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A IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS AMBIENTALMENTE PROTEGIDAS NAS CIDADES

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não contribui para 
acelerar o processo de licenciamento ambiental de assentamentos urbanos ou diminuir os 
conflitos de interesses de profissionais da área de arquitetura e urbanismo ligados ao órgão 
municipal e de profissionais da área ambiental ligados ao órgão ambiental, principalmente se 
for no âmbito federal. 
2.1.3 Licenciamento Ambiental 
De acordo com Santos (2004), a licença ambiental também é um ato administrativo com 
finalidade específica de permitir sob certas regras legais e acordos entre comunidade, governo, 
comunidade científica e empreendedor o exercício de atividades que de algum modo 
modifiquem ou alterem o meio ambiente nos termos do art. 225 da CF, entre outros. 
O licenciamento ambiental é composto de três licenças16: Licença Prévia (LP), Licença 
de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO). A LP só poderia ser concedida caso fosse uma 
continuação do EIA-RIMA, possibilitando testar os impactos do empreendimento e obter as 
informações complementares para a derradeira concessão ou não da licença ambiental, a 
instalação e operacionalização do empreendimento quando não suscitar impactos irreversíveis 
ao meio ambiente. No entanto, muitos projetos danosos ao meio ambiente são viabilizados por 
 
16 O Decreto 99.274/90 em seu art. 19 cria as licenças ambientais, mas é impreciso quanto às circunstâncias e objetivos de sua 
emissão. (Santos, 2004) 
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meio desta licença e os princípios ecológicos são totalmente violados. 
A LI autoriza o início da implantação em empreendimento urbanos de acordo com as 
restrições legais, as determinações do Zoneamento e Plano de Manejo da área, e de acordo 
com outros instrumentos de gestão do espaço como o zoneamento urbano. Entretanto, como já 
foi descrito anteriormente, se há uma ausência de integração dos zoneamentos, como firmar os 
acordos necessários entre a comunidade, instituição de pesquisa, governo e empreendedor e as 
determinações da AIA? Daí a necessidade de se estabelecer princípios de sustentabilidade 
ambiental que facilite a integração dos diferentes atores envolvidos e dos diferentes 
zoneamentos desenvolvidos em áreas ambientalmente protegidas no espaço urbano. 
A LO que tem como finalidade autorizar o início da atividade licenciada, por sua vez, 
não se aplica à dinâmica urbana, conforme analisada por Ribas (2003), uma vez que, ao 
implantar o loteamento (desmatamento, abertura de vias, implantação de infra-estrutura), já 
está se iniciando sua operação. 
Após a concessão das licenças exigidas para o empreendimento, instala-se um processo 
constante de acompanhamento pelo órgão ambiental e pelos demais agentes sociais que 
participaram da Avaliação de Impacto Ambiental do empreendimento denominado de 
Monitoramento Ambiental. No caso de ocupações urbanas torna-se obscuro esse 
monitoramento para impactos que só poderão ser medidos a longo prazo como o caso de 
projetos urbanísticos aprovados pelo órgão ambiental que não respeitam os princípios básicos 
de sustentabilidade para a ocupação de margens de rios, Áreas de Preservação Permanente – 
APPs, impostos pelo Código Florestal. 
2.2 As Áreas de Proteção Permanente – APPs nas cidades 
O regime de proteção das APPs17 é bastante rígido tendo como regra a intocabilidade, 
admitida excepcionalmente a retirada da vegetação apenas nos casos de utilidade pública ou 
interesse social legalmente previstos (Código Florestal e Medida Provisória no. 2166-
67/2001). 
Estas áreas tiveram seus parâmetros e limites definidos pela Resolução CONAMA18 no. 
 
17 Área de Preservação Permanente – APP - definida pelo Código Florestal – “ ... área protegida coberta ou não por 
vegetação nativa, com função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a 
biodiversidade, o fluxo gênico da fauna e da flora, proteger o solo e assegurar o bem estr das populações humanas. 
18 Resoluções CONAMA 302 e 303. 
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303/2002 nos artigos 2o e 3o, como o caso das faixas de proteção ao longo dos cursos d’água. 
As larguras predeterminadas dependem das dimensões dos cursos d’água que prevêem o 
mínimo de 30m para aqueles até 10m de largura e o máximo de 500m para aqueles com mais 
de 600m de largura. Ao redor de nascentes ou olho d’água, ainda que intermitente, a lei prevê 
um raio mínimo de 50m de limite para a ocupação com a finalidade de proteger a bacia 
hidrográfica contribuinte e para o bom manejo do impacto da urbanização. 
No entanto, os empreendedores urbanos ocupam as APPs, com quadras urbanas ou áreas 
públicas diversas como uso institucional, sistemas de recreação e vias públicas. Argumentam 
como se na cidade não existissem mais florestas e, portanto, essa regulamentação não se 
aplicaria. 
De acordo com Araújo (2002), alguns autores afirmam que nas normas que regulam as 
APPs estão as interfaces mais mal trabalhadas entre a legislação ambiental federal e a questão 
urbana, visto que as falhas presentes na legislação são apontadas como um dos fatores que 
mais contribuem para o descumprimento dessas normas em áreas urbanas. 
Essa lei tem gerado algumas controvérsias para APPs em áreas urbanas em relação ao 
termo limites definidos por leis municipais que serão observadas nos respectivos planos 
diretores e leis de uso do solo as quais não poderão conter as mesmas quantidades numéricas 
contidas na lei federal, tratados como redundantes. Há quem sustente que os limites são limites 
máximos e na verdade são limites mínimos. 
Essa controvérsia se estende pelo entendimento da Lei 6766 de 1979 que disciplina a 
maneira possível e como deve se dar o parcelamento do solo urbano, desde que respeitados os 
limites e princípios estabelecidos pelo Código Florestal, ou seja, pode-se ampliar os limites, 
mas não reduzi-los. O grande problema se encontra no artigo 4o desta Lei que prevê uma faixa 
non edificante de 15 metros ao longo dos cursos d’água correntes e dormentes e no Código 
Florestal, prevê 30 metros. É importante ressaltar que a Lei 6766/79 diz, “salvo maiores 
exigências” que devem ser estabelecidas sobre legislação específica que é o caso da legislação 
das APPs.19 
Ora é curiosa esta discussão para áreas urbanas, pois se as cidades nascem e crescem a 
partir dos rios que dão suporte aos serviços essenciais, que incluem o abastecimento de água 
 
19 Para Register (2002), as distâncias entre as áreas edificadas e os córregos deveriam ser mais largas em áreas distantes do 
centro e mais estreitas nos centros, onde o custo da terra é de maior valor econômico. Quem sabe assim, os córregos não 
fossem enterrados e canalizados. 
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potável e eliminação dos efluentes sanitários e industriais, era de se esperar que ao longo 
desses rios ou lagos todas essas normas devessem ser observadas e os limites das APPs para 
cursos d’água devessem ser ainda mais importantes, mesmo existindo a dificuldade de 
aplicação dessas dimensões estabelecidas. 
De acordo com Francisco (2003) são fronteiras d’água, isto é, são espaços dinâmicos de 
terra e água demarcados hidro-geomorfologicamente e ricos em vegetação, com concentração 
arbórea quase sempre significativa, configurando lugares notáveis com rica configuração 
paisagística. 
As matas ciliares, por exemplo, têm como função, entre outras, manter o equilíbrio 
hidrológico por meio: da estabilização das ribanceiras do rio através da manutenção do 
emaranhado de raízes; do controle do aporte de nutrientes e de produtos químicos aos cursos 
d'água; da filtragem e do controle da alteração da temperatura para o ecossistema aquático; da 
formação de barreiras para o carreamento