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Aspectos e conceitos ecológicos fundamentais

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2001). 
Podem-se entender os conceitos básicos sobre energia observando as cadeias 
alimentares. Como visto, a energia dentro de um ecossistema de uma cadeia alimentar é um 
fluxo, que ocorre num só sentido. 
Uma parte da energia solar que entra é transformada, e sua quantidade, elevada (quer 
dizer, é convertida em matéria orgânica, uma forma de energia mais concentrada que a 
luz solar) pela comunidade, mas a maior parte é degradada, passa pelo sistema e sai 
dele na forma de energia calórica, de baixa qualidade (sumidouro – escoamento de 
calor). A energia pode ser transformada, mas não reutilizada (ODUM, 1988). 
 
Para melhor explicar, Callenbach (2001, p. 77) cita as duas Leis da Energia: 
Primeira Lei da Energia: a energia não pode ser criada nem destruída – ela só muda de 
forma. 
Segunda Lei da Energia: quando a energia passa de uma forma a outra, parte dela 
acaba numa forma mais dispersa e menos útil – em geral, algum tipo de calor. 
 
A essa energia não-disponível, de menor utilidade, resultante das transformações, é 
dado o nome de entropia (este termo também é usado como índice geral da desordem 
associada com a degradação da energia) (ODUM, 1988). 
Callenbach (2001) diz que os nutrientes básicos são reciclados pela vida. Os seres 
humanos (ao usar a energia) reciclam o metal ou o papel. Embora a matéria se movimente em 
ciclos, a energia só flui. 
Com os conceitos de cadeia alimentar e suas relações com o ecossistema, Lindeman 
propôs a utilização da energia dentro dos sistemas, como sendo de uma pirâmide, onde no 
topo estaria a menor quantidade dela, referente ao último nível trófico antes dos 
decompositores e na base estariam os produtores ou autótrofos. Argumentava ainda, que a 
energia é perdida em cada nível por causa do trabalho realizado pelos organismos naquele 
nível e pela ineficiência das transformações biológicas de energia (RICKLEFS, 2003). 
 
Ainda de acordo com Ricklefs, Eugene P. Odum foi um dos mais fortes proponentes 
de uma abordagem sobre uma nova estrutura conceitual de medição do fluxo de energia e 
reciclagem de nutrientes. Odum retratou os ecossistemas como diagramas de fluxo de energia 
(figura 2). Com isso, evidenciava-se o princípio de que a energia passa de um elo para o outro 
na cadeia alimentar. 
 
Figura 2 – Diagramas do fluxo de energia nos ecossistemas segundo Odum (RICKLEFS, 2003, p. 119) 
 
Os organismos, os ecossistemas e a biosfera inteira conseguem manter uma pequena 
quantidade de entropia interna, através de uma contínua e eficiente dissipação de 
energia de alta utilidade para dar energia de baixa utilidade. Com isso, é possível 
dentro destes organismos e ecossistemas criar e manter um alto grau de ordem interna 
(ODUM, 1988). 
 
Para finalizar os três itens básicos de um Ecossistema, existem os ciclos 
biogeoquímicos. Segundo o Dicionário Silveira Bueno, ciclo é uma “série de fenômenos que 
se sucedem numa certa ordem”. Bio trata de organismos vivos, de vida e geo, às rochas, ar e 
água da Terra; a geoquímica trata da composição química do planeta e com as trocas de 
elementos entre as várias partes da crosta terrestre, da atmosfera e dos oceanos, rios ou outras 
massas de água. Portanto, pode-se dizer que ciclo biogeoquímico é a circulação dos elementos 
químicos (essenciais à vida) no ambiente, aos organismos e destes ao ambiente novamente; 
também é chamado por ciclagem de nutrientes (ODUM, 1988). 
 
Ao contrário da energia, os componentes orgânicos dos ecossistemas se mantêm 
dentro dos mesmos, porém energia e ciclagem de materiais estão interligadas (RICKLEFS, 
2003). 
Alguns elementos são mais importantes aos seres vivos do que outros. Segundo Odum 
(1988), de 30 a 40 elementos (dos mais de 90 conhecidos na Natureza) são essenciais aos 
organismos vivos, alguns em maior quantidade, outros em menores. Alguns elementos não 
essenciais também fluem e muitas vezes, ligados àqueles essenciais, como é o caso do 
estrôncio, entrando na alimentação animal e como conseqüência, na humana, sendo 
depositado nos ossos. 
Para Callenbach (2001), os principais ciclos biogeoquímicos são os ciclos da água, do 
nitrogênio, do carbono, do enxofre e do fósforo. 
Estes três itens básicos característicos dos ecossistemas formam os mecanismos de 
homeostasia do mesmo. Esta homeostase é que determina a estabilidade do sistema, e pode 
ser dividida de duas formas: 1) a estabilidade de resistência indica a capacidade de um 
ecossistema de resistir a perturbações e a 2) estabilidade de elasticidade, indica a capacidade 
de se recuperar quando o sistema é perturbado. Uma é excludente à outra, ou seja, é difícil os 
dois desenvolverem-se juntas. 
Assim, uma floresta de pinheiros da Califórnia é bastante resistente ao fogo (com 
cortiça grossa e outras adaptações), mas se queimar recuperar-se-á muito lentamente, 
ou talvez nunca. Por outro lado, a vegetação de chaparral da Califórnia pega fogo com 
facilidade (pouca estabilidade de resistência), mas se recupera rapidamente, em 
poucos anos (excelente estabilidade de elasticidade) (ODUM, 1988, p. 33). 
 
Pensando na Terra em homeostase dentro da Ecologia, James Lovelock, cientista, 
físico, inventor e engenheiro em colaboração com Lynn Margulis em 1973, explicam a Teoria 
Gaia, que sustenta que os organismos, principalmente os microorganismos, evoluíram junto 
com o ambiente físico, formando um sistema complexo de controle, o qual mantém favoráveis 
à vida as condições da Terra. (LOVELOCK, 1979 apud ODUM, 1988). Dentro deste 
 
equilíbrio, estão todos os componentes básicos de um ecossistema; sendo assim, podemos 
pensar na Terra (biosfera) como um grande ecossistema. 
 Haja vista o que fora falado sobre tais componentes básicos de um ecossistema (fluxo 
de energia, comunidade e ciclagem de materiais) e o foco principal do presente trabalho, 
pode-se trabalhar a cidade ou sistemas urbanos ou ainda áreas metropolitanas, como 
ecossistemas, apesar de alguns autores o chamarem de ecossistema incompleto ou 
heterotrófico; heterotrófico, pois a produção de alimentos é mais encontrada nas áreas rurais 
vizinhas (ODUM et al, 1987). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 2 
ECOSSISTEMAS URBANOS – CIDADES 
 O homem desde o princípio de sua existência tem tendência a formar bandos ou 
grupos. Viver isoladamente não era e nem continua sendo vantagem, principalmente nos 
tempos mais remotos, onde a sobrevivência era mais complicada que nos dias atuais, claro. 
Alimentação, moradia, trabalhos, etc. eram muito mais fáceis de realizar em 
comunidades. Essa constante vivência seria ainda pior, caso o homem não possuísse uma 
característica fundamental, que o difere dos outros animais, que é sua adaptação perante o 
ambiente: vive nas terras geladas do Norte, nos desertos, nos trópicos, etc. Assim como ele 
aprendeu a conviver em outros locais, perante a necessidade ele aprendeu também a conviver 
nas cidades, porém muitas vezes este aprendizado levou ou ainda leva grandes sistemas 
naturais ao completo declínio (BRANCO, 2003). 
Ainda de acordo com o autor acima, o ambiente da cidade é atraente para a população 
rural, visto que na cidade existem inúmeras possibilidades de lazer e aperfeiçoamento 
cultural. Sendo assim, estas pessoas tentam abandonar o meio rural, enfrentando diversos 
problemas como a falta de segurança e outros fatores que não são habituais a elas. 
 
Figura 3 – Proporção da população por situação de domicílio (1980 – 2000). Fonte: IBGE. 
 
 
 É notável que apesar da “fuga” da população rural para os centros urbanos (figura 3), 
há também certa quantidade de pessoas que saem das grandes cidades (metrópoles) e 
procuram as cidades mais interioranas.