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Fundamentos_de_Economia_2012_-_

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nos preços, provoca um aumento de 5% nas quantidades procuradas. Os consumidores desse produto reagem pouco a variações dos preços, isto é, possuem baixa sensibilidade ao que acontece com os preços de mercado.
Exemplos de Elasticidades
	Produto
	Epd
	Sal
	0,1
	Água
	0,2
	Café
	0,3
	Cigarros
	0,3
	Calçados
	0,7
	Habitação
	1,0
	Automóveis
	1,2
	Refeições em restaurantes
	2,3
	Viagens de Avião
	2,4
	Cinema
	3,7
	Marcas Específicas de Café
	5,6
Fatores que influenciam o grau de elasticidade-preço da demanda
Afinal, o que faz com que alguns bens tenham demanda elástica ou inelástica, isto é, que fatores explicam os valores obtidos para a elasticidade-preço da demanda?
Disponibilidade de bens substitutos: Quanto mais substitutos houver para um bem, mais elástica será sua demanda, pois pequenas variações em seu preço, para cima, por exemplo, farão com que o consumidor passe a adquirir seu substituto, provocando queda em sua demanda mais que proporcional à variação do preço. Nesse sentido, quanto mais específico o mercado, maior a elasticidade. Ou seja, a elasticidade-preço da demanda de guaraná será maior que a de refrigerantes em geral, pois existem mais substitutos para o guaraná do que para refrigerantes em geral. Na mesma linha, a elasticidade-preço da procura da pasta de dente de mentol é maior que a de pastas de dente em geral etc.
Essencialidade do bem: Se o bem é essencial, será pouco sensível à variação de preço; terá, portanto, demanda inelástica.
Importância do bem, quanto a seu gasto, no orçamento do consumidor: Quanto mais importante o gasto referente a um determinado bem (maior ponderação) em relação ao gasto total (orçamento) do consumidor, mais sensível torna-se o consumidor a alterações em seu preço (ou seja, a demanda é mais elástica). Por exemplo, a elasticidade-preço da demanda de carne tende a ser mais elevada que a de fósforos, já que o consumidor gasta uma parcela maior de seu orçamento com carne do que com fósforos.
Periodicidade de aquisição: O intervalo de tempo entre uma e outra aquisição do produto é também apontado como fator determinante da elasticidade-preço da demanda. Grandes intervalos podem “apagar” da memória os preços de referência. Os exemplos clássicos são as especiarias de uso doméstico, como o cravo da índia e a noz-moscada – variações nos preços desses produtos tendem a não ser percebidas pelos consumidores, reproduzindo-se em baixa variação de quantidades procuradas. Para outros produtos, a periodicidade é de tal amplitude que os produtos se modificam entre uma aquisição e outra, reduzindo-se a sensibilidade a preços. É o que ocorre com automóveis novos. A elasticidade—preço da procura de automóveis a longo prazo é estimada em 0,2, diferente da de curto prazo, estimada entre 1,2 e 1,5.
Elasticidade-preço da oferta
Conceito
A elasticidade-preço da oferta (EpO) mede a reação dos vendedores às mudanças no preço. Essa reação também é calculada pela razão entre dois percentuais: a variação percentual na quantidade ofertada dividida pela mudança percentual no preço. Ou seja,
EpO = 	variação percentual em Q
variação percentual em P
Como a correlação entre preço e quantidade ofertada é direta, ou seja, a uma alteração positiva de preços corresponderá uma variação positiva da quantidade ofertada, o valor encontrado da elasticidade-preço da oferta será sempre positivo. 
Suponhamos, por exemplo, os seguintes dados:
P0 = preço inicial = $ 20,00
P1 = preço final = $ 16,00
Q0 = quantidade ofertada, ao preço P0 = 39
Q1 = quantidade ofertada, ao preço P1 = 27
A variação percentual do preço é dada por:
A variação percentual da quantidade demandada é dada por:
(Q1/Q0) – 1 = (27/39) – 1 = 0,69 – 1 = - 0,31 ou 31%
O valor da elasticidade-preço da oferta é dado por:
Epo = 	variação percentual em Q = - 0,31 / - 0,2 = 1,55
 variação percentual em P
Significa que, dada uma queda de 20% no preço, a quantidade ofertada diminui em 31%, Trata-se de um produto cuja oferta tem grande sensibilidade a variações do preço. Isso nos remete aos conceitos de oferta elástica e inelástica.
Oferta elástica: A variação da quantidade ofertada supera a variação do preço, ou
Epo > 1
Os ofertantes desse produto têm grande reação ou resposta, nas quantidades, a eventuais variações de preços. Em caso de aumentos de preços, aumentam drasticamente a oferta; quando há quedas no preço do produto, diminui a quantidade ofertada.
Oferta inelástica: Ocorre quando uma variação percentual no preço provoca uma variação percentual relativamente menor nas quantidades ofertadas, coeteris paribus, ou:
Epo < 1
Fatores que influenciam o grau de elasticidade-preço da oferta
Disponibilidade de fatores: Embora os produtores possam sensibilizar-se com as variações para mais nos preços dos produtos, dispondo-se produzir mais, eles podem encontrar deferentes graus de dificuldade para expandir a produção, em função da disponibilidade de fatores produtivos, naturais, humanos e de capital. Ocorrendo flexibilidade na oferta de fatores ou então ociosidade, as quantidades ofertadas podem ser aumentadas, no caso de estimulação via preços. Mas situações de pleno emprego ou de oferta inflexível, torna inelástica a capacidade de oferta, por mais que os produtores se encontrem estimulados.
Um dos casos clássicos é o de oferta de água mineral: a vazão das nascentes é determinada e quantitativamente limitada. Isto pode configura até casos de anelasticidade de oferta. A geração de energia por hidroelétricas é outro exemplo clássico. Não obstante as usinas possam regular a produção para mais ou para menos, as tarifas são menos relevantes que a disponibilidade de água nos reservatórios. O mesmo ocorre no setor primário de produção, no caso de culturas permanentes: as quantidades ofertadas são dadas pela capacidade máxima de produção das lavouras. Elas podem, efetivamente, variar para mais e para menos, em função dos preços. Estimulados por preços mais altos, os produtores podem melhoras os tratos culturais e expandir as quantidades produzidas. Mas há limites. Geralmente, a elasticidade da oferta é baixa. No caso de culturas permanentes, alterações só ocorrem a prazos longos.
Defasagem de resposta: O fator tempo é outro relevante determinante da elasticidade de oferta. Independentemente da disponibilidade ou não de recursos, há determinados produtos que exigem grandes intervalos de tempo para ser produzidos, definindo curas de oferta inelásticas. Entre a sinalização dos preços mais altos e a defasagem de tempo para a produção podem ocorrer intervalos tão longos que impeçam a pronta resposta dos produtores. Em contrapartida, há casos em que a resposta pode ser mais rápida. Ou, sem outros termos, se o preço permanecer estimulante por longos períodos, a capacidade de expansão das quantidades ofertadas é maior do que se as alterações forem efêmeras e de curto prazo.
EQUILÍBRIO DE MERCADO
A lei da oferta e da procura: tendência ao equilíbrio
A interação das curvas de demanda e de oferta determina o preço e a quantidade de equilíbrio de um bem ou serviço em um dado mercado.
Seja o quadro a seguir representativo da oferta e da demanda do bem X:
Como se observa na tabela, existe equilíbrio entre oferta e demanda do bem X quando o preço é igual a 6,00 unidades monetárias.
Graficamente:
Na intersecção das curvas de oferta e demanda (ponto E) teremos o preço e a quantidade de equilíbrio, isto é, o preço e a quantidade que atendem às aspirações dos consumidores e dos produtores simultaneamente.
Se a quantidade ofertada se encontrar abaixo daquela de equilíbrio E (A, por exemplo), teremos uma situação de escassez do produto. Haverá uma competição entre os consumidores, pois as quantidades procuradas serão maiores que as ofertadas. Formar-se-ão filas, o que forçará a elevação dos preços, até atingir-se