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Processo do Trabalho I

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Direito Processual do Trabalho I
1ª Avaliação: 30/09/2013
2ª Avaliação: 11/11/2013
Alguns pressupostos de direito material é necessário o conhecimento prévio para entender a disciplina processual.
Bibliografia:
1. Carlos Henrique Bezerra Leite – Curso de Direito Processual do Trabalho (livro que mais atende).
2. Valton Pessoa – Manual do Direito do Trabalho
e-mail: Juliane@fiedra.com.br ou julianefaco@yahoo.com.br
Princípios, Peculiaridades e Técnicas de Procedimento:
Conceito: 
Conjunto de regras e princípios que disciplinam a solução dos conflitos submetidos à apreciação da justiça do trabalho (CF art. 114). Nesse artigo a CF diz quais os conflitos são colocados sob a apreciação da JT.
O processo do trabalho tema sua competência regulada na CF, mas o diploma que regula as suas normas é a CLT. Diferente do que acontece com o Direito Civil, não temos um código que discipline as regras de direito material e outro que regule as regras de direito processual, a CLT regula tudo, tudo está na CLT.
A CLT não é completa, não vai apresentar todas as regras de Direito Processual que precisamos para trabalhar com o Direito do Trabalho, varias serão as vezes que precisaremos nos remeter ao CPC. Quando a CLT for omissa em determinado tema, aplicaremos o CPC. E em vários momentos, também, perceberemos que o CPC não será aplicado por conta da sua especificidade.
Vertentes: 
- Conhecimento: Chamado de momento de certificação, pois é nesse momento que o Juiz verificará se a parte tem ou não legitimidade, tem ou não capacidade, e tem ou não o direito pleiteado.
- Execução: Nessa fase se executa o que foi deferido na sentença na fase de conhecimento. As sentenças no Direito do Trabalho são, em sua maioria, ilíquida, ou seja, não são quantificados os direitos, e é nessa fase que o direito será quantificado, valorado, e serão calculados os valores devidos e executado de fato.
Em regra, porque o juiz pode querer quantificar, sem que, necessariamente, se precise levar a sentença para liquidação.
No procedimento sumaríssimo a sentença, OBRIGATORIAMENTE, será liquida, porque a Lei assim obriga o Magistrado.
- Cautelar (caráter instrumental – relação com outro processo – utilidade prática do julgamento da lide principal): Tem caráter instrumental, não é um fim em si mesmo, ela existe para que se atinja alguma finalidade no processo principal. Visa preservar a utilidade prática do processo principal.
Pode ser utilizada em caráter INCIDENTAL quando se deseja dar efeito SUSPENSIVO ao recurso, pois os recursos no Direito do Trabalho não tem efeito suspensivo.
Relação com o Direito Material do trabalho: Caráter instrumental: O direito Processual do Trabalho é o instrumento de realização do Direito Material. O processo é um instrumento de realização e efetivação do Direito Material.
Ordenamento Jurídico trabalhista – CLT, Dec. 779/69 L; 5584/70 e 7701/88.
A CLT traz tanto as regras de direito material como as regras de direito processual.
Em processo do trabalho teremos os princípios gerais que formam o tronco comum do processo, se aplicando para todos os processos, civil, penal, trabalho e etc.
Princípios que estão no CPC, implícita ou explicitamente.
Teremos os princípios peculiares do direito do trabalho.
Técnicas estão relacionadas ao procedimento e revestem caráter funcional – adequar o processo em movimento aos princípios.
Princípios Constitucionais:
Devido processo legal (art. 5º LIV)
Ampla defesa e contraditório (art. 5º, LV)
Juiz e promotor natural (art. 5º, XXXVIII e LIII)
Controle judicial ou acesso à justiça (art. 5º, XXXV)
Isonomia (art. 5º, caput)
Publicidade (art. 93º, IX)
Motivação das decisões judiciais (art. 93, IX)
Duplo grau de jurisdição
Proibição de prova ilícita: O TST vem mitigando esse princípio. Por exemplo, o TST vem aceitando a gravação ou filmagem, mesmo quando a outra parte não sabe que está sendo filmado ou gravado, em casos de assedio sexual, porque o TST entende que é uma prova muito difícil de ser feita. Já que não há como a parte fazer a prova dessa situação.
 
Celeridade e duração razoável do processo (art. 5º, LXXVIII);
Princípios Gerais do Processo
Instrumentalidade
Imediatidade do Juiz
Identidade física do Juiz – cancelamento da Sumula 136 do TST
Imparcialidade do juiz
Igualdade de tratamento das partes
Economia Processual
Boa-Fé ou Lealdade processual.
Preclusão
Peculiaridades do processo do trabalho:
Conciliabilidade obrigatória:
Momentos obrigatórios para proposta judicial de conciliação: abertura da audiência/após as razões finais.
Art. 846: Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação.
O juiz DEVE perguntar incialmente às partes se há proposta de acordo, ele é obrigado a perguntar.
Art. 850: Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de Conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão.
Por fim, o juiz deve renovar a proposta de conciliação, OBRIGATORIAMENTE. 
Se o juiz não propuser a conciliação a consequência disso é a NULIDADE ABSOLUTA do processo. 
Mesmo que o juiz tenha proferido a Sentença, o processo será NULO e consequentemente a Sentença.
Só que a doutrina e a jurisprudência entende que a nulidade só acontece se o Juiz não fizer nenhuma das duas propostas de conciliação, se o Juiz esquecer a primeira, mas fizer a ultima, está sanada a nulidade, mas se ele fizer a primeira e esquecer a ultima será NULO o processo. Logo, a última proposta de conciliação é a mais importante, sanando, inclusive, a nulidade.
Poder normativo (novo panorama com EC 45/04):
Poder de criar normas jurídicas através da Sentença normativa para as categorias de Empregados e Empregadores que participarem do dissídio coletivo.
Dissídio coletivo: É quando o sindicato dos empregados com o sindicato dos empregadores não consegue chegar a um acordo.
Convenção coletiva de trabalho entre sindicatos.
Se os sindicatos não conseguirem acordar, quem decidirá é o judiciário, e a sentença normativa, vulgo “acordão coletivo”, será em forma de cláusula, como se fossem condições de trabalho que vão reger aquela categoria de empregados e empregadores. Logo, o Direito do Trabalho tem o poder normativo de gerar Lei entre as partes. Deverá ser feito pelo Tribunal, está previsto na CF essa competência restrita do Tribunal para julgar (artigo 114, § 2º da CF). Esse artigo mudou, antes dizia “criar condições de normas jurídicas” e passou a ter a seguinte redação: “decidir conflitos entre as partes”.
Juliane Facó entende que esse poder normativo não é uma peculiaridade da Justiça do Trabalho, já que qualquer Juiz tem o poder para “criar Leis entre as partes”.
Alguns entendem que o art. 114 foi extinto por conta da mudança na sua redação, outros dizem que ele ainda existe, porém mais restrito.
O dissidio coletivo tem prazo máximo limitado a 4 (quatro) anos, art. 868, parágrafo único da CLT.
No período em que o dissidio coletivo estiver vigendo não há que se falar em ACT.
Limites do poder normativo: CF, Lei, Contrato, CCT/ACT.
O poder normativo somente poderá operar em caso de “vazio legislativo”.
Jus Postulandi: Capacidade postulatória das partes: Empregado e empregador.
“Art. 791 da CLT: Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final.”
OBS: Independe do valor da causa e da sua complexidade.
O artigo 791 da CLT foi contestado, haja vista o artigo 133 da CF que diz que o advogado é indispensável.
O Tribunal julgou uma ADIN, dizendo que o artigo 791 da CLT é totalmente legal, e não há mais que se falar na sua legalidade.
Atualmente, após a EC 45/2004, que ampliou a competência da Justiça do Trabalho no artigo 114, o Juiz do Trabalho julga TUDO. Dessa forma o objeto da JT ampliou muito.
Atualmente, o jus postulandi está em desuso, não tem como a parte se utilizar