Prévia do material em texto
FUNDAMENTOS DA FARMACOCINÉTICA: CONCEITOS FUNDAMENTAIS: Potência: é uma medida da quantidade de fármaco necessária para produzir um efeito de determinada intensidade. A concentração de fármaco que produz 50% do efeito máximo (CE₅₀) em geral é usada para determinar a potência. O que é CE₅₀? CE₅₀ (Concentração Efetiva 50%) é a concentração de um fármaco necessária para produzir 50% do seu efeito máximo (Emax). É medida em ensaios de curva dose–resposta, onde se observa como o efeito varia conforme a dose/concentração. 📌 Relação com a Potência: Potência = mede o quanto de fármaco é necessário para gerar um efeito. Quanto menor a CE₅₀, mais potente é o fármaco → porque precisa de menos quantidade para produzir metade do efeito máximo. Quanto maior a CE₅₀, menos potente → exige mais droga para atingir o mesmo efeito. 👉 Exemplo prático: Fármaco A → CE₅₀ = 2 mg Fármaco B → CE₅₀ = 20 mg ➡ Ambos podem atingir o mesmo efeito máximo (Emax), mas o A é 10x mais potente, pois precisa de uma dose muito menor para chegar a 50% do efeito. Eficácia: é o tamanho da resposta que o fármaco causa quando interage com um receptor. A eficácia depende do número de complexos farmacorreceptores formados e da atividade intrínseca do fármaco. A eficácia máxima de um fármaco (Emáx) considera que todos os receptores estão ocupados pelo fármaco 📌 Diferença Potência x Eficácia Potência (CE₅₀) = “quanto preciso dar para fazer efeito”. Eficácia (Emax) = “qual o efeito máximo que a droga consegue atingir”. 👉 Exemplo: Paracetamol e morfina: A morfina é mais potente (precisa de menos dose para o mesmo efeito analgésico). Mas a eficácia analgésica máxima também é maior na morfina. ✅ Resumo didático: A CE₅₀ é usada para medir potência porque mostra o ponto em que o fármaco já atingiu metade do seu efeito máximo. Assim, conseguimos comparar qual medicamento precisa de menor dose para começar a agir de forma relevante. Maximizar benefícios Minimizar malefícios E POR QUE ESTUDAMOS A CINÉTICA DOS MEDICAMENTOS? Para determinar o uso adequado do medicamento. Escolher a via de administração. Para determinar a posologia ideal (doses e intervalo entre as doses). Para verificar as possíveis relações com insuficiência renal, alterações hepáticas entre outras. Para prever outros efeitos em potencial, como os colaterais, por exemplo, no caso de acúmulo do fármaco em determinado compartimento (organotropismo); ou ainda os oriundos de interações medicamentosas dos processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção. Para determinar os principais sítios de biotransformação. Para determinar quais as vias de excreção do fármaco PERFIL FARMACOCINÉTICO: Como a concentração do remédio no sangue varia ao longo do tempo ⏳. Leitura do gráfico: 🔑 Pontos principais: Início do efeito (quando a curva cruza a linha vermelha de baixo) 👉 É o momento em que o remédio atinge a concentração mínima eficaz (a dose começa a funcionar). Duração da ação (a faixa em que a curva fica acima da linha vermelha de baixo) 👉 É o tempo em que o remédio está fazendo efeito. Quando a curva cai abaixo dessa linha, o efeito acaba. Pico do efeito (o ponto mais alto da curva) 👉 É a maior concentração do remédio no sangue → normalmente onde ele está agindo mais forte. Intensidade do efeito (distância entre a linha mínima eficaz e o pico) 👉 Mostra o quão forte o medicamento atua. Concentração mínima para efeitos adversos (linha vermelha de cima) 👉 Se a curva ultrapassa essa linha, pode aparecer toxicidade ou efeitos colaterais. Janela terapêutica (a faixa entre a linha de baixo e a linha de cima) 👉 É a zona de segurança: abaixo dela → remédio não faz efeito; dentro dela → remédio funciona bem e com segurança; acima dela → risco de efeitos adversos. A BASE DOS ESTUDOS FARMACOLÓGICOS: RESPOSTA TERAPÊUTICA: O efeito ou resposta terapêutica é o resultado dos fenômenos que ocorrem após a administração de um medicamento e estes dependem, por sua vez, das características do fármaco, das características do indivíduo e, o mais importante, da interação entre estes dois fatores: fármaco e indivíduo. FARMACOCINÉTICA: É a parte da farmacologia que estuda o caminho que o remédio faz dentro do nosso corpo, desde o momento em que você toma até o momento em que ele sai. É como acompanhar uma “viagem” do medicamento pelo organismo. 🚗💊 É “o que o corpo faz com o remédio” Pode ser definida como a medida e a interpretação formal de alterações temporais nas concentrações de um fármaco em uma ou mais regiões do organismo em relação à dose administrada. Na prática: concentrações do fármaco que chegam ao plasma sanguíneo. É o caminho que a droga faz no organismo. Note que não é o estudo do seu mecanismo de ação (EFEITO), mas sim as etapas que a droga percorre desde a administração até a excreção. Uma vez que o fármaco encontra-se no organismo, essas etapas ocorrem de forma simultânea sendo essa divisão apenas de caráter didático. 🌟 Resumindo didaticamente: Pense que o remédio é como encher um copo com água: Se colocar pouca → não mata a sede (abaixo da linha mínima). Se colocar a quantidade certa → mata a sede sem problemas (dentro da janela terapêutica). Se colocar demais e transbordar → faz sujeira (efeitos adversos). ETAPAS FARMACOCINÉTICA: Um fármaco, para ser bem sucedido, deve ser capaz de atravessar as barreiras fisiológicas que existem no corpo para limitar o acesso das substâncias estranhas. ABSORÇÃO dos fármacos pode ocorrer através de vários mecanismos desenvolvidos para explorar ou romper essas barreiras. Uma vez absorvido, o fármaco utiliza sistemas de DISTRIBUIÇÃO dentro do organismo, como os vasos sanguíneos e os vasos linfáticos, para alcançar o seu órgão-alvo numa concentração apropriada. A capacidade do fármaco de ter acesso a seu alvo também é limitada por diversos processos que ocorrem no paciente. Esses processos são amplamente divididos em duas categorias: o METABOLISMO , em que o organismo inativa o fármaco através de degradação enzimática (primariamente no fígado), e a EXCREÇÃO , em que o fármaco é eliminado do corpo (principalmente pelos rins e pelo fígado, bem como pelas fezes). 🚦 As 4 etapas principais (ADME): Pense no remédio como um passageiro num passeio: Absorção – 🚪 É quando o remédio entra no corpo (pela boca, injeção, pele etc.) e começa a ser absorvido para o sangue. Distribuição – 🚛 Depois de absorvido, ele viaja pelo sangue e se espalha para diferentes órgãos e tecidos, chegando onde precisa agir. Metabolismo – 🔥 O corpo, principalmente o fígado, transforma o remédio em outras substâncias, geralmente para facilitar a eliminação. Excreção – 🚽 Finalmente, o corpo elimina o que sobrou, principalmente pela urina (rins), mas também pelo suor, fezes ou ar. Os princípios básicos de farmacocinética afetam a quantidade de fármaco livre que finalmente irá alcançar o sítio-alvo. Para produzir um efeito em seu alvo, o fármaco precisa ser absorvido e, a seguir, distribuído pelo seu alvo antes de ser metabolizado e excretado. Observe que o metabolismo de um fármaco pode resultar em metabólitos tanto ativos quanto inativos; os metabólitos ativos também podem exercer um efeito farmacológico sobre os receptores-alvo ou, algumas vezes, em outros receptores. ABSORÇÃO: Passagem do fármaco do local de administração para a corrente sanguínea, havendo necessidade de transpor a membrana plasmática. A membrana plasmática, devido a sua composição lipoprotéica, permite que compostos apolares e sem carga elétrica consigam atravessá-la com maior facilidade. Os fármacos apresentam características físico- químicas que podem influenciar o processo de absorção: Lipossolubilidade e Hidrossolubilidade Carga Elétrica Massa Molecular Estabilidade química Velocidade de dissolução BIODISPONIBILIDADE: Indica a quantidade do fármaco que atinge o local de ação. A via de administração do fármaco, a sua forma química e certos fatores específicos do paciente — como transportadores e enzimas gastrintestinaise hepáticos, combinam-se para determinar sua biodisponibilidade. Os fármacos de administração intravenosa são injetados diretamente na circulação sistêmica; para esses fármacos, a quantidade administrada equivale à quantidade que alcança a circulação sistêmica, e a sua biodisponibilidade é, por definição, igual a 1,0. Em contrapartida, a absorção gastrintestinal incompleta e o metabolismo hepático de “primeira passagem” tipicamente fazem com que a biodisponibilidade de um fármaco de administração oral seja menor que 1,0 CONCENTRAÇÕES PLASMÁTICAS: FATORES QUE INTERFEREM NA BIODISPONIBILIDADE: Efeito de Primeira Passagem Solubilidade da droga Instabilidade química Fórmula farmacêutica Características individuais do paciente MEMBRANAS BIOLÓGICAS: Vias pelas quais os solutos podem atravessar as membranas celulares: Para alcançar o local de ação o fármaco deve passar por diversas barreiras biológicas: Membranas plasmáticas Endotélio vascular Epitélio gastrintestinal FATORES QUE INFLUENCIAM A ABSORÇÃO: Lipossolubilidade (fármaco apolar): refere-se a capacidade de uma substância de se solubilizar em uma fase oleosa, com isso espera-se que quanto maior for essa lipossolubilidade, mais facilmente o fármaco atravessa a membrana. Hidrossolubilidade (fármaco polar): refere-se a capacidade de uma substância em se dissolver em meio aquoso. Para permear facilmente pela membrana o fármaco deve ser lipossolúvel, mas para ser absorvido o fármaco deve ser hidrossolúvel. Solubilidade– Coeficiente de Partição Via de Administração Efeito de Primeira Passagem Massa Molecular, Peso Molecular Coeficiente de Difusão Estabilidade química Velocidade de dissolução Grau de Dissociação – pKa e pH Efeito de líquidos luminais – muco, sais biliares, viscosidade... FATORES QUE AFETAM A ABSORÇÃO TGI: Conteúdo intestinal Motilidade gastrointestinal Microbiota Intestinal Fluxo sanguíneo esplênico Tamanho da partícula e formulação Fatores físico-químicos Interações entre fármacos Interação com alimentos INFLUÊNCIA DO PH NA ABSORÇÃO: Um fator complicador importante com relação à permeação da membrana é o fato de que muitos fármacos são ácidos ou bases fracas, existindo, portanto, tanto na forma não ionizada quanto na ionizada; a razão entre as duas formas varia com o pH. 📌 O problema da membrana: 1. As membranas das nossas células são como uma parede de gordura 🧱 feita de lipídios. 2. ➡ Para atravessá-la, o remédio precisa estar em uma forma que consiga “escorregar” nessa parede. 🔑 Formas do fármaco: 1.Forma não ionizada (sem carga elétrica) → é “neutra”, lipossolúvel, e consegue atravessar a membrana facilmente 🚪. 2.Forma ionizada (com carga positiva ou negativa) → é “carregada”, hidrossolúvel, e não consegue passar pela parede gordurosa ❌. ⚖ O que define se o fármaco está ionizado ou não? 1.➡ Depende do pH do meio (ácido, neutro ou básico). Exemplo: Se o fármaco é um ácido fraco (como o AAS – aspirina): Em ambiente ácido (como o estômago, pH baixo) → fica mais na forma não ionizada, então atravessa bem a membrana. Em ambiente básico (como o intestino, pH alto) → fica mais ionizado, então atravessa menos. Se o fármaco é uma base fraca (como a codeína): Em ambiente ácido → fica ionizada → não passa bem. Em ambiente básico → fica não ionizada → atravessa fácil. 🎯 Em resumo: Ácido fraco gosta de meio ácido → passa melhor. Base fraca gosta de meio básico → passa melhor. O pH do local onde o remédio está decide se ele atravessa ou não a membrana. 👉 Pense assim: o MEDICAMENTO tem duas “roupas”: A roupa neutra (não ionizada) deixa ele entrar fácil na festa (na célula 🎉). A roupa carregada (ionizada) faz o segurança barrar ele na porta 🚫. E quem decide a roupa que ele veste é o pH do ambiente! Como o pH controla tudo isso: A proporção entre formas ionizadas e não ionizadas depende do pH do ambiente em relação ao pKa do fármaco (veja a equação de Henderson-Hasselbalch). Ácidos fracos (HA ↔ H⁺ + A⁻): Em meio ácido (pH baixo) → prevalece a forma não ionizada (HA) → atravessa facilmente. Em meio básico (pH alto) → forma ionizada (A⁻) aumenta → menos permeação. Bases fracas (B + H⁺ ↔ HB⁺): Em meio básico (pH alto) → prevalece a forma não ionizada (B) → atravessa bem. Em meio ácido (pH baixo) → forma ionizada (HB⁺) aumenta → menos permeação. DIFUSÃO PASSIVA O que é difusão passiva? É a passagem espontânea de uma substância através da membrana do lado mais concentrado → para o lado menos concentrado, sem gastar energia (sem ATP, sem transportador). Ela acontece porque as moléculas se movimentam naturalmente tentando equilibrar as concentrações nos dois lados da membrana. Como isso se aplica aos fármacos ácidos/bases fracos? 1.A membrana celular é lipídica → só deixa passar facilmente moléculas pequenas, não carregadas e lipossolúveis. ✅ Forma não ionizada → atravessa por difusão passiva. ❌ Forma ionizada → fica presa, atravessa pouco ou nada. 2.O pH do meio muda a proporção entre as formas: Ácidos fracos → em meio ácido, ficam mais na forma não ionizada (HA) → passam fácil. Bases fracas → em meio básico, ficam mais na forma não ionizada (B) → passam fácil. 3.Uma vez que atravessam, a difusão segue a lei do gradiente de concentração: Se há mais fármaco fora da célula, ele vai entrando. Se há mais fármaco dentro da célula, ele vai saindo. Sempre até buscar o equilíbrio. Difusão facilitada: Também vai do mais concentrado para o menos concentrado, sem gasto de energia. Mas aqui o fármaco precisa de uma proteína carreadora da membrana, porque ele não consegue sozinho. Importante para algumas moléculas que não são lipossolúveis ou são grandes demais. Não depende diretamente do pH e ionização, mas sim da afinidade com o transportador. Filtração: Aqui o fármaco atravessa a membrana junto com o solvente (água), através de poros ou canais existentes na membrana celular ou nos capilares. O que passa depende do tamanho da molécula e da pressão que “empurra” a água. Muito importante nos rins (filtração glomerular) → fármacos pequenos e hidrossolúveis são eliminados assim. Ácidos e bases fracas ionizadas (hidrossolúveis) são eliminadas principalmente por esse mecanismo. HA A+ B HB+ HA B MEIO ÁCIDO MEIO BÁSICO AUMENTO OU REDUÇÃO DO PH O aumento do pH do plasma (p. ex., pela administração de bicarbonato de sódio) faz com que ácidos fracos sejam extraídos do SNC para o plasma. O oposto é verdadeiro, ou seja, a redução do pH do plasma (p. ex., pela administração de um inibidor da anidrase carbônica, como a acetazolamida) faz com que ácidos fracos sejam concentrados no SNC, aumentando sua neurotoxicidade. EFEITO DE PRIMEIRA PASSAGEM É o efeito que ocorre quando há biotransformação do fármaco antes que este atinja o local de ação. Pode ocorrer na parede do intestino, no sangue mesentérico e, principalmente, no fígado Quando você toma um remédio pela boca (via oral), ele não vai direto para a corrente sanguínea que distribui para o corpo inteiro. Antes disso, ele precisa passar por um caminho: 1.Estômago/intestino → o fármaco é absorvido. 2.Veia porta hepática → o sangue do intestino vai primeiro para o fígado, não para o corpo inteiro. 3.Fígado → o fígado é como um “filtro químico” e pode modificar ou inativar parte do fármaco antes que ele chegue à circulação sistêmica (onde realmente faz efeito). Esse processo é chamado de efeito de primeira passagem (ou metabolismo de primeira passagem). ⚡ Onde pode acontecer? Parede do intestino → algumas enzimas já conseguem quebrar o fármaco. Sangue mesentérico (veia porta) → menor, mas pode ocorrer alguma transformação. Principal: fígado → é onde ocorre a maior parte da biotransformação. 🎯 Por que é importante? Um remédio pode perder parte da sua eficácia porque já foi destruído/modificado antes de circular pelo corpo. Por isso, a biodisponibilidade oral (quanto do remédio chega “inteiro” ao sangue) pode ser bem menor do que 100%. 🎯 Em resumo: No caso dos ácidos/bases fracas: Difusão simples: passa se estiver na forma não ionizada (lipossolúvel).Difusão facilitada: passa se houver carreador específico (não depende tanto do pH). Filtração: passa pelos poros, se for pequena e hidrossolúvel (a forma ionizada costuma sair por aqui, principalmente nos rins). PKA– CONSTANTE DE DISSOCIAÇÃO DA SUBSTÂNCIA: Em termos quantitativos, a pKa de um fármaco representa o valor de pH em que metade do fármaco encontra-se em sua forma iônica. A reação de ionização para um ácido fraco e uma base fraca é: A constante de dissociação pKa é dada pela equação de Henderson-Hasselbalch: Eletrólitos Fracos e Influência do pH Distribuição transmembrana é determinada pelo seu pKa (constante de dissociação) e pelo gradiente de pH através da membrana. pKa do fármaco = pH em que 50% da droga encontra-se no estado ionizado e 50% em estado não ionizado. Fármaco com pKa ácido em meio com pH ácido encontra-se geralmente não ionizada. Fármaco com pKa básico em meio com pH ácido encontra- se geralmente ionizada. A maioria dos fármacos atravessam as membranas por difusão na forma não-ionizada: DISTRIBUIÇÃO: A distribuição de um fármaco ocorre primariamente através do sistema circulatório, enquanto o sistema linfático contribui com um componente menor. Uma vez absorvido na circulação sistêmica, o fármaco é então capaz de alcançar qualquer órgão-alvo. A concentração do fármaco no plasma é frequentemente utilizada para definir os níveis terapêuticos do fármaco e monitorá-los, visto que é difícil medir a quantidade de fármaco que é realmente captada pelo órgão-alvo. Em alguns casos, a concentração plasmática de um fármaco pode representar uma medida relativamente precária de sua verdadeira concentração tecidual. Entretanto, na maioria dos casos, o efeito do fármaco no tecido-alvo correlaciona-se bem com a sua concentração plasmática. O padrão do equilíbrio de distribuição entre os diversos compartimentos depende, portanto, da: Permeabilidade através das barreiras teciduais. Ligação dentro dos compartimentos. Partição pelo pH. Partição óleo/água. Para passar do compartimento extracelular para os compartimentos transcelulares, o fármaco precisa atravessar uma barreira celular (ex.: barreira hematoencefálica). LIGAÇÃO A PROTEÍNAS PLASMÁTICAS Muitos fármacos ligam-se com baixa afinidade à albumina através de forças tanto hidrofóbicas quanto eletrostáticas. A ligação às proteínas plasmáticas tende a reduzir a disponibilidade de um fármaco para difusão ou transporte no órgão- alvo desse fármaco, visto que, em geral, apenas a forma livre é capaz de difundir-se através das membranas. A ligação às proteínas plasmáticas também pode reduzir o transporte dos fármacos em compartimentos não- vasculares, como o tecido adiposo e o músculo. A quantidade de ligação de um fármaco a proteínas depende de três fatores: A concentração de fármaco livre. Sua afinidade pelos locais de ligação. A concentração de proteínas. Baixa ligação a proteína Alta ligação a proteína Rápida eliminação Eliminação mais lenta Efeito mais intenso Efeito mais duradouro Menor duração Maior duração Quando um fármaco entra na circulação, ele pode: ✅ Ficar livre (forma ativa → atravessa membranas, age nos receptores, é metabolizado e eliminado). ✅ Ficar ligado à proteína plasmática (forma inativa temporária → funciona como um “estoque” no sangue). 📌 1. Baixa ligação a proteínas 👉 Pouca parte do fármaco fica ligada → a maior parte está livre no sangue. Consequência: Muito fármaco ativo disponível → efeito mais intenso. Mas como está livre, o organismo o metaboliza e elimina rapidamente (pelos rins ou fígado). Resultado: efeito rápido, forte, mas de curta duração. 💡 Exemplo: antibióticos como a amoxicilina têm baixa ligação proteica. 📌 2. Alta ligação a proteínas 👉 Grande parte do fármaco fica “presa” à proteína, e só uma parte pequena está livre (ativa). Consequência: Menos fármaco livre → efeito inicial menos intenso. Mas como o fármaco vai se “desprendendo” aos poucos da proteína, ele fica mais tempo circulando. Resultado: ação prolongada, eliminação mais lenta. 💡 Exemplo: a varfarina (anticoagulante) tem altíssima ligação proteica (>95%), por isso age devagar, mas por muito tempo. 🎯 Resumindo com analogia Baixa ligação = fármaco “solto”, age logo, mas vai embora rápido. Alta ligação = fármaco “preso”, age devagar, mas dura mais tempo. CONSIDERAÇÕES: Principais proteínas: Albumina plasmática Globulina-β Glicoproteína ácida Albumina se liga a fármacos ácidos Competição por proteínas plasmáticas– interações medicamentosas. BIOTRANSFORMAÇÃO Rins, o trato gastrintestinal, os pulmões, a pele e outros órgãos contribuem para o metabolismo sistêmico dos fármacos. O fígado contém a maior diversidade e quantidade de enzimas metabólicas, de modo que a maior parte do metabolismo dos fármacos ocorre nesse órgão. A capacidade do fígado de modificar os fármacos depende da quantidade de fármaco que penetra nos hepatócitos. As enzimas hepáticas têm a propriedade de modificar quimicamente uma variedade de substituintes nas moléculas dos fármacos, tornando os fármacos inativos ou facilitando a sua eliminação. Essas modificações são designadas, em seu conjunto, como biotransformação. Fase 1 (funcionalização): Reações: oxidação, redução, hidrólise. Função: introduzem ou expõem um grupo funcional na molécula (–OH, –NH₂, –COOH). Resultado: deixam o fármaco mais reativo e pronto para a fase 2. 💊 Exemplo da imagem: aspirina (ácido acetilsalicílico) → perde o grupo acetil → vira ácido salicílico. Fase 2 (conjugação): Reações: a molécula derivada se liga a compostos polares endógenos (ácido glicurônico, sulfato, glicina, glutationa). Função: tornar o fármaco muito mais solúvel em água. Resultado: fácil eliminação pela urina ou bile. 💊 Exemplo da imagem: ácido salicílico → conjugado com ácido glicurônico → vira glicuronídeo. 📊 Resumindo: 1.Fase 1 → Aspirina (fármaco original) é modificada → Ácido salicílico (derivado). 2.Fase 2 → Ácido salicílico recebe um grupo glicurônico → Glicuronídeo (conjugado, solúvel, pronto para eliminação). 🎯 Analogia para fixar: Imagine o fármaco como uma roupa suja de óleo. Fase 1: passa um sabão que quebra a gordura em partes menores (torna mais reativa). Fase 2: joga água e sabão líquido que grudam e dissolvem → a sujeira fica solúvel e vai embora pelo ralo (eliminação). FATORES QUE INFLUENCIAM O METABOLISMO: Dose Idade Doenças Interações Medicamentosas Interações Alimentares INTERAÇÕES FARMACOLÓGICAS Indução enzimática - é uma elevação dos níveis de enzimas (como o complexo Citocromo P450) ou da velocidade dos processos enzimáticos, resultantes em um metabolismo acelerado do fármaco, resultando em efeitos farmacológicos mais rápidos. Alguns fármacos têm a capacidade de aumentar a produção de enzimas ou de aumentar a velocidade de reação das enzimas. Ex.: Fenobarbital. Inibição enzimática - caracteriza-se por uma queda na velocidade de biotransformação, resultando em efeitos farmacológicos prolongados e maior incidência de efeitos tóxicos do fármaco. Esta inibição em geral é competitiva. Pode ocorrer, por exemplo, entre duas ou mais drogas competindo pelo sítio ativo de uma mesma enzima. EFEITO DA INDUÇÃO: A rifampicina (antibiótico usado contra tuberculose) é mostrada como exemplo clássico de indutor enzimático. Ela aumenta a quantidade da enzima CYP3A4 (uma enzima do citocromo P450, responsável por metabolizar muitos medicamentos no fígado). Antes da indução, há poucas enzimas (poucos CYP3A4). Depois da indução, há muitas enzimas CYP3A4, acelerando o metabolismo dos medicamentos. O que acontece com os fármacos? Exemplos citados: corticoides, diazepam, digoxina. Quando a rifampicina induz a enzima, esses medicamentos são metabolizados mais rápido → o corpo elimina mais depressa → a concentração no sangue cai. Isso pode fazer o tratamento perder eficácia. O gráfico da esquerda (antes da indução): mostra a curva normal da concentração de um medicamento(linha azul subindo e caindo). O gráfico da direita (após indução): a curva do medicamento (linha vermelha) é bem mais baixa → porque a droga é eliminada rapidamente. Resultado: a concentração fica abaixo da linha terapêutica (linha pontilhada), aumentando risco de falha terapêutica. Evitar a interação, se possível. Se não der, ajustar a dose do medicamento afetado. Origem dos indutores enzimáticos: Além de medicamentos como a rifampicina, também podem induzir enzimas: Outros tratamentos (ex: anticonvulsivantes como fenitoína, carbamazepina). Poluentes ambientais. Tabagismo e alcoolismo crônico. EFEITO DA COMPETIÇÃO ➡ Aqui o foco é quando dois fármacos disputam a mesma enzima metabólica (no caso, a CYP3A4). Um fármaco sozinho (bolinha verde) é metabolizado pela enzima CYP3A4 normalmente. Quando dois fármacos (verde e rosa) precisam da mesma enzima, eles competem para ver qual será metabolizado primeiro. O fármaco com maior afinidade pela enzima “ganha a corrida”, sendo metabolizado mais rápido → o outro fica mais tempo no organismo. 📌 A figura traz: "Quanto ↑ afinidade → ↓ efeito sobre perfil cinético" Ou seja: o que tem maior afinidade ocupa mais a enzima, mudando o metabolismo do outro. Fármaco 1 sozinho (gráfico da esquerda): Linha azul: concentração do fármaco no sangue → sobe e depois cai. Se mantém dentro do esperado. Fármaco 1 na presença do fármaco 2 (gráfico do meio): O fármaco 2 competiu com o 1 (linha vermelha). Resultado: Fármaco 1 demora mais para ser metabolizado, sua concentração fica mais alta e por mais tempo (risco de toxicidade). O fármaco 2 pode ser metabolizado mais rápido ou menos eficiente → alteração do seu perfil cinético. Fármaco 2 na presença do fármaco 1 (gráfico da direita) Mesma lógica, mas agora mostrando como o fármaco 2 é afetado pela presença do 1. Dependendo da afinidade, a concentração do fármaco 2 pode aumentar ou diminuir. Competição enzimática ocorre quando dois fármacos usam a mesma enzima (ex: CYP3A4). Isso pode: Aumentar níveis plasmáticos de um (risco de toxicidade). Reduzir a metabolização do outro (efeito terapêutico alterado). O impacto depende da afinidade de cada fármaco pela enzima. ✅ Explicação simplificada: Essa figura mostra que quando dois medicamentos competem pela mesma enzima do fígado, um pode atrapalhar o metabolismo do outro → levando a concentrações diferentes no sangue (mais altas ou mais baixas), com risco de toxicidade ou falha terapêutica. Indutores Enzimáticos: Álcool, omeprazol, fenobarbital, rifampicina.... Inibidores Enzimáticos: Cimetidina, eritromicina, cetoconazol, quinidina, dissulfiram.. EXCREÇÃO: As reações de Fase I e II aumentam a hidrofilicidade de um fármaco hidrofóbico e seus metabólitos, permitindo que esses fármacos sejam excretados através de uma via comum final com fármacos que são intrinsecamente hidrofílicos. Os fármacos e seus metabólitos são, em sua maioria, eliminados do corpo através de excreção renal e biliar. A excreção renal constitui o mecanismo mais comum de eliminação de fármacos e baseia-se na natureza hidrofílica de um fármaco ou seu metabólito. Muitos fármacos de administração oral sofrem absorção incompleta pelo trato gastrintestinal superior, e o fármaco residual é então eliminado por excreção fecal. Excreção mínima através das vias respiratória e dérmica. ETAPAS DA EXCREÇÃO RENAL DE FÁRMACOS: 1.Filtração glomerular: O fármaco livre (não ligado a proteínas plasmáticas) entra no filtrado glomerular → passa para a cápsula de Bowman. Quanto maior o fluxo sanguíneo renal e a taxa de filtração glomerular (TFG), maior será a eliminação. Se o fármaco estiver muito ligado a proteínas plasmáticas, não será filtrado. 2. Secreção tubular (principalmente no túbulo proximal): Ocorre transporte ativo de fármacos do sangue para o túbulo renal. Ácidos fracos e bases fracas são secretados ativamente. Exemplo: penicilinas (ácidos fracos) são eliminadas rapidamente pela secreção tubular. 3. Reabsorção tubular (difusão passiva): No túbulo distal e coletor, alguns fármacos lipossolúveis e não ionizados podem ser reabsorvidos de volta para o sangue. Isso ocorre por difusão passiva, porque esses fármacos atravessam facilmente a membrana lipídica das células do túbulo. Já os fármacos ionizados e hidrossolúveis não conseguem atravessar a membrana → permanecem na urina. 4. Excreção final pela urina O que não for reabsorvido, permanece no lúmen tubular e é eliminado na urina. Na urina, encontramos preferencialmente o fármaco ionizado, hidrossolúvel e insolúvel em lipídeos. O equilíbrio relativo das taxas de filtração, secreção e reabsorção é que determina a cinética de eliminação dos fármacos pelos rins. Excreção mais rápida depende do: aumento do fluxo sanguíneo, o aumento da taxa de filtração glomerular e a diminuição da ligação às proteínas plasmáticas, pois todas essas alterações resultam em aumento da filtração do fármaco no glomérulo. Ácidos e bases fracas são secretados a vamente para o interior do túbulo. Fármacos lipossolúveis são reabsorvidos passivamente por difusão no túbulo. DEPURAÇÃO (CLEARANCE) 👉 Pense como se fosse a “velocidade de limpeza do sangue” feita pelos órgãos que eliminam o medicamento. 🔹 Como funciona? Vários órgãos podem participar da eliminação: Rins → excreção urinária. Fígado → metabolização e excreção biliar. Pulmões → eliminação de gases/anestésicos voláteis. Cada órgão tem um clearance próprio. O clearance total (Clt) é a soma dos clearances de cada órgão: Cltotal = Clrim + Clfígado + Clpulmão +... 📌 Exemplo: Se o rim elimina 60 mL/min, o fígado 30 mL/min e o pulmão 10 mL/min → o clearance total = 100 mL/min. Isso significa que a cada minuto, 100 mL de plasma são completamente “limpos” do fármaco. Imagine que o sangue é uma piscina e o fármaco é a sujeira. O fígado é como um filtro químico. O rim é como o ralo que joga sujeira fora na água. O pulmão é como um exaustor que tira gases da piscina. 👉 O clearance total é a soma da eficiência de todos esses filtros. 🔹 Por que é importante? O clearance ajuda a calcular a meia-vida do fármaco (quanto tempo ele leva para ser eliminado). Determina a dose correta de medicamentos (para não intoxicar nem perder eficácia). Explica por que pacientes com insuficiência renal ou hepática precisam de ajuste de dose. ✅ Resumo: Clearance = capacidade do corpo de limpar o sangue do fármaco. É a soma dos clearances de todos os órgãos que eliminam o medicamento. Quanto maior o clearance → mais rápido o fármaco sai do corpo. TEMPO ½ VIDA Tempo necessário para que a quantidade de fármaco se reduza à metade durante a eliminação. Indica o tempo necessário para se atingir 50% do estado de equilíbrio INFLÊNCIA DO pH NA EXCREÇÃO DOS FÁRMACOS: O pH da urina é fundamental para determinar se o fármaco será reabsorvido ou eliminado: Ácidos fracos (ex: ácido acetilsalicílico): São mais ionizados em pH alcalino → menos reabsorvidos → mais excretados. Por isso, em intoxicação por aspirina, dá-se bicarbonato para alcalinizar a urina. Bases fracas (ex: anfetaminas): São mais ionizadas em pH ácido → menos reabsorvidas → mais excretadas. Em intoxicação por anfetaminas, acidificar a urina ajuda a eliminar. Resumindo: os fármacos podem ser: 1.Filtrados no glomérulo (forma livre). 2.Secretados no túbulo proximal (principal para ácidos e bases fracas). 3.Reabsorvidos no túbulo (se forem lipossolúveis e não ionizados). 4.Excretados na urina (quando permanecem ionizados e hidrossolúveis). 🔹 Fatores que aumentam a velocidade de excreção ↑ Fluxo sanguíneo renal ↑ Taxa de filtração glomerular (TFG) ↓ Ligação do fármaco às proteínas plasmáticas (mais fármaco livre disponível para filtração e secreção) ✅ Resumo bem simples pra decorar: Lipossolúvel e não ionizado → reabsorve. Ionizado e hidrossolúvel → excreta. pH alcalino → excreta ácidos fracos. pH ácido → excreta bases fracas. DEPURAÇÃO (CLEARANCE) É a medida da capacidade do organismo em eliminar um fármaco. Esta medida é dada pela soma da capacidade de biotransformaçãometabolizados. de todos os órgãos Assim, se um fármaco é biotransformado nos rins, fígado e pulmões, o clearance total é a soma da capacidade metabolizadora de cada um desses órgãos, isto é, é a soma do clearance hepático com o clearance renal com o clearance pulmonar. ESQUEMA FARMACOCINÉTICO: 🔹 1. Administração (como o fármaco entra no corpo) Oral ou retal → intestino Pele (percutânea) Injeção intravenosa → direto no plasma Intramuscular → músculo Intratecal → líquido cerebrospinal (LCR) Inalação → pulmão 👉 O local de administração influencia a velocidade e a quantidade de absorção. 🔹 2. Absorção e distribuição (como o fármaco chega ao plasma e tecidos) Depois de entrar no corpo, o fármaco vai para o plasma (sangue). Do plasma, ele pode ser distribuído para: Cérebro (atravessando barreira hematoencefálica) Músculo Placenta → feto Mama e glândulas sudoríparas → leite materno e suor 👉 O plasma é o “centro de distribuição” do fármaco. 🔹 3. Metabolismo (transformação do fármaco) O principal órgão é o fígado. Ele transforma o fármaco em metabólitos (mais hidrossolúveis) para facilitar a eliminação. Alguns metabólitos vão para a bile → intestino → fezes. 🔹4. Eliminação (como o corpo se livra do fármaco) Rins → urina (principal via de excreção) Fezes → via intestinal/biliar Ar expirado → pulmão (ex: anestésicos inalatórios, álcool) Leite materno e suor → pequenas quantidades eliminadas ✅ Resumo: Entrada (administração) → fármaco chega ao corpo. Absorção → passa para o sangue (plasma). Distribuição → se espalha para tecidos e órgãos. Metabolismo (fígado) → fármaco transformado. Eliminação → sai pela urina, fezes, ar ou secreções. VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM: 1.O que é farmacocinética? E para que serve? 2.O que é biodisponibilidade? E diferencie a biodisponibilidade da via oral e da via intravenosa. 3.Quais são as etapas farmacocinéticas da via oral? 4.Quais os fatores influenciam diretamente a absorção? 5.Quais fatores afetam a absorção gastrintestinal? 6.Como o pH influencia na absorção dos fármacos? 7.O que é metabolismo de primeira passagem? 8.Quais os principais fatores que interferem na metabolização dos fármacos? 9.Diferencie as reações de metabolização de Fase 1 e de Fase 2. 10.Quais as principais vias de eliminação/excreção de fármacos? RESPOSTAS: 1.É a parte da farmacologia que estuda o caminho que o remédio faz dentro do nosso corpo, desde o momento em que você toma até o momento em que ele sai. É como acompanhar uma “viagem” do medicamento pelo organismo. 🚗💊 É “o que o corpo faz com o remédio”. Pode ser definida como a medida e a interpretação formal de alterações temporais nas concentrações de um fármaco em uma ou mais regiões do organismo em relação à dose administrada. Na prática: concentrações do fármaco que chegam ao plasma sanguíneo. É o caminho que a droga faz no organismo. Note que não é o estudo do seu mecanismo de ação (EFEITO). Para que serve: Para determinar o uso adequado do medicamento. Escolher a via de administração. Para determinar a posologia ideal (doses e intervalo entre as doses). Para verificar as possíveis relações com insuficiência renal, alterações hepáticas entre outras. Para prever outros efeitos em potencial, como os colaterais, por exemplo, no caso de acúmulo do fármaco em determinado compartimento (organotropismo); ou ainda os oriundos de interações medicamentosas dos processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção. Para determinar os principais sítios de biotransformação. Para determinar quais as vias de excreção do fármaco 2. Indica a quantidade do fármaco que atinge o local de ação. A via de administração do fármaco, a sua forma química e certos fatores específicos do paciente — como transportadores e enzimas gastrintestinais e hepáticos, combinam-se para determinar sua biodisponibilidade. Os fármacos de administração intravenosa são injetados diretamente na circulação sistêmica; para esses fármacos, a quantidade administrada equivale à quantidade que alcança a circulação sistêmica, e a sua biodisponibilidade é, por definição, igual a 1,0. A absorção gastrintestinal incompleta e o metabolismo hepático de “primeira passagem” tipicamente fazem com que a biodisponibilidade de um fármaco de administração oral seja menor que 1,0 3.🔹 Etapas farmacocinéticas da via oral: 1.Liberação: O comprimido/cápsula precisa se desintegrar e o fármaco se dissolver no trato gastrointestinal. Se não se dissolver, não é absorvido. 2. Absorção: (no intestino, principalmente) O fármaco atravessa a parede intestinal para entrar na circulação. Depende de fatores como: Lipossolubilidade (quanto mais lipossolúvel, mais fácil absorver). RESPOSTAS: Grau de ionização (influência do pH intestinal). Motilidade intestinal. Presença de alimentos. 3. Efeito de primeira passagem: (metabolismo pré- sistêmico) Antes de chegar à circulação sistêmica, o fármaco absorvido no intestino passa pelo fígado via veia porta. O fígado pode metabolizar parte do fármaco → reduzindo a quantidade que chega ao sangue. 4. Distribuição: (no plasma) O fármaco chega ao sangue e é distribuído para os tecidos. Pode se ligar a proteínas plasmáticas (ex: albumina) ou penetrar em órgãos-alvo. 5. Metabolismo (principalmente no fígado) O fígado transforma o fármaco em metabólitos (mais hidrossolúveis). Isso facilita a excreção. 6. Excreção: (principalmente renal) A maior parte dos fármacos (ou seus metabólitos) é eliminada pelos rins na urina. Outras vias: bile/fezes, ar expirado, suor, leite materno. ✅ Resumindo em ordem: Via oral = → Liberação → Absorção intestinal → Primeira passagem hepática → Distribuição pelo sangue → Metabolismo → Excreção 4. Lipossolubilidade e hidrossolubilidade, carga elétrica, massa molecular, peso molecular, estabilidade química, velocidade de dissolução, via de administração, Efeito de Primeira Passagem, coeficiente de difusão, estabilidade química, velocidade de dissolução, grau de dissociação – pKa e pH, efeito de líquidos luminais – muco, sais biliares, viscosidade... 5. Conteúdo intestinal, Motilidade gastrointestinal, Microbiota Intestinal, Fluxo sanguíneo esplênico, Tamanho da partícula e formulação, Fatores físico- químicos, Interações entre fármacos, Interação com alimentos. 6. O pH influencia a absorção porque ele determina se o fármaco estará ionizado ou não ionizado: Forma não ionizada → mais lipossolúvel → atravessa facilmente as membranas → melhor absorvida. Forma ionizada → hidrossolúvel → não atravessa bem a membrana → absorção reduzida. 👉 Assim: Ácidos fracos absorvem-se melhor em meio ácido (ex: estômago). Bases fracas absorvem-se melhor em meio alcalino (ex: intestino delgado). 7. É a metabolização inicial do fármaco no fígado (ou intestino) antes de chegar à circulação sistêmica → reduz a fração do fármaco ativo que alcança o sangue. 8. Genéticos (polimorfismos enzimáticos) Idade (idosos e recém-nascidos metabolizam mais lentamente) Doenças hepáticas Uso de outros fármacos (indutores ou inibidores enzimáticos) - Interações Medicamentosas Alimentação (Interações Alimentares), tabaco, álcool Dose 9. Fase 1 (funcionalização): oxidação, redução, hidrólise → introduzem ou expõem grupos funcionais. (Ex: citocromo P450). Fase 2 (conjugação): ligam o fármaco ou metabólito a moléculas endógenas (ex: glicuronidação, sulfatação) → tornam o composto mais hidrossolúvel para excreção. 10. Renal (urina) → principal via. Biliar/fecal Pulmonar (ar expirado) Secreções (saliva, suor, leite materno) ANOTAÇÕES: