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Fabiola Assumpção Barrella Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Simone M. P. Vieira - CBR 8a/4771) Barrella, Fabiola Assumpção. Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing / Fabiola Assumpção Barrella. – São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2021. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-65-5536-779-9 (ePub/2021) e-ISBN 978-65-5536-780-5 (PDF/2021) 1. Marketing 2. Gestão de marca 3. Marca de produtos 4. Produtos novos 5. Gestão de produtos 6. Gestão de serviços I. Título. II. Série 21-1341t CDD-658.827 658.5 BISAC BUS043000 Índice para catálogo sistemático 1. Gestão de marca 658.827 2. Administração da produção 658.5 Sumário Capítulo 1 Gestão de produtos I, 7 1 Definição e função de produto, 8 2 Componentes do produto, 14 3 Hierarquia de produtos, 17 Considerações finais, 19 Referências, 19 Capítulo 2 Gestão de produtos II, 21 1 Planejamento de linhas de produtos, 22 2 Diferenciação por meio de ofertas de valor, 30 Considerações finais, 33 Referências, 34 Capítulo 3 Gestão de serviços I, 35 1 Definição, natureza e características dos serviços, 36 2 Categorias de serviços, 38 3 Os 8 P’s de serviços, 42 Considerações finais, 47 Referências, 47 Capítulo 4 Gestão de serviços II, 49 1 Planejamento e criação de serviços, 50 2 Desenvolvimento de novos serviços, 59 3 Diferenciação em serviços, 61 Considerações finais, 63 Referências, 64 Capítulo 5 Gestão estratégica do portfólio, 67 1 Gestão de portfólio, 68 2 Ciclo de vida dos produtos e ações estratégicas de marketing, 76 Considerações finais, 81 Referências, 82 Capítulo 6 Inovação, 85 1 Conceito e tipos de inovação, 86 2 A cocriação de valor, 92 3 Processo de inovação nas empresas, 93 4 Métodos, técnicas e ferramentas para inovação, 97 Considerações finais, 99 Referências, 99 Capítulo 7 Desenvolvimento de novos produtos e serviços, 103 1 Processo de desenvolvimento de novos produtos , 104 2 Processo de adoção do consumidor, 108 3 Processo de desenvolvimento de novos serviços, 109 4 Design thinking no desenvolvimento de novos produtos e serviços , 118 Considerações finais, 120 Referências, 121 6 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . Capítulo 8 Estrutura organizacional de marketing e gerência de produtos e serviços, 123 1 Estrutura organizacional de marketing, 124 2 A gerência de produtos e serviços, 133 3 Redes interorganizacionais (alianças estratégicas), 135 Considerações finais, 138 Referências, 138 Sobre a autora, 141 9Gestão de produtos I M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. NA PRÁTICA O ser humano tem necessidade de líquido, comida e abrigo. Isso signi- fica que um copo de água, um pedaço de pão e uma cobertura para proteger esse ser humano da chuva e do frio são suficientes para a sua sobrevivência. E o que aconteceria se você se perder na selva sozinho? Água da chuva, uma fruta de uma árvore e uma proteção em uma ca- verna farão você sobreviver até alguém te achar. Neste caso, estamos falando de necessidade no sentido básico. O desejo é muito mais que isso. Sabemos que o básico irá funcionar, mas nosso desejo é um suco de manga bem geladinho, uma porção de batata- -frita e uma casa com piscina. Desejo é a necessidade ampliada. Se produto pode ser um elemento que o mercado oferece para satis- fazer uma necessidade ou um desejo, é possível classificá-los. Segundo Kotler e Keller (2018), produtos podem ser: • Bens físicos: celular, televisão, roupa. • Serviços: manicure, pintor, mecânico. • Experiências: viagem de formatura, festa de casamento. • Eventos: show de uma banda, Carnaval. • Pessoas: candidato a cargo eleitoral, famosos, influenciadores. • Lugares: Inhotim, Torre Eiffel. • Propriedades: Disney é dona da Marvel. • Organizações: GRAAC, AACD, Fundação Abrinq. • Informações: sites de curadoria de informação, como Projeto Draft. • Ideias: engajamentos socioambiental. 10 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . Produtos são, portanto, elementos tangíveis e intangíveis oferecidos pelo mercado que satisfazem a necessidade ou o desejo do consumi- dor, ou ainda, “toda e qualquer coisa que um vendedor deseje vender e que o consumidor deseje comprar” (RAZZOLINI, 2012, p. 37). 1.1 Classificação de produtos Os produtos podem ser classificados pela sua durabilidade, tangibi- lidade e pelo seu uso. As características de durabilidade e tangibilidade possuem três subclassificações (KOTLER; KELLER, 2018): • Bens não duráveis: tangíveis, usados geralmente somente uma vez ou poucas vezes; consumidos rapidamente e comprados com frequência. A estratégia de marketing mais usada é a venda em massa, disponibilizando o produto no maior número possível de pontos de venda. Exemplos: sabonetes, refrigerantes, balas, chicletes. • Bens duráveis: tangíveis, e possuem durabilidade maior. Espera-se que esses produtos tenham vida útil longa. São produtos que ge- ralmente exigem assistência técnica ou suporte pós-venda e têm preço mais caro. A estratégia é disponibilizar em pontos de venda específicos. Exemplos: fogões, carros, roupas. • Serviços: intangíveis, inseparáveis, variáveis e perecíveis. Necessitam de mais “controle de qualidade, credibilidade e adap- tabilidade” (KOTLER; KELLER, 2018, p. 402). Exemplos: corte de cabelo, atendimento médico. • Com relação ao uso, há bens de consumo e bens industriais. Os bens de consumo são direcionados ao consumidor final, classi- ficados em relação ao hábito de compra e possuem quatro sub- classificações (KOTLER; KELLER, 2018; RAZZOLINI, 2012): bens de conveniência; bens de compra comparada; bens de especiali- dade; e bens não procurados. 13Gestão de produtos I M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Na figura 1, apresentamos a hierarquia da classificação de bens indus- triais – materiais e peças. Figura 1 – Hierarquia da classificação de bens industriais – materiais e peças Materiais e peças Matérias-primas Produtos agropecuários Produtos naturais Materiais e peças manufaturados Peças componentes Materiais componentes Trigo, algodão, gado, frutas, verduras e legumes Peixe, madeira, minério Motor, pneu, peças Ferro, cimento, fibra têxtil Fonte: adaptado de Kotler e Keller (2018, p. 402). A segunda classificação dos bens industriais são os bens de capital, que são divididos em instalações, como fábricas, escritórios, centro de distribuição, geradores, prensas e elevadores de construção; e equipa- mentos, que são máquinas e ferramentas portáteis, como computado- res e copiadoras (KOTLER; KELLER, 2018). Suprimentos e serviços empresariais são a última classificação e englobam bens e serviços de curta duração necessários para o anda-e crescimento. Essa priorização pode ser uma inovação incre mental, algo que o mercado ainda não viu, novas formas de uso, novos consumidores, ou seja, tudo o que faça que a empresa atinja o objetivo de lucratividade, imagem e vendas. Além disso, a seleção de produtos para o portfólio deve ser feita com cautela, analisando o quanto o produ to agrega à linha de produtos e ao portfólio geral da empresa. Conhecemos a ferramenta Matriz BCG, utilizada para analisar um portfólio de produtos, tendo a ressalva de que, hoje em dia, o valor agre gado aos stakeholders é importante para a definição do portfólio, e, por fim, apresentamos o ciclo de vida dos produtos e as ferramentas de marketing que podem ser usadas em cada momento do ciclo. Referências KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. KOTLER, Philip; KELLER, Lane. Administração de marketing. 15. edição. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. LEONI, Juliene Navas; SILVA, Mila Gibran; JUGEND, Daniel. Gestão de portfólio de produtos: métodos adotados em uma empresa do setor alimentício de mé dio porte. XXXIII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Salvador, 8-11 out. 2013. Disponível em: http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2013_ TN_STO_181_033_22411.pdf. Acesso em: 22 fev. 2021. MENDONÇA, Estela. Mercado brasileiro de beleza masculino cresce 70% em 5 anos. CosCosmetic Innovation. 2 ago. 2018. Disponível em: https:// cosmeticinnovation.com.br/mercado-brasileiro-de-beleza-masculina-cresce- 70-em-5-anos/. Acesso em: 22 fev. 2021. NESTLÉ. Categorias de produtos. Nestlé, 2021a. Disponível em: https://www. nestle.com.br/categorias. Acesso em: 11 mar. 2021.. Acesso em: 11 mar. 2021. NESTLÉ. Creme de leite Nestlé. Nestlé, 2021b. Disponível em: https://www. nestle.com.br/marcas/nestle-creme-de-leite. Acesso em: 11 mar. 2021. 85 Gestão estratégica do portfólio M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. NESTLÉ. Lácteos. Nestlé, 2021c. Disponível em: https://www.nestle.com.br/ categorias/lacteos. Acesso em: 11 mar. 2021. NESTLÉ. Quais produtos e marcas a Nestlé possui? Nestlé, 2021d. Disponível em: https://www.nestle.com.br/converse-com-a-gente/perguntas-frequentes/ pergunta/quais-produtos-e-marcas-a-nestle-possui. Acesso em: 11 mar. 2021. RAZZOLINI FILHO, Edelvino. Gerência de produtos para gestão comercial: um enfoque prático. Curituba: InterSaberes, 2012. TERRA, Ernani. Minidicionário da língua portuguesa. São Paulo: Rideel, 2011. UBER. Fatos e dados sobre a Uber. Uber. 27 ago. 2020. Disponível em: https:// www.uber.com/pt-BR/newsroom/fatos-e-dados-sobre-uber/. Acesso em: 22 abr. 2021. 89 Inovação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. de diretrizes para coleta e uso de dados sobre atividades inovadoras da indústria que já está em sua 3ª edição (OCDE, 2005). Segundo a OCDE (2005), a inovação está em constante evolução e é central para o cres cimento do produto. Segundo o Manual de Oslo, a estrutura de medição da inovação acontece em três sentidos (OCDE, 2005): • mais ênfase no papel da interação entre as empresas; • reconhecimento de inovação em empresas de serviços e de baixa tecnologia, e não somente nas indústrias de transformação; • inclusão de dois tipos de inovação: organizacional e marketing. As empresas inovam devido a alguns fatores, como: oferecer produ to ou processo inovador para garantir vantagem competitiva; aumentar a produtividade, ampliando a vantagem de custos e elevando a margem e lucros; diferenciar o produto diante de uma demanda do consumidor, entre outros (OCDE, 2005). Entendese que inovação se refere a outros aspectos relativos a mu danças (OCDE, 2005), como estar associada à incerteza, envolver inves timento e ser o substrato dos transbordamentos, isto é, que as empre sas se beneficiem de inovações de outras empresas; gerem vantagem competitiva e requerem conhecimento novo, novo uso ou combinação de conhecimentos existentes. Schumpeter (1934 apud OCDE, 2005, p. 36) influenciou as teorias de inovação argumentando que o “desenvolvimento econômico é conduzi do pela inovação por meio de um processo dinâmico em que as novas tecnologias substituem as antigas, um processo por ele denominado ‘destruição criadora’”, classificando inovação em (OCDE, 2005): • Radical: com rupturas intensas. O motor elétrico é uma inovação radical, isto é, é uma nova tecnologia que promoveu uma ruptura com o motor a combustão a gasolina. 90 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Incremental: inovações contínuas. O motor flex é um exemplo de inovação incremental, ou seja, é um aperfeiçoamento do motor a gasolina. No Manual de Oslo, encontramos quatro tipos de inovação: inova ções de produto, inovações de processo, inovações de marketing e ino vações organizacionais (OCDE, 2005). Sobre inovação de produto, a OCDE (2005) afirma que ela: [...] é a introdução de um bem ou serviço novo ou significativa mente melhorado no que concerne a suas características ou usos previstos. Incluem-se melhoramentos significativos em especifi cações técnicas, componentes e materiais, softwares incorpora dos, facilidade de uso ou outras características funcionais. (OCDE, 2005, p. 57) A inovação de produtos pode acontecer por melhoramentos nos pro dutos já existentes, mudando componentes, materiais ou aprimorando características já presentes, como os sistemas de GPS nos veículos. Também pode acontecer quando há uma pequena modificação em suas especificações técnicas, como o lançamento, em julho de 2020, do Omo Lavagem Perfeita Sanitiza e Higieniza, que garantia eficácia com provada contra o vírus de Covid-19 (NEWTRADE, 2020). Essa inovação também pode acontecer por meio de mudanças ou aprimoramento nos componentes, materiais ou nas características já existentes no produto. Ela pode ser vista também no modo como esses produtos são oferecidos em termos de eficiência e velocidade, novas funções ou características em serviços já oferecidos ou introdu ção de serviços totalmente novos (OCDE, 2005). Exemplos disso são as fintechs, bancos totalmente on-line, cujo cliente realiza o download do aplicativo, envia os documentos, abre conta e a utiliza sem contato com nenhuma pessoa ou agência. 93 Inovação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. atividades em um único projeto, descentraliza ou centraliza decisões. Empresas que nunca haviam trabalhado em home office e com a produ ção prejudicada pela falta de insumos durante o ano de 2020 passaram a trabalhar no modelo build-to-order, ou seja, vendas integradas à produ ção, nas quais a produção de determinado produto ou serviço somente ocorre somente após a sua venda. Também há inovação organizacional nas relações externas da em presa, o que significa a criação de novos meios para se relacionar com outras empresas ou instituiçõespúblicas, que podem ser de colabora ção com institutos de pesquisa com o consumidor, gerando integração de fornecedores, por exemplo. O movimento “compre do pequeno”, cria do em várias regiões do país, foi a forma de inovação dos pequenos empreendedores para se relacionarem com seus consumidores loca lizados fisicamente próximos a seus estabelecimentos (SEBRAE, s.d.). PARA SABER MAIS No Manual de Oslo, existem diversas informações complementares sobre a distinção entre os tipos de inovação: de produto e processo; de produto, serviço e marketing; de processo e marketing; de processo e inovações organizacionais; e de marketing e inovações organizacionais. Nesse manual, também é possível encontrar o que não é considerado ino vação, como: interromper a fabricação de um produto obsoleto ou atuali zar equipamentos e softwares já existentes, mesmo que eles aumentem a produtividade e a qualidade. Um item importante que não é inovação é a personalização simples, ou seja, fazer produtos sob encomenda. 2 A cocriação de valor Consumidores estão sempre ávidos pelo novo: um novo modelo de carro, um modelo novo de celular, a roupa da moda, o novo episódio da 94 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . série, a nova saga do herói, as novas cores de esmaltes e de tintura para cabelo e assim por diante (BRITO, 2017). As empresas devem inovar constantemente, pois, segundo Kotler e Keller (2012, p. 613), “em uma economia em rápida mutação, a inovação contínua é questão de necessidade”. Ainda segundo os autores, “inova ção se refere a ‘criar novas opções’ às quais a concorrência não tenha acesso”, não se tratando de “pessoas brilhantes gerando novas ideias espontaneamente, mas sim em identificar pressupostos ocultos e pro cessos ignorados que podem mudar a maneira como uma empresa faz negócios” (KOTLER; KELLER, 2012, p. 614). Cocriação de valor é quando a empresa inova, seja em produtos, ser viços, processos ou marketing, de forma que essa inovação agregue valor para empresa e para o consumidor ao mesmo tempo. É uma es tratégia que traz agentes externos para dentro dos processos empresa riais com o objetivo de fomentar a inovação, a fim de produzir conjunta mente um resultado mutuamente valorizado. NA PRÁTICA Segundo Rosolen (2021), uma empresa que atua com o conceito de inovação e cocriação é a Ganbatte, que conecta micro e pequenas em presas a jovens profissionais de grupos periféricos. A inovação, nesse caso, surgiu para resolver três problemas que as empresas enfrentam: escassez de talentos, rotatividade de colaboradores e falta de diversi dade. O principal produto é o processo de recrutamento e seleção inclu sivo, em que é cobrado de 100% a 120% do saláriobase de cada vaga a ser preenchida, além de consultoria de diversidade e cursos de capa citação para os candidatos, em que é cobrado um valor social. O novo desafio de inovação da empresa é oferecer uma ferramenta automatiza da de seleção (ROSOLEN, 2021). Há nesse caso a criação de valor para empresa, que cobra de seus clientes – outras empresas que precisam contratar –, e para o consumidor – os candidatos vulneráveis inseridos no mercado de trabalho e que contam com capacitação. 97 Inovação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Itaú Unibanco: instituição financeira. • Magazine Luiza: varejista. • Nestlé: empresa alimentícia. • Porto Seguro: empresa seguradora. • Take Blip: empresa de soluções conversacionais e chatbots. • Unilever: empresa de bens de consumo de higiene e limpeza. 3.1 Estudo de caso O Grupo Natura, que reúne as empresas Avon, Natura, The Body Shop e Aesop, é um exemplo de adoção de diversos conceitos de ino vação, como a participação dos colaboradores, o investimento interno e em parcerias, a transformação digital, a gestão de ecossistema de ino vação e a indústria 4.01, tudo para gerar competitividade, análise do im pacto ambiental do produto, produção inclusiva e visão a longo prazo. A maior multinacional brasileira de cosméticos possui diversas ini ciativas de sustentabilidade alinhadas ao seu propósito socioambiental, como a Natura Musical, o Instituto Natura, o Movimento Natura e os Projetos Sociais (NATURA, 2021a). Não poderia ser diferente que a em presa tivesse uma grande preocupação com a inovação, onde para ela: [...] só é inovação se gerar impacto positivo [...] na sociedade, e no planeta por meio de novos produtos, experiências e serviços cria dos para promover o bemestar bem em toda a nossa rede de re lações. Somos um grande laboratório de inovação e convidamos você a se conectar com a gente. (NATURA, 2021b) 1 “Uma indústria 4.0 significa incorporar inteligência artificial, machine learning, data science e realidade aumentada com aplicação em qualquer setor da economia” (GALINA; BERNARDO; GUIMARÃES, 2021), como empresas de agronegócio, hospitalar, educacional, farmacêutica, entre outras. 98 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . A Natura possui alguns programas de inovação aberta e colaborati va, que conecta pessoas a fim de contribuir e transformar o mundo, por meio da inovação em negócios, sustentabilidade, produtos, operações e logística e digital (NATURA, 2021b). São alguns projetos da empresa (NATURA, 2021b): • Natura Campus: projeto de colaboração com instituições de pes quisa, empresas e especialistas. • Natura Startups: parceria com startups para acelerar inovações. • Seja Natura: iniciativa que convida pessoas com o espírito de ino vação para trabalhar na empresa. A Natura, em suas práticas de inovação, mesclou parceria com startups e iniciativas internas, utilizando a inovação aberta para ampliar soluções e conveniências. A ideia de trabalhar com startups na Natura permite “acelerar efetivamente a inovação, assim como a transforma ção organizacional e cultural pela adoção de um modelo digital em to das as áreas” (PACETE, 2020). Em 2020, as parcerias permitiram à em presa multinacional garantir aceleração de projetos e reduzir os efeitos da crise causada pela pandemia mundial. Outra iniciativa da empresa foi, em novembro de 2020, a inauguração do centro de pesquisa em Cajamar (SP), com o objetivo de, segundo Andrea Alvares, vicepresidente de marca e inovação, reduzir o tempo de resposta às necessidades do mercado, trabalhando em perfis de inovações e aumentando o percentual de disrupções e renovações de marcas (FORBES, 2020). Por fim, outro exemplo de como são os processos de inovação na Natura é a ferramenta de comércio eletrônico por meio de voz, em parce ria com o Google Assistente, disponível para smartphones. Desenvolvida pela Innovation Lab (equipe de inovação digital), essa ferramenta possi bilita realizar a busca por produtos, adicioná-los ao carrinho e finalizar a 101 Inovação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da RedeSenac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Considerações finais Nesse capítulo, falamos sobre inovação e sua importância para as empresas se manterem competitivas e para o desenvolvimento de no vos produtos e serviços. Compreendemos que uma inovação só é com pleta quando é efetivamente implementada, seja um novo produto, a inovação de um processo, a inovação de ações de marketing ou mesmo uma inovação organizacional. As inovações podem ser radicais, com rupturas intensas, ou incrementais, com inovações contínuas. Aprendemos que a cocriação de valor é outra prática importante para promover a inovação nas organizações, seja em produtos, serviços, pro cessos ou marketing, de modo que essa inovação agregue valor para a empresa e para o consumidor; e que também existem processos nas organizações que levam à inovação, entre eles a transformação digital, a gestão de ecossistema de inovação e a indústria 4.0. Por fim, conhecemos alguns métodos, técnicas e ferramentas feitos para inovação, como brainstorm, focus group, prototipagem, análise de cenários, benchmarking e circuito de ideias. Referências BRITO, Lelo. Comunicação, criatividade e inovação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2017. BUCHELE, Gustavo Tomaz. Adoção de métodos, técnicas e ferramentas para inovação: um levantamento em organizações catarinenses. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, 2015. Disponível em: http://btd.egc.ufsc.br/wp-content/uploads/2015/08/Gustavo-Tomaz-Buchele. pdf. Acesso em: 4 mar. 2021. 102 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . FORBES. Natura inaugura centro de pesquisa em SP. Forbes, 24 nov. 2020. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-tech/2020/11/natura-inaugura- centro-de-pesquisa-em-sp/. Acesso em: 7 mar. 2021. GALINA, Décio; BERNARDO, José Vicente; GUIMARÃES, Solange. As empresas mais inovadoras do Brasil. Forbes, 9 jan. 2021. Disponível em: https://forbes. com.br/listas/2021/01/as-empresas-mais-inovadoras-do-brasil-2/. Acesso em: 8 mar. 2021. GRANDO, Nei. Métodos, técnicas e ferramentas para inovação: conhecimento, uso e eficácia em empresas brasileiras. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, 2017. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/ 12/12139/tde-01122017-155036/publico/CorrigidaNei.pdf. Acesso em: 4 mar. 2021. KOTLER, Phillp; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson Education, 2012. MARI, Angelica; ARBEX, Gabriela. O futuro do trabalho, IA, Natura, Visa, Distrito & Muito Mais. Forbes, 28 out. 2020. 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Disponível em: https://www.meio 106 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . suscetíveis a avaliações subjetivas e como usar o design thinking, uma ferramenta que: [...] combina diversos métodos para identificação de problemas para geração de soluções viáveis tanto no âmbito interno da em presa quanto no universo de clientes. (STICKDORN, 2014; PAIXÃO, 2014 apud BARRELLA, 2017, p. 272) 1 Processo de desenvolvimento de novos produtos O desenvolvimento de novos produtos e seu sucesso estão inti mamente ligados à capacidade de a organização inovar e aproveitar as oportunidades, pois as novas inserções de produtos e serviços no mercado devem fazer sentido para o consumidor ao apresentar vanta gens de inovação, originalidade e modificações para melhoria (KOTLER; KELLER; 2012; KOTLER; ARMSTRONG, 2003 apud BARRELLA, 2017). No entanto, novos produtos podem fracassar por diversos motivos, como (KOTLER; KELLER; 2013): • uma pesquisa de mercado mal interpretada, causando erros na detecção das necessidades do consumidor ou na definição do públicoalvo; • alto custo de desenvolvimento, que resulta em elevado preço do produto, em desacordo com a demanda; • projetos ruins ou ineficazes por falta de testes e avaliações; • erros em posicionamento, comunicação ou precificação; • distribuição deficitária; • concorrência acirrada. 107 Desenvolvimento de novos produtos e serviços M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Segundo Kotler e Keller (2013), a definição de conceito, benefícios, público-alvo bem identificado e sinergia entre tecnologia, marketing, qualidade e atratividade podem ser fatores de sucesso se bem traba lhados, e o lançamento de produtos singulares e superiores são mais bem sucedidos se comparados ao de produtos que possuem vantagem moderada ou mínima. Algumas etapas a serem seguidas no desenvolvimento de um novo produto ou serviço são (KOTLER; KELLER, 2018): 1. Geração de ideias. Pode ser interna, dos colaboradores, ou exter na, de conversas, palestras, interações com grupos de referência, clientes, análise da concorrência e análise de tendências. 2. Seleção de ideias. O objetivo é descartar ideias ruins, mas é preci so cuidado para não cometer o erro de abandono de ideias quan do sua apresentação for cheias de falhas e problemas, sendo adequado olhar por diversos ângulos. A melhor ferramenta para que isso não ocorra é o preenchimento pelos proponentes de for muláriospadrão, que serão analisados seguindo critérios préde finidos pela empresa. 3. Desenvolvimento e teste de conceito. Uma ideia interessante deve ser refinada até chegar a um produto que possa ser testado no mercado. O conceito do produto é a ideia elaborada que faça sentido para o consumidor e deve ser testado com o públicoal vo para verificar se os conceitos definidos pela empresa se asse melham aos do públicoalvo. Para esses testes, podese utilizar prototipagem rápida, utilizando uma impressora 3D ou realidade virtual, por exemplo. 4. Estratégias de marketing. Devem ser divididas em três partes: 110 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Educ aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Um exemplo real de geração de ideia é o que ocorre na empresa Natura, que possui um projeto de cocriação com o consumidor. Sob o comando de uma gestão de redes e inovação, o consumidor é cha mado a participar da cocriação de um novo produto (MAZZOLA, 2015). Em 2006, a empresa criou a Natura Campus para que projetos acadê micos fossem enviados e avaliados por pesquisadores da própria em presa. Um case que ilustra a cocriação é o creme antirrugas Chronos Passiflora, cujo ativo calmante foi desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (MAZZOLA, 2015). Em 2012, a empresa lançou o CoCriando Natura, um site que propõe que pessoas de fora da empresa participem “ativamente no lançamento e na concepção de produtos e serviços, opinando, comentando e su gerindo soluções e alternativas”, em que qualquer interessado poderia participar (MAZZOLA, 2015). Essa dinâmica funcionou por meio de “jor nadas”, em que a Natura lançava perguntas para entender o comporta mento do consumidor. Os insights passavam então por uma curadoria feita pela equipe de inovação, que os avaliava e definia os próximos pas sos empresariais (MAZZOLA, 2015). 2 Processo de adoção do consumidor É mais fácil a adoção de um produto ou serviço cujas ideias foram sugeridas e discutidas pelos próprios consumidores, ou seja, que foram ouvidas e colocadas em prática. Essa é a análise do processo de ado ção do consumidor que, segundo definição de Kotler e Keller (2013, p. 211), é a “decisão de um indivíduo de se tornar um usuário regular de um produto”, seguido pelo processo de fidelidade do consumidor. Esse processo abrange cinco etapas mentais pelas quais os consu midores passam: “conscientização, interesse, avaliação, experimenta ção e adoção” (KOTLER; KELLER, 2013, p. 211), que são muito seme lhantes ao processo de tomada de decisão de compra do consumidor. 111 Desenvolvimento de novos produtos e serviços M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Na etapa de conscientização, o consumidor toma conhecimento de que existe uma inovação ou um novo produto, mas ainda não possui infor mação sobre ele; na etapa do interesse, o consumidor vai em busca de informações; na etapa de avaliação, o consumidor considera expe rimentar (ou não) o produto; se o consumidor decidir que o produto lhe interessa, ele parte para a etapa da experimentação e, caso suas ex pectativas sejam atendidas, ele passa para etapa de adoção, em que se tornará um consumidor assíduo (KOTLER; KELLER, 2013). Existem cinco características do novo produto, relacionadas ao grau que a inovação oferece, que influenciam a taxa de adoção. São elas (KOTLER; KELLER, 2013): • Vantagem relativa: o quanto a inovação parece superior. • Compatibilidade: o quanto o novo produto corresponde aos valo res e às expectativas dos consumidores. • Complexibilidade: o quanto o produto é fácil de ser usado ou entendido. • Divisibilidade: como o produto pode ser experimentado em base limitada. • Comunicabilidade: o quanto os benefícios podem ser observados ou descritos. 3 Processo de desenvolvimento de novos serviços Serviço é o “ato ou uma realização que uma parte oferece a outra e que é essencialmente intangível e não resulta na propriedade de nada” (KOTLER; KELLER, 2013, p. 222). Ou seja, serviços são intangíveis, estão presentes em todos os lugares e, relembrando, são classificados em cin co categorias: bem tangível puro, bem tangível acompanhado por servi ços, híbrido, serviço principal acompanhado de produto e serviço puro (KOTLER; KELLER, 2013). 114 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . WIRTZ, 2006) e que destaca cinco gaps que podem levar ao fracasso, ilustrados na figura 1. Figura 1 – Modelo de identificação de gaps na qualidade dos serviços Busca pelo serviço: Indicação boca a boca Necessidades e desejos Experiências passadas CONSUMIDOR SERVIÇO ESPERADO SERVIÇO PERCEBIDO ENTREGA DO SERVIÇO Especificaçao da qualidade do serviço e a entrega do serviço Especificaçao da qualidade do serviço e a entrega do serviço GAP 05 GAP 03 GAP 04 Comunicação Externa GAP 02 GAP 01 EMPRESA Fonte: adaptado de Kotler e Keller (2013, p. 231). Os gaps na qualidade do serviço estão entre: • a expectativa do consumidor e a percepção da gerência (gap 01): nem sempre a gerência sabe o que o consumidor realmente quer. Continuando com o exemplo do táxi, o motorista não perceber que o segundo cliente não gosta de música clássica. • a percepção da gerência e a especificação da qualidade do servi ço (gap 02): a gerência percebe o que o consumidor quer, mas não define um padrão de desempenho. No caso do táxi, isso ocorre 115 Desenvolvimento de novos produtos e serviços M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. quando o motorista percebe que o segundo cliente não gosta de música clássica, mas muda para pagode. • a especificação da qualidade do serviço e a entrega do serviço (gap 03): há falta treinamento para seguir padrões, resistência por parte dos funcionários em executar as atividades ou mesmo orientações conflitantes. No exemplo, o motorista pode não ter recebido treina mento sobre perguntar se a música agrada ao passageiro ou pode ser resistente a mudar a música. • a entrega do serviço e a comunicação externa (gap 04): o consu midor recebe uma comunicação da empresa prestadora de ser viços, o que gera expectativas, e o consumidor considera que o serviço entregue está somente dentro do mínimo aceitável. No exemplo, a empresa prestadora de serviços de táxi pode divulgar que a viagem na frota é a mais agradável do mercado, e o consu midor, ao utilizar o serviço, não considerar nada de mais. • o serviço percebido e o serviço esperado (gap 05): o consumi dor não consegue perceber a qualidade do serviço prestado. No exemplo, o motorista pode achar que, ao colocar música clássi ca, irá relaxar o passageiro, mas o passageiro considerar que a música é muito refinada ou dá sono. Uma empresa que provavelmente se baseou no modelo de qualida de de serviços é a Hapvida, a maior operadora de planos de saúde do Norte e Nordeste brasileiros (LIMA, 2021). Hapvida é uma empresa ino vadora que buscou ajuda de startups para resolver cinco desafios: dar escala a programas de saúde preventiva; implementar uma ferramenta para treinamento e sensibilização quanto à Lei de Proteção de Dados (LGPD); criar um canal único de comunicação entre o departamento de recursos humanos e os colaboradores, de preferência com acessibili dade a aparelhos celulares; criar oportunidades de produtos e serviços com base em dados gerados pela própria empresa; e gerar histórico uni ficado dos cliented (LIMA, 2021). Tomando como referência os desafios 118 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M ater ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . auditorias, como quantas ligações o serviço de telemarketing faz por hora, quantas se reverteram em vendas e quanto tempo dura cada li gação, por exemplo (LOVELOCK; WIRTZ, 2006). Outras formas de se avaliar os serviços é verificar os custos e benefícios de iniciativas de melhoria na qualidade e definir um padrão de produtividade (LOVELOCK; WIRTZ, 2006). Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005 apud BARRELLA, 2017, p. 269) apresentam uma equação de cálculo do valor percebido pelo cliente, em que o valor é igual à soma dos resultados produzidos para o cliente e da qualidade do processo dividido pela soma do preço para o cliente e dos custos de aquisição do serviço, ou seja: Resultados produzidos para o cliente + Qualidade do processo Valor = Preço para o cliente+custos de aquisição do serviço Onde: • o resultado para o cliente significa satisfação de necessidade ou desejo no resultado esperado; • a qualidade do processo é o modo como o serviço é prestado; • o preço deve estar alinhado à expectativa do consumidor; • os custos são não somente o valor pago pelo cliente pelo produto ou serviço, mas também o tempo gasto para adquirilo. Como modo de exemplificar a avaliação de serviços, tomemos o caso da empresa Hapvida, que, seguindo uma exigência do Programa de Qualificação de Operadoras (PQO)1, realizou e publicou os resultados da pesquisa de satisfação de seus beneficiários de planos de saúde. 1 Iniciativa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para avaliar anualmente o desempenho das operadoras de planos de saúde, estimulando a melhoria na qualidade no setor (ANS, s.d). 119 Desenvolvimento de novos produtos e serviços M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A última pesquisa realizada usou a metodologia quantitativa, com ques tionário definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para padronização dos resultados entre todas as operadoras. As entrevistas foram realizadas por telefone entre março e abril de 2020, e, em uma amostra de 400 beneficiários, a empresa encontrou o resultado de 95% de nível de confiança (HAPVIDA, 2020). Dos resultados obtidos, destaca-se a pontuação de 86% para o Índice Global de Excelência de Necessidade de Atenção Imediata, o que significa que o plano de saúde atendeu às expectativas dos beneficiá rios quanto aos serviços emergenciais (HAPVIDA, 2020), indicando uma boa avaliação do serviço. Em contrapartida, o percentual de clientes que não receberam comunicação sobre consultas ou exames foi de 81,5%, implicando a necessidade de melhorar a comunicação entre a operado ra e o cliente nessa área (HAPVIDA, 2020). 4 Design thinking no desenvolvimento de novos produtos e serviços O design thinking combina diversos métodos para identificar proble mas e gerar soluções viáveis para a empresa, tanto internamente quan to na sua relação com os clientes (BARRELLA, 2017). Essa ferramenta, segundo Pagani (2017), está relacionada ao conceito de design, que consiste em planejar, decidir e projetar algo sendo criado, e é muito utili zada por organizações que buscam inovação para romper com aborda gens e modelos tradicionais. O processo de design é caracterizado por um ciclo contínuo que compreende as seguintes etapas: definir o pro blema, coletar informações, analisar e sintetizar ideias, desenvolver um modelo para teste da solução, apresentar ideias para coletar feedbacks e melhorar o projeto (PAGANI, 2017). O design thinking é uma abordagem de inovação centrada no ser humano com o objetivo de gerar mais criatividade, cooperação e 122 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . O sucesso do lançamento do novo produto da Sallve demonstrou a importância de se trabalhar com o design thinking a fim de evitar erros de lançamentos, conceitos ou de públicoalvo. Considerações finais Nesse capítulo, aprendemos sobre os processos de desenvolvimen to de novos produtos e serviços. Compreendemos que o processo de adoção por parte de novos consumidores é muito parecido com o pro cesso de compra de consumidores habituais, passando por conscien tização, interesse, avaliação, experimentação e adoção. Aprendemos também que os serviços, por serem intangíveis e muitas vezes depen derem da execução do prestador de serviços, possuem um modelo – que identifica e corrige gaps – que garante a sua eficiência e deve ser avaliado de acordo com as expectativas do consumidor e a capacidade de entrega da empresa. Por fim, este capítulo abordou a metodologia design thinking e a cocriação, adequando melhor os lançamentos de produtos e serviços e oferecendo à empresa importantes oportunida des de inovação. Referências Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Programa de qualificações de operadoras. ANS. Disponível em: https://www.ans.gov.br/planosdesaudee operadoras/informacoeseavaliacoesdeoperadoras/qualificacaoans#:~: text=O%20Programa%20de%20Qualifica%C3%A7%C3%A3o%20de,operadoras %20de%20planos%20de%20sa%C3%BAde. Acesso em: 17 mar. 2021. BARRELLA, Fabiola Assumpção. Gestão e desenvolvimento de produtos e ser viços. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2017. HAPVIDA. Pesquisa de satisfação – Ano base 2019. Hapvida. 29 maio 2020. Disponível em: https://www.hapvida.com.br/site/sites/default/files/file_ma nagement/pdfs/relatorio_pesquisaans2020_hap_saude_1_0.pdf. Acesso em: 17 mar. 2021. 123 Desenvolvimento de novos produtos e serviços M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Marketing essencial: conceitos, estraté gias e casos. 5. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin L. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. LIMA, Cláudia de Castro. “O que eu ainda não sei que não sei? Esse ques tionamento é uma constante na Hapvida”, diz head de inovação e design. Future Health. 27 jan. 2021. Disponível em: https://futurehealth.cc/hapvida inovacaoedesign/. Acesso em: 17 mar. 2021. LOVELOCK, Christopher; WIRTZ, Jochen. Marketing de serviços: pessoas, tecnologia e resultados. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. MAZZOLA, Mirela. O que significa “cocriar” na relação entre empresa e consu midor? A experiência da Natura ajuda a entender. Projeto Draft. 8 jan. 2015. Disponível em: https://www.projetodraft.com/o-que-significa-cocriar-na- relacaoentreempresaeconsumidoraexperienciadanaturaajudaaenten der/. Acesso em: 17 mar. 2021. PACETE, Luiz Gustavo. Inovação aberta: relevância na criação de produtos e serviços. Revista Meio e Mensagem. 1 set. 2020. Disponível em: https://www. meioemensagem.com.br/home/marketing/2020/09/01/inovacaoabertaganharelevancianacriacaodeprodutos.html. Acesso em: 7 mar. 2021. PAGANI, Talita. Design thinking. São Paulo: Editora Senac São Paulo 2017. ROSOLEN, Dani. A transformação digital do bolo caseiro: conheça a primei ra startup da Nestlé. Projeto Draft. 11 jun. 2020. Disponível em: https://www. projetodraft.com/conhecaaprimeirastartupdanestle. Acesso em: 17 mar. 2021. SANTOS, Elaine. Você gasta uma fortuna com cosméticos? Saiba como a Sallve quer simplificar a rotina dos cuidados com a pele. Projeto Draft. 15 fev. 2021. Disponível em: https://www.projetodraft.com/asallvequer simplificar-a-rotina-dos-cuidados-com-a-pele/. Acesso em: 17 fev. 2021. 127 Estrutura organizacional de marketing e gerência de produtos e serviços M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • monitoramento do consumidor, principalmente nas redes sociais, para entender melhor suas necessidades, seus desejos e seu ní vel de satisfação; • exploração, análise e tomada de decisão com base em ferramen tas de coleta de informação sobre o consumidor e o mercado, além das tendências a encontrar oportunidades e minimizar ameaças. Nas novas estruturas organizacionais em rede, o marketing não trabalha mais como um departamento intermediário que coleta in formações dos consumidores e as passa para a área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Hoje em dia, esse marketing atua como co participante junto às demais áreas que interagem com o consumidor, gerando uma única voz e um único rosto para ele (KOTLER; KELLER, 2018). PARA SABER MAIS Kotler e Keller (2018) afirmam que o marketing, atualmente, não detém posse exclusiva da interação com o cliente e sim com todas as áreas da empresa. Os colaboradores devem “se conscientizar que todos devem criar, servir e satisfazer os clientes” (KOTLER; KELLER, 2018, p. 727), ou seja, todos os departamentos da empresa devem estar orientados para o cliente. As empresas podem realizar uma análise organizacional ela- borando um roteiro que permite diagnosticar se seus departamentos são realmente orientados para o cliente. Esse roteiro (ou Memorando de Marketing, como os autores o denomi- nam) se encontra no capítulo 23 de Kotler e Keller (2018) e aponta al- gumas ações que devem ser adotadas pelos departamentos de P&D, compras, produção, marketing, vendas, logística, contabilidade, finan- ças, relações públicas e também por todos os profissionais em contato com o cliente. 128 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a O departamento de marketing pode ser organizado de cinco formas, que podem ser mescladas entre si: organização funcional; organização por áreas geográficas; organização por produto ou marca; organização por gerência de mercado; e organização matricial (KOTLER; KELLER, 2018). A mesclagem das organizações acontece quando uma estrutura é funcional e separada por produto, por exemplo. 1.1 Organização funcional A maioria das organizações utiliza a organização funcional. Sua di visão é feita por funções de gerência que se reportam diretamente ao diretor de marketing, conforme quadro 1. Quadro 1 – Organização funcional com todas as gerências e possíveis agrupamentos Gerência de administração de marketing Gerência de planejamento de marketing Gerência de pesquisa de marketing Gerência de planejamento, inovação e novos produtos Gerência de inovação e novos produtos DIRETORIA DE MARKETING Gerência de propaganda e promoção de vendas Gerência de vendas Gerência de marketing direto Gerência de vendas Gerência de atendimento ao cliente Gerência de marketing digital Gerência de logística Gerência de logística Fonte: adaptado de Kotler e Keller (2018, p. 728). Confome demonstra o quadro 1, a organização funcional é composta por diversas subdivisões. A quantidade de gerências e suas subdivisões 131 Estrutura organizacional de marketing e gerência de produtos e serviços M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. desejos e às expectativas regionais, muitas vezes criando um relaciona mento mais próximo entre empresa e consumidor (PROCTER, 2021a). 1.3 Organização por produto ou marca A organização por produto ou marca, demonstrada na figura 2, não substitui as demais formas, como a funcional ou a regional, mas mes clase a elas. Confome apresentado, as empresas produzem diversos produtos e serviços separados em categorias e linhas. A organização por produto ou marca tem a função de estruturar essas categorias e linhas, fazendo com que cada gerente fique responsável por diferentes produtos ou serviços de uma mesma linha, por exemplo. É uma manei ra eficiente para empresas que possuem produtos muito diferentes ou uma variedade muito grande de produtos, o que dificultaria aplicar a organização por função (KOTLER; KELLER, 2018). Figura 2 – Organização por marcas da Procter & Gamble Diretoria geral de marketing Brasil Gerente de produtos marca Downy Gerente de produtos marca Pampers Linha casa Linha essenciais do dia-a-dia Produto Downy Casa Passa Fácil Produto Downy Casa Higienizador Produto Downy Casa Passa Fácil Amaciante Downy Experiências Sensoriais Fonte: adaptado de Procter (2021c). 132 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a Pode-se observar, na figura 2, que a empresa Procter & Gamble apre senta duas marcas: Downy e Pampers. Na marca Downy, há duas linhas de produtos (Linha casa e Linha essenciais do dia a dia) e somente um gerente de produto. Esse tipo de organização auxilia o gerente a focar em programas de marketing eficientes em relação ao custo e às de mandas de mercado. Já um problema encontrado é a especialização do gerente em produtos específicos, fazendo com que a empresa tenha um gerente para cada produto, processo que muitas vezes pode ser bastante dispendioso quando a empresa possuir muitos e diversifica dos produtos (KOTLER; KELLER, 2018). Na organização por produto ou marca, cada gerente de produto tra balha com gerentes de outros departamentos, conforme demonstrado na figura 3. É importante destacar que os departamentos que dão su porte ao gerente de produto da marca Downy Passa Fácil também dão suporte aos demais gerentes de produtos. Figura 3 – Gerente da marca Downy Passa Fácil e seus colaboradores Gerente de vendas Gerente de logística Gerente de inovação Gerente de produto marca Downy Passa Fácil Gerente de marketing digital Gerente de estratégia de marketing Fonte: adaptado de Kotler e Keller (2018, p. 729). 135 Estrutura organizacional de marketing e gerência de produtos e serviços M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. IMPORTANTE É importante ressaltar que não existe modelo certo ou errado, mas sim o mais adequado de acordo com variáveis empresariais, como porte, quantidade de produtos, estratégia, missão, visão e valores. 2 A gerência de produtos e serviços Gerentes de produto ou de mercado são responsáveis pelo “acom panhamento do produto desde sua concepção até sua disponibilizaçãoaos clientes no mercado” (RAZZOLINI FILHO, 2012, p. 27). Esse mesmo gerente deve estudar o mercado, a criação de novos produtos, a rentabi lidade e a existência no mercado (RAZZOLINI FILHO, 2012). A gerência não trabalha sozinha, ela se relaciona com outras áreas, como recursos humanos (recrutamento e seleção), pesquisa de marke ting (informações sobre estudos de mercado), P&D (aperfeiçoamento e inovações em produtos), produção (implementações das inovações), logística (distribuição), vendas (desempenho do produto no mercado) e promoção de vendas e propaganda (processos de comunicação) (RAZZOLINI FILHO, 2012). Os gerentes possuem algumas tarefas, como: [...] desenvolver estratégia competitiva a longo prazo para o pro duto; preparar um plano anual de marketing e previsões anuais de vendas; trabalhar com a agência de propaganda para desenvolver textos, programas e campanhas; estimular o apoio ao produto entre a forca de vendas e os distribuidores; reunir continuamente informações sobre o desempenho do produto, sobre o comporta mento dos clientes e dos intermediários e sobre novos problemas e oportunidades; e começar o aperfeiçoamento de produtos para atender as novas necessidades do mercado. (KOTLER; KELLER, 2018, p. 729) 136 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a São atividades do gerente de produtos (RAZZOLINI FILHO, 2012): • definir a estratégia de produto; • definir objetivos e estabelecer prognósticos; • definir recursos necessários para atingir os objetivos; • implementar o planejamento; • efetuar o controle entre o planejado e o realizado; • realizar correções de rota necessárias. Algumas competências são necessárias para atuar como gerente de produtos, como formação com foco em marketing ou administração, experiência nas funções da área e em vendas e conhecimento em téc nicas de gerenciamento. O gerente de produtos deve “ser uma pessoa dinâmica, determinada, criativa e imaginativa, capaz de se relacionar fa cilmente com as pessoas, com diplomacia” (RAZZOLINI FILHO, 2012, p. 28); além disso, deve possuir habilidades de liderança, saber como con seguir colaboração, ser reconhecido como líder; deve ainda ter atitudes de síntese, independência de ação e capacidade de elaborar relatórios concisos (RAZZOLINI FILHO, 2012). Alves (2020) cita algumas tendências no papel do gerente de pro dutos: domínio de novas tecnologias, habilidade em transformar dados em conhecimento, pensamento criativo e resiliência. Ao analisarmos essas atividades, habilidades e competências, po demos observar que a maioria está relacionada a estratégia, inovação, comportamento do consumidor, planejamento, conhecimento técnico, habilidades de liderança e atitudes analíticas. 139 Estrutura organizacional de marketing e gerência de produtos e serviços M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. As organizações em rede podem se unir por meio de alianças estra tégicas, que: [...] são parcerias entre empresas, nas quais seus recursos, suas capacidades e suas competências essenciais são combinadas para a obtenção de interesses mútuos ao projetarem, manufatura rem e distribuírem bens e serviços. (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2002 apud SÁ et al., 2017, p. 111) Outros motivos para as empresas se unirem podem ser: troca de experiência e know-how; divisão de custos; desenvolvimento; unificação de pagamentos; parceria nos riscos; e oferta de produtos de qualidade com diversificação, sempre tendo em mente o consumidor, suas neces sidades e seus desejos (SÁ et al., 2017). Uma consequência importante das redes interorganizacionais é a terceirização, ou seja, a execução de atividades empresariais por outras pessoas ou empresas, analisando o custo-benefício financeiro, qualida de ou especialidade da execução interna (SÁ et al., 2017). Os primeiros serviços terceirizados ocorrem, geralmente, nas áreas de conservação, limpeza, assistência médica e alimentação, mas atualmente também ocorrem nas áreas de logística e distribuição, processamento de dados, assessoria jurídica e contabilidade, entre outros (SÁ et al., 2017). As vantagens da terceirização são: mais atenção e concentração da empresa na atividade-fim, redução de custos e do espaço ocupado; esse tipo de rede também pode apresentar algumas desvantagens, como a contratação de empresas inadequadas, por exemplo (SÁ et al., 2017). PARA SABER MAIS Vinhas e Becker (2006) destacam as redes interorganizacionais entre micro e pequenas empresas. O artigo apresenta a necessidade da bus- 140 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a ca de alternativas para garantir a competitividade, conceitua as redes interorganizacionais, apresenta o papel da cooperação na sustentabili- dade de pequenas empresas e, por fim, apresenta o caso da MACSUL, uma rede horizontal de empresas do setor varejista de materiais de construção no Rio Grande do Sul. Para saber mais, acesse o artigo que se encontra disponível na internet. Considerações finais Chegamos ao final dessa obra atingindo os objetivos propostos de conceituar produtos e serviços, com suas características básicas. O processo de gestão de produtos e serviços foi demonstrado nos capí tulos que abordam o processo de planejamento de marketing, desen volvimento e seleção das estratégias de marketing, desenvolvimento e lançamentos de novos produtos e serviços com base em processos inovadores, métricas de avaliação do desempenho e as principais fer ramentas de gestão de portfólio. Por fim foi demonstrada a estrutura organizacional de marketing e de gerência de produtos e serviços, res ponsável pela administração de produtos e serviços em uma empresa. Referências ALVES, André. Tópicos avançados de marketing. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2020. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin L. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. PROCTER & Gamble. Visão geral da governança corporativa. Estrutura corpo rativa. Procter & Gamble, 2021a. Disponível em: https://br.pg.com/estruturae governanca/estruturacorporativa/. Acesso em: 11 mar. 2021.mento da empresa ou gerenciamento do produto acabado. Suprimentos podem ser itens de manutenção e reparo, como vassouras e tinta, ou operacionais, como papel e graxa. Os serviços operacionais são de ma- nutenção e reparo e de consultoria empresarial (KOTLER; KELLER, 2018). 14 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . 2 Componentes do produto Os produtos, independentes de seu tipo, possuem um ou mais com- ponentes. Cada componente exerce uma função importante no produ- to: diferenciação, precificação, distribuição, conservação, entre outras. Componentes como embalagens e rótulos são ativos de marketing e, além de protegerem o produto, fazem parte do composto de promoção do mix de marketing. Também é possível considerar mais quatro ca- racterísticas (CAIM, 2017): composição física, componentes, função e especificações técnicas. Embalagens são recipientes que envolvem o produto e, além de o proteger, são a primeira propaganda do produto para o consumidor. As embalagens possuem algumas normas (cores, imagens, tamanhos) a serem seguidas em diferentes segmentos, como alimentício e farma- cêutico. Embalagens, como as fechadas a vácuo ou com materiais escuros, servem para preservar os produtos durante mais tempo, por exemplo alimentos e perfumes. As embalagens têm grande importância, principalmente nos casos de autosserviço, como nos supermercados, onde o consumidor escolhe o produto sem a ajuda de um vendedor. O aumento do poder aquisiti- vo dos consumidores também influencia na aquisição de embalagens mais sofisticadas, assim como na imagem da marca. Uma inovação na embalagem também faz o produto se tornar atrativo e pode ser consi- derada um diferencial do produto (KOTLER; KELLER, 2018). A figura 2 apresenta uma ilustração de diferentes embalagens em uma gôndola de supermercado ou conveniência. 17Gestão de produtos I M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. NA PRÁTICA Você sabe o que é um metrônomo? De acordo com o Minidicionário Houaiss da língua portuguesa, é um instrumento inventado no século XIX para estabelecer um padrão fixo para os andamentos musicais. Ele emite pulsos sonoros com duração regular, mais lenta ou rápida, de acordo com o ajuste do pêndulo, e é usado em estudos ou interpretações musicais. O exemplo do metrônomo nos mostra a composição física, os componen- tes e a função do produto (METRÔNOMO, 2010). 3 Hierarquia de produtos Ao oferecer um produto para o consumidor, o profissional de marke- ting precisa analisar os cinco níveis de produto e os valores que os clien- tes buscam em cada nível (KOTLER; KELLER, 2018). Quando falamos em valor, diz respeito ao valor – e não ao preço – associado pelo cliente para determinado produto ou serviço. Clientes são e pensam de modo diferente, mesmo sendo consumi- dores do mesmo produto. Imagine duas pessoas fazendo uma análise de valor para o produto sabão em pó de uma marca muito tradicional e conhecida no mercado. Um consumidor, como tem filhos pequenos, valoriza a questão da limpeza, destacada no slogan “branco cada vez mais branco”. Já o outro cliente, que não tem filhos, valoriza a tradição familiar em usar o sabão em pó desta marca. Caso chegue ao mercado um novo produto de outra marca com a mesma proposta de valor “bran- co cada vez mais branco”, provavelmente o primeiro cliente terá uma tendência maior a mudar de marca. Já o segundo cliente terá uma ten- dência menor a mudar, pois valoriza a tradição do uso da marca original. Outro exemplo de valor para o consumidor é o de uma caneta esfe- rográfica comum, em que a valorização é escrever, sendo um produto descartável. Já o consumidor de uma caneta de marca de luxo está valorizando a marca e o status adquirido por possuir tal caneta. 18 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D ist ân ci a da R ed e Se na c EA D, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, so b as p en as d a Le i. © E di to ra S en ac S ão P au lo . Uma vez entendido o que é valor para o consumidor, o quadro 1 apre- senta o nível, a definição e exemplos, de acordo com Kotler e Keller (2018). Quadro 1 – Níveis, definições e exemplos de produto NÍVEL DEFINIÇÃO EXEMPLO 01. Fundamental O que o consumidor procura é o benefício central do produto adquirido. Ao adquirir uma geladeira, o nível fundamental é gelar a comida. 02. Produto básico Transformar o benefício fundamental do produto em um produto básico. No caso da geladeira, é ter uma gaveta para frutas e verduras, prateleiras na geladeira e na porta e um congelador interno. 03. Produto esperado Possui alguns atributos e condições que o consumidor espera adquirir. No caso da geladeira, espera-se que tenha ajuste de temperatura, lâmpadas internas, economia de energia. 04. Produto ampliado O objetivo é exceder as expectativas do consumidor. Posicionamento, construção de marca forte ou novos atributos e benefícios estão nesse nível. A geladeira com freezer externo, frost free, dispenser de água, máquina de fazer gelo, é um produto ampliado. O consumidor não necessita de tudo isso para refrigerar seus alimentos, mas isso supera as expectativas e cria desejos no consumidor. 05. Produto potencial Relacionado a incrementos e modificações que podem ser usados no futuro. No caso do refrigerador, o wi-fi na geladeira e a conectividade com o 5G são produtos potenciais. Fonte: adaptado de Kotler e Keller (2018, p. 400). Quanto mais alto é o nível do produto, há mais valor agregado e maior diferencial, tornando-o mais competitivo (KOTLER; KELLER, 2018). Razzolini (2012) afirma que as pessoas não compram o produto funda- mental, básico ou esperado, e sim o produto ampliado, onde acontece a diferenciação. Isso significa que, mesmo que esteja com dor de cabeça, o consumidor não procura somente um remédio para passar essa dor, ele procura um remédio que tenha ação rápida, que não prejudique o es- tômago e que seja fácil de tomar. O consumidor busca características, vantagens e benefícios. 22 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 Planejamento de linhas de produtos Você já observou que alguns produtos e serviços possuem “filhos”? Esses “filhos” fazem parte das linhas de produto, ou seja, da diversidade de produtos ou serviços ofertados pela mesma empresa aos seus con sumidores. Para ser competitiva, a variedade de itens ofertada deve ser analisada pelo gestor de produtos e serviços com muito cuidado. Ele deve analisar também que outros tipos de produtos têm sinergia com seu negócio e que podem ser incluídos em determinadas linhas de pro duto. Periodicamente, deverá também avaliar os produtos ou serviços que precisam passar por modernização ou até mesmo por exclusão. Coma economia globalizada, as empresas lançam produtos e servi ços competitivos não somente localmente, mas no mundo inteiro, por isso há a necessidade de constante avaliação da linha de produtos e serviços perante os concorrentes. Linha de produtos é: [...] um grupo de produtos intimamente relacionados porque fun cionam de maneira semelhante, são vendidos ao mesmo gru po de clientes, são comercializados pelos mesmos tipos de lo jas ou se incluem em determinadas faixas de preços. (KOTLER; ARMSTRONG, 2007, p. 208) A Unilever, por exemplo, é muito conhecida pela sua linha de cuida dos pessoais, composta por desodorantes (Axe, Dove, Rexona), xampus (Seda, Dove, Clear, TRESemmé), sabonetes (Dove, Lux, Rexona), entre outros. Esses grupos de produtos estão intimamente relacionados, são vendidos ao mesmo grupo de clientes e são comercializados pelos mesmos tipos de lojas (drogarias e supermercados). Os produtos de cuidados pessoais são classificados como básicos, pois são comprados com frequência. Quando a empresa oferece uma expansão de um produto básico – que atenda ao mesmo grupo de con sumidores – para grupos e marcas específicas, ela está criando uma 23Gestão de produtos II M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. linha de produtos. (KOTLER, 2005). Como no exemplo da Unilever, pode mos verificar que, para cada linha de produtos, há um grupo de consumi dores diferente: a linha de produtos TRESemmé atende profissionais de beleza, a linha Dove atende consumidores em busca de uma marca de luxo e a linha Seda atende consumidores que procuram xampu básico. A empresa optou por criar uma linha para cada grupo de consumidor. O gestor de produtos e serviços deve analisar as linhas de produ tos existentes para decidir se constrói, mantém, acolhe ou abandona os produtos que as compõem. Uma forma de fazer tal análise é por meio do cálculo da contribuição do produto para a lucratividade da empre sa e para a marca, a promoção e a distribuição (KOTLER, 2005). Para ilustrar como realizar tal análise, tomemos como referência o exemplo hipotético do quadro 1, que descreve a linha de impressoras: AJAX 2000 (impressora padrão), AJAX 2001 (impressora e scanner), AJAX 2002 (multifuncional), AJAX 2003 (laser preto e branco) e AJAX 2004 (laser colorida). Nesta tabela, o gerente insere as percentagens de contribui ção de cada produto com relação às vendas. Quadro 1 – Análise das contribuições de vendas das impressoras AJAX IMPRESSORA % DE VENDAS MENSAL (CONTRIBUIÇÃO MENSAL) AJAX 2000 5% AJAX 2001 15% AJAX 2002 63% AJAX 2003 10% AJAX 2004 7% TOTAL DE VENDAS 100% 26 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . – seus preços acompanham a faixa de preço dos concorrentes, aumen tando conforme outras funções são agregadas. Além de analisar a linha de produtos atuais, o gestor de produtos também precisa examinar as possibilidades de sua extensão. 1.1 Extensões de linha de produtos Segundo Kotler e Keller (2007), uma das decisões mais importan tes de um gestor de produtos é a extensão de linha de produtos, o que implica em definir quantos itens (variedades) ela deve ter. Uma linha de produtos é considerada pequena se o gestor perceber que, ao incluir no vos itens, seria possível maximizar os lucros: isso demonstra que existe oportunidade de crescimento financeiro ao aumentar sua linha de pro dutos. Já uma linha de produtos é considerada extensa quando o gestor percebe que, ao excluir alguns itens, poderia ocorrer a maximização dos lucros (KOTLER; KELLER, 2007): isso demonstra que alguns itens estão dando prejuízo na linha de produtos, reduzindo as oportunidades de po tencialização de lucros. Existem dois caminhos para uma empresa executar a extensão de linha: ampliação e complementação (KOTLER; KELLER, 2007; KOTLER, 2005). Ampliação de linha de produtos pode ocorrer mercado abaixo (down- -market) ou mercado acima (up-market). Uma ampliação down-market é o lançamento de produtos com preços e qualidade mais baixos que o produto principal (KOTLER; KELLER, 2007). O objetivo dessa estratégia é “preencher uma lacuna de mercado que pode atrair um novo concor rente ou para enfrentar o ataque de um concorrente a seu segmento superior” (KOTLER; KELLER, 2007, p.208), e ela pode ser usada ao se perceber que existe rápido crescimento nos segmentos inferiores. Uma ampliação up-market é o lançamento de produtos com preços e qualidade mais altos que o produto principal, geralmente usada por 27Gestão de produtos II M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. empresas que estão na faixa mais baixa do mercado (KOTLER; KELLER, 2007). O objetivo dessa estratégia é obter crescimento de mercado, au mentar as margens de lucro ou posicionarse como uma linha completa (KOTLER, 2005). Empresas podem decidir fazer uma ampliação down-market, up- -market ou em ambos os sentidos ao mesmo tempo. NA PRÁTICA Um exemplo de ampliação de linha up-market é o produto Dadinho, tra- dicional doce de amendoim, que representava 30% do faturamento da empresa. A expansão iniciou uma ampliação em 2017 para produtos como wafers, bombons e creme para uso em confeitaria ou individual (DADINHO..., 2019). Em contrapartida, um exemplo de ampliação de linha down-market é a rede Giraffas de alimentação rápida que pretende reduzir os preços de suas franquias. De acordo com matéria publicada na Revista Pequenas Empresas, Grandes negócios, o fechamento de shoppings e a adoção da estrutura home office durante a pandemia fizeram com que os atuais franqueados reduzissem o faturamento e espantou novos franqueados. A estratégia foi oferecer franquias mais baratas e focadas em lanches, diferente dos restaurantes tradicionais, onde o produto principal são re- feições (APÓS..., 2021). Um exemplo de up-market e down-market ao mesmo tempo é encontrado nas linhas de celulares Galaxy, da empresa Samsung, como o Galaxy S (top da categoria) e o Galaxy M (mais simples), tomando como base o Galaxy A (padrão). A decisão por extensão de linha não é fácil e possui variáveis, como estratégia empresarial, objetivos da linha de produto, comportamento do consumidor, vendas e lucros, perfil do mercado, entre outros. Outro caminho para extensão de linha é a complementação, que consiste na adição de novas variedades na linha de produtos (KOTLER; KELLER, 2012). Ela não altera preço, praça e nem promoção. Os motivos 30 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . NA PRÁTICA Para ilustrar a exclusão de produtos, tomemos como exemplo o merca- do automotivo no Brasil. Em 2020, o automóvel Nissan March saiu de linha, e a justificativa da montadora foi que os números de vendas não justificavam a permanência do produto no portfólio da empresa; além disso, lançar a nova geração do carro teria custo muitoalto e não con- seguiria brigar com os líderes do segmento. Os automóveis Ford Fusion e Volkswagen Passat também foram excluídos com a justificativa de que suas vendas não vinham apresentando resultados há muito tem- po. Já o Chevrolet Colbalt irá sair do mercado porque acabou sendo canibalizado1 com a chegada do Onix Plus da mesma empresa. E o Fiat Palio Weekend sairá do mercado por falta de atualização, assim como o Mitsubishi Lancer (CARVALHO, 2020). Nos exemplos apresentados, constatamos que as causas das exclu sões são a redução do número de vendas, que não justificam a conti nuidade de sua fabricação, a canibalização ou a falta de modernização. 2 Diferenciação por meio de ofertas de valor Cada consumidor possui uma escala de valores para cada produto, e a empresa deve conhecer e oferecer produtos dentro dessa escala. Ofertas de valor estão relacionadas ao que o consumidor valoriza no produto. Alguns consumidores valorizam preço; outros, disponibilidade, design, qualidade, entre outros aspectos. Alguns desses atributos po dem ser considerados subjetivos, como é o caso da qualidade. 1 Canibalização de produtos é quando a empresa lança um novo produto que acaba comprometendo as vendas dos produtos já existentes. 31Gestão de produtos II M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. PARA PENSAR O que é qualidade de um produto para você? Quais atributos se referem a um produto de qualidade? Segundo Kotler e Keller (2012), os produtos podem se diferenciar pelo valor de suas características, customização, qualidade de desem penho, qualidade de conformidade, durabilidade, confiabilidade, facilida de de reparo e estilo. A diferenciação nas características significa oferecer produtos com variáveis que complementam sua função básica. Essa diferenciação pode ser demonstrada na descrição de cada recurso que é diferente de seus concorrentes e nas vantagens e nos benefícios em adquirir o produto de determinada marca (FERRELL; HARTLINE, 2014). Como exemplo de diferenciação, no site da fabricante de smartphone Huawei, é possível encontrar as características do modelo Nova 5T: cores e textura, tecnologia de desbloqueio com um toque, quatro câmeras traseiras, memória RAM e de armazenamento, além do carregamento SuperCharge (HUAWEI, 2021). Qualidade de desempenho é o nível em que as características bási cas do produto operam. Essa qualidade pode ser baixa, média, alta ou superior (KOTLER; KELLER, 2012). Ainda sobre o smartphone Nova 5T, podemos exemplificar a qualidade de desempenho quando o fabricante explica o funcionamento de cada câmera, a memória RAM de 8 GB que acelera as operações e alimenta aplicativos e a nova geração de GPU Turbo que melhora o desempenho da CPU e do processador GPU para uma experiência de jogo imersiva e revolucionária. Quando todos os produtos adquiridos são idênticos e atendem às especificações prometidas, estamos falando da qualidade de conformi dade (KOTLER; KELLER, 2012). No exemplo do smartphone Nova 5T, o 34 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . tenham poucos consumidores e que não agreguem valor para a empre sa, e, portanto, devem ser excluídos. Os produtos existentes na mesma linha de produto podem se dife renciar, criando valor para o consumidor. As diferenciações podem ser relacionadas a características físicas, possibilidade de customização, qualidade de desempenho, qualidade de conformidade, durabilidade, confiabilidade, facilidade de reparo e estilo. Referências CARVALHO, Felipe. Carros que saíram de linha: veja quais deram adeus e se ainda valem a pena. UOL. 31 dez. 2020. Disponível em: https://www.uol.com.br/ carros/colunas/cacadordecarros/2020/12/31/carrosquesairamdelinhave jaquaisderamadeuseseaindavalemapena.htm. Acesso em: 20 jan. 2021. DADINHO expande linha para venda em redes supermercadistas com plano de crescer 42% em 2019. Consumidor Moderno. 25 fev. 2019. Disponível em: https://www.consumidormoderno.com.br/2019/02/25/dadinhoexpande l inhaparavendaemredessupermercadistacomplanodecrescer 42em2019/. Acesso em: 19 jan. 2021. APÓS queda de 40% na receita em 2020, Giraffas cria franquias mais baratas. Pequenas Empresas, Grandes Negócios. 16 jan. 2021. Disponível em: https:// revistapegn.globo.com/Franquias/noticia/2021/01/pegnaposquedade 40nareceitaem2020giraffascriafranquiasmaisbaratas.html. Acesso em: 19 jan. 2021. FERRELL, O. C.; HARTLINE, Michael D. Estratégia de marketing. São Paulo: Cengage Learning, 2014. HUAWEI. Nova 5T. Huawei. Disponível em: https://consumer.huawei.com/br/ phones/nova5t/. Acesso em: 10 fev. 2021. KOTLER, Phillip. Marketing essencial: conceitos, estratégias e casos. São Paulo: Prentice Hall, 2005. 35Gestão de produtos II M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. KOTLER, Phillip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. KOTLER, Philip; KELLER, Lane. Administração de marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. KOTLER, Philip; KELLER, Lane. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. PÁDUA JÚNIOR, Fábio Pimenta de; MUNIZ, Karlan Muller; PRADO, Paulo Henrique Müller. Extensão vertical de marcas e seus efeitos na marca mãe: proposições de pesquisa. Gestão & Tecnologia, v. 16, n. 3, p. 168193, 2016. Disponível em: htthp://www.spell.org.br/documentos/ver/43535/extensao verticaldemarcaseseusefeitosnamarcamaeproposicoesdepesquisa/i/ ptbr. Acesso em: 7 jul. 2021. 39 Gestão de serviços I M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. NA PRÁTICA Os serviços podem ter várias naturezas: governamental, não governa mental (ONG), empresarial e produção. Os serviços governamentais são direitos dos cidadãos, e esperase que sejam de boa qualidade, como tri bunais, Sistema Único de Saúde (SUS), serviços militares, polícia, corpo de bombeiros, agências regulamentadoras e escolas públicas. As ONGs estão no setor de serviços representadas por museus, instituições de caridade, igrejas, fundações e hospitais, que prestam serviços sociais que devem proporcionar condições mínimas para se viver. A área em presarial compreende a maioria dos serviços prestados aos consumi dores e é representada por bancos, provedores de internet, seguradoras, convênio médico, escritório de advocacia, consultorias empresariais e serviços de beleza. Por sua vez, na área de produção, encontramos os operadores de computador e contadores, por exemplo. Com isso é pos sível perceber que os serviços podem ter naturezas diferenciadas e que essa diferença influencia na forma de prestar o serviço, definir o públi coalvo e trabalhar o mix de marketing. Os serviços possuem quatro características próprias, conforme apresenta o quadro 1. Quadro 1 – Características, definições e exemplos de serviços CARACTERÍSTICA DEFINIÇÃO EXEMPLO Intangibilidade Não podem ser vistos, cheirados, sentidos e ouvidos antes deserem comprados. Não gera algo físico que o consumidor pode ver antes da compra. O serviço de cabeleireiro, que consiste em cortar o cabelo de clientes, não gerando algo físico ao final. Inseparabilidade São produzidos e consumidos simultaneamente. O prestador de serviços executa o serviço enquanto o consumidor consome. Para que haja o corte de cabelo, o cliente necessariamente deve estar no mesmo local do prestador para que o serviço seja executado. (cont.) 40 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . CARACTERÍSTICA DEFINIÇÃO EXEMPLO O corte de cabelo varia de acordo com o profissional, gerando variabilidade no corte. Para diminuir essa variabilidade, empresas procuram padronizar processos e treinar seus profissionais. Um salão de cabeleireiro usualmente tem uma demanda maior no final de semana e muitas vezes não consegue atender a todos os clientes. Diferentemente dos produtos, não é possível estocar serviços para atender aos momentos de maior demanda. Para fazer frente a esse contexto, as empresas de serviços procuram realocar parte dessa demanda para outros dias de menor movimento, usualmente por meio de promoções. Variabilidade Os serviços dependem de quem fornece, quando e onde. Perecibilidade Os serviços não podem ser estocados ou usados depois. Fonte: adaptado de Kotler (2005, p. 257). A Uber é uma boa referência de serviço empresarial de transporte para exemplificarmos as quatro características dos serviços. É intan gível, pois não agrega algo físico ao final da prestação de serviços. É inseparável, pois implica que o motorista esteja junto ao cliente durante o serviço, sendo, portanto, produzido e consumido ao mesmo tempo. É variável, pois depende do motorista, carro, trajeto. E, por último, é pe recível, isto é, nos momentos de maior demanda, pode ocorrer de os prestadores não conseguirem atender a toda a demanda. 2 Categorias de serviços Os serviços podem ser apresentados em cinco categorias (KOTLER, 2005): • Bem tangível puro: é a oferta de um bem tangível sem a oferta de serviços, como um xampu ou um pacote de bolacha. 43 Gestão de serviços I M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. antes da mamografia, que pode fazer o ultrassom abdominal e mamas no mesmo atendimento. Se esses processos não estiverem claros para os trabalhadores no laboratório, correse o risco de o paciente não fazer um ou mais exames ou ter que esperar mais tempo que o previsto no la boratório, ou ainda ir de setor em setor, retornando para o mesmo setor algumas vezes (LOVELOCK; WIRTZ, 2006). Os clientes precisam de serviços para seus bens, como uma televi são, um jardim ou um cachorro. Esse é o processamento de posses, e pode variar o grau de envolvimento do cliente com o serviço. O envolvi mento será menor se o cliente somente levar o bem até o local em que será prestado o serviço; ou pode ser maior, se solicitar que o prestador de serviços venha até sua casa ou empresa, como no caso de serviços de jardinagem (LOVELOCK; WIRTZ, 2006). O processamento de estímulo mental está relacionado a serviços que interagem com a mente das pessoas, como educação, informa ções, consultorias, psicoterapias e entretenimentos. Devem ainda pos suir rígidos padrões éticos e monitoração para que o resultado seja satisfatório e real. O consumidor investe tempo para receber esses serviços, como uma aula com duração de 50 minutos ou uma consul ta com um psicólogo. NA PRÁTICA Atualmente, observase o surgimento de um novo contexto na utiliza ção de serviços que passaram para o mundo virtual, como consultas médicas, aulas, shows, teatros, programas jornalísticos; o investimento de tempo pelo consumidor seria o mesmo, já a interação e o resultado são diferentes dos obtidos presencialmente. Um paciente pode gostar de ser atendido pelo seu psicólogo no conforto do seu quarto, mas o psicólogo não consegue ler os movimentos corporais desse paciente e pode deixar de detectar certo desconforto em algum assunto, que seria facilmente detectado em uma consulta presencial. O mesmo acontece com shows. No início de 2020, após ser decretado isolamento social no Brasil, aumentaram as lives de cantores e bandas e o consumo de 44 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . streaming de vídeos e áudios e televisão. Com o tempo, esse entrete nimento perdeu seu poder, pois a experiência já não era tão real para o consumidor como assistir a um show ao vivo (LOVELOCK; WIRTZ, 2006). A forma mais intangível do resultado de serviço é o processamen to de informações. Hoje em dia, as empresas, principalmente as de telecomunicações, agregaram valor a seus serviços ao permitir que o consumidor possa rever a reportagem – originalmente veiculada na televisão – no site da empresa ou no YouTube, por exemplo. Serviços de contabilidade também se encontram nessa classificação, em que o contador coleta da empresa as notas fiscais, quantidade e salário dos funcionários, por exemplo, e gera a folha de pagamento, os holerites e o balanço mensal da empresa (LOVELOCK; WIRTZ, 2006). Para exem plificar, o quadro 1 apresenta os serviços, as classificações segundo a apresentação e segundo o processamento. Quadro 1 – Exemplos de serviços e suas classificações segundo apresentação e processamento DESCRIÇÃO DO SERVIÇO CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO APRESENTAÇÃO CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO PROCESSAMENTO Serviços de telejornal Puro Processamento de informações Serviços de salão de cabelereiro com oferta de café, bolacha e chá Serviço principal acompanhado de produto Processamento de pessoas Serviços no restaurante Híbrido Processamento de pessoas Serviços de manutenção da piscina Puro Processamento de posses 3 Os 8 Ps de serviços O mix de marketing (ou composto mercadológico de serviços) é com posto por 8 Ps: produto, preço, praça, promoção, perfil (evidências físi cas), processos, pessoas e produtividade e qualidade (BARRELLA, 2017; 47 Gestão de serviços I M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Serviços são intangíveis, e o consumidor procura por evidências fí sicas para garantir alguma qualidade ou confiabilidade. As evidências físicas compreendem o bairro, o edifício, o paisagismo, os veículos, o mobiliário, os equipamentos, o pessoal, as sinalizações, os materiais promocionais, as luzes, a temperatura e outros componentes tangí veis que o consumidor possa visualizar (BARRELLA, 2017; CAIM, 2017; LOVELOCK; WIRTZ, 2006). NA PRÁTICA As evidências físicas podem ser observadas, por exemplo, em uma em presa de spa localizada em um bairro misto (residencial e comercial) e que apresenta algumas evidênciasfísicas como fontes de água natural, plantas, aroma agradável, música ambiente amena, profissionais cal mos e atenciosos e um ambiente leve. Uma empresa de reformas de roupas que tenha cortinas rasgadas não apresentará confiabilidade para o consumidor, assim como uma mani cure com as unhas malcuidadas ou uma cabelereira com o cabelo de sarrumado. As cortinas, as unhas da manicure e o cabelo da cabelereira são evidências físicas do serviço em que o consumidor presta atenção. O processo é o “método de desenvolvimento das operações detalha das, necessárias para execução do serviço” (BARRELLA, 2017, p. 89). Processos podem estar relacionados à política de operação, tempo de espera e procedimentos de atendimento. O método e a sequência esta belecida pela empresa prestadora de serviços impactam diretamente na prestação de serviços, podendo ter resultados mais ágeis ou mais lentos, serem eficazes ou ineficazes, resultando, portanto, em satisfa ção ou insatisfação do consumidor. Os serviços têm como base as pessoas, como o prestador de ser viços e o fornecedor, as quais interagem com o consumidor que, por sua vez, avalia o serviço com base nesse atendimento (CAIM, 2017; 48 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . LOVELOCK; WIRTZ, 2006). As pessoas das empresas são as detentoras da inteligência e know-how operacional e, quanto mais alinhadas aos objetivos da empresa em relação ao atendimento, mais podem garantir o nível de qualidade do serviço (BARRELLA, 2017). Imagine que você vá a uma loja de roupas e o vendedor é atencioso, mostra diversos produtos, indica combinações, fala sobre promoções e ainda lhe dá um brinde. A sua percepção de qualidade do atendimento dessa loja seria, no mínimo, boa. E se, na mesma loja, o atendente não percebe a sua chegada, fala que as peças disponíveis são só as que es tão nas araras em exposição, não fala de descontos nem lhe oferece um brinde, sua percepção seria, no mínimo, ruim. Em serviços, produtividade e qualidade andam juntos; produtivida de pode indicar baixo custo, mas também pode indicar má qualidade. Apesar de o gestor focar na produtividade empresarial, não pode deixar a qualidade do serviço cair, pois o consumidor avalia qualidade, e não produtividade ou custos (BARRELLA, 2017). PARA SABER MAIS Quer conhecer uma análise dos 8 Ps na prática? Veras (2011) realizou uma análise de 200 clientes e da gerência da em presa Plano de Assistência Familiar (PAF). Com base nos resultados, concluiu que a empresa detém serviços de qualidade, preço justo e funcionários qualificados, que representam três dos 8 Ps de serviços. O estudo, porém, encontrou deficiências em promoção, praça, perfil (evi dências físicas) e produtividade, que devem ser revistos. Considerações finais Neste capítulo, compreendemos que os serviços representam a maior parte do PIB brasileiro e podem ser definidos como algo oferecido por 51 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 4 Gestão de serviços II Nos capítulos anteriores, compreendemos que serviços possuem ca racterísticas únicas que os diferenciam de produtos, como intangibilida de, inseparabilidade, variabilidade e perecibilidade, assim como podem ser processados por pessoas, posses, estímulo mental e informação. Serviços são atos ou desempenhos que não geram propriedade e estão presentes a todo momento na vida do consumidor. Exemplos po dem ser encontrados no dia a dia das pessoas, como os serviços de energia elétrica, água, esgoto, transporte público, limpeza, garçom, sis temas financeiros e streaming de entretenimento. Esses são alguns dos inúmeros serviços existentes e muito utilizados. 52 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Nesse capítulo, apresentamos as atividades de marketing para pla nejamento, criação e desenvolvimento de novos serviços e as possibili dades de diferenciação, ampliando a competitividade no setor. 1 Planejamento e criação de serviços A Pesquisa Anual de Serviços, publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), “tem por objetivo identificar as caracterís ticas estruturais básicas do segmento empresarial da atividade de servi ços no País e suas transformações no tempo” (IBGE, 2018). A pesquisa usa como fonte a subdivisão dos serviços da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), que contempla sete grandes segmen tos, conforme mostra o quadro 1. Quadro 1 – Dados econômicos de empresas de serviços 2018 SEGMENTO PESSOAL OCUPADO EM 31/12/2018 (PESSOAS) NÚMERO DE EMPRESAS (UNIDADE) Serviços prestados principalmente às famílias 2.866.710 403.624 Serviços de informação e comunicação 1.018.655 107.091 Serviços profissionais, administrativos e complementares 5.056.294 435.731 Serviços de transportes, auxiliares aos transportes e correios 2.457.644 182.646 Serviços de atividades imobiliárias 255.737 68.464 Serviços de manutenção e reparação 419.437 98.153 Outras atividades de serviços 489.165 49.063 TOTAL 12.563.642 1.344.772 Fonte: adaptado de IBGE (2018). 55 Gestão de serviços II M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Association – IATA), que relatou queda de 65% na demanda mundial comparado com 2019 (AEROFLAP, 2021). A aviação internacional teve queda de 75,6%; e a doméstica, 48,8%. Houve queda também no tráfego aéreo no mundo inteiro que, convertida em números, são (AEROFLAP, 2021): Ásia-Pacífico: 80,3%; Europa: 73,7%; Oriente Médio: 72,9%; América do Norte: 75,4%; América Latina: 71,8%; e África: 69,8%. A IATA prevê, no entanto, aumento de 50,4% na demanda em 2021 apenas se o cenário de vacinação mundial avançar e as restrições di minuírem, isso é, se a pandemia for minimamente controlada em nível mundial; caso contrário, as previsões de crescimento são de apenas 13% (AEROFLAP, 2021). Diante de tal cenário, o presidente da Azul, John Rodgerson, em en trevista para o jornal Correio Brasiliense, afirmou que o foco do setor de veria ser o turismo doméstico e analisou que 2021 seria um ano divido em dois: o primeiro semestre com demanda reprimida até a vacinação ser mais ampla e o segundo semestre com a retomada das viagens, em que os consumidores teriam mais segurança e as fronteiras poderiam ser reabertas (KAFRUNI, 2021). Segundo Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 2020 a de manda por voos domésticos teve queda de 48,7%; e por voos interna cionais, 71%. Diante disso e dos dados da empresa Azul, o perfil dos viajantes de avião no Brasil é de 70% para viagens a negócio, 20% a lazer e 10% por outros motivos (KAFRUNI, 2021). Isso levou a Azul a de senvolver rotas regionais internas com foco em viagensempresariais, fugindo do triângulo “São Paulo – Rio de Janeiro – Brasília”, utilizado pela maioria das empresas (KAFRUNI, 2021). Outro ponto abordado por Rodgerson foi, por um lado, a dificuldade em trabalhar com voos de baixo custo (low cost), pois, segundo ele, “o Brasil não é um país de baixo custo” (KAFRUNI, 2021), dificultando o in vestimento em serviços voltados para viagens de lazer. Por outro lado, 56 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . serviços relacionados à informação e comunicação apresentaram leve alta, o que indica onde o consumidor está gastando seu dinheiro. Para decidir pela criação de novos serviços, o gestor deve analisar esses tipos de dados e responder a algumas perguntas, como: Vale a pena investir em setor que está em queda? Como posso inovar meus serviços? E se a empresa oferecer outros serviços? 1.2 Serviços suplementares Serviços suplementares são aqueles que acompanham o serviço principal, agregando valor, ampliando sua utilização e a experiência do consumidor (LOVELOCK; WIRTZ, 2011). O gestor, ao acrescentar novos serviços, aumenta a oportunidade de diferenciação e crescimento de sua empresa. Um exemplo disso foi a necessidade de sobrevivência de bares e restaurantes durante a pandemia com as restrições de cir culação. Muitos estabelecimentos, que nunca haviam trabalhado com delivery, tiveram que se adaptar rapidamente e adequar o seu cardápio. Combinar o serviço principal com o suplementar resulta em um serviço ampliado. Utilizando uma analogia, a química Lynn Shostack (1977 apud LOVELOCK; WIRTZ, 2006) desenvolveu um modelo molecular para vi sualizar e gerenciar o mercado de serviços como um todo. No centro desse modelo, fica o benefício principal, que satisfaz a necessidade ou o desejo do consumidor, e ao redor ficam outras características do ser viço que, quando alteradas, mudam todo o contexto. Esse modelo ajuda a identificar elementos tangíveis e intangíveis, enfatizando a interdepen dência dos componentes do serviço (LOVELOCK; WIRTZ, 2006). Na figura 1, utilizamos o modelo molecular de Shostack para o exem plo de bares e restaurantes. Nesse modelo, as bebidas, um elemento tangível, representam o benefício principal e central de um bar; ao seu 59 Gestão de serviços II M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. uma característica de serviço suplementar realçador de hospitalidade. A empresa deve ainda oferecer segurança de que seus prestadores de serviço são idôneos e garantir que, caso algo seja quebrado, será repos to. Por fim, nesse exemplo, podemos encontrar o serviço suplementar realçador de exceções quando o cliente solicitar que, em determinada semana, seja alterado o dia da prestação do serviço ou ainda trocar o produto de limpeza, quando o cliente reclamar de seu cheiro muito forte ou informar que causou alergia. Quadro 4 – Serviços suplementares realçadores SERVIÇO DEFINIÇÃO Consulta Envolve diálogo entre a empresa e o consumidor, sondando demandas e desenvolvendo soluções, respondendo a questões como “o que você sugere?” Hospitalidade Boa recepção, acolhimento caloroso, cortesia e empatia Salvaguarda Chapelaria, transporte, estacionamento, cuidado com crianças e animais, embalagem em plástico bolha, retirada e entrega Exceções Solicitações especiais, resolução de problemas com alternativa fora do padrão, tratamento adequado às reclamações e sugestões, elogios e restituição Fonte: adaptado de Lovelock e Wirtz (2011, p. 112). Com esses procedimentos, a empresa de limpeza provavelmente ofe recerá um serviço de qualidade, com características do serviço principal, serviços facilitadores e realçadores, conforme quadro 5, integrando, as sim, os oito elementos. 60 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Quadro 5 – Exemplos dos oito elementos de serviços suplementares SERVIÇO SUPLEMENTAR FACILITADOR EXEMPLOS Informação Disponibilização na internet, indicações de outros clientes, horário de atendimento, local, preço e reclamações Recebimento do pedido Solicitação do orçamento e esclarecimento de dúvidas Cobrança Deve ser enviada com antecedência a descrição do serviço e os valores corretos Pagamento Disponibilizar várias formas de pagamento, como boleto bancário, cartão de crédito ou cobrança bancária Consulta Questionar o objetivo da solicitação do serviço, quantidade de pessoas que trabalham no escritório, frequência da prestação do serviço, metragem do espaço para oferecer o melhor e mais adequado pacote de serviços Hospitalidade Solucionar problemas ou dúvidas dos clientes de forma cordial e acolhedora, oferecer prestadores de serviço (equipe de limpeza) cordiais, calorosos e corteses Salvaguarda Oferecer equipe idônea e seguro contra roubos e danos em equipamentos Exceções Mudar o dia do atendimento em determinada semana, mudar o produto de limpeza 1.3 Processos de entrega O processo de entrega está relacionado aos procedimentos utiliza dos para entregar o produto principal e os serviços suplementares. Esse processo deve contemplar o modo como o serviço será entregue ao cliente, a sequência em que o cliente irá usá-lo, o tempo de duração da prestação de serviços e a perspectiva do cliente com relação ao serviço prestado (LOVELOCK; WIRTZ, 2011). A empresa de limpeza deve ter todos os processos documentados, desde o primeiro contato do cliente até a entrega do serviço final. Deve também ter procedimentos de atendimento, cobrança, pagamento, 63 Gestão de serviços II M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 3 Diferenciação em serviços A diferenciação em serviços se faz necessária porque eles são mais fáceis de serem replicados, já que o consumidor pode mudar seus hábi tos, desejos e suas necessidades, e o mercado está cada vez mais com petitivo. As maneiras de se oferecer diferenciação em serviços podem ser por serviços primários e secundários, inovação, entrega e imagem (KOTLER; KELLER, 2012; KOTLER; ARMSTRONG, 2003). Kotler e Keller (2012) ainda afirmam que os serviços podem ser diferenciados na facili dade do pedido, entrega, instalações, treinamento ao cliente, orientação ao cliente, manutenção e reparo e devoluções. A diferenciação por meio dos serviços primários e secundários está relacionada à oferta do serviço, onde os primários são tudo o que estiver diretamente ligado ao serviço em si, e secundários, ao que for oferecido posterior ao serviço (BARRELLA, 2017). Um lava-rápido pode se diferen ciar ao oferecer como serviço primário a lavagem com cera importada super brilhante e como serviço secundário, o de leva e traz. Inovar nos serviços é agregar valor ao serviço oferecido, como uma administradora de condomínio que oferece acessovia site ou uma loja que oferece atendimento via WhatsApp (BARRELLA, 2017). Uma diferenciação na entrega pode ser constatado no processo dos atendentes do Banco Santander que, ao ligar para seus clientes inadim plentes, oferecem linhas de crédito e soluções para que o cliente não fique endividado, entregando serviços diferenciados (BARRELLA, 2017). Outro fator diferenciador na entrega é o tempo, muito valorizado pelos consumidores. Entregas corretas no menor tempo possível são mais bem avaliadas do ponto de vista do consumidor. Uma empresa líder na agilidade de entrega é a Amazon, por exemplo. Todos os produtos entre gues pela Amazon chegam no dia seguinte ou antes do prazo final dado ao cliente. O Magazine Luiza está no mesmo caminho, diferenciando-se assim dos concorrentes (GUIMARÃES, 2021). 64 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Produtos e serviços utilizam a própria imagem e as próprias instala ções físicas para se diferenciar dos concorrentes. A imagem diz respeito a símbolos, marca, instalações e atendimento. O marketplace Mercado Livre se diferencia dos demais por ter uma imagem consolidada no mer cado, garantia e segurança. Um borracheiro com ambiente limpo, sala de espera separada do serviço, café e água se diferencia dos concorren tes, que geralmente apresentam ambiente empilhado de pneus, caixas d’água, ferramentas e espaço limitado (ou inexistente) para espera. Hoje em dia, conseguir fazer o pedido com facilidade pode ser um fator de diferenciação, principalmente em compras online. Atualmente existem diversas ferramentas para facilitar esse processo, como sites especializados, WhatsApp, Facebook, Instagram, Messenger e e-mails, entre outras. O treinamento ao cliente também é uma forma de diferenciação, pois capacita os funcionários a utilizar os recursos e equipamentos de ma neira apropriada e eficiente. Todos os gestores e as funcionários da rede Habib’s, por exemplo, passam por cursos na Universidade Corporativa, onde aprendem como utilizar os recursos e equipamentos das lojas e franquias (MONTEIRO, 2017). A equipe de linha de frente deve ser trei nada para a satisfação do consumidor, e deve haver empatia e vontade de solucionar a necessidade ou o desejo do consumidor. Outro grande diferencial é a orientação ao cliente. Para auxiliar os consumidores a manter e consertar equipamentos eletroeletrônicos, muitas empresas oferecem serviços de manutenção e reparo como diferencial. Até um salão de cabelereiro pode oferecer um serviço de manutenção, por exemplo: a cliente faz uma escova progressiva para o Natal e ganha 50% de desconto na próxima vez que fizer manutenção, em março, ou após as férias de verão, quando o cabelo é danificado. Por fim, as empresas podem se diferenciar por meio das devoluções, que devem ser um processo fácil e de acordo com as expectativas do consumidor. Hoje em dia, com a tecnologia mediada pela internet, o 67 Gestão de serviços II M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. KAFRUNI, Simone. Presidente da Azul acredita que aviação civil terá recupe ração no 2º semestre. Correio Brasiliense. 1 fev. 2021. Disponível em: https:// www.correiobraziliense.com.br/economia/2021/02/4903830-presidente-da- azul-acredita-que-aviacao-civil-tera-recuperacao-no-2-semestre.html. Acesso em: 4 mar. 2021. KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de marketing. 9. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2003. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson Education, 2012. LOVELOCK, Christopher; WIRTZ, Jochen. Marketing de serviços: pessoas, tec nologia e resultados. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. LOVELOCK, Christopher; WIRTZ, Jochen. Marketing de serviços: pessoas, tec nologia e resultados. 7. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. MARISA. Deseja trocar ou devolver um produto? Marisa. Disponível em https:// www.marisa.com.br/institucional/change-and-dev. Acesso em: 30 mar. 2021. MONTEIRO, Danilo. Grupo Habib’s apresenta novos formatos de investimen to com completa estrutura de apoio ao franqueado. Habib’s. Imprensa. 21 jun. 2017. Disponível em: https://www.habibs.com.br/institucional/imprensa/ 29-grupo-habibs-apresenta-novos-formatos-de-investimento-com-completa- estrutura-de-apoio-ao-franqueado. Acesso em: 30 mar. 2021. PEZZOTTI, Renato. Casas Bahia atualiza mascote: ‘Baianinho’ cresce e vira adolescente, o ‘CB’. UOL. 16 out. 2020. Disponível em: https://economia. uol.com.br/noticias/redacao/2020/10/16/casas-bahia-atualiza-mascote- baianinho-cresce-e-vira-adolescente-o-cb.htm. Acesso em: 16 fev. 2021 69 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 5 Gestão estratégica do portfólio Nos capítulos anteriores, acompanhamos as definições e caracterís ticas de produtos e serviços. Nesse capítulo, abordaremos como reali zar a gestão do portfólio desses bens. Vamos falar sobre estratégias para geração de ideias, extensão de linha, seleção de portfólio de acordo com a demanda do mercado, uti lização de ferramentas – como a Matriz BCG –, ciclo de vida dos pro dutos e serviços e decisões sobre quais devem fazer parte do portfólio empresarial. Com essas ferramentas, será possível definir melhores ações para as linhas de produtos ou serviços, tornando a empresa mais eficiente e lucrativa. 72 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o e os produtos preferem produtos para limpeza e hidratação. Isso revela o perfil do consumidor e oferece oportunidades para que novos produtos e serviços sejam lançados. Empresas como Boticário, Natura, Procter & Gamble, Unilever e Hinode, líderes desse mercado, estão atentas a esses tipos de oportunidades (MENDONÇA, 2018). A Boticário, em constante inovação, lançou a linha Malbec Club, por exemplo, com seis produtos: sabonete líquido, loção hidratante, creme para barba, balm pós-barba, óleo para barba e xampu para cabelos gri salhos. A concorrente Natura, que também investe em formulação e tecnologia, lançou em 2017 doze produtos divididos nas categorias: barba, corpo, banho e cabelo. Os produtos foram criados com base em pesquisa com homens em diferentes cidades do mundo para entender a relação do homem com o mundo da beleza (MENDONÇA, 2018). Outro dado coletado indica que homens utilizam fragrâncias especí ficas. As fragrâncias com alta tendência são: amadeiradas, animálicas, gourmand e especiadas, completando as já existentes fougères, cítricas e aromáticas. A Kaapi é outra empresa atenta a esse segmento de mercado, bus cando novas fragrâncias constantemente. O gerente de marketing da empresa explica que, no processo de criação de uma fragrância, o tra balho é desenvolvido junto ao cliente para entregar uma composição que transmita, na medida exata, acordes que sejam confortáveis para o consumidor, gerando segurança na escolha, sem perder o foco do chamado “novo masculino”, com aspirações contemporâneas e de van guarda (MENDONÇA, 2018). No case apresentado, percebe-seque a criação de ideias para no vos produtos para o setor masculino de beleza é feita com base em pesquisas com os consumidores e em análises de mercado, priori zando as necessidades e os desejos desses consumidores de acordo com a 1ª etapa de Kotler (1998 apud RAZZOLINI, 2012). Com várias 73 Gestão estratégica do portfólio M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ideias em jogo, a empresa então investiga concorrentes, analisa os próprios recursos e decide quais produtos serão lançados. Ainda so bre o estudo do mercado de beleza masculino, a empresa pode optar, por exemplo, pela estratégia de lançar fragrâncias que estão em alta no momento, concentrando seus investimentos nesse segmento. 1.2 Seleção do portfólio de produtos para o mercado A seleção do portfólio de produtos de uma empresa é importante pois levanta decisões sobre a relação de novos produtos, além de so bre revisões, atualizações e descontinuidade de outros (LEONI; SILVA; JUGEND, 2013). Os produtos que fazem parte do portfólio são selecio nados seguindo alguns critérios definidos de acordo com os objetivos da empresa. Ela pode optar, por exemplo, por comprar outra empresa, patentes, licença, franquia ou optar por desenvolver os próprios pro dutos com base em pesquisas de mercado e consultores (KOTLER; KELLER, 2018). Para Kotler e Keller (2018), novos produtos podem surgir de uma ino vação única, inexistente no mercado, aprimoramento de uso e/ou repo sicionamento de produtos existentes. A maioria dos novos produtos é criada por meio de inovação incremental, ou seja, por meio da adaptação de uso, estilo e distribuição ao perfil do consumidor (KOTLER; KELLER, 2018). É fundamental que o novo produto seja difícil de copiar pela con corrência, para que a empresa possa ter vantagem competitiva (KOTLER; KELLER, 2018). Segundo Kotler e Keller (2018), o desenvolvimento de novos produ tos deve contemplar as quatro dimensões do portfólio de produtos: • Abrangência: quantidade de linhas de produtos. • Extensão: número total de itens. 76 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o e Figura 1 – Matriz BCG ?A LT A BA IX A Ta xa d e cr es ci m en to d e m er ca do ALTA BAIXA Participação relativa de mercado Os produtos classificados como estrela, situados no quadrante su perior esquerdo, são aqueles promissores, cujo segmento de mercado apresenta grande potencial de crescimento e cuja empresa é líder de mer cado, isto é, possui alta participação relativa de mercado. Os produtos classificados como ponto de interrogação, situados no quadrante superior direito, possuem alto potencial de crescimen to, porém baixa participação relativa de mercado, ou seja, a empresa analisada não é líder de mercado (KOTLER; KELLER, 2018). Bem admi nistrados, eles podem ganhar participação de mercado e então passar para o quadrante estrela. Essa administração consiste em ações de marketing que devem ser executadas com base no comportamento do consumidor e do mercado; caso contrário, a empresa pode perder participação no mercado, passando para o quadrante da vaca leiteira. Situados no quadrante inferior esquerdo, os produtos classificados como vaca leiteira possuem alta participação relativa de mercado, mas possuem baixo potencial de crescimento. São os produtos que geram 77 Gestão estratégica do portfólio M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. fluxo de caixa na empresa e proporcionam recursos financeiros para investimentos em inovação, novos produtos e instalações, além de re forçar a imagem da marca. Por fim, os produtos classificados como abacaxi, situados no qua drante inferior direito, são os que possuem baixa participação relativa de mercado e baixo potencial de crescimento. Os produtos nesse qua drante podem ser fonte de despesas e prejuízo para a empresa. Cabe ao gestor analisar sua continuidade com base em despesas, lucratividade, imagem no mercado e opinião do consumidor, entre outros fatores que a empresa considerar relevante. Geralmente são produtos que drenam os recursos financeiros da empresa, e o mais adequado é eliminá-los do portfólio ou reposicioná-los. IMPORTANTE Esse modelo de análise de portfólio vem sendo usado cada vez mais combinado a outros métodos, como análise do valor para o acionista, valor de mercado, potencial do negócio com base em oportunidades de crescimento global, reposicionamento ou redirecionamento e terceiriza ção estratégica (KOTLER; KELLER, 2018). 2 Ciclo de vida dos produtos e ações estratégicas de marketing Assim como produtos, serviços possuem um ciclo de vida que deve ser gerenciado constantemente. Questões como lucratividade, partici pação no mercado de atuação e vendas são analisadas para decidir as ações estratégicas de marketing necessárias (KOTLER; ARMSTRONG, 2007). Na figura 2, são apresentadas as fases do ciclo de vida de produ tos ou serviços. 80 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o e Figura 3 – Ciclo de vida da Uber Crescimento Maturidade Ve nd as / f at ur am en to Introdução 2014 2015/2016/2017 2018/2019 Tempo Fonte: adaptado de Uber (2020). Segundo Kotler e Keller (2018), para cada estágio do ciclo de vida do produto há estratégias e ações de marketing adequadas. O quadro 2 apresenta um resumo das características, dos objetivos e das estraté gias de marketing referentes ao ciclo de vida do produto. 81 Gestão estratégica do portfólio M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 2 – Características, objetivos e estratégias de marketing relacionadas ao ciclo de vida do produto ETAPAS DO CICLO INTRODUÇÃO CRESCIMENTO MATURIDADE DECLÍNIO Características VENDAS Baixas Rápidas Estabilizadas Em declínio CUSTOS Altos (por cliente) Altos (em geral) Médios Baixos LUCRO Inexistente Crescente Estabilizado Em declínio CLIENTES Inovadores Adotantes Medianos (maioria) Retardatários CONCORRENTES Poucos ou nenhum Em crescimento Em número estável Em declínio OBJETIVOS DE MARKETING Criar consciência do produto e experimentação Aumentar a participação de mercado Aumentar os lucros Reduzir gastos Estratégias PRODUTO Básico Ampliação com atendimento pósvendas e garantias Diferentes marcas e modelos Excluir produtos em declínio PREÇO Elevado Penetração Equivalente ou melhor que a concorrência Reduzido PRAÇA Seletiva Intensa Mais intensa Seletiva (eliminando pontos de vendas não lucrativos) PROMOÇÃO Conscientizar o consumidor do produto e efetuar a experimentação Manter o interesse do consumidor Enfatizar os benefícios Reter os clientes fiéis Fonte: adaptado de Kotler e Keller (2018, p. 391). 84 Gestão de produtos, serviços e estratégias de marketing M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o e vendas