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SALVADOR - a cidade feia e desumana

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cotidianamente por seus moradores,
em que se contabiliza diariamente, nas sombras
luminosas das noites os cadáveres desovados,
mortos sem sepultura, como exemplos dos gru-
pos de extermínio a nos dizer como deve ser a
aplicação da Justiça na Bahia. Contabilidade da
matança policial, da cultura de eliminação, do
policial total, aquele que conhece, captura, julga e
executa o suspeito, porque, na linguagem policial,
“bicho tem que morrer”.
Trouxemos o Subúrbio com as suas contra-
dições, com suas vozes e com a ação de muitos
moradores que se indignam e reagem a este estado
de coisas que tão perversamente configura a socie-
Gey Espinheira
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dade local. Esta foi a nossa preocupação e a nossa
responsabilidade ética em devolver à sociedade o
conhecimento que nos foi possível realizar desse
universo humano heterogêneo, incrivelmente com-
GEY ESPINHEIRA é Sociólogo, Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), Professor do
Departamento de Sociologia da Universidade Federal da Bahia e Pesquisador associado ao CRH. Atuou
como coordenador do Grupo de Pesquisa Cultura, cidade e democracia: representações, sociabilidade e
movimentos sociais credenciado pelo CNPq.
plexo, que se chama de Subúrbio Ferroviário, ou
mais genericamente, “periferia de Salvador”.
(Recebido para publicação em julho de 2005)
(Aceito em agosto de 2005)