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mais devagar e reage com ácidos e bases, evitando assim 
que essas substâncias atinjam a pele. Para proteção adequada do corpo, o avental deve ter 
mangas compridas e comprimento até os joelhos. Recomenda-se também que o avental tenha 
fechamento frontal com velcro, para facilitar a sua remoção em caso de derramamento de 
produtos químicos. Evite adquirir aventais com detalhes soltos, como bolsos e tiras na cintura, 
pois, além de não terem utilidade, podem causar acidentes. O avental deve ser usado sempre 
fechado e deve ser despido ao se sair do laboratório. 
 
4.2. Luvas 
 As luvas protegem as mãos durante manipulações de substâncias corrosivas. Não se 
esqueçam que as mãos devem ser sempre lavadas antes e, principalmente, depois da utilização 
de luvas. A eficiência das luvas é medida através de três parâmetros: 
(i) degradação – mudança em alguma das características físicas da luva; 
(ii) permeação – velocidade com que um produto químico atravessa o material da luva; 
(iii) tempo de residência – tempo decorrido entre o contato inicial com o lado externo da 
luva e a ocorrência do produto no seu interior. 
 
É importante lembrar que nenhum material utilizado na confecção de luvas protege 
contra todos os produtos químicos. Para diferentes aplicações existem diferentes tipos de luvas. 
No Quadro 1.2 abaixo, são apresentados diferentes tipos de luvas e os seus usos 
recomendados. 
 
 
 
Quadro 1.2: Tipos de luvas e suas aplicações 
Tipo Uso 
Borracha butílica (luva 
grossa) 
Boas para cetonas e ésteres, ruins para os demais solventes. 
Látex Boas para ácidos e bases diluídas, péssimas para solventes 
orgânicos. 
Neopreno (luva grossa) Boas para ácidos e bases, peróxidos, hidrocarbonetos, álcoois, 
fenóis. Ruins para solventes halogenados e aromáticos 
PVC (luva grossa) Boas para ácidos e bases, ruins para a maioria dos solventes 
orgânicos. 
PVA (luva grossa) Boas para solventes aromáticos e halogenados, ruins para 
soluções aquosas. 
Nitrila Boas para uma grande variedade de solventes orgânicos, e 
também para ácidos e bases. 
Viton (luva grossa) Excepcional resistência a solventes aromáticos e halogenados. 
 
Alguns cuidados devem ser tomados para uma boa conservação das luvas. Entre eles, 
estão: 
a) as luvas devem ser inspecionadas antes e depois do uso, observando atentamente os 
sinais de deterioração, pequenos orifícios, descoloração e ressecamento; 
b) luvas descartáveis não devem ser reutilizadas; 
c) as luvas não descartáveis devem ser lavadas, secadas e guardadas longe do local onde 
são manipulados produtos químicos. 
 
4.3. Proteção Facial/Ocular 
 Esse tipo de proteção deve estar disponível no laboratório, sendo que o seu uso é 
obrigatório em qualquer atividade onde houver a probabilidade de respingos de produtos 
químicos. Estes protetores podem ser de dois tipos: óculos de segurança ou protetor facial. 
Esses equipamentos devem apresentar algumas características especiais: 
a) não devem distorcer imagens ou limitar o campo visual de observação; 
b) devem ser resistentes aos produtos químicos que serão manuseados; 
c) devem ser confortáveis e de fácil limpeza e conservação; 
d) devem ser fáceis de serem retirados, no caso de acidentes. 
 
Os protetores faciais e oculares não precisam ser utilizados constantemente nos 
laboratórios, sendo requeridos apenas na execução de algumas operações específicas. 
Algumas dessas operações especiais estão descritas no Quadro 1.3, apresentado a seguir. 
 
Quadro 1.3: Operações de laboratório nas quais o uso da proteção facial/ocular é 
requerido. 
Operação Proteção requerida 
Entrada em locais onde haja uma razoável 
probabilidade de respingos de líquidos no 
rosto 
 
Óculos de segurança e protetor facial 
 
Manuseio de produtos químicos corrosivos Óculos de segurança com vedação nas laterais 
Manuseio de produtos químicos perigosos Óculos de segurança com vedação nas laterais 
Transferência de produtos químicos corrosivos 
ou perigosos 
Óculos de segurança com vedação laterais e 
protetor facial 
 
O uso de lentes de contato no laboratório apresenta aspectos positivos e negativos. 
Entre os aspectos positivos estão: 
 uma melhor visão periférica; 
 são mais confortáveis e atrapalham menos que os óculos de grau; 
 podem funcionar como uma barreira para alguns gases e partículas que se 
direcionam aos olhos; 
 são mais adequados do que óculos em atmosferas úmidas, pois não embaçam 
facilmente; 
 são mais adequados para se trabalhar com instrumentos ópticos que não tem 
ocular ajustável; 
 são mais apropriados para a utilização com os óculos de segurança; 
 não apresentam problemas de reflexo, comum a vários tipos de lentes de óculos. 
 
Por outro lado, os aspectos negativos são: 
 partículas podem ficar retidas sob as lentes de contato causando grande irritação 
ao olho 
 as lentes podem ser danificadas (descolorir ou tornarem-se turvas) em contato 
com alguns tipos de vapores químicos 
 as lentes gelatinosas podem secar em ambientes com pouca umidade 
 alguns vapores e gases podem ser absorvidos pelas lentes e causar irritação nos 
olhos. 
 
 
4.4. Proteção Respiratória 
Os equipamentos de proteção respiratória podem ter as seguintes características: 
 respiradores com filtros mecânicos: apresentam uma barreira física e são eficientes 
contra a inalação de partículas; 
 respiradores simples com filtros químicos: possuem filtros adsorvedores capazes de 
reter gases e vapores de substâncias químicas; 
 respiradores motorizados com filtros químicos: possuem um motor capaz de 
bombear maior volume de ar, que passa através do filtro para retenção dos 
contaminantes. Esse tipo de respirador é utilizado quando a concentração de 
oxigênio no ar for reduzida; 
 Respiradores por adução: utilizam um tanque de ar comprimido. São utilizados 
quando a concentração e a toxicidade do contaminante são muito elevadas. 
 
 Esses equipamentos devem ser utilizados apenas quando as medidas de proteção 
coletiva (capelas com exaustão adequada) não existirem ou forem insuficientes. O uso de 
respiradores deve ser esporádico e para operações não rotineiras. Os respiradores ou 
máscaras devem ser utilizados nos seguintes casos: 
a) em acidentes, nas operações de limpeza e salvamento; 
b) em operações de limpeza de almoxarifados de produtos químicos; 
c) em procedimentos onde não seja possível a utilização de sistemas exaustores. 
 
Antes de optar pelo uso de respiradores, deve-se tentar adotar os procedimentos de 
proteção coletiva, diminuir a exposição e, se possível, substituir as substâncias tóxicas por 
outras que apresentem menores toxicidades. 
 
 
5. Equipamentos de Proteção Coletiva 
 
 Em qualquer ambiente onde há riscos de acidentes, pequenos ou não, uma das 
primeiras preocupações que o usuário deve ter é procurar a localização exata e conhecer os 
detalhes do funcionamento dos equipamentos de proteção coletiva lá disponíveis. 
Dentre equipamentos de proteção coletiva que um laboratório de química deve possuir, 
os mais importantes são: 
(i) capelas de exaustão. Devem ser utilizadas na manipulação de produtos 
químicos que liberem gases ou vapores. As reações químicas onde ocorre 
liberação de gases ou vapores devem ser necessariamente realizadas nas 
capelas de exaustão; 
(ii) chuveiros. Devem ser utilizados em casos de derramamento de grandes 
quantidades de produtos químicos sobre o operador. No caso do avental estar 
encharcado com produto ou produtos químicos, este deve ser retirado antes do 
operador efetivamente utilizar o chuveiro; 
(iii) lava-olhos. Devem ser utilizados em casos de contato de produtos