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SEMIOLOGIA 
FISIOTERAPÊUTICA 
Isadora Rebolho Sisto
Exame do movimento 
humano
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: 
  Identificar conceitos e terminologias da Biomecânica.
  Reconhecer instrumentos de avaliação do movimento humano.
  Relacionar instrumentos e equipamentos com diferentes finalidades 
para avaliação do movimento humano.
Introdução
Biomecânica é uma disciplina entre as ciências derivadas das ciências 
naturais, a qual se ocupa com análises físicas de sistemas biológicos e, 
consequentemente, análises físicas de movimentos do corpo humano. 
Quando dimensionamos a Biomecânica no contexto das ciências deri-
vadas, cujo objetivo é estudar o movimento, devemos lembrar que essa 
reivindicação científica se apoia em dois fatos fundamentais: (a) a Biome-
cânica apresenta claramente definido seu objeto de estudo, definindo, 
portanto, sua estrutura de base do conhecimento; e (b) seus resultados 
de investigações são obtidos pelo uso de métodos científicos próprios 
que envolvem todas as etapas do trabalho científico.
O corpo humano, portanto, pode ser definido fisicamente como 
um complexo sistema de segmentos articulados em equilíbrio estático 
ou dinâmico, no qual o movimento é causado por forças internas que 
atuam fora do eixo articular, provocando deslocamentos angulares dos 
segmentos, e por forças externas ao corpo. 
A ciência que descreve, analisa e modela os sistemas biológicos é 
chamada de Biomecânica, logo, esta é uma ciência altamente interdis-
ciplinar dada à natureza do fenômeno investigado.
Assim, a Biomecânica do movimento busca explicar como as formas 
de movimento dos corpos de seres vivos acontecem na natureza a partir 
de parâmetros cinemáticos e dinâmicos.
Neste capítulo, você vai identificar os critérios e as técnicas de avalia-
ção do movimento humano, reconhecer os instrumentos de mensuração 
do movimento humano e relacionar instrumentos e equipamentos com 
diferentes finalidades para avaliação do movimento humano.
Conceitos e terminologias da Biomecânica
Entende-se a cinesiologia como a ciência do movimento humano, a qual é 
estudada por meio da compreensão das forças que atuam sobre o corpo. Trata-
-se da integração de teorias e princípios de anatomia, mecânica, psicologia 
e antropologia. Já o termo Biomecânica se refere às forças e a seus efeitos 
(mecânica) aplicados a todo o corpo ou a um segmento corporal, de forma que 
seja possível compreender o movimento humano, especialmente em relação 
às atividades funcionais de vida diária.
A Biomecânica interna representa os mecanismos responsáveis pela 
geração e pelo controle do movimento, enquanto a Biomecânica externa a 
relação do corpo com o ambiente e as forças que agem na interface corpo-
-ambiente, como inércia, massa, aceleração, atrito, etc.
A mecânica clássica se divide em:
  estática — corpo em repouso ou em movimento; 
  dinâmica — sistema em movimentação; 
  cinemática — descrição do movimento sem se preocupar com o agente 
que o causou; 
  cinética — estudo das forças que agem sobre o movimento; 
  referencial — estático ou em movimento.
A cinemática, que é a ciência que estuda o movimento dos corpos no 
espaço, a qual aplica o sistema de coordenadas retangulares para descrever o 
corpo no espaço, é subdividida em: 
  osteocinemática — ocupa-se dos movimentos dos ossos (movimento 
de um osso em relação a outro); 
  artrocinemática — trata de movimentos que ocorrem entre superfícies 
articulares (micromovimentos).
Exame do movimento humano2
Orientação do corpo humano 
O conhecimento e o entendimento da terminologia utilizada para descrever 
as várias regiões do corpo humano são imprescindíveis para que o estudante 
se familiarize com as diferentes nomenclaturas utilizadas para descrever 
regiões anatômicas e movimentos neste texto. Para defi nir os movimentos de 
articulações e segmentos e para registrar a localização no espaço de pontos 
específi cos no corpo, é necessário um ponto de referência. Tal referencial 
sempre parte da posição anatômica.
Definir os movimentos do corpo humano é geralmente muito complexo, 
uma vez que eles podem ser realizados em diversas direções, dessa forma, ao 
estudar os movimentos dos principais segmentos do corpo humano, é preciso 
estabelecer pontos de referência e conhecer alguns conceitos de orientação.
O conhecimento da posição anatômica é muito importante, pois se trata 
da posição em que os movimentos angulares foram denominados em uma 
postura estática. Ela consiste no corpo em pé, na postura ereta, com os olhos 
fixos no horizonte, calcanhares aproximados e pés rodados ligeiramente para 
a lateral. Os membros superiores estarão posicionados a cada lado do corpo, 
com as superfícies palmares voltadas para frente ou anteriormente.
A partir da posição anatômica, os seguintes termos de orientação são 
utilizados para descrever a localização (posição) das estruturas no corpo:
  anterior — relativo à superfície frontal (à frente); 
  posterior — relativo à superfície dorsal (por trás); 
  superior — mais próximo da cabeça; 
  inferior — mais próximo dos pés; 
  medial — mais próximo da linha mediana; 
  lateral — afastado da linha mediana.
Com relação ao tronco, os seguintes termos podem ser utilizados: 
  ventral — relativo à superfície abdominal; 
  dorsal — relativo à superfície dorsal (posterior); 
  cranial/cefálico — mais próximo da cabeça (ou em direção à); 
  caudal — mais próximo da base da coluna (ou em direção à); 
  medial — mais próximo da linha mediana; 
  lateral — afastado da linha mediana.
3Exame do movimento humano
Com relação aos membros, os seguintes termos podem ser utilizados: 
  proximal — mais próximo do tronco; 
  distal — afastado do tronco;
  superfície flexora — a superfície anterior do membro superior e a 
superfície posterior do membro inferior (ventral); 
  superfície extensora — a superfície posterior do membro superior e 
a superfície anterior do membro inferior (dorsal).
A posição fundamental é similar à posição anatômica, exceto pelos braços, 
que ficam mais relaxados ao longo do corpo com as palmas voltadas para o 
tronco.
Centro de gravidade 
O centro de gravidade é o ponto em que está concentrado todo o peso do corpo 
(Figura 1), o que gera, portanto, um equilíbrio de todas as partes, sendo ponto 
de interseção dos três planos: sagital, frontal e transverso. A sua localização irá 
depender da estrutura anatômica do indivíduo, mas, em geral, nas mulheres, 
ele é mais baixo do que nos homens, porém, de forma não precisa, podemos 
encontrá-lo mais ou menos a 4 cm à frente da primeira vértebra sacra.
Exame do movimento humano4
Figura 1. Centro de gravidade do corpo humano.
Fonte: Adaptada de Blamb/Shutterstock.com.
Ponto de 
gravidade 
Planos de orientação do corpo 
O movimento de qualquer articulação ocorre dentro de um plano imaginário. 
Cada plano se projeta em torno de um eixo que lhe é perpendicular. O eixo é 
o ponto central no qual uma articulação gira. O movimento humano se baseia 
em três planos, que se movem em torno de três eixos.
5Exame do movimento humano
  plano sagital — atravessa o corpo de frente para trás, dividindo-o em 
duas metades iguais (direita e esquerda).
  plano frontal — conhecido também como plano coronal, atravessa o 
corpo de um lado para outro, em um trajeto paralelo à sutura coronal 
do crânio, dividindo o corpo em duas metades (anterior e posterior). 
  plano transverso — recebe também o nome de horizontal. Seu corte 
acontece na horizontal, atravessando o corpo ao meio e o dividindo 
em superior e inferior.
Para melhor compreendermos os movimentos, cada um dos planos foi 
descrito a partir da posição anatômica, que corresponde às dimensões espaciais 
nas quais se executa um movimento. 
Eixos de movimentos do corpo 
Quando é observado o movimento do corpo humano, aplica-se o conhecimento 
de eixo. Os eixos são linhas imaginárias derivadas das dimensões estabelecidaspelos planos anatômicos, os quais atravessam os planos do corpo perpendi-
cularmente para possibilitar movimentos.
Os eixos que correspondem às linhas perpendiculares que atravessam os 
planos anatômicos no centro do movimento (Figura 2) são: 
  eixo bilateral — estende-se horizontalmente de um lado a outro e 
perpendicularmente ao plano sagital. Possibilita o movimento de flexão 
e extensão, conhecido também como crânio podálico, transversal ou 
horizontal. Exemplo: articulação do ombro.
  eixo anteroposterior — estende-se no sentido anterior para posterior e 
perpendicular ao plano frontal. Possibilita os movimentos de abdução 
e adução, podendo ser chamado de eixo sagital. Exemplo: articulação 
do ombro e do quadril.
  eixo vertical — estende-se no sentido de cima para baixo e perpendicu-
lar ao solo e ao plano transversal. Possibilita os movimentos de rotação 
lateral e rotação medial. Exemplo: articulação do cotovelo.
Exame do movimento humano6
Figura 2. Planos anatômicos no centro do movimento.
Fonte: Adaptada de Sampaio (2016).
Eixo 
longitudinal
Eixo 
transversal
Eixo sagital
Movimentos articulares versus planos e eixos
Os movimentos que ocorrem no plano sagital essencialmente o fazem em 
direção anteroposterior, como, por exemplo, fl exão, extensão e hiperextensão. 
Esses movimentos giram em torno do eixo horizontal ou transversal.
Os movimentos que ocorrem no plano frontal ou coronal são os que des-
locam o corpo para a lateral, como inclinação lateral, abdução e adução, por 
exemplo. Tais movimentos acontecem ao redor de um eixo sagital ou eixo 
anteroposterior. 
Já no plano horizontal ou transverso, ocorrem os movimentos rotacionais. 
São exemplos: rotação lateral e medial e supinação e pronação. Os movimentos 
desse plano ocorrem ao redor do eixo longitudinal (Quadro 1).
7Exame do movimento humano
Movimento Plano Eixo
Flexão/extensão Sagital Horizontal
Abdução/adução Frontal Sagital
Rotações Transversal Longitudinal
 Quadro 1. Movimentos articulares versus planos e eixos 
Classificação dos métodos de medição
Genericamente, os métodos utilizados em Biomecânica podem ser classifi cados 
nas seguintes categorias:
  teórico-dedutivos ou determinísticos — com base somente em leis 
físicas e relações matemáticas (relações causais);
  empírico-indutivos ou indeterminísticos — com base em relações 
estatísticas (relações formais) e relações experimentais;
  métodos combinados — tentam conjugar os dois anteriores em função 
do problema científico a ser tratado. 
É possível classificar os procedimentos de medição em Biomecânica nas 
seguintes categorias: 
  procedimentos mecânicos — observações de grandezas por observação 
direta e que não se alteram rapidamente.
  procedimentos eletrônicos — grandezas. Mecânicas são transforma-
das em elétricas, o que facilita a medição de grandezas que se alteram 
rapidamente com o tempo e por isso se adaptam ao processamento de 
dados, permitindo, dessa maneira, medições dinâmicas.
  procedimentos ópticos-eletrônicos (processamento de imagens) — 
representação óptica e geométrica do objeto a ser analisado. Nesse caso, 
análises e medições são feitas no modelo, ou seja, são procedimentos 
indiretos, uma vez que a análise é feita no modelo representado.
Exame do movimento humano8
Quanto às técnicas de medição em Biomecânica, é possível relacionar 
resumidamente os métodos que representam todo o suporte de desenvolvimento 
e evolução da ciência, particularmente na Biomecânica do esporte:
  simulação e otimização computacional da técnica de movimento;
  comando e controle da técnica de movimento por computação; 
  análise da sobrecarga do aparelho locomotor.
Por sua vez, a Biomecânica pode ser dividida em interna e externa, dada 
a grande diferença de abordagem e alvo. A Biomecânica interna se preocupa 
com as forças internas, ou seja, forças transmitidas pelas estruturas biológicas 
internas do corpo, tais como forças musculares, forças nos tendões, ligamentos, 
ossos e cartilagem articular. Elas estão intimamente relacionadas à execução 
dos movimentos e às cargas mecânicas exercidas pelo aparelho locomotor, 
as quais são representadas pelo stress (estímulo mecânico necessário para o 
desenvolvimento e o crescimento das estruturas do corpo). 
O conhecimento dessas forças internas tem aplicações, como, por exemplo, 
no estudo clínico da marcha patológica originada por anomalia muscular, no 
transplante de tendão ou na amputação de membros, no aperfeiçoamento da 
técnica de movimento, bem como na determinação de cargas excessivas du-
rante as atividades físicas em esportes de alto nível ou em atividades laborais 
no cotidiano. 
A determinação das forças internas dos músculos e das articulações ainda é 
um problema não resolvido na Biomecânica, mas seguramente está constituída 
na base fundamental para a melhor compreensão dos critérios de controle de 
movimento.
Os métodos utilizados pela Biomecânica para abordar as diversas formas 
de movimento são cinemetria, dinamometria, antropometria e eletromiografia 
(EMG). Utilizando-se desses métodos, o movimento pode ser matematicamente 
descrito e modelado, o que permite uma maior compreensão dos mecanismos 
internos reguladores e executores do movimento do corpo humano (Figura 3).
9Exame do movimento humano
Figura 3. Áreas para complexa análise biomecânica do movimento humano.
Fonte: Adaptada de Baumann (1995).
Posição e orientação
dos segmentos
corporais
Forças externas
e distribuição 
de pressão
Parâmetros 
para o 
modelo corporal
Atividade 
muscular
Modelo Modelo
Forças de gravitação
Energia mecânica
Inércia
Momentos líquidos
e
forças internas
Cinemetria Dinamometria Antropometria EMG
No desenvolvimento de um processo de medição, invariavelmente ocorrem erros 
que precisam ser controlados. 
Inicialmente, os erros são classificados quanto à sua natureza: erro estático (erro 
de leitura, sensibilidade, reprodutibilidade, etc.) e erro dinâmico (considerando-se a 
relação entre frequência própria do movimento e frequência de registro). Outro fator 
de erro é observado em função de o sistema de medição nem sempre acompanhar 
a rápida modificação das grandezas a serem medidas.
Exame do movimento humano10
Instrumentos de avaliação do movimento 
humano
Cinemetria
A cinemetria é um conjunto de métodos que busca medir os parâmetros cine-
máticos do movimento, isto é, posição, orientação, velocidade e aceleração. 
O instrumento básico para medidas cinemáticas se baseia em câmeras de 
vídeo que registram a imagem do movimento e então, por meio de software 
específi co, calculam as variáveis cinemáticas de interesse. Outras técnicas e 
outros métodos ainda são relacionados para o processamento de grandezas 
cinemáticas, entre eles, destacam-se as técnicas de medição direta, as quais 
são utilizadas para:
  medidas de tempo que utilizam cronômetros para a base de tempo; 
  medidas de ângulos que utilizam goniômetro para a determinação da 
posição de segmentos com origem em eixos articulares;
  medidas de aceleração que utilizam acelerômetros, que são transdutores 
designados a mensurar a quantidade de movimento pela posição de uma 
massa em deslocamento. 
Por intermédio da fotografia, da cinematografia e da cronofotografia, é 
possível registrar a imagem para o processamento de variáveis cinemáticas. 
Todos esses procedimentos carecem de lentes e outros instrumentos ópticos 
para garantir a qualidade da imagem, sendo assim, eles requerem cuidados 
com a distância entre o objeto e a lente e quanto ao seu comprimento, bem 
como a regulagem da abertura do foco. Para a reconstrução de coordenadas do 
objeto a partir da imagem registrada, são necessários modelos nos quais, além 
das referências geométricas e posições relativas às partes do corpo em função 
do tempo, também haja informações sobre as dimensões corporais, que são 
obtidas por meio de dispositivos classificados nos modelos antropométricos.
Para o processamento da imagem, são utilizadascâmeras, com base em 
películas fotoquímicas ou fotoelétricas e que tenham ainda o recurso de registro 
de sequências de sinais elétricos em uma base de tempo conhecida, além de 
armazenarem o registro em fitas magnéticas, o que caracteriza a videografia. 
Assim, genericamente, os sistemas podem ser classificados como: 
11Exame do movimento humano
  dispositivos convencionais com avaliação manual — sistemas de 
câmeras cinematográficas e fotográficas, nos quais, após a revelação 
dos filmes, a avaliação é manual; 
  dispositivos eletrônicos com avaliação manual — sistema de vídeo 
em que uma camada sensível à luz capta a imagem, que é transformada 
em impulsos elétricos, e suas coordenadas são armazenadas em uma 
placa ou fita magnética; 
  dispositivos eletrônicos com avaliação automática — sistema óptico-
-eletrônico no qual as coordenadas das imagens são identificadas e 
digitalizadas automaticamente e consequente obtenção imediata das 
coordenadas desejadas. Os pontos cujas coordenadas são de interesse 
podem ser marcas ativas, como fontes de luz, ou passivas, como re-
fletores de luz.
Dinamometria
A dinamometria engloba todos os tipos de medidas de força (e pressão). As 
forças mensuráveis são as forças externas, que são transmitidas entre o corpo e 
o ambiente. De particular interesse são as forças de reação do solo, as quais são 
transmitidas na fase de apoio em atividades quase estáticas ou dinâmicas.4,5,6
Juntamente com a constante peso corporal, essas forças de reação do 
solo são, em geral, a causa de qualquer alteração do movimento do centro de 
gravidade. O instrumento básico em dinamometria é a plataforma de força, 
que mede a força de reação do solo e o ponto de aplicação dessa força. Assim, 
por intermédio da dinamometria, mede-se a ação deformadora da força sobre 
os corpos por meio de um método direto, pelo qual as forças externas são 
determinadas. Essas forças são pré-requisitos necessários para o cálculo das 
forças internas (força muscular, força ligamentar e forças articulares). 
Entre os principais objetivos que indicam a utilização da dinamometria, 
é possível apontar: 
  a análise da técnica de movimento; 
  a análise da condição física; 
  o controle da sobrecarga; 
  a influência de fatores externos; 
  a influência de fatores internos; 
  o monitoramento de atletas; 
  os indicadores para detecção de talentos esportivos. 
Exame do movimento humano12
A dinamometria manual é um procedimento que permite medir e quan-
tificar a força de grupos musculares específicos durante um movimento. O 
exame é feito por meio de um aparelho, chamado dinamômetro, que, quando 
colocado em contato com o membro que está realizando o movimento, indicará 
a força muscular impressa no gesto. Os dados obtidos com o exame permitem 
identificar diminuição da força muscular e assimetrias entre os membros, 
direcionando o melhor programa de tratamento ou prevenindo lesões.
Antropometria
A antropometria determina características e propriedades do aparelho locomo-
tor, como as dimensões das formas geométricas de segmentos, a distribuição 
de massa, os braços de alavanca, as posições articulares, etc., defi nindo, 
portanto, um modelo antropométrico que contém os parâmetros necessários 
para a construção de um modelo biomecânico da estrutura analisada.
Algumas das variáveis que podem ser calculadas são:
  propriedades do biomaterial, o que inclui resistência dos componentes 
do aparelho locomotor, elasticidade, deformação e limite de ruptura; 
  cinéticas, as quais são o momento de inércia de segmentos corporais; 
  centro de rotação articular, origem e inserção muscular, comprimento e 
área de seção transversa muscular e braços de alavanca da musculatura. 
Densidade, distribuição de massa corporal, propriedades inerciais, centro 
de gravidade e momento de inércia são características antropométricas nas 
quais a maioria dos dados são determinados a partir de estudos cadavéricos. 
Os métodos analíticos são os mais utilizados e se caracterizam por modelos 
do corpo com base em dados antropométricos do indivíduo, portanto, medida 
direta, in vivo. 
EMG
A eletromiografi a (EMG) se caracteriza pelo registro das atividades elétricas 
associadas às contrações musculares. Diferentemente dos métodos mencio-
nados até aqui, que determinam propriedades mecânicas, a EMG indica o 
estímulo neural para o sistema muscular. Como um parâmetro de controle, a 
EMG é muito importante para a modelagem do sistema dinâmico neuromus-
culoesquelético. O resultado básico é o padrão temporal dos diferentes grupos 
musculares sinérgicos ativos no movimento observado.
13Exame do movimento humano
Por intermédio da EMG, determina-se, de maneira direta, a atividade mus-
cular voluntária a partir do potencial de ação muscular. A inervação muscular 
transmite os potenciais cuja atividade elétrica média pode ser detectada por 
eletrodos colocados na superfície da pele, sobreposta ao músculo, e a partir daí 
se observa o início e o fim da ação muscular em movimentos e posturas, ou 
seja, o padrão temporal dessa inervação/ativação. Esses sinais coletados podem 
ser influenciados pela velocidade de encurtamento e alongamento muscular, 
pelo grau de tensão, pela fadiga, pela atividade reflexa, entre outros fatores. 
Depois desses sinais eletromiográficos serem amplificados, eles podem ser 
processados para comparação ou correlação com outros sinais eletrofisiológicos 
ou grandezas biomecânicas.
O motivo para monitorar o potencial de ação muscular é poder relacioná-
-lo com algumas medidas da função muscular, como tensão, força, estado de 
fadiga e, consequentemente, metabolismo muscular, recrutamento de elementos 
contráteis, entre outros parâmetros.
A EMG é um método de diagnóstico que avalia problemas nervosos ou musculares. Essa 
técnica utiliza elétrodos de superfície para avaliar a capacidade das células nervosas 
transmitirem sinais elétricos. Além disso, pode também utilizar eletrodos em forma de 
agulha para avaliar a atividade muscular em repouso ou durante a contração muscular. 
A EMG pode ser útil na detecção de atividade elétrica muscular anormal, que pode 
ocorrer em muitas doenças com sede primária no músculo ou secundária em lesões 
dos respectivos nervos.
Instrumentos e equipamentos para avaliação 
do movimento humano
Prevenção de lesão e reabilitação
Acredita-se que a prevenção de lesão e a reabilitação devem ser a meta pri-
mária da Biomecânica do esporte e do exercício. A Biomecânica é útil para 
os profi ssionais da Medicina do esporte verifi carem as forças que podem ter 
causado determinada lesão, prevenirem uma contusão, para que não se repita 
Exame do movimento humano14
ou ocorra pela primeira vez, e identifi carem quais exercícios podem auxiliar 
na reabilitação da lesão. A Biomecânica pode ser usada para fundamentar 
alterações da técnica, do equipamento ou do treinamento, a fi m de prevenir 
ou reabilitar lesões.
Alguns estudos relatam que a prevenção de lesão e a reabilitação devem 
ser a meta primária da Biomecânica do esporte e do exercício.
Técnicas para reduzir lesão
A ginástica é um exemplo de como a Biomecânica pode auxiliar na redução de 
lesões. Uma pesquisa fi nanciada pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos e 
pela Associação de Ginástica dos Estados Unidos está interessada nas forças 
de impacto que os ginastas sofrem quando pousam depois de uma acrobacia 
e nas estratégias que eles podem usar para reduzir essas forças.
Os árbitros dão mais pontos para aqueles ginastas que cravam as suas 
aterrissagens, mas estas podem envolver forças de impacto maiores e mais 
perigosas, as quais são as causas das lesões por overuse em muitos desses 
atletas. Uma aterrissagem em que o ginasta flexiona seus joelhos, quadris e 
tornozelos pode reduzir as forças de impacto, mas também implica uma menor 
nota. Um dos resultados dessa pesquisa foi a alteração da regra, permitindo o 
uso de estratégias de aterrissagem que reduziam essas forças de impacto sem 
penalizara nota do ginasta.
O cotovelo de tenista (epicondilite lateral) é um tipo de lesão por overuse 
que aflige muitos tenistas inexperientes. Pesquisas de Biomecânica revelam 
que uma das causas desse problema é a hiperextensão do músculo extensor 
radial curto do carpo, o que aponta uma falha técnica durante o backhand 
como uma possível razão para a hiperextensão. Os tenistas que conseguem 
manter a posição do punho neutra no impacto da bola durante o backhand são 
menos suscetíveis a desenvolver essa lesão em comparação aos que realizam 
a flexão do punho.
Design de equipamentos para reduzir lesão
Um exemplo de como a Biomecânica afeta o design de equipamentos espor-
tivos para reduzir o número de lesões compreende a indústria de calçados 
de corrida. Após a medalha de ouro do atleta Frank Shorter na maratona das 
Olimpíadas de 1972, os Estados Unidos tiveram um acentuado incremento na 
corrida. Infelizmente, esse aumento na participação foi acompanhado por um 
acréscimo na quantidade de lesões relacionadas a essa prática. Assim, houve 
15Exame do movimento humano
um rápido crescimento no número de pesquisas Biomecânicas sobre corrida 
e calçados de corrida a partir da década de 1970. Em 1980, a Nike fundou o 
seu Laboratório de Pesquisa do Esporte para favorecer o desenvolvimento do 
atletismo e de calçados para esse esporte por meio de estudos da Biomecânica, 
da fi siologia do exercício e da anatomia funcional.
Os calçados de corrida disponíveis no início da década de 1970 eram duros 
demais para muitos corredores inexperientes, sendo assim, lesões por impacto, 
como canelite e fraturas por estresse, tornaram-se comuns. A indústria calça-
dista respondeu a isso produzindo calçados mais macios, contudo, estes não 
forneciam tanta estabilidade ou controle como um calçado mais duro, de modo 
que as lesões de tornozelo, joelho e quadril aumentaram entre os corredores. 
Pesquisas de Biomecânica proporcionaram muitas das características apresen-
tadas nos calçados de corrida modernos, os quais conferem tanto estabilidade 
como amortecimento. Essas melhoras resultaram em menos lesões de corrida.
A Biomecânica do esporte e do exercício pode proporcionar melhora no 
desempenho e auxiliar na prevenção de lesão e na reabilitação por meio do 
aperfeiçoamento da técnica, do design de equipamentos e do treinamento.
Na verdade, há poucos exemplos da contribuição da Biomecânica no desen-
volvimento de novas técnicas ou equipamentos que melhorem o desempenho. 
Embora as pessoas que mais afetem as técnicas esportivas — professores, 
treinadores e atletas —, na maioria das vezes, não sejam conhecedoras da 
Biomecânica, as suas constantes motivações de tentativa e erro lhes permitem 
tropeçar nas técnicas melhoradas. 
À medida que mais professores, profissionais da saúde e atletas se expõem à 
Biomecânica, melhoras na técnica podem ocorrer com mais rapidez. Todavia, a 
Biomecânica do esporte e do exercício ainda é um campo relativamente jovem. 
A população de biomecânicos do esporte é pequena demais para ocasionar 
mudanças em muitas modalidades.
Acessando o link a seguir, você poderá assistir ao vídeo O que é biomecânica.
https://goo.gl/4gfZCo
Exame do movimento humano16
Uma vez que a maioria dos movimentos com os quais o fisioterapeuta lida são lentos 
e desprovidos de acelerações rápidas, os conceitos da mecânica aplicáveis à prática 
clínica são, principalmente, os princípios da estática. 
A finalidade de se estudar cinesiologia clínica é compreender as forças que atuam 
sobre o corpo humano e manipulá-las em procedimentos de tratamento, a fim de 
que o desempenho humano possa ser melhorado e lesões possam ser prevenidas.
BAUMANN, W. Métodos de medição e campos de aplicação da biomecânica: estado 
da arte e perspectivas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA, 6., Brasília, DF, 
1995. Anais... Brasília, DF: SBB, 1995.
SAMPAIO, A. V. Eixos do corpo humano. Brasil, 2016. Disponível em: https://www.cram.
com/flashcards/11-eixos-do-corpo-humano-7008957. Acesso em: 5 mar. 2019.
Leituras recomendadas
HALL, S. Biomecânica básica. Barueri, SP: Manole, 2007.
HAMILL, J.; KNUTZEN, K. M. Bases Biomecânicas do movimento humano. 3. ed. Barueri, 
SP: Manole, 2011.
OKINO, E.; FRATIN, L. Desvendando a física do corpo humano. Barueri, SP: Manole, 2007. 
17Exame do movimento humano

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