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ApostilaTecnica Cirurgica

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é a abertura do estômago, e deve ser distinguida da 
gastrostomia, que é o estabelecimento de uma abertura artificial (de comunicação 
com o meio externo) do estômago. 
 
3. INDICAÇÕES 
- Retirada de corpos estranhos; 
- Inspeção da mucosa gástrica para verificação de presença de úlceras, 
neoplasias ou hipertrofias; 
- Obtenção de material para biópsia; 
- Esvaziamento gástrico. 
 
4. CONSIDERAÇÕES PRÉ-OPERATÓRIAS 
Antes do ato cirúrgico deve-se examinar todo o trato gastrointestinal através 
de exames físico, radiológico e gastroscopia, para determinar se estão presentes 
outras lesões. Deve-se avaliar se há desequilíbrio hidroeletrolítico no paciente, o 
qual deve ser corrigido antes da cirurgia. O histórico deve ser considerado. Uma 
laparatomia exploratória pode indicar uma gastrotomia. Antibioticoterapia profilática 
pode ser instaurada. 
 
5. CONSIDERAÇÕES QUANTO À PRESENÇA DE CORPOS ESTRANHOS NO 
ESTÔMAGO: 
Incidência: relativamente alta, acometendo cães e gatos em diferentes 
idades. 
Sinais clínicos: vômito reflexo é desencadeado apenas quando o C.E. 
localiza-se no antro pilórico; quando localizado no fundo, geralmente não produz 
sinais clínicos. Se o C.E. se deposita na porção pilórica do estômago, o 
esvaziamento gástrico tende a diminuir. C.E. geralmente não são detectáveis à 
palpação abdominal. 
Achados laboratoriais: variam com a severidade e duração do vômito e 
devem incluir desidratação e desbalanço eletrolítico e ácido-básico. A anormalidade 
mais comum é acidose metabólica, mas alcalose hipocaliêmica também pode 
ocorrer em animais com obstrução pilórica. 
R-X: adequado para diagnóstico de C.E. radiopaco, mas muitos são 
radiolucentes. Sua presença pode ser sugerida por aumento na largura de uma 
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porção localizada do estômago. Gás e resto da ingesta freqüentemente se 
acumulam ao redor do C.E. gástrico, facilitando sua localização. O R-X contrastado 
pode ser necessário. 
Diagnóstico: baseado em achados clínicos e, principalmente, radiográficos. 
Se inconclusivo, realizar R-X contrastado. Exames laboratoriais com análise de 
eletrólitos, desbalanço ácido-básico podem auxiliar. 
Tratamento: C.E. devem ser removidos, pois causam inflamação crônica na 
parede gástrica e obstrução pilórica ou intestinal. A melhor técnica deve ser 
escolhida baseada no tamanho, tipo e consistência do C.E. quando circulares e de 
superfície lisa, podem ser removidos por vômito induzido, 30 minutos após o animal 
ter fito sua alimentação regular. Em cães, apomorfina pode ser usada na dose de 1-
5mg; em gatos, 1 mg/kg de xilazina é mais indicado. C.E. pequenos e de superfície 
lisa podem ser recuperados por endoscopia ou, ainda, com pinças de apreensão. 
C.E. grandes ou de superfície irregular, que podem causar injúria ao esôfago 
quando retirados pela boca, devem ser removidos por gastrotomia. Deve-se tentar o 
método conservador antes de se optar pelo cirúrgico sempre que possível. 
Prognóstico: bom, desde que a intervenção seja precoce. 
 
6. TÉCNICA CIRÚRGICA 
1. Anestesia; 
2. Animal em decúbito dorsal; 
3. Anti-sepsia; 
4. Colocação dos primeiros panos de campo; 
5. Laparotomia mediana; pré-umbilical; em alguns casos, pré-retro umbilical; 
6. Colocação dos segundos panos de campo e de compressas umedecidas ao 
redor da incisão; 
7. Afastadores para aumentar a exposição do estômago; 
8. Exploração da cavidade abdominal e exposição e isolamento do estômago, 
através de 2 suturas de apoio eqüidistantes ou de pinças Babcock na área menos 
vascularizada do órgão; estruturas abdominais circundantes são afastadas com 
compressas umedecidas; 
9. Rotacionar o estômago a 90º par que a incisão fique paralela à parede 
abdominal; 
10. Incisão paralela e eqüidistante às duas curvaturas, em duas etapas; 
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a) Iniciar na camada seromuscular, aprofundando até a mucosa com 
bisturi; hemorragia pode ocorrer quando a incisão atinge a porção mais profunda do 
leito seromuscular e a ligadura dos vasos será mais fácil se a mucosa estiver íntegra 
pois, quando incisada, tem a tendência de se dobrar sobre as outras camadas da 
parede gástrica; 
b) Faz-se uma incisão na mucosa com lâmina de bisturi ampliando-a com 
tesoura em direção às pinças; 
11. Inspeção do órgão e/ou retirada do C.E.; 
12. Troca de luvas; desprezar material contaminado (compressas, instrumental 
cirúrgico); 
13. Sutura. 
Quanto à sutura, cabem aqui alguns comentários. Há autores que defendem a 
sutura realizada em um único plano, por causar menor inversão e melhor aposição 
das bordas da ferida. Por outro lado, a sutura realizada em dois planos proporciona 
melhor controle da hemorragia e melhor adaptação da serosa. Quando realizada em 
um único plano, a sutura é simples interrompida, perfurante total ou, ainda, não 
perfurante total, sendo estas preferidas àquelas para gastrorrafias, uma vez que a 
presença de fio de sutura na mucosa gástrica seria fonte constante de atrito. Este 
procedimento tem sido preconizado recentemente por causar menor isquemia e 
exsudação à ferida cirúrgica. 
Suturas realizadas em dois planos poderiam ter no primeiro padrão Cushing, 
com fio absorvível sintético 3-0 a 4-0 (ex. Vicryl); a sutura se inicia na superfície 
serosa e penetra, mas não atravessa, a mucosa (não perfurante total). O segundo 
plano é realizado com pontos simples separados tipo Lembert, utilizando-se fio 
absorvível sintético 2-0 ou 3-0, passando a aguda em ângulo reto na incisão, através 
da seromuscular. Outras combinações podem ser feitas, geralmente com sutura 
simples interrompida, no primeiro plano e invaginante no segundo (ex. Lembert). A 
escolha fica a critério do cirurgião e de suas habilidades. O omento pode ser 
colocado sobre a incisão e fixado com dois pontos simples separados, com fio 
absorvível sintético 2-0 ou 3-0. 
O categute é recomendado por alguns autores na escolha d um fio absorvível 
mas recriminado por outros devido à indução de intensa reposta inflamatória e à 
imprevisibilidade de sua taxa de absorção. 
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(Fonte: FOSSUM, 2002). 
 
7. CUIDADOS PÓS-OPERATÓRIOS 
Além dos cuidados referentes à causa que conduziu à gastrotomia, os 
cuidados pós-cirúrgicos constituem-se, basicamente, na restauração do equilíbrio 
hidroeletrolítico. A fluidoterapia deve ser continuada até que a ingestão oral de fluído 
se restabeleça adequadamente. Pequenas quantidades de água devem ser 
oferecidas tão logo o animal se recupere da anestesia. Se a água é aceita pelo 
animal, alimentação pastosa e em pequenas quantidades pode ser iniciada 24 a 48 
horas (diverge entre autores) após a intervenção cirúrgica. A quantidade e a 
consistência do alimento devem ser gradualmente aumentadas até que aos quatro 
dias de pós-operatório a alimentação normal seja restabelecida. 
 
 
 
 
 
 
 
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