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FUNDAMENTOS DA FARMACOCINÉTICA:
CONCEITOS FUNDAMENTAIS:
Potência: é uma medida da quantidade de
fármaco necessária para produzir um efeito de
determinada intensidade. A concentração de
fármaco que produz 50% do efeito máximo (CE₅₀)
em geral é usada para determinar a potência.
O que é CE₅₀?
CE₅₀ (Concentração Efetiva 50%) é a concentração
de um fármaco necessária para produzir 50% do
seu efeito máximo (Emax).
É medida em ensaios de curva dose–resposta,
onde se observa como o efeito varia conforme a
dose/concentração.
📌 Relação com a Potência:
Potência = mede o quanto de fármaco é necessário
para gerar um efeito.
Quanto menor a CE₅₀, mais potente é o fármaco
→ porque precisa de menos quantidade para
produzir metade do efeito máximo.
Quanto maior a CE₅₀, menos potente → exige
mais droga para atingir o mesmo efeito.
👉 Exemplo prático:
Fármaco A → CE₅₀ = 2 mg
Fármaco B → CE₅₀ = 20 mg
➡ Ambos podem atingir o mesmo efeito máximo
(Emax), mas o A é 10x mais potente, pois precisa de
uma dose muito menor para chegar a 50% do efeito.
Eficácia: é o tamanho da resposta que o fármaco
causa quando interage com um receptor. A
eficácia depende do número de complexos
farmacorreceptores formados e da atividade
intrínseca do fármaco. A eficácia máxima de um
fármaco (Emáx) considera que todos os receptores
estão ocupados pelo fármaco
📌 Diferença Potência x Eficácia
Potência (CE₅₀) = “quanto preciso dar para fazer
efeito”.
Eficácia (Emax) = “qual o efeito máximo que a droga
consegue atingir”.
👉 Exemplo:
Paracetamol e morfina:
A morfina é mais potente (precisa de menos
dose para o mesmo efeito analgésico).
Mas a eficácia analgésica máxima também é
maior na morfina.
✅ Resumo didático:
 A CE₅₀ é usada para medir potência porque mostra o
ponto em que o fármaco já atingiu metade do seu
efeito máximo. Assim, conseguimos comparar qual
medicamento precisa de menor dose para começar a
agir de forma relevante.
Maximizar benefícios
Minimizar malefícios 
E POR QUE ESTUDAMOS A CINÉTICA 
DOS MEDICAMENTOS?
Para determinar o uso adequado do
medicamento.
Escolher a via de administração.
Para determinar a posologia ideal (doses e
intervalo entre as doses).
Para verificar as possíveis relações com
insuficiência renal, alterações hepáticas entre
outras.
Para prever outros efeitos em potencial, como os
colaterais, por exemplo, no caso de acúmulo do
fármaco em determinado compartimento
(organotropismo); ou ainda os oriundos de
interações medicamentosas dos processos de
absorção, distribuição, biotransformação e
excreção.
Para determinar os principais sítios de
biotransformação.
Para determinar quais as vias de excreção do
fármaco
PERFIL FARMACOCINÉTICO:
Como a concentração do remédio no 
sangue varia ao longo do tempo ⏳.
Leitura do gráfico:
🔑 Pontos principais:
Início do efeito (quando a curva cruza a linha vermelha de baixo)
👉 É o momento em que o remédio atinge a concentração mínima eficaz (a
dose começa a funcionar).
Duração da ação (a faixa em que a curva fica acima da linha vermelha
de baixo)
👉 É o tempo em que o remédio está fazendo efeito. Quando a curva cai
abaixo dessa linha, o efeito acaba.
Pico do efeito (o ponto mais alto da curva)
👉 É a maior concentração do remédio no sangue → normalmente onde
ele está agindo mais forte.
Intensidade do efeito (distância entre a linha mínima eficaz e o pico)
👉 Mostra o quão forte o medicamento atua.
Concentração mínima para efeitos adversos (linha vermelha de cima)
👉 Se a curva ultrapassa essa linha, pode aparecer toxicidade ou efeitos
colaterais.
Janela terapêutica (a faixa entre a linha de baixo e a linha de cima)
👉 É a zona de segurança:
abaixo dela → remédio não faz efeito;
dentro dela → remédio funciona bem e com segurança;
acima dela → risco de efeitos adversos.
A BASE DOS ESTUDOS FARMACOLÓGICOS:
RESPOSTA TERAPÊUTICA:
O efeito ou resposta terapêutica é o resultado dos
fenômenos que ocorrem após a administração de
um medicamento e estes dependem, por sua vez,
das características do fármaco, das características
do indivíduo e, o mais importante, da interação
entre estes dois fatores: fármaco e indivíduo.
FARMACOCINÉTICA:
É a parte da farmacologia que estuda o caminho
que o remédio faz dentro do nosso corpo, desde o
momento em que você toma até o momento em
que ele sai. É como acompanhar uma “viagem” do
medicamento pelo organismo. 🚗💊 É “o que o
corpo faz com o remédio”
Pode ser definida como a medida e a interpretação
formal de alterações temporais nas concentrações
de um fármaco em uma ou mais regiões do
organismo em relação à dose administrada. Na
prática: concentrações do fármaco que chegam ao
plasma sanguíneo. 
É o caminho que a droga faz no organismo. Note
que não é o estudo do seu mecanismo de ação
(EFEITO), mas sim as etapas que a droga percorre
desde a administração até a excreção. Uma vez
que o fármaco encontra-se no organismo, essas
etapas ocorrem de forma simultânea sendo essa
divisão apenas de caráter didático. 
🌟 Resumindo didaticamente:
Pense que o remédio é como encher um copo com água:
Se colocar pouca → não mata a sede (abaixo da linha mínima).
Se colocar a quantidade certa → mata a sede sem problemas (dentro
da janela terapêutica).
Se colocar demais e transbordar → faz sujeira (efeitos adversos).
ETAPAS FARMACOCINÉTICA: 
 Um fármaco, para ser bem sucedido, deve ser capaz
de atravessar as barreiras fisiológicas que existem no
corpo para limitar o acesso das substâncias estranhas.
ABSORÇÃO dos fármacos pode ocorrer através de vários
mecanismos desenvolvidos para explorar ou romper
essas barreiras. Uma vez absorvido, o fármaco utiliza
sistemas de DISTRIBUIÇÃO dentro do organismo, como
os vasos sanguíneos e os vasos linfáticos, para alcançar o
seu órgão-alvo numa concentração apropriada. A
capacidade do fármaco de ter acesso a seu alvo também
é limitada por diversos processos que ocorrem no
paciente. Esses processos são amplamente divididos em
duas categorias: o METABOLISMO , em que o organismo
inativa o fármaco através de degradação enzimática
(primariamente no fígado), e a EXCREÇÃO , em que o
fármaco é eliminado do corpo (principalmente pelos rins
e pelo fígado, bem como pelas fezes). 
🚦 As 4 etapas principais (ADME):
Pense no remédio como um passageiro num
passeio:
Absorção – 🚪
É quando o remédio entra no corpo (pela boca,
injeção, pele etc.) e começa a ser absorvido para o
sangue.
Distribuição – 🚛
Depois de absorvido, ele viaja pelo sangue e se
espalha para diferentes órgãos e tecidos, chegando
onde precisa agir.
Metabolismo – 🔥
O corpo, principalmente o fígado, transforma o
remédio em outras substâncias, geralmente para
facilitar a eliminação.
Excreção – 🚽
Finalmente, o corpo elimina o que sobrou,
principalmente pela urina (rins), mas também pelo
suor, fezes ou ar.
Os princípios básicos de farmacocinética afetam a
quantidade de fármaco livre que finalmente irá
alcançar o sítio-alvo. Para produzir um efeito em
seu alvo, o fármaco precisa ser absorvido e, a
seguir, distribuído pelo seu alvo antes de ser
metabolizado e excretado. 
Observe que o metabolismo de um fármaco pode
resultar em metabólitos tanto ativos quanto
inativos; os metabólitos ativos também podem
exercer um efeito farmacológico sobre os
receptores-alvo ou, algumas vezes, em outros
receptores. 
ABSORÇÃO:
Passagem do fármaco do local de administração
para a corrente sanguínea, havendo necessidade
de transpor a membrana plasmática. 
A membrana plasmática, devido a sua composição
lipoprotéica, permite que compostos apolares e
sem carga elétrica consigam atravessá-la com
maior facilidade. 
 Os fármacos apresentam características físico-
químicas que podem influenciar o processo de
absorção:
Lipossolubilidade e Hidrossolubilidade
Carga Elétrica
Massa Molecular
Estabilidade química
Velocidade de dissolução 
BIODISPONIBILIDADE:
Indica a quantidade do fármaco que atinge o local
de ação. 
A via de administração do fármaco, a sua forma
química e certos fatores específicos do paciente —
como transportadores e enzimas gastrintestinaise
hepáticos, combinam-se para determinar sua
biodisponibilidade. 
Os fármacos de administração intravenosa são
injetados diretamente na circulação sistêmica;
para esses fármacos, a quantidade administrada
equivale à quantidade que alcança a circulação
sistêmica, e a sua biodisponibilidade é, por
definição, igual a 1,0. 
Em contrapartida, a absorção gastrintestinal
incompleta e o metabolismo hepático de “primeira
passagem” tipicamente fazem com que a
biodisponibilidade de um fármaco de
administração oral seja menor que 1,0
CONCENTRAÇÕES PLASMÁTICAS:
FATORES QUE INTERFEREM NA
BIODISPONIBILIDADE:
Efeito de Primeira Passagem
Solubilidade da droga
Instabilidade química
Fórmula farmacêutica
Características individuais do paciente
MEMBRANAS BIOLÓGICAS:
Vias pelas quais os solutos podem atravessar as
membranas celulares:
Para alcançar o local de ação o fármaco deve passar
por diversas barreiras biológicas: 
Membranas plasmáticas
Endotélio vascular
Epitélio gastrintestinal
FATORES QUE INFLUENCIAM A ABSORÇÃO:
Lipossolubilidade (fármaco apolar): refere-se a
capacidade de uma substância de se solubilizar em
uma fase oleosa, com isso espera-se que quanto
maior for essa lipossolubilidade, mais facilmente o
fármaco atravessa a membrana.
Hidrossolubilidade (fármaco polar): refere-se a
capacidade de uma substância em se dissolver em
meio aquoso. Para permear facilmente pela
membrana o fármaco deve ser lipossolúvel, mas para
ser absorvido o fármaco deve ser hidrossolúvel. 
Solubilidade– Coeficiente de Partição
Via de Administração
Efeito de Primeira Passagem
Massa Molecular, Peso Molecular Coeficiente de
Difusão
Estabilidade química
Velocidade de dissolução
Grau de Dissociação – pKa e pH
Efeito de líquidos luminais – muco, sais biliares,
viscosidade...
FATORES QUE AFETAM A ABSORÇÃO TGI:
Conteúdo intestinal
Motilidade gastrointestinal
Microbiota Intestinal
Fluxo sanguíneo esplênico
Tamanho da partícula e formulação
Fatores físico-químicos
Interações entre fármacos
Interação com alimentos 
INFLUÊNCIA DO PH NA ABSORÇÃO:
Um fator complicador importante com relação à
permeação da membrana é o fato de que muitos
fármacos são ácidos ou bases fracas, existindo,
portanto, tanto na forma não ionizada quanto na 
ionizada; a razão entre as duas formas varia com o
pH. 
📌 O problema da membrana:
1. As membranas das nossas células são como uma
parede de gordura 🧱 feita de lipídios.
2. ➡ Para atravessá-la, o remédio precisa estar em
uma forma que consiga “escorregar” nessa parede.
🔑 Formas do fármaco:
1.Forma não ionizada (sem carga elétrica) → é
“neutra”, lipossolúvel, e consegue atravessar a
membrana facilmente 🚪.
2.Forma ionizada (com carga positiva ou negativa) →
é “carregada”, hidrossolúvel, e não consegue
passar pela parede gordurosa ❌.
⚖ O que define se o fármaco está ionizado ou não?
1.➡ Depende do pH do meio (ácido, neutro ou
básico).
Exemplo:
Se o fármaco é um ácido fraco (como o AAS –
aspirina):
Em ambiente ácido (como o estômago, pH
baixo) → fica mais na forma não ionizada,
então atravessa bem a membrana.
Em ambiente básico (como o intestino, pH alto)
→ fica mais ionizado, então atravessa menos.
Se o fármaco é uma base fraca (como a codeína):
Em ambiente ácido → fica ionizada → não
passa bem.
Em ambiente básico → fica não ionizada →
atravessa fácil.
🎯 Em resumo:
Ácido fraco gosta de meio ácido → passa melhor.
Base fraca gosta de meio básico → passa melhor.
O pH do local onde o remédio está decide se ele
atravessa ou não a membrana.
👉 Pense assim: o MEDICAMENTO tem duas “roupas”:
A roupa neutra (não ionizada) deixa ele entrar fácil
na festa (na célula 🎉).
A roupa carregada (ionizada) faz o segurança
barrar ele na porta 🚫.
 E quem decide a roupa que ele veste é o pH do
ambiente!
Como o pH controla tudo isso:
A proporção entre formas ionizadas e não
ionizadas depende do pH do ambiente em relação
ao pKa do fármaco (veja a equação de
Henderson-Hasselbalch). 
Ácidos fracos (HA ↔ H⁺ + A⁻):
Em meio ácido (pH baixo) → prevalece a forma
não ionizada (HA) → atravessa facilmente.
Em meio básico (pH alto) → forma ionizada (A⁻)
aumenta → menos permeação.
Bases fracas (B + H⁺ ↔ HB⁺):
Em meio básico (pH alto) → prevalece a forma
não ionizada (B) → atravessa bem.
Em meio ácido (pH baixo) → forma ionizada
(HB⁺) aumenta → menos permeação.
DIFUSÃO PASSIVA
O que é difusão passiva?
É a passagem espontânea de uma substância
através da membrana do lado mais concentrado
→ para o lado menos concentrado, sem gastar
energia (sem ATP, sem transportador).
Ela acontece porque as moléculas se movimentam
naturalmente tentando equilibrar as
concentrações nos dois lados da membrana.
Como isso se aplica aos fármacos ácidos/bases
fracos?
1.A membrana celular é lipídica → só deixa passar
facilmente moléculas pequenas, não carregadas e
lipossolúveis.
✅ Forma não ionizada → atravessa por difusão
passiva.
❌ Forma ionizada → fica presa, atravessa
pouco ou nada.
2.O pH do meio muda a proporção entre as formas:
Ácidos fracos → em meio ácido, ficam mais na
forma não ionizada (HA) → passam fácil.
Bases fracas → em meio básico, ficam mais na
forma não ionizada (B) → passam fácil.
3.Uma vez que atravessam, a difusão segue a lei do
gradiente de concentração:
Se há mais fármaco fora da célula, ele vai
entrando.
Se há mais fármaco dentro da célula, ele vai
saindo.
Sempre até buscar o equilíbrio.
Difusão facilitada:
Também vai do mais concentrado para o menos
concentrado, sem gasto de energia.
Mas aqui o fármaco precisa de uma proteína
carreadora da membrana, porque ele não
consegue sozinho.
Importante para algumas moléculas que não são
lipossolúveis ou são grandes demais.
Não depende diretamente do pH e ionização, mas
sim da afinidade com o transportador.
Filtração:
Aqui o fármaco atravessa a membrana junto com
o solvente (água), através de poros ou canais
existentes na membrana celular ou nos capilares.
O que passa depende do tamanho da molécula e
da pressão que “empurra” a água.
Muito importante nos rins (filtração glomerular) →
fármacos pequenos e hidrossolúveis são
eliminados assim.
Ácidos e bases fracas ionizadas (hidrossolúveis)
são eliminadas principalmente por esse
mecanismo.
HA
A+
B
HB+
HA
B
MEIO ÁCIDO
MEIO BÁSICO
AUMENTO OU REDUÇÃO DO PH 
O aumento do pH do plasma (p. ex., pela
administração de bicarbonato de sódio) faz com
que ácidos fracos sejam extraídos do SNC para o
plasma.
O oposto é verdadeiro, ou seja, a redução do pH
do plasma (p. ex., pela administração de um
inibidor da anidrase carbônica, como a
acetazolamida) faz com que ácidos fracos sejam
concentrados no SNC, aumentando sua
neurotoxicidade.
EFEITO DE PRIMEIRA PASSAGEM 
É o efeito que ocorre quando há biotransformação
do fármaco antes que este atinja o local de
ação. Pode ocorrer na parede do intestino, no
sangue mesentérico e, principalmente, no fígado
Quando você toma um remédio pela boca (via
oral), ele não vai direto para a corrente sanguínea
que distribui para o corpo inteiro.
 Antes disso, ele precisa passar por um caminho:
1.Estômago/intestino → o fármaco é absorvido.
2.Veia porta hepática → o sangue do intestino vai
primeiro para o fígado, não para o corpo inteiro.
3.Fígado → o fígado é como um “filtro químico” e
pode modificar ou inativar parte do fármaco antes
que ele chegue à circulação sistêmica (onde
realmente faz efeito).
Esse processo é chamado de efeito de primeira
passagem (ou metabolismo de primeira
passagem).
⚡ Onde pode acontecer?
Parede do intestino → algumas enzimas já
conseguem quebrar o fármaco.
Sangue mesentérico (veia porta) → menor, mas
pode ocorrer alguma transformação.
Principal: fígado → é onde ocorre a maior parte
da biotransformação.
🎯 Por que é importante?
Um remédio pode perder parte da sua eficácia
porque já foi destruído/modificado antes de
circular pelo corpo. Por isso, a biodisponibilidade
oral (quanto do remédio chega “inteiro” ao sangue)
pode ser bem menor do que 100%.
🎯 Em resumo: No caso dos ácidos/bases fracas:
Difusão simples: passa se estiver na forma não
ionizada (lipossolúvel).Difusão facilitada: passa se houver carreador
específico (não depende tanto do pH).
Filtração: passa pelos poros, se for pequena e
hidrossolúvel (a forma ionizada costuma sair por
aqui, principalmente nos rins).
PKA– CONSTANTE DE DISSOCIAÇÃO 
DA SUBSTÂNCIA:
Em termos quantitativos, a pKa de um fármaco
representa o valor de pH em que metade do
fármaco encontra-se em sua forma iônica. A reação
de ionização para um ácido fraco e uma base fraca é:
A constante de dissociação pKa é dada pela equação
de Henderson-Hasselbalch:
Eletrólitos Fracos e Influência do pH 
Distribuição transmembrana é determinada pelo
seu pKa (constante de dissociação) e pelo
gradiente de pH através da membrana.
pKa do fármaco = pH em que 50% da droga
encontra-se no estado ionizado e 50% em estado
não ionizado.
Fármaco com pKa ácido em meio com pH ácido
encontra-se geralmente não ionizada. Fármaco
com pKa básico em meio com pH ácido encontra-
se geralmente ionizada. 
A maioria dos fármacos atravessam as membranas
por difusão na forma não-ionizada:
DISTRIBUIÇÃO: 
A distribuição de um fármaco ocorre
primariamente através do sistema circulatório,
enquanto o sistema linfático contribui com um
componente menor. 
Uma vez absorvido na circulação sistêmica, o
fármaco é então capaz de alcançar qualquer
órgão-alvo. 
A concentração do fármaco no plasma é
frequentemente utilizada para definir os níveis
terapêuticos do fármaco e monitorá-los, visto que
é difícil medir a quantidade de fármaco que é
realmente captada pelo órgão-alvo. 
Em alguns casos, a concentração plasmática de um
fármaco pode representar uma medida
relativamente precária de sua verdadeira
concentração tecidual. 
Entretanto, na maioria dos casos, o efeito do
fármaco no tecido-alvo correlaciona-se bem com a
sua concentração plasmática. 
O padrão do equilíbrio de distribuição entre os
diversos compartimentos depende, portanto, da: 
Permeabilidade através das barreiras teciduais.
Ligação dentro dos compartimentos.
Partição pelo pH.
Partição óleo/água. 
Para passar do compartimento extracelular para
os compartimentos transcelulares, o fármaco
precisa atravessar uma barreira celular (ex.:
barreira hematoencefálica). 
LIGAÇÃO A PROTEÍNAS PLASMÁTICAS 
Muitos fármacos ligam-se com baixa afinidade à
albumina através de forças tanto hidrofóbicas
quanto eletrostáticas. A ligação às proteínas
plasmáticas tende a reduzir a disponibilidade de
um fármaco para difusão ou transporte no órgão-
alvo desse fármaco, 
visto que, em geral, apenas a forma livre é capaz de
difundir-se através das membranas. A ligação às
proteínas plasmáticas também pode reduzir o
transporte dos fármacos em compartimentos não-
vasculares, como o tecido adiposo e o músculo. A
quantidade de ligação de um fármaco a proteínas
depende de três fatores:
A concentração de fármaco livre.
Sua afinidade pelos locais de ligação. 
A concentração de proteínas. 
 Baixa ligação a proteína Alta ligação a proteína
 
 Rápida eliminação Eliminação mais lenta
 Efeito mais intenso Efeito mais duradouro
 Menor duração Maior duração
Quando um fármaco entra na circulação, ele pode:
✅ Ficar livre (forma ativa → atravessa membranas,
age nos receptores, é metabolizado e eliminado).
✅ Ficar ligado à proteína plasmática (forma inativa
temporária → funciona como um “estoque” no
sangue).
📌 1. Baixa ligação a proteínas
👉 Pouca parte do fármaco fica ligada → a maior parte
está livre no sangue.
Consequência:
Muito fármaco ativo disponível → efeito mais
intenso.
Mas como está livre, o organismo o metaboliza
e elimina rapidamente (pelos rins ou fígado).
Resultado: efeito rápido, forte, mas de curta
duração.
💡 Exemplo: antibióticos como a amoxicilina têm
baixa ligação proteica.
📌 2. Alta ligação a proteínas
👉 Grande parte do fármaco fica “presa” à proteína, e
só uma parte pequena está livre (ativa).
Consequência:
Menos fármaco livre → efeito inicial menos
intenso.
Mas como o fármaco vai se “desprendendo”
aos poucos da proteína, ele fica mais tempo
circulando.
Resultado: ação prolongada, eliminação mais
lenta.
💡 Exemplo: a varfarina (anticoagulante) tem altíssima
ligação proteica (>95%), por isso age devagar, mas por
muito tempo.
🎯 Resumindo com analogia
Baixa ligação = fármaco “solto”, age logo, mas vai
embora rápido.
Alta ligação = fármaco “preso”, age devagar, mas
dura mais tempo.
CONSIDERAÇÕES: 
Principais proteínas: 
Albumina plasmática
Globulina-β 
Glicoproteína ácida
Albumina se liga a fármacos ácidos Competição por
proteínas plasmáticas– interações medicamentosas.
BIOTRANSFORMAÇÃO 
Rins, o trato gastrintestinal, os pulmões, a pele e
outros órgãos contribuem para o metabolismo
sistêmico dos fármacos. 
O fígado contém a maior diversidade e quantidade
de enzimas metabólicas, de modo que a maior
parte do metabolismo dos fármacos ocorre nesse
órgão. 
A capacidade do fígado de modificar os fármacos
depende da quantidade de fármaco que penetra
nos hepatócitos. 
As enzimas hepáticas têm a propriedade de
modificar quimicamente uma variedade de
substituintes nas moléculas dos fármacos,
tornando os fármacos inativos ou facilitando a sua
eliminação. 
Essas modificações são designadas, em seu
conjunto, como biotransformação. 
Fase 1 (funcionalização):
Reações: oxidação, redução, hidrólise.
Função: introduzem ou expõem um grupo
funcional na molécula (–OH, –NH₂, –COOH).
Resultado: deixam o fármaco mais reativo e pronto
para a fase 2.
💊 Exemplo da imagem: aspirina (ácido acetilsalicílico)
→ perde o grupo acetil → vira ácido salicílico.
Fase 2 (conjugação):
Reações: a molécula derivada se liga a compostos
polares endógenos (ácido glicurônico, sulfato,
glicina, glutationa).
Função: tornar o fármaco muito mais solúvel em
água.
Resultado: fácil eliminação pela urina ou bile.
💊 Exemplo da imagem: ácido salicílico → conjugado
com ácido glicurônico → vira glicuronídeo.
📊 Resumindo:
1.Fase 1 → Aspirina (fármaco original) é modificada
→ Ácido salicílico (derivado).
2.Fase 2 → Ácido salicílico recebe um grupo
glicurônico → Glicuronídeo (conjugado, solúvel,
pronto para eliminação).
🎯 Analogia para fixar:
Imagine o fármaco como uma roupa suja de óleo.
Fase 1: passa um sabão que quebra a gordura em
partes menores (torna mais reativa).
Fase 2: joga água e sabão líquido que grudam e
dissolvem → a sujeira fica solúvel e vai embora
pelo ralo (eliminação).
FATORES QUE INFLUENCIAM O METABOLISMO:
Dose
Idade
Doenças
Interações Medicamentosas
Interações Alimentares 
INTERAÇÕES FARMACOLÓGICAS 
Indução enzimática - é uma elevação dos níveis
de enzimas (como o complexo Citocromo P450)
ou da velocidade dos processos enzimáticos,
resultantes em um metabolismo acelerado do
fármaco, resultando em efeitos farmacológicos
mais rápidos. Alguns fármacos têm a capacidade
de aumentar a produção de enzimas ou de
aumentar a velocidade de reação das enzimas. Ex.:
Fenobarbital. 
Inibição enzimática - caracteriza-se por uma
queda na velocidade de biotransformação,
resultando em efeitos farmacológicos
prolongados e maior incidência de efeitos tóxicos
do fármaco. Esta inibição em geral é competitiva.
Pode ocorrer, por exemplo, entre duas ou mais
drogas competindo pelo sítio ativo de uma mesma
enzima. 
EFEITO DA INDUÇÃO:
A rifampicina (antibiótico usado contra
tuberculose) é mostrada como exemplo clássico de
indutor enzimático.
Ela aumenta a quantidade da enzima CYP3A4 (uma
enzima do citocromo P450, responsável por
metabolizar muitos medicamentos no fígado).
Antes da indução, há poucas enzimas (poucos
CYP3A4).
Depois da indução, há muitas enzimas CYP3A4,
acelerando o metabolismo dos medicamentos.
O que acontece com os fármacos?
Exemplos citados: corticoides, diazepam, digoxina.
Quando a rifampicina induz a enzima, esses
medicamentos são metabolizados mais rápido → o
corpo elimina mais depressa → a concentração no
sangue cai.
Isso pode fazer o tratamento perder eficácia.
O gráfico da esquerda (antes da indução):
mostra a curva normal da concentração de um
medicamento(linha azul subindo e caindo).
O gráfico da direita (após indução): a curva do
medicamento (linha vermelha) é bem mais baixa
→ porque a droga é eliminada rapidamente.
Resultado: a concentração fica abaixo da linha
terapêutica (linha pontilhada), aumentando risco
de falha terapêutica.
Evitar a interação, se possível. Se não der, ajustar a
dose do medicamento afetado.
Origem dos indutores enzimáticos: Além de
medicamentos como a rifampicina, também podem
induzir enzimas:
Outros tratamentos (ex: anticonvulsivantes como
fenitoína, carbamazepina).
Poluentes ambientais.
Tabagismo e alcoolismo crônico.
EFEITO DA COMPETIÇÃO
➡ Aqui o foco é quando dois fármacos disputam a
mesma enzima metabólica (no caso, a CYP3A4).
Um fármaco sozinho (bolinha verde) é
metabolizado pela enzima CYP3A4 normalmente.
Quando dois fármacos (verde e rosa) precisam da
mesma enzima, eles competem para ver qual será
metabolizado primeiro.
O fármaco com maior afinidade pela enzima
“ganha a corrida”, sendo metabolizado mais rápido
→ o outro fica mais tempo no organismo.
📌 A figura traz:
"Quanto ↑ afinidade → ↓ efeito sobre perfil cinético"
 Ou seja: o que tem maior afinidade ocupa mais a
enzima, mudando o metabolismo do outro.
Fármaco 1 sozinho (gráfico da esquerda):
Linha azul: concentração do fármaco no sangue →
sobe e depois cai. Se mantém dentro do esperado.
Fármaco 1 na presença do fármaco 2 (gráfico do
meio):
O fármaco 2 competiu com o 1 (linha vermelha).
Resultado: Fármaco 1 demora mais para ser
metabolizado, sua concentração fica mais alta e
por mais tempo (risco de toxicidade).
O fármaco 2 pode ser metabolizado mais rápido
ou menos eficiente → alteração do seu perfil
cinético.
Fármaco 2 na presença do fármaco 1 (gráfico da
direita)
Mesma lógica, mas agora mostrando como o
fármaco 2 é afetado pela presença do 1.
Dependendo da afinidade, a concentração do
fármaco 2 pode aumentar ou diminuir.
Competição enzimática ocorre quando dois fármacos usam a mesma enzima
(ex: CYP3A4). Isso pode:
Aumentar níveis plasmáticos de um (risco de toxicidade).
Reduzir a metabolização do outro (efeito terapêutico alterado).
O impacto depende da afinidade de cada fármaco pela enzima.
✅ Explicação simplificada: Essa figura mostra que quando dois medicamentos
competem pela mesma enzima do fígado, um pode atrapalhar o metabolismo
do outro → levando a concentrações diferentes no sangue (mais altas ou mais
baixas), com risco de toxicidade ou falha terapêutica.
Indutores Enzimáticos: Álcool, omeprazol,
fenobarbital, rifampicina.... 
Inibidores Enzimáticos: Cimetidina, eritromicina,
cetoconazol, quinidina, dissulfiram..
EXCREÇÃO: 
As reações de Fase I e II aumentam a
hidrofilicidade de um fármaco hidrofóbico e seus
metabólitos, permitindo que esses fármacos sejam
excretados através de uma via comum final com
fármacos que são intrinsecamente hidrofílicos. 
Os fármacos e seus metabólitos são, em sua
maioria, eliminados do corpo através de excreção
renal e biliar. 
A excreção renal constitui o mecanismo mais
comum de eliminação de fármacos e baseia-se na
natureza hidrofílica de um fármaco ou seu
metabólito. 
Muitos fármacos de administração oral sofrem
absorção incompleta pelo trato gastrintestinal
superior, e o fármaco residual é então eliminado
por excreção fecal. 
Excreção mínima através das vias respiratória e
dérmica. 
 ETAPAS DA EXCREÇÃO RENAL DE FÁRMACOS:
1.Filtração glomerular:
O fármaco livre (não ligado a proteínas
plasmáticas) entra no filtrado glomerular → passa
para a cápsula de Bowman.
Quanto maior o fluxo sanguíneo renal e a taxa de
filtração glomerular (TFG), maior será a eliminação.
Se o fármaco estiver muito ligado a proteínas
plasmáticas, não será filtrado.
2. Secreção tubular (principalmente no túbulo
proximal):
Ocorre transporte ativo de fármacos do sangue
para o túbulo renal.
Ácidos fracos e bases fracas são secretados
ativamente.
Exemplo: penicilinas (ácidos fracos) são eliminadas
rapidamente pela secreção tubular.
3. Reabsorção tubular (difusão passiva):
No túbulo distal e coletor, alguns fármacos
lipossolúveis e não ionizados podem ser
reabsorvidos de volta para o sangue.
Isso ocorre por difusão passiva, porque esses
fármacos atravessam facilmente a membrana
lipídica das células do túbulo.
Já os fármacos ionizados e hidrossolúveis não
conseguem atravessar a membrana →
permanecem na urina.
4. Excreção final pela urina
O que não for reabsorvido, permanece no lúmen
tubular e é eliminado na urina.
Na urina, encontramos preferencialmente o
fármaco ionizado, hidrossolúvel e insolúvel em
lipídeos.
O equilíbrio relativo das taxas de filtração, secreção e reabsorção
é que determina a cinética de eliminação dos fármacos pelos rins.
Excreção mais rápida depende do: aumento do fluxo sanguíneo, o
aumento da taxa de filtração glomerular e a diminuição da
ligação às proteínas plasmáticas, pois todas essas alterações
resultam em aumento da filtração do fármaco no glomérulo.
 Ácidos e bases fracas são secretados a vamente para o interior do
túbulo. Fármacos lipossolúveis são reabsorvidos passivamente por
difusão no túbulo. 
DEPURAÇÃO (CLEARANCE) 
👉 Pense como se fosse a “velocidade de limpeza do
sangue” feita pelos órgãos que eliminam o
medicamento.
🔹 Como funciona?
Vários órgãos podem participar da eliminação:
Rins → excreção urinária.
Fígado → metabolização e excreção biliar.
Pulmões → eliminação de gases/anestésicos
voláteis.
Cada órgão tem um clearance próprio.
O clearance total (Clt) é a soma 
dos clearances de cada órgão:
Cltotal = Clrim + Clfígado + Clpulmão +...
📌 Exemplo:
Se o rim elimina 60 mL/min, o fígado 30 mL/min e o
pulmão 10 mL/min → o clearance total = 100 mL/min.
Isso significa que a cada minuto, 100 mL de plasma
são completamente “limpos” do fármaco.
Imagine que o sangue é uma piscina e o fármaco é a
sujeira.
O fígado é como um filtro químico.
O rim é como o ralo que joga sujeira fora na água.
O pulmão é como um exaustor que tira gases da
piscina.
👉 O clearance total é a soma da eficiência de todos
esses filtros.
🔹 Por que é importante?
O clearance ajuda a calcular a meia-vida do
fármaco (quanto tempo ele leva para ser
eliminado).
Determina a dose correta de medicamentos (para
não intoxicar nem perder eficácia).
Explica por que pacientes com insuficiência renal
ou hepática precisam de ajuste de dose.
✅ Resumo:
Clearance = capacidade do corpo de limpar o
sangue do fármaco.
É a soma dos clearances de todos os órgãos que
eliminam o medicamento.
Quanto maior o clearance → mais rápido o
fármaco sai do corpo.
TEMPO ½ VIDA 
Tempo necessário para que a quantidade de
fármaco se reduza à metade durante a eliminação.
Indica o tempo necessário para se atingir 50% do
estado de equilíbrio 
INFLÊNCIA DO pH NA EXCREÇÃO DOS FÁRMACOS:
O pH da urina é fundamental para determinar se o
fármaco será reabsorvido ou eliminado:
Ácidos fracos (ex: ácido acetilsalicílico):
São mais ionizados em pH alcalino → menos
reabsorvidos → mais excretados.
Por isso, em intoxicação por aspirina, dá-se
bicarbonato para alcalinizar a urina.
Bases fracas (ex: anfetaminas):
São mais ionizadas em pH ácido → menos
reabsorvidas → mais excretadas.
Em intoxicação por anfetaminas, acidificar a
urina ajuda a eliminar.
Resumindo: os fármacos podem ser:
1.Filtrados no glomérulo (forma livre).
2.Secretados no túbulo proximal (principal para
ácidos e bases fracas).
3.Reabsorvidos no túbulo (se forem lipossolúveis e
não ionizados).
4.Excretados na urina (quando permanecem
ionizados e hidrossolúveis).
🔹 Fatores que aumentam a velocidade de excreção
↑ Fluxo sanguíneo renal
↑ Taxa de filtração glomerular (TFG)
↓ Ligação do fármaco às proteínas plasmáticas
(mais fármaco livre disponível para filtração e
secreção)
✅ Resumo bem simples pra decorar:
Lipossolúvel e não ionizado → reabsorve.
Ionizado e hidrossolúvel → excreta.
pH alcalino → excreta ácidos fracos.
pH ácido → excreta bases fracas.
DEPURAÇÃO (CLEARANCE) 
É a medida da capacidade do organismo em
eliminar um fármaco. Esta medida é dada pela
soma da capacidade de biotransformaçãometabolizados. de todos os órgãos Assim, se um
fármaco é biotransformado nos rins, fígado e
pulmões, o clearance total é a soma da capacidade
metabolizadora de cada um desses órgãos, isto é,
é a soma do clearance hepático com o clearance
renal com o clearance pulmonar. 
ESQUEMA FARMACOCINÉTICO:
🔹 1. Administração (como o fármaco entra no corpo)
Oral ou retal → intestino
Pele (percutânea)
Injeção intravenosa → direto no plasma
Intramuscular → músculo
Intratecal → líquido cerebrospinal (LCR)
Inalação → pulmão
👉 O local de administração influencia a velocidade e a
quantidade de absorção.
🔹 2. Absorção e distribuição (como o fármaco chega
ao plasma e tecidos)
Depois de entrar no corpo, o fármaco vai para o
plasma (sangue).
Do plasma, ele pode ser distribuído para:
Cérebro (atravessando barreira
hematoencefálica)
Músculo
Placenta → feto
Mama e glândulas sudoríparas → leite materno
e suor
👉 O plasma é o “centro de distribuição” do fármaco.
🔹 3. Metabolismo (transformação do fármaco)
O principal órgão é o fígado.
Ele transforma o fármaco em metabólitos (mais
hidrossolúveis) para facilitar a eliminação.
Alguns metabólitos vão para a bile → intestino →
fezes.
🔹4. Eliminação (como o corpo se livra do fármaco)
Rins → urina (principal via de excreção)
Fezes → via intestinal/biliar
Ar expirado → pulmão (ex: anestésicos inalatórios,
álcool)
Leite materno e suor → pequenas quantidades
eliminadas
✅ Resumo:
Entrada (administração) → fármaco chega ao
corpo.
Absorção → passa para o sangue (plasma).
Distribuição → se espalha para tecidos e órgãos.
Metabolismo (fígado) → fármaco transformado.
Eliminação → sai pela urina, fezes, ar ou secreções.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM:
 
1.O que é farmacocinética? E para que serve?
2.O que é biodisponibilidade? E diferencie a
biodisponibilidade da via oral e da via intravenosa.
3.Quais são as etapas farmacocinéticas da via oral?
4.Quais os fatores influenciam diretamente a
absorção?
5.Quais fatores afetam a absorção gastrintestinal?
6.Como o pH influencia na absorção dos fármacos?
7.O que é metabolismo de primeira passagem? 
8.Quais os principais fatores que interferem na
metabolização dos fármacos?
9.Diferencie as reações de metabolização de Fase 1
e de Fase 2.
10.Quais as principais vias de eliminação/excreção de
fármacos?
RESPOSTAS:
1.É a parte da farmacologia que estuda o caminho
que o remédio faz dentro do nosso corpo, desde o
momento em que você toma até o momento em
que ele sai. É como acompanhar uma “viagem” do
medicamento pelo organismo. 🚗💊 É “o que o
corpo faz com o remédio”. Pode ser definida como
a medida e a interpretação formal de alterações
temporais nas concentrações de um fármaco em
uma ou mais regiões do organismo em relação à
dose administrada. Na prática: concentrações do
fármaco que chegam ao plasma sanguíneo. É o
caminho que a droga faz no organismo. Note que
não é o estudo do seu mecanismo de ação
(EFEITO). Para que serve: Para determinar o uso
adequado do medicamento. Escolher a via de
administração. Para determinar a posologia ideal
(doses e intervalo entre as doses). Para verificar as
possíveis relações com insuficiência renal,
alterações hepáticas entre outras. Para prever
outros efeitos em potencial, como os colaterais,
por exemplo, no caso de acúmulo do fármaco em
determinado compartimento (organotropismo); ou
ainda os oriundos de interações medicamentosas
dos processos de absorção, distribuição,
biotransformação e excreção. Para determinar os
principais sítios de biotransformação. Para
determinar quais as vias de excreção do fármaco
2. Indica a quantidade do fármaco que atinge o
local de ação. A via de administração do fármaco,
a sua forma química e certos fatores específicos do
paciente — como transportadores e enzimas
gastrintestinais e hepáticos, combinam-se para
determinar sua biodisponibilidade. Os fármacos
de administração intravenosa são injetados
diretamente na circulação sistêmica; para esses
fármacos, a quantidade administrada equivale à
quantidade que alcança a circulação sistêmica, e a
sua biodisponibilidade é, por definição, igual a 1,0.
A absorção gastrintestinal incompleta e o
metabolismo hepático de “primeira passagem”
tipicamente fazem com que a biodisponibilidade
de um fármaco de administração oral seja menor
que 1,0 
3.🔹 Etapas farmacocinéticas da via oral:
1.Liberação:
O comprimido/cápsula precisa se desintegrar e o
fármaco se dissolver no trato gastrointestinal. Se não
se dissolver, não é absorvido.
2. Absorção: (no intestino, principalmente)
O fármaco atravessa a parede intestinal para entrar na
circulação. Depende de fatores como:
Lipossolubilidade (quanto mais lipossolúvel, mais
fácil absorver).
RESPOSTAS:
Grau de ionização (influência do pH intestinal).
Motilidade intestinal.
Presença de alimentos.
3. Efeito de primeira passagem: (metabolismo pré-
sistêmico)
Antes de chegar à circulação sistêmica, o fármaco
absorvido no intestino passa pelo fígado via veia
porta.
O fígado pode metabolizar parte do fármaco →
reduzindo a quantidade que chega ao sangue.
4. Distribuição: (no plasma)
O fármaco chega ao sangue e é distribuído para os
tecidos.
Pode se ligar a proteínas plasmáticas (ex:
albumina) ou penetrar em órgãos-alvo.
5. Metabolismo (principalmente no fígado)
O fígado transforma o fármaco em metabólitos
(mais hidrossolúveis).
Isso facilita a excreção.
6. Excreção: (principalmente renal)
A maior parte dos fármacos (ou seus metabólitos)
é eliminada pelos rins na urina.
Outras vias: bile/fezes, ar expirado, suor, leite
materno.
✅ Resumindo em ordem:
Via oral = → Liberação → Absorção intestinal →
Primeira passagem hepática → Distribuição pelo
sangue → Metabolismo → Excreção
4. Lipossolubilidade e hidrossolubilidade, carga
elétrica, massa molecular, peso molecular,
estabilidade química, velocidade de dissolução, via de
administração, Efeito de Primeira Passagem, 
coeficiente de difusão, estabilidade química,
velocidade de dissolução, grau de dissociação – pKa e
pH, efeito de líquidos luminais – muco, sais biliares,
viscosidade...
5. Conteúdo intestinal, Motilidade gastrointestinal,
Microbiota Intestinal, Fluxo sanguíneo esplênico,
Tamanho da partícula e formulação, Fatores físico-
químicos, Interações entre fármacos, Interação com
alimentos. 
6. O pH influencia a absorção porque ele determina se
o fármaco estará ionizado ou não ionizado:
Forma não ionizada → mais lipossolúvel →
atravessa facilmente as membranas → melhor
absorvida.
Forma ionizada → hidrossolúvel → não atravessa
bem a membrana → absorção reduzida.
👉 Assim:
Ácidos fracos absorvem-se melhor em meio ácido
(ex: estômago).
Bases fracas absorvem-se melhor em meio
alcalino (ex: intestino delgado).
7. É a metabolização inicial do fármaco no fígado (ou
intestino) antes de chegar à circulação sistêmica →
reduz a fração do fármaco ativo que alcança o sangue.
8. Genéticos (polimorfismos enzimáticos)
Idade (idosos e recém-nascidos metabolizam mais
lentamente)
Doenças hepáticas
Uso de outros fármacos (indutores ou inibidores
enzimáticos) - Interações Medicamentosas
Alimentação (Interações Alimentares), tabaco,
álcool
Dose
9. Fase 1 (funcionalização): oxidação, redução,
hidrólise → introduzem ou expõem grupos funcionais.
(Ex: citocromo P450).
Fase 2 (conjugação): ligam o fármaco ou
metabólito a moléculas endógenas (ex:
glicuronidação, sulfatação) → tornam o composto
mais hidrossolúvel para excreção.
10. Renal (urina) → principal via.
Biliar/fecal
Pulmonar (ar expirado)
Secreções (saliva, suor, leite materno)
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