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As relações de gênero dentro de um hospital

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conosco. Exige pensa-la de acordo com a vivencia de cada um e como o que cada um aprendeu e absorveu da sociedade, e pensá-las também de acordo com os valores de cada grupo social. Nós a influenciamos e ela nos influencia.
“A sexualidade é parte integrante da personalidade de cada um, como uma energia motivada a encontrar amor, contato e intimidade, e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas tocam e são tocadas, é ser sensual e sexual. Ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e integrações, portanto, a saúde física e mental.” (Revista da Escola de Enfermagem da USP 2011)
Desde o nascimento, a criança participa de atividades sexuais próprias do momento, como a sucção que leva ao prazer. Muito importante se faz, o desenvolvimento da sexualidade também na criança. Porém, é necessário cuidar do que é mostrado à criança, para que ela não participe de um desenvolvimento sexual inapropriado a sua idade, tornando-se mal informada e passível à seduções de pessoas mais experientes e, por vezes, inescrupulosas.
“A sexualidade infantil é um processo natural e cultural desenvolvido desde as primeiras experiências afetivas do bebê com a mãe. O respeito à manifestação da sexualidade é um direito da criança. Cabe ao adulto assegurar esse direito, permitindo que ela vivencie e conheça as atividades sexuais próprias da idade.” (Revista da Escola de Enfermagem da USP 2011)
Por já estarem em um ambiente direcionado aos cuidados com a saúde, é importante que não se esqueçam dos cuidados também com a saúde sexual, que nos leva a uma integridade total física e mental.
Normalmente, tudo o que é relacionado à sexualidade e o que as crianças vêem e escutam, é filtrado pelos pais de acordo com valores pessoais, sejam religiosos, culturais, sociais, etc. Filmes, programas televisivos, conversas e até ‘amigos’, os pais tendem a selecionar, com o intuito de proteger seus filhos e de não deixa-los à frente do que deve estar, em relação a sua idade e desenvolvimento físico – psíquico – social.
Filtrar tudo isso é um caminho a seguir, mas é importante que não deixem de informar e ajudar as crianças a se informarem no desenvolvimento da sua sexualidade. Quando não aprendem por pessoas próximas e de sua confiança, procuram outros meios, o que pode ocasionar até mesmo outros tipos de violência contra as mesmas.
Estando num ambiente de cuidados, há uma certa facilidade em pessoas aptas a falar sobre a sexualidade para elas, e os pais não se sentirem tão desconfortáveis como de costume. Juntos, os médicos e responsáveis, podem ajudar no desenvolvimento da sexualidade apropriada a idade de cada criança, ensinando o que é o certo e o que é o errado, e alertando sobre os perigos que podem vir. 
Não é porque estão em um ambiente ‘recluso’ em alguns aspectos, que sua sexualidade não vai aflorar e exigir conhecimentos mais amplos. A sexualidade não ‘dá um tempo’, quando nos encontramos debilitados de alguma forma. Mas pode ser o contrário, por estar debilitado fisicamente, a sexualidade pode exigir mais do próprio corpo.
Questionamentos sobre sua opção sexual; distanciamento do namorado (a) que não está não hospital; se ele (a) ainda vai querer namorar depois de ter estado debilitada; dúvidas sobre beleza; etc. períodos de dúvidas que crianças e adolescentes podem passar diante do seu quadro clinico, e é preciso cuidar de cada um segundo seu tempo, não deixando que sua sexualidade se enfraqueça ao ponto de levá-los a uma baixa auto-estima, podendo privá-los de viver a ‘vida’ de antes da internação. 
Referencias Bibliográficas
Fontes, Rejane de S. A escuta pedagógica à criança hospitalizada: discutindo o papel da educação no hospital, Revista Brasileira de Educação, Mai /Jun /Jul /Agos 2005. nº 29
Fontes, Rejane de Souza. Da classe à pedagogia hospitalar: a educação para além da escolarização, LINHAS, Florianópolis, v. 9, n.1, Jan/ Jun 2008
Vasques RCY, Bousso RS, Mendes-Castillo AMC. A experiência do sofrimento: historias narradas pela criança hospitalizada. Revista Escola de Enfermagem da USP 2011; 45 (1):122-9
YANO, Karen Murakami e RIBEIRO, Moneda Oliveira. O desenvolvimento da sexualidade de crianças em situação de risco. Revista da Escola de Enfermagem da USP 2011; 45 (6): 1315-22