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ApostilaTecnica Cirurgica

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EESSPPLLEENNEECCTTOOMMIIAA 
Profª. Drª. Paula Diniz Galera 
 
Por muito tempo acreditou-se que o baço não era essencial à vida e, portanto, 
poderia ser retirado sem maiores complicações. Sabe-se, hoje, que a doença 
esplênica representa grande mortalidade e morbidade a cães idosos. Embora os 
avanços das técnicas anestésicas e cirúrgicas e um cuidado pós-operatório 
adequado permitam lograr êxito nas esplenectomias de cães e gatos, as 
complicações pós-cirúrgicas que ameaçam a vida ainda persistem. As importantes 
funções desempenhadas pelo baço têm conduzido a métodos de preservação da 
função esplênica e ao monitoramento da saúde de animais esplenectomizados. 
 
Definição: 
Esplenectomia é a remoção cirúrgica do baço. 
 
Anatomia: 
O baço situa-se no quadrante abdominal cranial esquerdo, encontrando-se 
geralmente paralelo à curvatura maior do estômago. Entretanto, sua localização 
mais precisa é dependente do tamanho e do posicionamento dos outros órgãos 
abdominais.Com o estômago contraído o baço se localiza ao lado das costelas; 
quando o estômago está repleto, o baço se encontra no abdômen caudal. 
O suprimento sangüíneo é oriundo da artéria esplênica, ramo da a. celíaca. A 
artéria esplênica possui de três a cinco ramificações primárias, que cursam no 
omento maior em direção ao terço ventral do baço. A primeira ramificação irriga o 
pâncreas. Os dois ramos remanescentes dirigem-se à metade proximal do baço, de 
onde se projetam cerca de vinte a trinta ramificações que entram no parênquima.Os 
ramos continuam, então, do ligamento gastroesplênico em direção à curvatura maior 
do estômago, formando as artérias gástricas menores (que irrigam o fundo) e a 
artéria gastroepiplóica esquerda (que irriga a curvatura maior do estômago). A 
drenagem venosa é via veia esplênica. A contração do baço é regulada pelo grande 
número de receptores alfa – adrenérgicos. 
 
Indicações: 
As afecções cirúrgicas do baço podem ser focais (assimétricas) ou difusas 
(simétricas). A esplenomegalia difusa pode ser atribuída à congestão (ex: torção 
esplênica, insuficiência cardíaca direita, dilatação vólvulo-gástrica, fármacos) ou 
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GALERA, P.D. 117
infiltração resultante de infecção, doença imunomediada ou neoplasia (Ex: lifoma). A 
esplenomegalia focal pode ser causada por processos benignos (ex: regeneração 
nodular, trauma, hematoma) ou neoplásicos (ex: hemangiosarcoma). A 
esplenomegalia decorrente de neoplasia é a principal causa de esplenomegalia não 
iatrogênica em cães e gatos. 
Trauma esplênico, ruptura de um hematoma ou uma doença concomitante 
(ex: infecção crônica, doença imunomediada ou coagulação intravascular 
disseminada) podem resultar em hemorragia seguida de anemia. 
 
Esplenectomia parcial 
Indicada para lesões focais ou traumáticas, quando se deseja preservar a 
função esplênica. 
Técnica Cirúrgica: 
- celiotomia mediana pré-umbilical ou pré-retro-umbilical, para exploração da 
cavidade abdominal; 
- defina a área a ser removida; 
- ligue duplamente os vasos da região e seccione-os; 
- coloque pinças atraumáticas entre a região a ser excisada e a região sadia; 
- seccione o baço entre as pinças; 
- suture o tecido esplênico com um padrão de sutura contínuo, utilizando fio 
absorvível sintético 3-0 ou 4-0. Para conferir maior segurança à sutura, pode-se 
utilizar um padrão duplo (ex. simples contínuo na ida, voltando com a mesma 
sutura). 
 
Esplenectomia total 
Indicada para neoplasias esplênicas, obstruções isquêmicas (torções 
esplênicas), aumento generalizado secundário a doenças infiltrativas e traumas. 
Algumas doenças imunomediadas não responsivas à terapia podem requerer uma 
esplenectomia, embora seja pouco difundida atualmente. Sempre que possível, a 
esplenectomia parcial è preferida a esplenectomia total. 
As desvantagens de uma esplenectomia total são a perda do reservatório 
sangüíneo, da defesa imune e das funções de filtração e hematopoiese do baço. É 
contra-indicada em pacientes que tenham hipoplasia de medula óssea. 
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Técnica cirúrgica: 
Pode ser necessária a transfusão sangüínea antes ou concomitante à 
cirurgia. 
- celiotomia mediana pré-umbilical ou pré-retro-umbilical, para exploração 
da cavidade abdominal; 
- exposição do baço, envolto em compressas. Em pacientes com lesões 
neoplásicas, esta exposição torna-se difícil. 
- ligar duplamente e seccionar todos os vasos do hilo esplênico, com fio 
absorvível (preferencialmente) ou não absorvível; 
OBS: Podem-se realizar ligaduras dos vasos esplênicos maiores, ao invés de 
ligar todos os vasos menores próximos ao hilo. Entretanto, esta técnica é mais 
susceptível a hemorragias no pós-operatório. 
- se possível, preservar as artérias gástricas menores que irrigam a região 
do fundo do estômago; 
- identifique o ramo que nutre o pâncreas; 
- ligue duplamente e seccione a artéria esplênica distal a estes vasos. 
O material de sutura absorvível é mais indicado. Se houver peritonite, dê 
preferência a fios monofilamentares, como poligliconato ou polidioxanone. 
 
Pós – operatório: 
O animal deve ficar em observação durante as primeiras 24 horas, devido ao 
risco de hemorragia, e o hematócrito aferido constantemente, até que tenha voltado 
aos níveis normais. Se houver hemorragia, esta pode ser por falha técnica ou por 
distúrbios de coagulação (CID). Pode-se observar leucocitose discreta. Leucocitose 
acentuada é sinal de infecção. 
Manter a hidratação corpórea e analgesia. 
 
Complicações: 
A maior complicação da cirurgia esplênica é a hemorragia, mais freqüente 
quando se realiza biópsia ou esplenectomia parcial. Pode decorrer de falhas nas 
ligaduras dos vasos na esplenectomia total. 
 
 
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GALERA, P.D. 119
EENNTTEERROOTTOOMMIIAA,, EENNTTEERREECCTTOOMMIIAA EE EENNTTEERROOAANNAASSTTOOMMOOSSEE 
Profª. Drª. Paula Diniz Galera 
 
Definição: enterotomia é uma incisão no intestino. Enterectomia é a 
ressecção (remoção) de um segmento do intestino e enteroanastomose é o 
restabelecimento da continuidade entre as extremidades rompidas. 
 
Indicações: as cirurgias intestinais (principalmente intestino delgado) são 
indicadas para casos de obstrução (corpos estranhos, massas), traumatismos 
(perfurações, isquemia), posicionamentos errados, infecções e procedimentos 
diagnósticos ou de suporte (biópsia, cultura, citologia, sondas alimentares). A 
ressecção e a anastomose intestinais são indicadas em pacientes com 
intussuscepção irredutível, estenose do lúmen intestinal, lesões graves que 
comprometam o tecido ou neoplasias intestinais. 
 
Técnica operatória: 
1. pré-operatório: além dos procedimentos rotineiros (jejum, estabelecimento 
do animal, tricotomia, etc.), preconiza-se a antibioticoterapia profilática 
imediatamente antes à cirurgia. A flora bacteriana é menor no duodeno e no jejuno 
que íleo, cólon e reto. O maior número de bactérias (aeróbias e anaeróbias) se 
encontra no cólon. Proliferação anormal de bactérias residentes ocorre no intestino