- O cortisol, o estrogênio, os androgênios e o hormônio 
tireoidiano o também podem afetar a responsividade dos 
somatotropos ao GHRH e à somatostatina; 
- O GH também é liberado durante o jejum (ou seja, 
hipoglicemia*), pois é hiperglicemiante. No jejum, também 
ocorre a liberação da grelina (peptídeo liberado 
predominantemente pelo estômago, mas também expresso 
no pâncreas, no rim, no fígado e no núcleo arqueado), que 
atua em receptores dos somatotropos e ↑ a secreção de GH 
diretamente; 
*Por isso, a hipoglicemia induzida por insulina é utilizada 
como teste clínico para causar a secreção de GH em crianças 
e adultos com deficiência desse hormônio; 
- Por outro lado, a glicose e os ácidos graxos não 
esterificados ↓ a liberação de GH, enquanto os aminoácidos 
(particularmente a arginina) ↑ a liberação de GH por uma 
redução na liberação de somatostatina; 
- O estresse e o exercício físico aumentam a secreção do GH; 
Obs: o estresse psicológico, como o medo e a ansiedade 
excessiva, podem inibir a secreção de GH por meio ↑ GHIH e 
↓ GHRH. Indivíduos que passaram por traumas na infância 
geralmente tem prejuízos no crescimento; 
 
 
Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 
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FEEDBACK 
- O GH pode inibir a secreção de GHRH pelos neurônios 
hipotalâmicos por meio de um feedback negativo de alça 
curta e, provavelmente, exerce um efeito inibitório direto 
(autócrino) sobre a secreção do somatotropo; 
- Por meio do feedback negativo de alça longa, o IGF-1 pode 
inibir a secreção de GH na adeno-hipófise e de GHRH no 
hipotálamo. Além disso, ainda pode estimular a liberação 
hipotalâmica de GHIH; 
 
GH 
- O GH ou somatotrofina é um hormônio peptídico de 191 
aminoácidos e com estrutura semelhante à prolactina e à 
somatomamotrofina coriônica (hormônio derivado da 
placenta); 
- Ocorre em várias isoformas moleculares, mas o GH de 
22kDa é a principal nos seres humanos; 
- O GH é produzido e secretado pelos somatotropos da 
adeno-hipófise. A liberação ocorre em surtos pulsáteis, 
sendo a maior parte da secreção noturna, ocorrendo em 
associação ao sono de ondas lentas; 
A base da liberação pulsátil do GH e a função desse padrão 
não estão totalmente esclarecidas, mas acredita-se que os 
mecanismos nutricionais, metabólicos e dos esteroides 
sexuais relacionados com a idade, os glicocorticoides 
suprarrenais, os hormônios tireoidianos, as funções renal e 
hepática, contribuam para a liberação pulsátil do GH. 
❖ Síntese 
- Segue a via de produção de proteínas dos hormônios 
peptídicos, com transcrição do RNAm; 
Armazenamento: são estocados em vesículas ou grânulos 
secretórios até que receba um estímulo para a liberação 
(GHRH); 
❖ Transporte 
- Como é um hormônio proteico, ele é hidrossolúvel, 
podendo circular de forma livre pelo plasma, mas a maior 
parte (60%) está ligada à proteína de ligação do GH (GHBP); 
- Essa proteína deriva da clivagem proteolítica do receptor 
de membrana do GH por metaloproteases e atua como 
reservatório do hormônio, pois a ligação com a proteína 
aumenta a meia-vida ao diminuir sua taxa de degradação, 
sendo a meia-vida hormonal, em média, de 6 a 20 minutos; 
❖ Receptores 
- Os receptores de GH são conhecidos como GHR, e 
pertencem à superfamília dos receptores de citocinas da 
classe 1 (que inclui os receptores de Prl, eritropoetina, 
leptina, interferon e interleucinas). Estão localizados na 
superfície celular; 
- Esses receptores estão presentes em quase todos os 
tecidos e células, como fígado, osso, rim, tecido adiposo, 
músculo, olho, cérebro, coração e células do sistema imune; 
- Esse receptor é associado a enzimas, ativando enzimas 
intracelulares → ativação de proteínas → causam alterações 
da função celular → efeitos fisiológicos; 
- A molécula de GH tem dois sítios de ligação para o receptor 
de GH, resultando na dimerização do receptor. Essa 
dimerização é seguida pela ativação de uma quinase 
associada ao receptor (Janus-quinase 2) que atua por 
transdutores de sinais e ativadores das proteínas de 
transcrição (STATs), que sofrem dimerização e translocação 
para o núcleo, transmitindo sinais a elementos de resposta 
reguladores específicos do DNA; 
Degradação: o GH é degradado nos lisossomos, após a 
ligação a seus receptores e a internalização do complexo 
hormônio-receptor; 
❖ Efeitos 
- O GH pode exercer efeitos diretos sobre as respostas 
celulares por sua ligação ao receptor de GH nos tecidos-alvo 
e, efeitos indiretos, pela estimulação da produção e da 
liberação do IGF-1; 
- O GH tem ações contrárias à insulina no tecido adiposo, 
músculo esquelético e fígado; 
- O efeito fisiológico mais importante do GH é a estimulação 
do crescimento longitudinal pós-natal, também tendo papel 
no: 
Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 
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o Metabolismo de substratos; 
o Diferenciação dos adipócitos; 
o Manutenção e desenvolvimento do sistema imune; 
o Regulação da função cerebral e cardíaca; 
Osso → o GH estimula o crescimento longitudinal, ↑ 
formação de novo osso e cartilagem. Os efeitos começam de 
modo gradativo durante o 1º e 2º ano de vida, alcançando o 
máximo na puberdade. Antes da fusão das epífises dos ossos 
longos, o GH estimula a condrogênese e oalargamento das 
placas epifisiais cartilaginosas, seguidos de deposição de 
matriz óssea. Também atua na regulação da fisiologia da 
formação óssea no adulto, ↑ a renovação óssea e o 
crescimento em espessura de alguns tipos de ossos; 
Acredita-se que os efeitos do GH na placa de crescimento 
epifisial sejam mediados diretamente, pela estimulação da 
diferenciação dos precursores dos condrócitos, e 
indiretamente, pelo ↑ da produção local e da 
responsividade ao IGF-1, que atua de modo autócrino ou 
parácrino, estimulando a expansão clonal dos condrócitos 
em processo de diferenciação. 
Tecido adiposo → enquanto a insulina ↑ lipogênese, o GH 
↑ lipólise (TAG = ácido graxo e glicerol), estimulando a 
liberação e a oxidação de ácidos graxos livres* (sobretudo 
durante o jejum). Assim, o GH favorece a disponibilidade de 
AGL para armazenamento no tecido adiposo e oxidação no 
músculo esquelético (substrato energético); já o glicerol 
pode ser usado pelo fígado para a gliconeogênese; 
*Esses efeitos são mediados por uma redução na atividade 
da lipase lipoproteica, a enzima envolvida na depuração dos 
quilomícrons ricos em triglicerídeos e das lipoproteínas de 
densidade muito baixa (VLDL) da corrente sanguínea; 
Músculo esquelético → o GH tem ações anabólicas sobre o 
tecido muscular esquelético, pois estimula a captação de 
aminoácidos e sua incorporação em proteínas, a 
proliferação celular e a supressão da degradação proteica; 
Crescimento de órgãos → em quase todos os órgãos, o 
hormônio do crescimento ↑ a captação de aminoácidos e 
estimula a síntese de DNA, de RNA e de proteínas. Esses 
efeitos são responsáveis pelas ações de promoção do 
crescimento: aumento da massa magra do corpo e aumento 
do tamanho do órgão; 
Fígado: enquanto a insulina ↑ glicólise, o GH ↑ 
gliconeogênese*, ou seja, ↑ síntese hepática de glicose. 
Também estimula a liberação de IGF-1; 
*O GH é hiperglicemiante, pois ele tenta ↑ a glicemia (↑ 
fontes alternativas de energia para poupar a glicose e ↑ a 
gliconeogênese no fígado); 
Sistema imune → o GH afeta muitos aspectos da resposta 
imune, como as respostas das células B e a produção de 
anticorpos, a atividade das células NK e dos macrófagos, e a 
função dos linfócitos T; 
- O GH também tem efeitos sobre o SNC, modulando o 
humor e o comportamento; 
IPC: de forma geral, o GH se contrapõe à ação da insulina 
sobre o metabolismo dos lipídeos e da glicose, ↓ a utilização 
da glicose pelo músculo esquelético, ↑ a lipólise e 
estimulando a produção hepática de glicose 
(gliconeogênese). Assim, no músculo e tecido adiposo, o GH 
diminui a ação de insulina, que, como ↑ a captação de 
glicose por esses tecidos, o GH ↓ a captação de glicose por 
eles → ↑ glicemia. Nesse sentido, pode-se dizer que o GH 
causa resistência à insulina, devido ↓ a captação de glicose 
e sua utilização pelos tecido-alvo (esses efeitos são 
chamados de “diabetogênicos”); 
IGF-1 
- Embora o GH possa agir diretamente em quase todas as 
células do organismo, ele também pode agir indiretamente, 
estimulando a síntese e secreção de IGF-1 (fator de 
crescimento semelhante à insulina 1); 
- Os IGFs, ou somatomedinas, são pequenos hormônios 
peptídicos membros de uma família de peptídeos 
relacionados com a insulina, como a relaxina, a insulina, o 
IGF-1 e o IGF-2; 
- Apesar do GH estimular a síntese de IGF-1 em vários 
tecidos, o maior produtor é o fígado, de onde é transportado 
para outros tecidos (atuando como hormônio endócrino). O 
IGF-1 secretado em tecidos extra-hepáticos (como as células 
cartilaginosas) atua localmente como hormônio parácrino; 
- O GH, o paratormônio e os esteroides sexuais regulam a 
produção de IGF-1 no osso, enquanto os esteroides sexuais 
constituem os principais reguladores da produção local de 
IGF-1 no sistema reprodutor; 
- A síntese e secreção de IGF-1 é estimulada quando o GH se 
liga aos seus receptores de membrana nas células hepáticas; 
Diferentemente da insulina, o IGF-1 conserva o peptídeo C e 
circula em concentrações mais altas do que a insulina, seja 
na forma livre (com meia-vida de cerca de 15 a 20 minutos) 
ou ligado a uma de várias proteínas específicas de ligação, 
que prolongam a meia-vida do peptídeo. À semelhança dos 
IGFs, essas proteínas de ligação são sintetizadas 
principalmente pelo fígado e produzidas localmente por 
vários tecidos, onde atuam de modo autócrino ou parácrino; 
 
Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 
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❖ Transporte 
- 1% circula livremente e 99% ligado à IGFBP (proteína de 
ligação ao IGF), se tem alta afinidade pelo IGF-1; 
- Foram identificadas seis IGFBPs, que formam um sistema 
para a regulação da atividade do IGF-1, visto que as IGFBPs 
regulam a disponibilidade do IGF-1 para seu receptor nos 
tecidos-alvo; 
- As IGFBPs inibem a ação do IGF-1 por sua ligação 
competitiva, mas, em alguns casos, parecem intensificar a 
atividade do IGF-1 ou atuar de modo independente; 
- Nos seres humanos, cerca de 80% do IGF-1 circulante é 
transportado pela IGFBP-3, um complexo ternário 
constituído por uma molécula de IGF-1, uma molécula de 
IGFBP-3 e uma molécula de uma proteína denominada 
subunidade acidolábil (SAL); 
- Assim, IGFBP-3 sequestra IGF-1 no sistema vascular, ↑ sua 
meia-vida e gerando um reservatório de IGF-1, ao mesmo 
tempo que impede a ligação excessiva do IGF-1 ao receptor 
de insulina; 
A interação entre as IGFBPs e os IGFs é controlada por dois 
mecanismos diferentes: (1) clivagem proteolítica por uma 
família de serina-proteases específicas, que diminui a 
afinidade de ligação do IGF; e (2) ligação à matriz 
extracelular, que potencializa as ações do IGF. A clivagem 
das IGFBPs por suas proteases específicas também influencia 
a biodisponibilidade do IGF-1, reduzindo a quantidade da 
IGFBP biodisponível; 
- A meia-vida desse hormônio é ~de ~20 horas; 
❖ Receptores 
- Os receptores de IGF (IGFR) são heterotetrâmeros, e 
pertencem à mesma família dos receptores de insulina. O 
IGF-1 e o IGF-2 se ligam a dois receptores de membrana, que 
consistem em quinases receptoras ativadas por ligantes, 
que sofrem autofosforilação com a ligação do hormônio; 
- Os IGFRs são formados por 2 subunidades α extracelulares 
(têm sítios de ligação para o IGF-1 e estão ligadas por pontes 
dissulfeto) que atravessam a membrana e subunidades β 
transmembrana (têm um domínio extracelular curto, um 
domínio transmembrana e um domínio intracelular); 
- A parte intracelular da subunidade β contém um domínio 
de tirosina-quinase, que é o mecanismo de transdução de 
sinais → A ligação do ligante ao receptor causa a 
autofosforilação do receptor, ↑ a atividade da quinase e 
fosforilando diversas proteínas de substrato, como o 
substrato do receptor de insulina 1 (IRS1); 
- Isso produz uma cascata contínua de ativação enzimática 
por meio da fosfatidilinositol-3-quinase, da Grb2 (proteína 
de ligação do receptor do fator de crescimento 2), da Syp, da 
Nck e da Shc em associação à Grb2. Essa cascata de 
sinalização leva à ativação de proteína-quinases, incluindo a 
Raf, a proteína-quinase ativada por mitógeno, a quinase 5 G 
e outras envolvidas na mediação do crescimento e das 
respostas metabólicas. Um terceiro receptor, o receptor de 
manose-6-fosfato do IGF-2, liga-se ao IGF-2, mas não 
apresenta qualquer ação de sinalização intracelular 
conhecida; 
- Os receptores de IGF-1 são os IGFR, que são receptores com 
atividade enzimática. Ou seja, eles mesmo podem clivar e 
ativar proteínas intracelulares → alteração da função celular 
→ efeitos fisiológicos; 
IPC: os receptores de insulina e de IGF-1, apesar de 
semelhantes em estrutura e função, desempenham funções 
fisiológicas diferentes. Em indivíduos sadios, o receptor de 
insulina está envolvido principalmente em funções 
metabólicas, enquanto o receptor de IGF-1 medeia o 
crescimento e a diferenciação. A separação dessas funções é 
controladapor diversos fatores, incluindo a distribuição 
tecidual dos respectivos receptores, a ligação de cada ligante 
com alta afinidade a seu respectivo receptor e a ligação do 
IGF às IGFBPs; 
Apesar de o IGF-1 se ligar principalmente ao receptor de IGF-
1, alguns efeitos podem ser mediados pelos receptores de 
IGF-2 e de insulina. A semelhança estrutural de IGF-1 com a 
insulina explica a capacidade de se ligar (com baixa 
afinidade) ao receptor de insulina; 
❖ Efeitos 
- Os principais efeitos do IGF-1 consistem em regulação do 
crescimento somático, proliferação celular, transformação 
e apoptose; 
- O IGF-1 medeia os efeitos anabólicos e de promoção do 
crescimento linear do GH, e estimula a formação óssea, a 
síntese de proteínas, a captação de glicose no músculo, a 
sobrevida dos neurônios e a síntese de mielina. 
Células cartilaginosas → o IGF-1 tem efeitos sinérgicos com 
o GH; 
Osso → IGF-1 ↑ a replicação das células da linhagem 
osteoblástica, intensifica a síntese osteoblástica de colágeno 
e a taxa de aposição da matriz, além de ↓ a degradação de 
colágeno na calvária. Também pode estimular a reabsorção 
óssea por meio do recrutamento de osteoclastos, atuando 
tanto na formação quanto na reabsorção ósseas; 
Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 
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- O IGF-1 reverte o balanço nitrogenado negativo durante a 
privação de alimento e inibe a degradação proteica no 
músculo; 
- Os IGFs também atuam como mitógenos, ou seja, 
estimulam a síntese de DNA, RNA e proteínas; 
Depois do nascimento, o IGF-1 parece ter um papel 
importante na regulação do crescimento, enquanto o papel 
pós-natal do IGF-2 não é conhecido. As concentrações de IGF-
1 são baixas ao nascimento, aumentam durante a infância e 
na puberdade, e começam a declinar na terceira década, 
acompanhando paralelamente a secreção de GH. No adulto, 
o IGF-2 ocorre em quantidades 3x maiores que o IGF-1, 
depende minimamente do GH e diminui pouco com a idade; 
- Tem efeito sobre quase todos os tecidos estimulando o 
crescimento, sendo muito importante no crescimento dos 
ossos longos durante a infância e a puberdade → quando o 
GH chega às epífises ósseas, ele estimula a produção local 
de IGF-1, que age em seus receptores de membrana 
presentes em células específicas e estimula a formação de 
cartilagem e sua posterior conversão em osso → 
crescimento linear dos ossos longos; 
METABOLISMO ÓSSEO 
- O osso é composto de matriz extracelular, cuja fase 
orgânica é composta de colágeno tipo I, proteoglicanos e 
proteínas não colagenosa. Já a fase inorgânica é composta 
de hidroxiapatita de cálcio, que atua como reservatório dos 
íons de cálcio e fosfato; 
- 80% do esqueleto é composto de osso cortical, que está na 
diáfise dos ossos longos e superfície dos ossos planos, e 
contém os sistemas de Havers; e 20% de osso trabecular, 
que estão na extremidade dos ossos longos e planos, e 
contém a medula óssea hematopoiética ou gordurosa; 
- Três tipos de células estão envolvidas no metabolismo 
ósseo: 
Osteoblastos → expressam receptores de PTH e são 
responsáveis pela formação e mineralização ósseas. São 
originados das células mesenquimatosas pluripotentes; 
Osteoclastos → são células gigantes multinucleadas 
formadas pela união de macrófagos; são caracterizadas por 
possuírem borda franzida, com invaginações e um 
citoesqueleto. Ricos em enzimas lisossômicas. Fazem a 
reabsorção óssea; 
Osteócitos → são as células mais numerosas encontradas no 
osso, sendo pequenas e achatas no interior da matriz óssea. 
São conectadas umas às outras e aos osteoblastos por uma 
rede canalicular que contém LEC ósseo. Sofrem apoptose ou 
fagocitose durante a reabsorção óssea; 
REMODELAÇÃO ÓSSEA 
- A remodelagem óssea consiste na remoção contínua de 
osso (reabsorção) seguida de síntese de uma nova matriz e 
sua mineralização subsequente (formação); 
- Os osteoclastos são estimulados hormonal e localmente 
por fatores de crescimento e citocinas, e sua atividade 
induzida pelo PTH é mediada indiretamente pela ativação de 
osteoblastos; 
Ativação de osteoclastos → a ligação do PTH aos 
osteoblastos estimula a produção de RANKL por essas 
células → o RANKL se liga ao seu receptor RANK, expresso 
nas células precursoras de osteoclastos → essa ligação 
estimula a diferenciação dessas células em osteoclastos 
funcionais; 
- Degradação óssea → consiste na fixação dos osteoclastos 
à superfície do osso por proteínas denominadas β-
integrinas, que geram um microambiente isolado entre os 
osteoclastos e a superfície óssea, mimetizando um 
lisossomo. As vesículas intracelulares ácidas se fundem com 
a borda da membrana celular voltada para o osso, 
acidificando (pH 4) esse microambiente por meio de +H-
ATPases que jogam íons de hidrogênio. Esse meio ácido 
favorece a dissolução de hidroxiapatita e gera condições 
ideais à ação das proteases lisossomais (como a colagenase 
e catepsinas); 
- Os produtos da degradação óssea (Ca+2 e fosfatos) são 
transportados por endocitose pelo osteoclasto (transcitose 
– trânsito através da célula) e liberados na superfície 
antirreabsortiva celular, até chegarem na circulação 
sistêmica; 
 
REGULAÇÃO HORMANAL DO METABOLISMO ÓSSEO 
- A remodelação óssea depende da interação entre células, 
hormônios, fatores de crescimento e citocinas, cujo 
resultado é a manutenção dinâmica da arquitetura do osso 
e a preservação sistêmica da homeostasia do cálcio; 
Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 
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- Na reabsorção, os osteoclastos são recrutados para 
remover a matriz orgânica e a matriz mineral do osso, 
produzindo uma depressão. Já na formação, os osteoblastos 
depositam osteoide na depressão, que é mineralizado por 
essas células; 
- Hormônios podem influenciar a remodelação óssea em 
qualquer estágio por meio de efeitos diretos sobre 
osteoblastos ou osteoclastos, alterando a reabsorção ou 
formação óssea; 
Além disso, o envelhecimento também pode afetar esse 
processo: o processo de formação e reabsorção é afetado por 
reduções na diferenciação, atividade e tempo de sobrevida 
de osteoblastos, que são ainda mais potencializadas nos 
anos da perimenopausa pela privação hormonal e por 
aumento de atividade osteoclástica; 
PTH 
- O PTH é liberado quando há ↓ dos níveis de Ca+2 no 
plasma, sendo secretado pelas glândulas paratireoides; 
- Nos ossos → o PTH se liga a receptores nos osteoblastos, 
levando ao recrutamento de pré-osteoclastos e sua 
maturação em osteoclastos ativos, pois estimula a produção 
de RANKL e ↓ de OPG pelos osteoblastos → com ↑ de 
osteoclastos ativos, ↑ reabsorção óssea e ↑ liberação de 
Ca+2 e Pi na circulação; 
- Nos rins → o PTH promove a reabsorção de Ca+2 no TCD e 
a excreção de Pi na urina. Além disso, promove a 
hidroxilação da 25-hidroxivitamina D3 (calcidiol), pois 
estimula a enzima 1a-hidroxilase, levando a formação da 
sua forma ativa (calcitriol), que, por sua vez, ↑ a reabsorção 
intestinal de Ca+2 e ↑ a ação dos osteoclastos; 
VITAMINA D 
- A vitamina D (calcitriol) ↑ a reabsorção intestinal do Ca+2 
e fosfato dietético, e a reabsorção renal do Ca+2 filtrado no 
TCP; 
- Nos ossos → a vitamina D ↑ o número de osteoclastos e 
estimula a reabsorção óssea e, logo, ↑ a liberação de Ca+2 
e fosfato na circulação; 
- Na paratireoide → exerce um efeito de feedback negativo 
sobre a glândula, inibindo a liberação de PTH, pois se há 
muito calcitriol, não precisa mais de tanto PTH; 
CALCITONINA 
- A calcitonina é um hormônio peptídico de 32 aminoácidos 
que contrabalança os efeitos do PTH e inibe a atividade dos 
osteoclastos, ↓ a reabsorção óssea e ↑ a excreção renal de 
Ca+2 → com isso, ocorre uma ↓ dos níveis de Ca+2 livre; 
- Não tem um efeito tão significativo quanto o PTH; 
- A liberação de calcitonina é regulada pelos níveis 
plasmáticos de cálcio por um receptor de Ca2+ presente nas 
células parafoliculares. 
IPC: de modo global, o PTH, o calcitriole a calcitonina atuam 
em conjunto para manter os níveis plasmáticos de Ca2+ 
dentro de uma faixa normal. A elevação dos níveis de Ca2+ 
ionizado livre ↓ a liberação de PTH pela glândula 
paratireoide, ↓ a ativação da vitamina D no rim e estimula 
a liberação do hormônio calcitonina pelas células 
parafoliculares da glândula tireoide; 
 
CÁLCIO 
- A ↓ da ingestão de Ca+2 abaixo das perdas gera a 
mobilização de cálcio do esqueleto para manter a [Ca+2] 
ionizado no LEC, resultando em destruição óssea; 
- Na deficiência de cálcio simples, ocorre aumentos 
compensatórios de PTH e aumento da excreção de fosfato, 
levando a um quadro de hipofosfatemia, como incapacidade 
de mineralização de novo osso à medida que está sendo 
formado; 
FOSFATO 
- Nos adultos, 85% do fósforo está no estado de fosfato 
orgânico e estocado como hidroxiapatita nos ossos e dentes, 
junto com o cálcio; 
- O fósforo é absorvido em todo o intestino delgado, por 
meio de um sistema de cotransporte com íons de sódio. 
Assim como o cálcio, o fósforo possui um mecanismo de 
regulação da sua concentração sanguínea, visto que em 
casos de hipofosfatemia, ocorre liberação do fosfato do osso 
para normalizar suas concentrações; 
- Quando há ingestão aumentada de fósforo dietético, 
promove ↑ na [Pi], que estimula a secreção do PTH e do 
fator de crescimento de fibroblastos (FGF-23), que causam a 
hipofosfatúria; 
- Além disso, um consumo em excesso de fósforo na forma 
de fosfatos pode influenciar a razão Ca/P, principalmente se 
a ingestão de cálcio for baixa, fazendo reduzir as 
concentrações de cálcio ionizável, consequentemente 
estimulando o PTH e, se isso se tornar um processo crônico, 
pode levar à perda óssea; 
- Um consumo em excesso de fósforo na forma de fosfatos 
pode influenciar a razão Ca/P, principalmente se a ingestão 
de cálcio for baixa, fazendo reduzir as concentrações de 
cálcio ionizável, consequentemente estimulando o PTH e, se 
isso se tornar um processo crônico, pode levar à perda óssea; 
Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 10 
7 
 
MAGNÉSIO 
- A quantidade de magnésio no organismo é de cerca de 25g, 
dos quais 60 a 65% se encontra nos ossos e 26% nos 
músculos. O equilíbrio fisiológico do Mg é mantido pelo 
intestino, ossos e rins; 
- Em relação à saúde óssea, o magnésio é necessário para a 
formação e a manutenção do osso → faz parte da estrutura 
mineral óssea junto com o cálcio e o fosfato, atuando nos 
processos de troca desses minerais entre o osso e os tecidos; 
- Ele está metabolicamente relacionado ao cálcio, pois pode 
atuar tanto em sinergismo quanto em antagonismo com ele; 
- Uma deficiência de magnésio pode apresentar impactos 
diretos e indiretos sobre o osso devido afetar a homeostase 
de PTH e vitamina D, levando à hipocalcemia; 
- A deficiência de Mg pode ↓ a síntese de PTH e vitamina D, 
podendo levar à osteoporose; 
- A redução do pH na hipomagnesemia também pode alterar 
a bomba H-K-ATPase, provocando uma maior instabilidade 
óssea e osteoporose; 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
DEFICIÊNCIA DE GH 
A deficiência de GH em crianças resulta na falha no 
crescimento, baixa estatura, obesidade branda e puberdade 
tardia. No adulto, os sintomas são mais discretos, incluindo 
o aumento da gordura corporal, diminuição da massa 
muscular e da densidade óssea. As causas podem derivar de 
defeitos em cada etapa do eixo, como: 
o ↓ da secreção de GHRH (disfunção hipotalâmica); 
o ↓ da secreção de GH; 
o Falha na síntese hepática de IGFs; 
o Resistência dos receptores de IGFs nos tecidos-alvo; 
- Em crianças, essa condição é chamada de nanismo; 
Obs: a acondroplasia é um nanismo desproporcional 
causado pela mutação de genes, em sua maior parte de 
ossos longos, resultando em membros curtos e cabeças 
maiores; 
Obs2: a síndrome de Laron ocorre por mutações do gene do 
receptor de GH, logo, a reposição de GH não faz efeito. 
Assim, é preciso a suplementação de IGF-1, obtendo ações 
indiretas do GH; 
EXCESSO DE GH 
Gigantismo → ocorre com o excesso de GH antes da 
puberdade, causando um aumento do crescimento linear 
devido à estimulação hormonal intensa das placas 
epifisárias; 
Acromegalia → devido ao excesso de GH após a puberdade, 
causando aumento do crescimento ósseo do periósteo, do 
tamanho dos órgãos, das mãos, dos pés e da língua, 
resistência à insulina e intolerância à glicose. 
Frequentemente é decorrente de adenoma hipofisário 
secretor de GH. O tratamento é feito com análogos da 
somatostatina (ex: ocreotida), que inibe a secreção de GH 
pela adeno-hipófise; 
Obs: a acromegalia pode resultar em IC (devido ao 
espessamento da parede ventricular causada pelo GH) e 
DM2 (devido à resistência à insulina advinda do GH);

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